A Vingança do Nerd - Capítulo 2 — Controle

Um conto erótico de HDNA
Categoria: Gay
Contém 3459 palavras
Data: 25/05/2026 20:44:25
Última revisão: 25/05/2026 20:46:15

A segunda-feira amanheceu chuvosa, e a garoa fina e persistente que caía sobre a cidade parecia ter encharcado não apenas as ruas, mas também o ar dentro do carro. Um silêncio pesado e úmido preenchia o espaço entre nós três enquanto Gabriel dirigia, seus dedos pálidos apertando o volante com uma tensão que ia muito além do trânsito. A cada poucos minutos ele mudava discretamente a posição do quadril no banco, claramente desconfortável pela pressão constante da gaiola escondida sob a bermuda.

No banco do passageiro, Guilherme mantinha o rosto virado para a janela, seu maxilar tão travado que eu conseguia ver o músculo saltando sob a pele da têmpora a cada alguns segundos. Uma vez ou outra ele afastava minimamente as pernas, irritado, como se até o simples ato de sentar tivesse se tornado incômodo desde o fim de semana.

Eu estava atrás, observando os dois. Observando a nuca de Gabriel, onde os fios de cabelo mais curtos estavam molhados de suor apesar do frio. Observando os ombros largos de Guilherme, rígidos como pedra sob a camiseta cinza. Nenhum dos dois tinha me olhado desde que entramos no carro. Nenhum comentário atravessado. Nenhuma provocação. Apenas esse silêncio carregado, eletrizante, que fazia meu sangue correr mais quente nas veias.

Eles estavam tomando cuidado comigo. E eu sabia que não era apenas medo das fotos. Aquelas gaiolas presas em seus corpos faziam questão de lembrar, a cada movimento, quem estava no controle.

Era quase palpável. Cada movimento era calculado. Cada respiração, contida. Eu podia sentir o medo pairando no ar, misturado ao cheiro do carpete molhado e do corpo deles.

Um aroma masculino que agora me pertencia de uma forma completamente nova.

Meus olhos percorreram a linha da coluna de Gabriel visível sob a camiseta molhada nas costas. Desceram até a cintura de Guilherme, onde o cinto de couro cortava seu quadril de uma forma que, antes, só me causava ansiedade. Agora, aquela visão despertava algo diferente. Algo escuro e voraz no fundo do meu estômago.

Quando chegamos ao estacionamento da faculdade, Guilherme saiu do carro como se estivesse escapando de uma armadilha, batendo a porta com força antes de desaparecer na névoa cinzenta sem um olhar para trás. Gabriel ficou. Seus dedos ainda envoltos no volante, as juntas brancas. A respiração dele era audível no silêncio repentino — um pouco acelerada, um pouco ofegante. Eu não me mexi. Apenas esperei, sabendo que a pergunta viria. Saboreando antecipadamente o sabor doce e amargo do controle.

Ele engoliu seco, e o som foi úmido e vulnerável no espaço confinado.

— Você… você realmente apagou as fotos?

A voz dele era baixa. Quebrada. Cheia de uma ansiedade que ele tentava desesperadamente esconder. Eu deixei o silêncio se esticar por alguns segundos a mais, observando pelo retrovisor como seus olhos piscavam rápido, como a ponta da língua umedeceu os lábios inferiores.

— Não — Respondi, finalmente. A palavra saiu calma, plana, deliberadamente cruel.

Vi o corpo dele encolher quase imperceptivelmente. Seus ombros caíram um centímetro. Seus olhos se fecharam por um instante breve demais para ser um piscar normal. Não era raiva o que eu via nele agora. Era outra coisa. Era a rendição. O entendimento profundo e visceral de que ele não tinha mais escapatória. E aquilo… aquilo era intoxicante.

— Gabriel — Chamei, e minha voz soou mais suave, quase um carinho venenoso.

Ele se virou imediatamente, seus olhos castanhos encontrando os meus pelo reflexo do espelho. Estavam um pouco vidrados. Um pouco assustados. Lindos.

— Enquanto vocês fizerem exatamente o que eu mandar… — Pausei, deixando a ameaça pairar no ar — ninguém vai ver nada.

Sua garganta se moveu num novo engolir. Seus lábios se entreabriram, mas nenhum som saiu. Ele apenas assentiu, devagar, um movimento quase imperceptível da cabeça. Então saiu do carro, fechando a porta com um cuidado sobrenatural, como se temesse que qualquer barulho mais alto pudesse desencadear minha fúria.

