O MEU CU TÊM DOUTORADO! (Um tratado anal sobre linguagem, prazer e produção científica marginal)

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Heterossexual
Contém 807 palavras
Data: 11/05/2026 09:37:57

Primeiras Contrações do Saber

Jacira Batista nunca teve pretensões acadêmicas.

Ex-cobradora de ônibus, criadora de gatos diabéticos, apreciadora de filmes pornô vintage com legendas fictícias, vivia uma vida pacata no bairro da Goma Queimada, Zona Leste da cidade onde a geografia não importava.

Até o dia em que, durante uma noite especialmente solitária, ela resolveu se masturbar assistindo a um documentário da BBC sobre estruturalismo francês.

Algo vibrou dentro dela — mas não de forma erótica.

Vibrou como se o cólon descendente tivesse entendido Lévi-Strauss.

E no clímax, ao enfiar dois dedos no cu e gritar "MERDE!", uma folha A4 escorregou de dentro dela, úmida, perfumada de lavanda e esperma.

O título?

“O Desejo como Texto: Uma Leitura Lacaniana do Orgasmo Não-Narrativo.”

Jacira desmaiou. Ao acordar, percebeu tudo: o seu cu escrevia ensaios.

A Puta do Notório Saber

No começo, pensou que era delírio.

Mas na semana seguinte, após um boquete apressado num entregador de sushi, sentiu o ânus pulsar com gana produtiva.

Foi até o banheiro.

Se agachou sobre o bidê.

Fez força.

Saiu mais um texto:

“A Dialética da Penetração: Marx, Rola e a Luta de Classes.”

Era brilhante.

Tinha notas de rodapé.

Citações perfeitas.

Estava formatado em ABNT, caralho!

Jacira entrou em contato com um amigo que ainda fazia parte da UFRJ — o Professor Fabiano Gallardo, especialista em Semiótica Aplicada ao Cinema Pornô dos anos 70.

Ao ler o texto anal, Gallardo tremeu, suou e teve uma ereção semiológica.

— Jacira… teu cu é... um gênio. Um gênio textual.

O Cu Acadêmico Vai à Universidade

A notícia se espalhou em círculos alternativos.

Jacira passou a ser convidada a participar de seminários.

Mas havia regras.

Ela só podia apresentar os trabalhos se estivesse excitada.

A vagina era muda. A boca só servia pra gemer.

Era o cu, e apenas ele, que expelia conhecimento.

No IV Simpósio de Epistemologias Marginais, em um motel temático em Niterói, Jacira apresentou o trabalho “Intertextualidade entre Fisting e Walter Benjamin”, que saiu inteiro enquanto ela enfiava o gargalo de uma garrafa de catuaba na xoxota e declamava "tesão é resistência" em iorubá.

Uma salva de palmas emocionada.

Um doutor gozou chorando de joelhos.

Outro pediu pra cheirar o papel ainda morno, recém expelido do reto.

A Inveja dos Catedráticos de Pau Murcho

Veio a inveja.

Os departamentos tradicionais começaram a acusá-la de charlatanismo.

— O que ela faz é pornografia de cloaca disfarçada de epistemologia!

— O saber deve sair da cabeça, não do esfíncter!

Mas não conseguiam negar a qualidade do material.

Revistas indexadas imploravam por artigos.

Ela assinava como “Prof.ª Doutora A.N.U.S. Batista”.

A sigla virou objeto de culto.

Grupos de estudo se masturbavam coletivamente ao som das suas leituras anais em áudio 8D.

Havia quem rezasse pro cu dela.

Havia quem o estudasse como objeto teológico.

Havia quem o lambesse por devoção.

A Tentativa de Contenção e a Fuga do Saber

O CAPES tentou intervir.

Quiseram impedir a defesa de sua tese de pós-doutorado:

“A Ontologia do Gozo: entre o cu e o Logos.”

O Ministério da Educação enviou fiscais.

Mas um deles — doutor em Políticas Públicas e passivo enrustido — acabou encantado.

Jacira o levou ao banheiro da reitoria.

Montou com fúria no pau dele com o cu.

E depois que gozou expeliu três capítulos da tese em folhas de linho aromatizado, molhadas de amor e insight.

O fiscal saiu chorando.

Renunciou ao cargo.

Fundou o Instituto Nacional de Produção Acadêmica Anal e começou a vender cópias dos artigos em feiras esotéricas.

O Orgasmo Teórico Final

Na defesa da tese, a banca era composta por:

Uma travesti filósofa que falava em glossolalia.

Um pastor punk que acreditava que Paulo Freire era uma entidade sexual.

Uma ex-noviça excomungada por gozar rezando o credo.

Jacira subiu nua à mesa.

Lubrificou-se com vinho do Porto.

Enfiou uma cópia de “Ética a Nicômaco” no cu e gritou:

— O saber não é acumulado!

O saber é parido pela bunda do desejo!

E então... começou a sair.

A tese inteira.

Página por página, entre gemidos e cãibras de verdade.

Gráfica, sensível, absurdamente lúcida. Aquele cu era uma impressora quântica de última geração.

Ao final, cagou uma rosa vermelha. E o diploma.

A banca chorava.

A platéia aplaudia de pé, uns batendo punheta, outras, siririca.

Uma professora da PUC teve um orgasmo auditivo e perdeu os sentidos.

Jacira foi declarada PHD em Filosofia Anal do Prazer Transgressivo.

O Cu Continua

Hoje, ela viaja o mundo com seu projeto “Saber Pelo Rabo”, onde dá oficinas em universidades, saunas gays, presídios femininos e bibliotecas sensoriais.

Seu cu já escreveu 3 livros, 8 ensaios, 42 artigos, 1 constituição alternativa e um tratado contra o fascismo em forma de poema escatológico.

E ela avisa:

— O próximo que disser que o conhecimento vem da cabeça… eu sento o meu cu numa pica até arrancar a dúvida dele. Por escrito.

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