Voltei para casa no domingo à noite ainda com a cabeça presa no fim de semana.
Durante o caminho, tentei convencer a mim mesmo de que aquilo com Lucas tinha sido apenas uma experiência. Mais uma loucura no meio de tantas outras que vinham acontecendo. Só que, por mais que eu repetisse isso, algumas imagens insistiam em voltar.
O jeito que ele tinha me olhado.
O tom de voz dele.
A forma como eu tinha perdido o controle sem sentir vontade de recuperar.
Quando cheguei em casa, encontrei Rodrigo sentado no sofá, meio cabisbaixo, olhando para o celular sem prestar atenção em nada. Ele parecia irritado e triste ao mesmo tempo.
— O que aconteceu? — perguntei.
Ele demorou alguns segundos para responder.
— Briguei com a Camila.
Fiquei em silêncio.
— Ela não veio esse fim de semana — continuou. — Achei que ela viria, mas nem apareceu. Fiquei igual um idiota esperando.
Aquilo me pegou de surpresa. Não por causa da briga em si, mas pelo jeito dele. Rodrigo sempre fazia piada, sempre parecia seguro de tudo. Ver meu irmão daquele jeito me deixou desconfortável.
Ao mesmo tempo, senti uma culpa estranha.
Para ele, eu tinha passado o fim de semana fazendo trabalho da faculdade. Só isso. Ele não fazia ideia do que realmente tinha acontecido na casa de Lucas. Não fazia ideia do segredo que agora existia entre nós dois.
— Relaxa — falei. — No final tudo vai dar certo.
Ele soltou uma risada fraca.
— Você fala como se fosse simples.
— Não é simples. Mas também não adianta ficar se torturando.
Rodrigo guardou o celular e ficou olhando para o nada.
Jantamos sem conversar muito. Meus pais já estavam recolhidos, e a casa tinha aquele silêncio pesado de domingo à noite. Depois, fomos para o quarto.
Eu me deitei na cama de baixo, tentando dormir, mas minha cabeça não parava. Pensava em Lucas, em Camila, em Rodrigo, em tudo que eu vinha escondendo de cada um deles. Era como se cada segredo tivesse começado a puxar outro.
Apaguei a luz.
Por alguns minutos, ninguém falou nada.
Então ouvi Rodrigo se mexer na cama de cima. Achei que ele fosse apenas virar para o lado, mas ele desceu e ficou sentado na beirada da minha cama.
— Ainda acordado? — ele perguntou.
— Tô.
Ele ficou ali, em silêncio.
Dessa vez, não se deitou. Só permaneceu sentado, com os cotovelos apoiados nas pernas, olhando para o chão.
— É estranho quando ela não vem — ele disse.
Eu sabia que ele estava falando de Camila, mas aquilo parecia maior do que a ausência dela.
— Você acostumou — respondi.
Ele virou o rosto para mim.
— Nós acostumamos.
A forma como ele disse aquilo deixou o quarto ainda mais silencioso.
Eu não sabia o que responder. Talvez porque ele tivesse razão. Camila já não era apenas a namorada dele. Ela tinha virado parte da nossa rotina, dos nossos segredos, das nossas vontades.
Sentei na cama também e coloquei a mão no ombro dele.
— Relaxa, Rodrigo. No final tudo dá certo.
Ele respirou fundo, mas não respondeu.
Minha mão ficou ali por alguns segundos. Depois desceu para o braço dele. Foi um gesto simples, quase de consolo. Só que, naquele quarto escuro, depois de tudo que já tinha acontecido entre nós, nenhum toque parecia completamente inocente.
Rodrigo percebeu.
Eu também.
Minha mão desceu mais um pouco, parando na coxa dele. Ele olhou para mim, mas não se afastou.
— Caio...
O jeito que ele falou meu nome não parecia uma repreensão. Parecia uma dúvida.
Eu também tinha dúvidas. Muitas. Mas, naquele momento, a vontade falou mais alto.
— Só relaxa — repeti, mais baixo.
Ele continuou parado.
Então fui eu que comecei.
