Antes de começar, essa coisa ficou desnecessariamente grande, acho que estou colocando muito sentimento nisso, mas, acho que ficou prazeroso de ler. Divirta-se!
Algumas semanas se passaram desde o episódio com Natasha. O que aconteceu naquela noite foi humilhante para mim, ser usado daquele jeito, aquilo martelava incansavelmente na minha cabeça.
A humilhação, era só isso que me incomodava, a sensação de ter sido usado igual um cachorro atrás de um pedaço de carne. Porque foi exatamente isso que aconteceu.
Quando Natasha me viu no mercado, percebeu que eu era impulsivo, violento e homem o suficiente para cair na provocação certa. E eu caí igual um completo imbecil. Ela armou tudo desde o começo, me puxou para dentro da própria bagunça e ainda saiu rindo no final enquanto eu quase respondia por agressão dentro da casa do corno.
Às vezes eu lembrava da risada dela no meio daquela confusão toda e sentia vontade de bater a cabeça na parede. A vida continuou depois daquilo. Trabalho, gravação, edição, Pink surtando com prazo como sempre.
Mas a Natasha aparecia na minha cabeça de vez em quando igual um espírito maligno de bunda grande. Naquela tarde eu só queria comprar algumas coisas e ir embora, entrei no mercado já sem paciência. Andei pelos corredores distraidamente e então percebi uma coisa ridícula, eu estava evitando o corredor dos produtos de limpeza. Meu cérebro tinha transformado um corredor de amaciante e detergente num trauma emocional, balancei a cabeça irritado comigo mesmo e fui pelo outro lado.
Me sentia patético.
Peguei o resto das coisas o mais rápido possível, paguei tudo e fui para o estacionamento. O calor lá fora parecia pior ainda. Abri o porta-malas, joguei as sacolas ali dentro e entrei no carro suspirando fundo. O amontoado de pessoas já era algo que começava a me irritar muito. Encostei a cabeça no banco por dois segundos, quando a porta do passageiro abriu, quase tive um infarto.
Natasha entrou no carro com a maior naturalidade do mundo e fechou a porta.
— Oi gato, sentiu saudades? — Natasha ainda portava aquele sorriso desgraçado.
— Sai do meu carro — rebati na hora.
— Nossa, que recepção calorosa.
— Natasha, eu tô falando sério. Sai do meu carro agora.
Ela ignorou completamente, sentou confortável no banco, cruzou as pernas e ficou me olhando, o sorriso debochado continuava exatamente o mesmo.
— Relaxa, eu só quero conversar.
— Eu não quero.
— Você continua magoadinho?
— Você é maluca.
— Você já falou isso antes.
Ela soltou uma risadinha.
— Ainda tá bravinho porque eu usei você pra traumatizar meu ex-namorado?
— “Usei” é uma palavra engraçada para descrever aquela merda.
— Ah, vai — ela inclinou a cabeça sorrindo. — Você se divertiu.
— Você quase fez eu matar aquele cara.
— Mas não matou.
— Por pouco.
Natasha me observou por alguns segundos, aquele olhar dela me irritava profundamente, parecia que ela estava sempre se divertindo mais que todo mundo. Então ela puxou o celular.
— Inclusive… falando em segredinhos.
Ela virou a tela na minha direção, um vídeo meu e da Pink, onde ela aparecia ajoelhada na câmera enquanto uma mão segurava o cabelo dela.
— Que porra é essa? — falei com o corpo travado.
— Descobri seu segredinho sujo — o sorriso dela agora era diferente, lento, provocativo.
Arranquei o celular da mão dela na mesma hora, era um dos vídeos.
— Como você conseguiu isso?
— Internet existe, Gabriel.
— Meu rosto nem aparece nessa merda.
— Não precisa — ela deu de ombros. — Eu reconheceria esse pau grosso e veiudo até no inferno.
Fiquei encarando ela sem reação por um segundo, Natasha começou a rir da minha cara.
— Meu Deus, você devia se olhar no espelho agora.
— Vai se foder.
— Honestamente? — ela apoiou o queixo na mão. — Seria muito divertido explanar por aí que o Gabriel faz pornô na internet.
— Ninguém acreditaria.
— Acreditariam sim.
— Não, não acreditariam.
— Talvez sua mãe acreditasse.
— Natasha.
— Relaxa — ela começou a rir de novo. — Eu tô brincando.
— Você é esquisita e maluca.
— Assim não tem graça — ela respondeu manhosa com um biquinho. — Cadê o desespero? O medo de ser descoberto? O medo de todo mundo descobrir o seu segredinho sujo.
Revirei os olhos e liguei o carro só para ter alguma coisa para fazer além de estrangular ela ali mesmo, Natasha ainda me observava.
— Então… como é?
— Como é o quê?
— Fazer pornô.
— Não é da sua conta.
— É divertido? Você fica nervoso na câmera?
Não respondi.
— A Pink dirige vocês ou vocês só começam a transar e Deus decide o resto?
— Natasha.
— O quê? Eu tô curiosa.
Ela me encarou por alguns segundos antes de sorrir outra vez, mas dessa vez o sorriso parecia diferente, mais interessado.
— Eu quero participar.
Virei lentamente o rosto para ela.
— Sai do meu carro.
— Ah, para de drama.
— Natasha, sai do meu carro.
— Eu já conversei com a Pink, inclusive.
— O quê?
Ela puxou o celular novamente e dessa vez abriu uma conversa. Pink. Fiquei olhando as mensagens sem acreditar, alguns vídeos de Natasha posando, alguns áudios, fotos, conversa sobre gravação, sobre câmera, sobre dinheiro, sobre participação. Natasha já estava vários passos à minha frente, de novo.
— Você tá de sacanagem comigo.
— Não — ela respondeu tranquilamente. — Sua namoradinha gostou bastante da ideia. Bom… eu só queria avisar antes.
— Avisar o quê?
Ela se abaixou na altura da janela antes de responder.
— Que a gente vai se encontrar de novo.
E então saiu andando, fiquei observando ela atravessar o estacionamento, foi aí que lembrei de uma frase específica que ela me disse da outra vez, naquele mesmo estacionamento.
“Eu só tô com ele por causa do dinheiro.”
Cheguei no estúdio-casa ainda pensando naquela desgraçada da Natasha.
O portão abriu devagar e entrei com o carro praticamente no automático. O lugar ainda parecia estranho pra mim. Grande demais, silencioso demais, rico demais. Mas já estava começando a virar rotina. Tripé na sala, caixa de iluminação no corredor, cabos espalhados, figurino jogado em cadeira.
O projeto estava crescendo rápido demais. Encontrei ela sentada no chão da sala organizando algumas roupas dentro de caixas transparentes.
— Você demorou — ela comentou sem nem levantar os olhos.
— Mercado.
— Comprou meu energético?
— Comprei.
— Então tá perdoado — ela finalmente levantou o rosto, estreitou os olhos. — Que cara é essa?
— Você conversou com alguma Natasha recentemente? — perguntei largando as chaves em cima da bancada.
Pink piscou algumas vezes.
— Sim.
