Por dois meses, nada mudou em minha vida. Vez ou outra, quando via um filme picante, ficava mais excitado ao transar com minha esposa, mas nada comparado ao que fiz naquela noite. Apesar de me condenar internamente, minha vontade era de em cada transa, repetir tudo, e, para dizer a verdade, Sônia também queria, pois bastava um aperto mais forte meu, uma estocada mais brusca para que a mesma arregalasse os olhos como que imaginando que eu teria um novo “surto”, mas ambos sabíamos que aquilo era errado e nos contentávamos com um papai-mamãe.
No trabalho, minha eficiência passava a ser comentada, diziam que no futuro poderia assumir o departamento de Censura da Polícia Federal em São Paulo ou ser transferido para um cargo em Brasília no Serviço Nacional de Informações (SNI), o que significaria mais poder e um ótimo salário como funcionário público. Isso passou a despertar a inveja de outros censuradores que já estavam lá há mais tempo e até mesmo do diretor Martins.
As coisas seguiam calmas, entretanto, num dia chuvoso e frio, tudo mudaria absurdamente para mim e meu passado viria à tona.
Mal coloquei minha maleta sobre a minha mesa e Martins me chamou à sua sala:
-O Araújo ia fazer a análise de um filme que nos chegou ontem, mas surgiu um imprevisto e ele terá que mexer em uns arquivos. Pega o filme você mesmo e o analisa. É mais um desses de putaria do começo ao fim, mas não podemos correr o risco de ter alguma mensagem subversiva dos comunistas.
Disse que tudo bem, me encaminhei até à minha mesa para pegar meu bloco de anotações e uma caneta. Nesse momento, Araújo passou por mim e disse:
-Aê, sortudão, vai ver o filme da Nuna Aguilar. Pior que eu é quem ia ver, mas me jogaram para procurar documentos arquivados.
-Nuna Aguilar? – Perguntei sem ter a menor ideia de quem fosse.
-É, porra! Uma tremenda gostosa, atriz de teatro, mas já fez alguns pequenos papéis em novelas na Tupi e na Bandeirantes, só que filme mesmo acho que esse é o 2º. Eu avaliei o 1ª e posso te dizer, malandro, é de levantar pau de defunto.
Eu realmente nunca tinha ouvido falar desse nome e também não assisti ao 1º filme dela por motivos óbvios, só via esse tipo de porcaria por força do trabalho, mas como quem tinha analisado o outro, havia sido o Araújo, não sabia mesmo quem era.
Fui até a sala de projeção, dei uma rápida lida no roteiro e vi que era mais um monte de bobagens sem pé nem cabeça. Garotas de um colégio sério, matavam as aulas para irem se encontrar com coroas que lhes davam generosos presentes e dinheiro em troca de sexo, mas no final acabavam roubados e amarrados sem roupa. Até que um dia são descobertas, levadas a uma delegacia, onde o delegado decide punir todas, especialmente a personagem da tal Nuna Aguilar, mas sua “punição” seria de um jeito diferente, resumindo, 1h40 de mulher pelada e diálogos ridículos.
Resolvi pegar um café bem quente para ajudar a espantar o frio. Acendi um cigarro de frente para a tela e pedi ao projecionista que soltasse o filme. O começo era com a líder das colegiais sendo levada até a sala do delegado para confessar tudo o que ela e suas comandadas fizeram, eram aquelas histórias que começam mostrando perto do final para depois voltarem ao começo.
Ela caminhava sendo filmada de costas, tinha cabelos loiros volumosos, imponentes, usava aqueles típicos uniformes escolares do passado com camisa de botão branca, sainha azul-marinho e meias brancas até perto dos joelhos (aliás, uma curiosidade, nessa época, havia tanto apelo a moral e aos bons costumes, mas foram feitos muitos filmes com atrizes vestidas como colegiais, tudo bem que essas atrizes tinham mais de 18, mas suas personagens eram ninfetas que transavam com adultos e nem a sociedade nem a censura achavam isso absurdo).
A cena continua, o delegado pede aos policiais que a deixem a sós com ele e fechem a porta. A personagem está de cabeça baixa enquanto ouve que terá que contar tudo. Nesse momento, ela levanta lentamente a cabeça e seu rosto aparece enorme na tela, exibindo um olhar perverso e desafiador de baixo para cima, além de um leve sorriso sádico.
