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De Mulher Exemplar Para Um Exemplo de Mulher parte VII

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Um conto erótico de Carvuna Editoria
Categoria: Lésbicas
Contém 1688 palavras
Data: 29/06/2026 16:56:40
🤖 Texto produzido com auxílio de inteligência artificial

Nos dias seguintes, Natália não foi mais a mesma.

Fazia as coisas no automático. Acordava. Café. Cozinha. Comida. Igreja. Dormir.

Mas os outros notaram.

Beraldo perguntou se ela estava doente.

— Só cansaço — respondeu.

Daniel quase não saía do quarto. Estava magoado com o término. Falava pouco. Cada um vivia sua tristeza separado.

Natália começou a chorar nos lugares mais improváveis.

No mercado, viu uma moça de cabelos escuros e o coração disparou. Não era Sara. Nunca era. Mas a semelhança a fazia correr para o banheiro do mercado para chorar em silêncio.

Na igreja, durante o louvor, uma música falava de amor incondicional. Natália começou a soluçar no banco. A irmã ao lado pensou que era emoção do Espírito Santo. Natália deixou que pensassem.

Em casa, nos momentos vazios, ela ia até a edícula. A cama desarrumada. O armário vazio. O cheiro de Sara ainda pairando, cada dia mais fraco.

Sentava na cama. Fechava os olhos. Revivia cada toque, cada olhar, cada palavra.

— Sara — dizia em voz alta, sabendo que ninguém ouvia.

Uma noite, ela estava na varanda dos fundos. Olhava para a edícula escura. Beraldo já tinha dormido. Daniel também.

Ela pensou na mulher que era antes de Sara chegar.

Aquela mulher não chorava. Não sentia falta de ninguém. Não se apaixonava por nora. Não desejava outra boca que não a do marido. Não sonhava acordada com cabelos escuros e olhos que viam demais.

Aquela mulher estava morta.

A mulher que restava era alguém que ela não reconhecia. Alguém que sentia demais. Que desejava demais. Que sofria demais.

— Eu não sei mais quem eu sou — sussurrou para o vento.

O vento não respondeu. Só balançou as folhas da árvore.

Ela levantou. Foi para o quarto. Deitou ao lado de Beraldo.

Ficou olhando o teto.

O nome de Sara ainda ecoava dentro dela, como um sino que ninguém conseguia calar.

Natália sabia agora. Definitivamente, irremediavelmente, ela não era mais a mesma mulher.

E não sabia se isso era uma perda ou uma descoberta.

Talvez as duas coisas.

Foi 20 dias depois.

Natália já tinha desistido de ouvir o celular. Guardava o aparelho na gaveta do criado-mudo, como quem guarda uma ferida que não cicatriza. Durante o dia, seguia sua rotina de sempre. Café. Cozinha. Igreja. Dormir. Mas à noite, quando Beraldo roncava ao seu lado, ela abria a gaveta. Olhava a tela escura. Nada. Nunca nada.

Até que numa terça-feira chuvosa, o celular vibrou.

Natália estava na cozinha, lavando alface. Tirou a mão da água. Secou no avental. Abriu a mensagem.

Era um número que ela não salvou, mas que decorara sem querer, de tanto olhar nos dias de silêncio.

"Preciso te ver. Rua das Acácias, 247, apto 14. É a casa de uma prima. Estou aqui. Vem quando puder. S."

O coração de Natália parou por um segundo. Depois disparou.

Ela leu três vezesBeraldo estava na sala. Daniel tinha saído. A chuva batia nas telhas.

Natália guardou o celular. Terminou de lavar a alface. Guardou na geladeira. Foi até a sala.

— Amor, vou sair — disse. A voz saiu calma. — Uma irmã da igreja precisa de ajuda. Coisa de mulher.

Beraldo nem levantou os olhos do tablet.

— Vai com Deus. Volta cedo?

— Pretendo.

Ela trocou de roupa. Não a saia habitual. Vestiu uma calça jeans que tinha no fundo do armário, uma blusa mais solta, um batom mais vivo. Olhou no espelho. Não se reconheceu. Gostou do que viu.

