O dia voltou a nascer, e eu abri a cortina para a luz do sol entrar no quarto. Olho pra cama, a mesma estava vazia, suspirei. Ele ainda estava no sofá, praticamente desmaiado. Eu acabei indo até a sala, enquanto eu o vi ali. Sentei-me no sofá oposto, enquanto Diego acordava. Fiquei ali, observando-o lutar contra a própria consciência enquanto o efeito do álcool dava lugar a uma ressaca impiedosa. Ele se sentou devagar, apertando as têmporas como se tentasse segurar a própria cabeça no lugar.
— Diego, o que aconteceu ontem? — minha voz saiu calma, mas carregada de uma decepção que eu não conseguia esconder. — Você chegou tarde, bêbado... e não me avisou de nada.
Ele gemeu baixo, mantendo sua mão em frente aos olhos, esfregando-o para logo voltar a me encarar.
— Me desculpe, meu amor... foi tudo muito repentino. Acabamos saindo para comemorar um contrato, fui pego de surpresa.
Nesse momento, Doralice apareceu vindo da cozinha. Ela trazia uma xícara de café bem preto e forte, sem um grão de açúcar, dizia que era bom para "ressuscitar morto". Diego apenas murmurou um agradecimento e virou o líquido de uma vez, como se fosse um remédio amargo. Doralice, com sua discrição habitual, voltou para a cozinha, enquanto eu fiquei ali, esperando uma resposta.
— Pego de surpresa, né? — Comentei, encarando ele.
— É sério, Marina, me desculpa mesmo — ele continuou, tentando focar o olhar em mim. — Fechamos um contrato altíssimo para a filial e, como eu participei ativamente, o pessoal resolveu sair. Eu sou novo lá, entende? Não podia fazer desfeita, estou tentando me enturmar, criar raízes.
— Eu entendo, Diego — respondi, suspirando. — Mas seria mais prudente ligar. Eu fiquei aqui sem saber se você tinha sofrido um acidente ou algo pior.
— Você tem razão. Da próxima vez, eu aviso. Prometo.
O restante do sábado passou entre amenidades. Diego ficou em casa, tentando se recuperar, e eu aproveitei para me perder nas palavras do meu livro. A escrita sempre foi meu refúgio, o lugar onde eu podia controlar o destino das pessoas, ao contrário da vida real.
A semana seguinte correu como se nada tivesse acontecido. Diego foi o marido exemplar de sempre: pontual, carinhoso, presente. Eu comecei a relaxar, achando que o episódio da bebedeira tinha sido apenas um tropeço isolado na subida da escada corporativa.
Na outra semana, recebi a notícia que tanto esperava: consegui um patrocínio para o lançamento do meu livro. Era a validação do meu sonho, onde poderia ver pela primeira vez um vislumbre do que seria meu eventual sucesso. Liguei imediatamente para o Diego, para marcar um horário para ficarmos juntos, queria contar essa novidade pra ele.
— Amor, avisa quando estiver vindo. Tenho uma surpresa incrível para te contar!
— Pode deixar, querida. Chego no horário de sempre. Mal posso esperar! — a voz dele parecia honesta, animada. Eu confiei. Desligamos, e tratei de arrumar um delicioso jantar pra nós, enquanto pensava na novidade.
Com a ajuda da Doralice, preparei o terreno. Fizemos uma carne de panela — o prato favorito dele. Arrumei a mesa com os nossos melhores talheres, acendi velas que espalhavam um brilho suave e quente pela sala, e coloquei uma garrafa de vinho no centro, flanqueada por duas taças de cristal. Dispensamos a Doralice mais cedo. Eu queria que fôssemos apenas nós dois, celebrando o fato de que ambos estávamos vencendo.
As 20h chegaram. E passaram.
As 21h vieram com uma inquietação que não consegui descrever. Ele já estava uma hora atrasado.
E assim o tempo foi passando, arrastando-se de forma cruel e silenciosa. Às 23h40, eu olhei para aquela mesa impecável. As velas já estavam no fim, o jantar estava frio, e eu sentia que minha relação com meu marido estava praticamente na mesma. Peguei um prato, servi uma porção de arroz e carne, e servi o vinho. Esquentei a comida, e aproveitei minha companhia. Jantei sozinha, em silêncio, onde o nada me acompanhou, deixando o som do ambiente ser a música que passara em minha mente. Tentei ligar pra ele de novo à meia-noite. Novamente, a voz gravada da operadora.
"Onde está o homem que me prometeu apoio em cada passo?" — eu pensava, enquanto o vinho descia amargo pela minha garganta.
