A Vingança do Nerd - Capítulo 4 — Dependência

Um conto erótico de HDNA
Categoria: Gay
Contém 6155 palavras
Data: 30/05/2026 17:58:58

A semana passou de um jeito estranho—um silêncio denso e carregado que pairou sobre a casa como uma névoa espessa. Não era apenas a ausência de provocações ou empurrões; era a presença de algo novo, algo que ocupava o espaço entre nós três com um peso quase físico. O ar nos corredores da faculdade parecia diferente quando eu passava—mais leve, como se eu finalmente pudesse respirar sem contrair os músculos do estômago. E o motivo estava sempre a alguns passos de distância: Gabriel e Guilherme, que agora navegavam pelo mundo com uma cautela desconhecida, seus corpos antes expansivos agora contidos, suas vozes antes estridentes agora baixas.

As pessoas notaram. Como não notariam? Eles eram como dois astros que repentinamente diminuíram seu brilho, e o eclipse chamou atenção. No laboratório, enquanto organizávamos amostras de biologia, Vinícius se aproximou, seu rosto uma máscara de curiosidade mal disfarçada.

— Cara… o que diabos aconteceu? — sussurrou, seus olhos piscando rapidamente na direção dos gêmeos, que estavam do outro lado da sala, perto das pias. — Os gêmeos… tá tudo estranho. O Gabriel parece que fica te olhando antes de fazer qualquer coisa, tipo um cachorro procurando aprovação. E o Guilherme… — ele deu de ombros, incrédulo. — Parece que quer te matar o tempo inteiro, mas nunca faz nada. Fica só encarando com aquele ódio morno.

Mantive meu rosto uma página em branco, mas por dentro, um calor perverso se espalhou.

— É? — respondi, neutro. — Acho que finalmente cresceram.

Vinícius balançou a cabeça, não totalmente convencido, mas se afastou. Meus olhos, no entanto, permaneceram fixos nos dois. Vinícius estava certo. Gabriel, enquanto enxaguava um béquer, lançou um olhar rápido e furtivo sobre o ombro—buscando-me. Verificando minha localização, meu humor. E Guilherme, ao seu lado, secava as mãos com agressividade, seus ombros tão tensos que pareciam de pedra. O ódio nele não diminuíra; apenas se internalizara, fermentando em algo mais perigoso e silencioso.

Mais tarde, na academia da casa, o ar estava carregado de uma energia diferente. O cheiro do suor era mais acre, misturado ao aroma metálico do ferro e à borracha aquecida dos equipamentos. Guilherme atacava o saco de pancadas com uma fúria que ia além do treino; cada soco era um golpe contra a nova realidade, um esforço para esmagar a humilhação que o consumia por dentro. O thud-thud-thud ecoava pelas paredes, um batimento cardíaco de raiva.

Gabriel, por outro lado, fazia levantamentos terra com um ritmo mecânico, distante. Seus olhos estavam vidrados, fixos em um ponto na parede à frente, mas sua mente claramente em outro lugar. A cada repetição, um suor frio escorria por suas têmporas, não do esforço, mas da tensão constante. Ele estava exausto. Exausto de lutar, exausto de pensar, exausto de sentir.

Sentado no banco de supino, fingindo mexer no celular, eu observava. A dança deles era hipnótica. A fúria cega de Guilherme, a resignação cansada de Gabriel. Decidi cortar o silêncio com uma faca.

— Gabriel.

O efeito foi instantâneo. Seus músculos travaram no meio de um movimento, o peso pairando perigosamente. Ele virou a cabeça para mim, seus olhos castanhos encontrando os meus antes que seu cérebro pudesse processar.

— Sim, mestre?

A palavra saiu limpa, clara, e ecoou na sala abafada como um tiro.

O pior não foi ouvir aquilo.

Foi perceber que parte de mim esperava ouvir.

O próprio ar pareceu ser sugado para fora do ambiente. O som do saco de pancadas parou abruptamente. Guilherme congelou, seu punho ainda erguido no ar, e virou-se lentamente. Não com raiva explosiva, mas com uma expressão de choque profundo, quase de luto. Ele estava vendo o irmão não apenas se render, mas adotar a linguagem da submissão de forma natural, orgânica.

A cor inundou o rosto de Gabriel, um rubor escarlate que subiu do pescoço até a raiz do cabelo. Seus lábios se separaram, mas nenhum som saiu. Ele havia escorregado. E o pior: havia escorregado sem pensar. A palavra tinha brotado de um lugar abaixo da consciência, um reflexo condicionado.

— Foi… foi sem querer — ele gaguejou, seus olhos saltando entre mim e Guilherme, implorando, desesperado.

Eu quase permiti que um sorriso triunfante surgisse em meus lábios. Mas me contive. Aquele momento não era para comemoração ostensiva. Era para observação silenciosa. Porque ele estava certo. Não tinha sido intencional. Tinha sido automático. Seu subconsciente agora me reconhecia como autoridade. A obediência estava se tornando um hábito.

Antes que eu pudesse capitalizar o momento, Guilherme agiu. Com um rosnado abafado, ele girou e desferiu um soco final, devastador, no saco de pancadas. O estalo foi alto e seco, seguido pelo rangido da corrente que o prendia ao teto. Ele não olhou para o irmão. Não proferiu um insulto. Apenas respirou fundo, ofegante, o suor escorrendo por seu rosto como lágrimas de raiva.

