Depois daquela conversa no escritório, eu passei a cometer o erro de procurar Leandro em todos os lugares, o que era particularmente humilhante, porque ele claramente percebia e gostava. Havia homens que flertavam como quem oferece flores. Leandro flertava como quem acende fósforo perto de vazamento de gás.
Nos dias seguintes, o calor piorou, fevereiro em Minas tinha essa vocação para castigo térmico. O galpão virava um forno metálico depois do almoço, o telhado reverberando sol como se quisesse cozinhar todo mundo vivo ali dentro.
Do escritório, eu observava os homens trabalhando lá embaixo com aquela brutalidade automática de quem nasceu cansado e continuou mesmo assim. E então meus olhos encontravam Leandro, sempre, era irritante.
Ele carregando chapa de metal no ombro como se não pesasse nada. Limpando suor da nuca com a barra da camiseta. Rindo de alguma piada idiota perto das máquinas. E olhando para mim, toda vez, como se dissesse silenciosamente: eu sei.
Na quinta-feira, Sandra me mandou levar umas notas fiscais no depósito dos fundos.
— E vê se o Leandro tá lá, porque aquele infeliz some mais que político depois de eleição.
Peguei a pasta tentando parecer indiferente, fracassei internamente. O depósito ficava separado do galpão principal. Uma construção mais escura, cheia de estrutura metálica empilhada, ferramentas velhas e cheiro de ferrugem molhada, mais fresco também.
Entrei ouvindo música baixa vindo de algum rádio. Leandro estava sozinho, sentado numa bancada, perto da porta aberta. A luz do fim da tarde cortava o ambiente em faixas douradas e poeirentas. Ele me viu e sorriu de canto imediatamente.
— Olha só. A gerência veio me fiscalizar.
— Sandra mandou essas notas.
— Sandra manda muita coisa.
Aproximei da bancada e entreguei a pasta. Leandro não pegou. Continuou me olhando, calmo, devagar demais. Meu corpo inteiro ficou consciente de si mesmo, das mãos, da respiração, da gola da camiseta grudando no pescoço por causa do calor.
— Você tá me encarando por quê? — perguntei.
— Porque você fica nervoso.
— Não fico.
Ele não desviou os olhos.
— Fica sim.
Ódio imediato. Porque era verdade. Leandro tinha um tipo específico de confiança que me desorganizava completamente. Não era arrogância, era pior, era alguém acostumado a ocupar o próprio corpo sem vergonha nenhuma. Enquanto eu vivia permanentemente editando meus gestos, minhas palavras, meu jeito de olhar.
— Você pensa demais — ele comentou.
— E você pensa de menos (meu mote).
— Funciona melhor.
— Pra quem?
Ele riu baixo.
— Pra sobreviver aqui.
Aquela palavra voltou. Sobreviver. Como se aquele lugar mastigasse pessoas lentamente. O silêncio cresceu entre nós. Lá fora, ouviu-se o som distante de uma lixadeira voltando à vida no galpão principal. Leandro bateu no chão com a sola da bota.
— Você nunca trabalhou antes, né?
— Dá pra perceber?
— Dá.
Cruzei os braços.
— Tão ruim assim?
— Não.
Ele inclinou a cabeça, me observando melhor.
— Você só parece alguém que caiu no lugar errado.
Aquilo bateu forte demais para uma quinta-feira às cinco da tarde. Porque eu vinha me sentindo exatamente assim desde que comecei ali. Lugar errado, corpo errado, versão errada de masculinidade. Leandro então abriu um sorriso lento.
— Mas eu gosto de te ver tentando.
Meu estômago afundou. Literalmente.
— Você fala isso com todo mundo?
— Não.
Pausa.
— Só com quem eu quero provocar.
E ali estava. Finalmente, explícito, o ar do depósito mudou imediatamente. Ou talvez tenha sido eu.
— Você é muito convencido — falei, tentando soar estável.
Leandro desceu da bancada devagar. Mais alto do que eu de perto. Cheiro de suor e metal quente.
— E você é muito fácil de ler.
— Não sou.
— É sim.
Ele parou na minha frente agora. Próximo o suficiente para eu perceber os olhos castanhos escuros e algumas pequenas manchas mais claras na sua pele. Pequenas demais, íntimas demais.
— Desde o primeiro dia você me olha como quem tá tentando decidir se foge ou se faz besteira.
Meu coração começou a bater ridiculamente forte.
— Talvez eu só ache você irritante.
Leandro sorriu. Aquele sorriso preguiçoso, perigoso.
— Isso geralmente é o começo.
Silêncio, longo, quente. O rádio velho tocava alguma música sertaneja melancólica baixa demais no fundo. Lá fora, o céu começava a escurecer atrás das montanhas. E então aconteceu uma coisa muito simples, muito pequena. Leandro encostou os dedos no meu pulso. Só isso, mas parecia eletricidade. Meu corpo inteiro reagiu antes do cérebro conseguir organizar qualquer pensamento coerente. Ele percebeu, claro que percebeu.
— Relaxa — murmurou, quase divertido — Eu não vou te morder.
— Pena.
A palavra escapou da minha boca antes que eu pudesse impedir. Nós dois congelamos por meio segundo. Depois Leandro riu, baixo, rouco.
— Então era isso?
Senti o rosto queimando imediatamente. Queria morrer. Ou beijar ele. Talvez os dois. Leandro deu mais um passo, agora perto demais. A mão ainda no meu pulso.
— Você é engraçado quando perde o controle.
— Eu não perdi controle nenhum.
— Tá tremendo.
Ódio. Ódio absoluto daquele homem. E talvez desejo exatamente na mesma proporção.
— Você faz isso de propósito — falei baixo.
— Faço.
Pela primeira vez, ele não brincou, não desviou, só admitiu. Meu peito apertou. Porque havia alguma coisa perigosamente sincera ali. Uma tensão acumulada há semanas naquele galpão quente, entre olhares rápidos, piadas atravessadas e silêncios longos demais.
E então ele me beijou, sem aviso, sem delicadeza performática. Só calor. O tipo de beijo que nasce de tensão acumulada e não de romantismo. Minha mão agarrou automaticamente a camiseta dele, sentindo o tecido úmido de suor e o corpo firme por baixo. Leandro soltou um som baixo contra minha boca, meio risada, meio respiração presa.
O mundo inteiro pareceu diminuir ao tamanho daquele depósito abafado. Ferrugem, calor, respiração. Senti o gosto da boca dele e eu odiava o fato de estar gostando daquilo. Leandro afastou o rosto só o suficiente para me olhar. Os olhos escuros demais agora.
— Fudeu — ele murmurou.
Antes que eu pudesse responder, ouvimos vozes vindo do lado de fora. Passos, mais de uma pessoa. Leandro me soltou imediatamente. O corpo inteiro mudando de postura numa velocidade assustadora, como se alguém tivesse apertado um interruptor.
— Caralho — ele sussurrou.
E foi naquele instante, vendo o jeito como ele já parecia preparado para fingir que nada tinha acontecido, que eu percebi que talvez estivesse entrando em algo muito mais complicado do que um simples desejo adolescente.
__________
Depois do beijo no depósito, tudo ficou pior, ou melhor, difícil dizer. Leandro passou a agir comigo como se dividíssemos um segredo invisível no meio daquele galpão cheio de homens. E talvez dividíssemos mesmo. Nada explícito, nunca explícito, era no detalhe.
No jeito como encostava no meu ombro ao passar atrás da cadeira no escritório. Na maneira como segurava meu pulso por tempo demais quando eu entregava alguma ferramenta ou papel. Nos olhares demorados durante o café, enquanto alguém contava uma piada idiota sobre futebol ou mulher. E aquilo começou a me consumir. Porque o pior tipo de desejo é aquele que não encontra espaço para existir plenamente, mas cresce no silêncio.
Numa sexta-feira, quase no fim do expediente, começou a chover. Tempestade de verão mineira, grossa, violenta. O som da água batendo no telhado metálico do galpão era tão alto que as pessoas praticamente gritavam para conversar. O cheiro mudou imediatamente. Terra molhada, ferrugem, óleo quente.
Sandra foi embora correndo antes que a avenida alagasse. Alguns funcionários fizeram o mesmo. Outros ficaram esperando a chuva diminuir perto da entrada principal, fumando e reclamando da vida. Eu terminava umas planilhas quando ouvi passos subindo a escada do escritório. Nem precisei olhar.
— Vai dormir aqui? — Leandro perguntou.
Continuei fingindo concentração.
— Tô terminando.
— Você gosta mesmo de sofrer.
— E você gosta mesmo de me atrapalhar.
Ele puxou uma cadeira ao contrário e se sentou, apoiando os braços no encosto. Molhado da chuva. Camiseta escura grudada no corpo. Aquilo devia ser ilegal.