Meu coração disparou, engasguei com o café e cheguei a derrubar um pouco em minhas calças, o cigarro também voou. Tive um choque, aquela moça. Não, não era possível! O diálogo entre eles continuou e pouco depois, ela estava nua, porém não era no que falavam ou na nudez da atriz que foquei e sim, em que eu a conhecia.
De repente, foi como se milhares de peças de um quebra-cabeças surgissem no ar como abelhas agitadas e em seguida se encaixassem perfeitamente e entrassem em minha cabeça. Todas as minhas memórias apagadas ou vagas do que ocorrera entre 64 e 70, voltaram com clareza. Dei um gemido forte e me sacudi na cadeira, como se estivesse tendo um ataque.
Lembrei-me de tudo o que ocorrera num momento louco de minha vida. Na verdade, tudo começou uns 4 anos antes de sair de casa. Inspirado em um primo meu que era alguns anos mais velho, passei aos 14 anos a admirar movimentos de jovens rebeldes que se vestiam com jaquetas e calças jeans, usavam topetes e gostavam de um novo estilo de música chamado rock. Também fiquei fascinado pela história do filme Juventude Transviada (mesmo não podendo assisti-lo) e pelo destino do ator James Dean que morrera pouco depois num acidente de carro. Meu primo me contava em detalhes sobre esse filme que marcou e chocou os caretasdos anos 50. Estávamos no começo dos anos 60 e estaca ocorrendo uma ruptura entre os quadradões e os rebeldes.
Entretanto, foi o começo do movimento hippie, ainda pequeno no Brasil, e seus ideais que mexeram de vez com a minha cabeça e decidi que não seria um caretão que arruma um emprego, se casa, tem filhos e passa o resto da vida esperando a velhice e depois a morte.
Meu pai conseguiu me segurar até os 18 anos em casa, mas tão logo completei a maioridade, caí no mundo junto com um amigo chamado Carlos, que morava em Santo André, fomos nos juntar a uma pequena comunidade hippie que estava surgindo na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Nessa época, eu já tinha deixado os cabelos crescerem, usava uma espécie de faixa na cabeça que os impedia de caírem para frente, camisas brancas, coletes marrons ou pretos, calças jeans desbotadas e sandálias.
Não era uma boa época para andar “vadiando” por aí, pois 64, foi justamente o ano do golpe militar. Mas a turma com que Carlos e eu nos juntamos não queria saber de conflitos com A ou B, defendia outros valores, como paz, natureza e o amor livre. E no caso desse último, posso dizer que foi muito impactante, pois para um jovem que antes só tinha tido umas 3 experiências com mulheres e na zona, de repente, passar a fazer sexo todos os dias, várias vezes e com diferentes garotas, era um sonho, um mundo perfeito.
Após alguns meses, Carlos, eu e mais 1 garota decidimos ir para o Rio de Janeiro de carona, onde soubemos que havia uma comunidade maior de hippies surgindo. Lá rolou ainda mais sexo e também começaram as drogas, maconha e ácido. Vivíamos em barracas, num grande pedaço de terra abandonado e sobrevivíamos fazendo e vendendo artesanato, além de plantar. Tomávamos banho de rio. Muita gente ia e vinha, alguns não aguentavam muito tempo, outros, iam explorar novos lugares, quase sempre perto da praia ou no campo.
Ficaria muito longo e desnecessário contar por todos os locais que passei, mas para resumir, nos anos seguintes, o movimento hippie cresceu mais e mais, chegamos a morar numa comunidade famosa na Bahia, duas no interior de São Paulo, mais um no Rio e finalmente uma no Paraná. Às vezes, alguns enveredavam pelo lado de questionar os milicos, mas eu fazia parte do grupo que ficava alheio, vivendo como nômade praticamente.
Transei com inúmeras mulheres, lindas, medianas, feias, valia tudo, às vezes, meio que ficava de namoro com uma, mas tanto ela como eu podíamos transar com outras pessoas. Todos nós usávamos muita droga, mas éramos felizes. A pílula anticoncepcional tornou o sexo ainda mais livre, sem o risco de uma gravidez, apesar que uma ou outra acabava engravidando e criava o bebê na comunidade ou voltava para o seio da família.
