O sábado amanheceu quente aqui no interior de São Paulo, daqueles em que o céu azul parece convidar qualquer um a sair de casa. Ajeitei o cabelo diante do espelho enquanto vestia o macacão de ciclismo branco e rosa que Marcelo adorava me ver usar. O tecido justo desenhava cada curva do meu corpo de maneira impossível de ignorar.
Marcelo apareceu na porta do quarto já uniformizado para a pedalada.
— Você tem noção de como fica nesse conjunto? — perguntou, sorrindo.
— A culpa foi sua. Foi você quem insistiu para eu comprar.
Ele aproximou-se devagar, segurando minha cintura.
— E faria isso de novo.
Naquela manhã, nós encontraríamos Renato, amigo antigo e parceiro frequente das trilhas de bicicleta pela região. Renato tinha 45 anos, porte atlético e aquele jeito descontraído que sempre deixava o ambiente mais leve. Quando chegou à praça de encontro e me viu apoiada na bicicleta, usando óculos escuros e o macacão colado ao corpo, não conseguiu esconder a reação.
— Nossa… vocês vieram para pedalar ou para causar acidente na trilha?
Marcelo riu alto.
— Eu avisei que ela estava impossível hoje.
Apenas balancei a cabeça, fingindo não gostar da atenção, embora sentisse o corpo inteiro aquecer com os elogios.
Seguimos pelas estradas rurais cercadas de mata e fazendas. O sol ainda estava baixo, e o vento fazia o tecido da roupa de ciclismo aderir ainda mais ao meu corpo. Em vários momentos eu percebia Renato pedalando logo atrás, inevitavelmente observando minhas pernas e o balanço suave de meus movimentos.
Marcelo também percebia.
E parecia gostar disso.
— Acho que o Renato está sem concentração hoje — comentou ele, divertido, durante uma parada rápida.
Renato riu, sem jeito.
— Culpa da paisagem.
A provocação ficou no ar pelo restante do trajeto.
Depois de quase duas horas pedalando, chegamos a uma cachoeira escondida entre pedras e árvores altas, um lugar conhecido apenas pelos moradores da região. O som da água ecoava forte, criando uma sensação de isolamento completo.
— Merecemos um descanso — disse Renato, largando a bicicleta.
O calor estava intenso. Sentia o corpo úmido de suor sob a roupa justa. Marcelo tirou a mochila das costas e olhou para mim com aquele brilho provocador já conhecido.
— Você trouxe biquíni?
Sorri lentamente.
— Não.
Renato levantou as sobrancelhas.
Marcelo se aproximou de mim.
— Então vai ter que entrar assim mesmo.
O olhar entre os dois carregava aquela velha cumplicidade exibicionista. Sabia exatamente o quanto Marcelo gostava de me ver chamando atenção — ainda mais diante de outro homem.
Sem pressa, comecei a abrir o zíper frontal do macacão de ciclismo até um pouco abaixo do colo. Renato desviou o olhar por educação… mas logo voltou a me encarar, incapaz de esconder o desejo.
Caminhei até a beira da cachoeira sentindo os olhos dos dois sobre meu corpo. A água fria tocou minhas pernas primeiro, arrancando um arrepio intenso. Então mergulhei devagar, sentindo o tecido molhado se tornar ainda mais justo.
Marcelo observava tudo com satisfação.
— Acho que o Renato está gostando do passeio.
— Acho que vocês dois são malucos — Renato respondeu, rindo nervosamente.
Mas não conseguia parar de olhar.
A atmosfera ao redor da cachoeira mudou completamente. O som da água, o isolamento da mata, a roupa molhada marcando meu corpo e os olhares constantes criavam uma tensão deliciosa.
Sai da água lentamente, os cabelos escorrendo pelos ombros. O macacão colado revelava cada detalhe de minhas curvas. O tecido branco na parte de cima do macacão molhado deixava transparecer as auréulas escuras e os bicos durinhos dos meus seios, pois não usava sutiã. Renato prendeu a respiração por um instante.
Marcelo percebeu.
E ao invés de sentir ciúme, parecia ainda mais excitado pela situação.
Então entendi que aquela aventura não era apenas sobre pedalar ou conhecer uma cachoeira escondida. Era sobre o jogo silencioso entre desejo, provocação e exibicionismo que os três passaram o dia inteiro alimentando sem precisar dizer claramente nenhuma palavra.
