O ar-condicionado do escritório parecia zunir com uma frequência específica, calculada para irritar os nervos já expostos de Marco. Ele estava sentado em sua cadeira giratória de couro, mas não se sentia no comando. O terno Armani, que costumava ser sua armadura de confiança, agora parecia suffocante, pesado demais para o clima tropical e para o peso que carregava nas costas. Clara estava em pé, na frente de sua mesa, inclinando-se ligeiramente para frente. Ela usava uma blusa branca justa e o decote era generoso, convidativo. Há uma semana, aquela cena teria sido o prelúdio de um almoço rápido em um motel discreto, ou até mesmo de uma foda rápida no banheiro dos executivos.
Mas hoje, Marco olhava para os seios de Clara e sentia... nada. Absolutamente nada. Não havia o formigamento familiar na virilha, não havia o impulso animalesco de agarrá-la. Pelo contrário, ele sentia uma náusea gelada rolar em seu estômago. Ele tentou forçar. Mentalmente, puxou a imagem dela nua, imaginou a boca dela nele, mas o mecanismo falhou. Era como tentar ligar um carro com o tanque vazio. O motor engasgava e morria.
— Marco? — A voz de Clara trouxe-o de volta à realidade. Ela estava franzindo a testa, confusa. — Eu estava dizendo que aqueles relatórios estão prontos. Você está me ouvindo?
Ele limpou a garganta, sentindo o rosto queimar. Não era de desejo. Era de vergonha. Ele percebeu o olhar dela, observando a falta de interesse em seus olhos, a postura rígida dele. Ela era uma mulher atraente, e ele não conseguia reagir. Ele era um homem de um metro e noventa, um exemplo de masculinidade, e ali estava, impotente diante de uma mulher real.
— Sim, Clara. Desculpe. É só o... estresse do projeto — mentiu, com a voz rouca.
Ela se endireitou, o sorriso flertador desaparecendo, substituído por um olhar de preocupação misturada com rejeição. — Você parece pálido, Marco. Talvez devêssemos adicionar aquela reunião para amanhã.
— Não. Não. Faça isso. Eu... eu preciso ir ao banheiro.
Marco levantou-se abruptamente, quase derrubando a caneca de café. A gravata, já frouxa, parecia um laço enforcando-o. Ele caminhou pelo corredor com passos pesados, sentindo os olhares dos colegas sobre ele. Paranoia? Talvez. Mas para ele, todos sabiam. Todos sabiam que ele usava aquele tecido fino e pegajoso escondido sob o terno impecável. Todos sabiam que ele era um fracasso.
Ele entrou no banheiro dos executivos, trancando a porta com um clique alto que ecoou contra o azulejo. Foi até o pia, abriu a torneira e jogou água fria no rosto. A água pingou de sua barba bem feita, mas não refrescou o fogo que queimava dentro dele. Ele levantou os olhos para o espelho. O homem refletido ali parecia um estranho. O rosto pálido, as olheiras profundas, os olhos arregalados e cheios de pânico.
Ele olhou para baixo, para sua calça cinza. Liso. Nada. Nem um sinal de vida.
— Merda — sussurrou ele, batendo a mão na borda de mármore da pia. A dor aguda percorreu seus dedos, mas foi um alívio bem-vindo. — Merda!
A humilhação não era apenas a falha com Clara. Era o que isso significava. Ele não conseguia mais desempenhar seu papel. Ricardo tinha razão? Ricardo tinha quebrado algo nele que ele não conseguia consertar? A lembrança invadiu sua mente sem permissão: o cheiro de tabaco e couro, a mão pesada de Ricardo em sua nuca, a dor e o prazer confusos de ser usado. O pênis de Marco deu um pequeno, quase imperceptível, pulo naquele momento, mas morreu instantaneamente quando ele focou na realidade fria do banheiro.
Ele saiu do banheiro, mas não voltou para sua mesa. Seus pés o levaram para o outro lado do corredor, em direção às suítes dos diretores. O coração batia contra as costelas como um pássaro enjaulado. Ele sabia que Ricardo estava lá. Ele sentia a presença do homem como uma mudança na pressão atmosférica.
Marco parou na porta de mogno pesado. Respirou fundo, tentando recuperar a postura de gerente de operações, o homem que mandava e desmandava. Empurrou a porta sem bater.
