A Virtude e o Pecado
A semana seguinte passou como um bálsamo sobre o meu corpo cansado, mas o espírito continuava inquieto. A imagem de Dona Beatriz não saía da minha cabeça. Ela, que se fazia de santa, que falava mais alto que todas na missa, que usava véus e posturas recatadas... eu sentia no meu íntimo que havia fogo sob aquela água benta.
Decidi fazer uma visita à sua fazenda, numa tarde calma de terça-feira. Cheguei em minha charrete, elegante, e fui recebida com todos os protocolos. A casa dela era mais modesta que a minha, mas cheirava a santidade e a incenso.
— Que prazer, Eulália! — disse ela, beijando meu rosto, com aquele sorriso perfeito e falso. — Sente-se. O dia está lindo, não acha?
Sentamos na varanda, sob a sombra de um jaqueira. Os escravos passavam servindo biscoitos e água de coco. E foi então que eu o vi.
Ele entrava carregando um vaso de barro pesado. Não era um rapaz novo. Era um homem maduro, de uns quarenta e poucos anos, com a pele bronzeada de sol, marcada profundamente pelo tempo e pelo trabalho. As costas dele, mesmo cobertas pela camisa fina, mostravam o relevo de cicatrizes antigas, marcas de açoite que contavam histórias de sofrimento e resistência. O peito era largo, os braços grossos, cheios de nódoas e veias saltadas. Era a cara da força bruta, do homem que sofreu mas permaneceu de pé.
Quando ele passou por Dona Beatriz para deixar o vaso, eu vi. Foi rápido, quase imperceptível. Ela baixou os olhos, mas o rosto dela corou, um vermelho vivo que subiu do colo até a testa. E ele... ele olhou para ela com uma intimidade que só quem já esteve na cama conhece.
Ah! Então era assim...
— Belas peças você tem aqui, Beatriz — comecei, abanando-me lentamente, observando-a pelo canto do olho. — Aquele ali, em especial... parece ter sofrido muito na vida, não? Tantos sulcos na pele... mas que força, não é?
Ela engoliu seco, mexendo nervosamente na xícara de chá.
— São apenas animais de carga, Eulália. Fazem o trabalho que lhes é ordenado. Nada mais.
Ri baixinho, aproximando minha cadeira da dela.
— Apenas isso? Sinceramente, Beatriz... você nunca olhou para um daqueles corpos grandes, quentes, cheios de vida... e nunca imaginou nada? Nunca sentiu curiosidade de saber como seria? Afinal, eles são tão diferentes dos nossos maridos, não acha? Nossos homens são fracos, moles, cheios de manias e doenças. Estes... estes são puro sangue, pura força.
Dona Beatriz ficou branca como cera. Ela abanou-se com violência, o leque batendo rápido contra o rosto, tentando esconder o nervosismo.
— Que conversa é essa, mulher! É pecado! É coisa do diabo! Eu sou uma senhora casada, respeitada...
— Respeitada — repeti, pausadamente. — Mas também é mulher. E mulher tem fome, Beatriz. Não me venha com essa de que nunca olhou para aquele homem ali, com as costas marcadas, e não quis ser tocada por mãos que sabem o que é trabalho duro.
Ela calou-se. O silêncio dela foi a resposta mais alta que eu poderia ter. Ela não negou com força. Ela queria. Ela desejava aquele negro velho e marcado, mas tinha medo, tinha vergonha.
Tive uma ideia luminosa. Uma ideia que iria quebrar de vez as correntes da hipocrisia.
— Olhe, não se assuste — disse, pegando a mão dela, que estava gelada e trêmula. — Eu não sou de julgar. Pelo contrário... Venha tomar chá na minha casa na próxima semana. Vamos estar só nós duas, sem cerimônia, sem olhos alheios. Quero te mostrar uma coisa. Quero te apresentar... uma nova forma de ver o mundo.
Ela aceitou, quase como um autômato, os olhos brilhando de medo e curiosidade.
Ao voltar para a Santa Isabel, eu sorria sozinha na charrete. Pobre Beatriz. Ela achava que era a única, que seu segredo era pesado. Mas ela não sabia que iria encontrar na minha casa muito mais do que esperava.
Ela gostava de "velhos", de homens marcados pela vida? Pois muito bem. Eu iria lhe dar algo muito melhor. Iria apresentá-la ao Ezequiel.
O gigante. O touro da Costa. Aquele que não tem nenhuma marca, porque ninguém nunca teve coragem de bater nele, mas que tem a força de dez daqueles. Eu iria colocar Dona Beatriz, a santa, de quatro para o maior negro da região. E aquela seria a tarde que mudaria a vida dela para sempre.
Na véspera da visita de Beatriz, o sol já havia se posto e a casa mergulhara na penumbra. Mandei chamar Ezequiel. Ele veio, silencioso e imponente, preenchendo todo o espaço do meu quarto com a sua presença maciça.
— Sinhá mandou chamar? — sua voz era um trovão baixo.
