Nos dias seguintes, Natália começou a observar Daniel com outros olhos.
Não os olhos de mãe orgulhosa, que via o filho como um jovem promissor, cheio de fé e futuro. Agora ela tentava enxergá-lo como ele realmente era.
Sentou-se à mesa do café enquanto Daniel comia cereal olhando para o celular. Ele ria de algum vídeo. Mostrou para Natália.
— Olha, mãe, que engraçado.
Era um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Natália sorriu sem graça.
À tarde, Daniel saiu para comprar um presente para Sara. Levou duas horas. Voltou com um pingente de prata barato e um sorriso bobo no rosto.
— Você acha que ela vai gostar, mãe?
— Vai — respondeu Natália. Mas pensou: Ela vai fingir que gosta. E você não vai saber a diferença.
Outro dia, um homem bateu à porta vendendo assinaturas de revista para ajudar uma suposta creche. Daniel atendeu. O homem falou bonito, falou de Deus, falou de crianças carentes. Daniel assinou duas revistas e deu um sinal em dinheiro.
Natália viu da janela da cozinha. Quando o homem foi embora, ela foi até a porta.
— Daniel, você nem conferiu se aquela creche existe.
— Ele parecia honesto, mãe.
— Parecia.
Daniel riu, sem entender a preocupação.
Ela olhou para o filho. Vinte e dois anos. Rosto ainda jovem, quase de adolescente. Os olhos claros que herdara do pai. O jeito desengonçado de andar. A dificuldade em dizer não.
Ingênuo, pensou. Meio ingênuo. Pouco malicioso. Confia demais.
E então começou a pensar em Sara. Não com o coração apertado de desejo, mas com a cabeça fria.
Sara não era ingênua. Sara já tinha vivido. Sara morou com uma mulher mais velha, experiente, que a ensinou coisas que Daniel nem imaginava que existiam.
Sara chegou na igreja recém-convertida, mas aprendera rápido os códigos. Sabia quando sorrir, quando baixar os olhos, quando citar um versículo. Sabia vestir a roupa certa para cada ocasião.
Com Daniel, usava o tom de voz doce e submisso. Com Natália, usava outro tom. Mais ousado. Mais insinuante.
Sara era dissimulada.
Natália lembrou das provocações dos últimos dias. As roupas mais curtas. Os decotes. O roçar de quadris no corredor estreito que não era estreito. Sara sabia exatamente o que estava fazendo. Não era acaso. Não era inocência. Era cálculo.
Sensual, definiu Natália. Sim, Sara era sensual. Não apenas bonita ou jovem. Havia nela uma consciência do próprio corpo, uma maneira de habitá-lo que dizia coisas sem palavras. Ela sabia o efeito que causava. Usava isso como arma.
Perigosa.
Essa foi a palavra que ficou na cabeça de Natália. Perigosa.
Sara era perigosa para Daniel, que não enxergava além do sorriso dela e da Bíblia nova. Sara era perigosa para Beraldo, que a via apenas como "a moça convertida que namora meu filho". Sara era perigosa para a igreja, que a acolhera sem fazer perguntas demais.
E Sara era perigosa para ela.
Natália sentou-se no sofá da sala. A casa estava vazia. Beraldo fora visitar um doente. Daniel estava na faculdade. Sara estava na edícula, descansando.
Ela colocou a cabeça entre as mãos.
— Eu deveria dar fim a isso tudo — disse em voz baixa.
Deveria chamar Sara. Sentar com ela. Dizer que o que estava acontecendo não podia continuar. Deveria exigir que ela se vestisse de forma adequada. Que parasse com os olhares. Que respeitasse a casa e o casamento da sogra.
Deveria contar para Beraldo. Ou pelo menos para Daniel. Avisar o filho sobre o passado da namorada, sobre o tipo de pessoa que ela realmente era.
Deveria pedir que Sara saísse da edícula. Que fosse morar em outro lugar. Que arrumasse outra igreja.
Deveria fazer tudo isso.
Mas Natália não se levantou do sofá.
