Eu observava as luzes da rodovia recortando a noite enquanto Marcelo mantinha uma das mãos no volante e a outra descansada sobre minha coxa. O interior do carro era preenchido pelo som baixo do motor, pela música romântica e pela tensão silenciosa que os dois conheciam tão bem.
— Você sabe o quanto fica linda assim… — ele murmurou, sem tirar os olhos da estrada.
Eu estava muito feliz naquela noite. Usava apenas um vestido leve, daqueles que praticamente deslizam pela pele. Aos 43 anos, carregava a segurança de quem conhecia o próprio corpo e sabia exatamente o efeito que causava em Marcelo. E ele adorava isso. Adorava especialmente o jogo perigoso de me exibir nas viagens noturnas pelas rodovias do interior paulista.
A estrada estava cheia de caminhões naquela noite. Faróis altos cruzavam o carro constantemente, e Marcelo, com aquele brilho provocador nos olhos, apertou o botão da luz interna.
O clarão suave iluminou meu corpo inteiro.
— Marcelo… — eu sussurrei, sentindo o coração acelerar.
— Relaxa. Eles só vão olhar.
Eu fingi hesitar, mas lentamente deixei o vestido subir pelas pernas, e as alças finas caírem pelos ombros, revelando mais pele a cada quilômetro. Alguns caminhoneiros buzinavam discretamente ao ultrapassar. Outros diminuíam a velocidade por alguns segundos, curiosos, tentando entender se eu realmente estava seminua dentro do carro iluminado.
Sentia o rosto quente, o corpo arrepiado. Havia algo intoxicante naquela mistura de medo e desejo. Cada farol que atravessava o vidro parecia alimentar ainda mais a fantasia dos dois.
Marcelo ria baixo.
— Tá vendo o efeito que você causa?
Eu cruzei as pernas devagar, encarando-o.
— Você gosta de me provocar…
— Gosto de ver você se entregando.
A viagem seguiu nesse clima intenso até que avistaram um posto de combustível praticamente tomado por caminhões estacionados. Luzes fortes, vozes distantes, motores ligados. Marcelo reduziu a velocidade lentamente.
— Vamos parar um pouco.
Eu percebi o tom diferente na voz dele. O frio na barriga aumentou.
Entrou no posto e estacionamos numa área lateral, não muito longe dos caminhões. Alguns motoristas conversavam perto da lanchonete; outros descansavam encostados nos veículos enormes. Marcelo desligou o motor, mas manteve a luz interna acesa.
— Você tá maluco… — ri nervosa.
— Talvez.
Olhei ao redor. Podiamos ser vistos através do vidro parcialmente aberto. A adrenalina pulsava forte. Marcelo aproximou-se devagar, passando a mão pela minha cintura enquanto o movimento do posto continuava lá fora, indiferente e ao mesmo tempo perigosamente próximo.
Um caminhão passou lentamente ao lado do carro. O motorista lançou um olhar curioso antes de seguir adiante. Senti o corpo inteiro estremecer.
— Acho que ele viu…
Marcelo sorriu.
— Era exatamente isso que você queria também.
Tentei negar, mas o silêncio entregou tudo.
Por alguns minutos ficaramos ali, presos naquele jogo de tensão e provocação, entre olhares furtivos, faróis atravessando os vidros e a sensação constante de quase serem descobertos. O exibicionismo não estava apenas em mostrar o corpo, mas na cumplicidade intensa entre os dois — no risco calculado, na fantasia compartilhada e no prazer de desafiar os próprios limites.
Quando finalmente deixaram o posto e voltaram para a estrada, eu permaneci olhando os caminhões pelo retrovisor, ainda sentindo a pele quente e o coração acelerado.
Marcelo segurou minha mão.
— Acho que essa viagem ainda vai render histórias…
Sorrindo, sabia que ele tinha razão, e ao chegar em casa, fudemos com um tesão enorme!
