Na manhã seguinte, era sexta-feira, o dia em que ela iria entregar as cestas básicas na invasão onde Tatu aparentemente morava. Eduarda seguiu sua rotina normalmente pela manhã. Acordou junto com Paulo às seis horas, preparou o café dele, separou as roupas para lavar, lavou o jardim e adiantou o almoço. A única mudança era que Paulo não havia ido trabalhar, então ela teria mais tempo para se preparar para as entregas das cestas básicas.
Depois que as crianças acordaram, ela fez o café da manhã delas, ajudou nos deveres de casa e terminou de organizar tudo. Enquanto arrumava as coisas, Clara chegou na casa e chamou Eduarda. Entregou-lhe uma lista e disse:
— Pastora, essa lista é das pessoas cadastradas pelo projeto, mas vamos mandar uma quantidade maior para outras pessoas de lá que não conhecem o projeto.
Eduarda pegou a lista, olhou rapidamente e depois se virou para o marido:
— Amor, vamos levar as crianças na escola pois vou ao cabeleireiro e à manicure após eles entrarem na escola.
Paulo então disse à esposa:
— Amor, eu até te acompanharia na entrega das cestas, mas vou visitar um fiel que precisa de oração.
Eles levaram os filhos para a escola. Tatu não estava lá na porta da invasão. “Talvez a ameaça de chamar a polícia tenha dado certo”, pensou Eduarda, aliviada. Ela deixou as crianças na escola e foi para o salão, no bairro mesmo.
No salão, ela comentou sobre o trabalho voluntário daquela semana. As outras clientes elogiaram Clara pelo que ela faz. Eduarda sentiu uma pontada de inveja e disse:
— Eu vou fazer esse projeto crescer muito. Vocês vão ver.
Ela fez o cabelo, as unhas e saiu para encontrar o homem que estava com as cestas básicas.
Ela saiu do salão em direção ao projeto. Chegou no local onde o projeto era realizado: uma casa simples, mas espaçosa, típica do bairro. A casa tinha um quintal grande nos fundos, com uma mesa grande de madeira sob uma cobertura, ideal para reuniões e organização de cestas. Dentro havia uma sala de estudos com várias Bíblias e materiais de estudo nas estantes, uma cozinha funcional e bem organizada, tudo transmitindo simplicidade e propósito.
Clara estava lá e disse:
— Pastora, não poderei ir pois tenho médico. Então aqui está a lista completa. O motorista já está ali. A irmã que mora na invasão irá ajudar você por lá.
Eduarda pegou a lista, assentiu e saiu com o motorista na pequena van carregada com as cestas básicas.
Uma chuva fina caía na rua, deixando o ar mais úmido e frio. Eduarda caminhava com cuidado sobre o asfalto solto e esburacado, equilibrando-se em seus saltos altos. Usava um elegante vestido midi que se ajustava perfeitamente ao seu corpo curvilíneo, marcando sua cintura fina, destacando seus seios grandes e firmes e realçando o quadril largo e a bunda arredondada. Seus cabelos loiros estavam impecáveis, as unhas feitas com esmalte vermelho vivo e ela mantinha uma postura de elegância e altivez, mesmo naquele ambiente precário.
A irmã Bete, uma mulher fofoqueira conhecida por cuidar mais da vida dos outros do que da própria, apareceu logo em seguida. Com um sorriso curioso, ela disse:
— Pastora Eduarda! A senhora aqui? Sempre te convidei para visitar minha casa, viu? Entra, vamos tomar um cafezinho.
Eduarda, mantendo a distância e o ar superior, respondeu educadamente:
— Bete, eu vou me posicionar aqui na entrada mesmo. Não vou entrar no terreno hoje.
Bete insistiu um pouco, mas por fim deu de ombros e disse:
— Tudo bem, pastora. Como a senhora preferir.