Toquei nele devagar, esperando ver se ele iria me impedir. Rodrigo não impediu. Pelo contrário, fechou os olhos por um instante, como se estivesse cansado demais para resistir ao que também queria.
Aos poucos, a tensão mudou.
Ele tocou em mim também.
Nenhum dos dois disse mais nada.
A verdade é que, depois de tudo que já tinha acontecido entre nós, palavras só atrapalhavam.
Cheguei mais perto e dei um selinho nele.
Rodrigo ficou imóvel.
Por um segundo, achei que tinha ido longe demais. Mas ele não se afastou. Apenas continuou me olhando, confuso, como se tentasse decidir se aquilo era errado ou se nós dois já tínhamos passado desse ponto fazia tempo.
Dei outro selinho.
Dessa vez, ele correspondeu um pouco.
Na terceira vez, já não foi um selinho.
O beijo veio com uma tensão diferente. Não tinha Camila ali para comandar, provocar ou transformar tudo em brincadeira. Éramos só nós dois, no escuro, tentando entender até onde aquilo iria.
E talvez exatamente por isso fosse tão perigoso.
Eu tomei a iniciativa.
Rodrigo ainda parecia surpreso, mas deixou acontecer. Aos poucos, a hesitação dele foi dando lugar ao desejo. Senti as mãos dele ficarem mais firmes, o corpo dele mais entregue.
Enquanto aquilo avançava, uma parte de mim pensava em Lucas.
Não porque eu quisesse que Lucas estivesse ali. Mas porque eu percebi que tinha aprendido algo naquele fim de semana. Eu sabia provocar melhor. Sabia esperar uma reação. Sabia conduzir alguém até o ponto em que a pessoa parava de resistir.
Com Lucas, eu tinha sido conduzido.
Com Rodrigo, pela primeira vez, eu senti que era eu quem conduzia.
E essa diferença me deixou mais excitado do que eu queria admitir.
Quando fiquei entre as pernas dele, Rodrigo ainda parecia sem saber como agir. Eu comecei a chupá-lo devagar, olhando de vez em quando para cima, tentando entender a reação dele. No começo, ele só me observava. Depois, colocou a mão na minha nuca.
Aquilo mexeu comigo na hora.
Eu continuei, mas comecei a provocar. Recuava um pouco, como se fosse parar, só para sentir a mão dele me puxando de volta. Na primeira vez, ele fez sem perceber. Na segunda, já fez com mais força. Na terceira, entendeu o jogo.
Segurou minha nuca com firmeza.
Meu corpo inteiro reagiu.
Eu estava gostando daquilo.
Gostando de provocar.
Gostando de ser puxado.
Gostando daquela sensação de que ele podia me impedir de sair se quisesse.
Foi aí que percebi o quanto Lucas tinha mexido comigo. Antes, talvez eu nem entendesse por que aquilo me deixava daquele jeito. Agora eu entendia um pouco mais. Eu queria sentir força. Queria sentir comando. Queria testar até onde conseguia ir sem admitir em voz alta que gostava.
Rodrigo ficou cada vez mais entregue. E, quando gozou, segurou minha cabeça com mais força, como se quisesse que eu chupasse toda a porra dele.
Mas eu não queria que acabasse.
Continuei chupando-o até que limpei e engoli toda a porra. Rodrigo tentou falar alguma coisa, mas a voz falhou. Ele parecia surpreso com a própria reação, como se aquilo também fosse novo para ele.
Aos poucos, senti ele se animar de novo.
Levantei, fui até onde ele guardava as camisinhas e peguei uma.
Rodrigo me observou, ainda ofegante.
— O que você tá fazendo?
Olhei para ele.
— Você quer que eu pare?
Ele demorou um instante antes de responder.
— Não.
A resposta veio baixa, quase envergonhada.
Aquilo bastou.
Voltei para a cama e subi no colo dele, de frente. Queria olhar para o rosto dele daquela vez. Queria ver a expressão dele quando percebesse até onde nós dois estávamos indo sem Camila por perto.