Duas ou três vezes por ano, Carlos e eu íamos visitar nossas famílias, ficávamos uma semana, dez dias e depois voltámos para a comunidade hippie. Numa das vezes, já no obscuro ano de 1968, tive uma briga feia com meu pai, pois o mesmo não aceitava meu estilo de vida e estava com medo, pois os milicos passaram a botar para quebrar. No fundo, ele temia que eu acabasse preso ou morto e tinha razão, pois começaram a perseguir meio mundo que nada tinha contra a ditadura.
Por causa dessa briga com meu pai, Carlos me chamou para ficar na casa de seus pais, em Santo André. E foi nesse momento que conheci Tânia, a irmã caçula dele (que depois se tornaria a tal Nuna Aguilar tá aí o spoiler). Ela ainda era uma adolescente, seis anos mais nova que eu, por isso, obviamente não tive nenhum interesse na mesma, mas ela sim, ficou encantada por mim, (apesar de nessa época, eu usar uma barba enorme e estar me vestindo de maneira ainda mais empresepada que Janis Joplin e Jimi Hendrix juntos).
Tânia tentava chamar minha atenção de todas as formas, saquei qual era dela, mas fazia que estava chapadão e que não entendia nada. Nas outras vezes em que voltei à sua casa, ela seguiu me dando bola e na penúltima vez, num momento em que estávamos a sós, tentou me beijar, dizendo que queria se entregar para mim, pois era apaixonada e que queria ir viver comigo na comunidade hippie. Eu tinha sexo à vontade e não queria saber de rolo com a irmã de meu amigo, por isso, com jeito, expliquei a mesma que aquilo não daria pé.
No final de 1969, Carlos e eu estávamos numa comunidade no norte do Paraná e decidimos passar as festas na casa de nossos pais. Eu já havia me acertado com meu pai e foi tudo tranquilo.
Entretanto, aquela virada de ano, seria também uma virada em minha vida. Por dias, Tânia, àquela altura já com 18, me provocou, estava cada vez mais bonita e gostosa. Ela tinha cabelos loiros, 1,70m, rosto arredondado, olhos castanhos, boca pequena com lábios sensuais, quando sorria, suas maçãs do rosto saltavam passando um ar de beleza e paz, os seios eram de médios para grandes, coxas bem torneadas e um bumbum delicioso de médio para grande.
Bastava eu chegar à sua casa para falar com Carlos, para Tânia arrumar um jeito de chamar minha atenção, queria a todo custo que eu a olhasse de um jeito diferente. Porém, após 6 anos fazendo sexo livremente com tantas mulheres, pela primeira vez, senti uma atração diferente por ela, daquelas que fazem a gente ficar pensando sem parar na pessoa, não era apenas a vontade de transar como com as hippies, era algo a mais e isso cresceu em mim muito rápido. Em poucos dias, percebi que estava apaixonado.
Decidi que era melhor voltarmos logo para a comunidade hippie no interior do Paraná, quanto mais cedo me visse longe de Tânia, melhor. No dia 3 de janeiro de 1970, fui procurar Carlos para ver se ele topava regressarmos ou então passarmos uns dias na praia. Porém, ao chegar à casa de seus pais, o destino conspirou a favor ou contra mim, não sei dizer. Quando entrei, fui atendido por ela, que estava sozinha. Disse então que voltaria mais tarde, mas a moleca não perdeu tempo e tentou me beijar afoita. Por uns instantes, acabei aceitando e a abracei. Ela estava usando um shorts jeans desbotado bem apertado, destacando seus glúteos maravilhosos e uma camiseta branca.
Soltei-me do beijo e lhe tentei convencê-la de aquilo era errado, segurando seus braços suavemente:
-Para com isso, garota! Você acabou de completar 18 anos e eu tenho 24. Sem contar que é irmã do meu amigo.
Com voz sofrida e manhosa, ela respondeu:
-E o que é que tem? Meu pai é 10 anos mais velho que a minha mãe.
-Não é só a questão da idade, somos de mundos diferentes...
-Não me despreze, Paulo! Há anos quero isso, quero ficar com você, mesmo que seja só uma vez, mas se gostar de mim, vamos viver na comunidade hippie, me leva junto.
Tentei convencê-la por um bom tempo de aquilo era uma atração passageira, mas a garota não desistia e tentava me beijar, abraçar, até que acabei não resistindo, pois queria também e a agarrei. Após alguns beijos, ela se soltou de mim e para minha surpresa, começou a se despir com tamanha naturalidade que cheguei a pensar que não fosse mais virgem. Preocupado, tentei brecá-la.
-Não faz isso! Já, já, vai chegar alguém da tua família e vou me dar mal.
Ela com um olhar provocador apesar de tão nova, disse:
-Meus pais foram almoçar na casa de um tio meu, só voltam no final do dia, e o Carlos foi para Santos, só volta daqui a dois dias. Temos muito tempo a sós.
Tânia era virgem, mas ficou nua na minha frente com uma desenvoltura incrível, não sentiu vergonha nenhuma. Engoli seco vendo tanta beleza naquela jovem nua. Primeiro foram os seios grandes que saltaram com aréolas marrom claras e depois vi sua boceta imponente com pelos no formato de um triângulo invertido, ela tinha um puta corpo delicioso, cintura fina, quadris largos, e quando vi sua bunda arredondada, perdi minha última trava de bom senso, fui em direção à irmã do meu amigo e beijei-a já de pau duro.
Peguei-a no colo, levei-a para o seu quarto e lá comecei a explorar seu corpo com meus dedos, boca e língua. Mamei seus seios maravilhosos que tinham um ar de frescor dos seus 18 aninhos. Tânia se arrepiou toda e gemeu. Desci minha mão até sua boceta carnuda e quando toquei suavemente em seu clitóris, a mesma estremeceu.
Um bom tempo depois, desci até sua boceta que já estava molhada, tinha os pequenos lábios e clitóris grandinhos e rosados. Comecei a chupar com a experiência que adquiri em anos de sexo livre, e o corpo de Tânia logo passou a dar trancos como se estivesse levando choques, porém nesse caso, choques prazerosos. Ela dizia baixo e com a voz trêmula.
-Nossa! Como isso é bom! – E gemia cada vez mais.
O fato de seu clitóris ser grandinho, permitiu que eu pudesse usar ainda melhor meus truques, chegando a suga-lo algumas vezes com meus lábios, além, claro, de passar a língua de diversas formas. Após uns bons minutos, já gemendo e até gritando, Tânia gozou em minha boca, emitindo sons que pareciam ser de choro. Senti o cheiro o gosto daquela bocetinha virgem e lambi.
Fiquei doido, mas, mesmo com todo tesão que estava sentindo, pensei que o melhor era não transarmos, talvez ela me tocando uma punheta ou fazendo uma chupetinha já estaria bom demais. Propus isso à irmã de meu amigo, mas a mesma estava tão maravilhada que praticamente me obrigou a tirar a sua virgindade.
Por incrível que pareça, apesar das incontáveis mulheres que transei, aquela seria a primeira vez com uma virgem. Fui bem cuidadoso e apesar de raro, algo ocorreu, mesmo com um pouco de dor, Tânia conseguiu gozar. Eu a fodi de maneira cadenciada e creio que só perto do fim acelerei, pois não aguentei de tanto tesão e acabei enchendo-a de porra. Ficamos deitados um tempo, ela olhando para cima maravilhada.
Depois que a adrenalina abaixou, me arrependi e pedi que não contasse nada a Carlos, ele via a irmã como uma bonequinha de porcelana e ficaria puto se soubesse que logo eu a descabacei. Também disse a Tânia que não repetiríamos mais aquilo, porém a garota disse:
-Duvido! Amanhã vou querer mais e você também. Arruma um lugar para nos encontrarmos e me liga dizendo.
Eu nada disse. Apenas tratei de me arrumar e ir embora.
É difícil entender como podemos nos apaixonar tão rapidamente, mas verdade é que a transa inesperada só me deu a certeza de que Tânia tinha entrado em minha mente como nenhuma outra. Não consegui mais parar de pensar nela e decidi que iria fodê-la novamente.
Não no dia seguinte, mas no outro, liguei para a casa dela, nas duas primeiras vezes, a mãe atendeu e desliguei, mas na terceira, ela atendeu e a convidei para irmos a um pequeno hotel. Consegui que meu pai me emprestasse o carro (apesar de eu nem ter carta, a minha responsabilidade na época era notável, admito) e a peguei num local discreto.
Já no hotel, passamos a tarde toda fodendo. Ensinei-a a chupar e até gozei uma vez em sua boquinha de ninfeta. Não comi seu cu rosado, mas o chupei e cheguei a introduzir dois dedos nele. Gozei 3 vezes e ela também. A boceta dela parecia um vulcão de tão quente e de tanto mel que escorria.
Por 5 dias seguidos repetimos essa loucura, e aí até seu cuzinho comecei a comer. Tânia ficava impressionada com as muitas posições que fazíamos e minha falta de limites na cama, mas sua preferida era de frango assado.
Entretanto, além do sexo, estava encantado por aquela garota, como era bom estar perto dela, era engraçada, falava sobre vários assuntos que estavam ocorrendo. Resumindo, estávamos completamente apaixonados, mas estava chegando a hora de eu voltar para a comunidade hippie.
A cada encontro, Tânia dizia que iria comigo, mas seria uma loucura levá-la, sem contar que Carlos nunca aceitaria. Quebrei muito a cabeça e vi que teria que escolher: ou seguiria com meu estilo de vida ou o abandonaria e me tornaria um careta para poder ficar ela.
Não foi uma escolha fácil, já estava há seis anos naquela vida, mas Tânia mexeu comigo. Quando lhe contei que abandonaria a vida hippie e voltaria a morar na casa dos meus pais para que pudéssemos namorar, ela gritou de alegria e até chorou, o que me deixou certo de que a irmã de meu amigo me amava.
Por falar no meu amigo, ele já estava de volta de Santos e veio me procurar para retornarmos à nossa comunidade. Fui obrigado a abrir o jogo, contei tudo e disse que estava amando sua irmã. Carlos ficou furioso, tentou até me agredir, disse que os pais e ele não permitiriam, fez um escândalo danado e paramos de conversar.
Mesmo assim, segui me encontrando com Tânia por mais alguns dias. Meus pais ficaram eufóricos quando disse que retornaria para casa e que arrumaria um emprego. Eu já planejava apresenta-la a eles, mas antes falaria com os dela.
Entretanto, antes disso, Carlos veio me procurar e estava totalmente diferente. Disse que ficou revoltado com a novidade, mas que após conversar com a irmã e esfriar a cabeça, chegou a conclusão de que eu seria um ótimo cunhado, mas deixou claro que eu precisaria cuidar bem de sua irmã e nada de transar com outras.
Fizemos as pazes e Carlos disse que o certo era eu ir até a comunidade para dar um adeus a galera, pois havia muita gente lá que eu convivia há anos. Concordei e decidimos ir dali a dois dias.
Despedi de Tânia e disse que no máximo em 2 dias estaria de volta. Ela quis ir com a gente, mas seus pais não deixaram. Como citei, estávamos numa comunidade hippie no interior do Paraná. Era bem afastada, pois além de ter 11 km de estrada asfaltada da cidade mais próxima, tinha mais 5km de terra e outros 3km a pé pela natureza, onde passávamos pela parte alta de uma linda cachoeira.
Passei um final de tarde e uma noite na comunidade, depois me despedi de todos e fui encarar o caminho de volta. Teria sorte se conseguisse uma carona. Carlos decidiu me acompanhar até a estrada de asfalto, mas no caminho, pediu que parássemos para admirar a cachoeira. Do ponto que estávamos dava para ver bem. Fiquei olhando bem na beirada por uns 30 segundos sei lá, quando de repente, levei um tremendo empurrão e ouvi meu “amigo” dizendo algo que não entendi.
O canalha me empurrou de uma altura de mais de 30 metros, seu objetivo, agora eu entendia, era me matar porque me envolvi com sua irmã. Eu bati violentamente a cabeça e todo corpo contra as pedras e segui caindo e batendo, me fodendo todo, mas o fato de não ter caído direto, fez com que eu não morresse de maneira instantânea. Entretanto, eu me fodi legal, quebrei o braço direito, a mão esquerda, tive uma fratura exposta do fêmur e sofri um traumatismo craneano. Fora os incontáveis machucados e arranhões.
Apesar de não ter morrido na hora, seria uma questão de minutos, talvez horas para que isso ocorresse, pois estava perdendo muito sangue e por ali era quase impossível alguém passar e me ver.
Porém, creio que por um milagre, dois pescadores ouviram meu grito quando caía e subiram até onde finalmente parei de cair e me socorreram.
Fui acordar em uma Santa Casa sei lá quantos dias depois, sentindo dores terríveis e sem forças até para gritar. Lembro-me de ter apenas ouvido de que eu não sobreviveria lá e se fosse para um hospital maior, poderia não aguentar a viagem. Foi então que vi uma freira (mas na hora achei que fosse uma santa) no quarto e fiz uma promessa de que se escapasse com vida, me tornaria um religioso.
