A Jaula de Prata - a transformação do garanhão em submisso - parte5

Um conto erótico de RICK_XES
Categoria: Gay
Contém 6170 palavras
Data: 07/05/2026 12:40:53

Os dedos de Ricardo se fechavam com firmeza em torno do braço de Marco, a pele ainda úmida do banho, quente ao toque. Ele não deu tempo para hesitações. Com um puxão seco, arrastou o corpo trêmulo do mais jovem em direção ao espelho de corpo inteiro encostado na parede oposta do quarto, os pés descalços de Marco arrastando-se sobre o tapete felpudo, como se cada passo fosse uma confissão de derrota.

— Olhe, — ordenou Ricardo, a voz baixa, quase um rosnado, enquanto o empurrava contra o vidro frio.

Marco tropeçou, as palmas das mãos pressionadas contra a superfície gelada do espelho, os dedos se espalhando como aranhas desesperadas buscando escape. Seu reflexo o atingiu como um soco no estômago. O corpo que sempre fora sinônimo de força—ombros largos, peitoral esculpido, a postura de quem dominava salas de reunião—agora se exibia nu, exceto pela lingerie vermelha que o apertava como uma segunda pele. O tecido rendado do sutiã esmagava seus mamilos, já endurecidos pelo frio ou pela humilhação, enquanto a calcinha fio dental se enterrava entre as nádegas, o elástico cortando a carne onde antes havia pelos, agora apenas uma pele lisa, rosada, feminina. A jaula de castidade, um pequeno triângulo metálico entre as pernas, brilhava sob a luz indireta, um lembrete grotesco de sua impotência.

— Você se reconhece? — Ricardo murmurou, o hálito quente colando-se à orelha de Marco, os lábios roçando a pele sensível do pescoço. A barba prateada arranhava levemente, como lixa sobre porcelana.

Marco engoliu em seco, a garganta tão seca que doía. Seus olhos, inchados das lágrimas que teimavam em cair, fixaram-se no reflexo distorcido. Aquela coisa no espelho não era ele. Não podia ser. O maxilar quadrado ainda estava lá, sim, mas a postura era outra—ombros curvados, coluna arqueada como se já antecipasse a penetração. As coxas, antes poderosas, agora tremiam, os músculos contraídos não por força, mas por medo. E entre elas, onde deveria estar seu pênis, apenas o contorno obsceno da jaula, o metal frio aprisionando o que restava de sua masculinidade.

— N-não… — A voz de Marco quebrou, um som gutural, quase um engasgo. As lágrimas escorriam sem controle, quentes sobre a pele fria. — Isso não sou eu.

Ricardo riu, um som baixo, quase afetuoso, como um pai orgulhoso diante do primeiro passo de um filho. Só que aqui, o "filho" era um homem de um metro e noventa reduzido a uma criatura trêmula, e o "passo" era a destruição de tudo que ele fora.

— Claro que é você, meu bem. — Os dedos de Ricardo deslizaram pela cintura de Marco, seguindo a linha do corpete até o fecho nas costas, como se ajustasse uma peça de vestuário em uma loja. — É o que sempre esteve escondido debaixo dessa fachada de machão. A putinha que você sempre foi, mas nunca teve coragem de assumir.

Marco sacudiu a cabeça, os cabelos úmidos colando-se à testa. Seu peito arfava, os músculos tensos como se estivesse prestes a explodir—mas não em fúria, em vergonha. Cada palavra de Ricardo era uma faca, girando lenta dentro dele.

— Eu não sou… isso. — Sua mão direita se ergueu, como se pudesse apagar a imagem no espelho, mas apenas encontrou o vidro gelado. Os dedos tremiam. — Por favor…

— Por favor, o quê? — Ricardo pressionou o corpo contra as costas de Marco, a ereção dura como aço através da calça social, esmagando as nádegas nuas do mais jovem. — Por favor, pare? Por favor, me deixe ser homem de novo? Ele riu, os lábios agora colados à têmpora de Marco, a língua saindo para lambê-la, lenta, como um gato provando leite. — Você não é mais homem, Marco. Você é minha. Minha cadela. Minha virgem.

A palavra ecoou na cabeça de Marco como um tiro. Virgem. Ele, que já tinha transado com dezenas de mulheres, que se gabava de sua resistência, de seu controle—agora seria desvirginado como uma mulher. Como uma puta.

— Hoje à noite, — Ricardo continuou, a mão esquerda descendo para agarrar a nádega de Marco com força, os dedos afundando na carne macia, — você vai sentir prazer como nunca sentiu antes. Não com esse piquinho preso aí— seus dedos bateram levemente na jaula, fazendo o metal tilintar— mas com o que eu vou fazer com você. Você vai gozar, Marco. Vai chorar, vai gritar, vai implorar por mais… e tudo isso sem sequer tocar nesse pauzinho inútil.

