Acordei com alguma coisa quente presa ao meu peito, demorei alguns segundos para perceber que era a Pink. Ela dormia agarrada em mim como se tivesse esquecido completamente o resto do mundo. O cabelo rosa estava uma bagunça absoluta, espalhado pelo travesseiro e pelo meu braço. Uma das pernas estava jogada por cima da minha cintura e a respiração calma dela batia contra minha pele num ritmo lento.
Fiquei encarando o teto por alguns segundos, a chuva da noite passada tinha parado. E então a realidade veio igual um soco, responsabilidades, compromissos, conta para pagar, vídeo para editar, cliente surtado esperando prazo. Suspirei baixo, tentei me mexer sem acordar ela, o que foi completamente inútil.
— Não se atreva a fugir da minha cama assim — a voz dela saiu rouca e sonolenta contra meu peito.
— Eu tenho coisas para fazer.
— Mentira.
— É verdade.
Ela soltou um gemido dramático de reclamação e se apertou ainda mais contra mim.
— Você devia largar tudo e virar vagabundo profissional comigo.
Sorri sozinho. Pink finalmente levantou o rosto para me olhar. Parecia completamente diferente daquela garota provocativa da câmera. Sem maquiagem, sem personagem, sem expressão exageradas, só ela.
— Que horas são? — ela perguntou ainda claramente destruída de sono.
— Quase dez — disse quando peguei o celular na cabeceira.
Ela enterrou o rosto no travesseiro imediatamente iniciando um choro.
— O cliente vai matar a gente.
— O cliente pode esperar algumas horas.
— Gabriel, você não entende — ela virou o rosto para mim de novo. — Gente com fetiche estranho e dinheiro alto é sempre emocionalmente instável.
— Foi você que falou que o cliente podia esperar, ontem a noite, lembra?
Ela abriu os olhos, um pouco arregalados e logo soltou uma risada.
— É verdade, eu falei mesmo.
Ela finalmente me soltou, ainda contrariada, enquanto eu levantava da cama procurando minhas roupas espalhadas pelo quarto, o cenário parecia pós-guerra, roupa no chão, coberta torta, tripé quase caindo perto da parede, uma ring light ainda ligada desde a noite anterior. Pink observava tudo sentada na cama, abraçando o travesseiro contra o peito.
— A gente transou igual dois animais.
Joguei a camiseta nela.
— Coloca uma roupa.
— Você é muito mandão.
— Eu não vou conseguir me concentrar no trabalho com você completamente nua desse jeito.
Ela mostrou a língua para mim antes de vestir minha camiseta, pouco tempo depois estávamos os dois largados na sala, eu no notebook, ela atravessada no sofá assistindo a barra de renderização como se estivesse assistindo uma cirurgia delicada.
— Isso aí não consegue ir mais rápido?
— Não.
— E se eu rezar?
— Também não.
Pink puxou uma almofada e cobriu o rosto.
— A gente devia ter feito isso ontem — ela resmungou.
Olhei para ela, nem valia a pena dar sermão, apenas concordei. Continuei editando enquanto ela reclamava da demora e de literalmente tudo, internet, renderização, exportação, upload, humanidade, capitalismo e o preço absurdo da comida nos mercados. Em algum momento ela simplesmente escorregou no sofá até apoiar a cabeça na minha coxa.
— Você tá concentrado de novo — murmurou.
— Porque diferente de você, eu estou trabalhando.
— Eu também trabalho.
— Uhum — soltei uma risada involuntária. — Sabemos que você dá duro.
Ela levantou imediatamente só para me acertar uma almofada na cara. Não muito tempo depois, terminamos. O upload concluiu, nós dois ficamos encarando a tela em silêncio por alguns segundos. Então Pink levantou os braços como se tivesse acabado de vencer uma guerra.
— ENTREGAMOS NO PRAZO!
— Por milagre.
Ela pegou o celular correndo e enviou o material para o cliente enquanto andava pela sala de um lado para outro. Poucos segundos depois o celular vibrou. Pink arregalou os olhos.
— Ele respondeu rápido demais, isso nunca é bom — ela abriu a mensagem e depois começou a rir. — Ele literalmente respondeu que... é uma obra de arte.
— Um tarado poético.
— Acho que estamos oficialmente virando profissionais.
Olhei para ela apoiada no balcão da cozinha, sorrindo igual uma criança que acabou de aprontar a maior besteira possível. E talvez estivéssemos mesmo. Pouco depois precisei ir embora mesmo, Pink me acompanhou até a porta ainda usando minha camiseta.
— Então… — ela cruzou os braços. — Você vem aqui hoje de novo, né?
