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Gays Malucas Fazendo Merda | CAPÍTULO 02 | Passivo ortodoxo, afim de tudo

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Um conto erótico de BezerroZS
Categoria: Gay
Contém 1012 palavras
Data: 22/06/2026 15:59:46

Sentados numa sala da delegacia, Nogueira interroga Geraldo que treme e ofega:

- Então vocês dois encontraram o corpo juntos invadindo uma residência?

- Sim! Quer dizer, o nosso... O meu! O meu impulso foi ajudar. Eu ouvi um tiro e depois vi um cara sair correndo, eu só quis ajudar. E o Hiran, coitado, ele tava tentando me impedir, me proteger. Eu devia ter ouvido ele, agora eu trouxe ele pra essa bagunça. Como ele tá? Libera ele, a culpa é toda minha!

- Foco. Você viu um cara sair correndo?

- Sim, sim! Ele deve ser o assassino, tinha um capuz amarelo.

- O que mais você lembra desse cara? Algum outro detalhe?

- Foi muito rápido e tava chovendo, ele era alto e usava uma blusa de frio com capuz amarelo, infelizmente é tudo o que eu lembro.

- Você disse que estava com raiva de Tadeu por ele ter deixado você na chuva e eu te encontro próximo ao corpo morto dele. Você tem que concordar que as possibilidades apontam muito contra você.

- Eu não fiz nada, o senhor precisa acreditar em mim.

- Eu preciso descobrir a verdade. Você está liberado, porém saiba que a investigação está apenas começando e você pode ser convocado a depor novamente a qualquer momento. Colaborar com a polícia é sempre interessante.

Num surto de desespero, Geraldo passa a sua perna na perna de Nogueira e diz:

- Eu faço o que você quiser. - Geraldo parecia menos desesperado e mais em controle de si com seu olhar firme buscando alguma reação favorável de Nogueira.

- Pode ir em bora. – seco, Nogueira aponta a porta. Geraldo desvia o olhar refletindo se havia piorado a sua situação. Hesita e obedece saindo da sala.

Nogueira está de pau duro.

***

Geraldo encontra Hiran no corredor e logo dispara:

- E aí? Como foi?

- Tá tudo bem, eu só falei a verdade: a gente não fez nada.

- Não fizemos, mas eu tô preocupado, eu acho que eu...

- Você o quê?

- Esquece. Eu tô muito cansado, preciso ir em bora. E você? Como você tá? Me desculpa por ter te metido nisso.

- Geraldo, eu te segui porque eu quis, você não me obrigou.

- Se eu não tivesse sido tão infantil, a gente não estaria aqui agora.

- É, e você provavelmente nunca mais ia falar comigo.

- Sério mesmo que você vai me cantar aqui e agora? – Geraldo solta um sorriso forçado.

- Desculpa, eu tô tentando melhorar o clima, a gente passou por algo muito louco. O som do tiro, o corpo do Tadeu ainda estão em loop na minha mente.

- Vamos precisar de muita terapia pra superar o dia de hoje. – Geraldo suspira, observa Hiran - Obrigado, você é muito mais legal do que eu imaginava.

- Vamos em bora? Vou chamar um Uber pra gente.

***

Um policial traz um relatório pra Nogueira em sua sala:

- Nogueira, sabia que um dos seus suspeitos já cumpriu pena por homicídio?

- E esse caso fica ainda mais interessante... Qual dos dois?

***

Geraldo entra no apartamento de Hiran:

- Valeu por me deixar ficar aqui, não tô legal pra ficar em casa sozinho.

- Que isso. Eu também moro só e nesse momento não tô podendo dispensar companhia. Quer tomar banho?

- Quero sim. – Hiran traz uma toalha, entrega pra Geraldo que segue – Você conhecia o Tadeu?

- Não. Por quê?

- Sei lá, de repente a vida de nós três se emaranhou, três estranhos pelo visto. – Geraldo se despe no banheiro e liga o chuveiro. Hiran olha sua bela bunda e logo desvia o olhar.

- Pois é. Eu só queria transar e agora não sei quando vou sentir tesão de novo.

- Te entendo. Sabe, a gente tem que se ajudar, descobrir por conta própria, eu não confio na polícia.

- Por que não? Se a gente não contar com a polícia, a gente vai contar com quem?

- Esse detetive Nogueira não me passou confiança, ele tá convencido de que fomos nós.

- É impressão sua, esse é o trabalho deles. Acho que a sua proatividade já enfiou a gente em cilada demais, concorda?

- Tem razão, vou ficar na minha. Mas quem é o Tadeu? O que mais você sabe sobre ele?

- Já disse que nada. Só o que o perfil dele no Grindr dizia: Passivo ortodoxo, afim de tudo.

- Eu tenho uma teoria sobre pessoas dispostas a tudo. – Geraldo desliga o chuveiro.

- Qual?

- Elas perderam o controle e desistiram de recuperá-lo. – diz saindo do banheiro.

- Não sei se entendi. Você acha que ele já esperava a própria morte?

- Talvez, sabe quando tudo ao seu redor começa a dar tão errado que você apenas espera pelo pior? Você sente vindo, cada vez mais próximo. Você sabe que vai chegar, é inevitável.

- E você conseguiu deixar o clima entre nós ainda mais pesado.

- Desculpe, vou ficar quieto pelo resto da noite.

- Não foi o que eu quis dizer.

- Eu prefiro.

Hiran entra para o banho e Geraldo se deita ainda de toalha. Pensa em Tadeu, tenta entender o que aconteceu com ele, quem fez, por que fez? Procura algum outro álibi. Logo lembranças de um passado distante voltam à sua cabeça, lembra de quando...

- Posso apagar a luz? – Hiran com cheiro bom de sabonete o faz emergir de seus pensamentos.

- Pode sim.

- Boa noite. - Hiran ajeita um colchão no chão.

- Ei. Me abraça?

Hiran deita na cama e envolve Geraldo numa conchinha.

***

Nogueira sai da delegacia cansado depois do dia que teve. Entra em seu carro e dá partida. Um homem de bicicleta que estava o observando do outro lado da rua o segue.

Depois de uns cinco minutos em movimento, Nogueira estaciona, sai do carro com outra camisa e boné e adentra um estabelecimento escuro iluminado por um letreiro laranja néon escrito Dédavos.

O homem que o seguiu sorri surpreso e murmura:

- Por essa eu não esperava.

Estaciona a bicicleta e vai até o estabelecimento. Apresenta documento de identidade e vai até o caixa:

- Oi! Meu nome tá na lista.

- E qual é o nome?

- Você deve ser novo... – se aproxima do microfone – Geraldo. Geraldo Almeida.

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