Fiquei sozinho no banco de trás por um momento, respirando fundo. O cheiro deles ainda estava ali — a mistura do desodorante barato de Guilherme, o shampoo de coco de Gabriel, o suor masculino e o medo. Levei os dedos ao banco onde Gabriel estava sentado. Ainda estava quente. Apertando a palma da mão contra o tecido, imaginei o calor do corpo dele, a tensão constante causada pela gaiola escondida sob a bermuda desde o fim de semana.

Um arrepio percorreu minha espinha.

O mais perturbador era perceber que, quanto mais eu revivia o que tinha acontecido no sábado, mais tudo parecia distante da realidade. Naquela noite eu mal pensava direito. Foi adrenalina, raiva acumulada, anos engolindo humilhação explodindo de uma vez só. Eu nem sabia exatamente o que estava fazendo enquanto acontecia — só sabia que não queria parar.

E agora, olhando para o banco ainda quente onde Gabriel estivera sentado, eu começava a perceber que talvez tivesse ido muito mais longe do que imaginara

As pessoas na faculdade notaram a mudança imediatamente. Gabriel e Guilherme não eram homens discretos, eles ocupavam espaço, falavam alto, riam com a boca aberta, atraíam olhares. Agora, seu silêncio era um buraco negro no meio do burburinho dos corredores. Eles andavam perto de mim, mas não ao lado. Os passos dos dois pareciam mais contidos agora, menos expansivos. Como se estivessem constantemente conscientes do próprio corpo.

Mantinham uma distância de um ou dois passos, como cães arrependidos seguindo um dono imprevisível. Eu via os olhares curiosos, os sussurros, as sobrancelhas levantadas. E cada olhar, cada sussurro, alimentava a chama quente e negra dentro do meu peito.

Foi na saída da aula que aconteceu. O corredor estava apertado, cheio de gente empurrando para pegar material ou encontrar amigos. Um cara do terceiro período, um desses atletas barulhentos que sempre andavam acompanhados de Gabriel e Guilherme, esbarrou em mim de propósito, com força suficiente para fazer meus livros voarem da minha mão.

— Foi mal aí, nerdão! — ele gritou, rindo, enquanto seus amigos riam junto.

O velho reflexo surgiu instantaneamente: encolher os ombros, baixar a cabeça, recolher meus livros do chão com as bochechas queimando de vergonha. Meus dedos tremiam ao pegar o primeiro caderno. Mas então, antes que eu pudesse sequer me levantar, uma sombra grande bloqueou a luz fluorescente acima de mim.

— Qual foi a graça?

A voz era baixa. Rouca. Cheia de uma raiva contida que fez o corredor inteiro esfriar vários graus.

Olhei para cima.

Guilherme.

Ele não estava olhando para mim. Seus olhos azuis estavam fixos no atleta, que parou de rir imediatamente. A postura de Guilherme era de pura agressão: ombros para trás, peito estufado, mãos semi cerradas ao lado do corpo. O outro cara riu nervoso, uma risada curta e falsa.

— Relaxa, cara, foi só uma brincadeira.

— Não ouvi graça nenhuma — Guilherme cortou, e sua voz tinha uma serra nela que eu nunca tinha ouvido antes. Não era o deboche de sempre. Era algo perigoso. — Pede desculpa. Direito.

O silêncio que se seguiu foi tão espesso que eu podia ouvir o zumbido das luzes. As pessoas ao redor pararam de se mover, observando disfarçadamente. O atleta corou, seus amigos ficaram quietos. Ele murmurou algo quase inaudível, um “foi mal” rápido e embolado, antes de se afastar rapidamente, puxando o braço de um amigo.

Guilherme ficou parado por mais alguns segundos, respirando fundo pelas narinas dilatadas. Então ele se virou e seus olhos encontraram os meus. Havia uma tempestade naquele olhar azul — raiva, sim, mas também confusão, frustração, e algo mais… algo como vergonha. Ele parecia irritado consigo mesmo. Irritado por ter reagido. Irritado por ter me defendido.

— O quê? — ele rosnou, desafiador.

Eu me levantei devagar, segurando meus livros contra o peito. Meu coração batia forte, não de medo, mas de excitação. Uma excitação quente e pesada que desceu direto para minha virilha.

— Nada — respondi, mas minha voz saiu mais suave do que eu pretendia. Mais íntima.

Seus olhos estreitaram. Ele abriu a boca para dizer algo, mas pareceu pensar melhor. Em vez disso, apenas balançou a cabeça num gesto de frustração e virou as costas, desaparecendo na multidão.