— Posso te fazer uma pergunta? — ele disse.
— Depende.
— Você é sempre tão tenso assim ou é um problema específico comigo?
Sorri sem querer.
— Você acha que o mundo gira em torno de você, né?
— Não o mundo.
Os olhos dele deslizaram lentamente por mim.
— Só você.
Idiota. Completo idiota. E pior: engraçado.
A chuva não dava sinal de parar. Uma hora depois, o galpão já estava praticamente vazio. Só restavam nós dois e Paulo, que dormia numa cadeira de plástico perto da portaria esperando a água baixar. Leandro apareceu na porta do escritório girando a chave do carro no dedo.
— Vou te levar embora.
— Não precisa.
— Precisa sim. Ou você vai nadando?
Olhei pela janela. A rua parecia um rio barrento. Suspirei.
— Tá.
Leandro sorriu como quem já sabia que venceria. O carro dele era um Gol antigo, duas portas, cheio de pequenos defeitos e cheiro permanente de estofado velho. Entrei tentando ignorar o fato de que estávamos sozinhos. Muito sozinhos. A chuva transformava tudo lá fora num borrão aquoso sob os postes da cidade. Leandro ligou o motor. O rádio chiava baixo alguma música sertaneja.
— Você tá quieto — ele comentou.
— Você fala por nós dois.
— Alguém precisa fazer isso.
Sorri olhando pela janela. As ruas estavam quase vazias, casas acesas atrás das grades, cachorros escondidos da chuva sob marquises, motociclistas desesperados tentando sobreviver às poças. A cidade inteira parecia mais íntima debaixo d’água. Leandro dirigia com uma mão no volante, a outra descansando perto da marcha, perto demais da minha perna. Ele não foi pelo caminho da minha casa. Percebi rápido.
— Você errou.
— Não errei.
— Leandro…
— Relaxa.
O tom baixo, calmo, perigoso. Meu coração começou a acelerar. Ele entrou numa rua mais afastada, perto de um terreno vazio cercado por mato alto. Um lugar escuro, silencioso, protegido da avenida principal. A chuva continuava forte no teto. Ficamos alguns segundos sem falar nada, só respirando, só existindo naquele espaço pequeno demais.
O motor do Golzinho resfriava sob a chuva fria, emitindo estalidos metálicos irregulares que rompiam o silêncio da noite. O interior do carro ainda guardava o calor do trajeto, misturado ao cheiro do estofado dos bancos e ao cheiro de suor que Leandro emanava, deixando tudo meio sufocante.
Eu estava sentado no banco do carona, as pernas ligeiramente afastadas, os dedos batendo um ritmo nervoso no joelho da calça jeans. A iluminação pública amarela invadia o para-brisa apenas o suficiente para desenhar os contornos dos rostos, mas deixar o resto dos corpos em penumbra.
O ar estava denso, carregado por uma eletricidade estática que nada tinha a ver com o veículo. Leandro girou a chave na ignição, desligando o painel que se apagou num piscar de olhos, nos mergulhando numa escuridão repentina que fez a minha pupila dilatar.
— Você pensa demais — ele murmurou de novo.
— E você de menos (meu grande refrão).
Leandro virou o rosto lentamente na minha direção.
— Não tô pensando pouco agora.
O jeito que ele me olhava fazia meu corpo inteiro perder estabilidade emocional. Não era delicado, era atento. Como se ele estivesse me desmontando aos poucos só observando.
— A gente devia ir embora — falei baixo.
Mas não me movi. Leandro também não.
— Devia.
Silêncio. Depois:
— Você quer?
A pergunta veio simples, sem pressão, sem ironia, e isso foi o que mais me desarmou. Porque, pela primeira vez, ele parecia me oferecer escolha real. Eu poderia sair do carro, voltar para casa, voltar a ser o garoto que fingia entender exatamente quem era, mas fiquei e acho que nós dois entendemos tudo quando minha mão encontrou a dele no escuro.
Sem dizer uma palavra, Leandro retirou a outra mão do volante e a deixou sobre a minha coxa. O contato foi firme, o calor da palma da mão dele atravessando o tecido grosso da minha calça. Eu prendi a respiração, meu peito parando por um segundo antes de soltar o ar em um sussurro audível, mas eu não recuei.
