A CASA DAS SETE SIRIRICAS (UMA EPOPÉIA SATÍRICA DE 7 MULHERES DISPUTANDO O PAU DE UM MUDINHO)

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Grupal
Contém 5570 palavras
Data: 01/05/2026 08:20:14

A Rua Capitão Ramiro, 69, não era lugar pra quem gostava de silêncio. O sobrado no fim da rua, com janelas tortas e tinta descascando, parecia vivo. Gemidos subiam pelas paredes como fumaça, misturados a um cheiro que era metade incenso de patchouli, metade suor de buceta e pão queimado. O bairro inteiro tinha uma teoria: umas diziam que era um bordel; outras, que era um culto de ninfomaníacas. Os entregadores do iFood, coitados, saíam de lá com olhos arregalados, segurando gorjetas amassadas e calcinhas que não pediram.

Dentro da casa, moravam sete mulheres. Não eram sete quaisquer. Eram um furacão de tesão, loucura e alma devassa, cada uma com um jeito de fazer o mundo tremer.

Tina era a líder, ou pelo menos achava que era. Ex-cantora de axé, tinha sido rainha dos trios elétricos em Salvador nos anos 90, rebolando até o chão com um shortinho que desafiava a física. Agora, aos 43, vivia de memórias e hentai com anões amputados. Naquela manhã, ela estava no banheiro, debaixo do chuveiro, com um consolo roxo enfiado na buceta, cantando “Rebola sem freio” como se ainda tivesse 20 mil pessoas pulando atrás dela no Farol da Barra.

– Ai, caralho, esse xampu tem o gosto do saco do Bel Marques! – berrou, cuspindo espuma e rindo sozinha. O consolo caiu no chão com um *ploc* molhado. Ela pegou, lambeu e guardou na gaveta, junto com outros cinco.

No andar de baixo, Dona Gláucia comandava o café da manhã. Pastora evangélica aposentada, dizia que Deus a mandou evangelizar pelo prazer. Aos 56 anos, usava uma saia lápis que marcava o volume do vibrador de nove velocidades no bolso. Enquanto fritava ovos, lia Salmos e murmurava num linguajar esquisito, como se o Espírito Santo estivesse gozando junto com ela.

– Salmo 23, versículo 4... “Tua vara e teu cajado me consolam”... Amém, Senhor! – gritou, jogando um ovo na frigideira com tanta força que o óleo espirrou no parede.

Na sala, Bruna, a nutricionista de 29 anos, amamentava o filho de seis meses enquanto tirava fotos pro Instagram. Recém-mãe, ela descobriu que o leite do peito rendia mais que consultas. Vendeu brigadeiros “funcionais, veganos e protéicos” feitos com o próprio leite materno, e o negócio bombava.

– É puro amor, cacete! – disse ela, oferecendo um brigadeiro melado a um entregador do iFood que acabou de chegar com um pedido de lubrificante comestível. O cara pegou o doce, cheirou, ficou vermelho e saiu correndo.

No quarto ao lado, Nanda, a anarquista pansexual de 25 anos, estava montada num aspirador de pó, gritando “Fora o sistema!”. O cabelo roxo esvoaçava, e os piercings tilintavam enquanto ela esfregava a xoxota no bocal do aparelho. Já tinha transado com o micro-ondas, o liquidificador e, numa noite de fúria, dado um tapa de piroca num extintor de incêndio enquanto xingava o governo. O aspirador, coitado, soltava uma fumaça de cansaço existencial.

– Isso, sua máquina capitalista, me faz gozar antes que eu exploda de tesão! – berrou, antes de cair no chão, rindo, suada, e a virilha ensopada de fluidos vaginais.

No porão, Kelly, 27 anos, reinava como Siriric4_420, gamer profissional e camgirl da deep web. Pelada, com um plug anal de cauda de raposa e um fone enfiado na xana pra “sentir os graves”, ela jogava *League of Legends* enquanto mil caras pagavam pra vê-la gemer. A tela piscava com doações, e ela gritava:

– Toma, noob, isso é por tentar roubar meu dragão! – enquanto gozava e matava um inimigo ao mesmo tempo.

No quintal, Gigi, ex-miss de 34 anos, filmava uma live pornô. Especialista em gozar em câmera lenta, usava as lágrimas como lubrificante e fazia Pix chover como trovoada em tempestade. Hoje, ela estava de quatro, com um espelho estrategicamente posicionado pra mostrar a porra toda.

– Isso, meus amores, mandem cinquentinha pra eu gritar mais alto! – disse, enquanto o celular vibrava com notificações.