Bete então organizou a fila com eficiência. Ela mesma ia indicando à pastora Eduarda quem deveria receber as cestas básicas cadastradas e ordenava que outras pessoas formassem uma segunda fila para as cestas extras. A entrega começou de forma organizada. Eduarda, ainda de salto alto e com o vestido midi que marcava suas curvas generosas, distribuía as cestas com sorriso educado, mas mantendo certa distância. A chuva fina continuava caindo, molhando levemente seus cabelos loiros e o tecido do vestido, que agora colava sutilmente ao corpo, realçando ainda mais sua silhueta voluptuosa.
Foi então que Tatu apareceu. Visivelmente alterado, ele começou a proferir palavras de ódio contra Eduarda, elevando a voz para que todos ouvissem:
— Pessoas como você, bem de vida, só fazem isso pra aparecer! Hipócritas! Acham que vão ganhar seguidores com umas latas de sardinha?
Uma mulher que morava na invasão começou a gravar a cena com o celular. Bete tentou acalmá-lo imediatamente:
— Para com isso, Tatu! Desculpa, Eduarda, ele é um bêbado, desocupado. Não dê ouvidos.
Mas ele seguiu falando alto, gesticulando agressivamente. Num determinado momento, uma moça se aproximou, tímida. Era Eliane, uma mulher morena, linda de cair o queixo, com pele macia, cabelos cacheados escuros caindo pelos ombros, corpo bem torneado, olhos expressivos e um sorriso doce. Tinha 24 anos e morava na rua dos comércios, em cima da mercearia dos pais.
Tatu, ao vê-la, soltou um riso debochado e comentou:
— Até você, Eliane?
Eduarda olhou para a jovem e respondeu com gentileza:
— Tudo bem.
Ela terminou de entregar as cestas, liberou o motorista da van e se despediu de Bete:
— Até domingo, irmã Bete.
Caminhou até o terreno baldio ao lado. Tatu estava lá, juntando lixo. Ele olhou para ela e disse com deboche:
— A loira gostosa vem na minha área para ganhar status através da vida miserável dos sem-teto?
Ela respondeu, tentando manter a calma:
— Me deixa ir embora. Já está anoitecendo e meus filhos me esperam.
Ele continuou, com um sorriso sarcástico:
— Você é uma loira gostosa. Seu marido sabe que aqui é perigoso? Um homem deixa uma mulher dessas aqui entregando cestas básicas… Ele é corajoso.
Ela retrucou, irritada:
— Você é um idiota. Já disse que vou te denunciar por importunação.
E saiu em disparada.
Quando chegou em casa, seu marido, Clara e Renato a esperavam. Eles perguntaram como havia sido o trabalho voluntário. Eduarda respondeu:
— Tudo bem.
Ela omitiu o episódio com Tatu. Não queria que Clara pensasse que ela não conseguia tomar conta de tudo sozinha.
Após Eduarda e Paulo conversarem com Clara e Renato sobre os próximos passos do trabalho, Clara disse a Eduarda que ela agora deveria buscar doações de roupas, calçados, alimentos e ajuda financeira. Eles terminaram a conversa e o casal de pastores foi embora.
Eduarda tomou um banho longo. As palavras de Tatu não saíam da sua cabeça. Ela pensava: “Se ele me importunar de novo, vou ligar para a polícia imediatamente”. Ao sair do banheiro, enrolada na toalha, viu Paulo na sala lendo a Bíblia. Ela respirou fundo e decidiu fazer o que sua amiga Sara havia recomendado.
Dessa vez, ela não iria falhar. Entrou no quarto, tirou a toalha, deixou o corpo nu sobre a cama e esperou o marido. Seus seios grandes e firmes, a cintura marcada, o quadril largo e a bunda arredondada estavam expostos sob a luz suave do abajur. O perfume que usou exalava no ar.
Paulo entrou no quarto alguns minutos depois. Ao vê-la completamente nua, parou na porta, surpreso. Seus olhos percorreram o corpo voluptuoso da esposa.
— Eduarda… — murmurou ele, com a voz rouca.