— Você está me convocando profissionalmente ou pessoalmente?
— Os dois.
— Vou pensar no seu caso.
— Ah, é assim que trata sua parceira de trabalho? — ela estreitou os olhos imediatamente.
— Tá, eu venho.
— Melhor assim.
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ela segurou minha camisa e me puxou para um beijo rápido, rápido demais. E quando ela se afastou, eu ainda fiquei parado olhando para ela igual um completo idiota, Pink sorriu imediatamente ao perceber.
— Gosto dessa cara que você faz depois que eu beijo você — ela abriu a porta. — Vem hoje à noite, quero testar algumas ideias.
Fui para casa, resolvi minhas coisas, inventei uma desculpa para a minha mãe e voltei para o apartamento dela já de noite. Dessa vez Pink abriu a porta antes mesmo que eu terminasse de bater, ela parecia elétrica, animada num nível perigosíssimo.
— Você demorou — disse já me puxando para dentro.
— Boa noite para você também.
— Vem, presta atenção nisso aqui.
Nem tive tempo de responder, ela já estava arrastando móveis pela sala, um puff tinha ido parar no meio do quarto, a ring light estava posicionada num ângulo completamente diferente e tinham duas câmeras montadas agora. Parei olhando tudo em silêncio, principalmente porque foi só ali que eu percebi que havia esquecido minha câmera na casa dela.
— Ok… o que exatamente aconteceu aqui? — perguntei deixando minha bolsa em qualquer canto.
— Pensei num enquadramento mais baixo — Pink subiu descalça no puff e apontou para a câmera principal, que ficaria atrás dela, depois apontou para a segunda câmera que ficaria em sua frente. — E essa aqui pega minha reação.
Ela falava rápido demais quando ficava empolgada.
— E aí — continuou — a iluminação vem daqui, mas a sombra fica mais suave desse lado, então...
Por um momento parei de prestar atenção, porque lembrei muito do Chaves quando ficava empolgado, “e zas, e zas”.
— Pink.
— O quê? — ela virou para mim, com as pupilas completamente dilatadas.
— Respira.
Ela parou no meio da explicação, depois começou a rir sozinha.
— Desculpa.
— Você tomou energético ou usou cocaína?
— Talvez os dois.
Desviei os olhos para o cenário improvisado de novo, honestamente? Ela tinha pensado bem, muito bem, aquilo poderia dar muito certo.
— Isso funciona — falei me aproximando das câmeras. — Na verdade… funciona muito.
Pink abriu um sorriso enorme, assumi os ajustes enquanto ela continuava andando pelo quarto me mostrando ideias de ângulo, posição, iluminação, distância, sombra e estética. E quanto mais ela falava, mais eu percebia que ela realmente gostava daquilo. Talvez não fosse somente sobre dinheiro, ela gostava de criar, gostava da performance, da fantasia, da câmera. Depois de quase meia hora mexendo em tudo, finalmente terminei os ajustes.
— Pronto — falei. — Agora depende de você.
— Isso me deixa com um tesão do caralho.
Ela desapareceu pelo corredor antes que eu respondesse, fiquei sozinho no quarto observando o cenário pronto, as luzes, as câmeras, o puff no centro, o silêncio. Então ouvi os passos dela voltando, quando levantei os olhos, meu cérebro simplesmente parou. Pink apareceu na porta usando uma lingerie rosa tão absurda que parecia mais um desafio direto à minha sanidade do que uma peça de roupa. Ela sorriu devagar ao perceber minha reação.
— O quê? — perguntou inocentemente. — Acertei no figurino, não é?
Não consegui responder, Pink pareceu satisfeita demais com isso. Ela caminhou lentamente até o puff no centro do quarto, se ajoelhou sobre ele e ficou me olhando.
— Vou precisar que meu parceiro de cena volte para a realidade, temos trabalho a fazer.
Ok, viajei por um momento.
— Certo, como vamos fazer?
— Pode continuar de roupa por enquanto, quando começar a gravar, a única coisa que você precisa fazer é ficar do meu lado e bater no meu rosto com o seu pau. Depois você vai ali atrás e me trata igual uma puta, igual ontem à noite — ela disse enquanto balançava o rabo para mim.
Aquilo era perigoso, perigosamente excitante. Ok, me preparei um pouco, tentei clarear a mente e então, apertei para gravar.
— Tá gravando — avisei.
— Certo, vamos fazer nosso melhor!
