A SEDUÇÃO é a arte de despertar o desejo pelo que se aparenta ser; a CONQUISTA, por sua vez, é o mérito de se tornar essencial pelo que se prova ser. Enquanto a sedução muitas vezes habita o campo da ilusão e do "encantamento", a conquista habita o campo da realidade e do "território ganho" através do esforço e da habilidade.
Principais Personagens:
Coronel Otto (https://postimg.cc/k6WgpsSJ)
Continuando ...
Paris, França – setembro de 1941
Depois do casamento, Blanche se deu de presente um período para aproveitar seu novo status de mulher casada e usou esse tempo para aproveitar, permanecendo ao lado de Charles em todos os momentos. Ela sempre estava presente, mesmo quando Charles era obrigado a sair de casa para ir ao encontro dos soldados franceses que estavam sob o seu comando.
Isso, além de permitir conhecer ainda melhor o seu marido, lhe despertou a consciência para coisas que ela sequer imaginava. Entre elas, o fato da admiração com que os demais soldados franceses olhavam a ela, algo que chegava a ser semelhante a uma idolatria. Isso, porém, em vez de deixá-la orgulhosa, a assustava, fazendo com que ela perguntasse ao seu marido:
– Por que esses rapazes me tratam desse jeito? Eles e eu nunca convivemos e eles mal me conhecem. Isso sem falar que eu também não os conheço.
Sorrindo para ela e com um orgulho desmedido, Charles explicou:
– Olhe à sua volta, querida, e repare que os franceses de hoje se dividem em duas categorias. Há aqueles que se aproximam dos alemães e colaboram com eles, enquanto outros agem como avestruz, enfiando a cabeça em um buraco e fingem que nada está acontecendo. Dá para contar nos dedos os que estão lutando pela libertação da França e você, não só está fazendo isso, como também está colocando em risco não só a sua vida, mas também toda a fortuna de sua família. Esses rapazes estão dispostos a se sacrificar por seu país e quando veem alguém como você, que podia estar vivendo uma vida normal, agir como eles. Então passam a ver mais do que um aliado importante, mas um verdadeiro mártir que está disposto a tudo para expulsar os invasores.
– Puxa vida! É assim que eles me veem? Isso gera uma enorme responsabilidade.
– Uma responsabilidade que eu tenho certeza de que você vai conseguir dar conta.
Essa conversa fez a jovem Marquesa entender que estava na hora de voltar à ativa e marcou uma reunião, em que desejava a presença de seu marido, Hamdi, Grace e Michel. Foi Charles que sugeriu que Dolson deveria participar, uma vez que o Capitão tinha se encarregado das tarefas mais urgentes enquanto ele gozava daquele período sabático. Mesmo sabendo que convidar Dolson para a reunião implicava em ter que aturar a presença de Aimée, de quem o homem nunca se separava, Blanche concordou e mandou avisá-lo.
No horário marcado para a reunião, Michel não estava presente e, ao perguntar sobre isso, Grace explicou:
– Há três dias que não vejo o Michel. Ele deve estar transando em algum bordel, pois isso é tudo o que ele faz ultimamente.
– Três dias? Transando em bordéis? Por que só agora estou sabendo disso? – perguntou Blanche contrariada.
– Porque ninguém está dando importância para isso. Afinal, parece que a única preocupação daquele rapaz agora é foder mais de uma vez por dia.
Blanche não disse nada, porém, em seu íntimo, achou que aquela atitude do rapaz era muito estranha. Só que ela tinha uma reunião para dirigir e arquivou esse pensamento para estudar o fato mais tarde.
A reunião não tinha uma pauta definida e sua finalidade era a de que todos ficassem a par do que tinha acontecido nas últimas semanas e dos planos para o futuro. Porém, a insistência de Hamdi sobre a suspeita de que a Duquesa Emanuelle tinha algum segredo que podia ser importante, mudou tudo.
Segundo a jovem morena, o fato de receber oficiais da SS em plena madrugada e trocarem documentos, já era motivo suficiente para que fizessem uma investigação. Por outro lado, Blanche insistia para que Hamdi se dedicasse exclusivamente a identificar franceses que denunciavam judeus para os alemães. Isso criou um impasse que foi resolvido quando a garota africana argumentou:
– E quem garante que não se trata disso? E se aquela mulher estiver fazendo exatamente isso?
– O que te faz pensar que ela pode estar denunciando judeus? – Perguntou Grace.
– Olha aqui, pessoal. Não posso afirmar com certeza que é. Mas o que mais poderia ser? Eu já fiz algumas investigações e descobri que o Duque Jean Paul não é muito respeitado pelos alemães. Isso se deve ao fato de ele estar com problemas financeiros em virtude de seu vício com jogos. Além disso, o que faria com que eles se reunissem à noite sem que os visitantes sequer entrassem na casa? Isso me diz que aí tem coisa que, se não for a respeito das delações de judeus, pode ser alguma outra coisa que também vai nos interessar.
Pela primeira vez, Charles se manifestou e deu sua opinião:
– Pensando bem, a Hamdi pode estar com a razão. Eu ficaria contra se fosse apenas o caso das delações de judeus, mas como pode ser algo maior, sou a favor de que o casal de Duques deva receber nossa atenção.
Aquela simples frase, dita por Charles, foi o anúncio de uma tempestade. Grace e Hamdi entenderam exatamente que aquela frase trazia algo embutido que, no caso dele, seria inconcebível. O Coronel francês não se lembrou que sua adorada esposa era judia. As duas empalideceram e olharam para Blanche, cujo expressão indicava que tinha captado o significado da explanação de seu marido e, tentando manter a calma, perguntou:
– Como assim? Quer dizer que você está a favor da perseguição e extradição de franceses para a Alemanha?
– De franceses não, isso é lógico!
– Então me diga uma coisa, Coronel! Se essas pessoas que estão sendo perseguidas e extraditadas não são francesas, o que elas são.
O tom de voz usado para fazer a pergunta fez com que Charles percebesse o que tinha dito e, ser tratado por sua esposa pelo nome da patente e não o seu próprio, significava que ela estava possessa pelo seu descuido e tentou remediar:
– Não! Não é isso! Você entendeu errado o que eu disse.
– Não, eu não entendi errado, senhor. Você não disse com todas as letras. Mas foi possível entender perfeitamente que, em se tratando de prisão e desaparecimento de judeus, está tudo bem. Não foi isso, Grace?
– Por favor, Blanche. Não me meta nessa discussão. – Falou Grace não querendo participar do desentendimento surgido entre o casal.
– Discussão, não! Ninguém tem mais nada para discutir aqui! Temos um homem que se diz chefe do pessoal que está aqui para nos apoiar e que, no caso de perseguição, maus tratos e até assassinato de franceses, se for de uma ascendência judia, é para olhar para o outro lado. Então, o que devemos fazer?
Um silêncio sombrio ocupou o ambiente da sala e, como ninguém respondeu, Blanche voltou a falar:
– Pois eu sei o que vocês devem fazer. Procurem o comandante da SS aqui em Paris e diga a ele que eu, Blanche Leblanc, Marquesa e empresária, sou judia. Aposto que isso abrirá muitas portas para vocês.
– Não fale asneira, Blanche. – Falou Grace séria em um tom de ameaça.
– É Blanche! A Grace tem razão. Você está falando besteira. – Comentou Hamdi demonstrando estar calma.
A Marquesa olhou para Charles e, notando que ele não estava disposto a dizer nada, alfinetou:
– E o senhor, Coronel! Devo acreditar que seu silêncio se deve ao fato de já estar planejando em como vai fazer isso?
– Pare com isso, Blanche! Você está me ofendendo e não quero discutir com você na frente deles.
– Eu é que não quero discutir com você. Estou aqui pensando no que devo fazer depois de ter tomado a infeliz decisão de me casar com uma pessoa que é favorável ao antissemitismo. Porra, Charles. Você sabia que eu sou judia. Então, por que quis se casar comigo?
– Não é nada disso …
– Chega! Pare de tentar se justificar do que não tem justificativa. – Ao notar que Charles ia dizer alguma coisa, perdeu a calma de vez: – EU DISSE PARA PARAR. AGORA.
Apesar do constrangimento que se instaurou sobre todos os presentes, a reunião prosseguiu. Não foi bem uma reunião, pois a partir desse momento, Blanche se limitou a pedir a opinião de cada um sobre o assunto levantado por Hamdi. Sendo a primeira a opinar, a jovem morena disse que deveriam investigar melhor o casal de Duques. Grace também foi a favor e Dolson, ao ser consultado, se justificou perante Charles antes de dar sua opinião:
– Desculpe, meu Coronel. Mas da forma como Hamdi explicou a situação, independente de termos algo concreto, sou a favor de que haja uma investigação a respeito desse assunto.
Finalmente Charles, por saber que sua opinião não iria significar nada, pois já seria voto vencido, foi favorável a que se estabelecesse um plano para descobrir o que estava em jogo naquele caso.
Terminada a reunião, Blanche se fechou em seu quarto, impedindo que Charles se juntasse a ela. Quando ele perguntou para ela onde iria dormir, a porta foi ligeiramente aberta e roupas de cama foram atiradas por ela enquanto, com voz fria, ela dizia:
– Vá dormir no inferno se quiser. Junto comigo é que você não vai ficar.
Apesar de estar furiosa, ela se manteve atenta e ouviu quando Charles fechou a porta da entrada do apartamento e se afastou. Aproveitando que estava sozinha no local, Blanche esperou anoitecer e, desceu até o térreo onde, de forma muito discreta, soldados trajando roupas civis agiam como segurança dela. Dirigiu-se a um deles e perguntou sem fazer rodeios:
– Boa noite, soldado. Qual é o seu nome?
– Julien, Marquesa. Meu nome é Julien e eu sou cabo e não soldado.
– Desculpe-me cabo. É você quem está no comando aqui?
– Não senhora. O responsável é o sargento Thierry.
– Ah, sim. E como eu posso falar com ele?
– Ele não fica aqui. Para falar com ele, a senhora teria que ir até a casa dele ou marcar de se encontrar com ele. Mas, se não for urgente, ele passa por aqui de vez em quando para fazer a ronda.
– Ótimo. Faça-me o favor de pedir a ele, quando vier aqui, que eu preciso falar com ele.
Por volta das vinte e uma horas, quando já se preparava para dormir, Blanche ouviu batidas na porta e, vestindo apenas um roupão sobre a camisola transparente que usava, desceu e, ao abrir a porta, se deparou com um belo jovem vestido com roupas normais, cabelos loiros e olhos azuis escuros que, ao vê-la, se empertigou enquanto se apresentava:
– Segundo Sargento Thierry, Marquesa. O cabo Julien disse que a senhora deseja falar comigo.
– Sim, sargento. Por favor, entre.
Desconfiado, o homem entrou sem conseguir evitar que seu olhar de interesse percorresse todo o corpo da jovem Marquesa, que também percebeu, mas não disse nada. Blanche sabia que aquele jovem e bonito sargento jamais tentaria qualquer coisa com a esposa de seu comandante e pensou:
“É uma pena, pois meu marido está merecendo ser traído e nada melhor do que esse belo espécime de homem”. E depois, caindo em si do seu pensamento, se recriminou: “Pare com isso, Blanche. Já não chega o fato de você saber que vai ter que transar com outros homens que não o seu marido?”.
Sacudindo a cabeça para se livrar desses pensamentos, ela pediu para que o militar se sentasse em volta de uma mesa, ocupou a cadeira que ficava diante dele e foi direto ao assunto:
– Eu gostaria de saber se há como você cumprir uma missão para mim sem que o Charles fique sabendo.
– É muito difícil, senhora. O Coronel é o meu comandante e não posso fazer isso.
– Eu já desconfiava. Mas esse é um caso muito especial. Eu preciso que você vigie alguém, mas não quero que ninguém fique sabendo. Tudo o que essa pessoa fizer, eu quero saber. Aonde vai, com quem conversa, o que come, tudo.
– Posso saber o motivo desse segredo todo?
– Não. Não pode e, o motivo é que eu posso estar enganada e, se for esse o caso, não vou precisar ficar dando explicações para ninguém.
– Olha, Marquesa. Isso é irregular, mas como é a senhora que está pedindo, eu vou fazer. De quem se trata?
Blanche disse o nome. Sua voz soou tão baixa que ela teve que repetir o nome para o Sargento que, sem fazer nenhuma pergunta e sem anotar nada, se levantou enquanto dizia:
– Assim que eu tiver alguma coisa, volto a falar com a Senhora. Agora preciso voltar ao meu dever. Com licença, Marquesa.
– Você não deseja tomar alguma algo? Um chá, um suco, ou qualquer outra coisa.
– Agradeço, senhora. Mas acho melhor não.
Dizendo isso, o homem fez uma continência, o que era desnecessário uma vez que ela não era militar e, com um caminhar semelhante ao de quem está em uma parada, saiu da casa.
Durante uma semana o relacionamento dos recém-casados foi um desastre e eles só se falavam quando era indispensável. Foi nesse clima que Blanche resolveu sair do marasmo que estava tomando seu tempo e, vasculhando entre os diversos convites para eventos, escolheu um que sabia poder ser útil para a sua tarefa de espionagem, se arrumou e, quando chegou a hora, pediu para que um dos soldados encarregados da segurança dela dirigisse seu carro e saiu de casa. Charles não tinha aparecido nas últimas vinte e quatro horas e ela se sentia inquieta por não estar fazendo nada.
Era uma recepção na casa de um nobre francês cuja justificativa era a comemoração pelo aniversário da esposa. Ela chegou, como sempre fazia, num momento em que permitisse não estar entre os primeiros convidados a chegar, mas não muito tarde. Esse foi um dos ensinamentos oferecidos por Grace que a orientou dizendo que, chegar muito cedo chama muito a atenção e, quando todos os convidados já estavam presentes, quase nenhuma, a não ser que o atraso seja de muito tempo.
Perambulou na festa com um sorriso no rosto e uma taça de champagne na mão, sempre sendo interpelada por alguém, seja para uma conversa de sondagem, ou para demonstrar interesse por ela. Nesse compasso, viu quando Hamdi chegou na festa acompanhada por um oficial alemão e se dirigiu a ela, porém, a morena fez um sinal imperceptível para os demais pedindo para que fingissem não se conheciam e a Marquesa, dizendo palavras que se limitaram a um cumprimento formal, seguiu em frente.
Blanche já estava quase desistindo de conseguir fazer contato com algum alemão e se dirigiu a uma janela de onde ficou admirando a paisagem. O palacete em que estava ficava era um local elevado e ela tinha uma visão da cidade de Paris que, embora com pouca iluminação, exalava uma aura de paz, o que não existia naquela época. Foi então que ouviu uma voz atrás de si:
– Essa cidade realmente faz jus à sua fama. É linda!
Com calma estudada, Blanche se virou lentamente e ficou frente a frente com um oficial. Ela tinha sido obrigada a decorar todos os emblemas de uniformes que determinam a patente de um militar e notou que se tratava de um Coronel. Sorrindo, disse a ele:
– Sim, ela é linda. Mas o Coronel já deve estar familiarizado com as belezas que as cidades desse mundo têm para oferecer.
– Se com isso você quer dizer que viajo muito, sim, é verdade. E é verdade que há muita beleza nesse mundo, porém, nenhuma comparável à que vejo agora.
Aquilo era uma cantada. E não era das ruins. Blanche soube na mesma hora que não era sobre paisagens que aquele homem estava falando e, usando seu melhor sorriso, agradeceu:
– Obrigada, Coronel. Muito galante de sua parte.
– Eu que agradeço por emprestar sua beleza à essa festa. Ah! E pode me chamar de Otto.
– Otto? – Perguntou ela franzindo a testa para demonstrar que esperava que ele dissesse seu nome completo.
– Somente Otto, já está bom. Não precisa de mais nada. Pelo menos até nos conhecemos melhor.
“Hum! Aqui temos um alemão cauteloso, mas muito interessado. Vamos ver até onde vai isso”. Pensou Blanche já emendando um comentário a seu respeito para manter o homem ao seu lado:
IMAGEM: (https://postimg.cc/BXn1jWDb)
– Blanche, Otto. E concordo com você. Apenas Blanche, tudo bem?
– Para mim está ótimo.
O Coronel Otto mostrou ser uma pessoa culta e educada que não deixava o um assunto morrer sem iniciar outro também interessante, transformando a noite de Blanche em algo agradável. Para facilitar o seu trabalho, o homem, entre uma conversa e outra, dava um toque de sensualidade aos seus comentários e ela aceitava o jogo dele com naturalidade, sorrindo a cada elogio e devolvendo às gentilezas.
Já seguro de que aquela que julgava ser sua presa estava segura em sua rede de sedução, ele não vacilou em convidá-la para continuarem aquela agradável conversa em outro local quando a festa chegava ao seu final. Blanche não tinha sentido que aquele homem pudesse ter alguma informação que pudesse ser útil, porém, havia uma coisa que ela queria testar. Aquela seria a sua primeira chance de ir para a cama com outro homem depois de casada e, se antes esse pensamento a assustava, agora tinha a seu favor o ressentimento que ainda tinha por Charles ter se mostrado tão insensível com relação à perseguição dos judeus. Então falou:
– Seria ótimo, Otto. Mas, o que você tem em mente?
– Estava pensando em te levar para algum lugar onde pudesse desfrutar de sua beleza sem ter que dividi-la com outras pessoas.
– Isso, para mim, soa como um convite a dar um passo além do que aquele que permitiria a nós dois de nos conhecermos melhor.
– Eu diria que isso é um convite para nos conhecermos melhor. Bem melhor. – Respondeu o alemão percorrendo o corpo dela com um olhar pleno de desejos.
– Muito bem! Eu aceito. Só pediria, se não for muito, que esperasse por mim aqui. Preciso falar com uma pessoa. Prometo que não vou demorar.
Dizendo isso e recebendo o consentimento de Otto, Blanche o deixou sozinho e circulou pelo local procurando por Hamdi. Depois de percorrer todos os locais e não encontrando sua amiga, entendeu que ela tinha se retirado e voltou para o lado de seu acompanhante que, feliz, lhe ofereceu o braço como apoio e se retiraram da mansão.
O veículo usado por Otto foi direto para um apartamento não muito longe daquele em que Blanche residia, fato esse que ela preferiu não comentar com ele. Era um apartamento grande demais para abrigar apenas uma pessoa, o que, para ela, significava que o Coronel era casado e tinha tido a coragem de levá-la para sua própria casa.
Mas, de imediato, mudou de ideia. A mobília, embora de bom gosto, era incompleta, havia cômodos vazios e ela sabia que isso não aconteceria se aquele local estivesse sendo ocupado por uma esposa. Principalmente por uma esposa alemã que, no embalo das conquistas de Hitler, julgavam-se a nata da sociedade mundial.
Outra coisa que a incomodou foi que, assim que entraram no apartamento, Otto mudou seu comportamento, alterando de um homem galante para um homem afoito, pois, quando se viu a sós com ela, praticamente a atacou e ela, sabendo que não havia mais como sair fora, resolveu ceder ao momento. Pela primeira vez Blanche estava disposta a fazer uso dos ensinamentos que recebera durante seu treinamento. Depois disso, ficaria no controle e faria as coisas acontecerem da forma como ela desejasse.
IMAGEM: (https://postimg.cc/t1jqVPfB)
IMAGEM: (https://postimg.cc/wR7gdkyJ)
IMAGEM: (https://postimg.cc/NyDc9nm3)
Foi por isso que Blanche sequer sentiu prazer na primeira vez que teve sua buceta invadida pelo pau de um homem que, apesar de se considerar o máximo, estava longe de se comparar até mesmo àquele Michel do início do treinamento e se viu obrigada a fingir um orgasmo.
Entretanto, lembrando-se das coisas que Hamdi lhe falara, ela tomou as rédeas da situação e assumiu o comando, ficando surpresa por conseguir gozar. Não chegou ver estrelas e tampouco ouviu sinos soando ao seu ouvido, porém, logo descobriu que tinha valido pena porque, sentindo-se um grande amante, Otto entendeu que estava agradando àquela jovem mulher e começou a se gabar de como era importante na hierarquia militar alemã.
IMAGEM: (https://postimg.cc/JtGL0P0V)
Foi assim que, em uma única transa, Blanche voltou para casa com várias informações. A primeira delas, um plano para se apoderar e bloquear o Canal da Mancha com submarinos da classe U-Boat, cujo tamanho diminuto era compensado em agilidade, principalmente com a implementação de uma nova tecnologia que lhe dava a capacidade de aumentar seu poder de fogo sem prejuízo da velocidade com que se deslocava.
Animada, a Marquesa deu corda para o homem e, no bojo dessa informação, veio outra ainda mais importante. A Alemanha tinha expandido a capacidade do estaleiro que fabricava aquela temível arma de guerra e pretendia aumentar sua frota de cerca de cem unidades para quinhentas em menos de seis meses.
Voltando para casa, ela encontrou Charles e Grace e repassou as informações de forma verbal, deixando para eles a obrigação de preencher relatórios e informar o comando britânico sobre o que havia sido descoberto. Entretanto, Blanche percebeu que seu marido, mesmo depois do “discurso de aceitação” demonstrava constrangimento com a forma que o assunto era tratado. Por esse motivo, ela evitava contar detalhes dos encontros, dando foco aos dados conseguidos.
No outro extremo, Grace se mostrou muito entusiasmada e incentivou Blanche a ter novos encontros com o coronel Otto. Para aumentar essa empolgação, a americana começou a descrever como ela deveria se comportar e o que deveria fazer para obter mais relatos. E foi nessa parte da conversa que Charles pediu licença e deixou as mulheres a sós. Blanche fulminou a amiga com o olhar:
– Porra, Grace!!! Você não se toca mesmo, não é?
– Com o que? Não entendi – Respondeu Grace, com cara de espanto.
– Com o que ... como o Charles fica quando você começa a me dizer como eu tenho que transar com o Otto. Como eu tenho que parecer uma puta para conseguir mais informações.
– Nossa, desculpe, Blanche. Pelo que ele falou, eu achei que ele já tivesse aceitado essas situações.
– Aceitar é uma coisa, se acostumar e achar normal, é outra, completamente diferente. Eu sinto que o estou magoando. Por esse motivo, evito contar detalhes das transas e só falo do que interessa. Por favor, quando for entrar em assuntos sexuais específicos, garanta que estejamos somente nos duas. No máximo com a Hamdi.
– Minha querida, você está certa. Me desculpe. Isso nunca mais vai acontecer. O que eu menos quero é causar algum problema entre vocês.
Depois desse acerto, Grace voltou a descrever como Blanche deveria se comportar com o coronel alemão, dando ênfase ao que ela acreditava ser os maiores desejos sexuais dos homens.
A operação alemã que teve como objetivo principal o bloqueio e a conquista do controle do Canal da Mancha para preparar uma invasão à Grã-Bretanha tinha sido denominada: Operação Leão Marinho (Unternehmen Seelöwe). Após a queda da França, Hitler acreditava que o Reino Unido quisesse um acordo de paz. Como isso não aconteceu, ele ordenou o planejamento de uma invasão anfíbia. No entanto, para que a operação fosse bem-sucedida, a Alemanha precisava de superioridade aérea para destruir os aviões da Royal Air Force (RAF) e evitar ataques à frota de invasão. Precisava também de controle marítimo para neutralizar a Royal Navy e bloquear o canal com minas e submarinos.
A história dessa batalha, nos conta que, como a operação para subjugar a Inglaterra dependia inteiramente do sucesso dessa missão, com a preparação prévia dos ingleses, a Luftwaffe não conseguiu derrotar a força aérea britânica e, com esse fracasso, o risco de atravessar o Canal da Mancha com barcaças de transporte lentas era suicida e a operação foi abandonada.
Como prevista, a utilizada prática das informações obtidas por Blanche, permitiu que os ingleses se preparassem adequadamente para os ataques aéreos nazistas e desencadeou a Operação Performance com um ataque específico e audacioso que paralisou a produção de submarinos com o Bombardeio de Bremen e do estaleiro DeSchiMAG, pois esse era um dos principais locais de montagem dos U-Boats Tipo IX. Ainda em setembro de 1941, a RAF lançou ataques noturnos pesados utilizando bombardeiros Wellington, Whitley e os novos Stirling, frustrando assim o desejo do Almirante Dônitz de dominar o Atlântico Norte.
Mas, mais do que essas vitórias, foi nesse o momento que Churchill e o Comando de Bombardeiros perceberam que os ataques diurnos eram caros demais e os ataques noturnos ainda eram imprecisos. Isso levou ao desenvolvimento de tecnologias de radar e navegação que seriam usadas mais tarde na guerra.
Depois da conversa com Grace e já familiarizada com o jogo do poder, a Marquesa fez questão de voltar a se encontrar com Otto e mais uma vez foi levada ao apartamento dele. Ela já tinha se livrado das amarras que a moral com que foi criada e estabelecia limites e se entregou para ele de forma intensa, obtendo novos relatos que foram úteis na estratégia dos aliados de minarem o poder de guerra dos alemães.
Otto era uma mina de informações. Por estar destacado como ajudante de ordens do Comandante Geral da França ocupada, todos os assuntos passavam por ele. Não bastasse isso, participava das conversas informais com os demais oficiais e com isso tomava conhecimento dos planos dos nazistas. Mesmo aqueles que não diziam respeito à frente ocidental eram comentados e foi assim que os aliados ficaram sabendo dos planos de Hitler de concentrar seus exércitos em um ataque a Stalingrado.
Essa informação foi repassada aos russos que a princípio não acreditaram, o que quase permitiu que a cidade que tinha recebido o nome em homenagem ao Comandante Supremo da Rússia caísse em poder dos alemães.
Mais tarde os ingleses tiveram que reconhecer a utilidade daquela informação, pois as derrotas nazistas na União Soviética não só serviam para que o ocidente tivesse fôlego para respirar, como enfraqueceu a Alemanha além da sua capacidade de se recuperar. Esse foi o primeiro passo dado em direção à vitória dos aliados e, por incrível que pareça, foi um passo dado pelos Alemães.
A filão de informações úteis fornecidas por Otto parecia não ter fim e Blanche recebeu a ordem de estabelecer um relacionamento duradouro com ele. Isso, além ter ciência do impacto que essa estratégia causaria no seu casamento, a deixou constrangida a ponto de ter uma conversa com seu marido, pois ela desejava saber o que ele pensava sobre o assunto.
Charles, como sempre, lamentou que isso tivesse que acontecer, porém, mais uma vez creditou o fato à necessidade de vencer uma guerra e liberou Blanche para se relacionar com qualquer um que pudesse lhe dar informações úteis, estabelecendo como regra apenas que ela não devia jamais deixar que sentimentos turvassem a sua mente a ponto de poder se apaixonar por algum dos homens com quem se envolvesse.
Essa conversa rendeu muito mais que a liberação de Blanche. Isso porque, depois de terem essa conversa, eles resolveram falar a respeito do assunto que os levara à primeira briga de casados e Charles a convenceu que tudo o que dissera a respeito de ajudar os judeus não era ideia dele, mas algo que partia do alto comando, tanto inglês como francês.
Entretanto, Blanche só se convenceu depois dele dizer que não concordava com as diretrizes impostas por seus superiores e que estava disposto a descumprir regras para ajudá-la no seu intento. Eles finalmente se entenderam e, pela primeira vez depois de algum tempo, voltaram a transar. Ela, cansada de ter que tomar as rédeas, se fingir de apaixonada e dirigir as transas, entregou-se ao seu marido com redobrado tesão.
Foi durante essa transa que ela entendeu que tinha que deixar sentimentos e desejos em compartimentos separados de sua mente, o que serviu para que ela melhorasse ainda mais sua performance diante de Otto.
O relacionamento de Blanche com o coronel alemão durou mais de um ano e rendeu muitas informações úteis. Mas também serviu para mudar o comportamento dela por se tratar de um homem que, apesar de sexualmente inseguro, demonstrava interesse em variações nos seus relacionamentos com uma mulher.
Foi assim que Blanche, se viu em situações que imaginava serem totalmente contra o seu pensamento, mas isso foi mudando na medida em que aconteciam.
A primeira foi que, durante uma transa, Otto chupava sua buceta e, a pedido e incentivado por ela, foi além passando a língua em seu cuzinho e ela, gostando daquela sensação, gemeu e empinou mais sua bunda para facilitar a ação de seu parceiro. Entendendo aquilo como uma aceitação, logo o alemão estava com um dedo enfiado em seu cu e, quando ela começou a rebolar, enfiou um segundo provocando um grito de Blanche e o comentário dele:
– Desculpe meu bem! Eu não quis te machucar.
– Mas está doendo muito.
Esse tinha sido um dos ensinamentos de Grace. Procurar demonstrar que está cedendo algo muito importante e doloroso para o homem se sentir mais valorizado, quando, na verdade, seria só fingimento.
– Você quer que eu pare? – Perguntou ele com uma voz de decepção.
– Não. Dói, mas é bom. – Respondeu Blanche disposta a fazer qualquer sacrifício para deixar aquele homem satisfeito.
– Você vai ver como vai ser bom agora!
– O que você está pensando em fazer? – Perguntou Blanche fazendo cara de espanto.
Não houve resposta. Nesse momento Otto já tinha se ajoelhado atrás dela e, com movimentos firmes, começou a enfiar seu pau naquele cuzinho de forma carinhosa, porém constante, a despeito dos gemidos de dor de Blanche e, quando conseguiu o seu intento, ficou parado enquanto seu pau estava completamente atolado na bunda dela.
Blanche ficou imóvel até que a dor começou a ceder e, no lugar dela, uma sensação gostosa que provocou a reação involuntária em seu corpo que, sem intenção, começou a rebolar enquanto os músculos internos massageavam o membro que invadia suas entranhas.
Entendendo isso como uma aceitação, o alemão segurou sua cintura com firmeza e começou a se movimentar. Aquela sensação nova para Blanche a dominava de forma tão completa que ela, sem sentir, levou a mão à sua buceta ensopada e começou a se foder com os dedos, não demorando a atingir um orgasmo que ela, mais tarde, definiu como um gozo completo.
Aquele passo, planejado e orquestrado por ela, os direcionou para situações que ela ia criar para dar mais prazer ou seu amante e, depois de um mês, Otto foi surpreendido quando, ao chegar no apartamento dele, a encontrou acompanhada de um dos soldados que fazia a segurança dele e, sem muitas explicações, pouco tempo depois, se entregava aos dois. Naquele dia, apesar de ter sido fodida por ambos, não houve uma dupla penetração.
Assim chegou o ano de 1942 e, enquanto Blanche se dividia entre as diversões com Otto, embora ainda não tivesse tido coragem de se submeter a uma dupla penetração, Hamdi se debatia tentando conseguir um encontro com a Duquesa Emanuelle.
Durante meses, ela só encontrou a mulher uma vez e, mesmo assim, durante uma tarde em que tentava comprar um vestido que lhe cairia como uma luva para um evento que pretendia ir naquela semana, porém, o cartão de racionamento dela não era suficiente.
A Duquesa, depois de ouvir o problema dela, falou em particular com o gerente da loja e todos os obstáculos foram vencidos e ela saiu da loja satisfeita e com a promessa da Duquesa de que voltariam a se encontrar a qualquer momento.
Ainda iria demorar meses para que a jovem espiã morena voltasse a se relacionar com o casal de Duques e, quando isso aconteceu, o mês de abril de 1942 já estava chegando.
Aquele ano, com a campanha da Alemanha na Rússia e o Africa Korps sofrendo derrotas atrás de derrotas no norte do continente, fez com que Paris mais parecesse uma colônia de férias para os alemães.
::::::::
OS NOMES, ASSIM COMO AS CARACERÍSTICAS FÍSICAS OU COMPORTAMENTAIS DOS PERSONAGENS, ALÉM DOS FATOS MENCIONADOS E UTILIZADOS NESSA HISTÓRIA, SÃO FICTÍCIOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM ASPECTOS DA VIDA REAL DEVEM SER CONSIDERADAS COMO MERA COINCIDÊNCIA. AS INTERAÇÕES ENTRE PESSOAS REAIS E OS PERSONANGENS DESSA FICÇÃO NÃO OCORRERAM E FORAM CRIADAS PELOS AUTORES NO INTUÍTO DE ENCAIXAR FICÇÃO E REALIDADE.
O MESMO PRINCÍPIO DE APLICA ÀS IMAGENS DIVULGADAS E APRESENTADAS NO TEXTO. ESSAS FORAM GERADAS COM O USO DE FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E, EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM PESSOAS DA VIDA REAL, TAMBÉM DEVEM SER CONSIDERADAS COMO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO, EXIBIÇÃO OU QUALQUER OUTRO USO DESTE TEXTO, ASSIM COMO DAS IMAGENS, SEM A EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR(A) – DIREITOS RESERVADOS – SOB AS PENAS DA LEI, EM OUTROS BLOGS OU SITES. PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA NA CASA DOS CONTOS ERÓTICOS.
