Era domingo na cidade de Serra Verde, o sol ainda brilhava forte no campo onde a rivalidade não parecia ser entre times adversários, mas entre jogadores do mesmo time.
_ Meu Deus o Eduardo vai quebrar a perna do Luiz Felipe!
Exclama Gustavo colocando as mãos na cabeça, preocupado com o namorado.
_ Para Eduardo! Você enlouqueceu?
Grita Maria Eduarda com lágrimas nos olhos.
A dupla preocupada é observada de longe pelos olhos pintados de Milena que esboça um sorriso macabro.
Quando no campo os outros jogadores separam Eduardo de Luiz Felipe o juiz vai até o jogador que ainda resta no chão e examina, aparentemente o golpe não foi certeiro, pegou de raspão deixando a marca da chuteira, mas sem grave lesão. Luiz Felipe se levanta bate a poeira, tira a grama olha para a arquibancada e encontra os olhos castanhos lacrimejantes de Gustavo. Luiz Felipe sorri para acalmar o coração apertado do namorado e faz sinal de joia dizendo estar tudo bem. Gustavo finalmente respira mais aliviado e é abraçado por Manu.
O Juiz conversa com Luiz Felipe e depois se volta para Eduardo e o repreende além de lhe mostrar o cartão amarelo e o lembrar...
_ Da próxima é vermelho!
O técnico grita e gesticula ao lado do campo, Eduardo xinga e mostra o dedo do meio para o técnico. Romário cruza o campo e vai conversar com o amigo abraçando e acariciando o cabelo da nuca de Eduardo pergunta.
_ O que foi amigo, enlouqueceu? Quer mesmo resolver essa parada aqui, agora?
_ Foi mal Romário. Quando eu vi aquele viado na minha frente perdi a cabeça.
_ Eu entendo brother, mas segura a onda ou além de perder a razão, perderemos o jogo e a galera toda vai ficar contra você. Se concentra no jogo e depois eu te ajudo a se livrar daquele mané.
Diz Romário olhando com olhos de caçador para Luiz Felipe por cima dos ombros.
_ Tamo junto!
Respondeu Eduardo.
O jogo continuou. O estádio parecia pequeno demais para a intensidade daquele jogo. A bola rolava como se tivesse vontade própria, quicando pelo gramado sob o eco ensurdecedor das arquibancadas. Cada toque era um trovão. Cada arrancada, uma cena digna de cinema em câmera lenta.
— OLHA A JOGADA! QUE ABSURDO! — a voz do narrador explodia enquanto o campo virava arena de gladiadores modernos.
Os jogadores cortavam o gramado com violência e elegância ao mesmo tempo. Camisas coladas pelo suor desenhavam peitorais largos e abdômens definidos. A luz do sol brilhava forte sobre ombros fortes e coxas rígidas, músculos tensionando a cada disparo em velocidade máxima. Panturrilhas marcadas saltavam em impulsos explosivos enquanto os corpos se chocavam em disputas brutais pela posse da bola.
A esfera parecia sofrer em campo, gritando silenciosamente a cada chute violento, cada dividida feroz, cada pancada seca que fazia o estádio inteiro prender a respiração.
Eduardo já nem lembrava mais de Luiz Felipe. O camisa onze estava tomado pelo jogo. Tomado pela guerra.
_ E QUE PARTIDA DE EDUARDO!
O jogador avançava como um touro indomável. O corpo robusto e musculoso atravessava os adversários sem reduzir a velocidade sequer por um segundo. Ombro contra ombro, peito contra peito e quase sempre era o rival quem desabava primeiro na grama.
Ele vinha rasgando a defesa com passadas largas e agressivas. O suor escorria pelo pescoço, desaparecendo sob a gola encharcada enquanto os músculos das pernas trabalhavam como pistões. Quando protegia a bola, parecia impossível tirá-la dele. Usava o quadril firme, as costas largas e a força absurda do corpo para empurrar qualquer marcador para longe.
— ELE PASSA POR CIMA! EDUARDO ESTÁ UMA LOCOMOTIVA NESSE PRIMEIRO TEMPO!
As divididas eram brutais. Chutava a bola com violência, mas muitas vezes o impacto continuava nos corpos adversários, espalhando jogadores pelo gramado como peças derrubadas em um tabuleiro. Ainda assim, havia inteligência naquela brutalidade.
Eduardo conhecia o espetáculo.
Sempre se posicionava exatamente dentro do campo de visão do árbitro. Nunca parecia culpado o suficiente. Nunca deixava uma falta clara demais. E quando os rivais levantavam reclamando, ele abria os braços imediatamente, contestando tudo com expressão indignada, como se fosse a própria vítima da situação.
Ao redor, os companheiros pressionavam. Romário era o primeiro a chegar, encarando o juiz, falando alto, gesticulando, criando o caos perfeito para proteger o amigo.
— O CLIMA FERVE NO GRAMADO! MAS O ÁRBITRO MANDA SEGUIR!
E o jogo seguia.
Seguia intenso, físico, cinematográfico.
Seguia no ritmo dos corpos exaustos, sensuais e perigosos deslizando pelo campo como astros de um épico esportivo, transformando suor, força e violência em espetáculo.
_ O que está acontecendo Eduardo? Quer mandar o time adversário todo para o hospital? Isso aqui é futebol não MMA rapaz!
Repreende Eduardo o técnico.
_ Vai se fuder Nandão! Tamo ganhando não tamo? É isso que importa.
Se defende atacando Eduardo.
_ Não no meu campo, não é esse o jogo que eu jogo.
Gurizão você entra no segundo tempo no lugar do Eduardo já vai se aquecer.
Grita o treinador.
Gurizão sorri, Eduardo parte para cima, mas Gurizão é maior e mais forte e empurra Eduardo com força como se fosse um brinquedo.
_ E aí, vai encarar?
Desafia o loiro com a camisa enrolada no ombro e com um sorriso de desafio.
_ Tá achando que eu não te parto em dois viadinho segundo?
Ameaça Eduardo.
_ Pra tua informação eu curto é buceta o mané, mas não sou fiscal de cu de ninguém não. Não sendo o meu da quem quer.
Diz Gurizão.
_ Chega! Se quiser ficar comporte Eduardo, mas se for para bagunçar meu jogo sai daqui, que não tenho tempo nem saco para essas picuinhas de adolescente tardio.
Enquanto isso na arquibancada...
_ Aonde você pensa que vai Gustavo?
Questiona Manu.
_ Vou no vestiário ver como o Luiz Felipe está, ora!
_ Mas não vai mesmo, o Eduardo está lá, quer mesmo colocar mais fogo nessa fogueira?
_ Eu preciso ver ele, saber como ele está, viu o que meu irmão fez com ele?
_ O seu namorado está bem e vai continuar assim, o técnico está lá e o Gurizão também, vai ficar tudo bem.
De repente Gustavo sente seu corpo ser envolvido por braços fortes, aquele cheiro intenso de macho suado, testosterona e o perfume dele era Luiz Felipe.
Gustavo se vira e sem se preocupar pela primeira vez com quem está em volta beija na boca seu namorado.
Surpreso, espantado mas ao mesmo tempo feliz Luiz Felipe retribui o beijo e intensifica envergando o namorado de intensidade e recebendo muitas palmas, gritos e uivos em volta, uns de apoio outros é claro de protesto.
Autor: Mrpr2