Marco sentiu o estômago revirar. Uma onda de calor subiu por sua espinha, contraditória, traidora. Seu corpo reagia às palavras, à dominação, ao toque violento de Ricardo—e isso o enojava ainda mais. A jaula de castidade, que deveria ser um castigo, agora parecia um aviso: você não precisa disso para sentir prazer. E era verdade. Porque, apesar do nojo, apesar do medo, algo dentro dele latejava, uma pulsação quente e úmida entre as nádegas, como se seu próprio corpo já estivesse se preparando para o que viria.

— V-você… não pode… — Marco tentou, mas a voz falhou. Sua respiração estava acelerada, os pulmões queimando. Ele não conseguia tirar os olhos do reflexo—daqueles lábios pintados de vermelho (quando diabos Ricardo tinha passado batom nele?), daqueles olhos arregalados, daquela postura submissa.

Ricardo não respondeu com palavras. Em vez disso, sua mão direita subiu, agarra os cabelos de Marco com força, puxando sua cabeça para trás até que o pescoço ficasse exposto, vulnerável. Então, seus lábios se fecharam sobre a pele sensível logo abaixo da orelha, e ele mordeu.

Marco gritou, um som agudo, quase feminino, as unhas cravando-se nas próprias palmas. A dor era nítida, mas abaixo dela, como um rio subterrâneo, corria algo mais—um calor que se espalhava pela barriga, uma umidade entre as pernas que não vinha do suor. Seu corpo traidor reagia.

— Você vai adorar, — Ricardo sussurrou contra a pele marcada por seus dentes, a língua saindo para acalmar a mordida, lambendo como um animal acalmando sua presa. — Toda puta adora sua primeira vez. E você… você vai ser minha puta.

As palavras foram a gota d’água. Marco não aguentou. Um soluço rasgou sua garganta, e suas pernas falharam. Se não fosse pelo braço de Ricardo enlaçando sua cintura, ele teria desabado no chão. Mas Ricardo não o deixou cair. Em vez disso, o puxou contra si, a mão livre agora descendo para agarrar sua coxa, os dedos afundando na carne como se testasse sua maciez.

— Vamos para a cama, — Ricardo ordenou, já o arrastando em direção ao colchão king-size coberto por lençóis de seda preta. — É hora de você aprender o que é ser fodida direito.

Marco não resistiu. Não havia força left nele para isso. Seus pés se moveram mecânicamente, como se pertencessem a outro corpo—um corpo que já não era mais seu. Quando Ricardo o empurrou sobre a cama, ele caiu de joelhos, as mãos afundando no edredom macio, os dedos se curvando como garras. Seu peito subia e descia em soluços irregulares, as lágrimas pingando sobre a seda, manchas escuras se formando onde caíam.

Ricardo não perdeu tempo. Enquanto Marco tentava se recompor, ele começou a se despir, os botões da camisa social branca sendo abertos um a um, revelando o peito largo, coberto por uma camada fina de pelos grises que desciam em uma linha até o umbigo. Seus músculos, definidos para um homem de quase cinquenta anos, contraíram-se enquanto ele tirava a camisa, jogando-a no chão sem cerimônia. Em seguida, veio a calça, o cinturão de couro preto fazendo um som seco ao ser puxado das presilhas. Marco ouviu o tecido deslizar sobre a pele, o som do zíper descendo—e então, ele estava lá.

O pênis de Ricardo, grosso e veioso, saltou para fora da cueca, já semi-ereto, a cabeça roxa e úmida brilhando sob a luz amarelada do abajur. Marco sentiu a boca secar. Ele sabia que Ricardo era bem-dotado—já tinha sentido isso contra si antes—but ver era diferente. Era real. Era ameaçador.

— Veja só o que você faz comigo, — Ricardo disse, a mão envolvendo a base do próprio pau, dando uma bombada lenta enquanto observava Marco. — Todo esse tempo, fingindo que não queria isso. Que não precisava disso. Ele deu um passo à frente, a ponta do pênis quase tocando o rosto de Marco. — Cheire. Veja como você me excita.

Marco não teve escolha. Quando Ricardo empurrou sua cabeça para frente, ele obedeceu, o nariz colidindo com a pele quente, o cheiro masculino—suor, musk, algo animal—invadindo suas narinas. Seu estômago embrulhou, mas entre as nádegas, aquele calor úmido só aumentava. Ele podia sentir o quão molhado estava, a umidade escorrendo entre as bochechas, preparando-o. Traidor. Tudo nele era traidor.

— Abra a boca, — Ricardo ordenou, a voz grossa de desejo.

Marco hesitou por um segundo—apenas um—antes de obedecer. Seus lábios se separaram, a língua pressionada contra os dentes inferiores, e Ricardo não perdeu tempo. Com um movimento rápido, ele empurrou a cabeça do pênis entre aqueles lábios, forçando entrada.

— Chupe, — ele rosnou, a mão agora enterrada nos cabelos de Marco, puxando com força suficiente para fazer seus olhos arderem. — Como uma boa putinha.