— “Sim”? — repeti encarando ela. — Só isso?
— Gabriel, relaxa.
— Relaxa?
— Ela me chamou no direct faz umas semanas — Pink suspirou e se levantou.
— E você resolveu responder.
— Sim, porque diferente de você, eu sei separar problema pessoal de oportunidade.
— Oportunidade?
— Gabriel — ela cruzou os braços. — A Natasha é literalmente a única garota até agora que aceitou gravar mostrando o rosto.
Fiquei em silêncio.
— Você sabe o quanto isso aumenta o lucro — ela continuou.
E eu sabia, os vídeos com o rosto da Pink rendiam quase o dobro, os espectadores adoravam ver a “expressão verdadeira”. Sabia porque gente na internet era obcecada por sensação de intimidade, mesmo assim continuei encarando ela sem responder, Pink passou a mão no cabelo rosa antes de continuar.
— Você acha fácil encontrar gente disposta a fazer isso? Porque não é.
— Ainda assim é a Natasha.
— E daí?
— “E daí”? Você esqueceu da merda que ela fez comigo?
— Não esqueci.
— Então?
— Então olha isso aqui — ela apontou ao redor. — Esse lugar não vai se pagar sozinho.
Ela falava sério agora, muito sério.
— Se a gente quiser crescer de verdade, o número de gravações vai ter que aumentar.
Ela começou a contar nos dedos.
— Mais vídeos, mais pessoas, mais variedade, mais conteúdo — a cada ponto ela erguia um dedo. — Porque o mesmo rosto enjoa rápido.
Aquilo me incomodou mais do que deveria, talvez porque ela estivesse certa e eu odiasse o fato dela estar certa.
— Qualquer pessoa, menos a Natasha.
— Gabriel, para de agir como se ela tivesse assassinado tua família — ela revirou os olhos.
— Ela me usou igual um idiota.
— E você caiu.
Aquilo bateu direto no ego, antes que eu respondesse qualquer coisa, o interfone tocou. Pink olhou para a parede, depois para o celular, depois para mim e então saiu andando rápido.
— Ah, ela chegou.
— “Ela”?
— Vou abrir — Pink já estava apertando o botão para abrir o portão. — E vou lá na frente receber ela.
Fiquei parado olhando ela sair praticamente correndo pela sala, meu estômago afundou na hora. Não tinha como ela ter feito isso.
Pink era minha parceira, certo?
Ela não faria isso, certo?
Certo?
Certo?
Alguns segundos depois ouvi vozes vindo da entrada, uma risada, aquela maldita risada. Natasha apareceu no corredor como se fosse dona da casa, calça justa, blusa curta. Óculos escuros presos na cabeça e aquele sorriso debochado de sempre.
— Olha só quem tá aqui — ela falou calmamente.
— Vai embora.
— Boa tarde pra você também — ela nem pareceu surpresa.
— Eu falei pra você sair daqui.
Comecei a andar na direção dela, mas Pink entrou imediatamente no meio.
— Gabriel.
— Não.
— Gabriel.
— Você trouxe essa mulher para cá?
— Abaixa o tom de voz.
— Você tá de brincadeira comigo?
Natasha continuava atrás dela observando tudo em silêncio, sorrindo, aquilo me deixava mais irritado ainda.
— Você sabe o que essa maluca fez comigo!
— Eu sei — Pink virou para mim claramente perdendo a paciência.
— Então por que caralhos...
— Porque isso não importa agora! — Pink gritou me fazendo calar a boca na hora, ela apontou novamente ao redor da casa. — Isso aqui virou nosso trabalho.
— Pink.
— Não, escuta — a voz dela ficou firme, muito mais firme do que eu estava acostumado. — Uma chance dessas não aparece toda hora.
— Ela não é uma chance boa.
— É sim.
— Ela é um problema.
— Ela é dinheiro.
Aquilo me fez fechar a cara imediatamente, Natasha continuou com a risadinha atrás dela. Pink virou na hora.
— Você também cala a boca.
Natasha ergueu as mãos inocentemente.
— Nem falei nada.
Pink passou a mão no rosto claramente sem paciência nenhuma, depois simplesmente segurou Natasha pelo braço.
— Vem.
— O quê? — perguntei na hora.
— A gente vai gravar.
— Você tá maluca.
— Foda-se!
Ela começou a puxar Natasha corredor adentro.
— Pink.
— Você querendo ou não.
Natasha olhou por cima do ombro enquanto era arrastada, o sorriso dela aumentou devagar. Filha da puta, a última coisa que ouvi antes das duas sumirem no corredor foi a voz da Pink:
— E não entra no quarto atrapalhando.
A porta bateu forte e ouvi a chave virando para trancar. Alguns minutos depois começaram os sons abafados, primeiro uma risada, depois outra, um gemido. Fechei os olhos devagar, apoiando os cotovelos nos joelhos enquanto encarava o chão da sala daquele casarão ridiculamente grande. Aquilo tudo parecia errado em tantos níveis diferentes que meu cérebro simplesmente tinha desistido de tentar organizar.
O pior não era Natasha, era a Pink. Pink tinha me ouvido. Sabia exatamente o que aquela mulher tinha feito comigo. Sabia o jeito que eu me senti depois daquela noite ridícula na casa do fortinho.
Usado.
Aquilo ainda queimava no meu orgulho igual álcool numa ferida aberta, e mesmo assim ela puxou Natasha pela mão para dentro de um quarto como se nada tivesse acontecido.
Outro gemido atravessou o corredor, mais alto dessa vez. Passei a mão no rosto.
— Ah, pelo amor de Deus…
Tentei ignorar, não consegui.
Os sons vinham abafados, mas dava para entender perfeitamente o que estava acontecendo ali dentro. Risadas misturadas com gemidos, a cama batendo na parede algumas vezes, Pink soltando aquele tipo de som que ela só fazia quando realmente estava envolvida.
Aquilo me incomodou num nível absurdamente infantil.
Talvez porque eu ainda não estivesse acostumado a dividir espaço com outra pessoa naquele mundo. Talvez porque Natasha tivesse aparecido do nada e começado a tomar espaço rápido demais. Ou talvez porque eu ainda me sentisse um completo idiota por causa dela.
As horas passaram daquele jeito, eu largado no sofá, pensando merda atrás de merda. Olhando para o notebook sem conseguir focar em absolutamente nada. Até que finalmente ouvi passos vindo pelo corredor, levantei os olhos automaticamente. Pink apareceu primeiro, descabelada, camiseta torta no corpo, bochechas coradas e com aquele olhar completamente vazio de quem tinha acabado de sobreviver a alguma experiência sobrenatural.
Atrás dela vinha Natasha, o cabelo castanho destruído, batom borrado e um sorriso satisfeito demais Pink passou a mão no rosto devagar.
— Meu Deus… — ela murmurou quase sem voz. — Essa mulher é completamente insana.
Natasha abriu um sorriso enorme imediatamente, abraçando Pink por trás e dando um beijo na bochecha ainda avermelhada.
— Obrigada.
— Não foi elogio.
— Mas eu recebi como se fosse.
