Morar na casa do meu pai foi uma das melhores e piores coisas que já aconteceu. Por um lado era bom, porque eu tinha maior liberdade e não precisava aturar as regras bobas que minha mãe inventava, mas ao mesmo tempo também era ruim, pois meu pai sempre foi um homem rude, grosso, machista e com opiniões escrotas sobre um monte de assunto. Pra ser sincero, sinto que não puxei nada dele, seja física ou comportamentalmente, porém não tive escolha.
Minha mãe precisou passar uns meses em São Paulo por conta do trabalho, não pôde me levar junto e ficou preocupada com como eu ia me virar sozinho no Rio de Janeiro durante esse tempo fora. Mesmo eu já tendo 18 anos naquela época, ela não quis me deixar a sós em casa e foi daí que surgiu a ideia ridícula de eu morar com meu pai por alguns meses. Logo de imediato, eu disse que não concordava e me opus totalmente, pois sabia que eles se separaram por culpa do comportamento tóxico e abusivo dele.
Acabou que eu e minha mãe discutimos muito antes de qualquer decisão ser tomada. Como não entramos num acordo em comum, o tempo foi passando, a viagem chegou dela e o resultado foi o pior de todos: fiz as malas e fui morar em Ramos com meu pai, no subúrbio do Rio. Eu, que estava descobrindo minha sexualidade e me aprofundando nessa coisa de sentir atração por homens, me vi obrigado a conviver com o homem podre e vigarista que era meu pai, um sujeito que não me chamava de filho, não me ligava, tampouco me procurava.
Aniversário, Natal, Ano Novo, Dia dos Pais, nós não tínhamos qualquer troca que fosse. Primeiro porque não havia contato e segundo que eu odiava ficar um minuto do lado dele. Os assuntos eram sempre os mesmos: futebol, mulher, dinheiro, xana, cerveja, xota. Já falei que ele só sabia falar de mulher o tempo todo? Isso porque era casado e vivia com a Geise, minha madrasta. Imagina se não fosse.
- E aí, seu moleque? Lembra de mim? Tu cresceu. Tá namorando, comendo muita buceta? Passou da idade já. Tá trabalhando ou a chata da tua mãe ainda te cria que nem princeso? Tem que ter dinheiro no bolso e xoxota na pista, Beto. – foram as primeiras palavras dele quando cheguei de mochila nas costas lá em Ramos.
- Opa... Fala aí, seu Aloízio. Boa noite pro senhor também. – tentei ser respeitoso.
- Aloízio é o caralho, moleque. Sou teu pai, porra, chama de pai. – ele apertou a mão calejada na minha nuca e me guiou pra dentro de casa.
- Tudo bem. Pai. – respirei fundo. – Não trabalho, eu faço estágio. Tô na faculdade de-
- Na tua idade, eu já carregava pedra debaixo dos braço, não tinha estudo, não. Eu e teu tio Ed, senão nós levava borrachada do teu avô. Hoje em dia vocês são criado cheio de regalia, têm tudo do bom e do melhor. Os tempos mudaram mesmo. Geração molenga da porra... Falta é trabalho, né estágio não. – sua voz grossa me interrompeu e eu perdi um pouco da vontade de falar.
Sei lá, não queria que ele me desestimulasse nos estudos. Fazer faculdade, estudar e estagiar já não era fácil e eu sabia que teria que conviver com meu pai e suas ideias toscas durante uns meses, então parei de falar e evitei dar assunto, deixei ele tagarelar sozinho.
- E essa unha aí? – ele viu a unha do meu dedo mindinho pintada de preto e não gostou.
- O que é que tem?
- Coisa de viado, moleque. Tua mãe te criou pra ser bicha, é?
- Vai começar, pai? É estilo, pô. Tá na moda, geral usa.
- Eu não sou geral, não. E tu também não é. Se eu fosse tu, tiraria essa merda.
- É, mas você não é. Eu sou eu, você é você. Cada um na sua.
Ele parou, me olhou de baixo a cima e uma coisa não deu pra negar: devo ter herdado um pouco do lado genioso dele. Voltamos a andar e meu coroa me levou pra sala de casa, onde cumprimentei minha madrasta, em seguida fomos ao quarto onde eu me instalaria pelos próximos meses. O que eu não sabia ainda é que era o mesmo quarto onde o Rodolfo, filho mais velho do meu pai, dormia. Assim que a porta abriu e a gente se olhou, eu revirei os olhos e Rodolfo segurou a boca pra não me xingar.
- Pronto, tá entregue. Espero que se deem bem dessa vez. Se começar de frescura, vou dar na cara dos dois. – nosso pai avisou.
- Frescura né comigo, velhote, eu sou homem. Tu deve tá me confundindo com algum marica. – Rodolfo respondeu cheio de marra, hostil como sempre.
- Tá vendo quem começa a implicar? – falei.
- Nada, ele tá só brincando contigo. Teheheh. – o coroa fez pouco caso, segurou minha mão e mostrou pro meu irmão. – Aqui, a palhaçada. Tá de unha pintada e tudo, Rodolfo. Vê se tu ensina alguma coisa sobre buceta pra esse moleque, que eu tô achando ele muito parado. Quando tu tinha 18 já tinha comido quantas?
- Papo de trinta? Quarenta?
- Esse aí é buceteiro, Beto. Tu vai aprender a comer buceta rapidinho. Geheheh!
- Mereço... – suspirei.
Seu Aloízio fechou a porta do quarto, passou a chave por fora e me deixou trancado com o Rodolfo durante meia hora, na intenção de que eu saísse sem unha pintada, falando grosso, andando reto e com fome de buceta, mas a realidade é que isso nunca ia acontecer. Tão logo ficamos sozinhos, eu apoiei a mochila na cama do meu irmão e ele a chutou no chão.
- Já vai começar?
- Tu tá ligado que eu não gosto de viado, né? Veio fazer o que na porra do meu quarto, seu bicha?
- Não é como se eu tivesse escolha. Se dependesse de mim, eu tava na minha casa, sozinho e bem longe desse teu chulé amargo do caralho.
- É o quê!? – o filho da puta levantou no pulo, me cercou contra a parede do quarto e me intimidou.
Ele chegou tão perto, mas tão perto, que seu nariz tocou no meu, eu senti sua respiração quente e cheguei a ficar arrepiado, mas em nenhum momento transpareci medo, porque esse peste farejava e se alimentava do meu pânico. Se eu tremesse na frente dele, aí sim seria o fim.
- Impressão minha ou a frutinha tá amedrontada? – ele apoiou a mão na parede atrás de mim, me cercou e ficamos cara a cara, não tive pra onde correr.
- Medo? De você? Hahahah. Você se leva a sério, né? – debochei.
Quando eu era mais novo e minha mãe me obrigava a ir uma vez ou outra lá pra casa do meu pai, eu até sentia medo e admito que comia na mão do delinquente do Rodolfo, só que eu cresci, ele também, minha concepção mudou e finalmente passei a encará-lo de igual pra igual, sem ceder diante da marra, das ameaças e dos xingamentos dele.
- Aqui só mora macho, Beto. Betinho... Tu é um viadinho beta na minha mão, seu merda. Não vai durar uma semana comigo, podes crer. – ele rosnou feito bicho.
- Não vou durar mesmo. Esse cheiro de chulé tá sinistro, você tem que abrir as janelas de vez em quando. Ou tá com medo que o pai descubra que cê anda fumando maconha aqui dentro? – não deixei fácil.
- Betinho, Betinho... Tu não torra minha paciência, seu boca de pelo. Tá pensando que eu não te pego na porrada, baitola!?
- Apanhar de você é o de menos, Rodolfo. Difícil mesmo é respirar aqui dentro, puta merd-
- AH, É!? – sem paciência, ele removeu a meia chulezenta do pé e enfiou na minha cara. – RECLAMA AGORA, PUTA! QUERO VER!
- Mmmm... – meu cérebro ferveu e eu PANQUEI naquele cheiro puxado pro café, meio terroso.
Detestava aturar um suíno feito meu irmão? Sim, óbvio. Só eu sabia como os próximos meses seriam um inferno naquele quarto, o problema é que a biologia nunca falha. Ele era um molecão folgado, marrento e tirado a dominador, eu tava no auge da minha puberdade tardia, doido por contato masculino e precisando de alguém pra me tirar à força do armário. Olha que combinação turbulenta.
- Pensa duas vezes antes de meter pau do meu quarto, seu arrombado! Até parece que tu vai brotar aqui e me intimidar. Eu fumo onde eu quiser, pegou visão?! – o cretino forçou a meia nas minhas narinas, incendiou minha respiração e preciso confessar que meu cuzinho piscou.
Sempre senti nojo de chulé, mas ser disciplinado na marra do meu irmão botou meu rabo pra pulsar e eu quase ajoelhei ali mesmo, a sorte é que soube me controlar.
- Tira essa meia nojenta da minha cara, para! – fingi que não tava gostando.
- Tá sentindo meu cheiro!? Cheiro de homem, de macho! É isso que o pai quer que tu aprenda, ele quer que tu largue de frescura! Mocinha, frutinha! Deixa meu cheiro pegar no teu pulmão, pra tu não esquecer. Hehehe! – ele se divertiu ao me ver indefeso.
Rodolfo tinha 23 anos, pele bege e não chegava a ser moreno, mas possuía aquele bronzeado carioca que diferencia do branco, sabe? Corpo torneado, peitoral malhado e tanquinho trincado, com os gominhos esculpidos no abdome. Ele não era bombado de academia, tava mais pra esses caras magros que são naturalmente definidos. Usava o cabelo com reflexo loiro, arrepiado pro alto e disfarçado nas laterais, e era um pouco mais alto que eu, com seus 1,74m bem distribuídos de massa magra.
- Isso não é cheiro de homem, Rodolfo, é cheiro de suor! Seu sujo! Vai tomar banho!
- É cheiro do meu pé, cheiro de macho! Óbvio que tu não vai gostar, tu não é homem! EUHEUH!
- Essa meia tá apodrecendo meu nariz, isso sim! – eu tive que mentir, só pra ele continuar me rendendo e me asfixiando naquele perfume delicioso da testosterona entranhada na meia.
- Vou te transformar em macho de verdade! Começou tua maratona no meu quarto, Betinho. Tehehe! – ele tirou a segunda meia e juntou a quentura das duas no meu nariz, a ponto de eu sentir o rosto ferver e ficar vermelho.
Meu irmão não era tão peludo como nosso pai, mas tinha pelos nas pernas, sovacos e púbis, dava pra ver pela trilha de pentelhos que descia do umbigo e sumia na estampa da cueca. Tinha barbicha no queixo, sem bigode, treinava luta com os outros caras do bairro, era ex-paraquedista do Exército e bicava de entregador nas horas vagas, porque comprou uma moto.
Rodolfo era o maior Zé Droguinha de Ramos, não sei como o coroa não sentia o cheiro de maconha impregnado naquele quarto. Vai ver, o chulé com tons de café era mais forte e sobressaía, então dava pra disfarçar.
- É nesse quarto que tu vai dormir dia e noite comigo, tá fudido.
- Não sei o que é pior, seu chulé ou o cheiro da maconha. Que nojo, mó fedor! – lancei uma mentira maior que a outra.
- AH, TÁ FEDENDO!? – pronto, ele ficou mais puto ainda.
O desgraçado acendeu a ponta do baseado e soprou a fumaça dentro da minha boca, aí a coisa não prestou. Tentei resistir, virei pro lado e ele me segurou com força, depois abriu meus lábios e jogou fumaça outra vez. Meu irmão era mais forte que eu, me deu uma chave de pernas com extrema facilidade no chão do quarto e eu me vi à mercê dele, com seu corpo suado grudado no meu e as solas dos pés transpirando na minha fuça.
