Capítulo 2 ( Visão da Jade)
Victor começou a me bombardear na manhã seguinte ao post. Primeiro uma mensagem de texto curta: "Você tá bem?" Depois outra, mais longa, relembrando um momento qualquer que a gente viveu junto. Quando não respondi, vieram as ligações. Três, quatro, cinco por dia. Bloqueei o número depois da sétima, mas ele arranjou outro. A insistência do traidor tinha um gosto amargo de ironia — o mesmo homem que me traiu repetidas vezes, inclusive com a garota que eu mais odiava no mundo, agora voltava feito um cachorro abandonado achando que a porta tinha sido entreaberta. E tudo por causa de doze palavras que Caio digitou com a ponta dos dedos enquanto sorria.
Eu não conseguia acreditar que aquilo tava acontecendo de novo. E agora, por causa de um jogo idiota, por causa do ódio que eu sentia pelo enteado da minha própria mãe, eu tava de volta ao ponto de partida. Victor achando que tinha chance. As pessoas comentando. A vergonha queimando no rosto cada vez que alguém mencionava o assunto.
Na terça-feira à tarde, as meninas chegaram com a desculpa oficial de estudar pra um trabalho de literatura comparada. Eu sabia que era mentira. O assunto era o post, e me preparei pra sabatina enquanto subiam as escadas atrás de mim. Letícia é Mariana. As duas entraram no meu quarto com a energia de quem vai fazer uma intervenção amorosa. E a porta ficou apenas encostada — eu nem reparei, preocupada demais com o que viria.
O bombardeio começou antes mesmo de eu conseguir me sentar na cama. Letícia foi direto, a voz carregada de preocupação genuína mas também de uma indignação acumulada:
— Você vai dar chance pro Victor de novo? Depois de tudo que ele te fez?
Mariana emendou antes que eu pudesse abrir a boca, o tom mais suave mas igualmente incisivo:
— Amiga, a gente viu o post e ficou sem entender nada. Você passou meses superando aquele traste, fez terapia, chorou no nosso ombro... e do nada posta que ainda sente saudade?
Eu queria morrer. Queria que o chão se abrisse e me engolisse. Como explicar pra elas que não fui eu? Como explicar que o enteado da minha mãe, o garoto que eu mais odiava no mundo, tinha pegado meu celular e postado aquilo como parte de um jogo doentio que eu mesma tinha inventado? Era impossível. Elas nunca entenderiam. Ninguém entenderia. Me senti suja, encurralada, pequena. A voz saiu mais fraca do que eu gostaria.
— Foi um surto, gente. Sério. Eu tava num dia ruim, com raiva de umas coisas aqui de casa, bebi um pouco... não sei o que deu em mim.
Letícia não comprou. Ela me conhecia bem demais.
— Bebeu? Jade, era sábado de tarde. Você não bebe sábado de tarde. E desde quando você bebe sozinha em casa?
Mariana completou com a estocada que doeu mais do que qualquer coisa. A voz dela baixou, carregada de memórias que eu queria esquecer.
— Você lembra quando ele te traiu com a sua prima, Jade? A sua prima. E agora você posta que sente saudade?
O silêncio que se seguiu foi pesado. Eu tava sentada na cama, as mãos torcendo o lençol, o rosto queimando. Não era raiva das meninas — elas tavam certas, completamente certas. Era raiva dele. Do Caio. De ter me colocado naquela posição, de ter que mentir pras duas pessoas que mais me apoiavam no mundo. Ele tinha feito aquilo de propósito. Ele sabia o estrago que causaria. E sorriu enquanto digitava. O ódio queimava no peito, mas por baixo dele tinha outra coisa: uma vergonha imensa de mim mesma, por ter deixado a situação chegar naquele ponto.
Respirei fundo. Precisava controlar a situação antes que desandasse de vez.
— Eu não vou voltar com ele, juro pra vocês. Foi só um momento de fraqueza. Eu vi uma foto dele no feed de um amigo em comum, bateu uma nostalgia idiota, e eu postei aquela merda sem pensar. Já deletei, olha.
Mostrei o celular pra elas. O post realmente não tava mais no perfil, mas deletar não apagava o estrago já feito. As notificações, as curtidas, os comentários de gente perguntando se eu tava bem ou se tinha voltado com o ex — tudo aquilo já tinha circulado.
Letícia suspirou, o som carregado de frustração.
— Olha, a gente te ama e tá aqui pra qualquer coisa. Mas se você voltar com aquele lixo, eu juro que vou te internar.
Mariana riu baixinho, quebrando um pouco a tensão.
— Internar não, mas vou te mandar uma lista de terapeutas especializados em dependência emocional de homem bosta.
As três riram juntas, um riso forçado que mal disfarçava o constrangimento. Consegui desviar o assunto pra algum trabalho de literatura, e a conversa aos poucos migrou pra autoras contemporâneas e prazos de entrega. Enquanto falava sobre Virginia Woolf e Clarice Lispector, minha mente tava em outro lugar. Tava no quarto ao lado. No sorriso de canto que ele devia estar ostentando enquanto ouvia tudo através da parede fina. Porque ele ouvia, eu tinha certeza. Ele sempre ouvia. Era o tipo de coisa que o Caio faria: se deliciar com meu sofrimento à distância, sem precisar mover um dedo.
Quando as amigas finalmente se levantaram pra ir embora. Desci com elas até a porta. Nos despedimos com abraços apertados e promessas de nos falar no dia seguinte. Fechei a porta e subi as escadas. Meus passos ficaram mais pesados a cada degrau, a raiva voltando a ferver no peito. Ele tinha me humilhado na frente de todo mundo, e agora eu ainda tinha que mentir pras minhas melhores amigas por causa dele.
Passei pelo quarto do Caio e vi a porta aberta. Ele tava em pé perto da entrada, como se tivesse acabado de se levantar, a postura relaxada de sempre. O rosto dele não mostrava nada — a máscara de indiferença que eu conhecia tão bem. Mas eu sabia. Sabia que ele tinha ouvido cada palavra.