Pink ignorou completamente e caminhou até a cozinha procurando água, ela bebeu quase metade da garrafa antes de respirar fundo.
— Gabriel… — ela falou apontando para Natasha sem nem olhar direito. — Essa mulher vai trazer MUITO dinheiro.
Natasha sorriu olhando diretamente para mim enquanto apoiava o ombro na parede, aquele mesmo sorriso debochado, como se estivesse se divertindo absurdamente com meu desconforto.
— Amanhã nós três vamos gravar juntos — Pink anunciou casualmente.
— Não — levantei do sofá na mesma hora. — Não vamos não.
— Eu não quero ouvir mais a sua voz sobre isso hoje — Pink levantou a mão sem nem deixar eu continuar.
Aquilo me desmontou por dois segundos, porque Pink raramente falava daquele jeito, Natasha observava tudo quieta, sorrindo.
— Inclusive — Natasha comentou casualmente. — A Pink me convidou pra passar a noite aqui.
Olhei para Pink na hora, ela simplesmente deu de ombros.
— Tá tarde.
— Você tá brincando comigo.
— Gabriel, pelo amor de Deus, não começa de novo.
— Vou tomar banho e dormir antes que eu desmaie — Pink passou por nós dois.
Ela desapareceu corredor adentro enquanto eu permanecia parado no meio da sala encarando Natasha, ficou aquele silêncio constrangedor. Pelo menos para mim, porque Natasha parecia confortável demais. Ela caminhou lentamente até o sofá e sentou como se estivesse na própria casa, cruzou as pernas e me encarou sorrindo daquele jeito irritante.
— Nós vamos formar uma ótima equipe — ela falou com o tom de voz alegre demais.
— Eu não vou gravar com você.
— Vai sim.
— Não vou.
— Então a empresazinha pornô amadora de vocês vai quebrar em alguns meses.
— Vai se foder.
— Você sabe que a Pink tá certa — Natasha riu baixo.
Ela continuou me olhando por alguns segundos, então se inclinou um pouco para frente, foi aí que senti o cheiro. Sexo, um cheiro absurdamente forte misturado com perfume, suor e aquele aroma doce que parecia já fazer parte da Natasha, o mesmo cheiro vinha também do corredor, do quarto, da Pink.
Aquilo bagunçou minha cabeça de novo, Natasha percebeu na hora, claro que percebeu.
— Ela mandou você editar o vídeo e postar hoje ainda — falou casualmente enquanto mexia no cabelo bagunçado. — Disse que quer subir antes da madrugada porque esse tipo de conteúdo performa melhor à noite.
Continuei em silêncio.
— Ah… e ela pediu para eu te lembrar que não é para ficar emburradinho.
Respirei fundo devagar, Natasha levantou do sofá ainda sorrindo.
— Boa sorte com a edição, diretor.
Ela passou do meu lado propositalmente devagar, o cheiro dela ficou impregnado no ar e então desapareceu corredor adentro. Logo depois ouvi a porta do quarto fechando, fiquei sozinho outra vez, parado no meio daquela sala enorme, com ódio, muito ódio.
Mas pior que isso, com a sensação horrível de que talvez eu estivesse perdendo espaço dentro do projeto que eu tinha ajudado a construir.
Sentei na frente do notebook ainda puto da vida, o arquivo já estava transferido. Passei alguns segundos encarando a tela antes de abrir o vídeo. A imagem começou tremida por alguns instantes e então estabilizou. Pink apareceu primeiro, sentada na beirada da cama daquele jeito que sempre funcionava absurdamente bem na câmera. O olhar doce misturado com provocação. O tipo de expressão que fazia parecer que ela estava convidando quem assistia para dentro da cena.
Então Natasha entrou, roubando a atenção inteira.
— Puta que pariu… — murmurei sozinho.
Pink tinha razão, Natasha era completamente insana. Não era só aparência, era presença. Ela parecia confortável demais na frente da câmera. Natural demais. O jeito que olhava para Pink, o jeito que sorria, as provocações, a intensidade, até as pausas pareciam calculadas sem realmente parecerem ensaiadas.
E pior ainda, a química entre as duas funcionava absurdamente bem, num nível irritante.
Continuei assistindo enquanto editava os cortes principais, ajustava áudio, iluminação e transições. E quanto mais o vídeo avançava, mais uma sensação estranha crescia dentro de mim.
Aquilo daria dinheiro, muito dinheiro, eu conseguia perceber antes mesmo de terminar a edição, os comentários, os pedidos, os assinantes novos. Os clientes malucos pagando absurdo por conteúdo personalizado. Tudo aquilo já passava pela minha cabeça enquanto mexia na timeline do programa.
E foi exatamente aí que veio o problema, muito dinheiro ou a minha dignidade?
Porque parte de mim queria mandar Natasha para o inferno. Mas outra parte percebia que Pink estava certa. Nós tínhamos crescido rápido demais e para continuar crescendo, precisávamos de mais gente, mais variedade. E principalmente, mais loucura, insanidade, foi o que Natasha demonstrou ter desde o primeiro momento.
Respirei fundo, continuei editando. Quando terminei já passava da meia-noite. Fiz upload o mais rápido possível, programei as postagens, respondi alguns clientes e larguei o notebook de lado completamente esgotado. No dia seguinte acordei cedo com gritaria vindo da cozinha.
— GABRIEL!
Fechei os olhos imediatamente. Saí do quarto quase me arrastando e encontrei Pink na cozinha segurando o celular com os olhos brilhando. Natasha estava sentada no balcão tomando café como se morasse ali fazia anos.
— Você viu os números?! — Pink praticamente gritou. — O vídeo explodiu durante a madrugada!
Ela colocou o celular praticamente na minha cara, os números realmente estavam absurdos, visualizações, assinaturas, pedidos privados, doações.
Tudo muito acima da média, um único vídeo conseguiu quebrar todos os nossos recordes.
Pink estava elétrica.
— Eu falei! — apontou para Natasha. — EU FALEI QUE ESSA MULHER IA DAR DINHEIRO.
— Fico feliz que meu talento esteja sendo reconhecido, sabe, ser uma vagabunda profissional não é fácil — Natasha respondeu tomando mais um gole de café, completamente tranquila tentando fingir que o ego não estava sendo massageado.
— Seu talento para destruir minha paz, talvez.
Ela riu, Pink começou a andar pela cozinha falando rápido demais.
— Se continuar nesse ritmo, em alguns meses a gente consegue terminar de montar o estúdio inteiro.
— E eu espero que minha parte venha certinha — Natasha comentou casualmente. — Espero que cumpra nosso acordo.
— Relaxa. Você vai ganhar muito mais dinheiro se continuar com a gente — Pink abriu um sorriso enorme.
— “Com a gente”? — Natasha arqueou a sobrancelha.
— Nós três — Pink respondeu. — Confia em mim, a gente ainda vai faturar MUITO junto.
Fiquei quieto, sentado na mesa. Observando as duas conversarem como se fossem amigas fazia anos, ainda me incomodava, muito, mas dessa vez não falei nada. Pink percebeu, claro que percebeu. Ela apontou para mim segurando a caneca.