No começo, Rodrigo ficou rígido, como se não soubesse onde colocar as mãos.
Peguei as mãos dele e levei até minha cintura.
— Segura.
Ele obedeceu, ainda meio sem jeito.
Apertei os dedos dele contra mim.
— Com força.
Aí ele entendeu.
Segurou minha cintura e me puxou contra ele, primeiro devagar, depois com mais vontade. Eu não desviava o olhar. Pela primeira vez, não senti vergonha de encarar. Pelo contrário. Eu queria que ele visse meu rosto. Queria que ele entendesse que eu estava ali porque queria.
Rodrigo parecia hipnotizado.
Eu também estava.
A cada movimento, ele ficava mais seguro. A cada reação minha, ele perdia um pouco da vergonha. Quando suas mãos apertaram minha cintura com mais força, sorri sem perceber.
Eu já sabia provocar.
Inclinei o corpo para frente e peguei a mão dele. Levei os dedos até minha boca, chupando um por um, sem desviar os olhos dos dele.
Rodrigo soltou um "que viadinho" baixo.
Aquilo me deu ainda mais vontade.
Era estranho perceber como a vergonha ia embora quando eu sentia que tinha poder sobre a reação dele. Ao mesmo tempo, quanto mais ele se empolgava, mais eu queria que ele tomasse esse poder de mim.
Essa contradição estava virando parte do meu desejo.
Depois de um tempo, cansei de ficar por cima. Saí do colo dele e me virei na cama, ficando de quatro.
Não precisei dizer nada.
Rodrigo entendeu.
Veio por trás de mim e segurou minha cintura. Dessa vez, não havia tanta hesitação. Ele parecia mais tomado pelo desejo, mais confiante, quase impaciente.
Quando senti as mãos dele me puxando, meu corpo respondeu antes da minha cabeça.
Ele veio com força.
Precisei morder o travesseiro para não fazer barulho.
— Quieto — ele sussurrou.
Aquilo atravessou meu corpo inteiro.
Não foi só o gesto. Foi o tom. Foi a ordem. Foi a sensação de estar naquela posição, sendo segurado, tendo que obedecer porque meus pais dormiam no quarto ao lado.
Eu deveria ter ficado preocupado.
Fiquei excitado.
Rodrigo continuou, cada vez mais firme. Eu tentava controlar os gemidos, mas era difícil. Ele precisou tapar minha boca com uma das mãos, enquanto a outra permanecia na minha cintura. O peso do corpo dele atrás de mim, o silêncio do quarto, o risco de sermos ouvidos... tudo aquilo se misturava com as lembranças de Lucas.
E, de novo, veio a comparação.
Lucas sabia dominar como se tivesse nascido para aquilo.
Rodrigo estava aprendendo.
Mas eu estava gostando de ensinar.
Ele acabou gozando outra vez. Mesmo com camisinha, senti o pau dele pulsando. Ficou parado por alguns segundos, respirando forte, ainda dentro de mim. Depois se afastou devagar.
Pensei que a noite tivesse terminado.
Mas, quando me virei e vi Rodrigo daquele jeito, ainda ofegante, ainda entregue, senti vontade de continuar mais um pouco. Não pelo ato em si. Era pela cena. Pela intimidade estranha. Pela certeza de que tínhamos cruzado mais uma linha.
Aproximei-me dele novamente.
Rodrigo me olhou, surpreso.
— Você ainda quer?
Não respondi com palavras.
Apenas continuei.
Dessa vez, havia algo ainda mais íntimo naquilo. Talvez porque já não fosse só desejo. Era cumplicidade. Era segredo. Era a confirmação de que, sem Camila, ainda existia alguma coisa entre nós dois.
Quando finalmente paramos, ficamos alguns minutos em silêncio.
Rodrigo parecia mais leve.
Eu, não.
Eu estava satisfeito, mas também confuso. Porque, no fundo, sabia que aquilo tinha acontecido não apenas por causa dele. Uma parte de mim ainda estava tentando fugir do que tinha vivido com Lucas.
— Melhor a gente dormir — falei. — Amanhã preciso acordar cedo.
Rodrigo me olhou como se ainda quisesse continuar, mas concordou. Subiu para a cama dele sem dizer nada.
Fiquei deitado no escuro, olhando para cima.
Antes, meus segredos pareciam separados.
Camila era um segredo.
Rodrigo era outro.
Lucas era outro.
Mas agora tudo começava a se misturar.
Na manhã seguinte, fui para a faculdade tentando agir normalmente.
Lucas estava sorridente quando me viu. Parecia animado demais para uma segunda-feira. Nós ainda tínhamos a apresentação do trabalho, o último compromisso do semestre. Não podíamos vacilar.
Fomos à lanchonete como de costume.
Ele se sentou na minha frente, apoiou os braços na mesa e me encarou com aquele sorriso que eu já conhecia.
— Dormiu bem?
— Dormi.
— Está pronto para a próxima?
A pergunta veio baixa, mas direta o suficiente para me fazer entender.
Mexi no copo, evitando olhar para ele.
— Sossega o facho, Lucas. Aquilo foi um caso isolado.
O sorriso dele diminuiu.
Por um instante, achei que ele fosse rir ou me provocar. Mas Lucas apenas ficou sério, como se eu tivesse dito algo que ele não esperava ouvir.
— Caso isolado?
— É.
Ele me encarou por mais alguns segundos.
— Entendi.
A resposta foi curta demais.
Aquilo me incomodou.
Eu queria que ele insistisse. Queria que ele brincasse, que me chamasse de mentiroso, que fizesse qualquer coisa para transformar minha negação em parte do jogo. Mas ele não fez. Só mudou de assunto.
— Então vamos para a apresentação. Depois das férias a gente se fala.
A frieza dele me atingiu mais do que eu esperava.
Na sala, tentei focar no trabalho. A apresentação foi um sucesso. O professor elogiou nossa organização. Quase me atrapalhei na minha parte, mas Lucas percebeu e me ajudou. No final, deu tudo certo.
Quando a aula acabou, o clima era de férias.
Todo mundo se despedindo, combinando de marcar alguma coisa, fingindo que ia sentir saudade da faculdade. Ficamos eu, Lucas, Gustavo e Aline perto da saída. Parte do nosso trajeto era igual, então seguimos juntos por um trecho.
Lucas parecia normal de novo.
Até normal demais.
— A gente podia marcar um dia lá em casa nas férias — ele disse. — Jogar videogame, pedir alguma coisa para comer.
Gustavo topou na hora.
— Fechado.
Aline também pareceu animada.
— Se a Júlia estiver lá e tiver comida, eu vou.
Eu fiquei quieto.
Lucas olhou para mim.
— Você também, Caio. Sem desculpa.
— Preciso ver certinho.
Ele sorriu de canto.
— Relaxa, eu deixo você ganhar dessa vez. E esqueci de avisar: a Júlia perguntou de você.
Gustavo arregalou os olhos na mesma hora.
— Ih, rapaz. A irmã do Lucas querendo saber do Caio?
Aline riu.
— Olha ele quietinho conquistando geral.
Senti meu rosto esquentar.
— Nada a ver. Conheço a Júlia faz anos. Não tem nada disso.
Lucas continuou sorrindo.
— Sei.
Eu sabia que ele estava fazendo aquilo de propósito. Talvez para me provocar. Talvez para mostrar para Gustavo e Aline que não havia nada estranho entre nós. Talvez para me lembrar que ele sabia jogar de outros jeitos também.
Cada um seguiu para sua casa.
No caminho, fiquei pensando naquela história da Júlia.
Júlia sempre teve um jeito mais quieto. Pelo menos era assim que ela se mostrava. Nos perfis dela, postava pouca coisa: foto de paisagem, comida, uma foto ou outra sem muita pose. Perto dos pais, então, parecia ainda mais discreta. Aquele tipo de menina que falava baixo, ria sem chamar atenção e deixava os outros acharem que ela era inocente demais para perceber certas coisas.
Mas eu lembrava muito bem do olhar dela no banheiro.