Fiquei parado ali, sentindo o local onde seus olhos tinham me perfurado. Meu corpo inteiro estava alerta, vibrante. Porque eu tinha entendido naquele momento: Guilherme não estava me defendendo por bondade. Ele estava me defendendo porque, de alguma forma doentia, já não suportava ver outras pessoas mexendo comigo. E, pela primeira vez, tive a sensação perturbadora de que Guilherme odiava mais a ideia de outra pessoa mexendo comigo do que o fato de estar me protegendo.

O resto do dia foi uma dança tensa e silenciosa. Gabriel tornou-se hiperconsciente de mim. Em toda sala, em todo corredor, eu sentia seus olhos em mim. Ele respondia a qualquer coisa que eu dizia com uma rapidez quase ansiosa. “Sim, Marcos.” “Claro, Marcos.” “Como você preferir, Marcos.” Sua voz tinha perdido todo o tom de deboche, substituído por uma docilidade cautelosa que era ainda mais erótica do que qualquer provocação. Eu via suas mãos tremendo levemente ao passar uma caneta. Via a maneira como ele constantemente umedecia os lábios. Via como seu olhar fugia dos meus sempre que nossos olhos se encontravam por mais de dois segundos.

Guilherme era diferente. Sua raiva não desaparecera; apenas se transformara em algo mais denso, mais interno. Ele não me obedecia com palavras doces. Ele obedecia com silêncios carregados, com olhares desafiadores que duravam um segundo a menos do que costumavam durar. Mas ele obedecia. E cada pequena submissão — quando ele se afastava para me deixar passar primeiro, quando ele calava a boca ao meu comando com um olhar — era um triunfo que aquecia meu sangue.

Naquela noite, depois do jantar, a tensão na casa estava tão espessa que quase dava para cortar com uma faca. O ar parecia carregado de eletricidade estática. Quando subi as escadas para o meu quarto, sabia que eles me observavam da sala. Não precisei nem chamar. Apenas parei no topo dos degraus e olhei para baixo.

— No meu quarto. Agora.

Minha voz não era alta, mas ecoou na escadaria de madeira com uma autoridade que fez os dois se moverem imediatamente. Gabriel levantou primeiro, seus movimentos suaves e rápidos. Guilherme demorou um segundo a mais, soltando um suspiro exasperado antes de se levantar com aquela postura desleixada que tentava disfarçar o desconforto.

Eles entraram no meu quarto um atrás do outro. Eu já estava sentado na minha cadeira da escrivaninha, de costas para a mesa, observando a porta. Gabriel fechou-a suavemente atrás de si e ficou parado perto da cama, suas mãos enfiadas nos bolsos do shorts, os ombros levemente curvados. Guilherme encostou na parede oposta, cruzando os braços sobre o peito largo — uma barreira física clara.

O quarto cheirava a eles. Cheirava ao sexo da noite anterior, ao suor seco nos lençóis que eu não tinha trocado de propósito, a porra seca que deve ter caído no chão quando gozei em seus rostos. A luz do abajur era baixa, lançando sombras longas e dramáticas pelas paredes. Eu deixei o silêncio se instalar, deixei-o crescer, deixei-o pressionar contra eles até que a necessidade de quebrá-lo se tornasse física.

Guilherme foi o primeiro a ceder à raiva, como eu sabia que seria.

— Até quando você acha que isso vai durar? — A voz dele saiu áspera, cheia de um desdém forçado.

Eu inclinei a cabeça levemente.

— O quê exatamente?

— Isso! — Ele explodiu, gesticulando com um braço solto. — Esse teatrinho de controle! Esse joguinho de poder! Você acha mesmo que a gente vai ficar assim pra sempre?

Gabriel fechou os olhos, como se pudesse se esconder da explosão.

— Gui… por favor…

— Cala a boca! — Guilherme rosnou para o irmão antes de voltar os olhos flamejantes para mim. — Responde!

Eu me levantei devagar. A cadeira rangeu contra o piso de madeira. Meus movimentos eram deliberadamente lentos, calculados para aumentar a tensão. Caminhei até o centro do quarto, parando a meio caminho entre os dois. Eu estava perto o suficiente para sentir o calor irradiando de seus corpos. Perto o suficiente para ver os pequenos detalhes: a veia pulsando na têmpora de Guilherme, o suor fino na clavícula de Gabriel exposta pela camiseta decotada.

— Talvez não dure para sempre — Disse minha voz, baixa e íntima no quarto silencioso. — Mas enquanto durar… vocês vão fazer exatamente o que eu mandar.

A frase saiu carregada de posse, de lascívia, de verdade absoluta. Vi o estremecimento percorrer o corpo de Gabriel. Vi o maxilar de Guilherme se trancar.