Avancei, entrei no quarto dele sem bater, e fechei a porta atrás de mim com um clique seco. Não queria que meus gritos ecoassem pela casa vazia. Meu pai e Patrícia estavam trabalhando. A casa era só nossa, e eu precisava extravasar.
Fiquei parada ali, os braços cruzados, o peito subindo e descendo rápido. Ele nem se moveu, só ficou me olhando com aquela expressão entediada.
— Que porra você quer agora? — A voz dele saiu arrastada, como se minha presença fosse um incômodo menor.
Eu explodi. As palavras vieram num jorro rápido, o volume baixo mas a intensidade transbordando.
— Victor não para de me mandar mensagem. Tá usando número diferente, aparece nos corredores da faculdade como se fosse coincidência. As meninas acham que eu surtei, que tô regredindo, que preciso de intervenção. Eu tive que mentir olhando nos olhos delas, inventar desculpa esfarrapada, passar vergonha por sua causa de um post que não fui eu que fiz. Por sua causa, Caio. Tudo por sua causa.
Ele ouviu tudo com o mesmo sorriso de canto. Aquele sorriso que eu queria arrancar da cara dele com as unhas. Quando terminei, ofegante, ele deu de ombros.
— Tá se fodendo bonito, né? Agora sai do meu quarto.
A indiferença doeu mais do que qualquer xingamento. Eu esperava gritos, esperava uma briga no mesmo volume das que a gente tinha no corredor. Esperava que ele pelo menos admitisse que tinha feito de propósito, que se gabasse da própria crueldade. Mas ele só queria que eu sumisse da frente dele. Como se eu não valesse nem o esforço de uma discussão. Me senti pequena, insignificante, um inseto que ele espantava com um gesto preguiçoso.
Me virei pra sair, a mão já no trinco da porta. Precisava sair dali antes que as lágrimas viessem.
— Manda o Victor ir se foder — a voz dele veio de repente, baixa e precisa. — E fala que você já deu pra um homem de verdade. Um que te comeu gostoso, te fez gozar duas vezes, e ainda aguentou firme quando você ficou de quatro. Aquela posição que você tanto se gabava que nenhum homem aguentava. Pois é. Esse homem aguentou. E ainda te fez gozar nela.
Girei o corpo, o rosto queimando de fúria e vergonha. Ele não tinha se movido, mas a mão direita tava sobre o próprio pau, apertando o volume por cima da bermuda. O gesto era explícito, deliberado. Ele tava se exibindo pra mim, deixando claro que o "homem de verdade" da frase era ele, e que ele se lembrava de cada detalhe. Da minha rendição. Dos meus gemidos.
A lembrança veio. Eu tinha gozado com ele. Duas vezes. E na posição que eu sempre usei pra destruir a confiança de outros caras, ele tinha aguentado firme e ainda me feito gozar. Aquela era a minha posição de poder, e mesmo assim tinha virado o jogo contra mim. A humilhação queimava na pele.
— Vai tomar no cu, Caio. Você é um lixo. Um merda. Um desgraçado.
As palavras saíram como cuspidas, mas a voz tremia. Ele não respondeu, só continuou me olhando com aquele sorriso nojento, a mão ainda no pau. Ergui o dedo do meio, os olhos presos nos dele, tentando recuperar algum controle. Manti o gesto por um tempo que pareceu infinito, minha única arma contra a humilhação que ele acabara de me infligir. Depois baixei a mão, girei e saí, fechando a porta com força.
No corredor, encostei na parede, o coração disparado. No jogo que eu mesma criei, ele tava vencendo. E pior: ele tinha me feito sentir prazer. Prazer de verdade. E aquilo me apavorava.
Os dias que se seguiram foram um vácuo estranho. A gente se cruzava nos corredores, na cozinha, na sala, e trocava olhares carregados de uma raiva que não encontrava vazão. Nenhum novo confronto. Nenhuma provocação aberta. Apenas o silêncio hostil de antes. Eu não conseguia olhar pra ele sem lembrar do que tinha acontecido no meu quarto. Do jeito que meu corpo tinha respondido apesar de mim. Das coisas que eu fiz e que nunca imaginei que faria com ele, de todas as pessoas.
Eu não queria vingança. Não queria revanche. Queria não pensar naquilo nunca mais. Queria esquecer que tinha acontecido, fingir que foi um pesadelo, voltar à rotina de ódio puro e simples que a gente tinha antes. Mas toda vez que eu via o sorriso de canto dele, alguma coisa se mexia dentro de mim. Algo que eu não queria nomear. Uma raiva que me deixava enjoada.
No sábado à noite, a mensagem da Mariana chegou quando eu tava deitada na cama, o teto do quarto se tornando familiar demais nas últimas horas. "Amiga, péssima notícia. O carro ainda tá no mecânico. Falaram que só fica pronto na outra semana. A gente vai ter que se virar pro evento de amanhã."
Senti o estômago se contrair. O evento era a palestra obrigatória da disciplina de Teoria Literária, presença controlada com peso direto na nota final, e o trabalho em grupo com Letícia e Mariana dependia da participação das três. Faltar não era uma possibilidade. Dividir táxi pra ir e voltar da faculdade num domingo de manhã pesaria no orçamento das três de um jeito que nenhuma de nós podia bancar sozinha. O combinado inicial era rachar apenas a gasolina do carro da Mariana. Agora o plano tinha evaporado.
Fiquei imóvel na cama, avaliando opções que não existiam. Meu pai e Patrícia estavam viajando. Não voltariam antes de segunda. A casa tava ocupada apenas por mim e por ele. O Gol prata do Caio, aquele carro que eu tanto desprezava nas discussões do corredor, tava parado na garagem como uma provocação silenciosa do universo. A solução era óbvia. E era insuportável.