Marco engasgou quando a glande bateu no fundo de sua garganta, grosso demais, quente demais. Seus olhos lacrimejaram, a saliva escorrendo pelos cantos da boca enquanto tentava acomodar aquele tamanho. Ricardo não lhe deu trégua. Ele começou a mover os quadris, devagar no início, como se estivesse testando os limites de Marco, mas logo ganhou ritmo, empurrando mais fundo a cada estocada, a mão no cabelo de Marco o mantendo imóvel, forçado a engolir cada centímetro.

— Isso… assim… — Ricardo gemia, os músculos das coxas tremendo. — Sua bocinha quente foi feita para isso, não foi? Para sugar pau como uma vadia.

Marco não conseguia respirar. Seu nariz estava enterrado na base do pênis de Ricardo, o cheiro de suor e sexo enchendo suas narinas. Ele tentava engolir, mas a cada investida, sentia como se estivesse se afogando. Suas mãos, antes imóveis, agora se erguiam, os dedos tremendo enquanto tocavam as coxas de Ricardo, não para empurrá-lo, mas para se apoiar. Como se, em algum nível, seu corpo já soubesse que não havia escapatória—apenas submissão.

— Engole tudo, — Ricardo avisa, a voz um rosnado. — Cada gota. Porque daqui a pouco, esse cuzinho apertado vai estar cheio disso.

A ameaça—a promessa—fez algo dentro de Marco se contrair. Seu ânus apertou involuntariamente, e ele sentiu um filete de fluido escorrer por entre as nádegas, quente e pegajoso. Deus, ele estava molhando. Como uma mulher. Como uma puta.

Ricardo deve ter sentido sua reação, porque riu, um som triunfante, antes de puxar o pênis para fora da boca de Marco com um pop úmido.

— Deite-se, — ele ordenou, dando um tapa na bochecha de Marco, não com violência, mas com posse. — De quatro. Quero ver esse rabinho no ar.

Marco obedeceu sem pensar. Seus músculos doíam de tensão, mas ele se virou, apoiando-se nas mãos e joelhos, o traseiro elevado, as coxas tremendo. A posição o deixava completamente exposto—o ânus, rosado e levemente fruncido, brilhando com a umidade que escorria de dentro dele; a jaula de castidade, agora pingando pre-cum, o metal úmido; as costas arqueadas como as de um animal em cio.

Ricardo emitiu um som de aprovação, baixo e gutural.

— Lindo, — ele murmurou, ajoelhando-se atrás de Marco, as mãos grandes descendo para agarrarem as nádegas, separando-as com força. — Olha só como você já está molhadinho pra mim.

Marco enterrou o rosto no edredom, os dedos se curvando, arranhando a seda. Ele não queria gostar disso. Não queria sentir o calor da respiração de Ricardo tão perto de seu ânus, não queria tremer quando os dedos do homem deslizaram entre suas bochechas, espalhando a umidade que já escorria.

— Você está pingando, Marco, — Ricardo zombou, a ponta de um dedo pressionando levemente contra o orifício apertado. — Como uma cachorrinha no cio.

— P-por favor… — Marco implorou, a voz abafada pelo tecido, mas não havia convicção nela. Só vergonha. Só necessidade.

— Por favor, o quê? — Ricardo pressionou o dedo contra a entrada, não o suficiente para penetrar, apenas para ameaçar. — Por favor, me coma? Por favor, me estupre até eu não conseguir mais andar?

Marco sacudiu a cabeça, mas seu corpo empurrou para trás, como se buscasse aquele dedo. Como se precisasse dele.

Ricardo riu, baixo e sujo.

— Você quer, não é? — Ele não esperou por uma resposta. Em vez disso, cuspiu—uma globa grossa de saliva que caiu direto no ânus de Marco, escorrendo pelas pregas. — Vou te dar o que você quer, minha puta. Mas primeiro… — Sua língua saiu, quente e úmida, lambendo desde a base das bolas de Marco (aprisionadas na jaula) até o orifício apertado, em um único movimento longo e devagar.

Marco gritou. Não foi um som humano—foi um uivo, um gemido rouco e desesperado, suas costas arqueando ainda mais, como se tentasse oferecer mais de si mesmo. A língua de Ricardo era obscena, quente e áspera, traçando círculos ao redor do seu ânus antes de pressionar contra a entrada, forçando a ponta para dentro.

— Ahhh—! — Marco enterrou o rosto no colchão, os quadris sacudindo involuntariamente. Era demais. Demais sensação, demais vergonha, demais prazer. Sua jaula de castidade estava encharcada, o pre-cum escorrendo pelos lados, pingando na seda abaixo dele. Ele podia sentir o quão duro estava dentro da prisão de metal, latejando, dolendo de necessidade.

— Isso… — Ricardo murmurou contra a pele de Marco, a vibração de sua voz fazendo o ânus do mais jovem tremer. — Você gosta, não gosta? Gosta de ser lambido como uma cadela no cio.

Marco não conseguiu responder. Suas mãos se fecharam em punhos, os braços tremendo com o esforço de não desabar. Cada lambida de Ricardo era como um choque elétrico, enviando ondas de calor direto para sua próstata, fazendo seu pau preso pulsar dentro da jaula. Ele estava próximo. Tão perto. E isso o enojava mais do que tudo—porque ele não podia gozar. Não assim. Não com seu pênis preso, inútil.

