Feminista Degenerada

Um conto erótico de Carmilla
Categoria: Heterossexual
Contém 746 palavras
Data: 29/05/2026 17:42:34

Sobre o frio do sanitário, minhas coxas quentes e grossas se abrem, as divisórias de granito não vão até o teto, no alto da minha cabeça uma auréola em led branco e o risco de cruzar o olhar com a cabeça flutuante de outra aluna curiosa ou preocupada com minha demora, observando meus pés por debaixo da porta por longos minutos no box ao lado. Não sei se isso é de fato um receio ou uma súplica, pessoas vêm e vão, ninguém vai se preocupar comigo, sequer perceber que estou aqui há muito tempo, mas eu penso, e um calor ácido me corta por dentro com o delírio dessa imagem.

Calcinha nos tornozelos, a cabeça baixa, a cara iluminada pela telinha e o chat fervilha. Os caracteres em vermelho dizem “feminista degenerada” e abaixo uma fotografia, ainda de camisa, alguns botões soltos, a boca entreaberta, os seios pesados, pressionando o sutiã bege. Alguns dias, sou mais cuidadosa, estou em casa e coloco uma roupa que não utilizei em público, retiro brinco, colares, pulseiras, relógios, me desfaço do particular, me posiciono na parede mais neutra do quarto, cuido bem dos ângulos da câmera, me torno genérica.

Em outros, como hoje, deixo um artigo incompleto e livros sobre a mesa, venho ao banheiro da biblioteca, e torço para um descuido inconsciente, a perfeição cobra seus preços e a mim impelem impulsos. Então seguro o celular com força, a mão e seus tremeliques, certifico que os fones estão conectados, começo uma chamada de vídeo em grupo, não digo nada, não posso falar nada, aos poucos alguns entram, e só escuto, respiro e escuto, não sou ninguém, e isso é um alívio.

“A vadia entrou.” “Cadela.” “Onde está, putinha?” “Caralho, que peitos!” “Vai ficar paradinha?” A língua babando ponho pra fora. “Tá no trabalho, vaca?” “Tira essa roupa, vagabunda!” Aperto os seios com a mão esquerda. “Mostra a cara, porra.” “Você é um lixo!” Sorrio. “Tira essa camisa, porca ridícula!” Apoio o celular sobre a descarga. “Vagabunda!” “Fala teu nome.” “Tira a roupa toda.” Fico de costas, me abaixo, tiro a calcinha dos tornozelos. “Gorda do caralho!” “Você é uma ridícula.” “Mostra o rosto, porra!” Abro a bunda com as mãos. “Arrombada do caralho!” “Essa daí já era!” “Porra, cabe três rola aí nessa merda.” Viro de frente, estou suando, apenas dos ombros para baixo em vídeo. “Mostra essas tetas, vaca.” Tiro a blusa e o sutiã. “Porra, que lixo!” “Gostosa do caralho.” “Escrota do caralho.” “Gostosa, porra.” “Mais um pouco e essa merda cobre a buceta dela.”

Passos e vozes os fones abafam. “Vadia!” “Não aguento mais a porcaria das aulas dela.” “É um saco mesmo!” “Vagabunda, tá na faculdade?” Portas batem. “Tomara que te peguem, lixo.” “Mostra a cara, mostra a cara, porra.” Três dedos na buceta. “Mostra esses peitos, porra.” “Mete logo a mão nessa buceta frouxa, caralho.” “A Letícia sumiu, né?” “Mostra o rosto, porra.” “Letícia?” “Seu nome é Letícia, vadia?” Respiro forte, cuspo na mão, esfrego a buceta. “Ali embaixo não é a mochila dela?” Cuspo de novo, passo mais. “Letícia, o nome da vadia é Letícia.” “Mostra a cara, caralho!” Enfio a mão inteira na buceta. “Letícia? Você tá aí?” “Tô sim!” Soco fundo a mão e rebolo. “A gente já tá indo, porra, você sumiu…” Mostro a língua para a câmera, sorrio, esfrego a buceta com a outra. “Ah… Já tô indo… Mas podem ir na frente!” “Que vagabunda!” “Mostra a cara, Letícia!” “De qual faculdade você é?” “Você tá bem?” Batidas na porta. “Por que você tá em pé, doida?” O gozo escorre na minha perna, estou ofegante. “Gozou, a vaca.” “Mostra a cara, Letícia.” “Suas amigas sabem que é uma puta?” “Espero que te peguem, feminista de merda!” Tento controlar a respiração. “Ah… Ah… Já estou me vestindo. Podem ir! A gente se vê lá.” “Tá bem, mas não demora.”

Me aproximo da câmera devagar, com a palma aberta mostro os fios entre os dedos de cuspe e gozo. “Passa na cara, Letícia!” “Aposto que essa pervertida tá feliz com tudo isso!” “Qual teu sobrenome, vaca?” “Conta, vadia.” “Mostra a porra da tua cara, feminista de merda.” Olho para o teto, a auréola segue na cabeça, o peito sobe e desce cada vez mais lento. Com a mão esquerda, tomo o celular de volta. Desligo os fones, não escuto mais nada. Esfrego a mão suja na boca. A língua desfila em lábios e dentes. Um risinho e sou engolida pela escuridão.

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Comentários

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Bem vinda de volta Carmilla, a quanto tempo você não publica histórias. Espero que essa vokta te anime a ser mais presente por aqui com seus contos. Fico sempre muito empolgado quando leio suas narrativas, elas são de uma crueza sórdida. Esse lugar que se coloca, de exposição, sujeita a degradação de outros,e que é o combustível dessas fantasias hard e tão deliciosas, vem me surpreendendo desde seu primeiro post Alguma chance de te achar em um chat? Dica?

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