Ele chega perto da esposa e eles se beijam intensamente. Paulo desliza as mãos pelo corpo nu de Eduarda, apertando seus seios grandes e firmes, beliscando os mamilos enquanto a língua dele invadia sua boca com desejo. Ela corresponde, gemendo baixinho, sentindo o pau dele já duro roçando contra sua coxa.
Paulo a deita na cama, abre suas pernas e começa a chupá-la com vontade. Sua língua percorria o clitóris inchado, descia pela entrada molhada e voltava, sugando com fome. Eduarda arqueava as costas, segurando a cabeça dele, sentindo o prazer subir. Depois de alguns minutos, ele sobe, posiciona o pau grosso na entrada dela e penetra com uma estocada firme.
— Ahhh... amor... — geme Eduarda.
Ele começa a meter com força, segurando seus quadris largos, admirando os seios balançando a cada investida. O quarto se enche do som molhado dos corpos se chocando, dos gemidos dela e dos grunhidos roucos dele. Eduarda envolve as pernas ao redor da cintura do marido, pedindo mais fundo, rebolando contra ele. O prazer vai crescendo, ela está perto, muito perto...
Mas, de repente, Paulo acelera demais, treme inteiro e goza forte dentro dela com um gemido alto, ejaculando precocemente mais uma vez, antes que Eduarda conseguisse chegar ao orgasmo. Ele desaba sobre o peito dela, ofegante e satisfeito.
Eduarda fica ali, sentindo o sêmen quente escorrendo entre suas pernas, o corpo ainda latejando de desejo insatisfeito. Mais uma vez. Ela respira fundo, acaricia os cabelos do marido e finge estar satisfeita:
— Foi bom, amor... — sussurra, com um sorriso forçado.
Depois, deita ao lado dele, virando o rosto para o outro lado, tentando disfarçar a frustração que voltava a crescer dentro dela.
No sábado, o casal fez tarefas domésticas juntos pela manhã. Depois saíram para almoçar com os filhos. À tarde, Paulo e Eduarda deixaram as crianças na casa da mãe de Paulo e foram ao mercado do bairro mesmo.
Paulo entrou no mercado para pegar os produtos enquanto Eduarda ficou na entrada, perto da seção de hortifruti, escolhendo alguns itens. De repente, Tatu saiu do mercado com uma cerveja na mão, cigarro no bolso e um pacote de camisinhas visível. Ao vê-la, ele abriu um sorriso safado e falou alto o suficiente para as pessoas próximas ouvirem:
— Se precisar de ajuda pra entregar as cestas, gostosa, me chama. Eu vou cobrar caro em...
Eduarda continuou escolhendo os tomates, ignorando-o completamente. Ele insistiu, aproximando-se mais:
— É barato... Uma hora eu tiro essa sua pose de superioridade, delícia.
Irritada, Eduarda pegou um tomate podre e jogou nele, acertando em cheio no peito. Tatu riu, mas ela olhou ao redor procurando Paulo com os olhos. Não o encontrou.
Foi então que Eliane apareceu, caminhando rápido, e disse com firmeza:
— Sai daqui, Tatu, se não eu chamo a polícia agora mesmo.
Eliane era filha do dono do mercado. Ela se aproximou e disse:
— Você me desculpa por isso.
Eduarda respondeu:
— Você não pode expulsar ninguém, senão amanhã esse povo todo boicota seu mercado.
Eliane suspirou:
— Esse daí só me dá problema...
Eduarda completou:
— Você ameaçou ele de chamar a polícia e ele saiu disparado sem nem dizer uma palavra.
Nesse momento, Eliane ia dizer algo mais, mas seu filho pequeno chegou correndo e puxou sua mão:
— Mamãe, vamos pegar um sorvete?
Eliane sorriu, pegou o menino no colo e saiu com ele. Eduarda observou os dois se afastando. Eliane era uma pessoa boa. Elas nunca tinham conversado direito, mas Eduarda sabia que ela era jovem, porém muito responsável. Teve o filho e o criava sozinha, com a ajuda dos pais.