Ricardo estava sentado atrás da mesa imensa, revendo alguns contratos. Ele não levantou os olhos imediatamente. O escritório era vasto, frio, cheirando àquele perfume amadeirado que fazia a cabeça de Marco girar. As cortinas estavam fechadas, criando um crepúsculo artificial que parecia isolar aquele espaço do resto do mundo.
— O que você quer, Marco? — Ricardo perguntou, ainda olhando para os papéis, a voz calma, dona de uma autoridade tranquila que enfurecia Marco.
— Você sabe o que eu quero — Marco disse, sua voz tremendo, apesar do esforço para mantê-la firme. Ele caminhou até a mesa, suas mãos fechando em punhos ao lado do corpo.
Ricardo finalmente olhou para cima. Os olhos escuros dele eram impenetráveis, mas um pequeno sorriso curvou os lábios, como se ele tivesse estado esperando por isso o dia todo. O anel de prata com o detalhe da serpente brilhou sob a luz da luminária de mesa.
— Ah, deixou a secretária insatisfeita? — Ricardo recostou-se na cadeira, cruzando os braços. O movimento esticou o tecido da camisa social branca, destacando os músculos do peito e ombros.
Marco sentiu o rosto explodir de calor. — Você arruinou minha vida — acusou, as lágrimas já queimando nos cantos dos olhos, traiçoeiras. — Eu não consigo... eu não consigo funcionar. Eu tentei hoje, com a Clara, e eu... eu não consigo. Você fez isso comigo.
Ricardo soltou uma risada baixa, um som que vibrou no peito de Marco. — Eu não fiz nada, Marco. Apenas ajudei você a ver a verdade. Você está me culpando por tirar o peso dos seus ombros? Por impedir que você viva uma mentira?
— Eu não sou mentira nenhum! Eu sou um homem! — Marco berrou, a voz ecoando na sala.
— É? — Ricardo levantou-se devagar. O movimento fluido, predatório. Ele caminhou até a frente da mesa, encostando-se na borda, invadindo o espaço pessoal de Marco sem tocá-lo. — Um homem que não consegue ficar duro com uma mulher bonita? Um homem que usa lingerie vermelha suja porque seu dono mandou?
Marco estremeceu. A palavra 'dono' soou como um soco no estômago, mas também enviou uma corrente elétrica para baixo, para sua virilha. Ele se afastou um passo, mas suas costas bateram na porta fechada. Não havia para onde ir.
— Pare — sussurrou Marco, mas sua voz não tinha força.
Ricardo deu mais um passo. Ele estava perto demais. Marco podia sentir o calor do corpo dele, cheirar o tabaco no hálito. Ricardo era quase cinquenta anos, mas tinha uma vitalidade, uma presença física que eclipsava a juventude de Marco.
— Você sente isso, Marco? — Ricardo aproximou a boca do ouvido dele, a voz um sussurro áspero. — Sente como seu corpo reage quando eu estou perto? Quando eu te humilho?
A mão de Ricardo subiu lentamente, tocando o lado do pescoço de Marco. O dedo polegar roçou na veia que pulsava freneticamente. Marco prendeu a respiração. Seu pênis, que estava morto minutos atrás com Clara, começou a inchar. Foi uma reação instintiva, vergonhosa, rápida. O tecido da calça apertou.
— Não... — Marco negou com a cabeça, as lágrimas escorrendo livremente agora. — Eu odeio isso. Eu odeio você.
— Você odeia que eu veja você — Ricardo corrigiu, sua mão descendo pelo peito de Marco, passando pela gravata afrouxada, parando na altura do peito. — Você odeia que eu saiba o que você é. Uma putinha que precisa de um pau de verdade para se sentir vivo.
Ricardo apertou o mamilo de Marco através da camisa e do terno. Marco soltou um gemido abafado, seus joelhos fraquejando. A dor e o prazer se misturaram, confundindo seus sentidos.
— Lembra, Marco? — Ricardo sussurrou, seus lábios roçando na mandíbula dele. — Lembra de quando eu te fodi? Quando você estava de quatro, chorando, com minha rola dentro do seu rabo? Lembra como você gozou sem nem tocar nessa coisinha inútil?
As imagens invadiram a mente de Marco com clareza brutal. O som da carne batendo na carne, o cheiro de suor e sexo, a sensação de estar cheio, possuído. O pênis de Marco pulou, endurecendo completamente, criando uma protuberância óbvia em suas calças caras.