Ricardo deve ter sentido sua tensão, porque parou de lamber. Marco quase chorou de alívio—até sentir o dedo de Ricardo, lubrificado agora (quando diabos ele tinha pegado o lubrificante?), pressionando contra seu ânus.

— Relaxe, — Ricardo ordenou, a voz um comando. — Ou vai doer muito mais do que precisa.

Marco tentou. Deus, ele tentou. Mas seus músculos estavam tão tensos que doía. O dedo de Ricardo empurrou, insistente, e por um segundo, Marco pensou que ia rasgar—

Então, estalo. A ponta do dedo deslizou para dentro, e Marco gritou, as costas arqueando, os dedos cravando-se no edredom até doer.

— Isso… — Ricardo sussurrou, o dedo afundando mais, até o segundo nudillo. — Apertadinho. Quente. Perfeito.

Marco não conseguia respirar. Cada movimento do dedo—para dentro, para fora, girando—enviava faíscas de prazer e dor através de seu corpo. Sua próstata latejava, cada toque nela fazendo seu pau preso jogar mais pre-cum, encharcando a jaula, escorrendo pelas coxas.

— Você está adorando isso, — Ricardo zombou, adicionando um segundo dedo, esticando Marco de uma maneira que ardia, mas queimava tão bem. — Olha só como você está pingando. Sua jaulinha está encharcada, minha puta.

Marco não conseguiu segurar. Um gemido longo e quebrado escapou de seus lábios, seu corpo sacudindo quando Ricardo encontrou aquele ponto—a próstata, inchada e sensível, e a esmagou entre os dedos.

— Ahhh—! — Marco uivou, as coxas tremendo, o corpo todo se contraindo. Seu pau dolía, preso, precisando, e quando Ricardo curvou os dedos dentro dele, massageando aquele ponto perfeito—

— Vai gozar, não vai? — Ricardo rosnou, os dedos bombando mais rápido, mais duro. — Vai jorrar tudo isso aí, mesmo preso. Como uma boa vadia.

Era demais. Marco não conseguia—não conseguia—segurar. Com um grito rouco, seu corpo se contorceu, as costas arqueando enquanto seu orgasmo o atingia como um trem desgovernado. Não havia ejaculação—apenas uma onda após outra de prazer puro, sujo, vindo de algum lugar dentro dele, sua próstata jorrando fluido claro que escorria pela jaula, misturando-se com o pre-cum, encharcando os lençóis abaixo.

— Isso… goza pra mim, — Ricardo incentivou, os dedos ainda trabalhando dentro de Marco, prolongando seu orgasmo até que o mais jovem desabasse, tremendo, os braços falhando, o rosto colado contra o colchão.

Marco não conseguia se mover. Não conseguia pensar. Seu corpo ainda tremia com os últimos espasmos do orgasmo, sua respiração ofegante, os pulmões queimando. Ele podia sentir o quão molhado estava—não só de suor, não só de lágrimas, mas dentro. Seu ânus ainda pulsava ao redor dos dedos de Ricardo, como se pedisse por mais.

Ricardo retirou os dedos lentamente, fazend Marco gemer fraco de perda.

— Bom garoto, — ele murmurou, dando um tapa carinhoso na bunda de Marco. — Agora… — Marco ouviu o som do zíper de uma bolsa, então o estalo de uma tampa sendo aberta. — Vamos ver como você lida com algo maior que meus dedos.

Marco não precisou olhar para saber o que era. O som do lubrificante sendo espremido, o cheiro químico e doce no ar—ele sabia. E quando sentiu a ponta grossa, quente do pênis de Ricardo pressionando contra seu ânus já bem aberto, ele soube que não havia volta.

— Vai doer, — Ricardo avisou, mais como uma promessa do que um aviso. — Mas você vai adorar cada segundo.

E então, ele empurrou.

Marco gritou. Não foi um som—foi um rasgo, um uivo animal de dor e prazer misturados enquanto a cabeça do pênis de Ricardo forçava entrada, esticando-o além do que ele pensava ser possível. Queimava. Ardia. Mas abaixo da dor, havia pressão, uma cheitude que fazia sua próstata latejar de antecipação.

— Isso… — Ricardo gemia, as mãos agarrarem os quadris de Marco com força suficiente para deixar marcas, enquanto empurrava mais fundo, centímetro por centímetro, até que suas bolas pressionassem contra o ânus de Marco. — Todo dentro. Você está cheio de pau, minha puta.

Marco não conseguia respirar. Não conseguia pensar. Ele estava estourado, preenchido de uma maneira que nunca tinha sentido antes. Cada movimento de Ricardo—para fora, quase saindo, então empurrando de volta com um estalo de quadris—fazia seu corpo tremer, sua próstata explodir em faíscas de prazer.

— Ahhh—! Porra—! N-não—! — Marco gritava, mas suas palavras não tinham sentido. Seu corpo empurrava para trás, buscando cada estocada, cada soco do pênis de Ricardo dentro dele. Sua jaula de castidade estava encharcada novamente, o pre-cum escorrendo, seu corpo traindo ele a cada segundo.