— E melhora essa cara.
— Eu tô normal.
— Você parece um viúvo depressivo.
Natasha soltou uma risada baixa, Ignorei. Pink terminou o café rapidamente e olhou o celular.
— Ah, merda, eu preciso sair rapidinho.
— Para onde? — perguntei.
— Resolver umas coisas do estúdio — ela caminhou até o sofá pegando a bolsa enquanto falava. — Volto em algumas horas.
Foi só aí que percebi, ela realmente ia deixar eu sozinho com Natasha.
— Pink…
— Não começa — ela apontou para nós dois alternadamente. — Aproveitem esse tempo para resolver essa palhaçada entre vocês.
E naquele momento o jeito dela mudou completamente, a voz doce desapareceu, o sorriso leve também, Pink parecia firme, séria, fria.
— Eu não vou deixar esse clima infantil atrapalhar as coisas aqui dentro.
Fiquei quieto, até Natasha parou de sorrir por alguns segundos. Pink respirou fundo antes de continuar.
— Vocês dois vão conviver querendo ou não. Então resolvam isso antes que vire um problema maior — ela pegou a chave do carro. — E quando eu voltar, eu espero não encontrar dois animais tentando se matar.
Então saiu, a porta bateu alguns segundos depois. E o silêncio voltou, só eu e Natasha. Mas durou pouco, porque Natasha não sabia ficar quieta. Ela continuava sentada no balcão da cozinha mexendo no celular como se estivesse completamente confortável naquela situação inteira. Eu não, passei reto por ela tentando ignorar a existência daquela mulher. Erro meu.
— Você fica bonito emburrado — ela comentou sem nem levantar os olhos da tela.
Ignorei.
— Apesar de parecer uma criança birrenta.
Parei no meio do corredor, respirei fundo, contei até três. Não funcionou.
— Você não consegue ficar cinco minutos sem falar merda?
Natasha finalmente levantou os olhos.
— Consegue ficar cinco minutos sem agir como um adolescente de quinze anos?
— Ah, claro. Porque a psicopata que armou um circo inteiro pro namorado pegar ela me traindo claramente é a pessoa madura da situação.
Ela abriu um sorriso pequeno, mas os olhos perderam um pouco do humor.
— Ainda tá chorando por causa disso?
— Se aquele retardado estivesse com uma faca, uma arma? Você me usou.
— E você foi burro o suficiente pra deixar.
Aquilo bateu errado, fiquei encarando ela, Natasha levantou devagar do balcão.
— Quer que eu seja sincera?
— Não.
— Vou ser mesmo assim — ela veio andando calmamente até parar perto de mim. — Homem é tudo igual.
— Ah, pronto.
— Ego inflado, cérebro desligado e o pau tomando todas as decisões importantes da vida.
— Vai tomar no cu.
— Você sabia que aquilo era estranho desde o começo — ela apontou para mim enquanto falava. — Mas continuou porque só queria comer uma mulher gostosa.
— E você queria o quê? Atenção?
— Dinheiro. Diversão. Vingança. Várias coisas — ela deu de ombros. — Pelo menos eu sou honesta comigo mesma.
Aquilo me irritou mais, ela tinha razão. E eu odiava perceber isso.
— Você ficou putinho porque percebeu que não estava no controle da situação.
— Não fala como se me conhecesse.
— Ah, eu conheço homem igual você desde sempre — ela cruzou os braços. — Vocês vivem pagando de racionais até aparecer uma buceta na frente.
Respirei fundo outra vez, fiquei quieto. Porque qualquer resposta naquele momento só provaria o argumento dela. Natasha percebeu.
— Tá vendo? — ela apontou imediatamente. — Você sabe que eu tô certa.
Desviei os olhos, orgulho é uma desgraça. Admitir aquilo em voz alta parecia pior do que continuar brigando. Natasha me encarou por mais alguns segundos esperando alguma resposta. Não veio nada, então ela perdeu a paciência de verdade.
— Ah, quer saber? Vai tomar no cu você também — ela passou a mão no próprio cabelo irritada. — Infantil pra caralho.
Começou a andar de um lado para outro na sala enquanto falava mais alto.
— Fica aí agindo como se eu tivesse destruído tua vida sendo que você entrou naquela casa porque quis.
Continuei quieto.
— E agora tá fazendo cara de cadelinha ofendida porque a Pink percebeu uma oportunidade de ganhar dinheiro — ela soltou uma risada nervosa. — Homem realmente é tudo emocionado escondido atrás de ego.
— Natasha…
— Não, cala a boca — ela apontou o dedo na minha direção. — Ou você cresce e entende onde tá se metendo ou essa porra toda quebra em alguns meses.
Ela respirou fundo. Depois virou de costas e caminhou de volta para cozinha.
— Sinceramente? — Natasha murmurou pegando a própria xícara. — Eu esperava mais maturidade de alguém que trabalha com essa merda.
As horas passaram devagar. Natasha ficou no andar de cima praticamente o resto da tarde inteira. Em alguns momentos ouvi passos pelo corredor, uma risada baixa, porta abrindo, fechando. E sinceramente? Melhor assim. Fiquei largado no sofá da sala encarando o teto daquele casarão enquanto a cabeça girava sem parar. O silêncio da casa era estranho. Em algum momento o céu já tinha escurecido completamente quando finalmente ouvi o barulho do portão eletrônico.
Depois a porta da frente abrindo, Pink voltou. Ela entrou carregando algumas sacolas pequenas e a bolsa presa no ombro. Parecia cansada. Os olhos dela me encontraram no sofá. Não sorriu, Natasha provavelmente contou da nossa briga para ela. Aquilo já foi suficiente para me deixar desconfortável. Pink fechou a porta devagar, largou as sacolas na cozinha e então veio até a sala. Tirou a bolsa do ombro e deixou ao lado do sofá antes de sentar do meu lado.
Sem carinho, sem se encostar, sem pegar na minha mão. Nenhum afeto. Aquilo parecia errado, Pink sempre preenchia os espaços vazios com alguma coisa. Um sorriso, uma piada, um toque, qualquer coisa. Ela ficou alguns segundos olhando para frente antes de respirar fundo.
— Eu quero muito que isso aqui cresça — a voz saiu baixa, calma, mas pesada. — Muito mesmo, o que a gente construiu junto até agora… não foi sorte.
Ela esfregou as mãos uma na outra devagar.
— A gente ralou para caralho por isso. Mas você precisa deixar essas desavenças de lado.
— Pink…
— Não. Escuta primeiro — ela finalmente virou o rosto para mim, os olhos dela estavam brilhando, não de raiva, quase de tristeza. — Rancor não vai levar a gente pra lugar nenhum.
— Você fala como se eu tivesse errado sozinho nessa história.
— Eu não tô dizendo isso.
— Então por que parece que eu sou o problema?
Pink suspirou fundo.
— Porque nesse momento… você é.
Aquilo bateu forte, ela percebeu, mas continuou mesmo assim.
— Gabriel, eu quero muito que tudo dê certo com você — a voz dela falhou levemente no final. — Muito mesmo. Mas se for preciso… eu vou chamar outros caras pra fazer o teu trabalho.
