Capítulo 01 - Escuro

Da série A cada passo...
Um conto erótico de LuYi
Categoria: Gay
Contém 1839 palavras
Data: 20/05/2026 13:32:49
Assuntos: Drama, Gay, Incesto, Medo, trauma

Capítulo 01 - Escuro

Durante toda nossa infância crescemos com a ideia que mamãe nos ensinou desde pequenos: — Nunca tenha medo de sentir medo. Os medos são o que nos tornam pessoas, como também o que nos ensina a, honestamente, crescer.

Era o seu mantra, seu versículo criado por ela que ancorava sua vida. Ela aprendeu isso do vovô, que aprendeu de seu pai, é como se fosse um lema de família. Como forma de tornar real, mamãe fez o pensamento se tornar realidade. Durante um jantar, ela fez cada um dizer seu medo e logo deu uma solução pra ninguém passar por ele sozinho.

— Não tenha medo de sentir, e mesmo se tiver, terá alguém que te ama com você.

Ela tinha medo de sapos, rãs, pererecas ou qualquer animal que pula muito e tenha a pele viscosa. Papai a ajudava quando, por ventura, aparecia algum bichinho desses no quintal. Já papai tem medo de lugares apertados, acredito que isso entre no tópico fobia, mas foi o que ele falou no jantar. Ele diz ficar apavorado, sem ar, como se o mundo tivesse o apertado até não sobrar nenhum átomo dele. Eu o ajudo com isso, ele diz que tenho a habilidade de o acalmar apenas com um abraço. Acredito que, por eu ser o mais parecido com a mamãe, contribua para isso.

Theo tem um medo, eu diria, cômico. Ele demorou a dizer no jantar qual era, mas depois de muita pressão ele disse: medo de morrer virgem. Todos riam, muito, muito. No início ele ficou bravo, mas depois entrou na piada, e de fato era uma piada, já que o Theo era um típico cdf (Cabeça de Ferro), calado, na dele, vivia cheio de livros na escola, faz medicina, quer ser cirurgião. Mas o principal que faz a falácia de morrer virgem morrer: ele é uma cria de academia, não como Henrique e Lucas, mas dá para ver que por trás dos moletons tem um corpo escultural ali, fora o fato dele ser um golden retriever. Henrique que se colocou à frente para ajudar Theo com esse medo engraçado. Ele prometeu levá-lo para conhecer garotas e perder de vez a virgindade, não sei se concretizou, mas os dois são muito próximos.

Já o Henrique tem medo de animais rastejantes. Medo de sentir dor, medo de morrer, medo de gelatina. Sim, gelatina. Medo de quebrar algo que não é dele e mais outros que ele falou durante o jantar. O que é muito socialmente estranho, já que ele é um homem grande. O mais velho dos irmãos, duro na queda fora de casa e o mais sentimental dentro dela. Por incrível que pareça, ele não leva o ditado “homem não chora” que a sociedade impõe. Henrique chora por tudo, o que destrói a pose de machão dele que as outras pessoas conhecem. No início ele se escondia para chorar, mas hoje ele chora na frente de toda família, todos sabemos que ele é emocional. Mamãe que o ajudava com alguns medos da enciclopédia de medos que Henrique possui. Depois que ela se foi, papai que tomou esse lugar. E, pelo que se dá para notar, ele está indo muito bem.

Lucas tem medo de lugares altos ou lugares baixos, confesso que sobre lugares baixos eu não entendi muito bem. Mas sobre lugares altos é exatamente como o nome já diz, mas não é medo, é pavor. Durante uma viagem que fizemos há alguns anos, ele teve que praticamente passar no médico para ele dormir para entrarmos no avião, papai carregava ele pelo corredor do avião como se fosse a Bela Adormecida. Theo o ajuda com isso, fazendo ele ler livros e ver vídeos de psicólogos que falam sobre medo. Dos últimos tempos, tem melhorado. Quando vamos para o apartamento imenso do titio, ele faz o teste olhando para baixo do terraço. Ele tem medo, mas o pavor não mais. O santo remédio? Theo não larga a mão dele enquanto está nas alturas, o psicólogo disse que ter uma pessoa que ele ama e que o ama faz a mente assimilar melhor aquele pânico. Literalmente apoio psicológico.

E eu, Nicolas, tenho alguns que provavelmente ninguém saberá, mas o principal deles: escuro. Eu tenho ódio do escuro. É como se ele fosse uma pessoa que, quando chega, muda o clima. Uma pessoa que pode me machucar, me sufocar. Me cegar. Algum ser das profundezas que veio até mim me trazer as consequências pelos meus pecados. Toda a família cuida de mim em relação a isso. Todos têm em seus quartos maços de velas. Moramos em uma cidade que chove muito e, às vezes, a chuva faz a energia cair, quando acontece todos correm até mim com as velas acesas. Principalmente o Lucas, que é meu protetor, que me defende do vilão dos meus medos: o escuro.

No primeiro dia de aula um temporal atingiu nossa cidade, Santaluz se viu em uma cópia catastrófica do dilúvio de Noé. E, com isso, veio a falta de energia. Quando as luzes apagaram eu estava fora da escola. Na quadra aberta, logo a luz do sol espantava o cretino. Minha amiga teve que entrar na sala de aula para pegar minha mochila, meu medo é paranormal, porque claramente não estava tão escuro na sala, mas só de pensar em entrar meus pés travavam. Assim que cheguei na porta de casa liguei a lanterna do celular, meu plano era esperar o primeiro a chegar para entrar comigo, provavelmente o Lucas, que sairia do curso também por falta de luz. Mas o sol escaldante do lado de fora me impedia de esperar, até porque iria me cozinhar vivo. Bolei um plano: entrar correndo pra sala, abrir todas as janelas com a lanterna do celular ligada, depois que abrir todas, deitar no sofá e fechar os olhos, forçar o sono a vir. Era um plano bom, mas muito ousado, principalmente para mim. Coloquei a mão na maçaneta e, quando fui abrir, o celular tocou. É uma chamada em grupo feita pelo papai:

Nicolas(Eu): Alô

Papai (❤️): Oi filho, onde cê tá? A cidade inteira teve um apagão. Liberaram todos do escritório, estou correndo para chegar.