Pegou o carro. A chuva tinha diminuído, mas o céu ainda estava cinza. O trânsito estava parado. Cada minuto era uma eternidade.

Vou virar. Vou voltar para casa. Vou mandar uma mensagem dizendo que não posso.

Mas continuou dirigindo.

Chegou. Era um prédio pequeno, de três andares, no fim de uma rua sem saída. Subiu as escadas até o segundo andar. A porta 14.

Levantou a mão para bater. Hesitou.

A porta abriu antes que ela batesse.

Sara estava ali.

Cabelos soltos. Vestido curto, florido, que Natália nunca tinha visto. Pés descalços. Olhos vermelhos de quem chorou ou de quem não dormiu.

— Você veio — Sara disse.

— Você mandou mensagem.

As duas ficaram se olhando. O corredor apertado. A luz fraca.

Sara estendeu a mão. Natália pegou.

Entrou.

O apartamento era pequeno. Uma sala com sofá de dois lugares, uma cozinha compacta, um corredor que levava ao quarto. Estava tudo escuro, apenas uma luminária acesa no canto.

A porta fechou atrás de Natália.

Ficaram em pé na sala, ainda de mãos dadas. A chuva lá fora. O silêncio dentro.

— Eu pensei em você todos os dias — Sara disse. A voz estava rouca.

— Eu também.

— Não consegui te esquecer. Por mais que tentasse.

— Nem eu.

Sara deu um passo à frente. Agora estavam coladas. O vestido de Sara roçava a calça jeans de Natália. O cheiro de Sara — sabonete de ervas, cabelo limpo — invadiu as narinas de Natália.

— Minha prima está na casa do namorado. Se você quiser...— Sara começou.

Natália não deixou terminar.

Foi Natália quem beijou primeiro.

Não foi um beijo suave, de romance de novela. Foi um beijo faminto, desesperado, de quem passou um mês em jejum. Natália agarrou o rosto de Sara com as duas mãos e colou a boca na dela.

Sara gemeu contra seus lábios.

As línguas se encontraram. Natália sentiu o gosto de Sara. Doce. Quente. Vivo. Sua cabeça girou. As mãos de Sara subiram por suas costas, apertando, puxando, derrubando a blusa para fora da calça.

— Quarto — Natália sussurrou.

Foram andando para trás, sem soltar a boca uma da outra. O corredor. A porta. O quarto.

A cama era pequena, de solteiro. Colcha florida. Travesseiro único.

Não importava.

Sara desabotoou a blusa de Natália com dedos trêmulos. Natália puxou o vestido de Sara pela cabeça, atrapalhada, quase rasgando. Caíram os sutiãs. As calças. As calcinhas.

Ficaram nuas uma diante da outra. A luz da janela, mesmo cinzenta, mostrava tudo.

— Você é linda — Sara disse, olhando o corpo de Natália. Os seios. A barriga. A curva dos quadris.

— Você também — Natália respondeu, e era verdade.

Caíram na cama.

Natália não sabia o que fazer. Nunca estivera com uma mulher. Mas o corpo sabia. O desejo sabia.

Sara a guiou. Mostrou com as mãos, com a boca, com gemidos.

Beijaram-se até ficarem sem fôlego. Sara desceu a boca pelo pescoço de Natália, pelo peito, pelos seios. A língua percorreu o caminho até o mamilo. Natália arqueou as costas, um gemido preso na garganta.

— Pode gemer — Sara disse, levantando os olhos. — Ninguém vai ouvir.

Natália gemeu. Um som que ela nunca tinha feito. Baixo. Gutural. Verdadeiro.

Sara sorriu. Continuou.

As mãos de Natália percorreram o corpo de Sara. As costas. Os ombros. As nádegas. Tudo era macio. Tudo era quente. Tudo era novo.

Sara ensinou Natália onde tocar. Como tocar. A pressão certa. O ritmo certo.