- Me solta, cara! Para de ser escroto, porra! – pedi.
- Só quando o viadinho responder quem é que manda nessa porra!
- É você! Você quem manda, Rodolfo!
- Quem é o mais foda, o pirocudo da família!?
- É você, Rodolfo! Você é o maioral, ninguém acima!
- Repete comigo: “eu sou um merda, um fraco perto do Rodolfo. Rodolfo é meu mestre”. Hehehe! – ele adorou me dar ordens.
- SAI, CARA! CHEGA!
- REPETE, MARICA! REPETE, SENÃO TE ENFORCO! – um pé desceu contra o meu pescoço, o outro pisou na minha boca e melecou minha língua naquele suor chulezento.
O TIPO DE SUOR ÚNICO, QUE TE FAZ BOTAR A LINHA INTEIRA SÓ DE LETRA MAIÚSCULA PRA TENTAR FAZER JUS À SENSAÇÃO MARAVILHOSA QUE É SE SENTIR POR BAIXO DO MEU IRMÃO. Poderia ser qualquer outro macho no mundo, mas não, era o filho mais velho do meu pai, sangue do meu sangue, me mantendo refém e suando em cima de mim. A visão e o peso desse escroto trepado no meu corpo foi demais, uma pressão avassaladora da qual nunca me esqueci.
- Se você não me soltar agora, eu vou morder seu pé. – ameacei.
- Duvido! Tu não teria cor... CARALHO, MOLEQUE! SEU NOJENTO! TOMAR NO CU, MANÉ! SAI! – ele não acreditou quando eu mordi e ainda dei aquela chupada gostosa na sola.
Fazer o quê? Foi oportunidade única, eu não podia desperdiçar. O cheiro do chulé e do suor do Rodolfo remetia muito à cafeína, e com o gosto não era diferente: amargo, quente, do tipo que satura a língua e toma conta da boca, você não consegue sentir outro gosto depois que experimenta a testosterona do meu irmão. E o mais impactante é que EU VI, VI TUDO! Vi a região entre os dedos dos pés dele gerar gotículas de suor, vi o calor do corpo escorrer e presenciei o momento exato em que as gotas respingaram em mim, pularam no meu rosto e mergulharam na minha boca.
- VIADO NOJENTO! – ele saiu de cima de mim.
- Só assim pra você me soltar, ridículo. – tentei enxugar minha língua e fingi que estava com nojo do que fiz, porém nem tava.
- FALA QUEM É O IRMÃO ALFA! – Rodolfo veio pra cima de novo, me imobilizou no chão e sentou de cócoras no meu peitoral.
Nessa posição, fiquei frente a frente com o volume da piroca entulhada no calção da Nike, deu pra ver até o formato certinho das bolas ovais fazendo volume pras laterais, bem divididas. Se antes foi difícil sobreviver aos cinco minutos iniciais dentro do quarto, agora sim eu quase morri tentando não manjar meu irmão na cara dura.
- Quem é o mais brabo? Fala que é teu irmão, senão não solto.
- É você, irmão. – fiz conforme ele ordenou.
- Aliás, irmão não. Não tenho viado na família, teheheh! Tu tá mais pra meu pet, vai dormir no chão. Quero acordar todo dia te pisando, Betinho.
- E eu vou morder seu pé de novo se você fizer isso.
- Morde. Morde, que aí eu piso ainda mais. Otário. Té otário, tu.
Eu disse que queria uma mão pra terminar de me tirar do armário, lembra? Ela veio. A mão do Rodolfo acertou minha cara num tom de hierarquia, de superioridade, e ele me deu três tapinhas seguidos, como quem quisesse me diminuir ou atacar minha honra. No terceiro tapa, seus dedos agressivaram, abriram minha boca e nossos rostos se alinharam à distância. Como ele tava por cima, só precisou abrir os lábios e deixar o cuspe pingar direto na minha língua, nada mais.