E, no sótão, Juju Capirotes, a taróloga de 40 anos, lia cartas eróticas com uma cara de quem sabia demais. Vestida com um robe de seda cheio de manchas suspeitas, ela tirava “O Enforcado” e falava com uma cliente pelo Zoom:

– Benzinho, isso aqui diz que hoje tu vai levar rola até a alma ficar pendurada do avesso no varal. Quer que eu veja mais?

A casa era um circo, um bordel, um templo. Cada mulher vivia no seu mundo, mas todas disputavam espaço, Wi-Fi e o direito de gemer mais alto. Tina reclamava que Gláucia rezava alto demais; Nanda quebrava coisas que “não a faziam gozar direito”; Kelly travava a internet com as lives; Bruna deixava manchas de leite do peito no sofá; Gigi filmava onde não devia; Juju previa tretas que ninguém queria ouvir.

Naquela tarde, enquanto Tina tentava convencer Bruna a fazer um clipe de axé com vibradores, e Gláucia gritava que o café tinha gosto de pecado, Juju subiu do sótão com uma carta na mão. Os olhos dela brilhavam, e o sorriso era de quem viu o apocalipse e achou graça.

– Meninas, tirei “O Imperador” invertido – disse, jogando a carta na mesa. – Um pau tá chegando. Uma piroca que vai bagunçar tudo.

– Pau? Aqui? – Tina riu, limpando espuma de esperma imaginário da boca. – Minha buceta tá pronta desde 98!

– Não é qualquer pau – Juju continuou, séria. – É um que não fala, mas faz gemer.

As mulheres riram, menos Kelly, que pausou o jogo e tirou o fone da buceta.

– Tô sentindo um grave estranho – murmurou.

Foi então que a campainha tocou. Um som seco, como um trovão num dia claro. As sete pararam. O ar ficou pesado, e o cheiro de pão queimado se misturou a algo novo: colônia barata e…. testosterona.

Tina correu para a porta, com o consolo ainda na mão, e abriu. Lá estava ele: alto, bronzeado, com uma mochila surrada e um olhar que dizia “sei que sou gostoso, mas não vou falar porra nenhuma”. Na mão, uma placa que ele arrancou da fachada:

“ALUGA-SE UM QUARTO. ACEITO PAGAMENTO EM NATURA OU PIX.”

As mulheres se amontoaram atrás de Tina, encarando o estranho. Gláucia fez o sinal da cruz; Gigi já calculava os lucros da live; Nanda cheirou o ar, desconfiada. Bruna ofereceu um brigadeiro, que ele recusou com um aceno. Kelly tirou uma foto escondida. Juju só sorriu, como se a carta tivesse ganhado vida.

– Bem-vindo ao inferno mais úmido da cidade – disse Tina, lambendo os lábios. – Qual é o teu nome, gostoso?

Ele não respondeu. Só apontou para a placa e entrou, arrastando a mochila e um silêncio que fez até a casa calar a boca.

A Chegada do Mudinho com o Pau de 28cm

O sobrado da Rua Capitão Ramiro, 69, nunca tinha visto um silêncio tão indecente. O Mudo entrou com sua mochila surrada, o bronzeado brilhando sob a luz fraca do corredor, e a casa pareceu prender a respiração. As sete mulheres, ainda amontoadas na porta, encaravam o estranho como lobas famintas, cada uma com um plano na cabeça e um calor subindo pelas pernas. A placa na mão dele – “ALUGA-SE UM QUARTO. ACEITO PAGAMENTO EM NATURA OU PIX” – era como um contrato com o diabo, e nenhuma delas queria perder a assinatura.

Tina, com o consolo ainda balançando na mão, foi a primeira a quebrar o gelo.

– Tá olhando o quê, gostoso? Aqui ninguém morde... a menos que tu peça – disse, jogando o cabelo e dando um passo à frente. O Mudo não piscou. Só apontou pro corredor, como se quisesse o quarto, e passou por ela, roçando o ombro de leve. O cheiro de colônia da Avon com suor fez Tina soltar um “caralho” baixinho.

– Ele não fala, mas já tá dando ordens – murmurou Juju, segurando uma carta que ninguém viu ela tirar. – “O Imperador” tá de cabeça pra baixo, meninas. Isso é treta com rola no meio.

No andar de cima, o Mudo jogou a mochila num quarto minúsculo, com um colchão fino e uma janela que dava pro muro do vizinho. As mulheres seguiram, se espremendo na porta como adolescentes na fila de um show de Justin Bieber Ele sentou na cama, tirou a camisa e revelou um peito liso, com cicatrizes que pareciam contar histórias que a boca não conseguia. Kelly, com o celular já gravando escondido, sussurrou:

– Isso vai render mais que minha live de ontem.