Fechei os olhos e senti o peso da humilhação antecipada. Ter que pedir ajuda a ele. Ter que admitir que dependia do enteado da minha própria mãe pra qualquer coisa. Ter que engolir o orgulho e descer aquelas escadas sabendo que ele se deleitaria com cada palavra da minha rendição. Minha alma revirava só de imaginar o sorriso no rosto dele.
Mas não tinha escolha.
Desci as escadas com passos que tentavam soar firmes, mas carregavam todo o peso do que eu tava prestes a fazer. Caio tava na sala, afundado no sofá com o celular na mão, os pés descalços apoiados na mesinha de centro. A postura de sempre: relaxada, desinteressada, como se o mundo ao redor fosse apenas um ruído de fundo. Ele não levantou o olhar quando parei na entrada da sala. A minha presença naquele espaço, depois de tudo que tinha acontecido, já era uma declaração por si só. Me senti invisível, e ao mesmo tempo completamente exposta.
Respirei fundo e soltei a frase antes que o orgulho me fizesse recuar.
— Caio, preciso de uma coisa.
Ele continuou olhando pra tela. Os polegares se moviam devagar, alheios.
— Precisa ou quer? Porque querer você quer um monte de coisa. Se ferrar, por exemplo, você quer sempre.
Engoli a estocada. Não podia dar a ele o prazer de me ver reagir, até porque eu precisava da ajuda dele, uma confusão ali só iria acabar com qualquer chance dele me ajudar, se ele fosse me ajudar.
— Preciso que você leve eu e as meninas num evento da faculdade amanhã de manhã. É uma palestra obrigatória, vale ponto, e o carro da Mariana quebrou. Tá no mecânico e só sai na outra semana.
Ele finalmente levantou os olhos. O sorriso de canto que eu conhecia tão bem já tava se formando, lento e satisfeito. Apoiou o celular no peito e cruzou os braços atrás da cabeça, espreguiçando-se como um gato que acabou de avistar um pássaro indefeso. O desprezo na postura dele era tão ensaiado que chegava a ser teatral. Mas funcionava. Me senti pequena de novo.
— Deixa eu entender. Você, que sempre disse que meu carro era uma lata velha, que parecia sucata, agora quer que eu seja seu motorista particular? De graça?
Eu já esperava por aquilo. Engoli o orgulho com um nó que arranhou a garganta e mantive a voz neutra, o que exigia cada grama de autocontrole que eu ainda possuía.
— Eu não estaria pedindo se tivesse escolha. Nossos pais estão viajando. Não tenho ninguém mais pra pedir. Táxi pras três vai sair caro demais. É só isso. Só tô pedindo porque não tem outro jeito.
O sorriso dele se alargou. Ele se sentou devagar, apoiando os cotovelos nos joelhos, e ficou olhando pra mim com uma expressão de quem saboreava cada palavra do meu pedido e explicação. Eu odiava aquele sorriso. Odiava o jeito que ele me olhava, como se eu fosse um inseto preso numa teia que ele mesmo teceu.
— Tá bom. Mas nada na vida é de graça, você sabe disso.
Ergui o queixo, os olhos fixos nos dele. Precisava manter alguma dignidade.
— Então vamos fazer um desafio. Se eu vencer, você leva eu e as meninas amanhã, espera o tempo que for preciso e ainda traz todo mundo de volta sem reclamar. Se você vencer...
Eu nem terminei a frase.
Ele riu. Uma risada curta, genuína.
— Fechado.
Meus dedos agarraram a barra da camiseta e puxaram pra cima num gesto rápido, quase violento. Joguei a blusa no chão e levei as mãos ao fecho da calça jeans, os movimentos bruscos e carregados de uma raiva que transbordava pelos poros.
Eu não tava pensando. Meu cérebro simplesmente assumiu que ele pediria aquilo de novo. O mesmo desafio.
Ele explodiu numa gargalhada alta, genuína, que ecoou pela sala vazia. Se recostou no sofá, os olhos percorrendo meu corpo sem nenhum disfarce.
— Caralho, Jade. Já tirando a roupa? Tá com pressa de dar pra mim de novo?
Parei com a calça aberta. O rosto queimando. Tirei a roupa como se fosse óbvio que o desafio seria sexual. Como se fosse natural entre a gente. O calor subiu pelo pescoço, pelas bochechas, queimando de vergonha. Me senti uma idiota completa. Uma idiota que se expôs sem necessidade, que entregou de bandeja o que ele talvez nem fosse pedir. Me senti suja, barata, superficialmente, fácil. Exatamente como ele sempre insinuou que eu era.
— Eu sei exatamente qual desafio você ia propor, Caio. — A voz saiu cortante, tentando recuperar algum controle. — Quem gozar primeiro perde. De novo. Porque você é um pervertido, um safado, que só pensa com o pau.
Era mais fácil atacar do que admitir que eu tinha agido por impulso. Mais fácil chamá-lo de pervertido do que encarar o que a minha própria atitude dizia sobre mim.
Ele não confirmou nem negou. Apenas sorriu, aquele sorriso irritante que parecia saber mais do que dizia. Os olhos percorrendo meu corpo como se eu fosse um pedaço de carne.
— Você nunca vai saber o que eu ia propor, já que se antecipou toda. Mas já que você já tá quase nua, só mostra que você tá doida pra me dar de novo. Deve ter passado a semana inteira pensando nisso. Pensando em como ter uma revanche. E ainda acha que vai vencer dessa vez.
A acusação queimou. Porque parte de mim sabia que ele tava certo. Não em ter uma revanche — eu não queria revanche, não queria transar com ele de novo. Mas a lembrança do que aconteceu não me abandonava. O jeito que meu corpo respondeu, a sensação de ser preenchida por ele. Eu odiava admitir, mas aquilo tinha ficado martelando na minha cabeça a semana inteira. E agora, de alguma forma, eu tava ali de novo, tirando a roupa pra ele.
— Você é um desgraçado. — Rangei os dentes. O som foi audível no silêncio da sala.
— E você ainda não terminou de tirar a roupa.
A raiva e o orgulho ferido se misturaram em algo quente e instável dentro de mim. Terminei de abrir a calça e a deixei cair no chão. Depois deslizei a calcinha pelas pernas e chutei pro lado. Fiquei completamente nua na frente dele. Não tinha mais volta. Não ia recuar agora e dar a ele o prazer de me ver covarde. Mas por dentro, eu tremia. De raiva, de vergonha.
Ele se levantou do sofá lentamente. Tirou a própria camiseta por cima da cabeça. O tronco magro mas definido ficou exposto. Meus olhos desceram involuntariamente antes que eu pudesse controlar. Maldito corpo que me traía. Ele desabotoou a bermuda e a deixou cair, ficando apenas de cueca. O volume do pau já era evidente sob o tecido. Depois tirou a cueca também. O pau dele saltou livre, duro, grosso, as veias saltadas. Desviei o olhar, mas já era tarde. A imagem tava gravada na minha retina — um calor subindo pelo ventre, uma umidade que eu não queria sentir.
Ele cruzou os braços e sorriu, aquele sorriso de canto que eu odiava.
— Como eu venci a última disputa, eu escolho as posições. É justo. Vantagem pra quem venceu.
— Isso é sacanagem. — O rosto queimava. — Você já sabe que isso te dá vantagem.
Era injusto e ele sabia. Escolher as posições significava que ele controlaria o ritmo, o ângulo, tudo. Eu ficaria à mercê dele, tendo que responder ao que ele fizesse, sem poder usar o que eu sabia que funcionava pra mim. Ele tinha tirado isso de mim.
— Se você tivesse vencido, poderia escolher também. Foi você que propôs o desafio. Para de reclamar e tenta vencer dessa vez.
Rangei os dentes, mas não recuei. Sabia que discutir mais só daria a ele mais munição e pioraria as coisas. Ele já tinha vantagem demais. Se eu começasse a chorar ou a implorar, ele usaria isso contra mim pra sempre.
— Tá bom. Mas isso é injusto pra caralho.
Ele não esperou mais. Segurou meu braço e puxou em direção ao sofá. O toque dele na minha pele nua foi um choque. Meu corpo inteiro se arrepiou, e eu odiei cada segundo daquela reação. Ele me virou de costas e empurrou de leve pra frente, até minhas mãos apoiarem no braço do sofá e meus joelhos afundarem na almofada. A posição mais vulnerável possível. A bunda empinada, as coxas abertas, tudo exposto pra ele. Eu sabia que tava molhada. Sabia que ele ia ver. E a vergonha disso queimou mais fundo do que qualquer coisa.
Senti o ar frio da sala contra a pele molhada entre minhas pernas. Só de estar ali, nua na frente dele, sabendo o que viria — a minha menininha já estava pronta.
Ele se posicionou atrás, senti o calor do corpo dele se aproximar antes mesmo do toque. As mãos dele seguraram meus quadris com força, os dedos cravando a carne. Então senti a cabeça do pau dele encostar na minha menininha. Empurrou devagar no começo, só a ponta, e eu já senti cada centímetro me abrindo. Um gemido curto escapou antes que eu pudesse segurar.
— Olha só pra isso… — a voz dele veio baixa e rouca, carregada de deboche. — Tá desesperada pra dar pra mim de novo, né, Jade?
Eu tinha certeza que ele ia percebe que eu já estava ensopada, seria impossível ele não notar. O pau continuou deslizando, apesar de grosso, facilmente pela minha menininha.
— Passou a semana inteira se tocando pensando nisso, admitindo que quer mais.
A raiva subiu junto com o prazer. Ele enfiou mais fundo, me preenchendo de um jeito que fez minhas pernas tremerem. Meu corpo inteiro se contraiu em volta dele, e outro gemido saiu, mais alto.
— Vai se foder, Caio. Você é um pervertido de merda. Não tem mulher pra comer faz tempo, né? O único jeito de conseguir alguém é com essa porra de aposta.
As palavras saíram entrecortadas, mas eu precisava dizê-las. Precisava que ele soubesse que aquilo não era consentimento, que eu tava ali obrigada pelas circunstâncias. Que ele não tinha me conquistado. Mas enquanto eu falava, ele começou a socar com mais força, e o som dos nossos corpos se chocando ecoou na sala vazia. Cada estocada arrancava um gemido mais alto, mais incontrolável.
— Tá ensopada pra caralho. Olha como tá molhada… — ele apertou meus quadris com mais força, metendo fundo. — Você me odeia, mas está gostando de dar pra mim. A boceta não mente, Jade. Você sabe que vai perder novamente mas também que vai gozar gostoso.
Eu queria gritar que não. Queria ter forças pra negar. Mas meu corpo arqueava contra o sofá, buscando mais daquela sensação. Cada investida dele atingia um ponto dentro de mim que fazia minhas pernas fraquejarem. O prazer era intenso demais pra ser ignorado, e eu odiava isso. Odiava que ele estivesse certo.
Mordi o lábio, tentando conter os gemidos, mas outro escapou, mais longo e trêmulo.
— Cala a boca… ahh… — consegui dizer, a voz falhando. — Eu só perdi da outra vez porque você teve a ousadia de bater na minha bunda. Foi por isso, seu desgraçado.
Era a única defesa que me restava. Lembrar a ele — e a mim mesma — que minha derrota anterior tinha sido um acidente. Um golpe baixo que ele usou sem saber. Não era porque ele era melhor. Não era porque eu queria.
Ele riu baixo. E então a mão dele estalou contra minha bunda de novo, mais forte que da primeira vez.
O impacto foi um choque que se espalhou pela pele, quente e ardido. E junto com a dor veio uma onda de prazer tão violenta que eu gritei. Minhas pernas tremeram, a boceta apertou forte em volta do pau dele, e eu senti o orgasmo se formar no horizonte, ameaçador.
— Você gozou igual uma vadia quando eu bati. E vai perder de novo hoje, porque eu sou melhor nisso que você. Sempre fui.
O desprezo na voz dele era insuportável. Mas pior que o desprezo era a verdade. Meu corpo tinha reagido ao tapa como se fosse um presente. Como se aquilo fosse exatamente o que eu precisava. E ele sabia agora. Tinha descoberto na primeira vez, e agora tava usando contra mim.
Rebolei contra ele com raiva, tentando recuperar algum controle, tentando mostrar que ele não me dominava completamente.
— Sonha, seu arrogante de merda… Ahh… Você acha que é bom só porque me venceu uma vez? Você é um merda, Caio.
Minha voz saiu entre gemidos, e eu odiava o som dela. Odiava que ele estivesse me ouvindo assim, descontrolada, entregue.
Ele riu de novo — aquele som baixo e satisfeito que me dava vontade de esganá-lo. E então, sem aviso, saiu de dentro de mim.
O vazio foi quase doloroso. Ele me virou de lado no sofá, me posicionando como quisesse, e voltou a se encaixar atrás de mim. Uma perna minha ficou, aberta, dando espaço pra ele entrar. Minha mão desceu instintivamente, os dedos encontrando meu clitóris, e eu comecei a me tocar no ritmo das estocadas dele.
Agora o prazer vinha de dois lugares ao mesmo tempo — dele me enchendo por trás, dos meus próprios dedos na frente. Os gemidos saíam mais altos, menos controlados. Eu já não conseguia mais fingir que não tava sentindo.
— Continua gemendo assim… — a voz dele veio provocativa, enquanto a mão dele apertava minha bunda. Então outro tapa estalou, seco e ardido. — Eu adoro ouvir você perdendo o controle. Tá vendo? Odeia admitir, mas adora quando eu te trato que nem puta.
Meu corpo arqueou contra o sofá, um gemido quase um grito escapando.
— Filho da puta… — xinguei, mas a voz saiu rouca de prazer. — Eu te odeio… Ahh… te odeio pra caralho…
Era verdade. Eu odiava ele mesmo que não pareça. Odiava cada célula daquele desgraçado. Mas o meu corpo só sabia que ele tava me fodendo gostoso, que cada estocada acertava o lugar certo, estavam me levando rápido demais pro abismo. Eu não conseguia evitar, queria, mais não conseguia.
De repente, ele pressionou minhas duas pernas pra baixo, fechando bem apertado. Minha mão ficou presa, sem espaço pra continuar me tocando. Na hora eu até pensei em agradecer por isso, já que agora não tinha mais como eu me tocar. Olhei pra trás, eu vi a cara do Caio com um sorriso enorme, os olhos arregalados, sabia que ele iria fazer alguma coisa.
— Que porra você tá fazendo… — a voz falhando novamente quando ele começou a enfiar e tirar devagar.
A pressão das coxas fechadas tornava cada centímetro mais intenso. Eu sentia ele inteiro, cada veia, cada pulsação. O prazer se acumulava de um jeito torturante, me deixando à beira do precipício sem me deixar cair.
— Sentindo cada centímetro, né? Tá maluca de tesão e ainda finge que não quer. Eu sei que você vai gozar primeiro de novo.
Ele tava certo. Eu tava quase gozando. A boceta apertando involuntariamente em volta do pau dele. Eu queria gozar mais do que qualquer coisa naquele momento. Nesse instante eu realmente queria que ele acelerasse, que me levasse até o fim. Mas o orgulho e o que estava em jogo me impedia de pedir.
Em vez disso, xinguei entre gemidos cada vez mais altos, e rebolava contra ele com raiva, também por desespero, sabia que eu poderia gozar a qualquer momento, mais eu precisava vencer, então eu rebolei contra como eu conseguia, tentando forçar o ritmo, tentando tomar o controle, tentando fazê-lo gozar primeiro.
Ele aproximou a boca do meu ouvido, ainda metendo naquele ritmo lento e torturante. O hálito quente contra minha pele arrepiou cada pelo que eu tenho.
— Quando eu vencer, eu vou querer gozar na sua boca.
As palavras foram como um balde de água fria. Virei o rosto pra encará-lo, os olhos faiscando de raiva e pânico.
— Isso não vai acontecer, seu desgraçado.
— O acordo sempre foi que o vencedor pede o que quiser.
— Foi no primeiro desafio, não agora.
Eu sabia que tava sendo hipócrita. Sabia que as regras não tinham mudado. Mas a ideia de ter que engolir o gozo dele — logo dele, de todas as pessoas — me apavorava. Era a linha final. Era uma das coisas que eu nunca tinha deixado ninguém fazer. E ele queria exatamente isso.
Ele sorriu, e eu vi que ele tinha gostado da minha resistência. Continuou metendo lentamente, e meus olhos se fecharam involuntariamente a cada investida profunda.
— Tá querendo mudar a regra agora? Engraçado, porque você me acusou de mudar quando eu escolhi as posições.
— Isso é diferente.
Rangei os dentes, um gemido escapando quando ele enfiou mais fundo.
— Não é. Mas já que você é tão corajosa, vamos fazer assim.
Ele parou de meter por um segundo, o pau ainda dentro de mim, latejando. Olhei bem nos olhos dele, tentando manter a compostura enquanto meu interior pulsava de desejo.
— Se você vencer, eu só levo você e as meninas amanhã, pago o almoço de todo mundo e deixo cada uma na porta de casa. Se você perder, vai ter que me chupar até eu gozar na sua boca.
A proposta era clara. Ele tava me dando uma chance de ganhar algo real — a carona, o almoço, a solução pros meus problemas. Mas a penalidade por perder era a humilhação máxima. Eu o encarei, sentindo a determinação se formar por trás da raiva. Se eu ganhasse, tudo se resolvia. Se eu perdesse…
Não. Eu não ia perder. Não dessa vez.
— Fechado.
Ele voltou a me comer naquela posição, agora com mais rapidez e força. Os gemidos saíam mais altos, o corpo tremendo, as unhas cravadas no sofá. Ele me levou até a beira de novo, e de novo, e eu sentia que ia explodir a qualquer momento. Mas ele também tava perto — dava pra sentir nos espasmos do pau dentro de mim.
