A Vingança do Nerd - Capítulo 3 — Condicionamento

Um conto erótico de HDNA
Categoria: Gay
Contém 4145 palavras
Data: 28/05/2026 20:34:21

A terça-feira amanheceu abafada, com um calor úmido que grudava nas roupas como uma segunda pele. Mas dentro de mim, outro tipo de calor queimava — um fogo lento e constante que nada tinha a ver com o clima. Desde o domingo, minha mente não parava. Cada cena se repetia em loop, cada gemido, cada tremor, cada olhar de submissão forçada que, com o passar das horas, começava a parecer menos forçado e mais... natural. Era uma obsessão doce e perversa. Eu acordei com o corpo tenso, a lembrança do peso deles ajoelhados diante de mim ainda vívida, o sabor do poder ainda fresco na minha boca.

No caminho para a faculdade, dentro do carro abafado, o silêncio era mais espesso que o ar. Gabriel dirigia com as mãos firmes no volante, mas seus dedos batiam um ritmo nervoso. Eu via, pelo retrovisor, como ele evitava me encarar, como seus olhos se fixavam na estrada com uma intensidade exagerada. Guilherme, ao seu lado, estava virado para a janela, mas seu reflexo no vidro revelava um rosto fechado, a mandíbula tão travada que os músculos do pescoço estavam salientes. O cheiro dentro do carro era uma mistura intoxicante: desodorante barato, suor fresco da manhã quente e algo mais—o cheiro metálico do medo e da tensão sexual reprimida. Eu respirava fundo, deixando que esse aroma me invadisse, alimentando a chama que crescia na minha virilha.

Quando chegamos ao campus, avistei-os de longe, cercados pelo círculo habitual de admiradores. Eram como dois postes magnéticos, atraindo atenção sem esforço. Mas hoje, havia uma fissura na fachada. Gabriel ria de uma piada, mas o sorriso não alcançava os olhos. Seu corpo, antes tão relaxado e expansivo, estava contido, os braços cruzados, os ombros levemente curvados para dentro. Guilherme fumava um cigarro com gestos bruscos, sua postura agressiva era um muro visível. E então, Gabriel me viu.

Não foi um olhar. Foi um congelamento. Seus olhos castanhos, antes desdenhosos, se arregalaram por uma fração de segundo. O sorriso morreu em seus lábios. Todo o seu corpo pareceu se contrair, como se um choque elétrico tivesse passado por ele. Guilherme percebeu a mudança imediata no irmão. Sua cabeça girou, seus olhos azuis-gelo encontrando os meus através da multidão. A expressão dele se transformou de irritação genérica para algo mais pessoal, mais profundo—um ódio fervendo sob a superfície, mas já misturado com outra coisa: um reconhecimento resignado.

Caminhei até eles, devagar, sentindo cada passo como uma afirmação. O grupo ao redor deles pareceu sentir a mudança na atmosfera, e as conversas morreram um pouco.

— Bom dia, meninos — disse minha voz, suave mas carregada de uma intenção que só nós três entendíamos.

Gabriel engoliu seco. Seus lábios se separaram, úmidos.

— Bom dia, Marcos — ele respondeu, a voz um tom mais baixo do que o normal, quase reverente.

Guilherme cuspiu o resto do cigarro no chão e o esmagou com o pé.

— Que foi? — rosnou, mas seu olhar não conseguia se manter fixo no meu; ele desviava para o lado, para os amigos confusos, para qualquer lugar que não fosse meus olhos.

Inclinei a cabeça, um sorriso jogado nos cantos da boca.

— Nossa… Alguém acordou com o pau preso e o humor azedo hoje, hein? — sussurrei, baixo o suficiente para que só eles ouvissem.

A reação foi instantânea. Gabriel ficou levemente corado, seus olhos baixando para o próprio quadril, como se pudesse ver a gaiola rosa através do tecido da bermuda. Guilherme empalideceu de raiva, seus punhos se cerrando ao lado do corpo.

— Vai tomar no cu — ele cuspiu, mas a frase perdeu força no final, virando quase um murmúrio.

Gabriel fechou os olhos por um segundo, um suspiro quase imperceptível escapando dele. Era claro—ele estava antecipando um conflito, se preparando para o pior. Ele estava me lendo. E aquela submissão antecipada era mais excitante do que qualquer ato físico.

Aproximei-me mais de Guilherme, reduzindo a distância a poucos centímetros. Podia sentir o calor do corpo dele, o cheiro do tabaco e do suor.

— Cuidado com a língua, Gui — murmurei, minha voz um fio de seda cortante. — Lembra do que acontece quando você me desrespeita? Seu irmão é que paga a conta.

Guilherme tremeu, não de medo, mas de pura fúria impotente. Seus olhos azuis brilharam com um ódio tão profundo que era quase belo. Ele abriu a boca para retaliar, mas Gabriel interveio, colocando uma mão cautelosa no braço do irmão.

— Vamos embora, Gui. A aula vai começar — disse Gabriel, sua voz era um fio de tensão.

Ele não estava tentando evitar uma briga qualquer. Ele estava tentando evitar minha reação. Estava me protegendo deles mesmos. E aquilo—aquilo era uma vitória monumental.

Observei os dois se afastarem, os ombros largos de Guilherme rígidos, a nuca de Gabriel tensa. Uma onda de calor percorreu meu corpo, concentrando-se em uma dor latejante e insistente entre minhas pernas. Eles eram meus. E cada vez mais, eles próprios começavam a agir como se soubessem disso.

Durante a aula, sentei-me algumas fileiras atrás deles. Era hipnótico observar a linguagem corporal. Gabriel não parava quieto. Ele mudava de posição a cada poucos minutos na cadeira dura — ajustando o quadril, afastando sutilmente as pernas, depois cruzando-as e descruzando-as, tentando aliviar o desconforto constante entre as pernas. Era um balé discreto de tensão reprimida. Uma vez, ele tentou se sentar de lado, e um pequeno gemido abafado escapou de seus lábios. Meus dedos se cerraram ao redor da caneta. Ele estava sentindo a gaiola a cada movimento, a cada atrito do tecido, sendo lembrado de mim e do meu domínio o tempo inteiro.

Em determinado momento, Gabriel abriu discretamente mais as pernas debaixo da carteira, como se tentasse aliviar a pressão constante da gaiola contra o corpo. Guilherme percebeu o movimento pelo canto do olho e imediatamente travou ainda mais a mandíbula, porque ele próprio vinha fazendo exatamente a mesma coisa desde cedo.

Em determinado momento, Gabriel abriu discretamente mais as pernas debaixo da carteira, como se tentasse aliviar a pressão constante da gaiola contra o corpo. Guilherme percebeu o movimento pelo canto do olho e imediatamente travou a mandíbula ainda mais forte, porque ele próprio vinha fazendo exatamente a mesma coisa desde cedo.

Guilherme era uma estátua de raiva petrificada. Ele se mantinha imóvel, mas sua mão no caderno estava tão tensa que os nós dos dedos estavam brancos. De vez em quando, seus olhos se fechavam por um longo segundo, como se ele estivesse lutando contra uma dor de cabeça—ou contra a própria realidade. Quando o professor fez uma pergunta direta a ele, Guilherme levou um tempo anormal para responder, sua mente claramente em outro lugar. Em nós.

Na saída, Vinícius, um colega de classe, se aproximou enquanto eu guardava meus livros.

— Cara, tá rolando uma parada estranha com os gêmeos, né? — ele falou, baixinho. — Tipo, o Gabriel tá agindo como se você fosse um chefe ou algo assim. Ele até parou de fazer aquelas piadinhas de mau gosto.

Mantive o rosto neutro, mas por dentro, um sorriso selvagem se abria.

— É? Não tinha notado.