Eram 03h45 da manhã quando o som da fechadura girando quebrou o silêncio da madrugada. Diego entrou. Ele era a imagem do caos: a gravata pendurada de qualquer jeito, o terno — aquele que eu tanto admirava — estava amassado e imundo. O cabelo, sempre bem penteado, parecia que tinha passado por uma ventania. Ele me olhou, mas seus olhos estavam vazios, perdidos no nevoeiro do álcool.
Eu continuei ali, sentada no sofá, de braços cruzados.
— Oi... — ele balbuciou, tropeçando nos próprios pés.
Levantei-me, o sangue fervendo sob a pele.
— Diego! Já é a segunda vez! Você não avisou, você sabia que tínhamos combinado esse jantar! Onde você estava?
— A gente... a gente conversa amanhã, tá bom? — ele nem sequer tentou se defender.
Foi direto para o quarto e se jogou na cama com roupa e tudo, desmaiando em um sono pesado e barulhento. Peguei o paletó dele do chão. Tirei os seus sapatos, coloquei num canto da cama. Suas roupas cheiravam alcool, cigarro. Lembranças passaram a vir na minha mente, lembranças que eu gostaria de manter esquecidas.
No dia seguinte, a cena se repetiu. Ele acordou tarde, colocou a mão na cabeça, reclamou do corpo doído. Eu entrei no quarto, já vestida, pronta para o dia.
— Bom dia, Diego.
— Bom dia... — ele resmungou, sentando-se com dificuldade.
— Posso saber o que aconteceu ontem? — cruzei os braços, esperando a desculpa da vez.
Ele pareceu processar a informação por alguns segundos até que o choque de realidade o atingiu. O olhar dele mudou instantaneamente para um arrependimento profundo.
— Meu Deus, Marina... eu esqueci completamente do nosso jantar! Me desculpa, de verdade. Tivemos outra comemoração, fechei mais um contrato excelente e já me indicaram para uma promoção! Você me perdoa? Por favor...
— Parece que os seus contratos são mais importantes do que qualquer vitória minha, não? — Comentei, visivelmente decepcionada, enquanto o olhei. Havia uma parte de mim que queria gritar, mas a outra parte, a Marina que amava o Diego acima de tudo, começou a se conformar. Pelo menos no momento, pois acreditava que uma conversa poderia resolver tudo.
— Eu te pedi para avisar, Diego. Não custa nada pegar o celular e mandar uma mensagem.
— Eu sei, eu sei... eu acabei me entretendo demais com o pessoal do escritório... com o Otávio, com o Evair e o resto da equipe. Eles são influentes, amor, eu preciso estar lá.
— Tudo bem — eu disse, com um suspiro de rendição. — Pelo menos o almoço está pronto. Eu e a Doralice fizemos picadinho de carne do jeito que você gosta.
— Você não existe, Marina! — ele sorriu, levantando-se para me dar um selinho rápido. — Muito obrigado por ser tão compreensiva.
Ele então foi para o banho, enquanto recolhi algumas de suas roupas e coloquei no cesto. Fiquei ali, parada no corretor com a porta do banheiro entreaberta, pensando na nossa vida de casal, que estava no mínimo estranha, desconexa conforme os dias passavam.
— Marina, vem cá, por favor. Preciso de sua ajuda. — Disse Diego, enquanto abri a porta do banheiro, e eu o vi no box. Estava ainda chateada com ele. Ele então acabou abrindo o box e pegou no meu pulso, me puxando para dentro, onde sinto nossos corpos próximos, enquanto a água do chuveiro cai sobre nós.
Diego então me manteve em seus braços, com as suas mãos fixas em minha cintura enquanto a água do chuveiro caiu sobre nós, molhando completamente a roupa ao qual estava vestida. Olhei para ele contrariada, reclamando do que ele fez.
— Diego, o que pensa que está fazendo?
Ele apenas me olhou, de forma que seus olhos encontraram os meus e podia ver o sincero arrependimento em seu olhar.
— Apenas Quero sentir o calor da minha mulher e pedir desculpas para ela. Não posso?
— Pode, mas não... — Foi então que Diego me puxou, e passou a me beijar ali mesmo enquanto a água caía em nossos corpos. Ele então levantou minha camisola um pouco acima e se colocou entre minhas pernas. Seu corpo molhado se esfregava junto ao meu, enquanto a minha própria camisola era ensopada pela água do chuveiro, que caia quente sobre o meu corpo, que se esquentava ainda mais com aquele beijo ousado e molhado de meu marido. Vejo esse que já fazia um tempo que não sentia.
A verdade é que eu estava irritada mas acabei cedendo, e assim acabamos nos beijando ali mesmo.