Tina não perdeu tempo. Pegou uma garrafa de Schin da geladeira, abriu com os dentes e ofereceu.

– Relaxa, Tripé. Aqui é casa de mãe, mas sem papo de pedir a bença – disse, sentando no colo dele sem convite. O Mudo não reagiu, mas também não recusou. Vinte minutos depois, Tina saiu do quarto cambaleando, com o cabelo grudado na testa, a buceta arregaçada e ensopada de porra, e os olhos vidrados de quem viu o Boitatá.

– Vinte e oito centímetros... medidos... com régua – balbuciou, antes de desmaiar no sofá abanando a xana. Bruna correu pra pegar um pano molhado, mas aproveitou pra checar o quarto.

– Ele tá vivo? – perguntou Gigi, já com o celular na mão, pronta pra uma live.

– Vivo e de pau em riste – respondeu Tina, voltando a si com um gemido.

Bruna, ainda com o peito pingando leite, viu uma chance. Entrou no quarto com um copo de milkshake batido na hora – “leite materno, cacau orgânico e um toque de canela” – e se ajoelhou na frente do Mudo.

– É funcional, tá? Te deixa mais forte – disse, com um sorrisinho. Ele tomou o copo todo, sem expressão, e o devolveu vazio. Bruna saiu com o rosto vermelho e os lábios inchados, murmurando algo sobre “o melhor boquete da história”.

Dona Gláucia foi a próxima. Entrou com uma Bíblia na mão e um vibrador no bolso, decidida a salvar a alma do Mudo.

– Filho, esse pau é obra do capeta! Deixa eu exorcizar! – gritou, jogando água benta que ela mesma tinha “consagrado” com um squirt matinal. Mas cinco minutos depois, Gláucia saiu do quarto montada num êxtase que nem Jesus explicava, gritando “Aleluia!” com gala escorrendo pelos cantos da boca e a Bíblia amassada debaixo do sovaco.

– Ele é o demônio... e eu sou fraca – confessou ela, caindo de joelhos na sala aos prantos.

Nanda, que até então ignorava o Mudo, ficou curiosa. Espiou o quarto enquanto transava com o ventilador de pedestal, que girava em velocidade máxima.

– Não preciso de macho – resmungou, mas o ciúme cutucou. Ela entrou, cheirando a óleo de motor e rebeldia, e saiu meia hora depois com um sorrisinho torto de quem tinha sofrido um AVC.

– O aspirador ainda me fode melhor, mas esse aí não é de se jogar fora – admitiu, acendendo um baseado.

Kelly viu uma oportunidade de ouro. Convidou o Mudo pra uma live, prometendo “só um featzinho”. Montou a câmera, colocou a cauda de raposa enfiada no cu e abriu o *League of Legends*. Ele ficou sentado ao fundo, sem camisa, enquanto ela jogava e gemia.

– Isso, meus príncipes, mandem Pix que eu mostro mais! – gritava Kelly. O Mudo não se mexeu, mas a audiência triplicou. Ela ganhou mil reais em uma hora e jogou um beijo pra ele.

– Tu é meu novo produtor, Tripé.

Gigi, sempre pragmática, já estava no quintal, planejando uma live com o Mudo como “ator convidado”. Entrou no quarto com uma câmera profissional e um contrato rabiscado num guardanapo.

– Cinquenta por cento da arrecadação, amor. Eu gozo, tu goza, a gente lucra – propôs. Ele não assinou, mas deixou ela filmar. A live bateu 10 mil views, e Gigi chorou de emoção enquanto limpava o esperma que escorria de dentro do cu.

Juju foi a última. Entrou com o baralho erótico e uma cara de quem sabia demais.

– Tu não fala, mas as cartas falam – disse, espalhando “A Torre”, “O Louco” e “A Estrela” na cama. – Tu é um espelho, Mudo. Mostra o que a gente quer ver. Mas o que *tu* quer?

Ele só olhou, com aqueles olhos que pareciam engolir a alma. Juju saiu sem tocar nele, mas com um arrepio que não explicava.

A casa virou um campo de batalha invisível. Tina acusou Gigi de monopolizar o Mudo pra lives. Gláucia dizia que todas estavam pecando e que o pau dele era uma prova divina. Kelly reclamava que a internet caía toda vez que Gigi entrava ao vivo. Bruna deixava copos de milkshake pelo quarto do Mudo, marcando território. Nanda, com ciúmes dos eletrodomésticos, começou a sabotar o Wi-Fi. Juju só observava, tirando cartas que sempre davam em coisa ruim.