Porque no fundo — no fundo escuro e sujo que ela não queria enxergar — ela não queria dar fim.
Queria que Sara continuasse usando aquelas blusas. Queria continuar sentindo o calor quando os olhos das duas se encontravam. Queria, numa noite qualquer, que a porta da edícula se abrisse e Sara a chamasse pelo nome, só "Natália", sem o "dona", e que ela fosse.
Essa verdade a abalou mais do que qualquer desejo.
— Eu não tenho convicção — sussurrou.
Era isso. A falta de convicção. A fraqueza moral. A hipocrisia de pregar uma coisa e sentir outra.
Ela se levantou. Foi até o espelho do corredor. Olhou para a mulher de 44 anos, cabelos presos, saia abaixo do joelho, um colar que morria entre seus seios.
— Você é uma farsa — disse para o reflexo.
O reflexo não negou.
Natália voltou para a sala. Sentou novamente no sofá. Ficou ali, parada, olhando para a parede.
O tempo passou. O sol foi baixando. As sombras cresceram.
Quando ouviu a porta da edícula abrir e os passos de Sara se aproximando da cozinha, Natália não se mexeu.
Não foi ao encontro. Não fugiu.
Ficou onde estava, dividida entre o que deveria fazer e o que queria fazer.
E a falta de convicção pesava mais do que qualquer pecado.
Não houve um momento exato em que tudo mudou. Foi mais como um rio que corre para o mar: devagar, inevitável, feito de pequenas correntes que se juntam.
Natália percebeu primeiro.
Percebeu que não era apenas desejo. Não era apenas curiosidade. Não era apenas a novidade de ser olhada por outros olhos depois de tantos anos.
Era afeto.
Ela gostava de Sara. Gostava da sua companhia na cozinha. Gostava do jeito que Sara ria das suas piadas sem graça. Gostava de ouvir Sara cantarolar enquanto lavava a louça. Gostava de ver Sara conversando com Daniel, feliz, integrada na família.
O desejo estava ali, sim, latejando como uma ferida que não cicatrizava. Mas por baixo do desejo havia algo mais macio, mais profundo. Algo que a assustava ainda mais.
Porque desejo se controla. Desejo passa. Desejo se reprime com oração e jejum.
Mas gostar de alguém? Gostar de verdade? Isso não se manda embora com um "Pai Nosso".
E Sara também percebeu.
Não foi de uma vez. Foi aos poucos.
Percebeu que Natália não era apenas a mulher bonita que despertava nela algo que ela pensava ter deixado para trás. Percebeu que Natália era boa. Generosa. Paciente. Silenciosa no seu sofrimento.
Sara via Natália servir a todos o tempo todo e nunca reclamar. Via Natália sorrir quando queria chorar. Via Natália arrumar a casa, cuidar do marido, dar bom dia para o filho, organizar o culto das mulheres — tudo com a mesma placidez de quem carrega o mundo nos ombros e não pede ajuda.
E Sara queria ajudar.
Não apenas lavando louça ou varrendo a sala. Queria aliviar o peso. Queria ver Natália rir de verdade, sem a máscara. Queria ser o motivo desse riso.
O sentimento crescia dentro dela como uma planta que não precisava de luz — crescia no escuro, crescia escondida, crescia contra todas as regras.
Uma tarde, as duas estavam na varanda dos fundos. Natália remendava uma camisa de Beraldo. Sara lia a Bíblia — ou fingia ler.
— Dona Natália — Sara falou, sem tirar os olhos do livro.
— Hum?
— A senhora já pensou em como seria a vida se a senhora tivesse feito escolhas diferentes?
Natália parou de costurar.
— Que escolhas?
— Qualquer escolha. Se tivesse estudado mais. Se tivesse viajado. Se tivesse casado com outra pessoa. Se não tivesse casado.
Natália ficou em silêncio por um tempo. O vento balançava as folhas da árvore.
— Não — respondeu. — Nunca pensei nisso.
Sara a olhou por cima da Bíblia.
— A senhora está mentindo.
