Minha Esposa em Brasília com o Ex

Um conto erótico de Cucklove
Categoria: Heterossexual
Contém 1009 palavras
Data: 27/05/2026 14:13:07

Alguns anos depois que nos casamos, minha esposa apareceu com uma ideia que me incomodou desde o começo.

Ela queria consultar com uma nutricionista em Brasília.

Morávamos no Rio e eu sinceramente não via sentido. Disse que dava pra encontrar profissionais excelentes ali mesmo.

Mas ela insistiu.

Falou que essa nutricionista era muito boa, disputada, e que tinha sido indicação de alguém que conhecia bem a cidade.

Depois comentou, quase casualmente, que a indicação tinha vindo de um ex-namorado dela que estava morando em Brasília a trabalho.

Na hora aquilo me travou por dentro.

Eu disse que não precisava.

Ela insistiu mais.

Dois meses depois já estava tudo marcado.

No fim fui eu mesmo quem comprou a passagem e reservei o hotel.

Ela nunca tinha ido a Brasília.

No dia da viagem saiu cedo e foi me mandando mensagem.

Do aeroporto.

Do avião.

Do táxi.

Chegou no hotel, deixou a mala e foi direto pra consulta, que ficava em um shopping famoso.

Tudo parecia normal.

Quando terminou, encontrou ele.

Ele já estava esperando perto da clínica.

Se reconheceram na mesma hora.

Ela me contou depois que o abraço foi natural demais.

Como se anos não tivessem passado.

Andaram pelo shopping.

Conversaram.

Almoçaram juntos.

E combinaram de sair à noite em um restaurante mexicano numa área nobre da cidade.

Ele deixou ela no hotel pra descansar.

No começo da noite meu celular vibrou.

Era uma foto dela.

Pronta pra sair.

Vestido escolhido com cuidado.

Cabelo solto.

Perfume que eu quase conseguia lembrar só de olhar.

Linda.

Num nível que me fez sorrir… e sentir uma pontada ruim no peito ao mesmo tempo.

Respondi que estava maravilhosa.

Ela pegou um Uber sozinha e encontrou ele no restaurante.

Só que ele tinha levado um amigo.

No começo foi leve.

Risadas.

Histórias antigas.

Coisas da vida.

Mas depois a conversa caiu inevitavelmente no passado.

Ela me contou que foi ele quem puxou aquilo.

Perguntou se ela ainda lembrava do apartamento antigo dele.

Ela disse que sim.

E ele sorriu daquele jeito que ela conhecia bem.

Comentou que ainda lembrava dos fins de semana em que os dois sumiam do mundo.

Quando fechavam a porta e tudo lá fora deixava de existir.

Ela me contou isso olhando pra frente, como se estivesse revendo tudo.

Disse que naquela época havia uma intensidade difícil de explicar.

Às vezes começava com um beijo qualquer e, quando percebiam, horas tinham passado.

A tarde escurecia.

A madrugada chegava.

E eles continuavam presos naquele universo só deles.

Entre risadas baixas.

Olhares demorados.

A proximidade que fazia o resto desaparecer.

Ela disse que lembrava da sensação de se perder completamente no abraço dele.

Do jeito como ele sempre aproximava ela devagar.

Sem pressa.

Como se o tempo estivesse completamente do lado deles.

Como se bastasse ficar ali.

Respirando perto.

Sentindo a presença um do outro.

E ele completou dizendo que ainda lembrava como ela tentava se afastar às vezes… mas sempre acabava voltando.

Como se houvesse alguma coisa entre os dois impossível de ignorar.

Ela disse que ficou em silêncio.

Mexendo na borda do copo.

Sem saber o que responder.

O amigo percebeu na hora.

Ficou desconfortável.

Tentou mudar de assunto.

Mas a energia já tinha mudado.

A mesa parecia menor.

Os olhares demoravam mais.

As pausas também.

Quando saíram do restaurante, a noite em Brasília estava quente e seca.

O amigo chamou um Uber e foi embora sozinho.

Ele se aproximou pra se despedir.

Abraçou ela.

Demorado.

Mais apertado do que precisava.

A mão deslizou um pouco pelas costas dela.

Nada demais.

Só uma “casquinha”, como ela mesma me contou depois.

Mas o bastante pra deixar ela sem reação por um segundo.

Ela me disse que o coração apertou.

Que ver ele mexeu com coisas antigas.

Que parecia estranho e familiar ao mesmo tempo.

Depois ele entrou num Uber.

E ela voltou pro hotel.

Ou pelo menos foi isso que me contou.

Na manhã seguinte acordei com o celular tocando.

Era ela.

Desesperada.

Tinha perdido o voo.

Levantei correndo procurando passagem.

Só consegui pro outro dia.

Ela comentou que ele tinha mandado mensagem oferecendo ajuda.

Até chamou ela pra ficar com ele.

Mas ela disse que recusou.

Falou que o hotel tinha liberado mais uma diária porque estava vazio.

Eu tentei acreditar.

Só que depois disso ela simplesmente sumiu.

Horas.

Mensagem sem resposta.

Ligação sem atender.

Nenhuma visualização.

Eu andando de um lado pro outro com o celular na mão.

Pensando demais.

Tentando não imaginar.

Mas imaginando.

A lembrança daquela foto dela pronta pra sair voltava.

O jeito como falou dele no restaurante.

A conversa sobre o passado.

A forma como disse que o coração apertou.

E agora aquele silêncio inteiro.

Quando finalmente respondeu, já era noite.

A mensagem foi curta.

Disse que tinha encontrado ele de novo no shopping.

Que conversaram mais um pouco.

Só isso.

No dia seguinte ela voltou.

Fui buscar no aeroporto.

No carro ela foi me contando tudo.

A consulta.

O shopping.

O almoço.

O restaurante.

A conversa.

O abraço.

O voo perdido.

O segundo encontro.

E repetindo várias vezes a mesma frase.

— Não aconteceu nada.

Eu olhava pra estrada.

Depois olhava pra ela.

Linda como sempre.

Segura como sempre.

Mas alguma coisa em mim não desligava.

Talvez fosse a pausa antes de explicar por que perdeu o voo.

Talvez fosse o jeito que evitou meu olhar quando falou do segundo dia.

Talvez fosse a lembrança dela descrevendo os fins de semana antigos com ele.

Aquela intensidade.

Aqueles momentos em que o tempo desaparecia.

Às vezes ainda penso naquela manhã em Brasília.

No hotel vazio.

No voo perdido.

Nas horas sem resposta.

Nele tão perto.

Nela sozinha naquela cidade que não conhecia.

E lembro dela repetindo baixinho no carro, olhando pela janela:

— Não aconteceu nada.

Ela voltou pra casa comigo.

Dormiu ao meu lado naquela noite.

Me beijou como sempre.

Seguiu a vida como sempre.

Mas até hoje, quando lembro de Brasília…

daquela foto…

do silêncio…

do voo perdido…

e da forma como ela falou sobre ele…

eu nunca consigo saber exatamente no que acreditar.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive CUCKCLOVE a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários