Minha esposa e o garoto da serra

Um conto erótico de Arthur
Categoria: Grupal
Contém 3314 palavras
Data: 06/05/2026 22:14:01

Eu não esperava que aquela viagem terminasse comigo dividindo a minha esposa com um moleque de dezoito anos.

A manhã de sábado na serra acordou com um sol que parecia ter sido encomendado. O som do rio lá fora estava mais convidativo do que nunca, e eu, como de costume, já estava de pé preparando o café quando a Bia apareceu na cozinha. Ela exalava aquela animação de quem finalmente ia fazer o que mais gosta.

Ela tinha escolhido um biquíni verde escuro. O modelo era pequeno, pensado justamente para não deixar marcas grandes e garantir que ela voltasse para a cidade com a cor que queria. Por cima, ela jogou apenas um short jeans, deixando o botão aberto como se estivesse com pressa de chegar na água. Olhando para ela ali, encostada no balcão enquanto bebia um gole do meu café, era difícil manter o foco em qualquer outra coisa. A Bia sabe o corpo que tem, e em dias de sol, parece que ela brilha ainda mais.

"Vamos logo, Arthur!" Ela disse, me dando um tapinha no ombro enquanto pegava a bolsa térmica.

A Beatriz é o tipo de mulher que não habita um espaço, ela o domina. Enquanto eu buscava o isolamento naquela serra, ela parecia querer abraçar o mundo.

Pegamos o carro e dirigimos por uma estrada de terra batida até a entrada da trilha para a cachoeira. Eu estava com a minha bermuda de sempre e uma camiseta leve, carregando a mochila com água e as coisas dela. Olhei de lado para o banco do passageiro para admira-la. Aquele short jeans curto valoriza cada curva das pernas que ela treina com uma disciplina que eu, honestamente, não possuo. Ela estava com o tronco levemente inclinado para fora da janela, deixando o vento bagunçar aquele cabelo loiro que eu já sabia que ficaria cheio de nós até o fim do dia.

Quando chegamos na beira do rio, veio o pequeno balde de água fria no meu planejamento. Tinha muito mais gente do que eu esperava para um lugar "afastado". Carros parados, famílias com caixas de som e o burburinho típico de fim de semana. Senti meus ombros tensionarem por um segundo. Eu queria o isolamento total, o barulho apenas da água caindo, mas antes que eu pudesse reclamar, senti a mão da Bia na minha.

"Relaxa. Olha aquele canto ali, perto daquelas pedras maiores." Ela apontou para um espaço um pouco mais afastado do fluxo principal de pessoas. " Dá para a gente se ajeitar bem ali."

Caminhamos pulando as pedras até acharmos o nosso canto. Era um espaço estreito, mas estratégico. Assim que chegamos, ela não perdeu tempo. Chutou os chinelos e arrancou o short jeans. O biquíni verde parecia uma bandeira de energia no meio do verde da mata. Ela deu uma olhada rápida ao redor, notando alguns olhares que inevitavelmente seguiam seus movimentos, mas não se importou. Ela estava ali pelo sol e pela água.

"A água deve estar congelando." Comentei observando a correnteza.

"Ótimo para acordar o corpo" Ela respondeu, já se alongando e preparando o mergulho.

Eu me sentei na pedra, abrindo a mochila e tentando me desconectar da multidão ao redor. Por mais que houvesse gente demais para o meu gosto, ver a empolgação dela e o jeito que aquele lugar parecia realçar tudo o que ela é, começou a me fazer relaxar também. Eu estava sentado na pedra, sentindo o sol esquentar meus ombros enquanto observava a Bia. Ela entrava e saía da água com uma naturalidade invejável.

Invariavelmente, os olhares vinham junto. Percebi dois sujeitos em uma mesa de plástico mais abaixo comentando algo baixo enquanto a seguiam com os olhos, e um homem mais velho, perto da queda d’água, que nem disfarçava a admiração. Antigamente, aquilo me daria um nó no estômago, uma vontade imediata de ir embora. Mas hoje, com o tempo e a maturidade, o sentimento era outro. Eu olhava para ela e sentia um orgulho silencioso. Eu sabia quem ela era, o quanto ela se cuidava e, principalmente, que era comigo que ela voltaria para casa no fim do dia.

