Três Dias, Três Paus, Três Decisões - Parte 5

Um conto erótico de Mark da Nanda.
Categoria: Heterossexual
Contém 3332 palavras
Data: 26/05/2026 20:19:19

Ela assentiu devagar. Desceu do carro e pegou sua mochila no banco de trás. Antes de Breno partir, voltou até a janela do passageiro e disse uma última vez:

- Eu te amo, Breno. De verdade. Mesmo que você nunca mais acredite em mim.

Ele não respondeu. Apenas olhou a olhou de soslaio, forçando sua atenção para a frente.

Ynara ficou parada na calçada, abraçando a mochila contra o peito, vendo o Uno se afastar devagar. Dentro do carro, Breno sentiu as primeiras lágrimas quentes descerem pelo rosto machucado. Não soluçou. Apenas deixou que caíssem enquanto dirigia para casa, sentindo que aquela história ainda não havia acabado.

[CONTINUANDO]

Breno não foi diretamente para sua casa naquele dia. Decidiu parar antes no boteco do Alemão, um conhecido seu de longa data. Ali bebeu como se o final dos tempos estivesse próximo. Alemão tentou conversar, tentou animá-lo, tentou de tudo, mas a única coisa que conseguiu foi enviá-lo para casa numa carona arranjada com um taxista conhecido. O Uno aguardaria até o outro dia por segurança.

Quando finalmente entrou no apartamento pequeno, o cheiro familiar de lar o atingiu como um soco. O perfume doce de Ynara ainda pairava no ar da sala, aquele mesmo creme corporal de baunilha que ela costumava passar depois do banho. Breno foi direto para o banheiro e abriu o chuveiro no máximo. Ficou ali meia hora com a água escaldante caindo, tentando afogar as lembranças que teimavam em ficar, esfregando a pele até ficar vermelha como se ele tivesse cometido alguma sujeita. Mesmo assim ele via tudo como um filme em 4K: A calcinha vermelha balançando como um troféu. Ynara erguida por Dogão, pernas trançadas na cintura dele, saia na cintura, bunda exposta. O gemido rouco que ela soltou quando Dogão a beijou com fome. Ruan por trás, mãos enormes apertando aqueles quadris que Breno pensou que seriam só dele.

Ele socou a parede do banheiro. Uma vez, depois outra e mais outra. A pele dos nós dos dedos abriu de novo. Mas estranhamente a dor física foi bem-vinda, pois era uma constatação de que a realidade ainda poderia existir sem ela.

Nos primeiros dias, Breno viveu em modo automático. Trabalhava de casa, respondia e-mails com textos “pro forma”. Mal comia. Dormia pouco. Quando conseguia fechar os olhos, acordava suado não muito tempo depois com o pau duro e o peito apertado de ódio. Odiava a si próprio por ainda reagir à imagens que seu subconsciente criava de Ynara sendo fodida. Odiava mais ainda por, em alguns sonhos, ele estar junto dela, ora assistindo, ora participando. Mas uma coisa era certa: sempre que acordava, ele se sentia sujo.

No quarto dia, ele apagou todas as fotos dela em suas redes sociais. Depois apagou as que tinha em seu celular, mas logo entrou na lixeira e recuperou algumas. “Só para recordação...”, justificava para si mesmo. Estranhamente, ele as salvou numa pasta chamada “Impostos”, protegida por senha. E sentiu nojo de si mesmo por isso.

Amigos notaram que ele estava diferente e após aquela “limpa” dada em suas redes sociais, souberam que algo não ia bem. Os mais próximos entraram em contato, oferecendo apoio, conforto, ou apenas um ombro amigo, mas Breno não teve coragem de aceitar, afinal, como contar o que ele sofrera naquele maldito festival?

No sexto dia, decidiu ocupar o tempo que Ynara deixou vago. Achou uma academia 24h perto de casa e escolheu uma disciplina bastante óbvia: boxe. Batia no saco de areia até os músculos queimarem, imaginando o rosto de Dogão. O corpo magro começou a endurecer rápido e músculos não tardariam a crescer. Os hematomas do festival começaram a sumir, mas a chaga no peito parecia que não fecharia nunca.