Ricardo não teve piedade. Ele começou a bombar violentamente, os quadris batendo contra as nádegas de Marco com um som molhado, obsceno, a cama rangendo sob o impacto.

— Isso… sua vadia… — Ricardo rosnou, os dedos cravando-se na carne de Marco como garras. — Você foi feita pra isso. Pra ser fodida como uma cachorra.

Marco não conseguia mais formar palavras. Cada estocada o empurrava mais fundo no colchão, seu rosto enterrado na seda, os pulmões queimando. Mas o prazer—deus, o prazer—era insuportável. Sua próstata estava em chamas, cada movimento de Ricardo enviando ondas de êxtase sujo através dele, fazendo seu pau preso latejar de necessidade.

— Vou gozar dentro de você, — Ricardo avisa, a voz um rosnado animal. — Vou encher esse cuzinho apertado até transbordar. E você vai tomar tudo, como uma boa puta.

Marco não conseguia responder. Não conseguia fazer nada além de sentir—a queimação, a cheitude, o prazer avassalador—até que Ricardo deu um último soco fundo, seu pênis pulsando enquanto jorrava dentro de Marco, quente, grosso, enchend-o até que ele sentiu o sperma escorrendo de volta pela entrada, pingando em suas bolas.

Ricardo desabou sobre as costas de Marco, ofegante, o peito quente colado contra as costas suadas do mais jovem.

— Perfeito, — ele murmurou, os lábios pressionados contra a nuca de Marco. — Você foi perfeito, minha puta.

Marco não conseguiu segurar. As lágrimas vieram novamente, quentes e amargas, misturando-se com o suor e o sperma em sua pele. Seu corpo ainda tremia, a jaula de castidade latejando, seu ânus dolendo da foda brutal que tinha acabado de levar.

Ele não era mais ele.

Ele era dela. Deles. De Ricardo.

E, pior de tudo—ele gostou.

Ricardo soltou um grunhido gutural, um som animal que veio do fundo da garganta, e seu corpo colapsou sobre Marco. O peso era esmagador, quente e coberto de suor, uma âncora de carne viva que prendia Marco contra o colchão. O ar saiu dos pulmões de Marco num sopro abrupto, mas ele não teve força para lutar. O pênis de Ricardo, ainda semi-ereto e pulsando, deslizou para fora do ânus de Marco com um som úmido e obsceno, um pop audível que ecoou no quarto silencioso, seguido imediatamente pela sensação escorregadia de fluidos.

Marco sentiu um vazio físico imediato, um buraco frio e dolorido onde segundos antes havia sido preenchido até o limite absoluto. O sêmen de Ricardo, espesso e quente, não tinha para onde ir a não ser para fora. Escorreu pelo rego de Marco, passando pela pele irritada e inflamada, empoçando-se no tecido da lingerie vermelha que ainda estava preso às suas coxas. A sensação era repulsiva e, ao mesmo tempo, eletrizante, uma lembrança tátil constante da violação que acabara de sofrer.

Marco virou a cabeça para o lado, tentando esconder o rosto no travesseiro, mas seus olhos traíram sua necessidade de ver. Olhou para baixo, ao longo do seu próprio torso. A calcinha vermelha de renda, antes um detalhe humilhante, agora estava desfigurada. O tecido frontal estava encharcado, não apenas do suor que cobria seus corpos, mas de uma mancha clara e brilhante que se espalhava pela seda. Ele tinha gozado. Sem tocar no pênis, sem a estimulação direta que ele considerava necessária para um homem, seu corpo tinha traído sua masculinidade de forma completa e inegável. O prazer forçado, aquele orgasmo prostático que tinha arrancado gritos de sua garganta, tinha deixado uma prova indelével de sua submissão.

A vergonha queimou suas bochechas, um fogo que parecia rivalizar com o calor do quarto. Ele apertou as pernas, tentando esconder a evidência, mas o movimento apenas fez mais fluido escorrer, aumentando a sensação de sujeira. Ele se sentiu exposto, reduzido a um mero receptáculo para o prazer de outro homem, um objeto que tinha sido usado e descartado, ainda que seu corpo tivesse respondido com entusiasmo degradante.

Ricardo rolou para o lado, exausto, mas uma risada baixa e rouca escapou de seus lábios. Ele não olhou para Marco com raiva, mas com uma satisfação predatória, como quem examina uma presa que finalmente parou de lutar.

— Olha só essa bagunça — Ricardo comentou, a voz rouca, estendendo a mão para tocar a mancha na calcinha de Marco. Seus dedos passaram pelo tecido molhado, coletando a mistura de fluidos, e ele levou à boca, saboreando o gosto com uma deliberada lentidão. — Você gozou como uma cadela no cio, Marco. Sem nem mesmo tocar nessa coisinha inútil aí.