- Sua puta... – meu irmão falou baixo.
- Toda sua. – sussurrei.
Olhos nos olhos, clima de hostilidade no ar e ele querendo me humilhar, porém nenhum de nós imaginou que o que era pra ser dominação de briga poderia se transformar num outro tipo de dominação.
O ponto é o seguinte: sabe o que o ódio e o fetiche têm em comum? O tapa. O cuspe. O pisão... Poder. Ódio e fetiche compartilham o campo do poder, com certeza. Quando Rodolfo percebeu que estar sentado em cima de mim, com os pés na minha cara, cuspindo na minha boca e a rola a poucos centímetros do meu rosto não era apenas ódio, já era tarde demais.
Na mesma velocidade com a qual me cercou no canto da parede e depois me derrubou no chão, meu irmão saiu de mim, se afastou e me encarou, seu semblante meio perdido. Estava abatido, repentinamente apático e sem reação, parecia que tinha percebido algo. Em completo silêncio, ele olhou pra baixo, pôs a mão dentro do short e verificou alguma coisa, em seguida viu os dedos melados de baba e não acreditou.
- Só por que eu mordi seu pé? Bahaha. – provoquei.
- Cala boca, seu merda! Tu não sabe o que tá dizendo. Cuzão.
- Mano, é normal. Faz parte, o corpo tem dessas coisas. Não fica achando que-
- Foda-se! Sou macho, porra! Macho! O maior comedor de Ramos, até tuas amiguinha devem me conhecer. Tomar nesse teu cu. – ele ficou puto de verdade, deu as costas e conseguiu abrir a porta na marra, só pra você ter ideia do nível de raiva.
Tenho culpa? Ah, ou! Sai fora, pô. Maluco insuportável do caralho, não ferra. E olha que não fazia nem uma hora que eu tava na casa do meu pai, hein. Imagina nos próximos meses, o caos que ia ser.
Naquela noite, depois que eu e Rodolfo tivemos o primeiro “pega pra capar” no quarto dele, eu descobri quem meu irmão era de verdade. Tipo, já sabia que ele era maconheiro e que tinha fama de Zé Droguinha em Ramos, só que eu não tinha a menor noção do quão drogado ele era.
Lá pras três da madruga, quando o baile da Penha estourou e o barulho chegou na janela do quarto, uma moto roncou na calçada e logo depois veio o estrondo no portão. Meu pai e minha madrasta roncavam alto no quarto deles, mas eu não tava acostumado com a barulheira e levantei pra mijar, foi quando vi a porta da sala abrir e Rodolfo entrar todo torto, cambaleando. Parecia um zumbi.
- Atende, Jéssica, atende! Atende, merda, para de ignorar! Filha da puta, piranha! Galinha! – ele resmungou, mandou áudio no telefone, segurou uma garrafa de vodca pela metade na mão esquerda, o tubo de loló quase vazio na direita e acendeu um balão entre os beiços, tudo ao mesmo tempo.
Quando o excesso de substâncias não bastou, meu irmão largou as coisas no sofá, tirou o saquinho de pó branco do bolso e desenhou a trilha de maisena no verso da mão, nem aí pra nada. Podia ter gente acordada, mas Rodolfo cagou, talvez por já estar acostumado com aquela rotina viciosa e saber que nosso pai tinha sono pesado. Ele parecia distante, seus olhos eram apenas pontos pretos que não piscavam e havia aquele tique desassossegado, típico de quem tá ligadaço, acelerado nos 330v.
- Débora, sua filha da puta, tu também tá de neurose!? Joguei leite pra caralho na tua buceta, ô sua puta! Isso que tu é, puta! Comi até tua mãe e agora tua foto do Whatsapp some por quê?! FUDIDA! E tu, Nayara, sumiu também!? Tudo caozeira, tudo mentirosa. Bando de piranha! Só lorota. – depois que cheirou duas carreiras inteiras, ele pegou o telefone no sofá e voltou a mandar áudio pra um monte de mulher. – Porra do celular vai descarregar e não tem uma vagaba pra fortalecer. MERDA!
