Voltei ao salão principal com a mesma serenidade de sempre, embora minhas entranhas ainda fervessem com o calor de Adão. A festa estava no auge. O ar era denso, carregado pelo cheiro de cera derretida, perfume francês, fumaça de charuto e o aroma inconfundível de carne de porco assada com farofa e queijo ralado que saía da cozinha.
As mesas eram um espetáculo à parte. Havia frutas de todas as qualidades: mangas, bananas, uvas verdes e melancias cortadas em pedaços generosos. Os pratos de prata transbordavam com guisados de galinha, leitão à pururuca, e o famoso "barreado" que só se fazia nas melhores festas da província. E para beber, as garrafas de Vinho do Porto e Madeira corriam como água, fazendo com que os senhores ficassem com o rosto vermelho e as senhoras com o olhar mais brilhante e a língua mais solta.
Sentei-me em uma cadeira de veludo na roda de mulheres mais importantes da região. Dona Cândida, esposa de um fazendeiro rico, e Dona Beatriz, que se dizia a mais virtuosa de todas.
— Eulália, que maravilha sua festa! — disse Dona Cândida, levando uma taça de vinho aos lábios pintados. — O Coronel Matias realmente sabe receber. Mas confesso... estou cansada de ver sempre os mesmos rostos. A vida na roça é tão monótona, não acha?
Ri por dentro. Monótona? Se elas soubessem o que eu fizera há poucos minutos no quarto dos fundos...
— É verdade, minha amiga — respondi, com a voz doce e fingida. — Mas temos que saber encontrar nossos próprios prazeres, não é mesmo? A vida é muito curta para vivermos apenas de regras.
Elas concordaram, balançando os leques, sem entender a profundidade do que eu dizia. Elas falavam de bordados, de missas e de filhos. Eu falava de desejo, de força e de homens que me comiam como se eu não tivesse dono.
Enquanto conversávamos, meus olhos passeavam pelo salão. Lá estava ele. Ezequiel.
Ele era imponente, um verdadeiro colosso. Diferente de Adão, Ezequiel era negro retinto, da cor da noite sem fim, com uma altura que fazia os outros homens parecerem crianças. Ele estava parado perto da porta, servindo como uma espécie de guardião silencioso. Os ombros dele eram tão largos que a libré parecia pequena, esticada sobre um peito que parecia feito de pedra. E o cabelo... ah, o cabelo dele era o que eu gostava: bem crespo, duro, um black power volumoso e rebelde, que contrastava com a postura rígida dele.
Ele sentiu meu olhar. Ezequiel virou a cabeça devagar e nossos olhos se encontraram. Não houve desvio. Ele me olhou com uma intensidade fria, calculista, como um leão que observa a gazela. Sabia, naquele momento, que aquele seria o meu maior desafio.
A noite avançou. A música ficou mais lenta, mais sensual. Os convidados já estavam todos embriagados, uns dançando, outros jogando cartas, outros cochichando nos cantos. Matias, completamente bêbado e feliz com os elogios, já nem percebia mais onde eu estava.
Era a hora.
Aproximei-me de Maria, que passava com uma bandeja vazia.
— Onde está o Ezequiel? — sussurrei.
— Ele ficou responsável por guardar a área do porão, Sinhá. Onde guardam os tonéis de vinho. Ninguém vai lá.
— Perfeito. Diga a ele que eu quero inspecionar a qualidade da bebida. E que ele me mostre... o "estoque novo".
Saí da sala principal, fingindo que ia ao toalete. Desci os corredores escuros, até chegar à porta de madeira pesada que dava para o porão. A maçaneta estava fria. Abri e desci os degraus de pedra, sentindo o cheiro forte de madeira velha e álcool.
— Ezequiel? — chamei baixinho.
Uma sombra se moveu no canto. Ele surgiu de entre os tonéis, gigantesco, envolto na penumbra. A luz de uma única lamparina de azeite iluminava apenas metade do rosto dele, realçando o volume do cabelo black crespo e a força da mandíbula.
— A Sinhá veio mesmo procurar o estoque? — a voz dele era grave, parecendo o som de uma roda de carroção.
— Vim procurar o que é mais forte, Ezequiel — caminhei até ele, sentindo-me pequena diante daquela montanha de homem. — Disseram que você vem da Costa. Que lá os homens são feitos para durar.
Ele não disse nada. Apenas deu um passo à frente, e o ar pareceu ficar mais raro. Ele levantou uma mão imensa, com dedos grossos e curtos, e tocou meu rosto. O toque era rude, mas não doloroso.
— A senhora é muito branca, muito fina... — murmurou ele, aproximando o rosto, o hálito quente cheirando a cana e a mistura forte. — Tenho medo de quebrar a senhora com o tamanho da minha fome.
— Eu não sou vidro, Ezequiel. Sou carne. E carne foi feita para ser comida — segurei a mão dele e levei para o meu decote, fazendo com que ele apertasse minha carne farta. — Mostre se é verdade o que dizem. Mostre se você é mesmo um touro.
Foi como dar a ordem para um terremoto.
Ezequiel me agarrou pela nuca e pela cintura, levantando-me do chão como se eu não pesasse nada. Ele me encostou em um tonel de madeira que rangeu sob o peso. Com a outra mão, ele levantou minha saia de seda com uma facilidade incrível, rasgando levemente a renda da minha anágua.
Quando ele se soltou, eu vi. Deus do céu, eu vi. Ezequiel era desproporcional. Era uma arma de guerra, grossa, longa, escura e veiosa, latejando como um coração à parte.
— Segure-se, Sinhá — foi a única coisa que ele disse.
Ele entrou em mim de uma só vez, sem piedade. A sensação foi de ser completamente invadida, esticada, preenchida até eu não conseguir mais respirar. Ele era tão grande que eu sentia ele batendo no fundo do meu útero, fazendo doer de uma forma deliciosa que me trouxe lágrimas aos olhos.
— Uhm! Sim! Isso! — consegui gemer, mordendo o ombro dele. — Me enche, gigante! Me estoura!
Ezequiel começou a me bater. O movimento era lento, mas profundíssimo, como um martelo batendo em prego de aço. Ele usava todo o peso do corpo dele sobre mim, esmagando-me contra o tonel, fazendo-me sentir a verdadeira definição da palavra "possuída". O cabelo black dele balançava a cada estocada, e eu agarrei aqueles cachos grossos, puxando com força.
— A senhora é apertada... mas aguenta... — rosnava ele contra meu pescoço, chupando, mordendo, deixando marcas roxas que eu teria que esconder depois. — Essa branquinha é gostosa demais...
O som no porão era o de pele batendo contra pele, molhado, forte, misturado ao som dos nossos grunhidos. Lá em cima, a elite dançava valsas e polcas. Aqui embaixo, eu era fodida pelo homem mais forte da fazenda, sentindo o prazer bruto e selvagem que só um negro daqueles sabia dar.
Quando ele gozou, foi como uma erupção. Ezequiel me encheu de um sêmen quente e espesso que pareceu não ter fim, gemendo alto no meu ouvido, tremendo todo. Eu gozei junto, sentindo meu corpo se contorcer em volta daquela vara de pau duro, satisfeita, completamente esgotada.
Fiquei ali encostada no tonel, enquanto ele se ajeitava, ainda ofegante. Ele olhou para mim, e pela primeira vez, um sorriso apareceu naquela cara de pedra.
— Agora a senhora sabe, Sinhá... — disse ele, ajeitando meu cabelo. — O vinho mais forte é o que eu guardo para mim.
Subi de volta para a festa com as pernas bambas, o vestido amassado e um brilho nos olhos que ninguém conseguia explicar.
Sim, a festa tinha sido um sucesso. Matias estava feliz, os convidados impressionados... mas ninguém sabia que a verdadeira festa, a que realmente importava, acontecia nos cantos escuros, nos porões e nos quartos vazios, onde a Sinhá Eulália reinava absoluta sobre o seu harém de ébano.