Nicolas(Eu): Estou em casa. Na porta, para ser mais exato. — Voz nervosa.

Theo (🤩): Estou no ônibus, preso no trânsito. Não entra em casa sozinho, Nico, espera um de nós chegar antes.

Henrique (🥰): Estou saindo do posto. Chego em 10 minutos, Nico, me espera.

Lucas (😝): Estou quase chegando, só me espera um pouquinho, maninho.

Papai (❤️): Ótimo, Lucas tá chegando e já já chegamos também, filho, não fica nervoso.

A ligação acaba, mas tem um porém nisso tudo, o sol está me matando. Não tem nenhuma sombra, por mínima que seja, para me agregar. Eu preciso entrar. O sol está forte, possivelmente está claro dentro de casa, bem claro. Liguei a lanterna e me apeguei a isso, e em um momento de adrenalina abro a porta com tudo. Eu achei, realmente achei, que ia dar certo. Mas logo o escuro me abraçou, olho para aquele breu visível e tudo começa a escurecer mais, fico sem ar, a agonizar, a porta está aberta atrás de mim. Mas meus pés não me atendem, não respeitam minha mente que grita para eu sair dali. Eu começo a chorar. Muito, feito uma criança que caiu pela primeira vez ou um filho que perdeu sua mãe. Meu rosto se torna uma corrente de água salgada. Escuto um grito, depois uma batida forte de porta. Dois braços cheios de veias me abraçaram, viro para a pessoa e vejo Lucas através da água dos meus olhos. Ele me abraça ainda mais forte:

— Calma, Nico, tá tudo bem. Estou aqui com você. Tá tudo bem.

Escuto ele longe, mesmo com meus braços também o abraçando e minha cabeça em seu ombro direito, ele está praticamente falando em meu ouvido, mas distante, como se ele ainda estivesse chegando. A respiração de Lucas começa a ficar repetitiva. Ele começou a ficar nervoso, já que eu não conseguia parar de chorar. Me abraçava cada vez mais forte, ele começa a me dar beijos em minha cabeça, fazendo carinho em meus cabelos, enquanto sua voz distante pede para eu me acalmar. Eu me afundo ainda mais em seu abraço.

Um barulho quase inexistente vem, o alarme da casa apita sinalizando que a energia voltou. Me levando consigo, Lucas vai até o interruptor e liga a lâmpada. A luz voltou para me acalentar e me acalmar, mas ela não consegue. Eu continuo chorando abraçado em Lucas, sua camisa já está molhando.

— Nico, a luz voltou. Está tudo bem, para de chorar, por favor!

Chorar, ajudar o meio ambiente com água natural feita pelos meus olhos, é a única coisa que consigo fazer. Não consigo, simplesmente é mais forte que eu.

Lucas toca em meu rosto, fazendo sair de seu ombro e olhando para ele, me acalmar, me acalmar, tá tudo bem. Tento levar para minha cabeça tudo o que ele está falando. Em um movimento rápido Lucas me beija, um beijo quente, como se eu estivesse afogado e ele tocasse nossos lábios para tirar água do meu pulmão. Meio segundo inicial fico imóvel, mas depois me entrego àquilo. Lucas põe a língua, o que inicia uma briga de filme medieval. Língua contra língua. É um beijo quente, molhado, bom, muito bom. Coloco meus braços em seu pescoço, ele pega em minha cintura, o beijo como eu nunca tinha dado, a química grita em meu cérebro que naquele momento o escuro não domina mais. Agora ele domina minha visão, eu sinto no momento em que eu desmaio.

Quando abro os olhos me encontro deitado no peito de Lucas, estamos no sofá da sala.

— Ei. Que bom que você acordou, não sabia o que fazer, fiquei esperando. Você está bem?

Balanço a cabeça afirmando em seu peito e volto a fechar os olhos. Não desmaio, apenas fecho. A porta abrindo domina o som ambiente. Sinto o resto da família em peso. Lucas conta para eles que foi ruim dessa vez, eu tive uma crise real. Papai beija minha testa e diz que vai marcar o psicólogo. Sinto o Theo próximo de mim e Henrique, que está chorando. Papai saiu para a cozinha pegar um copo de água. Theo diz que vai levar Henrique para trocar de roupa, literalmente a dupla com quem nunca chora e o que chora sempre. Lucas me abraça mais.

— Fiquei tão preocupado, Nico. Tive até que fazer aquilo, não conta para mim não. Foi no impulso, na adrenalina do não saber mais o que fazer.

— Tudo bem. Me ajudou, eu acho e também… Foi bom, quente! — digo de forma involuntária, apenas falo.

— Você achou? Bem… — Lucas diz se aproximando mais do meu ouvido, para que apenas eu ouça.

— Então, você vai dormir lá no meu quarto hoje. Primeiro que eu, nem os meninos, vamos deixar você sozinho, vai ver tem outro apagão. E segundo… Porque além da minha língua quente na sua boca, você vai sentir meu pau quente na sua garganta!

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