A tela apagou, a bateria acabou e meu irmão atirou o aparelho no chão, tomado pela raiva e pela mistura de mil drogas ao mesmo tempo. Eu tava na porta do banheiro e pensei em me aproximar pra ver se conseguia acalmá-lo, mas confesso que senti medo do comportamento explosivo e continuei na minha, escondido no corredor escuro. De onde eu estava, dava pra ver Rodolfo andar de um lado pro outro na sala, sozinho, falando coisa com coisa, se coçando, coçando a cabeça, os braços, desesperado, aflito por algo que nem ele sabia o que era.
Era o diabo interno pulsando, a droga trouxe seus demônios à tona.
- Dá não. Dá pra ficar em casa não. Comi ninguém, comi buceta nenhuma! Zero a zero não dá, vou pra pista. Porra da moto tá sem gasolina, papo de ir andando mesmo, que se foda! – baforada no vidro da loló, golada direto no gargalo da vodca, puxada no balão e toma-lhe outra cheirada na cocaína misturada.
A crescente de dopamina foi tão forte que ele parou de repente, esticou o corpo em posição de sentido, arregalou os olhos e levou uns dez segundos fritando numas quinze ondas diferentes, até balinha devia ter tomado. Daí pra frente, o medo me dominou e eu não quis continuar ali pra ver o que ia acontecer, só me mandei de volta pro quarto, deitei no colchonete no chão e fingi que não vi nada, fingi até que o noiado não havia chegado da rua ainda. Mas não adiantou.
Dois minutos depois que deitei, a porta do quarto abriu e Rodolfo entrou esbaforido, parecia um bicho. Ele fechou a porta, deixou tudo escuro e eu não enxerguei mais nada, mas senti aquela quentura se aproximar do meu corpo e chegar bem perto, mesmo sem abrir os olhos. Lutei pra não tremer, mas a respiração quente dele pegou na minha nuca e meu cuzinho piscou de aflição, de prazer, de medo do que poderia acontecer, dado seu estado alucinado.
- “O que esse maluco tá fazendo? Será que ele tá me cheirando?” – foi a primeira coisa que pensei.
- Viadinho? – ele apertou meu pé e alisou minha panturrilha, mas eu não respondi e continuei fingindo que tava dormindo.
Aproveitei que estava escuro, abri bem pouquinho os olhos e não acreditei no que vi: Rodolfo com a mão dentro do short, claramente alisando a piroca, enquanto me olhava e me cutucava com a outra mão. Eu queria dizer pra você que essa cena me deu repulsa e que senti vontade de sair dali, mas a realidade é que eu já sentia muito tesão nele e adorei a sessão de dominação de mais cedo, então meu corpo não poderia ter reagido de outra forma. A pele arrepiou, o cu danou a piscar, o prazer aflorou na mesma medida do medo e, em vez de recuar, eu gostei.
- Tá dormindo, bichona? – ele tentou me acordar mais uma vez, subiu a mão da batata da perna pra minha nádega e foi outro que tremeu de medo, apesar das drogas.
Apertou minha bunda, seu dedo curioso procurou o caminho pra entrar no meu short, mas meu irmão desistiu e deve ter caído em si por alguns segundos, porque se afastou de mim, esperou um pouco, saiu e fechou a porta.
- “Ah, não! Logo agora?! Me deixa na vontade e corre?” – meu cérebro não perdoou.
Fiz que nem ele, esperei algum tempo pra dar uma disfarçada, levantei e fui lá na sala, como quem não queria nada. Me despreguicei, fingi que tinha acabado de acordar pra mijar e meu cabelo desarrumado e a cara amassada ajudaram, mas nada disso foi necessário, porque Rodolfo não tava aí pra mim. Ele me olhou, ignorou e eu que tive que puxar assunto.
- Tudo bem, mano? – perguntei.
- Suave. – curto e grosso.