Porém, algo quebrou a minha paz contemplativa. Um garoto, que não devia ter mais de vinte anos, estava sentado sozinho em uma pedra a poucos metros de nós. Ele não apenas olhava, ele devorava a Bia com os olhos de uma forma descarada, quase invasiva. Ele não tinha a sutileza dos outros. Era um olhar de quem não conhece limites ou simplesmente não se importa em ser pego. Aquilo me causou um incômodo visceral, uma faísca de possessividade que eu achei que estava enterrada.

A Bia saiu da água, passando as mãos pelo cabelo loiro para tirar o excesso de umidade, e começou a caminhar na minha direção. O moleque não desviou o olhar nem por um segundo, acompanhando o movimento do quadril dela com uma fixação irritante.

Eu não disse nada. Não precisei de palavras ou de confronto direto. Quando ela chegou perto o suficiente, ainda gotejando e sorrindo pela temperatura da água, eu me levantei. Envolvi a cintura dela com firmeza, sentindo a pele gelada e molhada sob as minhas mãos, e a puxei para mim com uma possessividade que raramente demonstro em público. Antes que ela pudesse perguntar qualquer coisa, eu a beijei. Foi um beijo profundo, demorado, carregado de uma autoridade silenciosa que dizia exatamente a quem ela pertencia.

Senti o corpo dela relaxar contra o meu, as mãos dela subindo para o meu pescoço, correspondendo com a mesma intensidade de sempre. Pelo canto do olho, vi o garoto finalmente desviar o olhar, desconfortável, encarando os próprios pés enquanto buscava outra coisa para focar.

Afastei meu rosto apenas alguns centímetros do dela, ainda segurando sua cintura. A Bia abriu os olhos, um pouco surpresa com a minha iniciativa repentina, mas com um brilho de diversão.

"O que foi isso, engenheiro?" Ela sussurrou, com um sorriso malicioso, percebendo que algo tinha mudado no meu humor.

"Nada!" Respondi, voltando a sentar e puxando-a para sentar entre minhas pernas. "Só lembrando a mim mesmo, e a quem mais estiver interessado, o quanto eu tenho sorte."

Ela riu, encostando as costas molhadas no meu peito. Aquele sentimento de "território marcado" durou pouco. Em um momento em que o sol apertou, a Bia percebeu que tinha esquecido o protetor solar no banco de trás do carro. Como eu prefiro a praticidade, me ofereci para buscar. Caminhei até o estacionamento improvisado, sentindo o calor da terra sob os chinelos, e levei alguns minutos para voltar. Quando voltei, a cena que encontrei fez o meu sangue circular um pouco mais rápido.

Lá estava ela, sentada na mesma pedra, mas não estava mais sozinha. O garoto do olhar descarado estava ali, sentado a menos de um metro dela. Eles conversavam com uma naturalidade que me deu um nó no estômago. A Bia ria e gesticulava, enquanto ele a ouvia com uma atenção quase devota.

Assim que me viu aproximar, ela se levantou com a agilidade, sem transparecer nenhuma culpa, porque, na cabeça dela, não havia o que esconder.

"Arthur, que demora!" Ela disse, pegando a bolsa da minha mão. "Olha só, esse aqui é o Thiago. Ele mora numa casinha logo depois da que a gente alugou."

O garoto se levantou. Ele era alto, magro, com aquele jeito de quem passa o dia todo sob o sol.

"Prazer, sou o Thiago" Ele disse estendendo a mão. "Eu estava contando para ela que venho aqui todo dia. É o melhor ponto para ver os peixes quando o rio está baixo."

Eu apertei a mão dele com uma força que talvez tenha sido um pouco além do necessário. Ele explicou que morava por ali com os pais e que realmente preferia a solidão da natureza ao barulho da cidade. No papel, era uma história inofensiva. Um vizinho gentil sendo hospitaleiro, mas o que me incomodou de verdade não foi o que ele disse, foi o que aconteceu depois.