Naquela noite, durante um jantar caótico – pizza fria, cerveja quente e um vibrador com fluidos secos de xoxota esquecido na mesa –, a tensão explodiu. Tina jogou um pedaço de calabresa em Gigi.

– Para de usar o Tripé como teu dublê de ator pornô, sua vaca!

– E tu, que desmaiou na primeira trepada, sua vaca! – retrucou Gigi, com molho na cara.

Gláucia bateu na mesa.

– Silêncio, suas pecadoras! Ele é um teste de Deus, e vocês tão falhando!

– Teste é o caralho – disse Nanda, com migalhas no cabelo. – Ele é só um pau gigante ambulante.

Kelly riu, digitando no celular.

– Pau ambulante que me rendeu dois mil hoje.

Bruna, limpando leite do peito, tentou apaziguar.

– Gente, e se a gente dividir? Tipo, um rodízio.

Juju jogou uma carta na mesa: “O Imperador”, de novo, invertido.

– Ele não é o problema. Vocês são – disse, com um tom que fez todas calarem a boca.

O Mudo, sentado no canto, comia uma fatia de pizza sem olhar pra ninguém. Não sorria, não gemia, não piscava. Só existia, como um deus pagão que aceitava oferendas sem prometer nada.

Quando a discussão recomeçou, ele se levantou, pegou a mochila e foi pro quarto. A porta bateu, e a casa tremeu – não de prazer, mas de algo mais fundo, como se o sobrado soubesse que o pior ainda estava por vir.

Guerra de Siriricas

A casa estava em chamas, mas não do tipo que chama bombeiro. O ar cheirava a incenso de erva doce, lubrificante de kiwi e libido alta. Desde a chegada do Mudo, o sobrado virou um campo de guerra onde o troféu era uma piroca de 28 centímetros e a arma era o tesão desenfreado. As sete mulheres, cada uma com seu ego do tamanho de um trio elétrico, decidiram que não bastava ter o Mudo – era preciso ter *mais* que as outras. Gemer mais alto, gozar mais forte, viralizar mais rápido. A casa rangia, como se soubesse que tanto prazer assim tinha um preço.

Tina, ainda se recuperando do desmaio épico, subiu no balcão da cozinha naquela manhã, com um shortinho que mostrava até o útero.

– Meninas, chega de briga! – gritou, segurando um microfone imaginário. – Vamos fazer um show juntas. Eu canto, o Mudo dança, e a gente bota fogo no bairro!

– Fogo é o caralho – retrucou Gigi, polindo a lente da câmera. – Ele é meu ator principal hoje. Já tenho 500 inscritos esperando a live das 10.

– Tua live é um lixo – disparou Kelly, com o notebook no colo e a cauda de raposa balançando no cu. – Minha stream com ele ontem bateu 15 mil views. O Tripé é meu.

Dona Gláucia, que fritava um pão na chapa com cara de quem viu o apocalipse, bateu a espátula na pia.

– Blasfêmia! Esse homem é um demônio, e vocês tão todas caindo na tentação! Só eu posso salvar ele... com oração apimentada.

Nanda, que fumava um baseado enquanto esfregava a xoxota no aspirador desligado, riu alto.

– Salvar? Tu gritou ‘aleluia’ com a língua no cu dele, Gláucia. Para de hipocrisia.

Bruna, amamentando o filho no canto, tentou apaziguar, com leite pingando na blusa.

– Gente, e se a gente usar ele... tipo, pra um projeto social? Meus brigadeiros tão bombando, mas com o Mudo na propaganda…

– Propaganda é o cacete! – cortou Juju, descendo do sótão com o baralho erótico na mão. – Tirei ‘A Torre’ três vezes hoje. Isso aqui vai desmoronar se vocês não pararem de competir.

Mas ninguém parou. A guerra tinha começado, e o Mudo, impassível como um Buda de ébano, era o palco onde todas queriam brilhar.

Gigi foi a primeira a escalar. No quintal, montou um cenário com um ventilador de teto velho, que girava devagar enquanto ela se esfregava num ritmo hipnótico. Chamou de “siririca giratória” e transmitiu ao vivo, com o Mudo ao fundo, nu, segurando a benga com uma mão e um copo d’água que nem bebeu com a outra. A live explodiu: 20 mil views, Pix caindo como neve na Lapônia, e um comentário viral – “Essa mina nem precisa foder como negão lá atrás!”. Gigi saiu suada, com o ego inflado e 8 mil reais no bolso.

– Isso é arte, suas invejosas – disse, jogando o cabelo enquanto guardava o celular.

Nanda, que não aceitava ficar pra trás, levou a anarquia a outro nível. Invadiu o quarto do Mudo com um aspirador robô, um vibrador gigante e uma GoPro. Gravou um vídeo de 12 minutos transando com os dois aparelhos enfiados nos seus buracos enquanto o Mudo mamava os peitos dela, ajoelhado no chão. Postou na deep web, num grupo chamado “Eletroputas BR”, e o vídeo vazou pro Telegram. Em 24 horas, ela era a rainha dos fetiches inanimados, com pedidos de lives até do Paquistão.

– Objetos não mentem. Homens, sim – disse, cheirando a silicone queimado e orgulho.

Dona Gláucia, sentindo o cheiro da derrota, transformou o quarto num “templo de oração úmido”. Pendurou cruzes, acendeu velas e convidou fiéis do bairro – homens e mulheres com cara de culpa e carteira cheia. Cada culto era uma suruba disfarçada de redenção, com Gláucia cavalgando o pau enorme do Mudo enquanto urrava versículos e cobrava dízimo. Um fiel, saindo com a calça na mão, murmurou:

– Isso é melhor que a igreja do centrinho.

Kelly, que vivia pela audiência, decidiu jogar pesado. Montou uma stream épica: jogava *Counter-Strike* empinada de quatro, com o Mudo arrombando o cu e a buceta dela ao vivo. O chat explodia – “Foca na mira, foca no cu!” – e as doações chegaram a 15 mil reais em uma noite. Kelly gritou, entre um headshot e um gemido:

– Isso é mais lucrativo que ser parlamentar no Brasil, porra!

Tina, vendo todo mundo brilhar, tentou um revival. Vestiu uma fantasia de carnaval antiga, com plumas amareladas, e arrastou o Mudo pra sala. Cantou “Rebola sem freio” enquanto descia nua na cara dele, mas ninguém deu bola. Frustrada, jogou uma pluma no chão e chorou no banheiro, com o consolo socado no rabo.

– Eu sou uma lenda, caralho. Eles vão ver – murmurou, limpando o rímel borrado.

Bruna, mais sutil, começou a deixar “presentes” pro Mudo: brigadeiros com leite materno, café com leite materno, até um smoothie com leite do peito. Ele comia e bebia tudo, sem reclamar, e ela sonhava em ser a favorita.

– Ele gosta de mim. Eu sinto – dizia, enquanto amamentava e checava o Instagram.

Juju, como sempre, ficou de fora da briga, mas não da ação. Passava as noites tirando cartas e olhando o Mudo de longe. Uma noite, enquanto ele dormia, ela entrou no quarto e sussurrou:

– Tu é um vazio que engole a gente, né? – A carta que caiu foi “O Louco”. Ela guardou e saiu, com um frio na espinha.

A casa, coitada, não aguentava mais. O Wi-Fi travava com tantas lives; os canos gemiam como se chorassem; as paredes rachavam, deixando marcas que pareciam raio x dos intestinos. Os vizinhos reclamavam, mas ninguém ousava bater na porta. Um entregador, trazendo um pedido de 12 vibradores, viu uma luz piscar no sótão e jurou que ouviu risadas que não eram humanas.

A tensão explodiu numa noite de sexta. Kelly estava ao vivo, com o Mudo batendo punheta ao fundo, quando o sinal caiu. Gigi gritou que era sabotagem; Nanda admitiu que cortou o cabo por “razões anarquistas”; Tina jogou um consolo em Gláucia, que rezava alto demais. Bruna tentou oferecer brigadeiros pra acalmar, mas derramou leite no teclado de Kelly, que berrou:

– Sua vaca lactante, isso aqui custou mil reais!

No meio do caos, o Mudo se levantou, atravessou a sala e segurou a mão de Kelly. Foi a primeira vez que ele tocou alguém sem ser “usado”. O silêncio caiu como uma guilhotina. Os olhos dele, sempre vazios, pareciam ver além – além da casa, além delas. A luz do lustre piscou, e um tremor sacudiu o chão, derrubando velas, vibradores e uma Bíblia aberta no Salmo 69.

– Que porra foi essa? – perguntou Tina, com o coração na boca.

Juju, no canto, segurava uma carta: “A Estrela”, mas invertida.

– Ele tá vendo o que a gente não vê – disse, com a voz tremendo. – E acho que não vamos gostar.