Meu peito apertou na hora, Pink desviou os olhos, algumas lágrimas rolaram pelo rosto dela, poucas, mas estavam ali.
— Eu gosto de você de verdade — ela falou quase num sussurro. — Muito mais do que eu deveria. Mas se você for atrapalhar isso aqui… então é melhor sair agora.
Ela limpou o rosto rápido demais, claramente irritada consigo mesma por estar chorando.
— Porque eu não vou abandonar tudo isso que a gente construiu.
Não consegui responder. Nunca tinha visto Pink daquele jeito. Ela sempre era luz, barulho, energia boa e positiva. Mas agora parecia outra pessoa sentada do meu lado. Uma versão dela que entendia exatamente o tamanho do que estavam construindo, estava pronta para proteger aquilo. Mesmo que precisasse me machucar no processo. Pink respirou fundo mais uma vez.
— Você tem até amanhã.
— Pink…
— Não.
Ela levantou a mão.
— Se amanhã você ainda estiver aqui… então eu vou entender que aceitou trabalhar com a Natasha — ela enxugou outra lágrima rapidamente. — E sem reclamar.
Ela levantou devagar do sofá.
— Mas se não quiser… vai embora — parou por um instante antes de continuar. — E não precisa voltar.
Então saiu, subiu as escadas sem olhar para trás. E eu fiquei sozinho naquela sala enorme. Tentando processar o fato de que talvez fosse a primeira vez desde que conheci a Pink que eu realmente senti medo de perdê-la.
Naquela noite eu não dormi, tentei, de verdade. Fiquei horas encarando o teto daquele quarto enorme enquanto as palavras da Pink repetiam na minha cabeça igual uma maldição.
“Se for preciso, eu vou chamar outros homens.”
“Se não quiser, vai embora e não precisa voltar.”
Aquilo acertou meu peito num lugar ridículo, pela primeira vez desde que tudo aquilo começou, eu senti que podia perder ela de verdade. Não só a Pink, mas tudo, o estúdio, os vídeos, tudo o que conquistamos com muito trabalho e noites mal dormidas. A rotina absurda que nós dois tínhamos criado juntos.
Quando percebi, o céu já estava começando a clarear pela janela, desisti de tentar dormir. Levantei cansado, passei água no rosto e desci para a cozinha ainda com aquela sensação pesada no peito. A casa inteira estava silenciosa, preparei café, forte, forte pra caralho. Depois comecei a mexer nas câmeras, trocar as baterias, colocar as usadas para carregar, separar lente, ajustar configuração.
Qualquer coisa para ocupar a cabeça, o sol baixo da manhã atravessava os janelões da sala e iluminava parte dos equipamentos espalhados pelo chão. O clima estava absurdamente calmo comparado ao caos emocional da noite anterior.
Foi então que ouvi passos descendo a escada, Natasha apareceu primeiro, camiseta larga, short curto, cabelo completamente bagunçado. E aquela expressão debochada de sempre, ela me encarou mexendo nas câmeras por alguns segundos antes de abrir um sorriso pequeno.
— Eu sabia que você não ia embora.
Continuei ajustando uma lente.
— Com certeza você escutou tudo ontem, não é?
— Tô feliz.
Ri baixo, para ela não perceber. Ela passou direto por mim e pegou uma caneca de café, poucos minutos depois ouvi mais passos. Pink.
Ela desceu ainda sonolenta, usando uma camiseta enorme minha que praticamente escondia o short. O cabelo rosa estava preso de qualquer jeito e os olhos ainda pareciam pesados de sono. Mas assim que ela viu nós dois na cozinha sem ninguém tentando matar ninguém… ela parou.
Olhou primeiro para Natasha e depois para mim.
— Então?
Ficou aquele silêncio constrangedor de três segundos, respirei fundo.
— Eu fui infantil — as palavras saíram meio travadas, porque orgulho masculino é um negócio patético.
Pink ficou me encarando por alguns segundos, depois abriu um sorriso, pequeno, mas sincero.
— Obrigada.
Ela veio até mim e me abraçou forte, sem hesitar. Aquilo desmontou o resto da tensão que ainda sobrava dentro de mim. Fechei os olhos por um instante enquanto sentia o cheiro doce do cabelo dela. Natasha observava a cena encostada no balcão, então colocou a mão no peito dramaticamente.
— Meu Deus… eu vou chorar.
— Cala a boca — Pink começou a rir ainda me abraçando.
— Não, sério — Natasha continuou fazendo voz emocionada. — Isso foi muito bonito.
— Você estraga qualquer momento, é incrível — falei, não querendo largar Pink.
— É um dom — Natasha rebateu com um tom orgulhoso.
Pink finalmente me soltou e bateu palmas uma vez.
— Certo. Trabalho — ela pegou o celular e abriu algumas referências. — Vamos gravar agora de manhã porque a luz tá perfeita.
— Área da piscina? — Natasha se aproximou.
— Sim — Pink assentiu. — Nas espreguiçadeiras.
— Hum — Natasha passou a língua entre os lábios olhando para as espreguiçadeiras e logo depois voltando o olhar para Pink e para mim. — Gostei.
E então aquilo aconteceu naturalmente, sem perceber, os três começaram a trabalhar juntos, Pink organizava cenário. Natasha ajudava na iluminação, eu ajustava câmera, lente e enquadramento, ia deixar duas câmeras gravando os dois lados. Em alguns momentos Natasha dava sugestões absurdamente boas. Em outros Pink corrigia detalhes. E eu acabava entrando no fluxo.
O sol baixo da manhã realmente deixava tudo bonito. A água da piscina refletia luz no ambiente inteiro e o contraste com as espreguiçadeiras claras deixava o cenário com cara de produção profissional.
— Não, espera — falei ajustando o tripé. — Se eu ficar com uma das câmeras na mão, consigo pegar mais movimento, depois intercalamos na edição com a imagem dessas duas câmeras que deixei de lado.
— Isso ficou muito melhor — Pink olhou o monitor.
— Tá vendo? — Natasha andava de braços cruzados. — Funcionamos bem juntos.
Depois de mais alguns ajustes, finalmente ficou tudo pronto, as câmeras posicionadas, áudio ajustado, iluminação natural perfeita. Pink olhou tudo ao redor satisfeita antes de respirar fundo, então virou para nós dois. O sorriso dela diminuiu um pouco.
— Certo… mas antes — ela apontou alternadamente para mim e Natasha. — Tá realmente tudo bem entre vocês?
— Para mim, sempre esteve — Natasha respondeu prontamente.
Pink me encarou esperando resposta, respirei fundo devagar.
— Eu ainda tô digerindo tudo, não consigo simplesmente esquecer e seguir em frente tão rápido assim… mas… — passei a mão na nuca. — Tô processando ainda.
Natasha ficou me encarando por dois segundos, então abriu um sorriso debochado.
— Aaaai que nenenzinho… — antes que eu reagisse, ela apertou minha bochecha com força fazendo biquinho. — Tá processando os sentimentos dele.