Me posicionei ao lado de Pink, ela esfregou o rosto no meu pau por cima da calça. Agarrei o cabelo dela e forcei um pouco mais aquele momento. Ela entrou de vez no personagem, lambia a calça, sorrindo feito uma putinha no cio. Quando ela colocou a língua para fora a direcionou para a câmera, puxei seu cabelo e enfiei dois dedos em sua boca, puxei sua língua, brinquei um pouco ali enquanto a saliva começou a escorrer pelos cantos da boca. Então, me afastei um pouco, fiquei fora de cena e tirei toda a roupa. Voltei após alguns segundos com meu pau extremamente duro no rosto de Pink, aquilo era tão excitante que parecia ter tomado Viagra, de tão duro que estava.
Ela teve algumas reações exageradas para a câmera, chegou até ficar vesga olhando para a minha rola, aquela atuação de atriz pornô que vocês devem conhecer. Agarrei novamente o cabelo dela, esfreguei meu cacete em seu rosto enquanto ela gargalhava, bati uma última vez meu pau em sua bochecha e então, enfiei direto na garganta dela, comecei a foder sua boca igual aquele dia, ao mesmo tempo, com a câmera atrás também gravando, puxei a calcinha de lado e comecei a dar uns tapas de leve em sua buceta, ela instantaneamente abriu um pouco as pernas e empinou um pouco mais a bunda. Enfiei dois dedos ali e comecei a masturbá-la rápido, forçando um orgasmo precoce enquanto ela babava e engasgava com meu cacete enfiado na garganta dela.
Vocês tinham que ouvir os gemidos dela, era coisa de filme pornô mesmo. Tirei os dedos melados da buceta dela, tirei meu pau e enfiei os dedos em sua boca, misturando a saliva junto ao mel, ela recebeu aquilo com o maior prazer, chupou os dedos, gemendo enquanto chupava.
— Ok, aqui a gente faz um corte — ela falou tentando recuperar um pouco do fôlego. — Você tá pegando o jeito, parece que nasceu para me foder em frente às câmeras.
Apenas sorri, me posicionei atrás dela e então percebi algo.
— Hum, isso é ruim.
— O que? — ela virou a cabeça me olhando por cima do ombro. — O que é ruim?
— A câmera desse jeito vai pegar mais a minha bunda do que a sua.
— Hum, a gente pode fazer um dinheiro com isso, hein? — ela riu. — O que acha?
— Não, não, não. Fora de cogitação.
Ajustei a câmera, tive que erguê-la um pouco para ter um melhor enquadramento.
— Quando começar, vai com força e não precisa ter dó de mim.
— Tem certeza?
— Sim, quero minhas reações o mais cruas possíveis.
— Ok.
Certo, agora me posicionei atrás dela de verdade, fiquei parado por alguns segundos para facilitar na hora do corte de transição. Então, com o pau ainda todo babado, direcionei para a buceta de Pink e enfiei tudo de uma vez. Ela gemeu alto, agarrei seu quadril com as duas mãos, apertando forte e comecei a meter com violência, rápido, ferozmente, arrombando Pink enquanto ela encarava diretamente a câmera fazendo suas caras e bocas com o rosto melado da própria saliva. Agarrei seu cabelo de novo, puxei, dei diversos tapas na sua bunda que naquela altura já estava toda vermelha.
— Puta que pariu, caralho — ela exclamava, revirando os olhos. — Isso é bom pra cacete.
Passei uns bons minutos fodendo ela daquele jeito, com direito a alguns orgasmos que faziam suas pernas tremerem e ao mesmo tempo, corando suas bochechas, e eu, coninuei metendo sem parar um segundo sequer. Foi então que tive uma ideia.
— Pink, deita no puff, barriga para cima.
— Adoro quando você manda desse jeito.
Ela obedeceu, falei também para ela ficar com os braços para cima, agarrando o puff se necessário. Peguei minha câmera e comecei a filmar do meu ponto de vista, sem aviso e nem nada, voltei a fodê-la, pegando uma reação fofa dela, gemendo sentindo meu pau abruptamente dentro dela de novo. Ergui uma das pernas com a mão livre e voltei a fodê-la com força, sem dó. Seus peitos pequenos balançavam um pouco, na barriga dela formavam uns pneuzinhos. Porra, aquele vídeo ia vender demais.
Continuei fodendo ela, as reações da Pink eram um misto, uma hora ela ria alto, outra hora parecia que não iria aguentar mais nada e logo gozava, outra hora mordia a boca com força enquanto eu metia mais forte ainda. Mas sempre gemendo, gemidos de putinha misturados com o barulho do meu corpo batendo no dela.
— Goza dentro de mim, me enche de porra — ela disse com os dentes cerrados, percebendo que não demoraria muito para eu gozar.