— Pois é. E o Guilherme parece que tá com um cabo de aço enfiado no cu, tá sempre irritado. Mas contigo… ele não chega perto. É estranho.

Era mais do que estranho. Era delicioso. A percepção pública começava a mudar. A hierarquia invisível estava se invertendo, e até os outros sentiam o cheiro do poder mudando de mãos.

Naquela noite, sozinho no meu quarto, a excitação era um zumbido constante no meu sangue. Abri meu notebook, mas em vez de estudar, digitei uma série de termos em uma nova aba privada. “Dominação psicológica”. “Condicionamento por reforço”. “Humilhação erótica”. “Submissão masculina”. Mergulhei em fóruns e artigos, devorando informações. Quanto mais lia, mais meu coração acelerava. As coisas que eu tinha feito instintivamente—o castigo transferido, a privação sensorial da gaiola, a humilhação pública—eram técnicas reconhecidas. E os efeitos que eu via em Gabriel e Guilherme—a obediência automática, a busca por aprovação, a confusão entre medo e excitação—eram clássicos sinais de condicionamento.

Uma parte de mim, pequena e distante, alertava sobre os perigos, sobre a ética. Mas essa voz foi abafada por um rugido muito mais forte de posse e prazer. Eu estava no controle. Eu estava moldando-os. E era a sensação mais poderosa que já experimentara.

Fiquei alguns segundos encarando meu próprio reflexo apagado na tela do notebook. Uma parte de mim sabia que aquilo estava passando dos limites fazia tempo. Que nada daquilo era normal. Mas toda vez que eu lembrava deles ajoelhados diante de mim… toda culpa desaparecia debaixo daquela sensação absurda de controle.

Com os dedos tremendo levemente de antecipação, abri uma nova guia e naveguei até um site de artigos para adultos. Não era mais sobre pesquisa. Era sobre planejamento. Meus olhos percorreram imagens de cordas de juta, algemas de veludo com fechaduras, coleiras de couro com argolas. Pausei em um conjunto de acessórios—uma coleira larga para pescoços largos, e outra mais fina. Sem pensar muito, coloquei ambas no carrinho. Adicionei um lubrificante com efeito de aquecimento, um plug anal de silicone com vibração controlada remotamente e um conjunto de pinças para mamilos.

Ao finalizar a compra, com um clique seco, fiquei olhando para a tela de confirmação. O quarto estava em silêncio, mas o som do meu próprio sangue nas orelhas era alto. O que eu estava fazendo? Isso tinha passado de uma vingança quente para algo planejado, metódico… e muito mais profundo. A resposta veio imediatamente, na forma de um aperto quase doloroso na minha calça. Eu não queria parar. Eu queria mais.

A quinta-feira trouxe o estopim. O calor continuava insuportável, e a tensão na casa tinha a espessura de um caldo pesado. Depois do jantar, os dois foram para a academia no térreo. Decidi descer. Fiquei sentado no banco de supino, observando em silêncio.

Os corpos deles, banhados em suor, brilhavam sob as luzes fluorescentes. Gabriel fazia levantamento terra, os músculos das costas formando um relevo perfeito sob a pele. Guilherme martelava o saco de pancadas com uma violência que era mais do que treino—era fúria sendo extraída. O som dos seus socos era seco, brutal.

Quando Gabriel terminou sua série e desabou no chão perto do espelho, ofegante, a raiva que Guilherme carregava finalmente transbordou. Ele parou de bater, o peito subindo e descendo rapidamente, e olhou para o irmão com desdém.

— Tu tá agindo igual um cachorro amestrado, Gabriel. Sério.

Gabriel levantou o rosto, o suor escorrendo de seu queixo.

— Que que tu quer dizer com isso?

— Tu sabe muito bem. Fica olhando pra porta esperando ele aparecer. Obedece na hora. Até tua postura mudou. Parece que tá com o rabo entre as pernas. Tu tá gostando dessa merda toda?