Foi então que seu Nonato, pai de Eliane, apareceu. Ele abraçou Eduarda calorosamente e disse:
— Sua entrega de cestas básicas foi um sucesso.
Eduarda retribuiu o abraço e respondeu:
— Obrigada, seu Nonato.
Ela pegou suas frutas e foi ao encontro de Paulo. Antes de saírem, seu Nonato chamou o marido dela no caixa:
— Filho, aqui está R$ 1.000,00 para o próximo trabalho voluntário.
Paulo, surpreso e agradecido, contou para Eduarda:
— Amor, eu contei ao seu Nonato que você está procurando doações e ele nos abençoou com esse dinheiro.
Eduarda sorriu e disse:
— Deus lhe pague, seu Nonato.
Eles saíram do mercado. O resto da tarde e da noite correu bem.
Na manhã seguinte era domingo. Como todo domingo, era dia de culto. Eduarda e Paulo almoçaram com seus filhos. À tarde, Paulo saiu com as crianças para a sorveteria enquanto Eduarda ficou em casa para preparar os versículos que iria pregar no culto.
Foi então que seu celular tocou. Era Eliane:
— Eduarda, aqui é a Eliane. Você pode me ajudar com uma coisa?
Eduarda respondeu:
— Sim, posso sim. O que você precisa?
Eliane pediu:
— Me encontra no mercado dos meus pais.
Eduarda seguiu até lá. As ruas estavam vazias, pois já era domingo à tarde. O mercado estava fechado. Eliane a esperava na porta e disse:
— Entra, querida.
Ela entrou. Eliane a levou para o seu quarto no segundo andar e, com a voz baixa, disse:
— Eduarda, você é pastora, então espero que não me julgue… O Tatu é o pai do meu filho.
Eduarda se surpreendeu e respondeu, chocada:
— O quê?
Eliane ficou calada por alguns segundos, olhando para o chão como se reunisse coragem. Depois respirou fundo e seguiu:
— Eu tinha dezoito anos e estava no final do ensino médio. Era inconsequente, não ouvia meus pais, achava que sabia tudo da vida. Ele havia acabado de se mudar para a cidade. Meus pais acolheram ele, deram emprego na mercearia… Aos poucos eu me encantei. Ele era diferente, tinha aquele jeito de falar, me dava atenção, me fazia sentir especial.
Eduarda perguntou, ainda chocada:
— O que você viu nele?
Eliane continuou, com a voz embargada:
— Ele me ouvia. Eu queria sair, curtir, viver a vida… Meus pais não me deixavam nem ir na esquina sem surtar. Então nós ficávamos escondidos, nos encontrávamos à noite, atrás do mercado, no terreno baldio… Até eu engravidar. Meus pais não sabem que ele é o pai do meu filho. Fizemos um acordo: ele arcaria com uma pensão de 300 reais por mês. Ele nunca pagou em dia, mas pagava… Até ser preso. Quando saiu da prisão, se mudou para a invasão. Aquele dia eu tinha ido até lá para ver se ele estava em casa e vi ele te insultando. Ele não paga pensão tem três meses. Ontem ele apareceu aqui de novo, pedindo dinheiro. Eu só não disse nada pro meu pai pra ele não descobrir a verdade. Mas você é pastora… uma mulher boa, diferente da pastora Clara, com todo respeito. Você me ajuda a denunciar ele?
Eduarda sentiu o coração apertado. Abraçou Eliane com carinho e disse:
— Claro, querida.
Eduarda ligou para sua amiga advogada e explicou toda a situação. Depois perguntou a Eliane:
— Diz o nome e a idade dele, querida.
— Reinaldo dos Santos, 36 anos — respondeu Eliane.
Eduarda repetiu o nome e a idade para a advogada e desligou o celular.
— Agora ela vai avaliar o seu caso e irá retornar para mim, querida.
