Boa noite a todos. Segue mais uma parte com mais drama que sexo dessa vez. A partir da próxima postagem vai ter mais sexo, prometo. Tinha ficado de postar ontem, mas cheguei cansado de mais em casa. Comentem, curtam, opinem para eu saber se estão acompanhando e se devo continuar escrevendo. Tem muita coisa para narrar ainda e olhando bem passou das 150 paginas no word, daqui a pouco isso vira um romance. A próxima postagem sai daqui duas semanas, dia 12 de junho, por volta das 19h.
Submisso Daquele Cara - um ex que só dá trabalho - (Parte Única)
Pensa em uma pessoa cansada, que trabalhou o dia inteiro e a única coisa que deseja e chegar em casa, tomar um banho e deitar? Era eu nesse dia. Era mais de sete da noite quando cheguei na casa do Renan. Eu estava exausto. Havia ficado mais de dez horas de pé. Não havia comido nada desde o almoço. Teve um evento de venda no trabalho hoje e, apesar da provável comissão que vai dobrar o meu salario, sentia minhas pernas bambas.
Entrei na casa sem muito alarde. Tinha uma chave do portão e da porta da cozinha. Quando entrei notei duas xícaras na mesa e um bolo pela metade. Quem visitaria o Renan?
Sem muita curiosidade entrei e deixei a minha mochila pelo meio do caminho, fui direto para o banheiro, queria apenas relaxar em um banho depois do dia intenso. Quando cheguei na porta do banheiro Renan saiu sem camisa do quarto, só de short e João aparece somente de cueca.
Eu olhei a cena em silêncio. Minha cabeça estava doendo. Eu limpei os dois olhos para ver se era verdade o que estava vendo.
João me olhava com os olhos arregalados.
Renan parecia ter visto uma assombração.
Nós três ficamos em um silêncio mortal por quase um minuto.
Eu olhei o Renan de short, olhei o João de cueca. Olhei o Renan de short e olhei o Renan de cueca. Os dois me olhavam apavorados.
- Eu to muito cansado para lidar isso agora – disse abrindo a porta do banheiro.
- Não é o que você está pensando – disse Renan vindo até mim, ele me pegou pelo braço e me fez olhar para ele.
- Nunca é – disse para ele sem paciência.
- É sério, isso tudo que você está vendo é um mal-entendido.
- Aparentemente mal-entendidos são comuns quando envolve o joão – disse para ele cansado. Suspirei e entrei no banheiro.
- É sério estressadinho. Eu não estou te traindo.
- Nós nem namoramos – disse com mais acidez que gostaria. - Não seria uma traição.
João pareceu confuso.
Renan foi pego de surpresa com o que disse.
Olhei para o João de cueca. Uma cueca flip branca com a rola marcada nela. Uma rola imensa.
Suspirei.
- Ok.
- Ok? - disse Renan. - Só isso?
- O que quer que eu pergunto? – disse fechando os olhos. Só queria sentar no vaso e ter um minuto de privacidade.
- O que quer que eu pergunte? - questionei sem paciência.
- Eu não sei exatamente? - disse Renan confuso.
- Isso já é uma resposta – disse abrindo a porta. - Eu vou usar o vaso agora e não quero ninguém aqui me incomodando.
- Você está bem?
- Eu fiquei dez horas em pé hoje, eu não sinto mais as minhas pernas… EU PAREÇO BEM? – disse para ele entrando e fechando a porta.
Sentei para fazer minhas necessidades fisiológicas e quase dormi no vaso. Dez minutos depois eu estava sentado no chão do banheiro. A água do chuveiro caia quente nas minhas costas. Estava tão cansado que nem consegui ficar em pé para tomar banho. Fiquei ali mesmo relaxando, o cinto de castidade molhando me lembrou que precisava tirar ele para uma limpeza. Depois que eu saísse do banheiro pensaria na cena estranha que vi a pouco.
Renan entrou no banheiro e jogou a chave do cinto.
- Tira antes que o João vê... – disse ele baixo – Você caiu!? Por que está no chão?
- Só estou cansado – disse olhando Renan.
- Oh… ok...
Tirei o cinto na mesma hora. Aproveitei para lavar o pau que já estava com sebo. Levantei e deixei a água quente cair no meu rosto. Queria só a cama agora. Nem comer eu ia comer. Passei o shampoo anticaspa do Renan (o único que ele usava) no meu cabelo cortado de maquina, ensaboei o corpo. Renan estava sentado no vaso me olhando com toda lascívia possível. Se João não estivesse ali teria me pegado ali mesmo no banheiro.
- O senhor está calado de mais – disse para ele.
- Pensando na melhor forma de conduzir tudo antes que isso vire uma briga e estrague nosso fim de semana – disse Renan pensativo. - Não quero te castigar ou bater esse final de semana...