— Sim, Ezequiel. Tenho um trabalho especial para você amanhã — disse, caminhando até ele, passando a mão pelo peito duro como pedra. — Vai receber uma visita. Uma dama muito fina, muito recatada. Ela gosta de força, de homem que sabe dominar. Quero que você seja todo dela. Que faça com ela o que quiser, que use ela como se ela fosse sua. Mas antes... — segurei a cintura dele, olhando fundo nos olhos negros — ... quero que você me marque. Quero entrar amanhã sentindo você dentro de mim.
O sorriso dele se abriu, mostrando os dentes brancos.
— A Sinhá quer ser montada primeiro? Para ficar cheia de mim antes de receber a convidada?
— Exato. Quero que você me encha toda, de quatro, como só você sabe fazer.
Ezequiel não esperou. Com um movimento rápido, ele virou-me de costas, empurrou minha saia para cima e baixou minhas anáguas de uma só vez. Ele era grande, e eu sabia que ia doer de prazer.
— Toma, branquinha... — ele disse.
Senti a cabeça dura e grossa procurando minha entrada e, num impulso só, ele entrou até o fundo. Meu corpo se esticou, a carne se abrindo para receber aquele pau de ébano monstruoso. Ele agarrou minha cintura com as mãos enormes e começou a me bater.
— Uhm! Sim! Mais forte! — gritei, agarrando os lençóis. — Me enche, gigante! Me deixa toda melada!
Ele me fodia com uma fúria controlada, fundo, pesado, fazendo minha bunda balançar a cada golpe. Sentia ele crescendo dentro de mim, pulsando, enchendo cada canto vazio do meu útero. Quando ele gozou, foi uma inundação. Sentei o sêmen quente e espesso jorrar dentro de mim, me enchendo tanto que escorreu pelas minhas coxas.
— Pronto, Sinhá — disse ele, ofegante, ainda dentro de mim. — Amanhã eu vou dar para ela o mesmo que dei para a senhora. Vou fazer ela gritar.
— Isso mesmo. Faça ela sentir o céu e o inferno.
Na tarde seguinte, Dona Beatriz chegou toda arrumada, com seu vestido de seda clara, leque na mão e aquele ar de santidade que já conhecia bem. Matias havia partido ao amanhecer para a cidade, dizendo que só voltaria à noite. A casa estava toda nossa. Ninguém para atrapalhar.
— Entre, minha amiga! — recebi-a com um sorriso caloroso. — Que bom que veio. Hoje o dia é nosso.
Entramos na sala de visitas, mas eu logo propus:
— Está muito calor aqui na frente. Vamos para os fundos, para o meu quarto de costura. Lá é mais fresco e ninguém nos incomoda.
Ela seguiu-me, um pouco desconfiada, mas curiosa. Quando entramos no aposento, eu fechei a porta pesada e girei a chave. O clic do trinco soou alto no silêncio.
— Eulália... por que trancou? — ela perguntou, recuando um passo.
— Porque quero falar a verdade, Beatriz. Sem máscaras. — caminhei até ela, segurando suas mãos que estavam geladas. — Você pensa que eu não vi? Você olha para aquele seu escravo velho com olhos de fome. Você quer ser tocada, não é? Quer sentir o que é ser possuída por um homem de verdade.
Ela tentou se soltar, o rosto ficando vermelho.
— Não sei do que você está falando! Eu sou uma senhora respeitável! Eu...
— Chega de mentiras! — interrompi firme. — Você veio aqui porque quer. E eu preparei uma surpresa para você. Você gosta de força, de homem que marca? Pois eu tenho aqui o melhor da região. Ele não tem marcas de chicote nas costas, não... porque ninguém é louco de bater nele. Mas ele tem força para derrubar uma casa.
Nesse momento, bati palmas duas vezes.
A porta dos fundos, que dava para o corredor de serviço, abriu-se lentamente.
Ezequiel entrou.
Ele estava sem camisa, mostrando aquele corpo de deus negro, pele retinta brilhando, peito largo, braços de dar medo. E o cabelo black, volumoso e rebelde, coroando aquela cara de poucos amigos. Ele parou ali, ocupando toda a porta, olhando para Beatriz como um leão olha para uma gazela.
Beatriz soltou um gritinho abafado, cobrindo o rosto com o leque.
— Meu Deus! O que é isso? Tire esse homem daqui!
— Não, Beatriz — disse eu, empurrando-a suavemente para frente. — Hoje você não vai fugir. Esse aqui é o Ezequiel. Ele é meu, mas hoje eu emprestei ele para você. Ele vai fazer tudo o que você tem medo de sonhar.
Ezequiel deu um passo à frente. O chão pareceu tremer.
— Aproxime-se, Sinhá Beatriz — a voz dele era grave, hipnótica. — A patroa disse que a senhora está com saudade de um homem que saiba tratar uma mulher como deve ser.
— Eu não... eu não posso... — ela balbuciava, mas seus olhos já estavam vidrados no volume que se formava na calça de tecido grosso dele. Ela estava excitada, eu via.
— Não resista, Beatriz — sussurrei em seu ouvido. — Deixe ele te possuir. Deixe ele te encher. Você vai ver como é bom ser comida por um gigante desses.
Ezequiel chegou perto. Ele não pediu permissão. Agarrou o queixo dela com uma mão só, levantando seu rosto.
— A senhora é muito branquinha... muito delicada — murmurou ele, aproximando o rosto. — Mas eu sei que por baixo dessa roupa toda tem uma fêmea quente.
Ele puxou ela para si, colando o corpo duro dele contra o corpo dela. Beatriz gemeu, um som baixo, perdido, e eu vi ela se entregar. O leque caiu no chão.
— Tira ela dessa roupa, Ezequiel — ordenei, sentando-me numa poltrona para assistir ao espetáculo, ainda sentindo o dele dentro de mim da noite anterior. — Mostra para ela o que é prazer de verdade.
Com cuidado, mas com autoridade, ele começou a desabotoar o vestido dela. O tecido caiu, revelando uma pele branca, um pouco mais magra que a minha, mas igualmente feminina. Ezequiel passou as mãos grandes por todo o corpo dela, apertando, explorando, fazendo ela tremer toda.
— Oh... por Deus... — ela gemia, a cabeça caindo para trás.
— Não existe Deus aqui, só eu e você — rosnou ele, e levantando ela no ar com facilidade, depositou-a sobre a minha cama grande.
Beatriz ficou lá, deitada, toda nua, tremendo de medo e excitação. Ezequiel ficou em pé ao lado da cama, soltando os cordões da calça. Quando ele se libertou, eu vi os olhos dela se arregalarem. Ele era enorme, uma coluna de ébano latejante, muito maior que qualquer coisa que ela já tinha visto ou imaginado.
— Meu Deus... ele é enorme... não vai caber... — ela tentou fechar as pernas, assustada.
— Abre, minha filha — disse eu, da poltrona. — Ele sabe o tamanho. Deixa ele entrar devagar.
Ezequiel abriu as pernas dela com força, separando aquelas coxas brancas.
— Vai doer um pouco, Sinhá... mas depois vai ser só gostoso. Vou te encher todinha.
Ele se posicionou entre as pernas dela, apoiou as mãos na cabeceira e desceu o corpo. A cabeça grossa dele pressionou e, lentamente, foi abrindo caminho. Beatriz gritou, agarrando os lençóis com força, as unhas brancas.
— Ai! Ai... que grande...
— Aguenta, branquinha... vai entrando... vai enchendo...
Ele entrou devagar, mas até o fim. Ela ficou toda esticada, a barriga dela até fazia um relevo onde ele estava dentro. E então, Ezequiel começou a se mover.
— É isso... toma esse pau preto... — ele gruía, batendo devagar e profundamente. — A senhora é toda minha agora.
Eu assistia, maravilhada. Via a "santa" sendo transformada ali mesmo. Via ela esquecer a igreja, o marido, o mundo. Ela estava sendo montada pelo touro da Costa, sendo possuída de uma forma que nenhum marido brando jamais conseguiria. O corpo dela subia e descia na cama a cada estocada forte do gigante.
— Mais... mais forte... — ela implorou, já sem vergonha nenhuma, agarrando o cabelo black dele. — Me come, negro! Me usa!
— Isso! Grita! — incentivei eu. — Deixa ele te comer toda!
Ezequiel aumentou o ritmo. Ele a virou de quatro, puxando ela pela cintura, e bateu com mais fúria. O som de pele batendo enchia o quarto, misturado aos gemidos altos dela e aos rosnados dele.
— Eu vou gozar! Eu vou morrer! — gritou ela, quando o prazer chegou, o corpo todo espasmando sob ele.
Ezequiel não parou. Ele segurou ela firme, gozando também, derramando toda aquela semente quente e grossa dentro da esposa respeitável, enchendo ela tanto que começou a escorrer para fora, molhando os lençóis.
Tudo ficou em silêncio, só o som da respiração ofegante.
Beatriz caiu sobre a cama, exausta, os olhos vidrados no teto. Ezequiel saiu de dentro dela, grande e vermelho, e veio até mim, beijando minha mão com respeito de novo, mas com o olhar de quem cumpriu bem a missão.
— Pronta, Sinhá. Ela agora entende.
Eu me levantei, fui até a cama e acariciei o rosto dela, que ainda estava vermelho e suado.
— E então, Beatriz? — perguntei com um sorriso. — Ainda acha que é pecado?
Ela olhou para mim, depois olhou para Ezequiel, e sorriu, um sorriso bobo, de mulher realizada.
— Eu não sabia... eu não sabia que existia algo tão bom... Volto amanhã, Eulália. Por favor... diga a ele que eu volto amanhã.
Ri, satisfeita. Eu tinha convertido mais uma alma ao paraíso de ébano.