Minha Esposa me traiu com um Refugiado - Parte 6

Um conto erótico de Thiago
Categoria: Heterossexual
Contém 643 palavras
Data: 04/05/2026 04:37:02

Capítulo 6: A Noite em Que O Espaço Acabou

A Kombi estava escura.

Só um filete de luz atravessava a cortina, fino o suficiente pra não iluminar — só pra desenhar.

Abel se deitou atrás dela.

De lado.

De costas pra mim.

Letícia ficou no canto, virada pro fundo da Kombi.

E depois de alguns segundos…

se encaixaram.

De conchinha.

Natural.

Rápido.

Como se aquilo já tivesse sido ensaiado antes.

Eu senti o corpo endurecer no banco da frente.

Mas não me mexi.

Respiração controlada.

Olhos fechados.

Fingindo dormir.

O colchão cedeu de leve.

Um ajuste.

Outro.

E então silêncio.

Mas não um silêncio vazio.

Um silêncio cheio.

Até que ela falou.

Baixo.

Quase encostando a voz nele.

— "Você não precisava ter vindo pra cá…"

— "Você que não quis que eu ficasse longe…"

Um pequeno riso dela.

Contido.

— "Você fala como se eu mandasse em você…"

— "Você manda mais do que imagina…"

Pausa.

— "Convencido…"

— "E você… perigosa."

O tom mudou.

Sutil.

Mas mudou.

Eu senti.

Mesmo sem ver.

O colchão se moveu de novo.

Dessa vez num ritmo estranho.

Contido.

E foi aí que eu abri os olhos.

Só um pouco.

O suficiente pra enxergar silhuetas.

Eles ainda estão na mesma posição.

Mas não estavam parados.

Abel de costas pra mim e ainda coberto com lençol, se mexia muito de lado em movimentos de vai e vem. A kombi balançava um pouco e eu ouvia sussurros e gemidos dela, baixinho mais eu ouvia.

E aquilo bastou.

Meu corpo reagiu.

Quis levantar.

Quis virar.

Quis interromper.

Mas antes que eu fizesse qualquer coisa…

Letícia se afastou rápido.

Se levantou.

Veio até mim.

— "Ei…"

A voz dela mudou na hora.

Doce.

Cuidadosa.

— "Você tá bem?"

Eu forcei o olhar pesado.

— "Tô… só… ruim ainda…"

Ela tocou meu ombro.

Devagar.

— "Dorme… vai passar."

Ficou ali o tempo certo.

Nem mais.

Nem menos.

Como se estivesse me medindo.

Depois voltou.

E foi nesse momento…

que eu vi.

Quando ela se inclinou pra subir na cama, a camisa caiu levemente com o movimento.

E mesmo naquela pouca luz…

deu pra perceber e ver.

Ela não estava mais como antes.

Ela estava sem calcinha.

Mas impossível de ignorar depois de visto.

Meu estômago virou de novo.

Mas eu não falei nada.

Ela se deitou.

Agora mais perto da beirada.

De frente pra mim.

E Abel atrás.

De novo.

Conchinha.

Só que agora…

mais próxima.

Mais encaixada.

Mais confortável.

A luz se apagou de vez.

E o escuro tomou tudo.

Eu fechei os olhos.

Mas não dormi.

O tempo passou lento.

Pesado.

Até que, sem perceber, abri os olhos outra vez.

E vi.

Fragmentos.

O lençol deslocado.

A perna dela levemente erguida, fora do lugar.

Uma sombra atrás.

Uma mão.

Parada por um segundo…

e depois segurando.

Firme.

Como se já soubesse exatamente onde ficar.

E então…

as vozes.

Mais baixas.

Mais tensas.

— "Geme baixo…"

— "Estou tentando..ai..gostoso…"

Respiração presa.

— "Você que… chegou mais perto…"

— "E você não… afastou…"

Um som abafado.

Um suspiro que ela tentou segurar.

— "Se ele acordar…"

— "Ele não vai…"

Pausa.

— "Você tem certeza demais…"

— "E você… já deixou acontecer…"

— "Não to aguentando.. vou gozar…"

— "Você… não comprou camisinha né?…"

— "Esqueci na ultima parada,,, vou gozar fora"

— "Não…humm…não… tira não… goza dentro mesmo...vai sujar o chão e Thiago vai perceber"

Silêncio.

Mas não vazio.

Nunca vazio.

E depois disso…

só o som da respiração dos dois.

Descompassada.

Baixa.

Contida.

Eu fechei os olhos com força.

Porque naquele momento…

eu entendi.

Não com provas.

Não com clareza.

Mas com algo pior.

Com a sensação.

E mesmo assim…

eu escolhi não levantar.

Não olhar de novo.

Não confrontar.

Porque ali, naquele banco apertado, com o gosto amargo ainda na boca…

eu tomei uma decisão silenciosa:

se eu fingisse bem o suficiente…

se eu não confirmasse…

se eu não quebrasse aquilo…

talvez…

eu não perdesse ela.

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