O ar saiu dos pulmões de Gabriel como se ele tivesse levado um soco. A cor sumiu do seu rosto, substituída por uma vermelhidão quente de vergonha e raiva. Ele se levantou num movimento fluido, seu corpo maior se impondo diante do irmão.

— Cala a boca, Guilherme.

— Por quê? Tá com medo que ele ouça e tire tua recompensa? — a voz de Guilherme era um veneno puro. — Tu virou a cadela dele, é isso? Espera um biscoito depois de fazer truque?

Aquilo foi longe demais. A dúvida que piscou nos olhos de Gabriel foi a pior parte. Por um segundo, ele mesmo pareceu se perguntar se era verdade. Se toda aquela obediência rápida, aquela busca por evitar minha ira… tinha um componente secreto de prazer.

— Tu não entende porra nenhuma! — Gabriel gritou, sua voz ecoando na sala. — Pelo menos eu não fico piorando tudo, igual um animal burro que só sabe bater e espernear!

Gabriel passou a mão nervosamente pelo próprio rosto, frustrado consigo mesmo.

— Tu acha que eu gosto disso? — a voz dele saiu mais baixa agora. — Eu só… eu só quero que essa porra pare de piorar toda vez.

Guilherme deu um passo à frente, seu nariz quase tocando o do irmão.

— Explica então! Qual é tua brilhante estratégia, além de lamber as bolas dele?

Foi quando Gabriel o empurrou. Não foi um toque, foi um empurrão forte no peito, que fez Guilherme recuar um passo, surpreso.

— CALA ESSA BOCA!

Eu me levantei do banco. O som das minhas solas no piso de borracha ecoou na sala silenciosa subitamente. Os dois congelaram, virando-se para mim como crianças pegas em flagrante. A raiva entre eles ainda pulsava no ar, mas agora era sobreposta por um novo tipo de tensão—a minha.

Caminhei calmamente até o centro da academia, meus olhos passando de um para o outro. Parei diante de Gabriel, que ainda respirava ofegante, seu torso poderoso subindo e descendo.

— Gabriel — chamei, minha voz suave como um corte de faca. — Vem aqui.

Ele obedeceu. Imediatamente. Sem um piscar de olhos de hesitação. Deu dois passos e parou diante de mim, sua cabeça levemente baixa. A rapidez com que ele obedeceu, após a explosão de agressão com o irmão, foi eletrizante.

Guilherme soltou uma risada curta e amarga, um som de desespero.

— Caralho… Olha só. É instantâneo. Tu realmente quebrou ele.

A vermelhidão no rosto de Gabriel se aprofundou, mas ele não moveu um músculo. Ele não negou. Ele apenas ficou ali, diante de mim, oferecendo sua obediência como um fato inegável.

Estudei seu rosto. Os olhos castanhos evitando os meus, fixos no meu peito. Os lábios entreabertos, úmidos. O suor escorrendo de uma têmpora até a linha forte de seu maxilar. Lentamente, levantei minha mão. Ele estremeceu, mas não recuou. Pousei a ponta dos meus dedos naquela linha de suor e a segui, da têmpora até o queixo. Sua pele estava quente, viva, pulsando sob meu toque.

— Tá precisando tanto assim da minha aprovação, Gabriel? — perguntei, minha voz um murmúrio íntimo que só nós dois ouvimos. — Da minha atenção? Que briga com o próprio irmão por isso?

Ele fechou os olhos, longos cílios escuros tremendo contra a pele. Um pequeno, quase imperceptível, balanço de cabeça. Um “não” que não saiu como palavra. Mas seu corpo, inclinado para mim, dizia “sim”.

Guilherme observava a cena, e eu podia sentir o turbilhão dentro dele—nojo, raiva, e uma curiosidade perversa que ele jamais admitiria.

Mais tarde, já noite fechada, o ar no meu quarto era carregado de promessas. Mandei a mensagem: “Meu quarto. Agora.” Nem precisei olhar o celular para saber das respostas. A obediência agora era um dado.