A alguns quilômetros dali, a vida de Ynara não seguia muito mais fácil. Apesar de morar com seus pais, a culpa foi a única companheira que realmente se fez presente. E ela era perversa, um verdadeiro monstro de duas faces.

Havia a culpa legítima, pesada, que a fazia se sentir a pior pessoa do mundo, afinal, ela tinha traído o homem que a amava de verdade, que a tratava bem, que planejava um futuro com ela. Breno não merecia aquilo, nunca mereceu. Ele podia não ser o melhor amante do mundo, mas ainda era novo, poderia aprender. Eles poderiam aprender isso juntos! Ela se lembrava do seu olhar naqueles segundos finais, vazio, gelado, e sentia vontade de vomitar.

Mas havia outra. Uma que sussurrava do escuro de seu íntimo, levando-a a se tocar quase sem querer. Essa fazia questão de relembrá-la do corpo de Dogão possuindo-a sobre o colchonete fétido da barraca verde, lambendo seu rosto como se ela fosse uma vadia de esquina. Lembrava também do pau grosso de Ruan abrindo seu cu de quatro enquanto Dogão enchia sua boca, segurando seus cabelos como se fossem um cabresto. O prazer animal, bruto, diferente de tudo que Breno já tinha dado, havia surpreendido Ynara de uma forma que não imaginara, e a marcou. Ela lembrava dos orgasmos, de alguns deles, e foram mais fortes do que conseguia lembrar em meses.

Ynara estava destruída. Os estudos começaram a ser deixados de lado, pois ela só fazia chorar. Aliás, chorava no quarto da casa dos pais até o peito doer e o ar faltar. Mal comia. Num primeiro momento, seus pais acharam que era uma coisa normal, uma briguinha de casal. Mas o sumiço repentino e repetitivo de Breno fizeram mudar de ideia.

No quinto dia, sua mãe bateu na porta até Ynara a atender. Entrou sem ser convidada, como se fosse necessário isso dentro de sua própria casa e cobrou da filha uma justificativa para o que estava acontecendo:

- Tá, Naná... Ou você conta o que está acontecendo, ou vou pedir para o seu pai vir falar com você?

- Não, mãe!

- Então, fala!

Ynara se pegou revisitando suas lembranças, a culpa brigando ferozmente com a sensação de liberdade e prazer. No embate direto, a culpa ganhava, mas no confronto a longo prazo, Ynara tinha suas dúvidas:

- Não... Não consigo... – Choramingou.

Sua mãe viu que não adiantava insistir. Algo estava matando Ynara de dentro para fora. Decidiu fazer então o que qualquer mãe faria: ofereceu abrigo, ombro e disponibilidade. Ela falaria quando quisesse, se quisesse:

- Por que não conversa com a Soninha?

- Soninha!?

- É, filha. A Soninha é psicóloga. Ela pode te ajudar.

- Ela é sua amiga, mãe. Não vou falar com ela.

- Ela é uma psicóloga, uma pessoa extremamente correta. Se você pedir que ela guarde segrego, ela guardará. E eu não perguntarei nada. Prometo.

Ynara resistiu dois dias. No sétimo, a exaustão emocional venceu. Sua mãe adiantou o assunto com a amiga e Soninha marcou uma sessão informal em sua casa, apenas um café entre ela e Ynara. Custou para ela sair da cama, mas ela devida isso à mãe, talvez a si mesma, certamente ao próprio Breno, pois entender tudo poderia lhe dar alguma resposta e a ele também.

No dia combinado, Ynara e sua mãe foram até a casa de Soninha. Ynara tinha os olhos inchados, o cabelo preso de qualquer jeito, uma blusa larga que escondia o corpo que agora lhe causava vergonha. Tomaram um café simples no qual Ynara pouco interagiu. Sua mãe então disse que precisava sair para “cuidar de alguns assuntos”, mas que voltaria logo para busca-la. Assim que saiu, Soninha começou:

— Sua mãe me disse que você anda triste, Ynara.

Ynara não respondeu verbalmente, mas o “beiço” que fez foi resposta suficiente:

- Quer falar para mim o que aconteceu? Prometo que não contarei para ninguém, nem mesmo para sua mãe se você não quiser.

- Não quero.

- Ótimo, então... É uma promessa que estou te fazendo: tudo o que conversarmos aqui, ficará aqui. Tudo bem?

Ynara apenas acenou positivamente, dando por entendida a questão:

- Ótimo! Pode começar quando quiser. — Insistiu Soninha com uma voz suave, aproximando-se ainda mais de Ynara e tocando de leve sua mão: — Não tenha pressa. Faça ao seu tempo...

Ynara respirou fundo. Seus olhos marejaram novamente, mas nenhuma lágrima caiu. Então, uma voz rouca de tanto chorar tomou lugar:

— Eu traí meu namorado, Soninha... – Ynara desviou o olhar, envergonhada de sua honestidade, a única coisa ali agora que deveria lhe dar algum orgulho: - Eu traí feio. No festival que a gente foi dias atrás, eu… eu transei com outras pessoas... mulheres e homens... dois caras ao mesmo tempo.

Ynara tomou ar, tentando se controlar:

- Breno sabia?

- Não... – Ynara resmungou, uma lágrima correndo solta enfim: - Ele estava apagado, passando mal. Só que ele viu tudo na manhã seguinte. Me flagrou saindo da barraca deles, sem calcinha, rindo como uma idiota, como se eu tivesse feito só uma brincadeira de criança...

Surgiu um silêncio. Soninha apenas assentiu, sem julgamento visível. Mas agora ela já tinha todo um panorama e começava a entender a “tristeza” de Ynara. Ela só precisava aprofundar para entender quais poderiam ser as consequências:

— E como você se sente em relação a isso hoje?

— Tenho nojo! Raiva de mim. Vergonha. Isso! Muita vergonha... — Ynara engoliu em seco: — Mas… também tem uma parte dentro de mim que não para de me massacrar, lembrando como foi bom. Como eu me senti desejada, forte, livre e... Como pode, Soninha? Como pode ter sido bom, se eu magoei a pessoa que mais amo? Isso me faz sentir ainda pior. Como se eu fosse uma pessoa horrível por ter sentido prazer enquanto ele sentia dor.

Soninha a olhou em silêncio, avaliando os sinais, analisando as respostas. Então, inclinou ligeiramente a cabeça na direção de Ynara, novamente tocando sua mão carinhosamente:

— Tá! Vamos separar as coisas primeiro, Ynara... – Soninha falou tão mansamente que Ynara quase teve que se esforçar para ouvir: - Primeiro, as justificativas que você consegue ver com clareza... O que aconteceu lá que facilitou isso?

Ynara riu, mas sem humor algum. Apenas sarcasmo puro, de si mesma:

— Tudo! Muita bebida, maconha, ácido… o clima do festival era de “tudo liberado”. Ninguém julgava, ninguém. As meninas do grupo falavam que “o que acontece no festival fica no festival”. E tinha o Dogão e o Ruan. Eles eram… imponentes.

- Imponentes... Bonitos, você quer dizer?

- É. Altos, fortes, cheios de presença... Eu me senti atraída, desejada de um jeito animal que o Breno nunca me deu. Não que o Breno seja ruim… ele não é! O Breno... ele é carinhoso, atencioso. Mas ali no festival... parece que aquele jeito dele não se encaixava. Então, o Dogão e o Ruan foram chegando, chegando, chegando... Quando eu vi, já tinha ido.

Ynara pausou. Os olhos ameaçando lavar suas justificativas:

— Eu sei que parece desculpa esfarrapada de “foi a droga”, “foi o clima”... Mas foi mesmo. Eu não estava no controle total. Só que… eu também não lutei contra. Eu... Eu... deixei rolar.

Soninha deixou o silêncio trabalhar um pouco antes de perguntar:

- Você já disse que o Breno não sabia... Mas vocês chegaram a cogitar algo assim antes de irem para o festival? Algo que pudesse ter te dado uma autorização inconsciente para ir adiante?

- A gente até brincou de véspera, dizendo que se encontrasse um casal e pintasse um clima, a gente poderia tentar deixar rolar. Mas o que aconteceu foi totalmente fora do que havíamos imaginado, entende?

— Entendo... – Concordou Soninha, desviando o olhar por um instante longo demais antes de se fixar em Ynara novamente: - E se Breno não tivesse visto, Ynara? Se ele não tivesse acordado cedo naquela manhã... você contaria a verdade para ele?

A pergunta caiu como uma pedra num lago parado, fazendo todo o mundo de Ynara balançar. Ela ficou quieta por bons segundos, talvez quase um minuto. Olhou para o lado, depois para baixo. Depois para Soninha. Quando respondeu, a voz saiu baixa, quase envergonhada:

— Provavelmente não.

Soninha não demonstrou surpresa:

— Pode me dizer por quê?

— Porque eu teria medo de perder ele. Medo de que ele me visse como uma vadia... como ele me chamou depois. Eu ia guardar pra mim. Ia carregar como um segredo sujo e gostoso ao mesmo tempo. Talvez um dia, se a gente estivesse muito bem e eu sentisse que ele aguentaria a verdade… talvez eu contasse uma versão light. Mas a verdade completa? Os dois juntos, gozando dentro, me fazendo de puta… Não! Isso eu não contaria.

Ela limpou uma lágrima com raiva. A mão esfregado o rosto como se ela quisesse tirar a pele, ou talvez a máscara de uma falsa moralidade:

— Isso me faz uma pessoa horrível, não faz? Saber que eu seria capaz de esconder algo tão grave dele?

— Não horrível... Mas faz de você humana. — Respondeu Soninha com calma: — Muita gente esconde coisas grandes de seus parceiros por medo da rejeição. Mas isso não tira a sua responsabilidade. Talvez o seu maior mal não tenha sido ser infiel ao Breno, mas desleal.

- Como assim!? – Perguntou Ynara, surpresa.

- O sexo com outros era uma possibilidade já aceita por vocês. Havia um combinado explícito, só os limites e a forma ainda precisavam ser dilapidadas. Mas você me disse que deixou o Breno apagado, bêbado, ou drogado, para se entregar ao sexo com os outros. Esse é o maior problema. Isso é desleal. Um parceiro, sempre deve cuidar do outro quando ele estiver vulnerável e você escolheu deixa-lo para viver a aventura.

- Mas... Mas... No primeiro dia, quando eu combinei com as meninas, a gente queria ele junto. Seria uma brincadeira entre eu, ele, e mais duas. Só que o Breno sumiu. Depois que fui saber que ele dormiu bêbado, num canto qualquer.

- Sim. E você, a parceira, a companheira, ao invés de procurá-lo para se certificar que ele estava bem, fez o quê? Transou com duas meninas.

- Tá, mas... No outro dia, todo mundo exagerou na bebida, só que apenas o Breno passou mal. A gente levou ele na enfermaria, onde ele foi medicado e depois o levamos até a nossa barraca.

- Certo. E depois?

- Eu... Eu ia ficar com ele. Juro. Mas me convenceram de que ele ficaria bem e daí eu... eu...

- Você escolheu entrar na barraca deles. E escolheu não contar depois. Daí veio o destino e te obrigou a enfrentar as consequências.

Ynara assentiu devagar. Lágrimas rolavam por sua face:

— Eu não sei de mais nada, Soninha. Uma parte minha realmente ama o Breno. Ele é bom, é estável, me respeita... Mas a outra parte parece que acordou no festival. Uma parte que queria ser desejada sem limite, sem culpa, sem compromisso. Como se eu tivesse vivido anos sendo a “namorada certinha” e de repente descobri que posso ser outra coisa. E essa descoberta tá me destruindo, porque eu não sei se consigo matar essa parte agora.