No fim de semana, quando ela nos viu saindo juntos, não pareceu tão inocente assim. Ela fez piada sobre escovar os dentes, segurou o riso e ficou olhando como se tivesse entendido mais do que deveria.
Mesmo assim, perguntar de mim?
Aquilo não combinava.
Quando cheguei em casa, vi uma mensagem de Lucas.
— Tenho uma coisa para te mostrar.
Antes que eu perguntasse o que era, ele mandou uma imagem. O arquivo demorou alguns segundos para carregar. Quando abriu, era uma foto da Júlia.
Ela estava de biquíni, em uma pose que não tinha nada a ver com a imagem quietinha que ela gostava de passar. Não era o tipo de foto que ela colocaria em um perfil público. Muito menos uma foto que eu imaginaria os pais dela vendo.
Era ousada demais para a Júlia que eu achava que conhecia.
Ou talvez para a Júlia que ela deixava todo mundo conhecer.
Na hora, pensei que fosse montagem. Lucas gostava dessas coisas de mexer em foto, e já dava para fazer umas edições convincentes. Só que a imagem era boa demais.
Meu estômago embrulhou.
Eu nunca tinha olhado para Júlia daquele jeito. Sempre a vi como a irmã do Lucas, alguém que estava por perto, que fazia piada, que parecia saber mais do que dizia. Mas naquela foto havia uma provocação. E, mesmo incomodado, senti desejo.
Isso me deixou ainda mais desconfortável.
Respondi na hora:
— Para com isso, Lucas.
Ele ficou alguns segundos sem responder.
— Ué. Não gostou?
Fiquei encarando a tela.
— Isso é montagem, tenho certeza. A Júlia nunca tiraria uma foto assim.
Ele demorou de novo.
— Relaxa e fica na imaginação, Caio.
A resposta não ajudou muito. Pelo contrário.
Aguçou ainda mais minha imaginação.
Fechei a conversa, tentando afastar aquela sensação estranha. Parte de mim achava errado. Outra parte ficava lembrando da foto. E uma terceira parte, a pior de todas, começava a imaginar se Lucas tinha mandado aquilo só para me provocar ou se havia algo por trás.
Mais tarde, Rodrigo veio falar comigo.
Parecia mais agitado do que no dia anterior.
— A gente precisa chamar logo o Lucas para ficar com a Camila.
Meu corpo travou.
— Por quê?
— Porque eu acho que meu relacionamento com ela está perto de terminar.
A frase ficou no ar.
Rodrigo tentou falar como se fosse algo simples, mas dava para perceber que não era.
— Se a gente quer fazer essa loucura, tem que ser agora — ele continuou. — Depois pode ser tarde.
Eu não sabia o que responder.
Uma parte de mim pensou em Camila. Outra, em Lucas. Outra, em tudo que Rodrigo não sabia.
— Vou chamar agora que estamos de férias — falei.
Ele me olhou desconfiado.
— Então avisa agora. Quero ver. Você só está enrolando.
— Não vou escrever isso por mensagem. Vou falar com ele pessoalmente.
— Beleza. Então até sexta-feira. Se você não falar com ele, eu mesmo falo.
Senti a pressão na hora.
Eu não queria que Rodrigo falasse com Lucas.
Não antes de eu entender o que Lucas queria de mim.
Não antes de entender o que eu queria de Lucas.
Mais tarde, abri novamente a conversa com Lucas.
A última mensagem ainda era aquele "relaxa".
Respirei fundo e escrevi:
— Precisamos conversar pessoalmente.
Lucas respondeu quase na hora:
— Quer jogar videogame?
Olhei para a mensagem por alguns segundos.
Depois digitei:
— Quero. Mas nesse jogo meu irmão e Camila também vão jogar.
A resposta demorou um pouco mais.
Quando veio, era apenas uma carinha pensativa.
Logo depois, outra mensagem:
— Vamos falar pessoalmente.
Fiquei encarando a tela.
Pela primeira vez, senti que eu não estava mais conduzindo segredo nenhum.
Os segredos é que estavam conduzindo a mim.