Natália segurou o olhar de Sara. Não desviou.
— Talvez — disse.
O coração de Sara acelerou. Não era o que Natália dizia. Era como ela dizia. Havia ali uma fresta. Uma pequena abertura.
Outro dia, foi Natália quem puxou o assunto.
Estavam lavando louça juntas. Daniel e Beraldo tinham saído. A casa estava só delas.
— Sara — Natália começou. A voz saiu mais baixa do que ela queria.
— Diga.
— Você… sente falta? Da sua vida antes?
Sara sabia o que ela estava perguntando. Não era sobre bebida, festa, liberdade. Era sobre Verônica. Sobre mulheres.
— Sinto falta de algumas coisas — respondeu, os olhos fixos na água da pia.
— Que coisas?
Sara desligou a torneira. Virou-se para Natália.
— Sentir falta de ser desejada. De verdade. Não do jeito que a gente se deseja porque é obrigação, porque é certo, porque é o que Deus mandou. Mas desejada como se não houvesse amanhã.
- Daniel não lhe dá isso?Não lhe deseja?
- Sim,e eu gosto. Mas podia ser mais…intenso.
Natália prendeu a respiração.
— E você acha que isso existe?
— Eu sei que existe — disse Sara. — Eu já senti. E sinto de novo.
Ela não disse por quem. Não precisava.
Natália voltou a lavar a louça. Suas mãos tremiam levemente.
O sentimento crescia. Ambas sabiam.
Numa noite de sexta, Beraldo viajou para um congresso pastoral em outra cidade. Passaria dois dias fora. Daniel estava ajudando um amigo a pintar a casa e ficaria por lá pra finalizar o serviço logo cedo.
A casa ficou vazia. Apenas Natália e Sara.
Natália fez um jantar simples. Comeram juntas na cozinha. Falaram sobre coisas pequenas — o preço do feijão, a previsão do tempo, uma vizinha que estava doente.
Depois do jantar, foram para a varanda. O céu estava limpo. Muitas estrelas.
Sentaram-se nas cadeiras de plástico, uma ao lado da outra. Não muito perto. Não muito longe.
— Dona Natália — Sara disse depois de um longo silêncio.
— Sara, para com isso.
— Com o quê?
— De me chamar de "dona Natália". Você sabe que não sou sua patroa. Nem sua avó.
Sara sorriu no escuro.
— O que eu devo chamar então?
Natália demorou a responder.
— Natália. Só Natália.
Sara virou o rosto. Os olhos das duas se encontraram na penumbra.
— Natália — Sara disse, em voz baixa. O nome soou diferente. Mais íntimo. Mais perigoso.
Natália sentiu um arrepio percorrer a espinha.
— Está vendo? — disse, tentando disfarçar com um tom de brincadeira. — Não é difícil.
— Não é difícil mesmo — Sara concordou. Mas não estava brincando.
O silêncio que veio depois foi cheio. Cheio de coisas que nenhuma das duas dizia. Cheio de olhares que se evitavam e se buscavam. Cheio de mãos que descansavam nos braços das cadeiras, a poucos centímetros uma da outra.
— Eu deveria ir dormir — Natália disse, finalmente.
— Ainda é cedo.
— Eu sei. Mas amanhã tem culto.
Sara não insistiu. Natália se levantou. Passou por trás da cadeira de Sara. Por um segundo, sua mão tocou o ombro de Sara. Ou quase tocou. Ou tocou mesmo — tão leve que poderia ser imaginação.
— Boa noite, Sara.
— Boa noite, Natália.
O nome dela na boca de Sara ecoou pelo corredor enquanto Natália ia para o quarto.
Dentro do quarto, sentou na cama. O coração batia como se tivesse corrido uma maratona.
Lá fora, na varanda, Sara ainda estava sentada. Olhava o céu. Mas não via as estrelas.
Via apenas o rosto de Natália.
O sentimento tinha nome agora. Nenhuma das duas ousava pronunciá-lo. Mas ambas sabiam.
E o saber era ao mesmo tempo uma dor e uma delícia.
As brincadeiras começaram sem que nenhuma das duas decidisse começar.
Aconteceu num domingo, depois do almoço. Natália estava lavando a louça. Sara secava os pratos ao seu lado.
— Você lavou mal esse — Sara disse, segurando um prato manchado de gordura.
— Lavei bem.
— Olha aqui. Tá engordurado.
— Me dá aqui.
Natália pegou o prato. Sara não soltou. Ficaram com as mãos sobre o mesmo prato, os dedos se tocando.
— Tá vendo? — Sara sorriu. — A senhora — ela parou — você está ficando desatenta.
Natália puxou o prato devagar. Passou a esponja outra vez.
— Não fique folgada — disse, mas estava sorrindo.
— Eu? Folgada? — Sara colocou a mão no peito, fingindo indignação. — Eu sou a pessoa mais humilde desta casa.
— Humilde igual a um pavão.
Sara riu. Um riso solto, que preencheu a cozinha toda. Natália riu também.
Eram risos diferentes do que costumavam dar. Mais leves. Mais genuínos.
Na terça-feira, estavam arrumando o armário da despensa. Sara empilhava latas. Natália organizava os pacotes de macarrão.
— Você é mais baixa que eu — Sara disse, de repente.
— Não sou.
— É sim. Olha.
Sara se aproximou. Colocou as palmas das mãos no topo da própria cabeça e depois tentou alcançar o topo da cabeça de Natália.
— Viu? Eu passo da sua.
— Você não passou nada. Você esticou o braço.
— Não estiquei.
— Esticou sim.
Sara repetiu o gesto. Dessa vez, mais perto. Seus seios roçaram o braço de Natália. Sua mão tocou os cabelos de Natália.
— Pronto — Sara disse, com a voz um pouco mais baixa. — Está provado.
Natália sentiu o toque. O coração disparou.
— Provado coisa nenhuma — respondeu, afastando-se para pegar mais latas.
Mas o calor do toque ficou.
Na quinta-feira, estavam sentadas no sofá da sala. Beraldo tinha saído. Daniel estava no quarto com fones de ouvido. A televisão ligada baixo, algum programa que nenhuma das duas assistia.
Sara estava no celular. Natália folheava uma revista antiga.
— Deixa eu ver essa revista — Sara pediu.
— Não tem nada de interessante.
— Deixa ver mesmo assim.
Sara se aproximou. Encostou o ombro no ombro de Natália. Seus cabelos soltos roçaram o rosto de Natália.
Natália sentiu o cheiro. Sabonete de ervas. Cabelo limpo.
— Tá vendo? — Natália apontou para uma foto de bolo na revista. — Não tem nada.
— A foto é bonita — Sara disse, sem tirar os olhos da revista. Mas sua cabeça estava tão perto que Natália sentia seu hálito.
— Você está muito perto — Natália disse, sem se afastar.
— Você não reclamou.
Natália virou o rosto. O rosto de Sara estava a poucos centímetros do seu. Os olhos escuros. Os lábios entreabertos.
O coração de Natália batia tão alto que parecia que Sara podia ouvir.
— Você está me provocando — Natália sussurrou.
— Estou — Sara respondeu. E não negou.
O ar entre elas ficou pesado. Natália podia ver os poros da pele de Sara. Podia contar os fios de cabelo que caíam sobre sua testa.
— Você sabe que isso não pode — Natália disse. Mas não se afastou.
— Eu sei.
— Então por que continua?
Sara demorou a responder. Quando respondeu, sua voz era um fio:
— Porque eu não consigo parar.
Natália fechou os olhos. Quando abriu, Sara ainda estava ali. Os lábios ainda a poucos centímetros.
O celular de Sara vibrou. Daniel mandando uma mensagem. O feitiço se quebrou.
Sara se afastou. Olhou para o celular. Respondeu.
Natália voltou a folhear a revista. Não estava lendo nada.
Na sexta-feira à noite, Beraldo teve uma reunião de emergência na igreja. Daniel foi junto para ajudar com os equipamentos de som.
Natália e Sara ficaram sozinhas.
Estavam na cozinha, terminando de guardar o jantar. O trabalho acabou rápido. Nenhuma das duas sugeriu ir para a sala ou para a varanda.
Ficaram paradas na cozinha, uma de frente para a outra.
— O que a gente faz agora? — Sara perguntou.
— Não sei — Natália respondeu.
Havia um convite naquelas palavras. Um convite que nenhuma das duas estava disposta a fazer primeiro.
— Você quer ver televisão? — Sara sugeriu.
— Se você quiser.
Foram para a sala. Sentaram no sofá. Dessa vez, mais perto do que antes. A televisão ligada. Um programa de variedades.
Nenhuma das duas prestava atenção.
Os braços das duas descansavam no assento do sofá, lado a lado. Os dedos de Sara roçaram os dedos de Natália.
Natália não afastou a mão.
Os dedos de Sara se entrelaçaram nos dedos de Natália. Devagar. Como quem testa uma água antes de mergulhar.
Natália prendeu a respiração. Olhou para as mãos dadas. Depois olhou para Sara.
Sara não estava olhando para a televisão. Estava olhando para Natália.
— Natália — ela sussurrou.
— Sara, não faz isso.
— Não faz o quê?
— Não faz eu querer o que não devo.
Sara apertou a mão de Natália.
— E se eu quiser que você queira?
O coração de Natália disparou. Ela sentiu o calor subir do peito para o rosto. Sentiu a umidade entre as pernas. Sentiu cada centímetro do próprio corpo como não sentia há anos.
— Você não sabe o que está dizendo — Natália tentou.
— Sei. Sei muito bem. Sei desde o dia em que me mudei para a edícula. Sei desde o dia em que você me olhou pela primeira vez como ninguém nunca me olhou.
Natália sentiu os olhos marejarem.
— Isso vai destruir a minha família.
— Não precisa destruir nada. Pode ser só nosso. Nosso segredo.
— Não existe segredo diante de Deus.
Sara tocou o rosto de Natália com a mão livre.
— Então me diga que você não sente nada. Me diga que nunca sonhou comigo. Me diga que quando eu gemi o seu nome sozinha na edícula, você não estava do lado de fora ouvindo.
Natália empalideceu.
— Você sabia?
— Ouvi seus passos. Você não faz barulho, mas o piso range. Eu sabia que você estava ali. Eu quis que você estivesse ali.
Natália tirou a mão da de Sara. Levantou-se do sofá.
— Eu preciso orar — disse.
— Ore comigo então — Sara também se levantou.
— Não é esse tipo de oração.
— É sim. Ore comigo, Natália. Peça a Deus para tirar isso de nós. Se Ele tirar, eu vou embora. Vou embora amanhã. Nunca mais olho para você.
Natália hesitou.
— E se Ele não tirar? — perguntou, em voz baixa.
Sara deu um passo à frente.
— Então a gente deixa acontecer.
O silêncio caiu entre elas. A televisão continuava ligada, mas nenhuma das duas ouvia.
Natália olhou para a porta do quarto de Daniel, vazia. Olhou para a porta da rua, por onde Beraldo poderia entrar a qualquer momento.
Depois olhou para Sara.
— Não hoje — disse. — Não aqui. Não com eles podendo voltar a qualquer hora.
— Quando então?
— Não sei.
— Então está decidido? Vai acontecer?
Natália não respondeu. Mas não disse não.
E o não dito foi mais forte do que qualquer palavra.
Sara sorriu. Um sorriso pequeno, triste, feliz, tudo ao mesmo tempo.
— Eu vou para a edícula — disse. — Boa noite, Natália.
— Boa noite, Sara.
Sara foi. Natália ficou parada na sala.
O coração ainda batia rápido. O corpo ainda ardia.
Ela sabia que o momento estava próximo.
Não era mais uma questão de "se". Era uma questão de "quando".
E isso a aterrorizava e a excitava na mesma medida.