E então, de repente, ele parou. Saiu de dentro de mim.
Eu tava ofegante, tremendo, à beira do precipício sem conseguir cair. A próxima posição decidiria tudo, e ele sabia disso e eu também.
— Levanta.
Obedeci, as pernas bambas, o centro do minha menininha latejando de necessidade.
— Fica ali. De costas.
Apontou pra parede. Me posicionei como ele mandou, sentindo a superfície fria contra as costas. Ele se aproximou, e a diferença de altura ficou ainda mais evidente. Ele me olhou de cima, os olhos escuros brilhando com uma certeza que me assustava.
— Que porra você tá pensando em fazer? — perguntei, a voz rouca, tentando esconder o medo.
Ele não respondeu. Apenas segurou minhas coxas e me levantou, prensando minhas costas contra a parede fria. Me segurei nos ombros dele por instinto, já que também fiquei com medo de cair, coloquei as pernas em volta da cintura. Mas aquela posição me deixava completamente à mercê dele — meu peso todo nos braços dele, a parede impedindo qualquer fuga, ainda por cima, minha menininha estava toda exposta, ele não tinha teria nada para impedi-lo de entra fundo, minha menininha não tinha nenhuma proteção naquela posição.
Ele posicionou o pau e voltou a penetrar.
A sensação foi avassaladora. Socou fundo. A parede fria contra as costas, o calor dele na frente, o pau entrando e saindo num ritmo implacável. Os gemidos saíram livres, impossíveis de segurar, a cabeça jogada pra trás.
— Ahh… porra… — gemi alto, as unhas cravadas nos ombros dele. — Você tá se aproveitando… desgraçado…
— Tá gemendo desse jeito todo agora? — provocou no meu ouvido, continuando a foder sem piedade. — Olha pra você… toda cheia de pose, mas não consegue nem disfarçar o tesão.
Eu queria responder, queria xingar, mas outro gemido alto escapou. Só sentia. O prazer subindo em ondas, cada vez mais fortes.
— Eu te odeio… ahh… te odeio pra caralho…
Era a única coisa que minha mente consegui pensar e que me restava a dizer naquele momento, eu estava infelizmente totalmente exposta e sem nenhuma tipo de proteção e o prazer já tinha tomado conta do meu corpo, o orgasmo agora era só uma questão de tempo e não mais de quando iria acontecer.
— Eu adoro foder puta igual a você assim. Porque não tem como disfarçar o tesão… e quando goza também não consegue disfarçar. Escorre tudo no meu pau.
As palavras foram o gatilho final. O corpo tremeu violentamente contra a parede, os braços apertando o pescoço dele, a boceta contraindo forte em volta do pau. O orgasmo explodiu dentro de mim — longo, intenso, arrebatador. Gemi alto, sem conseguir me conter, sentindo cada espasmo percorrer meu corpo. Minhas pernas ficaram moles, os braços pesados. Ele me segurou firme durante todo o tempo, e quando os tremores finalmente diminuíram, me desceu devagar até os pés tocarem o chão.
Me afastei o suficiente pra respirar, mas não conseguia olhar pra ele. Minhas pernas ainda tremiam, a boceta inchada e sensível, o prazer ainda pulsando em ondas menores.
— Perdeu de novo.
A voz dele veio calma, satisfeita. Fechei os olhos. Não queria ver o rosto dele. A humilhação de perder duas vezes seguidas doía mais do que qualquer coisa física. Eu tinha entregado tudo — meu corpo, meus gemidos, meu orgasmo — e ainda assim tinha perdido. De novo.
— Você sabe o que eu quero como prêmio.
Eu sabia. A exigência pairava no ar, mesmo sem ser dita. Eu teria que fazer sexo oral nele até ele gozar na minha boca. Não era só a submissão. Era o ato final. O gosto dele ficando na minha boca, marcando de verdade. A linha que eu nunca tinha deixado ninguém cruzar. E agora ele, justamente ele, queria isso, de todos os homens no mundo tinha quer justamente ele.
Abri os olhos e me sentei devagar, afastando-me dele. A voz saiu fraca, sem a convicção que eu deveria ter, porque sabia que não teria muita escolha a não ser fazer.
— Não vou fazer isso.
Ele não se moveu. Apenas inclinou a cabeça, os olhos presos nos meus, o sorriso se alargando devagar.
— Você mesma firmou o acordo. Olhando nos meus olhos. Disse "fechado". Agora não cumpre? Covarde pra caralho sua atitude. E ainda por cima não tem palavra pra cumprir os acordos que firma.
As palavras atingiram o centro exato do meu orgulho. Eu sempre me defini pela coragem, pela capacidade de enfrentar qualquer coisa sem recuar. Era a identidade que eu construíra, era o que provava que eu era boa o bastante. Ser chamada de covarde por ele, de todas as pessoas, era insuportável. E pior: ele tava certo. Eu aceitei olhando nos olhos dele. Não fazer aquilo mesmo que pra mim fosse humilhante não era uma opção, minha mente está pensando em mil formas de não fazer, mas ao mesmo tempo não consegui pensar em nada que não me fizesse perde algo junto, se não fizesse eu perdia minha honra de não cumprir o acordo que eu fechei, perdia meu orgulho também, a perda seria muito maior do que apenas fazer.
Desviei o olhar. O silêncio se esticou na sala, pesado e carregado de tudo que não era dito. O cheiro da gente ainda tava no ar, misturado ao tecido do sofá. Ele soltou uma risada baixa, debochada.
— Caralho, Jade… você já deve ter levado muita porra na boca antes e agora tá de frescura? Fechou o acordo e agora quer voltar atrás como se fosse santa? Que merda é essa?
Virei o rosto, as bochechas queimando de um jeito que eu não conseguia esconder. O constrangimento era puro, cru. Ele não sabia — não podia saber — que ninguém tinha feito aquilo comigo antes. Que eu sempre recusei. Que era uma das poucas coisas que eu nunca tinha feito. E agora ele tava ali, exigindo exatamente aquilo, como se fosse nada. Como se eu fosse só mais uma coisa simples que duas pessoas fazem.