Pink explodiu na gargalhada. Contra minha vontade, acabei rindo também.
— Lembrando que a gente quase morreu naquela noite — tentei argumentar.
— Mas não morreram, os dois estão aqui, vivos e inteiros — Pink interrompeu. — E Natasha, nunca mais faça isso, entendido?
— Sim, chefinha! — Natasha respondeu de imediato.
Então, Pink desapareceu dentro da casa junto com Natasha. O sol da manhã ainda estava baixo, refletindo na água e deixando tudo com aquela aparência bonita demais que a câmera adorava. Pelo menos alguma coisa estava colaborando. Larguei uma das lentes na mesa externa e respirei fundo tentando ignorar a ansiedade. As duas começaram a conversar lá dentro.
Primeiro ouvi a voz da Pink, animada, falando alguma coisa sobre lingerie clara funcionar melhor com a iluminação da manhã. Natasha respondeu alguma piada que não consegui entender direito, mas ouvi as duas rindo logo depois.
Abri o monitor da câmera portátil e comecei a testar enquadramento só para ocupar as mãos. Qualquer coisa era melhor do que ficar imaginando o que estava acontecendo dentro daquela casa.
Mais risadas, depois passos rápidos no andar de cima.
— Não, essa daqui marca demais — ouvi Pink reclamar.
— E qual o problema disso? Você ficou deliciosa com essa — Natasha respondeu imediatamente.
Eu continuei ajustando foco manualmente enquanto fingia que não estava prestando atenção, mas estava. Alguns minutos depois ouvi gavetas abrindo, portas batendo e o som abafado de cabides arrastando.
— Você tem MUITA roupa rosa — ela comentou alto o suficiente para chegar até mim.
— Porque rosa é lindo.
— Rosa é agressivamente feminino.
— Exatamente.
— Acho que nunca conheci alguém tão pequena e tão mandona ao mesmo tempo.
— Me obedece e não teremos problemas.
Silêncio curto.
— Caralho, você não imagina o tesão que eu tô sentindo em você agora — Natasha respondeu.
Ouvi passos descendo a escada e levantei os olhos automaticamente. Pink apareceu primeiro usando um robe fino claro por cima da lingerie, ainda mexendo no próprio cabelo enquanto falava alguma coisa para Natasha lá dentro.
Então Natasha apareceu logo atrás e abriu um sorriso quando me viu olhando.
— Que foi? — ela perguntou calmamente. — Tá nervoso, diretor?
O short jeans era curto, mal cobria metade da bunda dela, curto demais, apertado demais. O tecido marcava o quadril dela sem o menor esforço. O top era ainda pior, branco, justo, curto o suficiente para deixar seus peitos aparecendo um pouco, deixando a barriga exposta, o tecido era fino o bastante para transparecer os mamilos.
Parou perto de uma das espreguiçadeiras e abriu os braços lentamente, como se estivesse se preparando.
Pink foi logo atrás, puxou o laço do robe sem cerimônia, deixando o tecido escorregar pelos ombros devagar antes de cair. O biquíni que usava por baixo era claro, delicado, exatamente o tipo de roupa que combinava com a estética mais suave dela. Mesmo assim, Pink pareceu insatisfeita quase imediatamente.
— Não… isso aqui ficou fofo demais — murmurou analisando o próprio reflexo na tela desligada do monitor da câmera.
Natasha sentou na espreguiçadeira observando ela trocar de roupa sem o menor pudor.
— Você fala “fofo” como se fosse defeito.
— Para esse vídeo é.
Pink começou a vestir outra combinação ali mesmo, prática demais para se importar. Um top mais justo, menor, acompanhado de um short fino que deixava as pernas dela quase completamente expostas também. No final, as duas estavam praticamente com roupas iguais.
— E ai, vamos seguir algum roteiro? — Natasha perguntou ajustando o top.
— Pensei em fazer alguns cortes só nos duas primeiro, individual, depois juntas — Pink falou ajustando os últimos detalhes da roupa. — Depois, todos juntos, vamos deixar rolar para ver o que acontece.
Pink terminou falando aqui de forma estranhamente sexy. Mas tudo bem. Tudo pronto, apertei para gravar. Começamos com Pink, ela sentada na espreguiçadeira, sensualizando um pouco, começou olhando para os lados e então direto para a câmera, abriu as pernas, apertou e alisou as coxas. Começou a passar a mão pelo corpo, apertando os peitos pequenos e então a mão foi para dentro do short. Começou a se masturbar de leve enquanto o olhar estava concentrado na câmera. Ela se levantou, tirou o short, se sentou novamente, dessa vez com uma das pernas erguidas, expondo a buceta já melada. Ela pegou uma boa quantidade de saliva com os dedos e passou direto em seu clítoris, esfregando, gemendo enquanto jogava a cabeça para trás, aumentando os gemidos.
— Acho que vamos ter que mudar os planos — Natasha sussurrou para mim.
Antes que eu pudesse responder, Natasha entrou em cena, andou lentamente, parando ao lado da espreguiçadeira. Pink percebeu, dando um sorriso ao vê-la ali. Natasha acariciou o cabelo rosa, se abaixou um pouco deixando a bunda bem empinada para a câmera e continuou o serviço entre as pernas de Pink. Afundou os dedos na buceta sem aviso, começou a masturbá-la com força, enquanto Pink gemia cada vez mais alto, Natasha começou a rir, alternando o olhar entre a câmera e a parceira. As duas se beijaram, cheguei mais perto tentando pegar toda a cena detalhadamente, abaixei mirando a buceta de Pink e logo subi pegando o rosto de Natasha, que sorria feito uma puta depravada. Foquei também no rosto de Pink, que gemia, manhosa, gozando nas mãos de outra. Logo, me afastei um pouco.
Pink se levantou, empurrando Natasha para a espreguiçadeira, num instante arrancou o short dela e caiu de boca, chupando, lambendo. Aquilo aconteceu muito rápido, fui um pouco para o lado, as duas encarando a câmera, agora com Natasha gemendo alto e Pink preocupada demais saboreando o mel da amiga. Não demorou muito para o orgasmo vir também.
Com Natasha ainda ofegante, as duas se entreolharam, logo depois encaminhando o olhar para mim. Não para a câmera como eu achei, mas sim para mim, Pink esticou a mão e puxou a barra da minha bermuda, me puxando para perto e fazendo meu pau pular para fora, agora oficialmente eu havia entrado na cena.
As duas se ajoelharam na minha frente, beijando meu pau delicadamente enquanto olhavam para mim. Sim, para mim, não para a câmera, como novamente havia pensado. Tentei me concentrar, era difícil com aquelas duas ali, ajoelhadas, por um momento passou pela minha cabeça, largar a câmera e foder as duas a minha maneira. Mas, tudo pelas filmagens, segui tentando me controlar.
Natasha foi a primeira a engolir todo meu pau, ou pelo menos tentar, ela engasgou na metade, deixou um pouco da saliva escorrer enquanto Pink mamava minhas bolas. As duas alternaram, Pink tentou engolir todo meu cacete enquanto Natasha chupava vigorosamente as bolas, quase arrancando, deu para ver o tesão nos olhos dela.