Coincidência ou não, a verdade é que não morri e quando finalmente acordei, com meus pais ao lado da minha cama, achei que tinha sido um milagre. Porém, os médicos começaram a notar um problema, eu era capaz de discorrer horas sobre uma conversa tida com um amigo da infância, mas não conseguia me lembrar do nome de coisas simples, como, por exemplo, café. Outro detalhe que chamou a atenção foi que eu simplesmente não me lembrava mais nada dos meus seis anos vivendo como hippie, apenas de imagens curtas como no meio de uma fogueira com gente cantando, matas, mulheres nuas e mais nada.
Foram meses para que eu me recuperasse fisicamente fiquei com uma cicatriz enorme no lugar da fratura do fêmur na perna direita e outra na barriga. Já meus problemas de memória, não tiveram solução, não me lembrava mais de minha vida de hippie. Claro, que soube que vivi pelo mundo por 6 anos porque meus pais contaram, mas não pude denunciar nem o Carlos pelo que me fez e nem ir atrás de Tânia, já que não me lembrava mais deles, Para piorar, ela não sabia onde eu morava, por isso, mesmo que quisesse me procurar não saberia onde ir.
O resto já contei no começo, tornei-me um católico conservador e tive certeza de que só sobrevivi graças a promessa que fiz.
Mas eis que após tantos anos, vejo o rosto de Tânia num filme cheio de nudez e tudo volta com uma força assustadora. Tive que correr para o banheiro. O projetista não entendeu nada e parou o filme. Chorei, chorei, chorei. Fiquei quase uma hora relembrando de cada detalhe.
Entretanto, eu tinha que voltar para ver o filme e foi o que fiz. Cada vez que Tânia aparecia falando ou em uma das muitas cenas de nudez, tudo começava a rodar. Ela estava mais sexy, encorpada, mais mulher, porém sua personagem me deu medo, pois era uma safada e, pior, eu fiquei com um tesão enlouquecido, mas isso se chocava com a minha moral. Sentia raiva e desejo ao mesmo tempo.
Totalmente perturbado, confuso, trêmulo, querendo fazer com que aquele passado voltasse a sumir, decidi simplesmente censurar totalmente o filme. Sentei o carimbo de vetado com força e mandei entregar para o Martins. Em seguida, fui ao banheiro novamente jogar uma água no rosto, pois eu estava prestes a cair duro em meio a tantas lembranças.
Pouco depois, Martins me chamou à sua sala:
-O que há de tão grave nessa pornochanchada para você tê-la vetado? Você sabe que os homens lá de cima não estão mais ligando para mulher pelada em filme, só pedem para não deixar nada explícito, então que porra tem nele que justifique isso? E por que você tá com essa cara de quem viu um prédio cheio de gente desabar? Tá pálido, caralho!
Eu tinha que inventar uma boa mentira e por sorte, quase todos ligados à censura eram paranoicos e viam fantasma comunista onde não existia, por isso, mesmo nervoso, criei algo mirabolante.
-Doutor Martins...esse é um dos filmes perigosos que já vi. Um filme...perturbador. Além de muito sexo, há claramente uma propaganda contra o sistema, as garotas desobedecem todos que estão acima delas, a escola, os adultos e até a polícia e ainda se dão bem no final, mostrando que o caminho é se rebelar contra o sistema e derrubá-lo. São várias falas que têm duplo sentido, recados comunistas.
Martins arregalou os olhos, mas disse que eu precisaria fazer um relatório bem detalhado explicando tudo para justificar o veto. Respondi que no outro dia estaria em sua mesa.
Sei que a minha ação de censurar o filme foi absurda, mas como citei, eu estava em choque e num primeiro momento achei que a melhor forma de esquecer Tânia, era fazendo com que seu filminho desaparecesse.
Entretanto, minha estratégia daria errado e dias depois, Tânia ou melhor, Nuna Aguilar, apareceria em meu trabalho junto com o diretor do filme para entenderem o porquê da censura. Se ela me visse, me reconheceria e botaria a boca no mundo sobre meu passado de hippie, usuário de drogas e participante de incontáveis orgias, o que certamente custaria no mínimo meu emprego. A confusão iria começar
