O sol bate forte. O ar está quente, úmido. Os olhos castanhos de Eduardo com pupilas dilatadas demonstram raiva pura. Gotas de suor escorrem pela sua têmpora.
— Tem certeza que vai querer jogar nervoso desse jeito, Eduardo?
Pergunta Manu. Seus corpos estão muito próximos. Eduardo respira pesado, peito subindo e descendo o suor desliza até o colarinho da camisa do time, colada no corpo. Eduardo vira o rosto lentamente para sua namorada e diz convicto.
— Claro que vou, Manu. Primeiro porque não posso desfalcar o time… e segundo… assim eu jogo o estresse em outra coisa.
— Sei… Só não vai machucar os outros jogadores, hem?
Aconselha Manu.
Milena, Luiza, Pamela e Romário se aproximam
Romário dando um tapa forte no ombro de Eduardo, cumplicidade masculina cumprimenta o amigo.
— Fala, parceirão! Vamos detonar com aqueles caras hoje, hem!
Milena sensual, provocante se aproxima com um sorriso falso, venenoso. Olhos estreitos, malícia pura.
— Como você está? Não tá com cara de campeão… Vai me dizer que é por causa do seu irmão e do Luiz Felipe?
Pergunta Milena com segundas intenções, o que funciona pois Manu parte para cima dela defendendo os amigos.
Manu explode. Ela parte para cima de Milena com fúria. Com dedo em riste Manu questiona.
— O que você tem a ver com isso, sua piranha?! Vai cuidar da sua vida!
Eduardo segura Manu pela cintura, puxando ela para trás. O toque é forte, possessivo. Os dedos dele afundam na carne dela por um segundo.
Eduardo com sua voz grave diz.
— Chega, Manu. A Milena não tá falando nada demais… ela me ajudou a descobrir a safadeza dos dois.
_ Safadeza? Ela e nem você sabem de nada o Gustavo e o Luiz Felipe não estão fazendo nada errado.
Contesta Maria Eduarda.
_ Não…? Pera aí, quer dizer que você já sabia? É sério isso Maria Eduarda, minha namorada… tava sabendo dessa traição debaixo dos meus olhos e não me disse nada?!
Manu desesperada, tentando tocar o rosto de Eduardo que se afasta de seu toque.
— Eu sou amiga dos dois… eles me pediram segredo… além disso eles não estão fazendo nada de errado, apenas se amando igual a gente!
Eduardo ri, uma risada amarga, cruel.
_ Ha nada de errado? Só se amando? Se não fosse por que tinha que ser escondido em? Você é burra é? Igual a gente? Desde quando é normal homem comer homem? Isso é normal pra você Maria Eduarda?
Igual a gente? Desde quando é normal homem comer homem, porra?! Isso é normal pra você, Maria Eduarda?!
_ Não fala assim comigo!
_ Eu falo do jeito que eu quiser! Amiga? Amiguinha? Dos dois viadinho, é? Você é muito da traíra. Isso sim, me fazendo de trouxa.
Eduardo puxa a mão com brutalidade quando ela tenta segurá-lo. Eduardo sai andando em direção ao vestiário, ombros tensos, músculos das costas marcados na camisa suada. Romário vai atrás enquanto que as garotas ficam cochichando entre elas com Milena sorrindo de maneira sarcástica e maliciosa.
Manu vai sozinha para a arquibancada. Respiração acelerada. Mãos tremendo. Lágrimas de raiva contidas nos olhos. irritada muitos sentimentos para processar.
Minutos depois no vestiário o ar quente, cheiro de suor, loção, tensão sexual e testosterona no ar. Eduardo está sem camisa, músculos definidos brilhando de suor, calçando a chuteira. Ele se levanta devagar, peito estufado, abdômen contraído. Do nada grita:
— O que esse viado tá fazendo aqui? Tá querendo ver pica de homem é?!
Eduardo parte pra cima como um animal ao ver Luiz Felipe entrar no vestiário. Os dois são contidos por outros jogadores. Corpos colidindo, braços fortes segurando torsos suados, veias saltadas no pescoço.
O treinador do time chega se colocando entre os dois e questionando.
_ O que está acontecendo aqui?
_ Não sei treinador, cheguei agora e este troglodita, homofóbico veio para cima de mim.
Eduardo gritando, cuspe voando:
— Esse filho da puta aí.... Treinador, meu irmão inocente, eu estava com medo do muleque enviadar por causa de um viadinho do bairro, confiei nesse traíra para treinar meu irmão, para dar exemplo de como ser homem e esse traíra filho da puta levou meu irmão pra um motel!
Disse gritando partindo para cima de Luiz Felipe, Eduardo.
O treinador pediu para os jogadores segurarem o Eduardo e puxou Luiz Felipe, mas Gurizão também teve que ser contido pois tentou partir para cima de Eduardo.
A partida iria começar o treinador pediu disciplina e que os jogadores terminassem de se arrumar. O clima estava tenso, ainda assim ouviram o treinador.
Gustavo encontrou Manu nas arquibancadas, dessa vez Gustavo não estava com sua câmera.
Eduardo e Luiz Felipe se encaram do outro lado do campo. Olhar fixo, carregado.
De repente, Luiz Felipe faz um drible lindo, corpo ágil, músculos trabalhando. Ele dispara. Mas Eduardo tem outros planos entra como um trem. Carrinho violento. Os dois corpos colidem com força bruta no chão. Pernas entrelaçadas, corpos suados rolando na grama, respirando pesado, rostos próximos. Por um segundo parece mais uma luta corporal do que um lance de futebol.
Eduardo leva cartão amarelo. O treinador contesta a atitude de Eduardo que mostra o dedo do meio pro treinador. A torcida grita. Romário tenta acalmá-lo, mas Eduardo está possuído.