Quando Natália tocou entre as pernas de Sara, a encontrou molhada. Escorregadia. Pronta.

— Isso— Sara sussurrou, ofegante. — toque em mim, por favor.

Natália obedeceu. Seus dedos aprenderam rápido. Os movimentos que faziam Sara revirar os olhos. Os gemidos que enchiam o quarto pequeno.

Sara gozou primeiro. Um orgasmo que a fez tremer inteira, os dedos cavando as costas de Natália, os dentes mordendo o ombro dela para não gritar.

— Minha vez — Sara disse, ofegante.

Virou Natália na cama. Deitou-se sobre ela. Beijou sua boca, seu pescoço, seus seios. Desceu.

Natália sentiu a língua de Sara entre suas pernas e pensou que ia morrer. Era bom demais. Era proibido demais. Era tudo o que ela nunca soube que queria.

— Não para — pediu, os dedos enroscados nos cabelos de Sara. — Não para, não para, não para.

Sara não parou.

O orgasmo de Natália veio como uma onda. Cresceu devagar, tomou conta do corpo inteiro, explodiu em estrelas atrás dos olhos fechados. Ela gritou. Não teve jeito. Gritou o nome de Sara.

Depois, ainda trêmulas, se beijaram. O gosto de Natália estava na boca de Sara. O gosto de Sara estava na boca de Natália.

— Mais — Natália pediu.

— Mais — Sara concordou.

E fizeram de novo. E de novo.

Alternaram-se. Ensinaram-se. Descobriram-se.

Natália aprendeu a usar a boca, os dedos, as coxas. Sara mostrou ângulos novos, pressões novas, beijos em lugares que Natália nem sabia que eram erógenos.

Perderam a noção do tempo. A chuva parou. A luz da janela mudou. O quarto escureceu.

Não importava.

Em algum momento, Natália estava por cima. Em outro, Sara. Em outro, as duas de lado, se acariciando devagar, sem pressa, gozando juntas num ritmo lento que as fez chorar. Elas se roçavam. Rebolavam com as xotas grudadas. O ritmo aumentava,gemidos ficavam altos, orgamos vinham lascinantes.

Suor escorria pelos corpos. Lençóis amassados. Travesseiro no chão.

Entre um orgasmo e outro, cochilavam. Acordavam com um beijo. Recomeçavam.

— Eu amo você — Sara sussurrou em algum momento. Não era pergunta. Não era declaração. Era apenas fato.

— Eu também amo você — Natália respondeu. E era a verdade mais nua que já dissera na vida.

Palavras tesudas escapavam entre os gemidos.

— Você é minha — Sara disse, apertando Natália contra o peito.

— Sua — Natália concordou.

— Vou te fazer gozar de novo.

— Já não aguento mais.

— Aguenta.

Aguentou.

A foda foi quente,selvagem, em alguns momentos parecia uma briga,as duas se atracando.Na última vez, já exaustas, já saciadas, já banhadas de suor e de uma felicidade dolorosa, se lambiam com linguadas obscenas e muita roçada, as duas gemendo alucinadas. Por fim, se abraçaram,exaustas. Sara deitou a cabeça no peito de Natália. Natália passava os dedos pelos cabelos dela.

O quarto estava escuro. Apenas o som da respiração alta, ofegante que aos poucos se acalmava.

— E agora? — perguntou Sara.

— Agora não sei — Natália respondeu. — Agora só quero ficar aqui. Mais um pouco.

Ficaram.

Dormiram juntinhas, enroladas uma na outra, as pernas entrelaçadas, o suor secando na pele. O coração de Natália batia junto com o coração de Sara. Os cheiros se misturavam.

Completamente exauridas. Completamente nuas. Completamente entregues.

O mundo lá fora continuava. Beraldo. Daniel. A igreja. A comunidade. O exemplo de conduta moral.

Tudo isso existia. Mas não naquele quarto.

Naquele quarto, só existiam Natália e Sara.

Pela primeira vez em 44 anos, Natália se sentia em casa.

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