Ricardo olhou para baixo, para a ereção de Marco, e depois voltou os olhos para o rosto dele, um sorriso de vitória cruel estampado em seus lábios.
— Viu só? — Ricardo riu, o som frio e mordaz. — Você não está broxa, Marquinho. O seu pau funciona muito bem. Só não sente mais desejo em buceta. Você gosta de macho.
Marco olhou para baixo, vendo a evidência de sua traição. A calça social volumosa, revelando sua excitação. A vergonha era avassaladora, queimando sua pele, mas havia algo mais. Um orgulho doentio, pervertido. Ele estava excitado. Ricardo o queria. Ricardo o dominava. E aquilo fazia ele se sentir... visto. Real.
— Você é um nojento — Marco choramingou, mas seu corpo se inclinou em direção a Ricardo, buscando o toque.
— E você está duro como uma pedra pensando em mim — Ricardo retrucou, agarrando o pescoço de Marco com força, forçando o contato visual. — Aceite. Pare de lutar. Sua vida não está arruinada, Marco. Ela está apenas começando. Você pode ser o gerente chato durante o dia, mas aqui... aqui você é meu.
Ricardo apertou a garganta de Marco levemente, cortando um pouco de ar. — Eu serei teu macho, Marco. Eu vou te pegar, te usar, te foder até você não saber mais seu nome. Você não precisa pensar. Só precisa se entregar. É isso que você quer, não é?
Marco olhou nos olhos de Ricardo. Não havia piedade ali, apenas uma certeza absoluta. O conflito interno rasgava-o: o orgulho de anos construindo uma imagem de homem heterossexual, dominante, bem-sucedido, contra a verdade visceral que seu corpo gritava. Ele não queria voltar para o vazio. Ele não queria a tentativa patética com Clara. Ele queria a intensidade. Ele queria a dor. Ele queria ser propriedade de Ricardo.
O silêncio no escritório era pesado, quebrado apenas pela respiração ofegante de Marco. Ele olhou para a boca de Ricardo, para os lábios firmes, e depois desceu o olhar para a própria ereção, que dobia a alfaiataria.
— Se entrega — Ricardo ordenou, soltando o pescoço dele, mas mantendo o olhar fixo. — Diga. Peça.
Marco engoliu em seco, a garganta doendo. As palavras pareciam pedras em sua boca. — Eu... eu quero...
— Mais forte — Ricardo exigiu, cruzando os braços, esperando.
Marco fechou os olhos, a lágrima escorrendo pelo rosto e caindo na gola da camisa. — Eu quero você. Eu quero... que você seja meu macho.
A confissão saiu como um suspiro quebrado. Ricardo sorriu, não aquele sorriso cruel, mas algo satisfeito, quase possessivo.
— Vamos para casa, seu putinho — disse Ricardo, virando-se e pegando o paletó que estava no encosto da cadeira. — Hoje eu vou te ensinar o que significa pertencer a alguém de verdade.
A viagem até o apartamento de Ricardo foi um borrão. Marco não lembrava do trajeto, apenas do som do motor do carro de Ricardo e da mão do homem mais velho pousada em sua coxa, apertando firmemente, marcando território, enquanto Marco mantinha o olhar fixo para fora da janela, vendo a cidade passar sem realmente enxergá-la. O coração dele não acalmava. Ele sentia que estava caminhando para um precipício, mas estranhamente, ele queria pular.
O elevador do prédio de Ricardo subiu em silêncio. Quando as portas se abriram, o aroma familiar do apartamento — couro velho, livros e aquele toque sutil de tabaco — envolveu Marco. Era um cheiro que agora associava à submissão, à quebra de suas defesas.
Ricardo não perdeu tempo. Assim que a porta se fechou atrás deles, bloqueando o resto do mundo, ele empurrou Marco contra a parede do hall. O impacto foi brusco, tirando o ar dos pulmões de Marco.
— Tira isso — Ricardo ordenou, puxando a gravata de Marco com força, desfazendo o nó imperfeito e jogando o tecido no chão. — Tira essa fantasia de homem importante.
As mãos de Marco tremiam enquanto começava a desabotoar o paletó, depois o colete. Ricardo observava, os braços cruzados, o olhar avaliando cada movimento, despi-lo não apenas das roupas, mas da dignidade. Quando Marco ficou de camisa social e calça, Ricardo aproximou-se novamente.
— De joelhos — a ordem foi simples, mas carregava o peso de uma lei física.
Marco hesitou por apenas um segundo. Seus joelhos bateram no piso de madeira escura com um som surdo. A altura dele, que sempre o fizera sentir-se poderoso, agora o colocava na posição perfeita para servir. Ele estava na altura da cintura de Ricardo.
Ricardo desabotoou a calça dele devagar, desafiando Marco a desviar o olhar. Marco não desviou. Ele estava hipnotizado. Quando Ricardo puxou o pênis para fora, duro, grosso, com veias saltadas, Marco sentiu a boca encher de saliva. Era um pau de macho. Diferente do dele. Diferente de qualquer coisa que ele já tivesse desejado antes, mas agora era o centro do seu universo.
— Abre — Ricardo disse, colocando a mão na nuca de Marco.
Marco abriu a boca, a língua saindo instintivamente. Ricardo enfiou o pau na boca de Marco de uma vez, sem preparo, sem delicadeza. Marco engasgou, os olhos lacrimejando, as mãos agarrando as coxas de Ricardo para se equilibrar. O gosto era salgado, metálico, intenso. Ele sentiu a cabeça do pau bater no fundo de sua garganta, bloqueando o ar.
— É isso — Ricardo grunhiu, começando a mover a bacia, fudendo a boca de Marco com golpes profundos. — Chupa bem, putinho. Mostra pro seu macho que você tem utilidade.
Marco tentou relaxar a garganta, focando na respiração pelo nariz, mas Ricardo era implacável. Ele segurava a cabeça de Marco com as duas mãos, usando-o como um objeto, uma carneira descartável. O som de engolir, de "gluck, gluck", enchia o apartamento silencioso. Marco sentia-se humilhado, reduzido a um buraco de prazer, mas seu próprio pênis doía de tanto duro, preso dentro da calça e da lingerie suja.
Ricardo puxou a cabeça de Marco para trás, liberando o pau que estava coberto de saliva e muco branco. Um fio ligava a boca de Marco à glande de Ricardo.
— Levanta e tira a roupa — Ricardo respirou fundo, o peito subindo e descendo. — Quero ver minha lingerie.
Marco levantou-se, as pernas trêmulas. Ele despiu-se rapidamente, deixando a roupa de executivo em uma pilha desorganizada no chão da sala. Quando ficou apenas com a lingerie vermelha, que estava manchada e cheirando a suor e ao próprio cheiro dele do dia anterior, ele cruzou os braços no corpo, tentando se cobrir.
— Mãos nas costas — Ricardo corrigiu, andando ao redor dele, observando-o como uma obra de arte, ou melhor, como um animal de estimação bem treinado. — Fica quieto.
As mãos de Ricardo tocaram a pele de Marco, percorrendo as costas, descendo até o bumbum exposto pelo fio dental. Ele beliscou a carne firme, fazendo Marco gritar baixinho.
— Você tem um corpo lindo, Marco — Ricardo sussurrou no ouvido dele, vindo por trás. — Um desperdício ficar com mulheres. Feito pra ser usado por homem.
Ricardo empurrou Marco em direção ao sofá de couro preto. — Deita de barriga pra cima. Pernas abertas.
Marco obedeceu, sentindo o couro frio contra as costas. Ele levantou as pernas, expondo o ânus, que ainda lembrava da última vez, contraído e tímido. Ricardo ficou de pé na frente do sofá, removendo o resto da roupa. O corpo dele era impressionável. Musculoso, coberto de pelos grisalhos no peito, uma força bruta contida.
Ricardo não esperou. Ele jogou as pernas de Marco sobre os ombros e posicionou a cabeça do pau na entrada do corpo de Marco. Ele cuspiu na mão, passou a saliva em seu pau e em seguida empurrou.
O grito de Marco foi abafado por Ricardo, que se debruçou sobre ele, beijando-o forçadamente, engolindo o som de dor enquanto a glande rompia a resistência do anel muscular. A dor foi aguda, um estiramento que parecia rasgá-lo ao meio, mas misturado com uma sensação de plenitude que ele não conseguia explicar. Ricardo não parou até estar enterrado até o fundo.
— Caralho... — Marco ofegou, quando Ricardo soltou seus lábios. — Doi... doi demais...
— Vai passar — Ricardo disse, começando a se mover. — Seu corpo foi feito pra isso. Relaxa essa buceta e deixa eu foder.
O ritmo foi brutal. Ricardo não fazia amor; ele fodia. Cada golpe era profundo, visando a próstata de Marco com precisão cirúrgica. Marco sentia o choque percorrer o corpo, do ânus até a ponta da cabeça. Seu pênis, ainda preso dentro do tecido da lingerie, pulava a cada golpe, vazando um líquido transparente que manchava o tecido vermelho ainda mais.
— Olha pra mim — Ricardo ordenou, segurando o queixo de Marco. — Enquanto eu te fodo, eu quero que você olhe nos meus olhos. Eu quero ver você se quebrando.
Marco forçou os olhos abertos. O rosto de Ricardo era uma máscara de prazer puro e domínio. O suor escorria pela testa do homem mais velho e caía no rosto de Marco.
— Você é meu, entende? — Ricardo disse entre dentes, acelerando o ritmo, a pele batendo na pele com um som alto e úmido. — Essa rola é sua única referência agora. Esse pauzinho aí embaixo é só um enfeite. Você não precisa dele.
A humilhação das palavras atingiu Marco em cheio, mas em vez de repelir, ele sentiu o orgasmo se aproximando como uma maré. Ele não estava se tocando. Ele não precisava. A pressão em sua próstata, a visão de Ricardo acima dele, o cheiro de sexo, o som da voz dele... tudo isso conspirava para levá-lo ao clímax.
— Eu... eu vou gozar — Marco avisou, a voz trêmula, os olhos virando para trás.
Ricardo sorriu, um sorriso de predador que apanhou a presa. — Goza então, putinho. Goza só com minha rola no teu rabo.
E Marco gozou. Foi um orgasmo diferente de qualquer um que ele tivera na vida. Não veio do pênis, embora o pênis ejaculasse, espalhando o esperma quente sobre a lingerie e seu estômago. Veio de dentro, uma explosão que começou na coluna e irradiou para todo o corpo, deixando-o paralisado, arqueado, gritando o nome de Ricardo sem querer.
— Isso aí, muito bem — Ricardo elogiou, não parando o movimento. Ele fodia através do orgasmo de Marco, prolongando a sensação, transformando o prazer em quase tortura pela intensidade. — Mais. Eu não terminei.
Marco virou um boneco de pano sob Ricardo. O homem mais velho usou-o por minutos que pareceram horas, mudando de posição, virando Marco de bruços, entrando por trás, puxando os cabelos dele, beliscando seus mamilos até ficarem vermelhos e sensíveis. Marco perdeu a noção do tempo. Ele estava apenas um corpo, um receptáculo para o desejo de Ricardo.
Quando Ricardo finalmente aproximou-se do clímax, ele puxou o pau de Marco com um estalo sujo e virou o rapaz de bruços no sofá.
— Abre a boca — ordenou, masturbando-se rapidamente.
Marco, ofegante, com o rosto enterrado no couro do sofá, virou o rosto e abriu a boca, a língua para fora. Ricardo grunhiu alto e ejaculou. Jatos grossos de esperma atingiram o rosto de Marco, a língua, o queixo, até escorrer para o pescoço e misturar-se com o suor.
Ricardo respirou fundo, sacudindo as últimas gotas sobre o peito de Marco. Ele olhou para baixo, vendo a bagunça que tinha feito daquele homem "poderoso". Marco estava coberto de fluidos, a lingerie rasgada no fio, os olhos vidrados, o corpo marcado por dedos e mordidas.
— Veja você — Ricardo disse, a voz voltando ao tom calmo e controlado, sentando-se ao lado de Marco no sofá. — Tão bonito assim.
Marco deitou-se de costas, tentando recuperar o fôlego. Ele olhou para o teto, sentindo o calor do esperma esfriar em seu rosto. A vergonha deveria estar lá, e estava, mas era uma vergonha quente, confortável agora. Ele não precisava mais fingir.
Ricardo passou a mão pelo peito de Marco, espalhando o esperma na pele. — Você não precisa mais daquela jaula, Marco — disse ele, tocando levemente o pênis de Marco, que agora estava flácido e exausto. — Seu pau aqui... ele é só um enfeite. Um enfeite bonito, mas inútil. Você goza mais com a minha rola no seu rabo do que com a sua mão.
Marco fechou os olhos, sentindo a verdade das palavras afundar-se nele. Era uma libertação terrível. Ele não precisava se esforçar para ser o homem macho que todos esperavam. Ele podia ser isso. Ele podia ser o brinquedo de Ricardo.
— Sim — Marco sussurrou, sua voz rouca de tanto gritar. — Sou seu.
Ricardo inclinou-se e beijou Marco, um beijo lento, profundo, provando o próprio gosto na boca do rapaz. Quando se separaram, Ricardo sorriu, e pela primeira vez, o sorriso não parecia apenas cruel, mas quase... afetuoso, na forma possessiva de um dono para um animal amado.
— Então vamos limpar essa bagunça — Ricardo disse, levantando-se e estendendo a mão para Marco. — E depois eu vou te mostrar o seu novo lugar nesta casa.
Marco pegou na mão dele. A mão de Ricardo era grande, quente, áspera. Marco deixou-se puxar para cima, sentindo as pernas fracas, mas o espírito estranhamente leve. O apartamento vasto e frio não parecia mais intimidante. Parecia um santuário. Ele olhou para as roupas de executivo espalhadas no chão do hall, a gravata jogada em um canto. O gerente de operações estava morto. Em seu lugar, algo novo nascia. Algo que pertencia a Ricardo, corpo e alma. E enquanto ele seguia Ricardo para o banheiro, sentindo o escorregadio entre as pernas e o cheiro de sexo impregnado em sua pele, Marco soube que nunca mais seria o mesmo. E, pela primeira vez em dias, ele não teve medo do que viria a seguir.
A mão de Ricardo fechou-se com firmeza ao redor do pulso de Marco, os dedos grossos e quentes como ferro em brasa contra a pele ainda úmida de suor e sêmen. Não era um gesto de ajuda—era uma coleira invisível sendo apertada, um lembrete de que cada movimento agora dependia de permissão. Marco ergueu o olhar, os cílios colados pelo resíduo seco do orgasmo que ainda escorria pelo canto do olho, e viu o sorriso lento, quase carinhoso, que se desenhava nos lábios de Ricardo. Aquele sorriso não prometia gentileza. Prometia propriedade.
— Levanta — a voz era baixa, áspera como lixa, mas sem a necessidade de elevar o tom. Marco obedeceu antes que o comando fosse completado, os músculos das coxas tremendo quando tentou se sustentar. O couro frio do sofá grudou por um instante em suas nádegas nuas, arrancando um gemido abafado quando se soltou. A lingerie vermelha, agora um trapo encharcado de fluidos, pendia de seu corpo como pele morta. Ricardo não o deixou cobrir-se. Com um puxão seco, arrancou o tecido rasgado do resto do corpo de Marco, jogando-o no chão com o mesmo desdém que se descarta um lenço usado.
— Não precisa mais disso — disse, passando os nós dos dedos pela clavícula de Marco, onde marcas de dentes ainda ardiam. — Você não é mais um homem que se esconde atrás de sedas. Você é minha.
Marco engoliu em seco, sentindo o gosto amargo do próprio esperma misturado ao de Ricardo na garganta. As palavras deveriam ter soado como uma humilhação, mas seu pau—traído, inútil—tremeu levemente entre as pernas, como se reconhecesse a verdade antes que sua mente a aceitasse. Ele baixou os olhos, observando a própria ereção murchar quase instantaneamente, como se o corpo já soubesse que não havia mais espaço para desejos próprios.
Ricardo não perdeu o detalhe. Um riso baixo, quase um ronronar, vibrou em seu peito enquanto ele girava Marco pelo ombro, empurrando-o em direção ao corredor escuro que levava aos cômodos internos do apartamento.
— Banheiro. Lava esse fedido de você — ordenou, dando um tapa seco na nádega esquerda de Marco, onde a marca de sua mão ainda vermelhava. — Mas não demore. Tenho muito o que fazer com você hoje.
A água quente queimava como álcool em feridas abertas. Marco apoiou as mãos na pia de mármore frio, observando no espelho como os jatos do chuveirinho removiam os rastros de sua antiga vida: o sêmen seco escorria em filetes brancos pelos músculos ainda definidos do peito, carregando consigo a última ilusão de controle. Ele fechou os olhos quando a água atingiu o rosto, sentindo os dedos de Ricardo em sua memória—no pescoço, nos mamilos, dentro dele—como se o homem ainda estivesse ali, esculpindo seu corpo em algo novo.
Não havia toalhas. Não havia privacidade. Quando Marco finalmente desligou a torneira, tremendo não pelo frio, mas pela exposição, encontrou Ricardo encostado no batente da porta, os braços cruzados sobre o peito largo, observando cada movimento com a intensidade de um predador avaliando sua presa. Seus olhos escuros brilhavam com algo que ia além do desejo—era propósito.
— De joelhos — a ordem foi suave, quase casual, como se estivessem discutindo o clima.
Marco obedeceu sem hesitar. O mármore gelado sob seus joelhos doía menos do que a vergonha de saber que não havia mais escolha a ser feita. Ricardo aproximou-se, os passos abafados pelo tapete espesso, e segurou seu queixo com força suficiente para levantar seu rosto.
— Abre a boca.
Não era uma pergunta. Marco abriu, sentindo os dedos grossos deslizarem entre seus lábios, empurrando sua língua para baixo enquanto Ricardo inspecionava o interior de sua boca como se fosse um cavalo sendo avaliado antes da compra. Satisfação distorceu seus lábios quando ele soltou Marco com um estalo seco.
— Bom garoto — murmurou, passando o polegar pelo lábio inferior inchado de Marco. — Agora levanta. Vamos começar.
A sala que Ricardo o levou não era um quarto. Era um espaço de trabalho.
Paredes revestidas de couro preto, iluminação direcionada como em um estúdio fotográfico, e no centro, uma mesa de exame médico—de aço inoxidável, com correias de couro presas aos lados. Marco sentiu o estômago revirar, mas seu corpo reagiu de outra forma: um calor úmido inundou sua entrada, o ânus ainda dolorido da penetração anterior contraindo involuntariamente. Ricardo notou. Claro que notou.
— Você gosta disso, não gosta? — perguntou, pressionando a palma da mão contra a base da coluna de Marco, empurrando-o para frente até que suas coxas batessem na mesa. — Gosta de saber que vai ser usado.
Marco não respondeu. Não havia palavras. Só um gemido rouco quando Ricardo segurou seus pulsos e os prendeu nas correias, apertando até que o couro mordesse sua pele. A segunda correia foi amarrada ao redor de sua cintura, imobilizando-o de bruços sobre a superfície fria. Ele sentiu o metal gelado contra seu peito, os mamilos endurecendo instantaneamente.
— Primeiro — Ricardo caminhou até um armário de vidro, onde seringa, agulhas e frascos brilhavam sob a luz — vamos resolver esse problema aqui.
Marco tentou virar a cabeça, mas a mão de Ricardo pressionou sua nuca contra a mesa, mantendo-o imóvel.
— Fique quieto — sibilou, a voz um aviso suave. — Isso vai doer. Mas você vai agradecer depois.
A agulha perfurou a pele da nádega direita antes que Marco pudesse protestar. Um fogo líquido espalhou-se por sua veia, queimando como veneno. Ele gritou, os dedos arranhando o aço, mas Ricardo apenas segurou seu quadril com mais força, a outra mão já preparando a segunda injeção.
— Hormônios — explicou, como se estivesse falando do cardápio do jantar. — Vão ajudar a… suavizar certas coisas. Seu pau, por exemplo.
Marco sentiu as lágrimas ardendo nos olhos, mas não eram de dor. Era o conhecimento brutal de que não havia volta. Ricardo injectou o segundo frasco na nádega esquerda, massageando o local com os nós dos dedos, espalhando a queimação.
— Em alguns meses, você não vai nem sentir falta desse pedaço de carne inútil — continuou, agora caminhando até a frente de Marco, onde seu pênis, antes orgulhoso, agora pendia flácido e envergonhado entre as pernas. Ricardo o pegou, pesando-o na palma da mão como se avaliasse um fruto podre. — Na verdade, acho que podemos acelerar isso.
Antes que Marco entendesse, Ricardo apertou algo em volta da base de seu pênis—um anel de metal frio, que se fechou com um clique definitivo. Marco uivou, tentando se debater, mas as correias o mantinham preso. O dispositivo—um cock ring de restrição extrema—comprimia sua circulação, fazendo com que o órgão já murchando encolhesse ainda mais, a pele ficando pálida, quase azulada.
— Isso aqui — Ricardo deu um tapinha no metal — vai garantir que ele não receba sangue suficiente para se recuperar. Com o tempo… — ele encolheu os ombros — vai secar. Como uma flor sem água.
Marco chorou. Não eram lágrimas de um homem. Eram soluços quebrados, descontrolados, enquanto seu corpo—seu antigo corpo—era sistematicamente desmontado.
Ricardo não parou aí.
Com Marco ainda preso à mesa, ele pegou um kit de tatuagem esterilizado. A máquina zumbiu ao ser ligada, um som que fez o estômago de Marco revirar.
— Propriedade precisa ser marcada — disse Ricardo, passando a mão pela nádega esquerda de Marco, onde a agulha havia perfurado minutos antes. — E você, minha puta, vai carregar meu nome onde eu quiser.
A primeira linha de dor cortou sua pele como uma faca. Marco gritou, os dedos dos pés se curvando, mas Ricardo apenas pressionou mais forte, a tinta negra penetrando sua carne em letras góticas, grossas:
PROPRIEDADE DE RICARDO
As letras queimavam como ácido, cada curva da caligrafia um lembrete permanente de que ele não pertencia mais a si mesmo. Ricardo trabalhou meticulosamente, tatuando a frase ao longo da coluna de Marco, onde ele sempre a veria no espelho. Depois, mais baixo—na parte interna da coxa direita, onde só Ricardo veria quando o abrisse para uso:
SUA PUTA
E finalmente, pequeno mas impossível de ignorar, logo acima do ânus, onde cada penetração futuramente esmagaria as letras contra a tinta:
USE-ME
Quando terminou, Ricardo passou um pano úmido sobre as tatuagens frescas, removendo o excesso de sangue e tinta. Marco tremia, suado, a dor pulsando em uníssono com seu coração.
— Lindas — murmurou Ricardo, admirando seu trabalho. — Agora ninguém vai dúvida de quem você pertence.
Mas Ricardo não havia terminado.
Com Marco ainda amarrado, ele pegou um vibrador de aço inoxidável—grosso, curvado para atingir o ponto certo—e um frasco de lubrificante à base de água. Marco sentiu o frio do metal pressionando sua entrada já dolorida, e antes que pudesse protestar, Ricardo empurrou o brinquedo para dentro dele com um único movimento firme.
— AAAH! P-POR FAVOR— Marco arqueou as costas, mas as correias o mantinham imóvel. O vibrador encheu-o completamente, pressionando contra sua próstata de uma forma que era ao mesmo tempo agonizante e… divina.
Ricardo ligou o dispositivo.
O orgasmo veio tão rápido que Marco não teve tempo de respirar. Seu corpo convulsionou, as coxas tremendo, enquanto jatos quentes de fluido prostático espirravam da ponta de seu pênis aprisionado, manchando o aço abaixo. Ricardo não desligou o vibrador. Ele aumentou a intensidade.
— Você vai aprender a gozar sem esse pedaço de merda — disse, apertando o botão que fazia o brinquedo pulsar. — Sua próstata é tudo que você precisa. Tudo que eu preciso.
Marco chorou novamente, mas desta vez não eram lágrimas de dor. Era êxtase puro, brutal, enquanto seu corpo era reprogramado para responder apenas ao toque de Ricardo, apenas às ordens de Ricardo, apenas para Ricardo.
Quando Ricardo finalmente desligou o vibrador, Marco estava mole, esgotado, seu próprio peso sendo sustentado apenas pelas correias. Ricardo removeu o brinquedo lentamente, saboreando o som molhado de saída, antes de soltar as amarras.
Marco desabou no chão, incapaz de se mover. Ricardo se ajoelhou ao seu lado, passando a mão por seus cabelos suados.
— Amanhã — sussurrou — você vai acordar em sua cama. Na minha casa. E nunca mais vai precisar fingir ser algo que não é.
Marco não tinha forças para responder. Mas quando Ricardo o carregou nos braços—como uma noiva no limiar—ele pressionou o rosto contra o peito do homem, inalando o cheiro de couro, tabaco e poder, e soube:
Ele estava em casa.