Obedeci, sem pensar muito, mais algumas estocadas e estava enchendo sua buceta de porra. Tirei meu pau e tentei enquadrar a câmera o máximo possível para ver o esperma escorrendo para fora, indo direto para o puff. Pink estava ofegante, olhou para a câmera com os olhos meio fechados, mandou um beijo e então finalizei a gravação.
— Puta que pariu! Você gozou mesmo dentro?
— É — respondi percebendo o tamanho da merda.
— Meu Deus, você que é a voz da razão aqui, você não devia ter me escutado.
Passei os próximos cinco minutos ouvindo um sermão da Pink. Sim, um sermão dela, sobre como fui irresponsável. Poderia rebater e iniciar uma briga ali, mas estava ocupado demais pensando em como resolver aquilo.
— Relaxa — falei segurando o rosto dela ainda melado entre as mãos. — Deixa comigo que eu resolvo.
Pink ainda parecia pronta para continuar brigando comigo por mais uns vinte minutos, mas aos poucos foi ficando quieta. Talvez porque soubesse que naquele momento não adiantava surtar. Talvez porque nós dois estivéssemos cansados demais para transformar aquilo numa guerra. No fim, acabamos sentados no chão do quarto no meio dos equipamentos, das luzes e do puff torto enquanto ela ainda reclamava da minha irresponsabilidade e eu fingia aceitar o sermão com dignidade.
E então a vida simplesmente aconteceu rápido demais.
Dois meses.
Dois meses de gravações, edição, clientes estranhos, pedidos absurdos, noites viradas trabalhando e dinheiro entrando num volume que eu honestamente nunca tinha visto na vida. O apartamento da Pink deixou de parecer um apartamento, virou um caos operacional. Cabos espalhados pela sala, caixas de iluminação encostadas na parede, figurinos jogados em cima do sofá, tripés ocupando espaço na cozinha e duas ring lights que simplesmente passaram a fazer parte da decoração oficial do lugar.
E naquele momento específico, nós dois estávamos parados na frente de uma casa gigantesca tentando processar o fato de que talvez aquilo estivesse prestes a piorar. Ou melhorar, ainda não tínhamos decidido.
— Gabriel… — Pink falou baixo enquanto olhava para a fachada. — Isso aqui é ridiculamente grande.
A casa parecia coisa de filme. Dois andares, janelas enormes, varanda ampla e espaço suficiente para umas quinze pessoas viverem ali dentro sem se esbarrarem, olhei novamente para o anúncio aberto no celular.
— O aluguel é real mesmo? — perguntei.
— Eu já perguntei isso três vezes pro corretor.
— E ele respondeu?
— “Sim senhora, o valor está correto.”
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Pink segurou minha mão antes de subir os primeiros degraus.
— Se isso aqui tiver um porão onde arrancam órgãos, eu quero deixar registrado que a culpa foi sua — falei novamente.
— Engraçado você falar isso, porque foi exatamente assim que nossa história começou.
Ela começou a rir imediatamente, a porta abriu logo depois e o corretor apareceu com um sorriso treinado.
— Fiquem à vontade para olhar tudo com calma — ele disse enquanto nos deixava entrar.
A primeira coisa que senti foi espaço, muito espaço. A sala principal era enorme, iluminada e com um eco leve quando Pink atravessou o ambiente olhando tudo como uma criança entrando num parque de diversões.
— Meu Deus… — ela girou devagar observando o teto alto. — Gabriel, isso aqui dava um cenário perfeito.
— Aposto que você olhou a casa por exatamente quatro segundos antes de pensar em câmera e gravações.
— E você demorou quanto tempo?
Não respondi, ocupado demais imaginando iluminação, enquadramento, isolamento acústico, espaço para equipamento, edição, armazenamento e até cenário temático.
Meu Deus.
Nós realmente estávamos virando uma empresa pornô. Pink praticamente correu até um dos corredores.
— VEM VER ISSO AQUI!
Segui ela até um cômodo absurdamente espaçoso.
— Isso aqui podia virar um estúdio completo — ela falava cada vez mais rápido conforme se animava. — Tipo… cenário fixo mesmo.
— Dá até pra dividir ambientes.
— EXATAMENTE!
Ela apontava para tudo enquanto falava.
— Aqui gravação principal… ali iluminação… aqui maquiagem… talvez um fundo móvel…
Parei olhando ela completamente empolgada no meio daquele cômodo vazio, voltei para a sala principal e imaginei um sofá ali, talvez um divã, dá para fazer muita coisa com um divã.
Saímos para fora para ver a área da piscina e foi ali que a ficha realmente caiu, aquilo deixou de ser improviso fazia tempo, nós não éramos mais duas pessoas gravando vídeos amadores num apartamento pequeno.
Aquilo já tinha virado nosso trabalho de verdade.