O Thiago não foi embora. Ele se acomodou em uma pedra próxima e a manhã inteira se transformou em um trio indesejado. Ele indicava os melhores poços para mergulhar, falava sobre as trilhas escondidas e, a cada frase, buscava a validação da Bia. E ela, com aquela energia inesgotável e a mania de ser simpática com todo mundo, parecia estar adorando a companhia. Ela fazia perguntas, demonstrava interesse genuíno nas histórias dele sobre a vida na serra e chegava a pedir a opinião dele sobre as frutas que tínhamos levado.

Eu fiquei ali, de braços cruzados, tentando ler meu livro, mas sem conseguir processar uma única linha. Eu olhava para o lado e via o contraste. O corpo atlético da minha esposa, realçado pelo biquíni verde, e aquele garoto de dezoito anos que não conseguia esconder a fascinação por ela. A Bia, vibrante e sorridente, parecia não perceber, ou não se importar, com a tensão que emanava de mim.

Para um homem que gosta de ter o controle das situações e preza pelo silêncio, aquela manhã tinha acabado de se tornar o meu maior pesadelo.

O sol do meio-dia começou a castigar e, com ele, veio a fome. Para mim, aquele era o sinal de resgate. Eu já estava mentalizando o momento em que fecharia a mochila, daria um tchau educado e curto para o Thiago e voltaria para a quietude da nossa casa com a Bia. Mas a minha lógica de engenheiro mais uma vez falhou diante da espontaneidade dela.

Enquanto eu batia os chinelos para tirar a areia, ouvi a frase que me fez travar o movimento.

"Amor, eu falei com o Thiago que a gente daria uma carona para ele, tá?" A Bia anunciou com naturalidade "A casa dele é logo ali, no caminho da nossa."

Eu engoli a seco. Olhei para o garoto, que já estava de pé, com um sorrisinho de gratidão que me pareceu vitorioso demais. Eu jamais diria não para ela, especialmente na frente de um estranho, então apenas assenti com a cabeça, sentindo um nó se formar no estômago.

A caminhada até o carro foi um exercício de paciência. A Bia, decidida a não molhar o short jeans com o biquíni ainda úmido, resolveu ir apenas com as peças de banho. Ela caminhava na frente, com aquele corpão e o biquíni verde atraindo toda a luz do sol. Logo atrás dela, como uma sombra, ia o Thiago. Eu fui por último, carregando a mochila pesada e observando a nuca do garoto, que não desviava os olhos dela nem por um segundo.

No carro, a cena não melhorou. Forramos os bancos com toalhas para não estragar o estofado. Eu assumi o volante, a Bia foi ao meu lado e o Thiago se acomodou no banco de trás, bem no meio. Enquanto eu manobrava o carro pela estrada de terra, meus olhos batiam no retrovisor a cada trinta segundos. E lá estava ele. O Thiago não olhava para a paisagem, ele olhava para o reflexo da Bia. Ele observava o perfil dela, o movimento dos cabelos loiros com o vento da janela e, às vezes, seus olhos desciam para o decote do biquíni.

"Nem falei, pô." O garoto começou, inclinando para a frente, diminuindo a distância entre ele e o banco da Bia. "Meus pais têm um restaurante bem humilde aqui perto, comida caseira mesmo, feita no fogão a lenha. Vocês podiam almoçar lá hoje como agradecimento pela carona. É o melhor tempero da região."

A Bia virou para trás, com os olhos brilhando de empolgação.

"Comida no fogão a lenha? Ai, Arthur, a gente precisa ir!" Ela nem me olhou para perguntar, já estava decidida. "Vamos sim, Thiago! Adoramos conhecer esses lugares autênticos."

Eu apenas suspirei, sentindo que o controle daquele sábado tinha escapado definitivamente das minhas mãos. O "almoço romântico e silencioso" que eu planejei acabara de ser substituído por um restaurante de família, com um guia de dezoito anos que parecia estar se sentindo cada vez mais à vontade.