Foi Gabriel quem quebrou o silêncio tenso, sua voz um fio de som abafado.

— Cala a boca hoje, Gui… por favor.

Aquilo me fez pausar. Não era o tom de medo que eu esperava. Era cansado. Resignado. Era o tom de alguém tentando apaziguar uma situação, tentando manter a frágil paz que agora existia. Ele não estava apenas com medo de mim. Estava com medo de perturbar a dinâmica. Estava protegendo o novo status quo. A percepção foi como um choque elétrico percorrendo minha espinha. Gabriel não estava apenas obedecendo por coerção. Ele estava, em algum nível profundo e perturbador, investido na manutenção dessa nova ordem. Ele encontrava segurança na obediência. E parte dele, a parte mais assustadora, estava aliviada por finalmente ter uma regra clara, um mestre a seguir.

Naquela noite, quando os chamei para meu quarto, a atmosfera tinha mudado novamente. O espaço não era mais apenas um local de confronto; tinha se tornado um teatro íntimo onde nossas dinâmicas se desdobravam. Gabriel entrou primeiro, e o gesto foi pequeno, mas significativo: ele tirou os tênis e os alinhou cuidadosamente ao lado da porta, como fazia um convidado educado, não um prisioneiro. Guilherme entrou atrás dele, seu corpo uma linha rígida de tensão, mas ele entrou. Ele cruzou o limiar voluntariamente.

Fechei a porta. O clique da fechadura soou como um ponto final.

— Sentem.

Gabriel afundou no chão ao lado da cama, suas costas contra o colchão, numa pose que já começava a parecer familiar, quase confortável. Guilherme hesitou, seus olhos faiscando ao redor do quarto como os de um animal acuado, antes de finalmente se abaixar, sentando-se com as pernas cruzadas, mantendo uma distância física de seu irmão que era também emocional.

Sentei na cadeira da escrivaninha, o trono de onde observava meus subjugados.

— Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? — Comecei, minha voz um fio suave de seda no quarto quieto. — Vocês passaram anos tentando me apagar. Me fazer sentir pequeno, invisível, como um erro de cálculo no universo perfeito de vocês. — Meus olhos pousaram em Guilherme, que olhava fixamente para o carpete. — E agora… olhem onde estamos. Vocês no chão. Eu aqui. E a única pessoa que parece ainda estar lutando… é você, Gui. O Gabriel já entendeu.

Gabriel baixou a cabeça, mas não em vergonha. Era quase… em reconhecimento.

— Você nunca vai cansar dessa palhaçada? — Rosnou Guilherme, mas faltava força em suas palavras. Soavam quase como um ritual, algo que ele sentia que devia dizer, não algo que realmente acreditava.

Inclinei-me para a frente, meus cotovelos apoiados nos joelhos.

— Cansar? — Repeti, suavemente. — Talvez um dia. Mas não hoje. Porque hoje… — Meus olhos se voltaram para Gabriel, que levantou o rosto ao sentir o peso do meu olhar. — …hoje eu vejo os frutos do meu trabalho. E você, Gabriel? Tá pensando demais. A mente tá barulhenta?

Ele engoliu seco, sua maçã do rosto subindo e descendo.

— Só… só tô cansado.

Sorri, um sorriso lento e íntimo.

— Mentira. — A palavra pairou no ar. — Você não tá cansado do corpo. Tá cansado da guerra dentro da sua cabeça. Tá cansado de tentar odiar algo que seu corpo já aceitou.

Ele não respondeu. Apenas desviou os olhos, o que era resposta suficiente. A confissão estava escrita em cada linha de seu rosto: a luta estava se esvaindo, e com ela, a resistência.

Levantei-me da cadeira, o rangido das pernas de madeira no piso ecoando no silêncio. Dois pares de olhos me seguiram, um par resignado, outro ainda em chamas. Caminhei até o guarda-roupa, sentindo o peso de seus olhares nas minhas costas. A expectativa no ar era tão espessa que dava para cortar. Medo, sim, mas também… uma curiosidade macabra. Uma antecipação.

Abri a porta do guarda-roupa. A luz fraca do quarto iluminou o interior, revelando o rolo de corda que havia comprado. Era de uma cor vermelho vivo e parecia inocente ali enrolada. Quando a peguei, senti o material áspero e firme sob meus dedos. O silêncio atrás de mim mudou novamente, a respiração de Gabriel ficou um pouco mais ofegante, o corpo de Guilherme ficou ainda mais rígido, se isso fosse possível.

Passei os últimos dias pesquisando compulsivamente coisas que nunca imaginei procurar.

Fóruns.

Vídeos.

Tutoriais.

Qualquer coisa que me ajudasse a entender por que aquilo me deixava tão… elétrico. Tão excitado.

No começo achei que era só sobre vingança.

Humilhação.

Controle.

Mas quanto mais eu pesquisava, mais percebia que existia algo muito maior por trás daquilo. Poder psicológico. Condicionamento. Submissão.

E a parte mais assustadora?

Eu estava gostando de aprender.

Muito.

Meus olhos voltaram para os dois diante de mim.

Gabriel parecia nervoso.

Guilherme parecia furioso.

E os dois continuavam ali mesmo assim.