— Você é doente — Guilherme cuspiu, mas sua voz falhou no final, perdendo força.

— Pode ser — Concordei, dando um passo à frente, reduzindo a distância entre nós para menos de um metro. Agora eu podia ver os pequenos fios dourados em seus cílios castanhos. Podia ver o batimento cardíaco acelerado na base de sua garganta. — Mas você ainda treme quando eu me aproximo.

Ele abriu a boca para negar, mas nenhum som saiu. Porque era verdade. Suas mãos, ainda cruzadas sobre o peito, estavam apertando seus próprios bíceps com força suficiente para deixar as pontas dos dedos brancas. Seu peito subia e descia rápido demais.

Virei-me lentamente para Gabriel. Seus olhos estavam fixos em mim, arregalados, como os de um animal preso nos faróis de um carro.

— Senta — Ordenei, suave.

Ele obedeceu imediatamente, quase caindo na beira da minha cama. Suas mãos se agarraram ao colchão de cada lado do corpo.

— Olha pra mim.

Ele levantou o rosto. Seus lábios estavam levemente entreabertos, úmidos. Seus olhos estavam brilhando — com medo, com antecipação, com algo mais profundo que ele nem mesmo compreendia.

Caminhei até ficar entre suas pernas abertas. Ele não as fechou. Apenas ficou ali, sentado na beirada da cama, comigo de pé diante dele, meu corpo bloqueando a luz do abajur. Minha sombra o envolveu completamente.

— Você está com medo de mim agora? — Perguntei, minha voz não mais que um sussurro.

Ele engoliu seco. Seus olhos piscaram rapidamente.

— Sim — A resposta saiu como um sopro.

Algo dentro de mim se contorceu de prazer. Era uma admissão tão crua, tão vulnerável. Minha mão se moveu quase sem eu perceber. Levantei-a lentamente e passei as pontas dos dedos pela linha de seu maxilar, da orelha até o queixo. Sua pele estava quente, levemente áspera por onde a barba crescia. Ele estremeceu violentamente sob meu toque, mas não se afastou. Seus olhos se fecharam por um segundo.

— Tá vendo? Não é tão difícil obedecer. — Murmurei.

Atrás de mim, ouvi a respiração de Guilherme se acelerar. Virei-me lentamente para encará-lo. Ele ainda estava encostado na parede, mas sua postura defensiva tinha rachado. Seus braços não estavam mais tão firmemente cruzados. Seus olhos azuis saltavam entre meu rosto e minha mão que ainda repousava no rosto de Gabriel.

— Inveja? — Perguntei suavemente.

— Vai se foder — Ele cuspiu, mas as palavras não tinham convicção.

Dei um passo em sua direção. Ele não se moveu, mas seu corpo inteiro ficou alerta, pronto para lutar ou fugir.

— Você quer também — Declarei, não como uma pergunta, mas como um fato. — Você quer minha mão em você. Quer minha atenção. Mesmo que seja só para ter certeza de que eu não vou espalhar as fotos.

— Você tá louco — Ele respirou, mas sua voz estava rouca.

Cheguei mais perto. Agora estávamos quase se tocando. Eu podia sentir o calor do corpo dele contra o meu. Podia ver cada pequeno detalhe de seu rosto — os pequenos cortes de barbear no queixo, as sardas sob os olhos, o lábio inferior levemente mais carnudo que o superior.

— Prova — Desafiei, minha voz um sussurro áspero contra o espaço mínimo entre nós. — Diz que não quer e eu nunca mais te toco, mas suas fotos estarão amanhã em toda a faculdade.

Ele abriu a boca. Os lábios se moveram. Mas nenhum som saiu. Seus olhos, tão azuis e claros, estavam presos aos meus, e neles eu via a guerra interna — o orgulho lutando contra a necessidade física crua que eu havia despertado nele.

Sua respiração estava ofegante agora. O peito subia e descia rapidamente sob a camiseta preta justa. Sem quebrar o contato visual, levantei minha mão livre e coloquei a palma plana contra a parede ao lado de sua cabeça, enjaulando-o sem realmente tocá-lo.

— Não consegue dizer, né? — murmurei, e meu hálito deve ter tocado seus lábios porque ele estremeceu. — Porque sua mente já sabe a verdade. Seu corpo já é meu.

Foi então que meu olhar desceu involuntariamente — e vi. Vi como o tecido do moletom denunciava a tensão desconfortável presa sob a gaiola. Não era exatamente volume que chamava atenção, mas a maneira irritada como Guilherme tentava ajustar o próprio quadril, incapaz de esconder a reação involuntária do corpo. Ele seguiu meu olhar e corou violentamente, tentando se ajustar sem sucesso.