Mudei a marcha com um pouco mais de força do que o necessário e segui as instruções do Thiago, enquanto a Bia já perguntava para ele qual era o prato principal da mãe dele. O engenheiro em mim estava tentando calcular quanto tempo faltava para aquele dia acabar.

Finalmente, a Bia vestiu o short jeans e eu coloquei uma camisa leve, o que me trouxe um pouco de dignidade de volta. O almoço, de fato, cumpriu o que prometeu. A comida era honesta, com aquele sabor de tempero fresco que só o interior tem, e o preço não tentou nos explorar por sermos turistas. O melhor de tudo foi ver o Thiago sendo recrutado pelo pai para ajudar nas mesas. Pela primeira vez no dia, o campo de visão da minha esposa estava limpo.

Pensei que aquele seria o momento de retomarmos nossa sintonia, mas havia algo estranho. A Bia estava fisicamente ali, mas sua mente parecia ter ficado em algum lugar entre as pedras da cachoeira e a mesa de madeira do restaurante. No caminho de volta, o silêncio dela foi o que mais me incomodou. Geralmente, o carro estaria cheio de planos para o dia seguinte ou comentários sobre as pessoas que vimos, mas ela apenas observava a estrada, com o olhar vago e os dedos batendo sem ritmo na porta do carro.

Chegamos, tomamos um banho rápido e o cansaço do sol nos abateu. Trocamos poucas palavras, diálogos curtos e automáticos e desabamos na cama com roupas leves, aproveitando o frescor que começava a descer da serra.

Acordei quando o sol já estava naquela cor alaranjada de fim de tarde. O silêncio da casa era absoluto. Fui para a sala, sentei na poltrona e abri meu livro, tentando retomar a leitura que o Thiago tinha interrompido mais cedo. Mas eu não conseguia focar. Minutos depois, ouvi os passos dela no corredor. Bia apareceu no vão da porta, com os cabelos ainda um pouco úmidos e uma expressão que eu raramente via. Seriedade misturada com hesitação.

"Arthur." Ela disse com a voz baixa, encostando no batente. "Eu queria conversar."

Fechei o livro devagar, sentindo meu estômago dar um nó.

"Pode falar, Bia. Aconteceu alguma coisa?"

Ela caminhou até o sofá, sentou na ponta e entrelaçou as mãos, olhando para os próprios pés antes de encarar meus olhos.

“Lembra quando a gente estava se conhecendo que a gente falava do que tinha vontade de fazer, experimentar.”

“Então… uma vez eu te disse que tinha vontade de transar com dois homens, lembra?”

Aquelas palavras pairaram no ar, pesadas. Ao contrário da leveza da blusinha que ela vestia.

"Sim, eu lembro" Respondi, com a voz um pouco mais rouca do que o normal. Minha mente foi direto para aquele jantar no meu apartamento, anos atrás. Lembrei do cheiro do risoto que eu preparava e do brilho desafiador nos olhos dela quando o assunto surgiu. Na época, entre vinhos e a empolgação do início, eu não quis parecer o cara conservador que a julgaria, então apenas concordei, guardando para mim o desconforto de imaginar outro homem tocando o que eu considerava meu.

Bia respirou fundo, os dedos inquietos brincando com a barra do short de seda. Ela não conseguia sustentar o olhar por muito tempo.

"Eu... assim... tô querendo experimentar" Ela continuou, a voz ganhando uma firmeza que me assustou. "Aproveitar esse lugar tão fora da nossa realidade para sentir algo novo."

Eu sabia exatamente onde aquela conversa ia chegar, mas meu cérebro buscava desesperadamente uma saída lógica que não envolvesse o que estava óbvio.

"Algo novo..." Repeti, tentando ganhar tempo. "Você está falando de agora? Aqui?"

Ela finalmente levantou o rosto. O coque desfeito e o rosto limpo, sem maquiagem, davam a ela uma aparência vulnerável, mas a determinação nos olhos claros era a mesma de quando ela decidia mergulhar em uma cachoeira gelada sem hesitar.