Gabriel chegou primeiro. Abriu a porta e entrou com a suavidade de um fantasma, seus olhos escaneando o ambiente rapidamente—a cama, a escrivaninha, o espaço no chão onde ele tinha se ajoelhado antes. Ele já estava associando este quarto a um estado específico de existência: o estado de submissão. Guilherme apareceu um minuto depois, seu corpo preenchendo o vão da porta antes de ele entrar e fechá-la com um clique alto. Ele se encostou na parede, longe da cama, seus braços cruzados formando uma barreira.

Fechei a cortina, mergulhando o quarto na penumbra quente do abajur. A luz âmbar pintava suas peles de tons quentes, destacando os contornos musculares, as sombras profundas.

Voltei-me para eles, deixando o silêncio se instalar, se espalhar, se tornar uma presença física.

— Tirem a camisa — ordenei, minha voz plana, sem espaço para discussão.

Gabriel reagiu primeiro. Seus dedos encontraram a barra da camiseta preta e a puxaram sobre a cabeça num movimento fluido. O tecido caiu no chão. Seu torso foi revelado—definido, suado da academia, a pele dourada sob a luz baixa. Seus mamilos escuros, levemente contraídos no ar condicionado. Ele ficou em pé, mãos ao lado do corpo, olhando para um ponto no chão perto dos meus pés.

Guilherme soltou um suspiro exasperado. Demorou três segundos, quatro… mas então seus dedos, tensos, começaram a desabotoar a camisa de botão azul que usava. Ele a tirou com menos graça, jogando-a em cima da mochila perto da porta. Seu peito era mais largo que o do irmão, mais coberto de uma penugem dourada. Ele cruzou os braços novamente, tentando recuperar uma fachada de controle.

Aproximei-me devagar, o som dos meus passos no carpete era o único ruído. Parei primeiro diante de Gabriel. Meus olhos percorreram cada centímetro da pele exposta—os sulcos abdominais, o V profundo que levava à cintura da bermuda.

— A gaiola ainda tá aí? — perguntei, já sabendo a resposta.

Ele fez um pequeno aceno com a cabeça, seus olhos ainda baixos.

— Quero ver.

Sem hesitar, seus dedos desceram até o cós da bermuda de moletom cinza. Ele desabotoou, desceu o zíper e empurrou o tecido para baixo, junto com a cueca preta, até o meio das coxas. A gaiola rosa, pequena e ridícula, apareceu, presa firmemente ao redor de sua base. O contraste entre aquele acessório cor-de-rosa e seu corpo masculino, poderoso e coberto de veias, era obscenamente belo. Seu pau, contido e impotente, estava visível através das grades de plástico.

— Muito bom — murmurei, satisfeito. Meus olhos então se voltaram para Guilherme, desafiador. — Sua vez.

Guilherme me encarou, seus olhos azuis queimando. A batalha interna era visível em cada músculo de seu rosto. O orgulho ordenava que resistisse. O medo, e algo mais profundo, sabia das consequências. Com um gesto brusco de raiva contra si mesmo, ele desceu o zíper da sua bermuda e a empurrou para baixo, revelando a mesma gaiola rosa. Em seu corpo mais pálido, o rosa parecia ainda mais chamativo. Ele ficou de pé, as calças no alto das coxas, sua nudez parcial uma humilhação gritante.

— Bons garotos — disse, e vi o estremecimento que a frase causou em ambos.

Gabriel abaixou ainda mais a cabeça, mas seus lábios se separaram levemente. Guilherme ficou mais rígido, seus dedos se contraindo.

Comecei a circular ao redor deles, como um predador avaliando sua presa. A luz criava sombras dramáticas em suas costas, nos sulcos da coluna, nas curvas das nádegas.

— Sabem qual é a parte mais fascinante de tudo isso? — perguntei, minha voz um sussurro sedutor no quarto quieto. — Eu nem preciso mais ameaçar. Eu nem preciso levantar a voz. — Parei atrás de Gabriel, tão perto que meu hálito deve ter tocado a pele de suas costas. Ele estremeceu. — Vocês tão começando a reagir antes mesmo de pensar. O corpo de vocês já obedece antes da mente. O medo… se transformou em algo mais interessante, não foi?

Nenhum deles respondeu. O silêncio era sua confissão.

— Sentem — ordenei, apontando para o chão ao lado da minha cama. — No chão. De frente pra mim.

Gabriel se moveu primeiro, ajoelhando-se e depois sentando sobre os calcanhares, uma posição formal de submissão. Guilherme hesitou, seus olhos faiscando. Ele olhou para o irmão, para o chão, para mim.

— Eu não disse agora? — minha voz não aumentou de volume, mas carregou uma lâmina de gelo.

Ele engoliu seco. Lentamente, com a dignidade de um rei deposto, ele se ajoelhou e sentou, mantendo uma distância de um metro do irmão. Ambos estavam sem camisa, as calças abaixo dos quadris, a gaiola rosa exposta, seus torsos poderosos à mostra. A imagem era de uma submissão forçada que, aos poucos, perdia o “forçada” e se tornava apenas “submissão”.

Sentei na beirada da cama, de frente para eles, minhas pernas abertas. Estávamos no mesmo nível, mas a dinâmica era clara. Eles no chão. Eu no trono.

— Gabriel — chamei. Ele levantou o rosto imediatamente. — Você está aprendendo rápido. Comporta-se bem. Sabe evitar problemas. — Seus olhos brilharam com um reflexo estranho—alívio? Orgulho? Era assustadoramente doce. — Isso merece… reconhecimento.

Estiquei a mão e pousei-a no topo de sua cabeça, entre os fios de cabelo castanhos, ainda úmidos. Fiz um movimento lento, quase carinhoso, acariciando-o. Ele fechou os olhos, e seu corpo inteiro pareceu afundar um pouco, como se um peso fosse tirado dele. Um pequeno suspiro escapou de seus lábios.

Guilherme observava, e eu via a confusão nele. Era nojo? Inveja? Ele via o irmão recebendo um toque que não era violento, que era quase… gentil. E a reação de Gabriel a esse toque era a de um animal faminto por afeto.

Retirei minha mão da cabeça de Gabriel e me virei para Guilherme.

— E você… — disse, minha voz perdendo a suavidade. — Continua resistindo. Continua tentando provar algo pra si mesmo. Torna tudo mais difícil. Pra você… e pra ele. — Apontei para Gabriel, que abriu os olhos, olhando para o irmão com uma expressão que eu não consegui decifrar—culpa, talvez, ou pena.

— Eu não pedi pra entrar nessa merda — rosnou Guilherme, mas sua voz falhou.

— Não. Mas você entrou. E agora está aqui. De joelhos. Com o pau preso numa gaiola cor-de-rosa. — Inclinei-me para a frente, meus cotovelos apoiados nas minhas coxas. — E sabe o que é pior, Gui? Seu corpo já aceitou. Só a sua cabeça teimosa que não. Olha pra você.

Meus olhos desceram propositalmente para seu colo. A gaiola rosa não escondia tudo. A cabeça de seu pau, pressionada contra o plástico, estava com uma cor mais escura, inchada. Um fio minúsculo e transparente de pré-gozo havia surgido na ponta, colando-se à grade. Ele seguiu meu olhar e ficou pálido, tentando disfarçar ajustando as pernas.

— Seu corpo reage pra mim, Guilherme. Mesmo que teu orgulho odeie admitir isso. Mesmo que seu orgulho odeie a ideia. Ele reage a mim. Ele produz isso por mim. — Minha voz era um veneno doce. — Quer que eu prove?

Sem esperar resposta, me levantei e fechei a distância até ele. Ajoelhei-me no chão, na sua frente, nossa altura agora igual. Seu rosto estava a centímetros do meu. Ele podia sentir meu hálito. Eu via cada detalhe—as sardas sob seus olhos, o lábio inferior trêmulo.

— Diz que não — desafiei, um sussurro áspero. — Diz ‘não, Marcos, não toque em mim’, e eu paro. Agora. Mas tem que dizer. E tem que ser verdade.

Ele abriu a boca. Seus lábios se moveram. Um som rouco saiu da garganta, mas não formou palavras. Seus olhos, tão azuis e claros, estavam presos aos meus, e neles eu vi o colapso. A luta entre o que ele era e o que ele estava se tornando. O orgulho que definia Guilherme, e a nova realidade que seu corpo já aceitava.

Ele não disse nada.

Um sorriso lento se abriu nos meus lábios.

— Isso que eu pensei.

Levantei minha mão. Ele prendeu a respiração. Em vez de tocar seu rosto, desci lentamente, passando pelo peito, pelos abdominais tensos, até chegar à cintura da bermuda. Meus dedos contornaram a borda superior da gaiola rosa. A pele ali estava quente, quase febril. Ele estremeceu violentamente, um calafrio percorrendo todo o seu corpo.

— Tá sentindo? — murmurei, enquanto meu dedo indicador percorria a linha onde o plástico encontrava a pele, no topo de seu púbis. — Tá sentindo como seu corpo esquenta quando eu tô perto? Como ele responde, mesmo com essa prisão?

Um gemido baixo, rouco, involuntário, escapou dele. Era um som de pura rendição física. Seus olhos se fecharam, como se não suportassem me ver e sentir ao mesmo tempo.

Atrás dele, ouvi a respiração ofegante de Gabriel. Quando olhei, vi que ele estava observando, seus olhos escuros e arregalados, sua boca entreaberta. Uma mancha úmida maior agora estava visível dentro da gaiola dele também. Ele estava excitado. Não pela humilhação do irmão, mas pela cena. Pelo poder em ação. Pela confirmação de que ele não estava sozinho nessa queda.

Aquela percepção foi como gasolina no fogo dentro de mim. Eles não estavam mais apenas sofrendo juntos. Estavam testemunhando a submissão um do outro. Estavam sendo condicionados também pela observação.

Retirei minha mão de Guilherme. Ele abriu os olhos, ofegante, seu rosto um quadro de confusão absoluta—vergonha, raiva, e um desejo profundo e negado que brilhava no fundo de seus olhos.

— Podem ir — disse de repente, minha voz voltando ao normal.

A surpresa foi visível em ambos. Eles esperavam mais. Talvez desejassem mais, numa parte recôndita de suas psiques. Gabriel se levantou primeiro, puxando a bermuda com movimentos desajeitados. Ele evitou meu olhar, mas antes de chegar à porta, parou.

— Obrigado… Marcos.— Ele hesitou antes de dizer meu nome, como se outra palavra tivesse quase escapado de sua boca.

Guilherme se levantou com mais dificuldade, como se seus membros estivessem pesados. Ele puxou a bermuda, cobrindo a gaiola, mas a imagem já estava queimada na minha retina. Na porta, ele se virou. Não disse uma palavra. Apenas me encarou. E naquele olhar azul, já não havia apenas ódio. Havia um questionamento profundo, um reconhecimento de uma nova verdade: ele estava perdendo a guerra contra seu próprio corpo.

Quando a porta se fechou, fiquei sozinho no quarto quente e silencioso. A excitação era uma dor latejante e gloriosa. Respirei fundo, o ar cheirando a suor masculino, a humilhação e o poder.

Pela primeira vez, não parecia mais uma questão de “se” aquilo aconteceria.

Era apenas uma questão de quando.

Eu não estava apenas quebrando-os. Estava remodelando-os. E o processo, a lenta degeneração de suas resistências, era mais viciante do que qualquer orgasmo.

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HUMMMMMMMMMMMMMMMMMMM QUANDO SERÁ QUE VAI ACONTECER DE FATO UMA TRANSA ENTRE ESSES TRÊS?

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