Me olhou de novo, eu o observei e só então reparei naquele volume descomunal quase fazendo a curva na dobra da bermuda. Se dissessem que uma das drogas que meu irmão tomou no baile foi viagra ou tadalafila, eu com certeza acreditaria. Não era possível um cara que usou tudo quanto foi substância ter uma ereção cavalar daquelas. Mais um pouco e a piroca ia rasgar a roupa, de tão envergada.
- Certeza que tá tudo bem? – fiz questão de dar aquela manjada explanada, na cara de pau mesmo, só pra ele entender qual era a minha.
- Absoluta, fruta. Vai ficar gastando minha onda? Rala, porra.
- Que pena... Eu tenho a solução pro seu problema. Mas tudo bem. Malz aí. – levantei do sofá e saí, não sei que ideia merda que eu tive de procurar papo com aquele escroto.
Passei no banheiro pra mijar, voltei pro quarto, deitei de bruços no colchonete e fechei os olhos. A consciência foi embora, peguei no sono e a próxima sensação foi das mãos prendendo as minhas no colchão, entrelaçando dedos nos dedos; depois o peso trepado nas minhas costas, o hálito de vodca na nuca e a lambida bruta que ganhei no pescoço. Ah, e a pressão na bunda, claro. O desgraçado me dominou, mordeu o pé da minha orelha e falou com a voz arrastada, quase como se não quisesse estar dizendo aquilo.
- Eu vi o jeito que tu olhou pra minha pica na sala, viadinho.
- Viu? Só agora cê percebeu? Hahaha.
- Comi ninguém no baile, tô de pau durão e lembrei que meu irmão é bicha, ó o perigo.
- Pensa muito não, deixa eu ajudar. – empinei o lombo, ele fez força com o quadril e esfregou o volume da piroca na minha raba.
- SSSS! Bagulho é o seguinte: vou aliviar e tu não conta pra ninguém. Uma palavrinha tua, um pio sequer, e eu te como na porrada.
- Eu faço tudo que você quiser. – me rendi a ele.
Rodolfo guindou o braço no meu pescoço, montou na minha traseira e me pegou assim mesmo, suado pós baile, drogadaço, de bruços no colchonete. Sem camisinha, o cuspe servindo de lubrificante, sem precisar remover qualquer peça de roupa e com a lapa de pica atravessada na braguilha da bermuda. A passagem da glande foi meio dolorosa por causa do tamanho, mas o prazer da ardência não demorou a me arrebatar. A força dele em cima de mim me deixou fraco, fiquei molinho.
- SSSS! E num é que viadinho tem cu quente igual buceta?!
- Eu sabia que você queria! Desde cedo, eu vi! Mmmm!
- Viu é o caralho, só quero te usar! Tu é o plano B, buraco! Serve de depósito na falta de buceta, só isso! Pega tua visão, porra, serve pra desovar o saco! FFFF!
- E eu gosto! É o que eu quero, de homem não espero amor! Quero pica mesmo!
- Quer pica, quer?! TOMA! – chegou a fazer estalo quando ele cravou a mandioca e armou na posição de arar a terra. – AAARGH!
O que Rodolfo fez comigo nessa madrugada acelerada e quente não foi simplesmente fuder ou cruzar, foi um expurgo. Ele não subiu em mim só pra transar e aliviar as bolas, subiu também pra me convencer de que era homem com H maiúsculo e de que eu merecia tomar no cu até me arrepender. Poderia ser apenas uma foda, mas meu irmão mergulhou no ódio, acelerou e me fez aguentar seus trancos mais impulsivos, galopes carregados de rancor, nojo e raiva.
- CUZINHO QUENTE, APERTADINHO! AAARSSS!
- AAHNFF! Deixa ele largo, mano, pode usar! Vamo criar intimidade!
- Mano é o caralho, vira essa boca pra lá! Tenho irmão viado não, seu merda! Verme, parasita! Tá falando pra caralho! – ele tirou o doze mola do pé, pegou a meia com cheiro de café e guardou na minha goela, pra me impedir de falar.
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