— Relaxem — Murmurei, voltando-me para eles, o rolo de corda pendurado casualmente em minha mão. — Quanto mais vocês param de lutar… mais fácil tudo fica. A resistência só dói. Vocês complicam tudo quando tentam lutar.

Coloquei a corda na cama e me virei para encará-los.

— Tirem a camisa.

Gabriel reagiu como se um interruptor tivesse sido acionado. Suas mãos levantaram a barra da camiseta preta e a puxaram sobre a cabeça num movimento fluido. Seu torso foi revelado — suado, musculoso, a pele bronzeada brilhando sob a luz fraca. Ele deixou a camisa cair no chão e colocou as mãos sobre os joelhos, esperando.

Guilherme ficou imóvel por três segundos longos. Seus olhos azuis faiscaram, travados nos meus. A batalha interna era um espetáculo visível em seus músculos faciais tensos. Então, com um movimento brusco que era mais uma rendição violenta do que uma obediência, ele agarrou a gola da sua camiseta cinza e a arrancou sobre a cabeça. Jogou-a no chão com desdém, seu peito largo subindo e descendo rapidamente.

O contraste era hipnótico. Gabriel, sentado em quieta submissão, seus ombros levemente curvados para a frente. Guilherme, uma estátua de raiva petrificada, cada músculo tensionado contra a própria rendição.

— Venham aqui — Ordenei, pegando a corda. — Na cama. De costas.

Gabriel se moveu primeiro, levantando-se e sentando-se na borda do colchão. Ele se deitou, suas costas largas encontrando os lençóis escuros. Seus olhos se fixaram no teto, sua respiração já mais controlada. Guilherme aproximou-se como um condenado, deitando-se ao lado do irmão, mantendo alguns centímetros de distância, como se o toque pudesse contaminá-lo ainda mais.

Sentei-me entre as pernas de Gabriel, o rolo de corda ao meu lado. Sua pele estava quente sob meus dedos quando comecei a trabalhar. Peguei seu pulso direito primeiro. A pele ali era mais macia, a pulsação era forte e rápida sob a pele.

— Levanta os braços — Instruí suavemente. Ele obedeceu, levantando os braços para que seus pulsos ficassem próximos aos pilares da cabeceira de metal.

Enrolei a corda com movimentos lentos e deliberados, criando uma série de nós firmes, mas não apertados o suficiente para cortar a circulação. Era uma amarração simples, mas eficaz.

Seus pulsos ficaram presos aos trilhos verticais, seus braços levemente abertos, seu peito exposto e vulnerável. Durante todo o processo, ele não resistiu. Seu corpo estava macio, cooperativo. Suas respirações eram profundas e regulares.

— Tá vendo? — murmurei perto do ouvido dele. — Eu nem precisei mandar duas vezes.

Ele não respondeu, apenas fechou os olhos, suas pálpebras tremendo levemente.

Virei-me para Guilherme. Seus olhos estavam abertos, fixos em mim com um ódio intenso e não diluído.

— Sua vez — disse simplesmente.

Ele não disse uma palavra. Quando peguei seu pulso esquerdo, seu corpo inteiro estremeceu, um calafrio percorrendo seu braço. Era uma reação involuntária, visceral. Mas ele não puxou o braço para trás. Sua resistência era toda psicológica agora; fisicamente, ele já havia cedido. Amarrei seus pulsos com a mesma meticulosidade, prendendo-os aos trilhos do outro lado da cabeceira. Agora os dois estavam deitados lado a lado, seus corpos poderosos esticados e amarrados, peitos arqueados, completamente expostos. A imagem era de uma vulnerabilidade brutal.

Por um segundo, alguma coisa estranha apertou meu peito.

Aquilo tinha ido longe demais.

Muito longe.

Os dois estavam realmente amarrados na minha cama.

Gabriel evitava me encarar.

Guilherme tremia de raiva.

E mesmo assim… eu não conseguia parar.

A respiração de Guilherme era mais ofegante, mais rápida que a do irmão. O ódio ainda queimava nele, mas agora era misturado com algo mais — vergonha de sua própria passividade.

Levantei-me da cama e fui até a gaveta da escrivaninha. O som da gaveta abrindo pareceu alto no silêncio do quarto. Quando me virei, segurando os dois vibradores de silicone preto e os controles remotos, vi os olhos de ambos se arregalarem. Eram pequenos, discretos, mas a intenção por trás deles era clara.

Os olhos de Gabriel desceram primeiro.

Depois os de Guilherme.

Para os pequenos prendedores metálicos presos entre meus dedos.

O silêncio no quarto mudou instantaneamente.

Gabriel prendeu a respiração.

Guilherme franziu o cenho, confuso por um segundo—até entender exatamente o que eram.

— Não. — A palavra saiu automática da boca dele.

Ignorei.

Aproximei-me primeiro de Gabriel que ficou tenso com a visão dos itens que eu carregava.

— Relaxa.

Minha voz saiu baixa, quase calma demais.

Deixei o prendedor ao lado do corpo de Gabriel, queria preparar o terreno antes de encaixar o instrumento. Segurei seus mamilos entre os dedos, sentindo o arrepio imediato percorrer o corpo dele. O simples toque já fez seu abdômen contrair.

Primeiro acariciei ambos os mamilos, puxando levemente e dando apertos quase como beliscões que arrancavam suspiros de seus lábios. Em certo momento molhei meus dedos e repeti o processo.

Então encaixei o prendedor.

Gabriel arfou.

O som escapou involuntário, sufocado contra os próprios dentes.

Seu corpo inteiro tensionou por um instante antes de ceder lentamente contra o colchão.

— Sensível… — murmurei, observando a reação dele com atenção clínica.

Guilherme virou o rosto.

Como se não suportasse assistir.

Aquilo só me fez sorrir.

— Sua vez.

— Vai se foder. — Ele rosnou imediatamente.

Mas não tentou fugir quando me aproximei.

Não tentou impedir.

E isso dizia mais do que qualquer palavra.

Segurei o mamilo dele com firmeza, sem a delicadeza que usei para prender os mamilos de Gabriel.

O corpo de Guilherme estremeceu violentamente antes mesmo do metal fechar.

Quando o prendedor encaixou, ele soltou um som rouco, sufocado, misto de dor e humilhação.

— Filho da puta… — Sibilou entre os dentes.

Inclinei-me lentamente até ficar perto do ouvido dele.

— Engraçado. — Murmurei. — Seu corpo reage igualzinho ao do seu irmão.

Eu ainda não sabia exatamente o que estava fazendo.

Só sabia que queria ver até onde eles iam aguentar.

E, talvez pior: queria descobrir até onde eu mesmo conseguiria ir.

— Hoje — Falei, voltando para a beira da cama e posicionando-me entre as pernas abertas deles — eu quero observar. Quero ver até onde vai essa obediência quando não há mais luta física. Quero ver o que acontece quando o único inimigo de vocês… é o próprio prazer.

Peguei o primeiro vibrador. A ponta era arredondada, gelada ao toque. Gabriel prendeu a respiração quando me inclinei sobre ele. Seus olhos estavam abertos agora, vidrados em mim, cheios de uma expectativa temerosa.

— Vocês ainda tentam bancar os durões. — Murmurei, enquanto aplicava uma generosa quantidade de lubrificante gelado na ponta dos meus dedos e no anus dele. Gabriel estremeceu violentamente ao contato. — Vocês ainda tentam resistir com a cabeça… mas o corpo já obedece.

Comecei a preparar o cuzinho de Gabriel com meus dedos. Preparei Gabriel lentamente, acostumando seu corpo ao toque até sentir a tensão diminuir sob meus dedos. Quando encontrei o ponto sensível dentro dele, seu corpo arqueou involuntariamente contra o colchão.

- Hmmm....

Gabriel soltou um gemido a medida que eu massageava aquele local tão sensível dentro dele.

O quarto era preenchido por sons molhados devido a movimentação de meus dedos dentro de Gabriel. A movimentação era ritmada, nem muito rápido nem muito lento, o ritmo ideal para arrancar suspiros dele.

- Que cachorrinho bom... – Eu disse bem próximo ao seu ouvido, para que só ele escutasse, deixando nossos rostos praticamente colados um com o outro. Ele imediatamente ficou vermelho e fechou os olhos. – Se você relaxar não vai ser tão ruim.

Posicionei a ponta do vibrador lubrificada contra seu cu. Ele estava contraído, tenso. Com uma mão firme em seu quadril, empurrei. A resistência inicial cedeu com um pequeno som úmido, e o vibrador desapareceu dentro dele, apenas a base preta permanecendo visível. Um gemido abafado escapou de seus lábios — parte choque, parte algo muito diferente.

— Isso — Sussurrei, passando a mão por seu abdômen suado. Puxei a correntinha que ligava um prendedor no outro arrancando um gemido de sofrimento de seus lábios. — Só entrega.

Virei-me para Guilherme. Seus olhos estavam fechados com força, suas mãos amarradas formando punhos.

— Abre os olhos — Ordenei. — Quero que você veja.

Ele abriu os olhos, e o ódio neles era tão puro que quase parecia um tipo de paixão. Lubrifiquei o segundo vibrador e, sem cerimônia, pressionei contra seu anel. Ele estava ainda mais tenso que o irmão, seu corpo todo uma corda esticada.

Apesar da insegurança que senti por não prepará-lo da mesma forma que Gabriel, eu de certa forma senti que deveria demonstrar a diferença entre uma putinha obediente e uma que não obedecia.

Guilherme respirava rápido demais.

O peito subindo. Descendo.

Os olhos evitando os meus por um segundo inteiro.

— Relaxa, Gui — disse, minha voz isenta de emoção. — Quanto mais tu luta, mais demora.

Com um movimento firme e implacável, empurrei. Ele gritou — um som curto e rouco de dor e surpresa — e o vibrador penetrou, alojando-se dentro dele. Suas pernas se contorceram, as cordas cutucando sua pele.

Guilherme respirava como se tivesse corrido quilômetros.

Os olhos vidrados.

O peito subindo e descendo rápido demais.

— Eu não sou viado… — ele cuspiu, a voz falhando no meio da frase. — Isso não significa porra nenhuma.

Observei-o por alguns segundos.

Calmo.

Quase curioso.

Então segurei seu maxilar com firmeza, obrigando-o a olhar para mim.

— Guilherme… — Falei baixo. — Você pode ser o que quiser.