Ele acabou colocando minha calcinha para o lado deixando minha bucetinha livre e ficou roçando o seu pau na entrada. Acabou por encaixar seu corpo junto ao meu, e assim começou a movimentar seu quadril invadindo minha bucetinha, passando então a movimentar seu pau, tomando o espaço que era completamente dele e me fazendo ser sua ali dentro daquele chuveiro, onde eu segurei seu corpo com as minhas mãos passando as unhas pelas suas costas deixando a minha marca.
— Ain, delícia! — Falei, gemendo, sendo completamente dele.
— Você é minha, gostosa. — Diego falou com a voz carregada de tesão mas principalmente com uma afirmação de que um era do outro ponto pelo menos até aquele momento.
Seu pau continuava estocando a minha buceta, afundando-se cada vez mais, me tomando por inteira, socando gostoso enquanto toda a sua extensão e preenchia.
Seu gozo veio quente, no mesmo momento em que ele voltou a me beijar com aquele beijo molhado e carregado de tesão e paixão ficamos ali nos beijando, trocando nossos desejos e principalmente nossas vontades, enquanto sua porra invadia minha bucetinha.
Diego passou o restante daquele dia tentando, de todas as formas, compensar o que havia acontecido. Ele estava mais atencioso, cercando-me de pequenos cuidados, como se cada gesto fosse um pedido silencioso de desculpas. Eu, sendo compreensiva e amando-o como amava, decidi deixar para trás. Aceitei seus carinhos e o perdoei, acreditando que aquele deslize era apenas ele tentando mostrar serviço, apesar que achava desnecessário se embriagar daquela maneira.
Ficamos assim mais próximos juntos, mas quente, mas depois de algumas semanas, nossa relação voltou a se esfriar. Não era um frio de inverno, mas um distanciamento gradual que me deixava inquieta. Diego chegava em casa e o roteiro era quase sempre o mesmo: um "oi" protocolar, depois seguia para o banheiro, onde ficava por lá, depois vinha jantar em silêncio e de repente, somente dormia. Ele não falava mais sobre o trabalho, sobre os clientes ou sobre os seus planos. Parecia que uma barreira invisível estava sendo erguida entre nós, tijolo por tijolo, a cada noite que ele se deitava sem me olhar nos olhos.
Eu tentava, com todas as minhas forças, puxar assunto. Falava sobre o progresso do meu livro, sobre as ideias que fervilhavam na minha mente e sobre o quanto aquela história significava para mim. Ele até demonstrava interesse, mas era algo superficial, automático. Ele dizia "que bom, amor" ou "fico feliz por você", mas o brilho nos olhos tinha sumido. Não era mais o mesmo Diego de antes, aquele homem que parava tudo o que estava fazendo e demonstrava uma empolgação genuína só de me ouvir falar sobre alguma conquista pessoal.
Foi então que recebi o telefonema que deveria mudar tudo. A editora ligou confirmando que pretendia patrocinar o lançamento do meu livro em uma livraria renomada no centro da cidade. Haveria uma palestra, um momento para eu falar sobre a obra e encontrar os leitores. Era o meu momento. Na manhã do evento, antes de ele sair para o trabalho, eu o procurei na sala, segurando a ansiedade.
— Diego, hoje é o dia de lançamento do meu livro. Você vai, não é? — perguntei, buscando qualquer sinal de confirmação que me desse segurança.
— Irei sim — ele respondeu prontamente, aproximando-se de mim. Ele segurou meu rosto e me deu um beijo nos lábios, um gesto que me trouxe um alívio momentâneo. — Pode deixar que eu vou. Me desculpe por faltar das outras vezes, mas dessa vez irei ver minha esposa brilhar. Que horas começa?
— Às 17 horas — respondi, sorrindo.
Ele se despediu e saiu. Passei o restante do dia mergulhada em preparativos. Fui ao salão de beleza, cuidei de cada detalhe do meu cabelo e da maquiagem, e escolhi o melhor look que tinha no armário. Eu queria estar impecável, não só para o público, mas para o meu marido. Eu queria que ele sentisse orgulho da mulher que tinha ao lado.
Quando cheguei à livraria, o espaço reservado já estava movimentado. Ver aquelas pessoas ali, interessadas no que eu tinha escrito, trouxe uma satisfação pessoal imensa. Era a realização de um sonho que eu havia alimentado em silêncio por tanto tempo. No entanto, enquanto eu cumprimentava os convidados e organizava meus pensamentos para a palestra, meus olhos não paravam de buscar a porta. Eu olhava de um lado para o outro, esperando ver a silhueta do Diego cruzando a entrada.