Natasha se levantou e me empurrou para a espreguiçadeira, me desequilibrei um pouco e deitei com tudo. Até machuquei um pouco minhas costas, mas logo a perdoei quando ela se ajoelhou novamente na minha frente, tirando o top curto e colocando meu pau entre seus peitos.
Pink surgiu atrás, lançando uma grande quantidade de saliva na cabeça do meu pau entre os peitos enquanto Natasha subia e descia, amassando os peitos com meu cacete no meio. As duas se beijaram, por um momento havia esquecido que tinha aquela câmera nas mãos, me certifiquei que ainda estava filmando e deixei as duas a vontade para fazerem o que quiserem.
Pink agarrou o cabelo de Natasha num rabo de cavalo numa mão, minha rola babada na outra e passou a bater meu pau no rosto dela. Pink estava diferente, mais agressiva, dominante. Mirou meu pau na boca de Natasha e empurrou a cabeça dela, fazendo meu cacete sumir.
Aquilo estava divertido de ver, Natasha sendo tratada igual a vagabunda que era, ao mesmo tempo, sentindo a garganta me apertar daquele jeito. Pink olhou para mim, sorriu, logo voltou o olhar para Natasha que apertava minhas coxas com as mãos tentando sair dali, provavelmente ficou sem ar.
Pink puxou o cabelo de Natasha, deixando ela respirar um pouco, muita saliva escorreu pelo meu pau, também pelo seu rosto. Pink deu uns tapas no rosto da parceira, cuspiu em sua boca enquanto Natasha, depravada do jeito que era, colocava a língua para fora. Pink novamente mirou meu pau na boca e repetiu o movimento, meu pau atingiu o fundo da garganta de Natasha. Estava no paraíso, me sentindo o rei do mundo, até me distraindo um pouco da minha função, quase deixando a câmera escorregar.
Natasha se levantou, tirou todo o restante de roupa e veio por cima. Pink tirou a câmera à força das minhas mãos. A visão do corpo da Natasha era divina, me lembrou quando ela sentou no meu rosto naquela noite que passamos juntos. Ela agarrou meu pau latejando e sem cerimônia alguma, desceu com toda a força.
— Ah, caralho! — sussurrei para mim mesmo.
Posso estar louco, mas acho que até senti minhas costelas estalando com o impacto. Natasha engoliu meu pau inteiro de uma só vez, sua buceta molhada e apertada se ajustando ao meu comprimento e grossura, ela apertando meu pau pulsando dentro dela. Ela ficou parada por um momento, apenas respirando fundo, seus peitos erguidos diante dos meus olhos. Pink se moveu ao redor com a câmera na mão, capturando cada detalhe, dando um foco maior onde nossos corpos se uniam.
Natasha começou a se mover, lentamente no início, depois com mais força. Ela levantou o corpo quase até a ponta do meu pau antes de descer novamente com um baque surdo. Segurei o quadril dela, apertei tão forte que senti minhas unhas afundando na pele macia e nos músculos firmes.
— Mais rápido — sussurrei para Natasha. — Ou é só isso que você aguenta?
Comecei a mexer meus quadris também, tentando me sintonizar com o ritmo dela. Natasha riu, um som baixo e provocador. Ela continuou com aquele ritmo, subindo e descendo, seu corpo se contorcendo sobre o meu.
De canto de olho, via a Pink se movimentando, ela tinha jeito com a câmera, mesmo pegando poucas vezes para filmar. Ela parecia tentar capturar o ângulo perfeito, a câmera perto o suficiente para gravar até as gotas de suor escorrendo pela pele de Natasha, reluzindo com o sol fraco.
Depois de alguns minutos, Natasha se levantou, meu pau saiu dela com um som úmido. Pink se aproximou e me devolveu a câmera com aquele sorriso malicioso e safado que só ela tinha.
Eu me levantei enquanto Pink e Natasha se ajoelhavam na espreguiçadeira, uma ao lado da outra, apoiando as mãos no encosto, deixando ambas as bundas empinadas e completamente expostas.
Como Natasha já havia sido a primeira, decidi que era a vez da Pink, me posicionei atrás dela, a câmera estrategicamente posicionada de lado para pegar tudo e então, comecei a enfiar. A buceta melada se agarrou ao meu pau como se não quisesse me deixar ir e parecia me sugar para dentro.
Comecei a foder Pink de uma vez, metendo rápido, enfiando forte, a espreguiçadeira até começou a balançar um pouco. Os sons que saíam daquele ambiente eram de pura perversão, meu batendo contra a bunda dela. Cada estocada a empurrava um pouco para a frente, mas minha mão livre estava agarrada à cintura dela, aproveitava para puxar ela contra mim e fazer meu pau ir mais fundo nela.
Natasha observava a cena com uma das mãos entre as pernas, se masturbando enquanto eu fodia a Pink sem o menor escrúpulo.
— Caralho — Natasha falou com os dentes cerrados. — Tá fodendo ela igual um animal.
Pink até chegou a se engasgar com os próprios gemidos, falando algumas coisas desconexas que nem Natasha que estava ao lado dela conseguia entender. Podia sentir a buceta pulsando, apertando meu pau, as contrações já denunciavam que ela estava perto de gozar. Mais algumas estocadas e Pink se contorcia na espreguiçadeira, gemendo alto, revirando os olhos.
Sai de dentro dela, me afastei um pouco enquanto ela estava ofegante e tentando se recuperar. Meu pau pulsava no ar, mas Natasha começou a balançar o rabo para mim, como se estivesse me chamando. Assumi a posição atrás dela, ela agarrou meu pau e esfregou na buceta por alguns segundos e depois subiu, deixando ele na porta do seu cuzinho.
— Pronto para comer meu cu? — ela disse enquanto mordia os lábios com a voz sem hesitação alguma.
Confesso que eu paralisei na hora, Natasha parecia se divertir com a minha reação, mas aquilo bastou para Pink se recuperar cem por cento e arrancar a câmera das minhas mãos novamente.
— O que está esperando? Tem medo? — Natasha sussurrou.
— Isso vai ser bom — Pink mirou a câmera no rosto de Natasha.
Ok, vamos lá!
Me agachei e caí de boca no cuzinho dela que pulsava na minha boca, enfiava a língua, seu cu parecia aceitar bem, parecia elástico enquanto Natasha gemia feito uma putinha. Tive certeza de deixar bem lubrificado, então me levantei e antes que pudesse me posicionar para começar a enfiar, Pink se aproximou e engoliu todo meu pau com a boca, deixando muita saliva escorrer enquanto ela engasgava. E claro, ela ainda filmava tudo aquilo.
Ok, tudo pronto, certo?
Agora sim me posicionei, com todo aquele lubrificante, meu pau entrou sem dificuldades em seu rabo. Em momento algum, Natasha pediu para parar ou para ir devagar. A única coisa que ela fazia era gemer e revirar os olhos enquanto Pink focava em suas reações um tanto exageradas.
Aquele cu era apertado, mais apertado que qualquer buraco que já havia enfiado meu pau. Senti o corpo dela tremendo, as vezes rígido, depois amolecendo, parecia um orgasmo. Comecei a me mover, lentamente no início, gradualmente indo com mais força, cada metida fazia Natasha gemer, aumentando mais a velocidade ela começava a gritar, seus peitos balançando violentamente. Pink tentava capturar tudo, movendo-se para capturar o ângulo de baixo, depois de lado, focando nas expressões de Natasha.
— Não para... não para... — Natasha murmurava enquanto revirava os olhos agora, a boca aberta em um gemido contínuo, depois cerrava os dentes num gemido choroso.
Agarrei o cabelo com força e puxei sua cabeça para trás.
— Tá gostando de ter o cu fodido, puta? — perguntei, quase rosnando.
— Mais — ela respondeu ainda com aquele gemido choroso. — Mais forte. Fode meu cu. Destrói meu cu.
Eu obedeci, fodendo com toda a força que sobrava. O som de pele batendo contra pele ecoava em volta da piscina, misturado com os gemidos de Natasha e as expressões extremamente satisfeitas de Pink enquanto ela tentava capturar tudo.
— Acho que a Natasha vai perder a cabeça — Pink falou. — Você tem que ver a cara dela, acho que temos nossa musa do anal.
Inclinei um pouco para ver como estavam as expressões em seu rosto, seus olhos estavam vidrados, a baba escorrendo pelo canto da boca. Ela dizia coisas que não faziam sentido, palavras soltas misturadas com gemidos. Senti meu próprio orgasmo se aproximando, senti uma pressão na base do meu pau enquanto o cu de Natasha tentava sugar cada centímetro do meu cacete para dentro.
— Quer que eu goze aonde, putinha? — foi a única coisa que consegui falar.
— Dentro — ela falou baixinho seguido de um gemido. — Por favor... goza dentro do meu cu.
Com uma última metida, forte, comecei a gozar, explodindo dentro dela. Senti o calor da porra invadindo e impregnando nas paredes do seu cu, vazando um pouco e escorrendo pelas coxas dela, Pink ainda gravava e capturou o momento em quando o esperma vazou enquanto eu ainda dava algumas estocadas de leve.
Esperei alguns segundos, completamente exausto. Abri a bunda de Natasha e sinalizei para Pink se aproximar, tirei meu pau devagar e todo o esperma escorreu para fora. Natasha com a bunda ainda empinada, soltava algumas palavras desconexas enquanto Pink dava um close no arrombo em seu rabo. Então finalmente, ela desligou a câmera.
Natasha estava completamente destruída, simplesmente sem energia. Largada na espreguiçadeira, com os olhos fechados e uma expressão satisfeita.
— Eu não consigo sentir meu corpo, não consigo levantar — murmurou.
— Você não está levantando há dez minutos — Pink continuava sentada próxima à piscina, já com uma toalha nos ombros, analisando alguns trechos da gravação na câmera.
— Porque eu não consigo.
— Drama.
— Pink, porque você não vai... — Natasha parou. — Não tenho energia nem para falar.
— Você consegue andar? — perguntei.
— Não consigo, caralho, já falei.
— Consegue sim.
— Me leva — Natasha abriu um dos olhos e estendeu os braços na minha direção.
Fiquei parado, olhando aquela cena, Natasha de braços abertos, completamente nua pedindo para eu carregá-la.
— Seu covarde — Natasha falou após alguns segundos sem eu responder.
— Gabriel, só leva ela logo — Pink riu atrás de mim.
Mesmo achando aquela situação muito engraçada, acabei pegando ela nos braços. Natasha abriu um sorriso vitorioso.
— Meu salvador — ela se aconchegou no meu peito. — Eu vou dormir o resto do dia.
— Poupa suas palavras.
Ela só assentiu, fechando os olhos novamente. Ela ficou em silêncio por aproximadamente três segundos.
— Você destruiu meu cu.
— Natasha, descansa.
— Foi mal.
Atravessei a área da piscina carregando Natasha enquanto ela parecia perfeitamente confortável naquela situação. Quando finalmente a coloquei na cama em seu quarto, ela afundou nas almofadas como alguém que tinha acabado de completar uma maratona.
— Sobrevivi — declarou.
Pink entrou logo depois segurando a câmera, os olhos dela brilhavam.
— Vocês não têm noção do que acabou de acontecer.
— Aconteceu que eu fui arrombada por esse monstro — respondeu Natasha apontando o dedo para mim.
— Não. Aconteceu que nós gravamos uma obra de arte, uma hora e vinte e três minutos — Pink levantou a câmera como se estivesse exibindo um troféu. — Uma hora e vinte e três minutos de puro caos sexual.
— Isso não me parece arte — arqueei a sobrancelha.
— Parece para quem paga.
— Eu concordo com a minha chefinha — Natasha ergueu uma mão.
Pink continuou sorrindo enquanto analisava mais alguns trechos. Mais tarde, já sozinho na sala, abri os arquivos no notebook e comecei a trabalhar. Cortei algumas partes, fiz transições, correção de áudio, imagem, organização das cenas.
Durante semanas eu tratei a Natasha como um problema, uma invasora, uma dor de cabeça ambulante. Toda vez que ela aparecia, alguma confusão surgia junto. Toda vez que eu começava a me acostumar com alguma coisa, ela aparecia para bagunçar tudo de novo.
Mas enquanto assistia ao resultado final da gravação, comecei a enxergar a situação por outro ângulo. Natasha era caótica, impulsiva, irritante, provocadora. Ela entrou no projeto feito um furacão e, gostando ou não, deixou tudo mais vivo. Talvez eu tivesse passado tempo demais focando nos problemas que ela causava e pouco tempo observando os resultados.
Os resultados estavam ali, bem na minha frente, talvez ela não tivesse aparecido para destruir nada, talvez tivesse aparecido para somar. Não foi uma conclusão que chegou de uma vez, foi acontecendo aos poucos. Até que, quando percebi, a raiva já não pesava tanto quanto antes. Terminei os últimos ajustes da edição e recostei na cadeira por alguns segundos.
O vídeo estava pronto, conferi tudo mais uma vez. Fiz o upload e fiquei observando a barra de progresso avançar lentamente até chegar aos cem por cento. Missão cumprida. Fechei o notebook e permaneci alguns segundos olhando para a tela apagada. A casa estava silenciosa, levantei da cadeira e segui pelo corredor, quando entrei no quarto, encontrei a Pink dormindo atravessada na cama, ocupando espaço suficiente para três pessoas. Sorri sozinho, aquilo era totalmente a cara dela.
Apaguei a luz, me deitei ao lado dela e, poucos segundos depois, senti ela se aproximar automaticamente ainda dormindo, procurando calor, como sempre. Passei um braço ao redor dela e fechei os olhos. Pela primeira vez em vários dias, minha cabeça estava tranquila, O projeto continuava crescendo, cresceria ainda mais após aquele único vídeo.
O futuro ainda era uma incógnita, mas pensar demais no futuro me deixava um pouco mal, aquilo podia ficar para amanhã. Naquela noite, eu só queria dormir.