Passei o polegar lentamente pelo rosto dele. Em sua bochecha quase como um carinho, em seus lábios levemente maltratados pelas vezes que ele os mordia.

— Hétero.

— Bi.

— Gay.

— Dominado.

— Submisso.

— Confuso.

— Desesperado.

Inclinei-me um pouco mais.

— Nada disso muda o fato de que seu corpo tá tremendo pra mim agora.

O olhar dele vacilou.

Só por um segundo.

Mas vacilou.

E eu percebi.

Aquilo atingiu mais fundo que qualquer humilhação física.

Agora, os dois estavam preenchidos, expostos, completamente à minha mercê. Peguei os dois controles remotos.

— O pior para vocês não é sentir prazer — Filosofei, me sentando na cadeira novamente, de frente para a cama, como um diretor diante de seu palco. — É perceber que tão esperando minha aprovação enquanto sentem. Que tão ansiosos pelo meu comando, mesmo que o comando seja a própria humilhação.

Apertei o botão nos dois controles ao mesmo tempo, começando na vibração mais baixa.

Um zumbido suave preencheu o quarto.

Gabriel soltou um suspiro trêmulo, seus olhos se fechando novamente. Seu peito subiu e desceu mais rapidamente.

Guilherme prendeu a respiração, tentando se contrair contra a sensação invasora. Mas seu corpo traiu-o. Um leve tremor percorreu suas coxas.

— Olha só — Murmurei, aumentando a intensidade para o nível médio. — Eu nem preciso tocar… e vocês continuam reagindo.

Levantei-me devagar da cadeira.

Sem pressa.

Deixando os controles nas mãos como se fossem extensões do meu próprio corpo.

Parei ao lado da cama primeiro observando Gabriel.

Depois Guilherme.

— Tá entendendo o que tá acontecendo aqui? — Perguntei suavemente.

Nenhum dos dois respondeu.

Aumentei a vibração mais um nível.

Gabriel gemeu baixo imediatamente.

Guilherme cerrou os dentes.

— Isso. — Murmurei. — O corpo de vocês já começou a associar prazer com obediência.

Passei os dedos lentamente pelo peito de Gabriel.

Depois pelo abdômen rígido de Guilherme.

— Toda vez que vocês obedecem… eu alivio.

— Toda vez que resistem… eu pioro.

Meus olhos encontraram os de Guilherme.

— E o mais assustador?

Inclinei-me até ficar perto dele.

— Vocês já tão aprendendo a querer agradar.

O silêncio que veio depois foi devastador.

Porque ninguém conseguiu negar.

O zumbido ficou mais alto, mais profundo. Gabriel arqueou as costas levemente, um gemido longo e baixo escapando de seus lábios entreabertos. Seu pau, mesmo contido pela gaiola rosa, estava visivelmente inchado, pressionando contra o plástico.

Guilherme lutou mais. Seus músculos abdominais se contraíram, suas mãos amarradas puxaram as cordas. Mas um pequeno tremor, involuntário, percorria seu corpo a cada pulsação do vibrador.

— Agora — Disse, minha voz dominando o zumbido — quero ouvir. Quero ouvir desculpas. Desculpas de verdade. — Aumentei a vibração mais um nível. Os dois corpos na cama estremeceram em uníssono. — Gabriel. Começa.

Ele engoliu, lutando para formar palavras através da sensação que claramente o estava invadindo.

— Eu… eu sinto muito… — A voz saiu rouca, quebrada. — Pelas vezes… hnng… que a gente escondeu seus trabalhos… antes das entregas…

— Mais alto — Ordenei, suave.

— PELAS VEZES QUE A GENTE FEZ VOCÊ PASSAR VERGONHA NA FRENTE DOS OUTROS! — Ele gritou, o gemido se transformando em uma confissão arrancada pelo prazer forçado. Seu corpo se contorcia agora, não mais em resistência, mas em rendição à corrente elétrica que percorria seu interior.

Voltei-me para Guilherme. Seus olhos estavam vidrados no teto, seus dentes cerrados.

— Sua vez, Gui. — Apertei o botão dele, aumentando a vibração para o máximo ao mesmo tempo que puxei a corrente dos prendedores de uma vez fazendo ela puxar seus mamilos de uma vez antes de soltar-se do seu peito.

O corpo de Guilherme se arqueou como se tivesse levado um choque. Um grito abafado saiu de sua garganta.

— NÃO! — ele gritou, mas era um grito sem convicção.

— Desculpa por quê, Guilherme? — perguntei, mantendo a vibração máxima e já encaixando novamente o prendedor em seu peitoral definido. — Desculpa por achar que podia fazer qualquer coisa comigo? Por me tratar como lixo? Por achar que era melhor que eu?

A luta dentro dele era visível, agonizante. Seu rosto se contorcia, seus quadris se agitavam involuntariamente contra o colchão.

Guilherme tentou segurar.

Tentou continuar calado.

Mas o próprio corpo começou a traí-lo.

As pernas tremiam.

A respiração saía desregulada.

E o pior de tudo: eu percebi o momento exato em que o orgulho começou a rachar.

Então, como se algo tivesse se rompido dentro dele, as palavras saíram em um jato:

— DESCULPA! DESCULPA POR TUDO, PORRA! POR TE CHAMAR DE NERDÃO, DE VIADINHO, POR TE EMPURRAR, POR TE FAZER SE SENTIR PEQUENO! AAH, CARALHO!