Suruba, Sangue e Confissão

O sobrado estava à beira do colapso. O toque do Mudo na mão de Kelly, naquela noite de sexta, deixou um silêncio que pesava mais que os gemidos de sempre. As paredes rangiam, o chão tremia, e o cheiro de incenso agora vinha com um toque de enxofre, como se a casa estivesse cuspindo seus segredos. As sete mulheres, ainda atônitas, se entreolharam, sentindo que algo maior que seus egos e siriricas estava em jogo. Juju, com a carta da Estrela invertida na mão, foi a primeira a falar.

– Isso não é mais sobre pau, meninas – disse, com a voz grave. – A casa tá viva, e o Mudo é o fio que puxa o tapete. A gente precisa limpar essa energia antes que tudo desabe.

– Limpar como? Com vassoura ou vibrador? – zombou Tina, mas o riso saiu forçado, com um olho na rachadura nova na parede.

– Um ritual – respondeu Juju, jogando o baralho erótico na mesa. – Uma siririca coletiva. Todas juntas, com ele no centro. É o único jeito de botar as auras no lugar.

As mulheres se encararam, divididas entre tesão, medo e desconfiança. Gláucia fez o sinal da cruz, mas pegou o vibrador do bolso. Gigi checou a bateria do celular, já pensando numa live. Kelly murmurou algo sobre “views místicos”. Nanda riu, mas trouxe o aspirador robô. Bruna ofereceu brigadeiros pra “dar energia”. Tina, ainda com plumas tortas no cabelo, deu de ombros.

– Se for pra gozar junto, eu topo. Mas sem live, Gigi, sua vaca.

O Mudo, sentado no canto, não disse nada – como sempre. Só olhou, com aqueles olhos que pareciam engolir a luz, e assentiu, como se soubesse o que vinha.

A sala virou um altar profano. Juju acendeu velas pretas e vermelhas, espalhou sal no chão e pendurou calcinhas no varal como bandeiras de rendição. Tina trouxe uma caixa de som velha, tocando um axé primitivo dos anos 90 misturado com gemidos gravados. Gláucia jogou água benta – ou o que ela chamava de água benta – no tapete, que ficou melado. Nanda alinhou vibradores, plugs e um pepino japonês roubado da geladeira. Kelly montou uma câmera, mas jurou que era só “pra registro pessoal”. Bruna espalhou brigadeiros numa bandeja, como se fossem hóstias. Gigi trouxe um espelho grande, pra “refletir a energia”.

O Mudo ficou no centro, nu, com a mochila ao lado e o pauzão em riste como um totem batendo continência. Ele era uma estátua de carne, o cacete rijo como um desafio que ninguém ousava aceitar sozinha. As sete se sentaram em círculo, cada uma com seu “instrumento” – consolos, dedos, eletrodomésticos. Juju começou, com uma voz que parecia vir do além.

– Isso não é só prazer. É verdade. Quem gozar primeiro, fala o que guarda na alma.

A música subiu, o axé se misturou com os gemidos, e a orgia começou. Tina rebolava, cantando “Rebola sem freio” enquanto esfregava um consolo roxo no clitóris. Gláucia rezava em libras, com o vibrador na nona velocidade, gritando “Expulsa, Senhor!”. Nanda montou o aspirador robô, que girava em círculos enquanto ela xingava o capitalismo. Kelly, com a cauda de raposa no cu, gemia pro espelho, como se fosse o chat da live. Gigi gozava em câmera lenta, com lágrimas escorrendo pro tapete. Bruna, com leite pingando das tetas, se tocava e oferecia brigadeiros pro Mudo, que não pegou. Juju, com as cartas espalhadas, parecia ver coisas que não contava.

O Mudo não se mexia, mas estava lá, o centro de um furacão de carne e alma. A casa tremia, as velas piscavam, e o varal de calcinhas balançava como se tivesse vento. Então, veio o primeiro orgasmo – Gláucia, claro. Ela caiu de lado, com a Bíblia no colo e a boca espumando, gritando algo em aramaico que ninguém entendeu.

– Me perdoa, Senhor, eu sou fraca! – confessou, com lágrimas nos olhos. – Uso a fé pra sentir o fogo, porque sem isso eu sou só uma velha com medo do inferno!

O silêncio caiu, mas o ritual continuou. Tina gozou em seguida, jogando o consolo na parede.

– Eu minto pra mim mesma! – gritou, com o rímel borrado. – Falo que sou uma lenda, mas tenho pavor de ser esquecida. Sem o palco, eu não sou nada!

Nanda, suada e com o aspirador fumegando, riu antes de ceder.

– Objetos me aceitam – disse, com a voz rouca. – Pessoas não. Por isso fodo máquinas. Elas não me julgam.

Kelly, ainda se tocando, parou de olhar pro espelho.