Soninha concordou com um aceno de cabeça algo antes de continuar:

— Essa parte que acordou… ela é nova ou sempre esteve aí, só adormecida?

— Devia estar. Acho... — Admitiu Ynara, quase num sussurro: — Eu já fantasiava com coisas assim antes, mas nunca tive coragem. O festival pareceu uma oportunidade imperdível com todas aquelas drogas, álcool, o ambiente em si. E para foder de vez, tinha aqueles dois caras que sabiam exatamente o que fazer com uma mulher como eu. Foi… Foi... avassalador.

Ynara respirou fundo. Suas mãos tremiam, mesmo estando sob a da Soninha:

— Eu não queria machucar o Breno. Juro. Mas eu quis viver aquilo. E agora eu pago o preço todos os dias. Ele não merece isso. Ele não merece uma mulher que faz o que eu fiz e que, se pudesse, talvez ainda escondesse.

Soninha deixou o peso da última frase pairar:

— Reconhecer isso já é um passo grande, Ynara. Não apaga o que você fez, mas mostra que você não está se vitimizando. Você está tentando olhar para a sua sombra em busca de luz. Isso exige coragem.

- E o que eu faço comigo? Com o Breno?

- Você já deu um primeiro passo. Falar é uma boa forma de se fazer entender. Agora, você precisa se perdoar, entendendo que errar é humano, e seguir em frente. Já ele precisa fazer o mesmo. Não porque tenha culpa, mas porque precisa colocar esse peso para fora. Só assim, ele conseguirá seguir em frente, com você ou sozinho.

Elas conversaram por mais uma hora e meia, e teriam ido além se a mãe de Ynara não tivesse retornado. Quando voltou para casa, Ynara se sentia um pouco mais leve, não aliviada, mas menos sufocada. Pela primeira vez, conseguira dizer em voz alta o que mais a envergonhava: que, se não tivesse sido flagrada, provavelmente teria guardado o segredo e isso mudava como ela própria via sua culpa. Paradoxalmente, essa honestidade foi o primeiro gesto de dignidade que ela conseguiu ter consigo mesma desde o festival.

Dois dias depois, Ynara mandou a primeira mensagem longa para Breno, após respeitar os tais dias de silêncio que ele havia pedido:

“Eu sei que você me odeia. Eu me odeio também. O que eu fiz foi imperdoável. Eu me perdi e te magoei. Não foi a droga, o clima, a atenção... Nada justifica o que eu fiz. Eu traí você. Traí a gente. Mas eu sei que te amo. Me dá uma chance de conversar? Por favor. Eu sinto sua falta.”

Breno leu. As palavras eram belas, mas o contexto era deplorável. Ele pensou muito em responder. Ensaiou diversas vezes, mas não respondeu. Simplesmente não conseguiu responder.

Ynara continuou mandando mensagens. Às vezes arrependida. Às vezes quase acusatória. Às vezes desesperada. Às vezes com áudios, chorando. Breno ouvia tudo. Depois deletava. Destruído.

Alguns dias depois, Ynara apareceu na porta do apartamento de Breno. Ele abriu só a fresta da corrente. Ela estava mais magra, olhos fundos, cabelo preso num coque bagunçado. Sem maquiagem. Sem encanto:

— Breno… — A voz dela titubeou por um instante: — Me deixa entrar. Só cinco minutos...

Ele a encarou longamente. Não havia raiva no olhar. Havia algo pior: indiferença:

— Pedi um tempo, Ynara.

- Mas... Mas já faz tempo demais.

- Não pra mim.

Ele começou a fechar a porta:

— Breno, espera! — Ynara enfiou a mão na fresta, desesperada: — Eu errei feio! Eu sinto nojo de mim todo dia. Eu tenho pesadelos com você me abandonando. Eu te amo, caramba! Me dá uma chance de provar!

Ele olhou para a mão dela na porta. Depois para o rosto inchado de choro:

— Você sente nojo de ter traído… ou de ter sido pega?

Ynara soluçou:

— Se eu não tivesse traído, não teria sido pega.

Breno concordou, mas pediu que ela o respeitasse. E fechou a porta devagar. Do outro lado, Ynara deslizou até o chão do corredor e chorou alto, sem se importar se os vizinhos ouviam.

Uma semana depois, Breno estava sentado no sofá escuro, uma cerveja morna na mão. O celular vibrou. Ele nem precisava olhar para saber que era mais uma mensagem dela, mas ainda assim olhou:

“Eu sei que talvez nunca mais conserte isso. Mas eu carrego cada segundo do que fiz. Não foi só sexo. Foi egoísmo, fraqueza... Uma idiotice! Eu nunca mais quero ser essa pessoa. Mesmo que você não me perdoe, eu vou mudar. Por mim. E para que você se orgulhe de mim um dia.”

Ele leu duas vezes. Uma confusão surgindo da palavra orgulho. Pela primeira vez em quinze dias, respondeu:

“Preciso de mais tempo. Não me procura por enquanto. Eu vou te procurar quando estiver pronto. Prometo.”

Enviou e bloqueou o número. Depois foi até o quarto, abriu a pasta “Impostos” e olhou uma foto dela sorrindo no festival, antes de tudo desabar. Fechou o celular e ficou olhando o teto.

Pela primeira vez, a dor não veio acompanhada de ódio puro. Veio acompanhada de um cansaço profundo. Não era físico, era algo... espiritual. Breno sabia que ainda a amava. E exatamente por isso, sabia que perdoar ia ser muito mais difícil do que odiar.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 360Seguidores: 724Seguindo: 17Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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Infelizmente começou a encheção de linguiça com os devaneios de uma psicopata...ou caramba.... psicóloga, pra tentar justificar o mal caratismo da puta traidora, muito dizem q o ser humano é muito complexo e diferente, mas na verdade sai mais simples do q todos imaginam, só existem dois tipos de ser humanos, os q tem caráter e os q não tem, simples assim, e ynara pertence ao grupo q não tem, o diálogo com a doutora deixou isso vem claro, tá tô q ela mesmo disse q.esconderua a traição e guardaria pra ela como uma lembrança boa e suja ao mesmo tempo, se isso não for falta de caráter, eu não sei mais o q é, traição, abandono, mentira, manipulação, e tudo isso só pra ele se sentir uma puta qualquer como as novas amigas? Infelizmente se Breno voltar a se relacionar com ela será um corno traído ou um corno manso, pois jamais ela voltará a admira-lo como homem, e nunca mais terá respeito por ele

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Um fato tragicômico: é incrível como normalmente quem traiu e foi pego, depois de procurar um psicólogo, consegue se perdoar e seguir enquanto a pessoa verdadeiramente machucada carrega essa porra pro resto da vida. Dito isso...

Que bom que ela entendeu que ela gostou, queria/quer mais, mas o flagra e a "culpa" tão deixando a libido dela baixa. Na moral, espero muito que o Breno se levante e, mais do que esquecer ela, a trate como uma velha conhecida sem nem ao menos recordar o porque se afastaram... Esse é o maior castigo que ele pode dar agora.

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Como sempre elas justificam falando q os maridos são bons, cuidadores, gentis mas não sabem transar, q ama mas o tesao falou mais alto

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Situação difícil e muito e muito complicada, eu fico sem saber o que dizer porque se acontecesse uma coisa dessa comigo, com certeza eu iria explodir ou terminar mesmo amando e partir para outra, mudaria até de estado se fosse sentir demais a falta física da Ynara, mas nesse caso eu só vejo uma saída, cair na gandaia que era o que eu faria, sem nem pestanejar. Era o que eu faria mas acho que o Mark não pensa assim, ele vai dar o jeito dele e bolar uma saida diplomática e educada.

Vamos aguardar

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Mais um corno; todo castigo para um corno é pouco.

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Ynara é uma contradição ambulante. Espero que Breno se mantenha firme, por mais doido que possa ser.

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Não há perdão possível, venha o próximo episódio

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