Pelo contrário, meus músculos relaxaram sob o toque de Leandro, convidando o avanço. Os dedos de Leandro apertaram a carne firme da minha coxa, espremendo com uma pressão calculada que enviou ondas de calor diretamente para a minha virilha. O som do cinto de segurança sendo desengatado rangeu no espaço confinado, seguido pelo arrastar do meu corpo em direção ao motorista, eliminando a distância entre os dois bancos.
O beijo veio lento dessa vez, diferente do nosso primeiro beijo do depósito. Menos urgência, mais fome. Leandro segurou meu rosto com uma calma quase absurda enquanto me beijava, e aquilo me desorganizou muito mais do que brutalidade teria desorganizado.
Leandro agarrou a minha nuca, os dedos entrelaçando nos meus cabelos castanhos, me puxando para mais perto. A barba de Leandro raspou na minha pele, criando uma fricção áspera que aumentou a sensibilidade dos meus lábios.
A língua de Leandro invadiu a minha boca, explorando o palato, o sabor do chiclete que eu mascava minutos antes misturando-se à nossa saliva. As minhas mãos, agora livres, vaguearam pelo peito de Leandro, sentindo o batimento cardíaco acelerado através do uniforme, antes de descerem para o cinto. O metal da fivela fez um clique alto ao ser desfeito, o som ecoando como um tiro no silêncio do carro.
A chuva abafava o resto do mundo, os vidros começaram a embaçar aos poucos. Minhas mãos percorriam o corpo dele tentando entender aquela mistura de força e calor e cheiro de chuva e suor e homem. Leandro soltou uma risada baixa entre um beijo e outro.
— Você treme muito.
— Culpa sua.
— Ainda bem.
Com movimentos rápidos e desajeitados, limitados pelo espaço apertado, desabotoei a calça de Leandro e puxei o zíper para baixo. O cacete de Leandro saltou para fora, já duro, batendo contra o seu abdômen e deixando uma mancha úmida de pré-gozo na camisa do uniforme.
Envolvi a pica com a mão direita, sentindo o peso e o calor da carne viva pulsando contra a palma da minha mão. A pele era lisa, exceto pela base onde os pelos pubianos criavam uma textura áspera. Comecei a mover a mão para cima e para baixo, apertando a glande no ápice do movimento, fazendo Leandro soltar um gemido abafado contra o meu pescoço.
Ele me puxou mais para perto, e o espaço pequeno do carro transformou cada movimento em intimidade inevitável. Respiração contra pele. Dedos encontrando caminhos inseguros. O banco apertado obrigando nossos corpos a se encaixarem de maneiras improvisadas e quase desesperadas.
Leandro retribuiu o favor, sua mão esquerda deslizando para dentro da minha calça jeans, contornando o elástico da minha cueca boxer. Seus dedos envolveram a minha ereção, que estava quente e dura como ferro.
O polegar de Leandro espalhou o líquido que brotava da ponta, lubrificando o movimento enquanto ele me masturbava com um ritmo sincronizado. O som de pele deslizando sobre pele, misturado aos resmungos pesados e ao chiado da nossa respiração, preenchia o veículo. O cheiro de testosterona e sexo ficava mais forte, um odor metálico e salgado que impregnava as nossas narinas, tornando impossível pensar em qualquer outra coisa que não o prazer imediato.
Tudo parecia meio imprudente, meio impossível, e exatamente por isso perfeito. O desejo entre nós não tinha delicadeza emocional suficiente para virar romance ainda. Mas tinha química, muita, daquelas que fazem o cérebro desligar por alguns minutos.
Me curvei sobre o banco, minha cabeça descendo em direção ao colo de Leandro. Lambi a glande da vara dele em um movimento largo e lento, provando o sabor salgado do fluido que já vazava. Minha língua circundou a cabeça do pau, pressionando o frênulo sensível antes de engolir a pica inteira.
A quentura e a umidade da minha boca fizeram Leandro arquear as costas, empurrando os quadris para cima, forçando mais profundidade na minha garganta. O carro rangeu com o movimento do peso transferido.
Bombei a cabeça, meus lábios firmes criando sucção, enquanto minha língua massageava a veia saliente na parte inferior do cacete. As mãos de Leandro seguravam a minha cabeça, os dedos cravando no meu couro cabeludo, guiando o ritmo, controlando a profundidade de cada penetração oral.
A necessidade de mais se tornou insuportável. Levantei a cabeça, um fio de saliva conectando meus lábios à glande de Leandro antes de se romper. Sem cerimônia, me ergui e contorci as pernas, escalando o banco do motorista para estrangular Leandro com as minhas coxas.