– Eu entro ao vivo na internet pra me sentir viva – admitiu. – Sem o chat, eu sou só uma mina sozinha com um fone enfiado na buceta.

Gigi, com lágrimas misturadas ao lubrificante, jogou o celular no chão.

– O pornô é minha gaiola – confessou. – Fui miss, fui rejeitada, e agora gozo pra quem me paga. Mas odeio cada Pix que recebo.

Bruna, com o filho dormindo no quarto, chorou baixinho.

– Tenho medo de não ser boa mãe – sussurrou. – Uso o leite dele pra me sentir útil, mas e se meu filho me odiar por isso?

Juju foi a última. Ela não gozou, mas jogou as cartas no chão.

– Eu leio o futuro pra não encarar o presente – disse, com os olhos fixos no Mudo. – As cartas são minha muleta, porque sem elas eu perco o equilíbrio.

A casa parou de tremer. As velas apagaram sozinhas, e o varal caiu, espalhando calcinhas pelo chão. O Mudo, pela primeira vez, sorriu – um sorriso mínimo, quase cruel, que fez o coração de todas acelerar. Gláucia, ainda no chão, pegou a Bíblia e viu que estava aberta no Apocalipse. Kelly desligou a câmera. Tina limpou o rosto. Nanda chutou o aspirador. Gigi abraçou Bruna. Juju pegou uma carta que ninguém viu: a Torre, de novo.

– O caos tá aqui – disse ela, olhando pro Mudo. – E tu sabe disso, né?

Ele não respondeu, mas levantou, pegou a mochila e foi pro quarto. A porta bateu, e o silêncio voltou, pesado como chumbo. As mulheres ficaram na sala, nuas, meladas, com as almas expostas. Pela primeira vez, não brigaram. Não gritaram. Não gozaram de novo. Só se olharam, como se vissem umas às outras pela primeira vez.

Mas a casa não dormiu. Um rangido veio do sótão, e uma luz piscou, como se risse. O ritual tinha limpado algo, mas também tinha aberto uma porta – e ninguém sabia o que estava do outro lado.

O Mistério do Pau Desaparecido

A casa amanheceu silenciosa – e não era só por causa do Mudo. Após o ritual da siririca coletiva, a casa parecia em luto. As paredes, antes vibrantes com gemidos e rangidos, agora estavam quietas, com rachaduras que pareciam cicatrizes. O cheiro de incenso deu lugar a um vazio. As sete mulheres, ainda marcadas pelas confissões da noite anterior, andavam como fantasmas, evitando se olhar. O varal de calcinhas, caído no chão, era a única prova de que o caos tinha sido real.

Mas o pior veio ao meio-dia, quando Tina, com ressaca de axé e lágrimas, bateu na porta do quarto do Mudo.

– Tripé, abre aí! Tô precisando de um café com rola! – gritou, com o consolo roxo na mão, como um cetro inútil. Silêncio. Ela forçou a maçaneta, e a porta cedeu. O quarto estava vazio: a mochila sumira, o colchão nu, o ar frio como um tapa. No espelho embaçado, uma frase escrita com leite condensado pingava lenta: *“Vocês são o inferno mais gostoso que já estive. Fui.”*

– Filho da puta! – berrou Tina, jogando o consolo contra o espelho. O vidro rachou, e o som ecoou pela casa, chamando as outras.

Gláucia chegou rezando, com a Bíblia tremendo nas mãos.

– Ele era o capeta, eu sabia! Levou nossa paz! – disse, mas a voz falhou, como se ela sentisse falta do demônio.

Gigi, com o celular sem bateria, caiu sentada no chão.

– Minha live... meus Pix... acabou tudo – murmurou.

Kelly, sem a cauda de raposa, parecia menor, quase frágil.

– O chat vai me abandonar. Quem vê stream sem o Tripé? – disse, olhando o notebook desligado.

Nanda chutou o aspirador, que rolou até a parede.

– Ele era só um macho. Não preciso de macho pra nada – rosnou, mas os olhos brilhavam com algo que parecia dor.

Bruna, com o filho no colo, tentou acalmar.

– Vamos fazer brigadeiros, meninas. A gente supera – disse, mas o leite não pingava mais, como se até os peitos soubessem da perda.

Juju, no canto, segurava o baralho erótico, mas não tirava carta nenhuma.

– Ele não era só um pau – disse, com a voz baixa. – Ele era um espelho. E agora a gente tá sem reflexo.