Eu olhei para ele com os olhos entreabertos, a testa franzida, puto da vida, sem dizer nada.
João entrou no banheiro de repente.
Meu corpo estava coberto de sabão, mas era possível ver algumas marcas de cinto e chupões que Renan deixou. Uma marca da cintada mesmo estava no meio do peito. Nessa hora pisei no cinto de castidade que estava no chão para escondê-lo com meu pé.
- Porra João sai daqui! - disse Renan com os olhos arregalados.
João me olhou provavelmente vendo as marcas. Renan jogou uma toalha sobre mim. O chuveiro estava ligado e molhou a toalha. Eu adorava aquela toalha...
- Eu não quero que ele fique pensando coisas erradas – disse João olhando para mim. - A gente teve um péssimo primeiro encontro.
- Eu não estou pensando nada agora – disse para João.
- Sai daqui João! PORRA! - disse Renan irritado empurrando ele.
Com dificuldade ele se livrou de Renan e tirou o pau da cueca. Estava mole.
Renan arregalou o olho em choque.
- Que pintão! - disse surpreso.
- SOME DAQUI O PORRA! TA MOSTRANDO A ROLA PARA O MEU NAMORADO.
Ora, ora, ora, temos hoje aqui algo que não acontece com frequência, pensei enquanto olhava aquele pirocão mole.
Renan passou do vermelho para roxo.
- Estou com umas feridas no pênis e vim aqui contar para o Renan, nós não estamos transando.
Ele puxou a pele do pau dele. Mole o pau dele era enorme e volumoso. Nessa hora queria estar com o cinto porque estava ficando com o pau duro. Mas ao puxar a pele a cabeça se revelou com algumas feridas. Estavam vermelhas.
- Viu, não fizemos nada. Vim aqui para ele ir comigo no médico – disse João sem vergonha alguma me mostrando a cabeça do pau cheia de feridas. Ele parecia mais preocupado comigo do que com o pau todo ferido.
Renan estava a beira de um ataque olhando João enquanto ele guardava o pinto.
- Tá bom – disse para ele, fechei os olhos e respirei fundo. Aquilo estava bem feio, mas esse drama todos que inventaram, poderiam ter sido mais diretos. - Eu não estou achando isso. Agora por favor… vocês dois poderiam ME DEIXAR TOMAR MEU BANHO EM PAZ!
Os dois saíram do banheiro
Tomei meu banho e sai do banheiro. Eu estava tão feliz que tinha chegado em casa. Vesti uma cueca do Renan e deitei na cama.
Huhuhuhu, estava tão bom aquela cama. Apaguei a luz atirando o chinelo no apagador só para não levantar. Puxei a coberta verde – essa coberta bolorenta tinha o cheiro do Renan. Rolei na cama e me cobri todo. A cama estava tão gostosa. Puxei a coberta na altura do queixo e cheirei, sentindo o cheiro dele impregnado nela. Agora é só fechar os olhos e dormir. E o sono veio… Gostoso, pesado e com cheirinho do Renan… tudo ficou escuro...
- Estressadinho… Estressadinho…
Estou sonhando com o Renan me chamando.
- Estressadinho…
Abri os olhos.
Renan estava do meu lado, agachado ao lado da cama. O rosto dele quase colado no meu.
Eu dei um berro pulando na cama com o susto.
- O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O SENHOR HOJE? QUER ME MATAR DO CORAÇÃO!?
Renan se levantou respirando ofegante.
- Que susto Estressadinho! – disse ele.
- FOI O SENHOR QUEM ME ASSUSTOU – disse irritado. - Por qual motivo está agindo tão estranho? Era só ascender a luz que eu acordaria; aparecer como uma assombração do meu lado – eu me sentei na cama me recuperando do sono.
- Eu vou ter que ir trabalhar agora, ocorreu um imprevisto – disse ele.
Despertei na hora. A irritação passou como se tivesse virado a chave.
- Aconteceu algo?
- Não – disse ele me acalmando. - É algo interno, nem vou sair do quartel. Pode ficar tranquilo.
Eu me acalmei e me preparei para brigar com ele novamente.
- Estressadinho – chamou eles sentando-se na beirada da cama. Estava de calça, coturno e uma camiseta regata. - Posso te pedir um favor?
- Pode… - disse tampando o rosto com as mãos. Pelo visto não seria possível descansar essa noite. E como ele não ia “mandar” eu fazer seja lá o que fosse, era algo relacionado ao João.
- Preciso que vá na emergência com o João para mim – disse Renan.
Eu puxei a coberta e me virei. É o que me faltava.
- Ele não pode ir sozinho? - perguntei.
- Não, ele não tá bem.
- Ele tem trinta e oito anos – disse para Renan. - Por qual motivo não pode ir sozinho?
- É o jeito dele.
- É sério, eu sou doze anos mais novo que ele vou sozinho – disse para Renan.
- Não vai não, o Fred não deixa e eu também não deixaria ir só – disse Renan.
- Eu quebrei o braço em dois lugares e fui sozinho, passeia noite na emergência – disse para Renan sentindo o cheiro dele na coberta. - Isso sem plano de saúde e com um hospital lotado.
- Duvido muito – disse Renan.
- Eu não minto – disse para Renan.
- Verdade… - disse Renan pensativo. - Eu vou querer saber essa história depois hein – disse Renan.
- É sério mesmo, o senhor não pode ir com ele amanhã? – perguntei para o Renan.
- Ele veio aqui para isso – disse Renan.
- O João da muito trabalho – disse me sentando novamente na cama.
- Sei que está cansado, mas quebra essa para mim, por favor? - disse Renan. - Via de regra eu mandaria você fazer, mas como envolve o João tenho sempre um pé atrás. É mais fácil te fazer usar o cinto de castidade do que te obrigar a fazer algo que desse tipo. Se te obrigar a fazer vai ficar com cara fechada e tratando ele mal. Não quero, por isso estou te pedindo.
- Impossível ele não poder ir sozinho – insisti.
- O joão é… ele tem suas idiossincrasias – disse Renan. - É uma pessoa profundamente competente no que faz, é muito inteligente, tem muita influência e conhece gente muito poderosa. Mas tem esse lado dele meio carente, meio dependente emocional dos outros. Vamos chama isso de… difícil.
- Eu chamaria de problemático – disse sério disse olhando o Renan irritado.
- Acho esse um termo muito forte – disse Renan.
Não disse nada.
- Todas as pessoas muito boa em algo, muito incríveis, excepcionais… tem esse lado frágil… problemático. Depressão, vícios, ansiedade… tudo isso cerca esse tipo de pessoa. Veja bem esses cantores famosos, as divas pop que tanto ama, algumas delas (julgo dizer as mais talentosas) possuem um passado terrível, e isso segue para escritores, pessoal da ciência… tudo cheio de problema, a vida toda fodida. Eu acho que é a vida compensando tanto talento com alguns problemas, ou contrário. Eu chamo de equilíbrio.
Eu olhei para ele com os olhos cerrados.
- Eu chamo de encheção de saco – disse raivoso. - Se ele é tão incrível quanto diz por que está sozinho? - perguntei.
- A genialidade e a solidão são companheiras de vida – disse Renan com tom apaziguador.
- Está poético de mais hoje… - disse olhando ele insatisfeito.
Ele sorriu de boca fechada.
- É bom ter alguém como o João por perto – disse Renan suspirando. - Ele conhece muita gente importante. Juízes, promotores, políticos, empresários… Você conheceu o João em meio uma crise, não faz ideia de como ele é no dia a dia. Posso te dizer Estressadinho, o João é implacável.
- Faz parecer que mantém ele por perto por interesse – disse para Renan, serrando só olhos.
- O interesse é a base das relações humanas – disse ele sorrindo para mim. - Não estaria com você se não estivesse interessado, não é mesmo?
Aquilo fazia algum sentido, ou era meu sono falando mais alto.
- Mas eu devo tudo a ele, tudo mesmo. Quebra essa para mim, Estressadinho? - o sorriso encorajador dele, os olhinhos quase fechados, as sobrancelhas arqueadas. Não conseguia dizer não para ele.
- Ta bom – disse para ele. - O que você não pede chorando que eu não faço sorrindo?
- Sempre achei essa uma frase cruel dita por mães para os seus filhos – disse fazendo um sim com a cabeça ele em resposta. Logo ele me beijou na testa. - Tenho que ir agora. Ele está la na sala esperando. Seja gentil com ele, por favor.
- Renan!
Me olhou por cima do ombro.
- O senhor sente o meu cheiro? Digo, um cheiro só meu?
- Claro! - disse ele saindo. - Mesmo quando está com o meu cheiro de suor ou da minha saliva impregnado em você, você tem cheiro de caramelo. Caramelo bem fraquinho. Quando entro em um lugar que vocês está eu já sinto esse cheiro – disse ele. - Eu te busco no João depois que saírem. Beijos – disse ele saindo.
- Bom trabalho! E toma cuidado.
Ele me olhou com um sorriso de canto de boca e sumiu no corredor.
Cheiro de caramelo… só me faltava essa… enfim...
Levantei e troquei de roupa. Fiquei surpreso com a naturalidade que estava me vestindo como o Renan. O novo estilo estava aderido com sucesso. Fui até a sala e joão estava calado sentado no sofá. Quando cheguei ele me olhou um tanto apreensivo.
- Bora? - chamei ele.
- Vamos – disse ele sério.
[…]
Chegamos no pronto atendimento e pegamos a senha. Estava com um movimento considerável para um sábado a noite. Pela senha que o João pegou tinha ao menos umas quinze pessoas na frente dele. Depois que passou pela triagem ele ficou com a fitinha verde, que implica não urgência – em outras palavras, seria um bom tempo esperando. Ficamos calados um bom tempo sem conversar, mas notei que ele estava bem nervoso. Ele estava usando uma calça de moletom cinza, tênis de corrida, regata branca. No pulso uma pulseira fina que parecia ser de prata.
- Vai dar tudo certo homem! – disse encorajando ele.
Estávamos sentados na primeira fileira, de frente para uma porta fechada que dava acesso à enfermeira da triagem. Acima, na parede, um imenso monitor onde eram chamados os nomes. O lugar era muito claro e iluminado, limpo, com ao menos quatro fileiras imensas de cadeiras que iam de um lado ao outro, com ao menos a metade delas ocupadas. Muita gente doente para um sábado a noite, pensei.
- Eu sei – disse ele em resposta. - Mas não deixo de pensar como eu sou burro.
- Acontece, não encapou o Big Jon e pegou uma IST, eu acho – disse baixo, sem chamar atenção. - Agora fica a lição. Próxima vez sei que não vai acontecer.
- Você não entende – disse ele.
- Então me explica para eu entender – disse com ares compreensivos. É sério, eu estava ali cuidando do ex do meu namorado?
- Minha saúde mental já e toda fodida, Estressadinho. Sabe como eu sou – disse ele olhando a palma da mão aberta. - A ultima coisa que eu preciso é de um problema no meu corpo.
Ele não estava de todo errado.
Pousei a minha mão sobre as costas da mão dele. A mão dele era muito maior que a minha, cheia de veias aparentes, como a do Renan. O contraste de cor da nossa pele era evidente, com a minha pele marrom claro e a dele marrom escuro. A mão dele estava muito fria e suada.
- Vai dar tudo certo – disse para ele. - Está tomando o pep, agora o médico vai te passar algumas injeções bem dolorosas que vai resolver o problema. Ao menos eu acho que vai ser isso que vai acontecer.
Olhei para ele, sorri de boca fechada, as sobrancelhas arqueadas, tentei ser positivo e passar segurança para ele.
Ele sorriu de volta, mas o olhar estava quebrado, o semblante triste. Aquilo me deixou um pouco mal.
- E se não der certo? Se for outra coisa? – questionou ele.
- Ai vamos pensar em como resolver. Analisar todas as possibilidades. Só não existe solução para a morte. Faremos tudo para resolver caso as coisas deem errado. De toda forma eu estou aqui com você – disse para ele. Ainda mantinha o sorriso encorajador.
- Está certo, Estressadinho!
Eu espreguicei e depois bocejei. Estava com muito cansado do dia. Só queria ir embora e dormir.
- O Renan me falou o que aconteceu com o Fernando – disse João depois de um tempo. - Disse que ele foi racista com você.
Lembrei do dia. Aquele dia estranho.
- Não chegou a falar explicitamente, mas foi sim – disse para João. Sinceramente não queria falar sobre. - O Renan surtou com ele. Nunca tinha visto ele tão nervoso com alguém.
- O Renan como autoridade policial deveria ter dado voz de prisão para ele, não tentar estrangulá-lo – disse João incomodado. - O Fernando perdia o réu primário dele em dois tempos.
- Acho que naquele dia o Renan quebrou o Fernando – disse para João. - Digo, por dentro sabe. Nunca vi uma pessoa tão desesperada na vida.
- Essa parte ele não contou…
- O Fernando ficou no chão chorando desesperado, totalmente sozinho – disse, e minha voz saiu um tanto reflexiva. - Nunca disse para o Renan, mas me senti tão triste pelo Fernando. Senti muita pena dele.
- Você é uma pessoa boa Estressadinho – disse João olhando a tela com as senhas de atendimento. - Conheci o Fernando, ele não merece sua pena.
Fiquei pensando sobre. De fato, merecer? Bem, ele mereceu. Mas meu coração apertava quando lembrava da cena. Aquilo tudo foi humilhante, solitário, dolorido… Suspirei, não queria falar sobre aquilo.
- Imagino que deva ter passado por muitas situações parecidas – disse para João.
- Muito mais do que pode imaginar, mas comigo o buraco é mais embaixo – disse João aparentemente cansado.
- Posso escorar aqui em você um pouquinho? - perguntei para ele.
- Claro – disse João. - Vi que está exausto. Trabalhou muito não é?
Pousei minha cabeça no ombro dele.
- Não tem vergonha? – perguntei bocejando novamente.
- Claro que não, vergonha de quê?
- Não levanta de uma vez, eu vou só fechar os olhos – disse para ele sentindo o sono vir.
Eu não cochilei nem nada. Só descansei um pouco. João tinha o ombro forte e duro, ele era bem cheiroso também. Ficamos calado um tempo. Logo o nome dele chamou e ele foi para a consulta.
- Foi rápido – disse para ele quando ele se levantou.
Ele sorriu.
- Demorou mais de meia hora – disse João.
- Sério?! - disse para ele despertando. Eu apaguei. - Me desculpe… vim para te dar um apoio e apaguei.
João ainda sorria.
- Você deu todo apoio que precisava – disse fazendo um cafuné em mim. - Já volto. Vou la na consulta.
- Vou buscar um café – disse para ele. - Você quer?
- Sem açúcar! - respondeu ele.
Corri na lanchonete. Ela estava no fim do corredor. Uma mulher simpática me atendeu e eu pedi um café. Estava sete reais um copinho de café. Caralho que caro. Estava com pouco dinheiro. Era claro que um hospital de rico tudo seria caro. Falei que ia pegar o café então não podia fazer feio, mas me senti mal com isso. Tanto Renan quanto João pareciam ter uma condição financeira ótima. A última coisa que fariam é ponderar se pagariam um café naquele momento.
Tomei o meu café sentado olhando para a porta onde o João entrou. Quando ele saiu peguei um café novo para ele. Ele me viu no fim do corredor e veio na minha direção. Aquele homem gigante passando, cheio de imponência. Ninguém imaginaria um terço de tudo que ele passava.
- Viu… nada grave – disse depois de olhar a receita de bezentacil que o médico passou.
- Vamos, Estressadinho, deixa eu sofrer mais um pouco – disse ele indo em direção da sala de medicação.
Enquanto esperávamos, agora ele mais calmo, ele soltou.
- Essa porra doi de mais – disse João reclamando. - Nunca entendi o motivo.
Olhei a receita. A Injeção seria aplicada várias vezes para tratar a sífilis. E o joão achando que ia perder o pinto. Ele era muito exagerado.
- É uma injeção intramuscular, logo por ser no músculo ela dói mais. Além disso por ser no músculo a agulha é maior e mais grossa. O líquido também e viscoso. Nesse líquido tem alguns… cristaizinhos que são liberados e ficam no músculo por um tempo. Devido essa textura eles também doem.
- Uma aula de ciência – disse ele sorrindo. - Tudo então nela foi feita para doer. Uma verdade desgraça!
- Já tomei muitas na vida – disse para ele.
- Mesmo motivo que eu?
- Não, graças a Deus não – disse para ele. - Machuquei feio quando adolescente, fiquei cheio de feridas no corpo. Por isso o médico receitou.
- Você é bem quetinho, não é? - perguntou João. - Não é da putaria.
Dei uma risada.
- Eu não te conheço bem João – disse para ele. - Mas arrisco dizer que mesmo sendo doze anos mais novo que você já devo ter feito mais putaria que você.
Ele riu.
- Não dá pra ficar com o Renan sem um histórico desses – disse João olhando a enfermeira sair do posto. - Por isso não duvido.
- Ele vive com tesão – disse para João. - Tem que ser alguém que aguenta.
Chamaram o nome dele.
- To aqui te esperando. Vai lá.
[…]
Assim que ele tomou as injeções fomos para a casa dele. Ele morava perto do hospital, tanto que fomos andando. João morava em um apartamento muito bonito em uma área nobre da cidade. O prédio em si tinha uns quinze andares, ele morava no décimo. O apartamento dele era muito bonito, com uma sala grande com uma mesa de seis cadeiras, um sofá-cama branco que parecia muito confortável e uma televisão de sessenta polegadas fixa em um painel com um jogo de luzes.
O piso era todo de tábua corrida, salvo a cozinha, que tinha um piso branco. Teto tinha um rebaixamento de gesso muito bonito. A cozinha era toda cinza metálica. Havia uma bancada que separava a cozinha da sala, feito em um granito preto rajado com branco, estava altura do meio peito e tinha algumas banquetas para sentar. Um jogo de taças de vinho enfeitavam o teto onde ficava a bancada.
Tudo ali cheirava lavanda e pinho. O lugar era fresco, limpo e bem arejado.
Sentei no sofá e João foi para a cozinha. Tirei a sandália e deitei. Ainda bem que aquela não fedia chulé.
- Tem uma cama de casal la no outro quarto – disse João voltando para a sala com um copo com água.
- Eu vou ficar aqui mesmo, vou esperar o Renan – disse para ele.
- Tem certeza? Acho que ele vai demorar – disse João.
- Tenho sim – disse para ele.
Logo me aconcheguei no sofá. João sentou-se ao lado e começou a ver série.
- Obrigado pela força hoje, Estressadinho – disse João sem olhar para mim.
- Ele não gosta que me chama assim – disse para João.
- Ele não gosta de muito coisa – respondeu ele.
- Por nada! - respondi ele. - Eu sou o amigo que vai no hospital, no CAPS, que ouve os choros e bebe para curar as mágoas. Se precisar é só me ligar!
Ele sorriu em resposta, sem dizer nada.
Deitei a cabeça no braço macio do sofá e comecei a ver a série com ele, mas dormi quase que instantâneo, um sono pesado e relaxante. Não sei quanto tempo João ficou assistindo a série. Depois de um momento senti que as luzes se apagaram. O sofá era bem confortável. Depois de mais um tempo senti uma coberta sendo jogada sobre mim. Essa não tinha o cheiro do Renan, mas era gostosa, cheirava amaciante. Provável que foi o Renan depois que chegou. Puxei ela e cobri o rosto, sem acordar totalmente, e dormi o resto da noite.
Acordei no dia seguinte, o sono foi relaxante. O sofá era muito bom e confortável. Havia um cheiro gostoso de café no ar e uma música sendo tocada num piano. Renan ainda não havia chegado. Sem olhar por cima do sofá peguei o celular e olhei se tinha mensagem dele. Ele havia enviado uma mensagem meia noite, nela tinha foto minha cochilando escorado no braço do João. João sorria para a foto enquanto eu dormia. Ainda me assustava as vezes me vendo sem barba, e usando camisa polo. Essa era rosa claro, com bolso.
Havia uma mensagem logo depois do Renan.
“Ele é muito fofo” – deu para ver que foi encaminhada pelo João.
Logo depois tinha mensagem do Renan.
“Durma bem meu Estressadinho!”.
A música tocada no piano era conhecida. Era de uma anime na verdade. Era uma melodia bem triste. O piano tocava mais baixo do que eu achei que um piano tocaria, o som era bonito, sem muitas notas graves. Quando a música terminou eu disse.
- Uma melodia bem triste – disse olhando o teto, as duas mãos atrás da nuca. - Ela toca em vários momentos, mas o mais marcando e quando o Shiryu usa o ultimo dragão e sobe para a atmosfera com o Shura, Cavaleiro de Capricórnio. Acho que é um dos momentos mais tristes do anime.
- A geração Z ainda tem futuro – disse, para a minha surpresa, Renan. - Bom dia meu Estressadinho.
- Bom dia! – disse bocejando. Estava com preguiça de mais para olhar ele por cima do encosto do sofá. - Piano… mais uma coisa legal em você.
- Essa melodia de fato é triste, mas é muito bonita – disse Renan dando uma pausa. - Chopin sempre foi meu favorito por explorar os sentimentos mais profundos. Por vezes enxergava beleza na tristeza e na melancolia. Algo bem comum no período que viveu. Quando aprendi a tocar acabei tendo ele como referência. Coisas alegres de mais me entediam.
- Romantismo – disse para ele. Não sabia tocar, mas ao menos entendia bem de história. - O momento que a tristeza e a melancolia deixou ter uma conotação tão ruim. Ao menos para a arte.
- Essa cena em específica é muito bonita, apesar de trágica. Shiryu dá a vida para salvar a Atena. Mas o próprio Mestre Ancião disse que as pessoas que vivem pelas outras têm uma vida triste.
- De fato – disse para ele, olhava o teto enquanto pensava em muitas coisas. Logo disse. - E você já fez algo parecido?
Renan não respondeu de imediato, e isso implicava que sim, talvez.
- Quando se está na posição que estou, de liderança, você acaba tendo de tomar algumas decisões difíceis – disse Renan. - O tiro de raspão que tomei foi para salvar um amigo. Não pensei duas vezes antes de fazer isso. Eu dei muita sorte por estar vivo, poderia ter sido fatal. Houve uma situação recente também, confesso que fiquei um pouco assustado, com medo.
- Foi o que o Fernando citou no bar com os amigos… - disse para Renan. - O senhor nunca quis me contar o que ocorreu.
- Não gosto de te preocupar… - disse Renan.
- Por que teve medo dessa vez? - perguntei.
Ele demorou para responder.
- Por você – disse Renan. - Nunca tive medo de morrer. Mas imagino como você ficaria se algo acontecesse comigo, o tanto que isso te faria sofrer… Meu medo era mais por você do que por mim.
Não disse nada, mas aquilo me trouxe um misto de sentimentos. As vezes soava como se o Renan não se importasse com a própria vida. E esse tipo de comentário agora corroborava com isso.
- Mas isso é passado – disse ele se levantando. - Antes que essa cabecinha começa a pensar coisas.
Não disse nada por tempo. Ele passou por mim. Estava de short preto somente. Foi até a bancada que separava a cozinha da sala e colocou café.
- Por que seu olhar é tão triste? - perguntei para ele. - Você disfarça bem, mas seus olhos… eu consigo ver muita tristeza neles.
Ele estava de costas para mim. Percebi que ele ficou parado.
- Percebeu, é?
- Na verdade foi umas primeiras coisas que vi – disse para ele. - Se voltar lá no nosso primeiro encontro, nas primeiras coisas que reparei. Bem… seu rosto lindo, sua cara de macho puto e olhos azuis… tristes.
Ele riu.
- Está reparando de mais em mim – disse ele ainda de costas.
- Sim, muito…
- Eu já vi muita coisa Estressadinho – disse Renan reflexivo. - Algumas coisas bem perturbadoras. As vezes um pouco de você vai morrendo quando você lida com a maldade do ser humano. Você vai perdendo a esperança nas pessoas.
Ser policial, lidar com o crime, com a vida e a morte. É bem provável que tenha visto mesmo. Gente cometendo todo tipo de atrocidade. Deve ser difícil viver assim, com a sua vida podendo ser tirada com um deslize. Você sai de manhã para trabalhar e não sabe se vai voltar para casa. Isso sem falar de crimes hediondos que na maioria das vezes nem são noticiados. Acho que é uma cina que muitos policiais vivem.
- Mas te conto um dia – disse ele se virando. - Mas nada disso é surpreendente. Só um monte de drama chato.
- Eu espero esse dia – disse sorrindo para ele. Ele estava sentado na banqueta, o peitoral e a barriga não tão definida como antes. Apesar de ainda estar com o peito musculoso, os músculos abdominais não apareciam mais. Renan engordou um pouco talvez. - Faz café nesse dia – disse apontando para a garrafa. - Sinto que a história vai ser longa.
Ele deu uma risada alta.
- Vou pegar esse pó que o João tem, é uma delicia – disse ele.
Suspirei e fechei os olhos.
- Vou cochilar mais um pouco – disse para ele. - Quando o João chegar me acorda.
Ainda sonolento senti que estava voltando para o sono. Estava tão bom…
A cabeça da rola dura do Renan roçou meus lábios. O cheirão de rola babada invadiu meu nariz. Abri os olhos e ele estava ao meu lado enfiando a rola na minha boca. A rola entrou invadindo minha boca até a garganta. Meu pau ficou duro na mesma hora. Sem jeito tentei tirar a rola dele da minha boca mas ele não deixou, pressionando até minha garganta.
- Re..nha…
- Shh.. - disse ele enfiando a rola. - Calado!
Logo Renan começou a socar a rola na minha garganta, controlei a respiração como treinado e aguentei ele meter a rola toda na minha boca. Ele socou a rola algumas vezes, comigo aguentando o máximo possível até engasgar.
Logo Renan me puxou levantando as minhas pernas. Ele olhou para o meu cu cheio de tesão.
- Renan estamos na casa do seu ex! – disse tentando sair, mas ele me segurou com força, de modo que não consegui sair da posição.
- Ele te adora – disse Renan cuspindo no pau. O cuspe caiu bem na cabeça do pau dele. Logo ele passou a cabeça do pau dele na entrada do meu cu, molhando com o cuspe. Aquilo era muito bom. Ele cuspiu no pau novamente.
- Mesmo assim… - disse para ele enquanto a cabeça da rola dele forçava a entrada no meu cu. O braços fortes dele abraçando as minhas coxas. Senti o peito peludo roçando minhas pernas.
- Quando a gente casar ele vai ser o padrinho inclusive – disse Renan empurrando a rola. - Acha que vai fugir de mim, vou te colocar uma coleira e te por no meu nome. Ai vai ser meu no nome e com contrato – disse empurrando a rola toda.
Olhei o teto, o cu ardendo, a rola funda com aquela sensação gostosa. O meu pau duro babando. Ele socou a rola dele com força, como sempre. Renan nunca meteu fofo, nunca teve carinho no sexo. Sempre bruto, meteu com tudo como sempre. Aguentei calado enquanto ele metia. Ele não gostava que eu gemia, independente de como ele metia.
A rola dele entrava e saia, via aquele peito musculoso suar e o cheiro de suor dele me inundar por completo. Meu pau latejou babado enquanto ele metia com gemidos másculos e baixos. Cada estocada mais forte que anterior. Logo o gozo dele veio e inundou meu rabo. Coloquei a mão no pau para bater uma e ele me segurou pelo pulso.