Eu me posicionei de frente para Leandro, tirando a minha camisa, os joelhos afundando no estofamento macio de cada lado das pernas do motorista. Com uma mão, Leandro puxou a calça e a minha cueca para baixo, expondo minhas nádegas firmes e meu cacete ereto que balançava entre nós. Leandro cuspiu na mão e a levou até o meu cuzinho, esfregando a saliva em torno do meu anelzinho apertado, me preparando, sentindo a resistência inicial ceder sob a pressão dos seus dedos.
Me agarrei aos ombros de Leandro, arrancando a camisa do uniforme que ele ainda vestia, e abaixei o quadril. A ponta do cacete de Leandro pressionou contra a minha entradinha, abrindo o caminho lentamente.
Houve uma dor aguda inicial, uma queimação de alongamento que me fez prender o fôlego e fechar os olhos, mas eu não parei. Deixei o peso do corpo me levar para baixo, engolindo centímetro por centímetro da espessura da vara de Leandro.
Quando o meu cuzinho se acomodou na base da pica, ambos soltamos um gemido gutural. A sensação de preenchimento era total, uma pressão profunda que massageava a minha próstata e apertava Leandro em um abraço de calor úmido e apertado.
O movimento começou devagar, limitado pelo espaço confinado do carro. Eu usei as pernas para me levantar e descer, deslizando o pau de Leandro para dentro e para fora de mim. Cada descida era mais profunda, mais rápida.
O banco rangeu com o atrito, um som rítmico que acompanhava o bater dos nossos corpos. O suor escorria pela minha testa, gotejando no rosto de Leandro. O cheiro de sexo era avassalador, um perfume denso de suor e outros fluidos corporais. Leandro agarrou as minhas nádegas, ajudando a impulsionar os movimentos, seus dedos afundando na minha carne macia, marcando minha pele branca com hematomas avermelhados.
O ritmo acelerou, tornando-se frenético. A necessidade do clímax superou qualquer desconforto físico. Bati com força contra o quadril de Leandro, meu pau roçando na barriga dele com cada impacto, me estimulando sem precisar das mãos.
O prazer subiu como uma maré, partindo da base da minha coluna e se irradiando para as minhas extremidades. Leandro mordeu o meu ombro, suprimindo um urro de prazer, sentindo os testículos se contraírem, prontos para explodir.
Com um último movimento brusco, Leandro arqueou as costas e ejaculou profundamente dentro de mim, jatos quentes de esperma banhando minhas paredes internas e me empurrando para além do limite.
Senti o calor do jato dentro de mim e isso foi o gatilho final. Gritei, meu corpo se retesando em um espasmo incontrolável, e gozei entre os nossos corpos, o esperma espirrando na barriga e no peito de Leandro, sujando a sua pele.
Nós ficamos imóveis por um momento, apenas o som da respiração ofegante preenchendo o carro, nossos peitos colapsando enquanto tentávamos recuperar o oxigênio. O suor esfriava na pele, colando nossas calças, que ainda vestíamos desajeitadamente. Desabei contra o peito de Leandro, o peso do meu corpo descansando sobre o dele, exaustos, satisfeitos, imersos na realidade do que acabávamos de compartilhar dentro daquele Golzinho.
Em algum momento, minha testa ficou encostada no ombro dele enquanto tentávamos recuperar o ar. A chuva diminuía lá fora, pingos mais espaçados agora. Leandro acariciou minha nuca devagar. E aquilo, aquele gesto simples, me assustou mais do que qualquer outra coisa daquela noite. Porque não parecia só tesão.
— A gente tá muito fodido, né? — falei, ainda sem coragem de olhar diretamente pra ele.
Leandro riu pelo nariz.
— Você fala como se eu tivesse plano de vida.
Finalmente olhei. O cabelo preto dele bagunçado. A boca vermelha. Os olhos ainda escuros daquele jeito impossível, bonito, ridiculamente bonito.
— E tem?
Ele ficou quieto por um segundo. Depois deu de ombros.
— Sobreviver até sábado.
Sorri. Mas havia alguma tristeza escondida naquela resposta. Algo cansado, algo que eu ainda não entendia. Foi então que faróis atravessaram o vidro traseiro do carro. Nós dois congelamos imediatamente. Outro carro. Parando bem atrás da gente.