Mas quem apareceu foi alguém que eu jamais esperaria ver ali.
— Oi, meu amor — disse uma voz profunda atrás de mim.
— Pai! Como você soube? — exclamei, surpresa ao ver o senhor Pedro parado diante de mim.
Ele estendeu a mão, pegou um exemplar do meu livro que estava sobre a mesa e o observou , passando a folhear cada página.
— Minha filha, acha mesmo que eu iria perder um momento tão importante para você? — ele perguntou, voltando sua atenção para mim.
— Mas o senhor sempre me disse que era perda de tempo eu me lançar como escritora... — confessei, sentindo um nó na garganta. — Eu realmente fiquei feliz de ver o senhor aqui.
— Eu disse sim, filha, mas isso foi no passado — ele respondeu com uma voz calma, quase arrependida. — Aquele homem do passado não existe mais. Eu realmente acredito em você.
Sorri, sentindo um conforto inesperado com a presença dele, mas a inquietação por Diego ainda me corroía.
— Eu estou esperando o Diego, pai. Seria bom até para vocês se conhecerem finalmente.
— Você já falou para ele quem eu sou? — Pedro me questionou, arqueando uma sobrancelha.
Olhei para o meu pai e balancei a cabeça negativamente.
— Ainda não. Mas agora, iria aproveitar o momento pra falar hoje. Mas, ele ainda não apareceu.
— Entendi — ele murmurou. — Vocês estão bem?
— Não sei. — Confessei. Acho que sim.
Pedro resolveu caminhar um pouco pela livraria, folheando outros livros e me deixando à vontade para falar com as pessoas que chegavam. Eu, no entanto, não conseguia me concentrar. Entre uma pessoa e outra que cumprimentei, eu peguei o celular escondida. Liguei mais uma vez, e novamente a voz da operadora me informou que o aparelho estava desligado ou fora da área de cobertura.
O evento seguiu. Eu dei minha palestra, respondi perguntas e sorri para as fotos, mas por dentro eu estava desmoronando. O tempo passou, a livraria começou a esvaziar e o dia de lançamento chegou ao fim. Havia sido um sucesso, sim. Fui muito elogiada, a história, disseram, era bem profunda. Mas eu senti um vazio ali. Pela segunda vez em pouco tempo, Diego havia ignorado uma conquista minha.
Voltei para casa acompanhada pelo meu pai. O trajeto foi silencioso até pararmos em frente ao meu edifício. Antes de eu sair do carro, ele se voltou para mim e segurou minha mão.
— Estou orgulhoso de você, filha.
— Obrigada por ter vindo hoje, pai — respondi, tentando segurar as lágrimas. — Eu só não posso dizer o mesmo do meu marido.
Pedro suspirou, olhando para o para-brisa antes de voltar a me encarar.
— Eu não gosto de me meter na sua vida, mas se eu fosse você, filha, confrontaria ele assim que ele aparecer. Ele não pode fazer o que está fazendo com você. Não é justo.
Olhei para ele, sentindo uma pontada de ironia naquelas palavras.
— Eu sei disso, pai. Você fazia a mesma coisa com a mamãe — retruquei, sem conseguir evitar a comparação.
O semblante dele caiu por um instante, marcado pela dor das lembranças.
— Eu sei — ele admitiu, com a voz baixa. — Mas eu não consigo crer que ele consiga chegar no mesmo ponto que eu. E caso ele chegue, eu não vou deixar você desamparada, Marina. Nunca.
— Obrigado, pai, sei disso. Mas, não vai acontecer.
Nós nos despedimos com um abraço contido. Saí do carro e entrei no prédio, subindo até nosso apartamento, pensativa. Ao entrar no apartamento, a escuridão me recebeu. Diego não estava lá. Olhei de um lado ao outro, e tudo que vi foi nossos móveis no mesmo lugar. Fui até a cozinha, sentindo a garganta seca, e peguei uma garrafa de água. Foi nesse momento que meu celular vibrou em cima da mesa.
Meu coração saltou, esperando que fosse uma ligação, uma explicação, qualquer coisa. Mas era apenas uma mensagem de texto.
"Meu amor, irei precisar fazer uma viagem importante de negócios com Otávio. Volto em 3 dias, desculpa. Te amo."
Eu li a mensagem e senti apenas que nosso casamento estava tomando um rumo que eu não estava mais apta a controlar. O "Te amo" no final da mensagem, nunca me pareceu tão doloroso, e tão... Vazio. Eu não mandei nenhuma mensagem de volta. Não falei nada.
Diego voltaria pra casa em três dias. E o que aconteceria dali para frente, causaria uma tempestade ainda maior em nosso casamento.