Marco estremeceu com o toque, um calafrio percorrendo sua espinha. Ele queria negar, queria gritar que aquilo tinha sido um acidente, um reflexo físico, mas as palavras morreram em sua garganta. A prova estava ali, molhando a lingerie que ele fora forçado a vestir.

— Acho que a lição finalmente entrou nessa cabeça dura — Ricardo continuou, sentando-se na cama. Ele passou a mão pelos cabelos grisalhos, o peito ainda subindo e descendo rapidamente. O anel de prata com o detalhe da serpente brilhava sob a luz do abajur. — Você não é o durão que pensa que é. Por baixo desse terno caro e dessa arrogância, você é apenas um buraco esperando para ser preenchido.

Ricardo inclinou-se para a mesa de cabeceira e abriu uma gaveta. O som de metal batendo contra madeira fez o coração de Marco disparar. Quando Ricardo se virou novamente, ele tinha uma pequena chave de latão na mão. Ele a segurou suspensa, deixando-a balançar levemente diante dos olhos de Marco.

— Aqui está — disse Ricardo, jogando a chave sobre o peito nu de Marco. O metal frio tocou a pele suada de Marco, um choque gelado contra o calor de seu corpo. — A chave da sua gaiola. Você está livre.

Marco olhou para a chave, incapaz de processar a libertação imediata. Aquele pequeno pedaço de metal representava sua masculinidade, a capacidade de tocar a si mesmo, de se sentir homem novamente. Ele a agarrou com a mão trêmula, os dedos fechando-se ao redor dela com desespero.

— Mas tem um preço, claro — Ricardo acrescentou, recostando-se nos travesseiros, cruzando os braços atrás da cabeça, completamente à vontade em sua nudez. — Você não vai se soltar aqui. Você vai colocar essa roupa de gerente chato sobre essa lingerie suja e vai para casa. Só aí você pode se soltar.

Marco arregalou os olhos, o horror tomando conta de seu rosto.

— E amanhã — Ricardo prosseguiu, a voz caindo para um sussurro conspiratório, — você vai trabalhar com essa calcinha por baixo do terno Armani. E essa meia-calça fina. Vai sentir o tecido roçando na sua pele o dia todo, vai sentir o cheiro de mim e de você enquanto tenta dar ordens aos seus funcionários. É o último teste.

Ricardo fez uma pausa, deixando o peso das palavras pairarem no ar.

— A partir de agora, tudo volta ao normal. Eu não vou te chantagear, não vou mostrar as fotos para ninguém. Você está livre para seguir sua vidinha medíocre. — Ele sorriu, um sorriso que não alcançava os olhos frios. — A menos... a menos que você queira voltar. Se você procurar-me, se você pedir para ser fodido de livre e espontânea vontade... aí eu saberei que você assumiu quem é. Que você assumiu que gostou de ser a minha puta.

Marco sentiu o chão desaparecer sob seus pés, mesmo estando deitado. A humilhação da ordem era palpável. Usar a lingerie usada, suja de sexo, sob o terno impecável no dia seguinte? Era uma loucura. Mas a promessa de que tudo acabava, de que as fotos estariam seguras, era uma tentação irresistível.

— Vai embora — Ricardo ordenou, virando o rosto para o outro lado, encerrando a conversa. — Você fede a sexo.

Marco levantou-se num ímpeto, suas pernas trêmulas, mal conseguindo sustentar seu próprio peso. A dor lombar era aguda, um lembrete pulsante da piroca que o tinha arrombado. Ele se vestiu em silêncio, com movimentos mecânicos, o rosto virado para baixo. A calcinha estava fria e pegajosa quando ele puxou-a para cima, ajustando-a sobre os quadris. O sêmen de Ricardo continuava a vazar, criando uma sensação úmida e nojenta entre suas nádegas enquanto ele vestia a calça do terno.

Ele saiu do apartamento de Ricardo sem dizer uma palavra, o coração batendo forte contra as costelas. O elevador desceu em silêncio, e ele sentiu como se estivesse descendo para o inferno, ou talvez saindo dele, levando o inferno dentro de si.

A caminhada até o carro e a viagem de volta para casa foram um turbilhão de sensações confusas. A cada passo que dava, o tecido áspero da calça do terno roçava na lingerie fina, e a sensação era estranhamente intensa. Ele sentia cada fio da renda, cada mancha de fluido ressecando sobre sua pele. O assento de couro do carro parecia ter dentes, mordendo suas coxas sensíveis. Ele se ajustava no banco, incapaz de encontrar uma posição confortável, a consciência do que estava escondido sob suas roupas formais consumindo seus pensamentos.

Ao chegar em seu apartamento moderno e vazio, Marco trancou a porta três vezes, verificando se estava realmente sozinho. A casa estava silenciosa, um contraste gritante com o caos em sua mente. Ele correu para o banheiro, quase tropeçando nos próprios pés, desesperado para se livrar daquela segunda pele.

Largou a jaqueta do terno no chão, desabotoou a camisa com dedos trêmulos e despiu a calça. A imagem no espelho do banheiro era chocante. Ele, o Marco de 1,90m de altura, ombros largos, peitoral definido, o homem que comandava operações e inspirava respeito, estava ali, encolhido, usando lingerie vermelha de mulher, manchada e suja.