As duas se abraçaram. Eliane, com os olhos marejados, disse:
— Você é uma pastora excelente. O projeto está em boas mãos. E esse dinheiro vai me ajudar muito. Não quero depender dos meus pais para o resto da vida.
Eduarda saiu dali com o coração aquecido. O trabalho voluntário estava dando frutos. Ela nunca tinha sido solicitada por alguém para pedir ajuda — sempre era Clara quem aparecia como a pastora compreensiva e calma.
Ao chegar em casa, disse ao marido que tinha ido conversar com Eliane. Paulo, curioso, perguntou:
— Qual foi a pauta da conversa?
— A palavra de Deus, amor — respondeu ela, com naturalidade.
Eles foram para o culto. A igreja Nova Esperança era grande e cabia pelo menos umas cem pessoas. Naquela noite estava lotada. O ambiente era de muita unção: fiéis orando em voz alta, levantando as mãos, cantando louvores com emoção e lágrimas. O som dos instrumentos enchia o templo, criando uma atmosfera de adoração forte.
Clara e Renato comandavam tudo com maestria. Renato pregava com autoridade e Clara liderava os louvores com voz potente. Paulo e Eduarda observavam sentados, tomando a palavra em alguns momentos. Em determinado ponto, Renato chamou Eduarda:
— Pastora Eduarda, venha trazer uma palavra para o povo.
Ela subiu ao altar, abriu a Bíblia e leu um versículo com voz firme e ungida. Depois começou a orar forte, declarando libertação, restauração e vitória sobre as lutas. Sua pregação foi poderosa e direta, tocando o coração das pessoas. A igreja ascendeu: muitos choravam, outros gritavam “Glória a Deus!” e “Amém!”. O culto ganhou ainda mais fogo.
No final, Eduarda entregou o encerramento ao marido. Todos a elogiavam ao sair. Renato se aproximou e disse:
— Você foi ótima hoje, pastora.
Clara, com um meio-sorriso, completou:
— Concordo com você, amor. Pela primeira vez você foi bem, Duda.
Eduarda ficou estressada com o comentário, mas seguiu cumprimentando as pessoas que a agradeciam pela palavra dita no culto.
Na manhã seguinte, segunda-feira, Eduarda seguiu sua rotina normalmente. Ao levar os filhos para a escola, passou pela rua da invasão esperando o pior, mas Tatu não a importunou nem fez nenhum comentário. Ele apenas a observou de longe, encostado em um muro, com o olhar fixo em seu corpo, acompanhando cada passo dela com aquele sorriso debochado. Foi assim também na volta. Ao longo da semana, o comportamento dele se repetiu: Tatu aparecia quase todos os dias, sempre na entrada ou no terreno baldio, fumando ou bebendo, mas não se aproximava mais. Ele se limitava a observá-la intensamente, percorrendo com os olhos suas curvas marcadas pelas roupas justas, o balanço dos quadris, os seios grandes destacados e a postura elegante que ela mantinha mesmo ao passar por aquele lugar perigoso. Eduarda sentia o olhar dele queimando em sua pele, mas preferia ignorá-lo, acelerando o passo e mantendo a cabeça erguida. Durante a semana ela se dedicou intensamente ao trabalho voluntário: organizou doações de roupas e calçados, visitou comerciantes do bairro pedindo ajuda financeira, separou cestas básicas com Bete e ainda conseguiu mais recursos com seu Nonato. Em casa, as noites eram calmas, com Paulo ajudando nas tarefas e as crianças felizes. Eduarda sentia uma mistura de alívio e tensão — o silêncio de Tatu era estranho, quase pior que as cantadas, como se ele estivesse tramando algo. Na quarta-feira à noite, ela preparou com cuidado a pregação para o culto de quinta, orando bastante para que Deus a usasse. Até quinta-feira à tarde, Tatu continuou apenas observando, sem uma palavra, o que deixava Eduarda cada vez mais inquieta, embora ela tentasse focar no crescimento do projeto e na gratidão das famílias atendidas.
Na quinta-feira à noite, o culto foi uma bênção. A igreja estava cheia novamente, o louvor subia forte com vozes unidas e instrumentos tocando alto. O Espírito Santo se movia de forma poderosa: muitas pessoas choravam, outras profetizavam, e o ambiente era de muita unção e alegria. Eduarda pregou com autoridade, trazendo uma palavra sobre perseverança e fé em meio às lutas. Sua oração final foi tão intensa que várias irmãs caíram no poder, e o povo saiu renovado e encorajado.
Após o culto, já em casa, a amiga advogada ligou para Eduarda e explicou as opções:
— São duas possibilidades: pedir o reconhecimento legal da paternidade do Tatu como pai do filho da Eliane ou fazer um acordo por contrato particular. Vou estudar o melhor caminho e te retorno.
Eduarda ligou imediatamente para a nova amiga e repassou tudo o que a advogada havia dito. Eliane agradeceu emocionada:
— Obrigada, amiga. Isso significa muito pra mim.
Eduarda foi dormir mais tranquila, sentindo que estava fazendo a diferença.
No meio da noite, Paulo a procurou para transar novamente. Ele se aproximou por trás, beijando seu pescoço e apertando seus seios grandes por cima da camisola. Eduarda correspondeu, tirando a roupa rapidamente. Paulo a deitou de lado, levantou uma de suas pernas e penetrou-a com desejo. Ele metia com força e velocidade, gemendo alto enquanto apertava sua bunda arredondada e beliscava os mamilos. Eduarda sentia o pau grosso entrando e saindo, o prazer começando a subir, mas em menos de três minutos Paulo acelerou, tremeu inteiro e gozou forte dentro dela, ejaculando precocemente mais uma vez com um gemido rouco. Ele desabou ao lado dela, satisfeito.
Eduarda ficou ali, sentindo o sêmen escorrendo, o corpo ainda quente e insatisfeito. Mais uma vez. Ela respirou fundo, acariciou o braço do marido e fingiu estar satisfeita, virando de lado para dormir
Na sexta-feira ela seguiu sua rotina normalmente. Tatu não a esperava na entrada do terreno baldio. Eduarda sentiu um grande alívio ao passar pelo local sem ser importunada. No sábado também foi tranquilo e calmo. Paulo havia ido à igreja receber missionários de outra igreja junto com Renato, Clara e alguns fiéis.
Enquanto isso, Eduarda e Bete foram organizar as roupas que haviam sido doadas. Passaram a manhã separando o que estava em bom estado do que não tinha condições de ser doado.
Foi então que Eliane ligou:
— Eduarda, eu disse a ele o que a advogada falou ontem. Ele ficou bravo, me xingou e te xingou também.
Eduarda ficou tensa:
— Me xingou?
Elaine responde:
— Sim, eu disse que você me ajudou.
Eduarda respondeu com firmeza:
— Tá bom. Agora ele vai seguir pegando no meu pé, mas se ele fizer qualquer graça, principalmente no próximo trabalho voluntário, eu o ponho na cadeia.
E desligou o telefone.
O domingo chegou novamente, dia de culto. Paulo estava terminando de ler os versículos que iria usar, pois iriam receber a visita de um pessoal de uma igreja do interior. Eduarda se preparou com cuidado, escolhendo um vestido longo, porém justo, que marcava suavemente suas curvas generosas, destacando a cintura fina, os seios grandes e o quadril largo. O tecido caía com elegância, mas revelava o contorno do seu corpo a cada movimento.
Eles chegaram na igreja junto com Clara e Renato. Clara estava deslumbrante, com um vestido elegante e maquiagem bem feita. Os quatro receberam os fiéis na porta com sorrisos e abraços. O culto começou com louvor forte: vozes unidas, mãos levantadas e um clima de adoração que enchia o templo. Os missionários visitantes trouxeram uma palavra impactante sobre avivamento e fé.
Durante o culto, Eduarda percebeu um movimento na entrada. Seu coração acelerou quando viu Tatu parado ali. Ele entrou discretamente e ficou em pé atrás da última fileira de cadeiras, junto com outros fiéis que preferiam ficar de pé. Ele cruzou os braços e ficou a observando fixamente, com aquele olhar intenso e provocador que percorria seu corpo. Eduarda não conseguia se concentrar. Seus pensamentos giravam sem parar: “O que ele está fazendo aqui? Como teve coragem de entrar na igreja?”
Clara, percebendo que ela estava distraída, aproximou-se e perguntou baixinho:
— Quer pregar hoje?
Eduarda negou com a cabeça. Clara então subiu ao altar e pregou com energia, jogando indiretas sutis sobre inveja, aparência e “quem realmente tem chamado de Deus”. O culto seguiu com momentos de oração, louvor e testemunhos. A presença dos visitantes trouxe um ar de renovação, com muitos fiéis chorando e sendo tocados. No final, todos saíram abençoados, mas Eduarda permaneceu inquieta.
Renato, Clara, Paulo e Eduarda ficaram ali após o culto, conversando com alguns fiéis que pediam oração individual. De repente, Paulo fez um aceno com a mão. Eduarda virou o rosto e sentiu um frio na espinha ao notar que Tatu vinha caminhando em direção ao seu marido.
Tatu, com um sorriso aparentemente humilde, disse:
— Pastor Paulo, que culto abençoado. Muito obrigado pelo convite.
Paulo sorriu e respondeu:
— Amor, esse é o Tatu. Melhor, irmão Reinaldo. Ele veio aqui ontem e me pediu ajuda, e eu resolvi ajudar.
Tatu continuou, olhando para Eduarda:
— Eu peço desculpas pelo dia da entrega das cestas básicas. Eu contei ao seu marido que achei que você era uma dessas influencers digitais que entregam alimentação e postam para ganhar like.
Paulo puxou Eduarda para perto e a abraçou:
— Você podia ter me contado, mas... o irmão Reinaldo pediu desculpas.
Tatu completou:
— Para apagar a má impressão, eu vou arrumar o telhado da igreja para vocês.
Paulo respondeu contente:
— Obrigado! Deus te abençoará por isso.
Clara se aproximou de Eduarda e disse baixinho, com um tom de ironia:
— Você arrumou confusão no trabalho voluntário, né Duda? Mas tudo bem… Ninguém esperava que você fosse conseguir organizar tudo.
Eduarda sentiu o sangue ferver. Saiu em direção aos fundos da igreja, onde ficava a sala das crianças e os banheiros, e ficou ali no corredor, tremendo de raiva. Pediu a Deus proteção e sabedoria, pois naquele momento queria dar um tapa na cara de Tatu e de Clara.
Nesse momento, Tatu se aproximou dela discretamente no corredor dos fundos. Com um sorriso cínico, disse baixinho:
— Eduarda… A loira gostosa é pastora?
Eduarda respondeu, tensa:
— O que você quer aqui?
Ele se aproximou mais um passo e falou com voz baixa e ameaçadora:
— Você ajudou a Eliane… Agora ou eu faço um acordo ou volto pra cadeia. Você não se meteu na minha vida, eu acabei de entrar na sua.
Eduarda retrucou, com raiva contida:
— É uma vingança, seu canalha. Deus vai te castigar.
Tatu deu um sorriso sombrio e respondeu:
— Castigo quem terá é você. Eu vou infernizar sua vida… Mas vai ser um prazer ver você, sua gostosa.
Ele chegou ainda mais perto, quase sussurrando:
— Você não é tão superior quanto pensa. Agora este sujo imundo vai te mostrar o que é superioridade.
E saiu.
Eduarda sentiu seu corpo se arrepiar inteiro. Um frio subiu pela espinha. Ela pensou, angustiada: “Meu Deus… o que ele quer?”