A casa entrou em um colapso silencioso. Tina parou de cantar, e o chuveiro secou. Gláucia guardou o vibrador e tentou ler Salmos, mas as palavras ficavam tortas. Gigi apagou as lives do celular, com medo de se ver. Kelly desligou a webcam e jogou o fone no lixo. Nanda trancou o aspirador no armário, como se ele a tivesse traído. Bruna amamentava o gato, porque o filho não queria mais o peito. Juju jogou as cartas no sótão e desceu com um vazio que pesava mais que ela.

Chamaram a polícia, porque o desespero faz coisas idiotas. Dois PMs vieram, um gordo e outro magrelo, com cara de quem preferia estar em outro lugar. Olharam o quarto, a frase no espelho, e riram.

– Isso aqui não é desaparecimento, não é com a polícia – disse o gordo, pegando dois brigadeiros que Bruna ofereceu. Gigi, num impulso, bateu uma punheta rápida no magrelo atrás da porta, só pra “aliviar a tensão”. Eles foram embora com sorrisos tortos e nenhuma resposta.

Os dias passaram, e o sobrado virou um túmulo. Os vibradores ficaram sem pilha, os consolos juntaram poeira, e o varal de calcinhas apodreceu no quintal. Os entregadores do iFood pararam de chegar, porque não havia mais pedidos de lubrificante ou pepinos japoneses. O bairro, aliviado, começou a esquecer a casa. Mas as sete não esqueciam. Carregavam o Mudo como uma tatuagem que coça na virilha.

Uma semana depois, Tina tentou cantar no chuveiro, mas chorou no refrão de “Rebola sem freio”.

– Eu era alguém, porra – sussurrou, com o consolo na mão, sem coragem de usar.

Gláucia, sem o vibrador, rezou de verdade pela primeira vez em anos.

– Senhor, me perdoa por usar tua palavra pra gozar – disse, com a Bíblia no colo, sentindo um vazio que não explicava.

Nanda abriu o armário e encarou o aspirador.

– Tu me aceitava, né? – murmurou, mas não ligou o botão. Pela primeira vez, quis tocar uma pessoa, não uma máquina.

Kelly sentou na frente do notebook desligado.

– Eu existo sem o chat, não existo? – perguntou pro vazio, com medo da resposta.

Gigi olhou o espelho e viu rugas que nunca tinha notado.

– Eu sou mais que um Pix, né? – disse, mas o reflexo não respondeu.

Bruna, com o filho dormindo, parou de fazer brigadeiros.

– Ele vai me amar mesmo se eu falhar – sussurrou, abraçando o bebê, com um fio de esperança.

Juju subiu no sótão, pegou uma carta que tinha jogado fora: “A Estrela”, agora de pé.

– Sempre tem luz depois de dar o cu, né? – riu sozinha, com um peso saindo do peito.

Naquela noite, as sete se reuniram na sala, sem velas, sem vibradores, sem briga. Sentaram no tapete melado, com pizza fria e cerveja quente, e falaram. Não sobre o Mudo, mas sobre elas. Tina admitiu que queria voltar a cantar, nem que fosse num inferninho vazio. Gláucia disse que ia rezar sem cobrar dízimo. Nanda confessou que sentia falta de abraços. Kelly prometeu fazer lives com roupa, pelo menos uma vez. Gigi jurou fazer algo além de lives. Bruna falou do sonho de abrir uma confeitaria de verdade. Juju riu e disse que ia ler as cartas pra ajudar, não pra assustar.

– Ele foi um espelho, mas a gente é o reflexo – disse Juju, e todas assentiram, com um nó na garganta.

Então, o celular de Kelly apitou. Uma notificação da deep web, no grupo onde ela ainda não tinha saído: *“Nova live de Siriric4_420: O Mudo Volta e Vem com Amigos”*.

O silêncio explodiu em risadas, gritos e xingamentos. Tina ligou a caixa de som. Gláucia pegou a Bíblia, mas riu. Nanda abriu o armário. Gigi correu pro espelho. Bruna ofereceu um brigadeiro congelado. Juju tirou uma carta: “O Sol”. Kelly ligou o notebook, e lá estava ele – o Mudo, bronzeado, com o mesmo olhar que engolia almas, cercado de outros caras que ninguém conhecia. A câmera tremia, a casa berrava, e o som de axé voltou a ecoar.

– Filho da puta gostoso! – gritou Tina, já rebolando.

As sete se juntaram na frente da tela, com cervejas na mão e calcinhas no varal da alma. A siririca recomeçou, mas agora era diferente – não era competição, era celebração. A casa tremeu, não de medo, mas de vida. E, no canto da tela, o Mudo sorriu, como se soubesse que aquela parte gostosa do inferno jamais acabaria.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Rico Belmontã a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários