Como um homem casado há mais de dez anos, um pilar da comunidade, um policial cuja integridade nunca fora questionada, se transforma na "putinha" de um criminoso? Essa é a pergunta que ecoa no vazio do meu peito toda vez que o sol se põe e as sombras da minha cidade do interior começam a sussurrar segredos que eu preferia ter mantido enterrados. Meu nome é Julio, e por muito tempo, eu acreditei que o distintivo no meu peito era um escudo impenetrável, uma barreira que me separava do submundo e de qualquer desejo que não fosse aprovado pela moralidade cristã e pela rotina morna do meu casamento. Mas a verdade é que o escudo já estava rachado, e Malik foi o martelo que o reduziu a pó.
Tudo começou há cerca de um mês, em uma tarde abafada onde o ar parecia pesado com a promessa de algo sinistro. Boatos de tiros em uma área periférica, um reduto de figuras sombrias que a polícia costumava evitar a menos que fosse estritamente necessário, nos levaram até lá. Eu e meu parceiro de anos, Marcos, fomos os primeiros a chegar. Marcos era o tipo de homem que exalava uma masculinidade rústica e controlada; pai de família, dedicado, com um segundo filho a caminho. Estávamos na delegacia há tempo suficiente para nos tornarmos extensões um do outro, ou assim eu pensava. O chamado parecia um falso alarme, um daqueles incidentes que se resolvem com uma advertência, até que batemos na porta de uma casa simples e o silêncio foi estilhaçado por um disparo. O projétil passou a centímetros da cabeça de Marcos, cravando-se na madeira do batente com um estalo seco que fez meu sangue gelar.
A invasão que se seguiu foi rápida, movida pela adrenalina e pelo instinto de sobrevivência. Quando finalmente dominamos o atirador, encontramos Malik. Ele não resistiu; em vez disso, entregou-se com uma calma que era, por si só, uma forma de agressão. Malik era um homem imponente, uma montanha de músculos escuros e definidos, a cabeça raspada refletindo a luz parca da sala e uma barba espessa que lhe conferia um ar de realeza bárbara. Enquanto Marcos o algemava com mãos trêmulas de raiva e choque, Malik não desviou o olhar. Ele sustentou o contato visual com um sorrisinho petulante, quase divertido, como se a prisão fosse apenas um interlúdio em um jogo que ele já havia vencido. A casa estava repleta de drogas e armas de grosso calibre, algo inédito para a nossa pequena escala local, mas Malik permaneceu em silêncio absoluto, uma esfinge de ébano que parecia absorver a tensão do ambiente.
— Preto filho da puta... — Marcos murmurou mais tarde, quando já estávamos no carro, voltando da delegacia após deixarmos Malik em uma cela. O suor colava o cabelo preto de Marcos na testa, e seus olhos castanhos brilhavam com uma perturbação que eu interpretei como o trauma de quase ter morrido. — Era para eu ter colocado uma bala na cabeça dele antes dele se render.
— Ele foi esperto, Marcos. Sabia que se não se entregasse, você o mataria — respondi, tentando oferecer um conforto que eu mesmo não sentia. Havia algo na calma de Malik que me incomodava, uma sensação de que as regras que regiam nossa cidade não se aplicavam a ele.
A confirmação dessa suspeita veio poucas horas depois. Meu turno estava quase no fim quando o delegado me chamou em sua sala. Com um tom de voz que não admitia perguntas, ele informou que Malik havia sido liberado. "Foi tudo um mal-entendido", ele disse, sem sequer olhar nos meus olhos. "Esqueça o que viu naquela casa, Julio. Algumas pessoas têm amigos em lugares altos." Senti meu estômago dar um nó. A corrupção não era novidade, mas a velocidade com que Malik havia sido devolvido às ruas era um insulto direto ao nosso trabalho. Marcos soube da notícia no dia seguinte, e embora não tenha dito muito, algo nele mudou drasticamente. Toda vez que passávamos pela rua onde Malik morava, o rosto de Marcos adquiria uma vermelhidão intensa, um rubor que subia pelo pescoço e tomava as bochechas. Ele evitava meu olhar, mantendo-se em um silêncio tenso e defensivo.
Uma semana depois, durante um almoço de domingo na casa de Marcos, a estranheza atingiu um novo patamar. Estávamos ali, nossas famílias reunidas, a esposa de Marcos exibindo orgulhosa a barriga de seis meses, o filho mais velho já um homem de dezoito anos. Marcos, apesar de ser um quarentão robusto, parecia encolhido em sua própria pele. Quando nos afastamos para conversar no quintal, mencionei Malik, notando que ele não havia causado mais problemas. O rosto de Marcos ficou rígido instantaneamente; ele virou uma garrafa de cerveja com uma urgência quase desesperada.
— Que foi, Marcos? Você está estranho desde aquela prisão — perguntei, tentando sondar o que estava acontecendo.
— Nada, Julio. Só o cansaço do trabalho — ele respondeu, mas a agressividade em sua voz ao ser questionado era um sinal claro de que ele estava escondendo algo. — E você? Começou a frequentar academia? Está parecendo mais forte.
A mudança de assunto foi abrupta, e eu a aceitei, querendo preservar a paz daquele domingo. Mas a tranquilidade evaporou na manhã seguinte, quando um vídeo começou a circular nos grupos de WhatsApp da corporação. Era o delegado. O homem respeitado, casado, pai de família, aparecia no vídeo de quatro, nu da cintura para baixo, sendo possuído por um pênis enorme e escuro. A violência e a velocidade do ato eram viscerais; as paredes do ânus do delegado eram esticadas ao limite, e ele gritava, não de dor, mas de um prazer devasso e desesperado, pedindo por mais, implorando para ser destruído. Não se via o rosto do homem que o fodia, mas a pele negra e a força bruta eram inconfundíveis.
A moral da nossa delegacia ruiu naquele instante. O delegado desapareceu, e o silêncio que se seguiu foi preenchido por uma fascinação proibida. Eu e Marcos assistimos ao vídeo repetidas vezes sob o pretexto de "análise", mas a verdade era que algo em nós estava sendo despertado. Notei a pressão na minha calça, uma ereção rochosa que eu tentei ignorar com todas as minhas forças, e percebi que Marcos também ajustava o uniforme com frequência. A fascinação não era pelo delegado, mas pelo poder avassalador daquele homem que o dominava.
Os dias seguintes foram um borrão de vigilância e desconfiança. Marcos começou a dirigir com frequência até a rua de Malik, pedindo que eu esperasse no carro enquanto ele entrava na casa sob o pretexto de "ordens superiores". Na terceira vez que isso aconteceu em um único dia, minha paciência esgotou. Saí do carro e segui meu parceiro. A casa era pequena, o ar carregado com o cheiro de suor e algo mais doce, quase carnal. Ouvi vozes vindas do quarto, e o que ouvi paralisou meus pulmões.
— Chupa esse pau, mostra para mim quem é que manda em você e nessa sua boquinha rosa... eu sei que você adora, putinha.
A voz era de Malik. Profunda, gutural, carregada de uma autoridade que fazia meus joelhos fraquejarem. E a resposta que veio em seguida destruiu o resto do meu mundo.
— Eu adoro seu pau, meu negão lindo... — Era a voz de Marcos. Mas não o Marcos que eu conhecia. Era uma voz doce, submissa, ansiosa para agradar.
Empurrei a porta com uma força que eu não sabia que possuía. A cena era um quadro de degradação e entrega absoluta. Marcos estava de joelhos, a calça do uniforme descida até os joelhos, revelando sua bunda branca e agora marcada por tapas vermelhos e vibrantes. Ele estava com a boca cheia, a cabeça quicando no membro colossal de Malik, que estava sentado na cama, nu e impávido como um deus pagão exigindo sacrifício. Ao me ver, Marcos parou, o rosto banhado em vergonha e prazer, mas Malik apenas agarrou seus cabelos com força, forçando-o de volta ao trabalho.
— Te mandei parar? Volta a chupar, puto — Malik ordenou, seus olhos fixos nos meus, um desafio silencioso brilhando neles.
Marcos não hesitou. Ele voltou a devorar Malik com uma vontade que me causou náuseas e, simultaneamente, uma inveja que eu não conseguia processar. Tentei gritar, tentei dizer que ele não era aquilo, que ele era um homem, um policial. Mas as palavras de Marcos, proferidas entre engasgos de prazer, selaram o destino de todos nós.
— Não dá, Julio... é muito bom... é uma delícia... eu sou a putinha dele agora... viciado nesse pau.
Saí daquela casa sentindo o mundo girar. A indignação queimava em meu peito, mas enquanto eu caminhava em direção ao carro, a verdade mais obscura de todas se manifestou: eu estava com uma ereção tão pesada que mal conseguia andar. Malik não tinha apenas quebrado Marcos; ele tinha acabado de abrir a porta para o meu próprio inferno. E eu sabia, no fundo da minha alma, que logo eu estaria de joelhos ao lado do meu parceiro.
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Fala pessoal, só passando para avisar que a ideia original desse conto pertencia ao autor WhiteChocolate, mas como ele infelizmente ou teve o perfil deletado ou deletou seu próprio perfil várias de suas obras se perderam.
Não sei se quem me lê hoje em dia chegou a conhecer as obras dele, mas elas eram muito muito gostosas de ler e de bater uma kkkk
Enfim só queria deixar claro de quem era a ideia do conto.