Com a mão ainda trêmula, ele inseriu a chave de latão na fechadura da jaula de castidade. O mecanismo rangeu, e o anel de metal escorregou para fora de seus testículos, seguido pelo tubo que prendia seu pênis. A libertação foi dolorosa. O sangue voltou a fluir para o membro imediatamente, e a sensação de formigamento foi quase insuportável.

Marco olhou para si mesmo. O pênis que ele sempre orgulhosamente considerava grande, um símbolo de sua virilidade, parecia diferente agora. Estava flácido, encolhido, pálido e frágil contra o fundo de sua pele bronzeada e depilada. Marcas vermelhas, onde o metal tinha roçado e apertado, circundavam a base e a haste. Parecia o órgão de outro homem, de um menino, não o de um macho alfa.

Ele tentou se tocar. A mão desceu lentamente, envolvendo a carne mole. Mas a pele estava hipersensível, quase dolorida ao contato. A menor pressão causava uma mistura de prazer agudo e desconforto, uma lembrança imediata da estimulação forçada que sofrera. Ele retirou a mão com um suspiro frustrado, sentindo-se impotente e estranho em seu próprio corpo.

Entrou no chuveiro, deixando a água quente escorrer pelo corpo. Ele esfregou a pele com força, tentando lavar o cheiro de Ricardo, o cheiro de sexo, a sensação de sujeira. O sabonete passou repetidamente sobre o ânus, que ainda latejava, dolorido e inchado. Mas, por mais que ele esfregasse, a sensação persistia. Ele ainda sentia a presença fantasma de Ricardo dentro dele, o esticamento, a profundidade da penetração.

Enquanto a água batia em seu rosto, sua mente traía-o. Flashbacks involuntários do que acontecera invadiram seus pensamentos: a mão firme de Ricardo em seu pescoço, a voz rouca sussurrando insultos em seu ouvido, a visão de seu próprio corpo refletido no espelho, submisso e chorando. Ele se lembrava do orgasmo, daquele clímax que não veio de seu pênis, mas de dentro, de um lugar que ele nem sabia que existia.

Marco desligou o chuveiro e ficou parado, gotejante, olhando para o azulejo. Seu pênis, que estava dormente, começou a reagir. Não era uma ereção normal, orgulhosa. Era algo hesitante, confuso, mas inegável. Ele estava ficando duro novamente só de pensar em como tinha sido humilhado. Ele se agarrou ao lavatório, a respiração pesada, tentando sufocar a excitação, mas ela era mais forte que sua vontade.

Ele não conseguiu se punhetar. A dor e a sensibilidade eram grandes demais, e a vergonha de estar excitado com aquela memória o paralisava. Saiu do banheiro, secou-se com toalhas ásperas e foi para a cama, nu, sem coragem de colocar qualquer roupa de dormir. O silêncio do apartamento era opressivo.

Ao adormecer, seu cérebro continuou a trabalhar. Os sonhos não foram um refúgio, mas uma continuação do pesadelo. Ele sonhou que estava de volta ao apartamento de Ricardo, mas desta vez não havia luta. No sonho, ele se ajoelhava diante de Ricardo, pedindo para ser usado, implorando para sentir aquela piroca novamente, agradecendo por ser tratado como uma cadela. Os gemidos eram reais, saindo de sua garganta enquanto ele dormia, suando frio.

Marco acordou com um sobressalto, o coração batendo descompassadamente. O relógio na mesa de cabeceira marcava uma hora absurda da manhã, mas não era isso que o fez entrar em pânico. Foi a sensação entre suas pernas. Ele tinha gozado durante o sono. A cama estava manchada, uma poça de sêmen frio colando em sua coxa e no lençol.

— Não... — ele sussurrou, a voz falhando. — Não, por favor.

Ele se levantou, aterrorizado. O corpo dele tinha se entregado completamente, até mesmo no inconsciente. Ele correu para o banheiro novamente, limpando a sujeira com movimentos bruscos, quase agressivos. Olhou no espelho e viu olheiras profundas, um rosto pálido e assustado. O "Marcão", o gerente de operações inabalável, tinha desaparecido. Em seu lugar, havia um homem assombrado, confuso e quebrado.

Ele se vestiu às pressas, atrasado para o trabalho. A rotina automática de barbear e vestir o terno foi feita em um estado de transe. Ele esqueceu a barba feita com cuidado nos últimos dias, deixando o rosto liso e pálido, o que o fazia parecer ainda mais jovem e vulnerável. E, obedecendo à ordem final de Ricardo, ele pegou a lingerie vermelha, ainda úmida e mal lavada da noite anterior, e a vestiu. A sensação de tecido frio e pegajoso contra sua pele limpa fez revirar o estômago, mas ele não teve coragem de desobedecer.