"O Thiago" Ela soltou, o nome dele. "Ele é daqui, ninguém nos conhece. Ele passou a manhã inteira me olhando daquele jeito, Arthur... e eu não consegui parar de pensar nisso desde que a gente saiu de lá."

Senti uma pontada de raiva misturada com uma curiosidade mórbida. O garoto de dezoito anos. O olhar descarado que eu tentei anular com um beijo. Tudo o que me incomodou durante o dia não era apenas paranoia minha, era o combustível que agora incendiava a cabeça da minha esposa.

Fiquei em silêncio por um longo tempo, o livro esquecido no meu colo. Eu a olhava e via a mulher enérgica, solar e consciente da própria beleza que eu amava. Mas, pela primeira vez, essa energia dela estava apontando para uma direção que me deixava completamente no escuro.

O engenheiro em mim tentou encontrar uma falha lógica, um argumento técnico para derrubar aquela estrutura que ela estava erguendo no meio da nossa sala. Por um segundo, a vontade foi de levantar, dizer que ela estava louca e que eu jamais deixaria outro homem, muito menos um garoto que mal começou a vida, tocar na minha mulher. O instinto de posse rugiu dentro do meu peito, mas eu olhei para ela e o que vi me paralisou.

Não era apenas desejo. Era uma entrega de confiança. A Bia poderia ter escondido aquilo, poderia ter buscado essa adrenalina pelas minhas costas em qualquer esquina da cidade grande. Mas ela estava ali, descalça, com aquele short de seda e a regata cinza, me pedindo permissão para ser livre na minha frente. Ela estava me trazendo para dentro da fantasia dela, e recusar de cara parecia, de certa forma, trair a parceria que a gente construiu.

"Tá…"soltei, sentindo o peso da palavra. "Mas como seria isso?"

Ela se inclinou para frente, os olhos brilhando com uma mistura de nervosismo e excitação.

"Bom, a gente já estava planejando jantar aqui essa noite, não é?" Ela começou, a voz ficando mais doce. "Você prometeu fazer aquele risoto para mim. Eu posso chamar o Thiago e você cozinha para nós três. Ele já tem idade para beber, então quem sabe um vinho e a coisa toma o rumo que estamos pensando."

A imagem se formou na minha mente com uma nitidez cruel. Eu, na cozinha, manejando as panelas, enquanto aquele moleque sentava à nossa mesa, bebendo o meu vinho e olhando para a minha esposa com o mesmo olhar faminto da cachoeira.

"Você quer que eu cozinhe para o cara que quer te comer?" Perguntei com um rastro de ironia que não consegui esconder."

"Eu quero que você seja o dono da situação, Arthur." Ela rebateu levantando e vindo até a poltrona onde eu estava. Ela sentou no braço do móvel, passando a mão pelo meu ombro. "Quero que seja do nosso jeito. Com você no controle de tudo."

Eu olhei para o livro no meu colo e depois para ela. A ideia era absurda, perigosa e feria o meu orgulho de homem "centrado". Mas o jeito que ela me olhava, como se eu fosse o único capaz de realizar aquele desejo secreto, começou a transformar o meu incômodo em uma curiosidade sombria.

"O risoto de aspargos com queijo brie." Falei, quase para mim mesmo. "Eu preciso de bastante vinho se for para aguentar esse moleque na minha mesa."

Bia sorriu, o primeiro sorriso de verdade desde que voltamos, e me deu um beijo casto, mas carregado de promessa.

"Vou mandar uma mensagem para ele."

Ela se levantou e saiu em direção ao quarto para pegar o celular. Fiquei ali, sozinho na sala, ouvindo o barulho do rio e pensando que, em poucas horas, o silêncio de Lumiar seria preenchido por um tipo de barulho que eu nunca imaginei que permitiria dentro da minha própria vida.

O questionamento sobre como ou quando ela havia conseguido o número do garoto passou pela minha cabeça como um lampejo, mas logo o descartei. No esquema atual das coisas, aquele era o menor dos meus problemas.

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Uma situação dessa só pode ser brincadeira, um homem aceitar isso, sem querer, só para agradar a mulher, beira ao absurdo.

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