— Engraçado… — Murmurei, deixando meus olhos descerem lentamente. — Você tenta esconder, mas seu corpo continua entregando tudo pra mim. Você gostou do que fiz fizemos noite passada

Ele fechou os olhos com força, como se pudesse se esconder da própria reação física.

— Cala a boca — ele rosnou, mas era um rosnado fraco, quebrado.

— Por quê? Está envergonhado? — Perguntei, inclinando-me ainda mais perto. Meus lábios estavam a centímetros de sua orelha agora. Sussurrei tão baixo que apenas ele poderia ouvir: — Está envergonhado porque gosta? Porque depois de tudo… depois de me tratar como lixo por anos… agora você fica excitado e com medo só porque estou perto?

Seu corpo inteiro estremeceu. Um gemido baixo e rouco escapou de seus lábios — um som de pura frustração e necessidade reprimida.

Atrás de nós, ouvi Gabriel se mover na cama. Quando olhei para trás, vi que ele estava observando nós dois com os olhos arregalados e escuros, sua boca levemente aberta.

Gabriel também respirava rápido demais agora. A gaiola escondida sob o shorts limitava qualquer reação mais evidente, mas a pequena mancha úmida começando a surgir denunciava o pré-gozo que seu corpo insistia em produzir apesar da contenção.

Havia algo profundamente errado naquela cena. E ainda assim, eu não conseguia desviar os olhos. Os dois irmãos, outrora tão arrogantes e cruéis, agora reduzidos a isso: corpos excitados e confusos, respondendo ao homem que eles costumavam chamar de vítima, de nerd.

Retirei-me lentamente de perto de Guilherme. Ele abriu os olhos, ofegante, seu rosto marcado por uma confusão tão profunda que era quase dolorosa de se ver.

— Vocês podem ir dormir — Disse, minha voz voltando ao tom normal, embora ainda carregada da tensão sexual que enchia o quarto.

Por um momento, nenhum deles se moveu. Eles apenas ficaram ali parados, respirando pesadamente, seus corpos ainda vibrando com a energia não resolvida entre nós três.

Então Gabriel se levantou devagar da cama. Ele caminhou até a porta, mas parou antes de sair. Virou-se e seus olhos encontraram os meus. Havia algo novo nesse olhar — não apenas medo ou submissão, mas havia algo diferente naquele olhar agora — uma hesitação estranha, quase como se estivesse esperando minha reação antes mesmo de sair do quarto.

— Boa noite… Marcos — ele murmurou, e meu nome em sua boca saiu baixo demais, cauteloso demais.

Guilherme empurrou-se da parede com força, evitando meu olhar. Mas antes de sair pelo corredor atrás do irmão, ele parou na porta e olhou para mim por sobre o ombro. Seus olhos azuis queimavam com uma intensidade quase febril.

Ele não disse nada. Apenas me encarou por três segundos longos e carregados antes de desaparecer na escuridão do corredor.

Fechei a porta lentamente e encostei as costas contra a madeira sólida. Meu coração batia forte no peito. Minhas mãos tremiam levemente. Minha própria excitação era uma dor latejante e insistente na minha virilha.

O quarto ainda cheirava intensamente a eles — a suor masculino, a desejo reprimido, a poder recém-descoberto. Caminhei até a cama onde Gabriel estivera sentado e coloquei a mão no colchão. Ainda estava quente de seu corpo.

Deitei na cama sem tirar a roupa, olhando para o teto no escuro. Minha mente não parava de repetir as imagens: Gabriel tremendo sob meu toque. Guilherme endurecendo contra sua vontade. A admissão vulnerável de medo. A raiva transformada em confusão sexual.

E pela primeira vez, percebi algo perturbador: eu não estava apenas gostando do controle.

Eu estava começando a desejar coisas que jamais deveria desejar.

Da vulnerabilidade deles. Da maneira como seus corpos respondiam ao meu. Da confusão em seus olhos quando percebiam que estavam desejando o homem que juraram odiar.

Isso era perigoso.

Isso era viciante.

E eu já não sabia mais se queria parar——————-

Fala pessoal. Espero que estejam gostando.

Gostei muito de algumas pessoas terem comentado no capítulo 1, espero que comentem nesse também, gosto bastante de ver as sugestões de vocês ou vocês dizendo que gostaram.

Eu vi um comentário do Atz que me pedia pra ver melhor o fato de eles terem cedido muito rápido, não sei se consegui exatamente consertar isso, mas tentei fazer o que dava.

Valeu e até o próximo capítulo

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