- Deveria estar de cinto – disse ele com a rola dura ainda em mim, pulsando enquanto restinho de porra provavelmente saia.
Desisti de gozar. Logo ele tirou a rola de dentro de mim, puxei o short.
Logo ele veio até mim, me segurando pela bochecha e me deu um beijo. A língua dele entrou de uma vez na minha boca. Aquele gosto salgado do beijo dele me envolvendo.
Sai na mesma hora.
- Eu não escovei dente…
Ele voltou a beija novamente ignorando meu apelo e nesse ponto me entreguei aos braços dele. Ele envolveu em seus braços e me deixei guiar pelo beijo intenso dele. Minha mão passou no rosto dele, que mais parecia um lixa com a barba feita. O cheiro dele me deixando com mais tesão ainda.
Quando ele parou de beijar eu abri os olhos, nossos rostos estavam bem próximos… pude ver os olhos azuis dele. Eram lindos… o rosto dele, o olhar... Ficamos calados um tempo. Não entendi o que aconteceu. Nos olhávamos de maneira intensa, meu coração apertou no peito e ardeu depois, não soube o que senti...
O interfone tocou…
Renan me soltou no sofá e foi atender. Quando passou pela bancada pegou a xícara de café.
Meu coração estava acelerado, respirei exasperado. O que foi aquilo que senti? Respirei fundo. Me levantei e fui até ele. Logo peguei a xícara da mão dele e tomei um pouco. Acho que ele esperou um beijo ou algo do tipo. Eu só queria o café e desfaçar que estava meio descompensado. E dito isso: era perfeito aquele café. Logo fiquei com a xícara dele para mim e sentei no sofá novamente.
- Era o João… - disse Renan desanimado. - Perdemos a nossa privacidade.
Sorri olhando a rola dele marcada no short.
Ficamos calado um tempo.
- Militar bem-sucedido, quase Capitão. Toca piano, viagens internacionais, fala inglês, espanhol e arranha o francês – disse para Renan, pensando em todas as coisas. Logo dei um gole no café para dar uma pausa. - Muitas qualidades… cada dia que passo descubro algo novo.
De fato as vezes esse abismo me fazia sentir inferior a ele. Eu era o quê? Vendia celular e precisava dar a vida para aumentar um pouco o salário, igual ontem. Isso sem ir para o lado da beleza…
- Eu e você tivemos vidas diferentes – disse ele Renan colocando café para ele novamente, visto que eu peguei a xícara dele. - Nasci em uma família com dinheiro. Tive oportunidades que você não teve. Muitas dessas coisas ai tive ainda muito novo.
Fiquei um pouco envergonhado. Detestava me vitimizar. Mas eu era assim. As vezes falava o que pensava e nem sempre o que penso é legal. As vezes é vergonhoso, como agora. Não tenho inveja dele, muito pelo contrário… ou talvez tenha um pouco. Mas não quero que ele se sinta assim comigo. Mas tipo… como seria ser o Renan por um tempo? Bonito, forte, pausão, cheio de dinheiro… ai meu Deus que vergonha! Não posso pensar isso.
- O que se passa nessa cabecinha? – disse ele sorrindo para mim. Ele segurava a xícara branca de porcelana no ar.
- Nada não! - disse para ele sentindo o rosto corar.
Ele sorriu fazendo um não com a cabeça.
- Suas bochechas coradas dizem outra coisa – disse Renan. Logo deu um gole no café. - E não é putaria, porque você não fica constrangido com putaria. Deve estar pensando algo sobre você mesmo e sua autoestima.
Que desgraçado, como pode me ler tão bem?
- O João é incrível também, e diferente de você ele veio debaixo – disse para ele, sentindo as palavras saírem mais rápido do que gostaria.
- Sim… e ele é como é – disse Renan dando outro gole no café.
Suspirei cansado. Eu e minha capacidade de me envergonhar. Pareci um idiota falando essas coisas. Não quero que ele pense que sou invejoso. Foi um lapso somente. Acho que é algo humano você se imaginar com todos os atributos que gostaria de ter.
- A cabecinha cheio de pensamentos de novo – disse ele sorrindo para mim.
Ouvimos a maçaneta da porta. João entrou cheio de sacolas na mão.
- Trouxe pão! - disse ele animado.
- Bom dia João! - disse para ele.
- Bom dia Estressadinho – disse ele sorrindo.
- Não chame ele assim – disse Renan irritado.
- Ele é um estressadinho mesmo – disse João.
Renan virou os olhos suspirando.
Olhei para ele animado colocando várias coisas em cima da mesa.
- Trouxe um salgado bem gostoso para você experimentar – disse João para mim.
Suspirei cansado e dei um gole no café, era oficial, João estaria na minha vida. E sendo muito honesto, eu até estava gostando dele.