O último grito foi de pura frustração física, seu corpo sacudindo contra as amarras enquanto o vibrador fazia seu trabalho implacável dentro dele. Sua ejaculação foi repentina, violenta — um jato branco e espesso que manchou seu próprio abdômen e a gaiola rosa, mesmo sem qualquer toque direto. Ele gemeu, um som longo e quebrado, enquanto seu corpo caía de volta no colchão, exausto.

Gabriel, testemunhando a queda do irmão, já estava à beira do limite. Seus gemidos eram contínuos agora, chorosos.

— Por favor… por favor… — ele suplicava, não sabendo mais pelo quê.

— Goza — ordenei, simplesmente.

E ele obedeceu. Seu orgasmo foi mais silencioso, mas não menos intenso — um tremor longo que percorreu todo o seu corpo, seguido por jatos de sêmen que jorraram contra a própria barriga através da gaiola de castidade. Seus olhos rolaram para trás, e ele ficou imóvel, ofegante, as amarras segurando seus braços frouxos.

— Ótimo — Sussurrei, me aproximando e passando uma mão pelos cabelos molhados de Gabriel, depois pelos de Guilherme, em um gesto paradoxalmente carinhoso. — Fico feliz em sabe que vocês sentem muito mesmo. Ah, já ia esquecendo… que tal registrarmos esse momento lindo? Para que nunca esqueçam da noite em que se tornaram minhas coisas.

Peguei meu celular do criado-mudo. A luz do flash iluminou o cenário de forma crua e reveladora. Clique. A foto capturou Gabriel com a cabeça jogada para trás, boca aberta em um êxtase agonizante, o dildo rosa visível entre suas pernas abertas. Clique. Guilherme, com os olhos fechados com força, lágrimas presas nos cílios, seu corpo poderoso tensionado contra as cordas. Comecei a gravar vídeos. Percorri a lente por seus corpos suados que brilhavam sob a luz fraca do abajur. Foquei nas “rolinhas”, como eu as chamava com desdém: seus pênis eretos e presos, vermelhos e gotejantes, impotentes. Foquei nos “cuzinhos”, onde as bases rosas dos vibradores surgiam, lembretes obscenos de sua penetração. Foquei nos rostos transformados pelo prazer forçado.

Os corpos deles tremiam involuntariamente contra os lençóis negros, uma dança espasmódica e bela comandada pela tecnologia e pela minha vontade. Cada vibração mais forte arrancava deles reações primitivas — gemidos que não podiam mais ser contidos, sacudidas que não podiam mais ser disfarçadas.

Era impagável.

Quando me satisfiz com o arquivo digital de sua humilhação, decidi que era hora do contato real. Com movimentos deliberados e lentos, para aumentar a antecipação (e o terror), me aproximei da cama e, um por um, desliguei os vibradores. O silêncio repentino foi quase mais perturbador que o zumbido. Então, agarrando as bases úmidas e escorregadias, puxei os dildos para fora.

Ploc. Ploc.

Dois sons úmidos e obscenos ecoaram. Ambos os corpos estremeceram violentamente, vazios repentinamente. Gabriel soltou um suspiro profundo de alívio misturado com perda. Guilherme apenas ofegou.

Peguei o lubrificante novamente. Dessa vez, não para os brinquedos.

— Agora — anunciou minha voz, grave e cheia de posse enquanto cobria meu próprio membro, já latejante e impaciente, com uma generosa quantidade do gel frio — é hora de marcar minha propriedade de verdade. De por dentro.

Escolhi Guilherme primeiro. A raiva dele precisava ser quebrada de vez. Posicionei-me entre suas pernas ainda abertas pela amarração. A ponta do meu pau encontrou o orifício relaxado pela penetração anterior, mas ainda apertado. Ele começou a se debater imediatamente, um último surto de revolta.

— Não… não faz isso, caralho… me solta!

A punição foi rápida e eficaz. Minha mão fechou em um punho e acertou o lado de sua coxa, num ponto nervoso. Um grito de dor aguda substituiu os protestos. Dei alguns tapas fortes nas suas nádegas, que ficaram marcadas com a impressão vermelha de minha mão. Para lembrá-lo de que sua resistência tinha consequências para ambos, estiquei o braço e dei um tapa seco e preciso nas bolas tensas de Gabriel.

— Aaai! — Gabriel gritou, se contorcendo.

— O castigo de um — sussurrei, cravando meus olhos nos de Guilherme, agora arregalados de choque e dor — é o castigo do outro. Entendeu? Pare de lutar, ou seu irmão sofre mais.

A mensagem entrou. O corpo de Guilherme perdeu parte da tensão, não por submissão, mas por puro cálculo protetor. Aproveitei. Com uma empurrada firme e decisiva, penetrei-o.

Ele gritou novamente, mas era um som rouco, abafado. Seu interior era incrivelmente quente e apertado, mesmo após o dildo. Comecei a me mover.

Plaf. Plaf. Plaf.

O som das nossas carnes se encontrando encheu o quarto, um ritmo primitivo e dominador. Minhas mãos agarravam seus quadris, prendendo-o no lugar enquanto eu o fodia com estocadas profundas e controladas. Ele gemia a cada impacto, sons guturais que não conseguia mais conter. Sua resistência física se transformara em algo mais passivo: ele aguentava.

Mas eu não queria apenas que ele aguentasse. Queria que ele sentisse. Ajustei o ângulo e encontrei o ponto que procurava — a próstata, já sensível e inflamada pelo vibrador. Quando a atinji com a cabeça do meu pau, seu corpo inteiro se arqueou e um gemido prolongado, quase um uivo, saiu dele.

— Aí… caralho… para… — ele suplicou, mas suas palavras não tinham mais convicção.

Não parei. Acelerei.

Ploc ploc ploc ploc.

O ritmo acelerou, mas meu corpo já começava a cobrar o preço. O suor escorria pelas minhas costas, meus braços queimavam pelo esforço constante de manter controle sobre os dois ao mesmo tempo. Minha respiração saiu mais pesada, mais irregular, mas aquilo só tornava tudo mais visceral.

Porque mesmo cansado, eu não conseguia parar.

Os sons úmidos de penetração se misturavam aos nossos grunhidos e gemidos. Enquanto metia em Guilherme com força, mantive contato com Gabriel. Estiquei o braço e, com dois dedos ainda melados de lubrificante, enfiei-os no irmão dele, que estava me observando com uma mistura de medo e fascínio.

— Nnhg! Mestre! — Gabriel gemeu, seu corpo se contorcendo novamente sob o duplo estímulo de ver o irmão sendo possuído e ser penetrado pelos meus dedos.

A cada vez que eu mudava o foco de um para o outro, o quarto parecia mudar junto. Guilherme precisava de alguns segundos para recuperar o ar antes que eu voltasse minha atenção para Gabriel. Gabriel, por sua vez, observava tudo com os olhos vidrados, como se tentasse entender em que momento tinham perdido completamente o controle da situação.

Nenhum dos dois falava mais.

Só respiravam.

Só reagiam.

Primeiro inseria meu pau em Guilherme, meus dedos em Gabriel. Depois, invertia. Eu os conduzia alternadamente, mantendo os dois presos ao mesmo ritmo sufocante, como se respondessem ao mesmo comando invisível.

— Haa… haa… não vai… não vai aguentar… — Gabriel gemia, seus olhos revirando.

— Vai sim — grunhi, dando uma estocada particularmente profunda em Guilherme. — Seu corpo já é meu. Ele obedece.

E então, aconteceu. Sem que nenhuma mão tocasse seu membro, apenas com a estimulação violenta em sua próstata causada pela minha penetração e o estado de extrema excitação e submissão, o corpo de Gabriel entrou em convulsão. Seus músculos abdominais se contraíram como um punho.

— AAAAH! MEU DEUS! — Seu grito foi de puro êxtase forçado. O corpo de Gabriel entrou em colapso antes mesmo que ele entendesse o que estava acontecendo. Seus músculos se contraíram violentamente, o abdômen endurecendo enquanto um gemido quebrado escapava de sua garganta.

A gaiola limitava quase tudo, mas não impedia as contrações involuntárias nem o tremor que tomou conta dele inteiro.

Ele gozou em pequenos espasmos descontrolados, completamente derrotado pela própria reação do corpo.

Ver isso foi o gatilho final para Guilherme. O orgulho dele rachou junto com seu controle. Seus músculos se apertaram em volta do meu pau como uma luva de veludo.

— Porra… PORRA! — ele rugiu, e seu próprio orgasmo o atingiu. Seu sêmen jorrou, menos abundante que o do irmão, mas não menos intenso, manchando seu torso suado e a gaiola em seu pau.

Eu continuei movendo-me dentro dele por mais alguns segundos, sentindo suas contrações internas enquanto ele gozava. Então, lentamente, me retirei.

O quarto ficou em silêncio, só com o som da respiração ofegante dos três. O cheiro de sexo, suor e submissão era opressivo e doce.

Desamarrei-os com movimentos precisos. Eles mal conseguiam se mover, seus membros fracos e trêmulos. Ordenei, com um tom que não admitia questionamentos:

— Fiquem lado a lado. De costas.

Eles obedeceram, arrastando-se com dificuldade até ficarem paralelos no centro da cama larga, seus corpos cobertos de suor, sêmen próprio e marcas vermelhas. Estavam lindos em sua devastação.

Fiquei de pé na beirada da cama, observando-os por um momento. Meu pau ainda estava duro e latejante, coberto dos fluidos deles e meus. Peguei-o na mão e comecei a bater uma punheta lenta e deliberada, meus olhos percorrendo cada centímetro dos corpos que agora me pertenciam oficialmente.

— Olhem para mim — ordenei.

Gabriel virou a cabeça imediatamente, seus olhos marejados ainda vidrados. Guilherme hesitou por um segundo, mas um olhar meu foi suficiente. Ele também virou.

O olhar de Guilherme ainda queimava de conflito. A raiva não tinha desaparecido — estava enterrada sob exaustão, vergonha e alguma coisa muito pior que ele ainda não conseguia nomear.

Mas pela primeira vez, ele não tentou desafiar a ordem.

Minha mão acelerou. O som da pele se esfregando preencheu o silêncio.

— Vocês são meus — declarei, minha voz rouca da tensão e do prazer. — Meus bons garotos. E garotos bons ganham sua recompensa.

Não demorei muito. A visão deles assim, completamente quebrados e obedientes, foi o estímulo final. Com um grunhido baixo, meu orgasmo chegou. Jorrei sobre eles com força, pintando seus peitos definidos com faixas grossas e quentes de meu sêmen. Jatei sobre seus abdomens, sobre os resquícios de suas próprias ejaculações. A última gota caiu no queixo de Gabriel.

Ofegante, caminhei até a cabeceira da cama. Com a mão ainda suja, passei os dedos levemente pelos rostos deles, manchando suas bochechas com uma marca final.

— Bons garotos — repeti, minha voz agora mais suave, mas ainda carregada de posse.

Dei um leve tapinha em cada rosto — não um tapa de dor, mas um selo de propriedade — e baguncei seus cabelos suados.

O cheiro de sexo e suor enchia o quarto, pesado e doce.

Fiquei sentado na cadeira, observando-os. Dois corpos poderosos, agora completamente derrotados, cobertos pelo próprio prazer forçado. A humilhação final não era a amarração, nem a penetração. Era isso: a entrega absoluta, o orgasmo involuntário, a confissão arrancada pelo corpo.

Levantei-me e, com movimentos lentos, desamarrei primeiro Guilherme, depois Gabriel, ao mesmo tempo retirando os vibradores e os prendedores de seus peitos. Eles não se moveram. Apenas ficaram deitados ali, seus membros soltos, seus espíritos quebrados.

— O mais assustador — Disse, minha voz quase um sussurro no quarto quieto — é que parte de vocês já quer isso. Parte de vocês já aceitou. Eu não precisei quebrar vocês à força no final. Vocês vieram até mim sozinhos.

Guilherme virou o rosto para o lado, mas não havia mais raiva em seus olhos. Havia apenas um vazio exausto, uma confusão profunda. Seu corpo havia traído tudo em que ele acreditava.

Gabriel simplesmente chorou. Silenciosamente, lágrimas escorrendo de seus olhos fechados pelo rosto suado. Não eram lágrimas de dor. Eram lágrimas de rendição total.

E aquilo me assustou mais do que deveria.

Porque pela primeira vez não parecia que eu estava forçando Gabriel a ficar.

Parecia que ele precisava ficar.

E existe algo profundamente perigoso quando alguém começa a encontrar conforto na própria submissão.

E o pior era que ele não parecia arrependido.

Parecia aliviado.

Mais tarde, já de madrugada, o quarto ainda cheirava a sexo e sal. Gabriel estava sentado no chão ao lado da cama, seu corpo ainda tremendo ocasionalmente com pequenos espasmos pós-orgasmo. Ele olhava para as próprias mãos, como se não as reconhecesse. Guilherme permanecia encostado na parede oposta, seu olhar fixo em um ponto no espaço, vazio, como se sua alma tivesse saído de seu corpo.

O silêncio era absoluto, pesado como um cobertor.

— Gabriel — chamei, minha voz rompendo o vácuo.

Ele levantou a cabeça imediatamente. Seus olhos estavam vermelhos, inchados.

— Sim?

— Traz um copo de água pra mim.

Ele não hesitou. Nem por um microssegundo. Empurrou-se do chão com um esforço visível — seus músculos devem ter doído, seu corpo deve ter protestado — e caminhou até a porta. Seus movimentos eram automáticos, fluidos. Ele obedeceu não por medo de punição agora, mas porque a obediência se tornara o caminho de menor resistência. Tornara-se confortável.

Enquanto ele saía do quarto, meus olhos encontraram os de Guilherme. E no olhar do irmão mais velho, eu vi o entendimento final, a peça que se encaixava. Ele não viu raiva ou desprezo ao observar Gabriel sair para cumprir uma ordem simples. Ele viu algo pior: viu aceitação. Viu o irmão buscando aprovação através do serviço. Viu a dependência nascendo, não do medo, mas do hábito, do condicionamento, da necessidade psicológica de agradar.

Guilherme baixou os olhos para o chão, seu queixo tremendo levemente. A última fortaleza de resistência dentro dele não desabou com um estrondo. Desabou com um suspiro silencioso, um reconhecimento mudo de que a guerra estava perdida. Ele não estava apenas lutando contra mim agora. Estava lutando contra o próprio irmão. E contra a parte de si mesmo que já começava a se perguntar se a rendição não seria, afinal, um alívio bem-vindo.

Quando Gabriel voltou com o copo de água, suas mãos tremiam levemente. Ele o entregou a mim, seus olhos evitando os meus, mas sua postura era de um servo cumprindo sua função.

Peguei o copo, sentindo a água fresca contra minha palma.

— Obrigado — Disse, simplesmente.

Ele apenas acenou com a cabeça, um pequeno movimento, antes de voltar para seu lugar no chão.

E naquela noite, deitado na minha cama enquanto os dois permaneciam no quarto, exaustos e quebrados, eu percebi que tinha cruzado um limiar. Isso não era mais sobre humilhação ou vingança. Era sobre algo muito mais profundo, muito mais perigoso e muito mais viciante.

E pela primeira vez eu percebi que aquilo já não parecia mais vingança.

Era outra coisa.

Algo pior.

Porque parte de mim já não queria apenas machucar eles.

Parte de mim queria que eles continuassem voltando.

Parte de mim já não queria vencer.

Queria que eles precisassem de mim.

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