O caminho para o escritório foi um blur de luzes e sons. Marco entrou na empresa de logística com o olhar baixo, evitando contato visual com os colegas. O ar-condicionado gelado do escritório bateu em seu rosto, mas ele mal sentiu. Seu foco estava inteiramente na sensação da lingerie roçando em sua pele, na dor sutil em seu ânus a cada passo que dava, no medo paralisante de que alguém notasse algo diferente nele.

Ele sentou-se em sua mesa, a cadeira de couro parecendo agora um instrumento de tortura. Ele se ajustou, tentando encontrar uma posição que não pressionasse a área sensível, mas foi em vão. A secretária, uma mulher morena com quem ele mantinha um caso casual há meses, aproximou-se com um sorriso nos lábios, colocando uma xícara de café em sua mesa.

— Ei, chefe — ela disse, a voz melosa e doce. — Parece que você viu um fantasma hoje. Tudo bem?

Marco levantou os olhos, mas não conseguiu manter o olhar dela. Normalmente, ele já teria feito um comentário debochado, talvez dado um tapinha em seu quadril ou convidado ela para um almoço rápido no arquivo morto. Hoje, ele apenas grunhiu uma resposta monossilábica.

— Estou bem. Trabalho.

A secretária franziu a testa, notando a mudança imediatamente. Ela deu um passo mais perto, invadindo seu espaço pessoal, e Marco encolheu-se instintivamente na cadeira.

— E a barba? — ela zombou suavemente, tocando seu próprio queixo. — O Marcão decidiu virar menino de repente? E você está tão quieto... Cadê aquele tom galanteador? Você nem me olha mais.

Ela riu, achando que estava sendo flertadora, mas para Marco soou como uma sentença. Ela estava ridicularizando-o, expondo sua falta de masculinidade sem saber o verdadeiro motivo. Ele sentiu o calor subir pelo pescoço, o rosto ficando vermelho.

— Estou ocupado, Clara — ele disse, a voz mais alta do que pretendia, quase um grito. — Por favor, volte para sua mesa.

Clara deu um passo para trás, surpresa e ofendida, balançando a cabeça.

— Tá certo, chefe. Pelo menos o humor ainda é o mesmo — ela resmungou, afastando-se.

Marco baixou a cabeça entre as mãos, os dedos segurando as têmporas. Ele conseguia ouvir os sussurros dos outros funcionários passando perto. "O que houve com o Marco hoje?", "Ele parece doente", "Será que foi demitido?". Eles notavam tudo. Notavam a falta de barba, a postura encolhida, o silêncio dele no meio do escritório movimentado. Ele se sentia nu, exposto, como se a lingerie fosse feita de vidro e todos pudessem ver através do terno Armani.

E então, ele sentiu ele.

Não precisava levantar os olhos para saber. A presença de Ricardo era magnética, uma onda de choque que alterava a atmosfera do escritório. Marco ergueu o olhar devagar e viu Ricardo parado em frente à sua mesa, no outro lado do corredor aberto. Ricardo estava impecável, terno cinza perfeitamente cortado, camisa branca imaculada, a barba grisalha aparada com precisão cirúrgica. Ele tinha as mãos nos bolsos, o anel de prata brilhando, e um sorriso sutil, quase imperceptível, nos lábios.

Ricardo não disse nada. Não fez nenhum gesto obsceno. Apenas ficou lá, observando. Seus olhos percorreram o corpo de Marco, pausando no colarinho da camisa, descendo pelo terno, como se pudesse ver através do tecido, como se soubesse exatamente o que Marco estava usando por baixo. O olhar era possessivo, uma afirmação silenciosa de propriedade.

Marco sentiu o ânus contrair involuntariamente, um espasmo de medo e, para seu horror absoluto, um pingo de desejo. As pernas dele tremeram sob a mesa. Ele queria correr, queria gritar, queria se jogar em cima de Ricardo e bater nele, mas ao mesmo tempo, uma parte dele queria se ajoelhar ali mesmo, no meio do escritório, e implorar por mais.

Ricardo manteve o contato visual por mais alguns segundos, uma eternidade silenciosa onde todo o segredo de Marco foi pesado e julgado. Então, com um aceno de cabeça quase imperceptível, um reconhecimento frio e distante, Ricardo virou as costas e caminhou para o seu próprio escritório. Ele cumpriu a promessa. Não tocou no assunto, não fez nenhuma alusão ao que aconteceu na noite anterior. Mas não precisava. Apenas a presença dele era suficiente para deixar Marco em frangalhos.

Marco ficou sentado, imóvel, sentindo o suor frio escorrer pelas costas, a lingerie colada à pele, a lembrança da noite anterior queimando em sua mente como uma ferida aberta. Ele olhou para os papéis em sua mesa, mas as palavras eram apenas rabiscos sem sentido. Ele não conseguia trabalhar. Não conseguia pensar em nada além naquela chave, naquela lingerie, naquele homem que tinha quebrado ele em pedaços e agora o observava de longe, esperando para ver se ele voltaria, pedindo para ser quebrado de novo. E o pior de tudo, o pensamento que ele tentava afastar com todas as suas forças, mas que teimava em voltar: a vontade incontrolável de que Ricardo o chamasse, de que aquilo não acabasse ali.

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