E o pior: ele percebeu que tinha algo mais. Aquele filho da puta percebeu. Vi nos olhos dele a compreensão. O silêncio, o jeito que eu apertei a mandíbula, o olhar fugindo — ele entendeu que aquilo era diferente. Ele sabia que tinha algo estranho na minha recusa, ela sabe que nunca recuava em nada e agora estava recuando, ele era esperto não tinha como eu negar isso, mas não pensei em nenhum momento que pra isso também. E em vez de recuar, ele avançou.
— Você que vive se gabando de coragem, de cumprir suas promessas, de não recuar pra nada e nem ninguém. E agora não cumpre a palavra? Para de ser covarde e faz o que combinou.
As provocações mexeram comigo de um jeito profundo. Ele sabia exatamente onde enfiar o dedo. Encontrava a ferida e pressionava. Eu odiava ele por mais isso. Odiava que ele me conhecesse tão bem a ponto de saber como me provocar e me humilhar sem ao menos falar um palavrão, ele sabia como fazer isso como ninguém.
O silêncio se estendeu. Então rangei os dentes e mandei, a voz rouca de raiva e vergonha.
— Cala a boca.
— Você vai fazer?
Outro silêncio. Meus olhos fixos no chão. Levantei a cabeça devagar, encontrando os olhos dele. Tinha ódio ali, muito ódio. Tentei algo que nunca pensei que faria, ainda mais com ele.
— Por favor isso não.
A voz saiu baixa, quase inaudível. Mas saiu. Eu tava implorando. Implorando pra ele não me fazer passar por aquilo. Implorando pra ele ter piedade de mim. Eu, que nunca pedia nada a ninguém, que não implorava pra ninguém, está me submetendo a isso e ainda mais com o Caio.
Ele me olhou, e eu vi nesse momento, no olhos dele que não adiantava fazer nada, fale nada. Nada do que eu dissesse mudaria a decisão dele. Ele apenas se recostou no sofá, abrindo as pernas. O pau duro apontando pra cima, as veias saltadas, a cabeça ainda brilhando dos meus próprios líquidos.
— Vem. Chupa do jeito que você quiser. Somente tira o pau da sua boca quando eu gozar tudo.
Me olhou, um olhar que não admitia recusa. Segurou o próprio pau, ainda duro, e balançou de leve. O gesto era um comando claro do que ele queria. E eu obedeci.
Me ajoelhei na frente do sofá. Os joelhos contra o piso frio. Segurei o pau dele com a mão — quente, pulsante, ainda úmido de mim. Aproximei o rosto e comecei a chupar. A língua trabalhando fundo, os lábios apertados, a cabeça subindo e descendo num ritmo que eu mesma escolhia, ele não forçava nada, deixou que eu fizesse como eu quiser como tinha dito, sabia nesse momento que não tinha mais volta, então era melhor fazer como eu gostava de chupar sem pensar no que viria e teria que vim na frente.
Ele gemeu baixo, os dedos cravados no estofado do sofá.
— Porra, Jade… você chupa tão bem… continua assim, caralho.
As palavras eram um elogio e uma ofensa ao mesmo tempo. Eu caprichei mais. A boca quente e molhada deslizando com força, a mão acompanhando na base, sugando como se o ódio pudesse ser engolido junto. Às vezes fechava os olhos, às vezes encarava ele com o desprezo que ainda conseguia reunir.
— Isso… assim… adoro uma mulher que chupa gostoso pra caralho… você é boa pra isso, hein? Tenho certeza que você ama fazer isso…
Cada palavra era uma facada no meu orgulho. Mas eu não parava. O boquete ficou mais intenso, mais profundo. Sentia a garganta contra a cabeça do pau dele, a língua pressionando a parte de baixo. Ele tava perto — dava pra sentir nos espasmos, na respiração acelerada.
— Quer que eu goze na sua boca?
A pergunta era mais pra me humilhar que qualquer coisa. Ele sabia que eu não tinha escolha. Mas mesmo assim, precisava me fazer dizer. Precisava ouvir da minha boca.
Olhei pra ele de baixo, os olhos marejados, os lábios inchados em volta do pau dele. Não disse nada. Só continuei olhando, e no meu olhar tinha raiva, tinha vergonha, tinha derrota.
Fechei os olhos por um instante. Quando abri, a voz saiu abafada, só com a cabeça do pau ainda na boca.
— Goza na minha boca.
As palavras tinham gosto de rendição. Tudo que ele queria ouvir, deu pra ver no olhos dele. Coloquei o pau na boca novamente, e ele explodiu. Gozou com um grunhido alto, jorrando na minha boca em espasmos fortes. Engasguei, tossindo, os olhos cheios d'água. O gosto salgado e amargo invadiu tudo.
Cuspi o que consegui no chão, mas uma parte desceu pela garganta antes que eu pudesse evitar. Engoli. Não tudo, mas o suficiente. Já não bastava ter que fazer ele gozar na minha boca eu ainda acabei engolindo. Fiquei com um ódio de mim mesma nessa hora.
Me levantei, as pernas trêmulas, limpando a boca com as costas da mão. Os olhos faiscavam de fúria, mas por dentro eu só sentia vergonha.
— Você não avisou que ia gozar, seu filho da puta.
Ele ainda recuperava o fôlego, rindo baixo, o corpo relaxado contra o sofá.
— Você tinha que chupar até eu gozar. Eu não tinha obrigação de avisar nada.
O filho da puta tinha razão, como sempre ele tinha razão, o pedido era que ele iria gozar na minha boca, não que tinha que avisar quando faria, as consequências também eram minhas, mas ele podia ter falado, ele podia ao menos ter dito que estava quase gozando, podia, mas não fez e realmente não precisava fazer.
Peguei a calcinha e a calça jeans do chão e vesti, as mãos tremendo de raiva. Depois a camiseta. Os olhos estavam secos, mas ardiam como se fossem lacrimejar. Não olhei pra ele. Nao podia chorar na frente dele, não na frente dele, ele daria mais esse gosto pra ele. Não disse nada. Apenas saí da sala e subi as escadas, os passos pesados na madeira.
Fechei a porta do meu quarto com um clique suave.
Fiquei parada no meio do quarto, os braços abraçando o próprio corpo. A boca ainda tinha gosto dele. O corpo ainda tremia. A humilhação queimava na pele como uma marca. Eu tinha perdido de novo. Tinha feito tudo que ele quis. E agora, além de tudo, me lembrei que não tinha resolvido o problema da carona.
A palestra amanhã. E eu ali, destruída, sem solução. Porque ele tinha vencido. De novo. E o prêmio dele não incluía me levar. O acordo era claro: se eu vencesse, ele levaria. Mas eu perdi. Então ele não devia nada. E eu não tinha mais nada pra barganhar.
Sentei na cama, as pernas cruzadas, os braços abraçando o próprio corpo. Os olhos ardiam, mas as lágrimas não vinham, mas estava com muita vontade de chorar. Era uma tristeza seca, uma desolação que ocupava o peito e não deixava espaço pra mais nada. Eu tinha me entregado de todas as formas possíveis, e no final continuava sem saída. Amanhã teria que inventar uma desculpa pras meninas. Ou pior: admitir que dependia dele e que ele tinha se recusado a ajudar. A vergonha seria ou já estava sendo imensa.
A luz do quarto estava acesa, mas eu não enxergava nada. Só o vazio.
Então ouvi os passos no corredor. Duas batidas leves na porta.
— Que é?
Abriu a porta sem esperar permissão. Ele ficou parado no batente, o ombro apoiado no marco, os braços cruzados. A postura relaxada de sempre, como se nada tivesse acontecido. Os olhos dele percorreram meu rosto, e eu soube que ele via tudo — a raiva, a desolação, a preocupação.
— Relaxa. Eu levo você e as meninas no domingo de manhã.
Fiquei surpresa. Abri a boca pra responder, até agradecer, mas ele continuou falando antes que eu pudesse formar qualquer palavra.
— Isso não muda nada entre a gente. A gente continua se odiando. Isso aqui não vira amizade. Não vira trégua.
Ele fez um gesto com a mão, abrangendo tudo.
— Eu só vou ajudar porque não quero levar bronca do meu pai quando ele descobrir que você precisava e eu não fiz nada.
Fez uma pausa. Os olhos presos nos meus.
— E não quero ver a Patrícia triste porque eu podia ter ajudado a filha dela e não ajudei. Ela não merece isso.
A voz baixou um tom.
— Eu gosto dela. Considero ela minha mãe. Ela foi boa pra mim quando não precisava ser. Então é por eles. Não por você.
Fiquei imóvel. A menção à minha mãe, dita daquele jeito — com uma sinceridade que eu raramente via nele — desarmou algo dentro de mim que eu não sabia que estava exposto. Senti um alívio imediato e profundo. A carona estava resolvida. Eu não precisaria mentir pras amigas, não faltaria à palestra, não prejudicaria a nota. O problema prático que me atormentava simplesmente evaporou.
Mas o alívio durou apenas um suspiro. Porque junto veio a lembrança de como eu tinha chegado ali. A derrota. A submissão. O gosto dele ainda na minha boca. Eu tinha perdido de novo. Ele tinha conseguido exatamente o que queria, e agora ainda estava sendo razoável o suficiente pra me ajudar — o que tornava tudo pior. Porque a razoabilidade dele me impedia de odiá-lo completamente naquele momento. Ele estava sendo legal comigo pela primeira vez desde que a gente se conheceu, mesmo que ele tenha deixado claro que não era por mim.
Ele ajudaria por consideração à minha mãe. A mãe que eu amava, mas com quem tinha uma relação complicada. Ele, o enteado que eu odiava, tratava minha mãe com uma consideração que às vezes eu mesma não conseguia demonstrar por ela. Aquilo doía de um jeito novo. Uma pontada de culpa misturada com ressentimento e até inveja.
Assenti uma vez, um movimento curto e seco de cabeça. A voz saiu controlada, mas o veneno ainda estava lá, diluído mas presente.
— Tá bom.
Ele não esperou mais nada. Deu as costas e voltou pro quarto, fechando a porta atrás de si.
Fiquei sozinha. O alívio da carona resolvida se misturava com o ódio renovado pela derrota. Ainda sentia a humilhação. Ainda ouvia a própria voz aceitando o acordo, tirando a roupa antes mesmo de saber o que ele pediria, e ainda implorando no final pra ele não gozar na minha boca — e depois pedindo pra ele gozar. Eu tinha me entregado ao desafio que eu mesma criei, e perdido de novo.
E agora, ainda por cima, eu sabia que estava devendo a ele. Ele tinha vencido, mas mesmo assim ajudaria. Porque era "razoável". Porque gostava da minha mãe. E eu teria que engolir isso também, mais essa humilhação.
O ódio continuava lá, intacto. A consciência de que ele me conhecia de um jeito que ninguém mais conhecia. E a certeza amarga de que, se desafiada de novo, eu faria tudo outra vez, porque eu queria vencer pelo menos uma vez eu queria vencer ele.
No quarto ao lado, eu também sabia que ele estava deitado e sorrindo por ter vencido. O domingo de manhã prometia ser um desfile de tensão mal disfarçada — eu no banco do passageiro, as meninas atrás, todos fingindo que estava tudo normal. E eu teria que me sustentar, sorrir pras minhas amigas, mesmo sabendo como foi que estávamos todas ali, por baixo da máscara que eu teria que usar. Mas por enquanto as únicas coisas que eu poderia fazer é tentar descansar porque não tinha como apagar o que aconteceu, infelizmente não tinha, e tinha que avisar a Marina que o Caio ia nos levar amanhã pra palestra.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS, MAS OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL PODEM NAO SER MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.