Superando o medo dos machos

Um conto erótico de Kherr
Categoria: Gay
Contém 8532 palavras
Data: 23/05/2026 10:52:33

Ele só apareceu na terceira semana de aulas do nosso primeiro ano na faculdade quando a maioria da turma já havia estabelecido algum coleguismo. Não passou pelo clássico trote dos calouros, seu jeitão marrento e um físico que esbanjava músculos desestimularam qualquer veterano de tentar lhe aplicar o trote, depois que um infeliz sem noção, acompanhado de alguns asseclas, resolveu abordá-lo para jogar uma tinta no intuito de colorir seus cabelos cortados rente de um rosa chamativo. Antes mesmo de lançar o primeiro jato de spray sobre a cabeleira dele, o veterano recebeu um potente soco no meio da cara que o deixou atordoado, com o nariz sangrando e os dentes moles. Ele não disse nada, tomado de uma serenidade inabalada não fez nenhuma ameaça, apenas encarou o infeliz se contorcendo no chão num recado que foi entendido por todos que presenciaram a cena e que acabou se espalhando pela universidade.

Não foi nessa demonstração de força e equilíbrio que ganhou seu primeiro ponto comigo, mas na maneira como dirigiu seu primeiro olhar na minha direção quando se sentou ao meu lado para a primeira aula daquele dia. Ele não sorriu nem fez qualquer gesto de simpatia, apenas me olhou de um jeito que me fez parecer nu e vulnerável, me deixando com as faces vergonhosamente vermelhas e afogueadas. No mesmo instante tive a certeza do perigo que corria e que o mais prudente a se fazer era ficar invisível para aquele olhar. Já na aula seguinte me mudei para o lado oposto da sala. Um histórico com caras desse tipo havia me ensinado a ser precavido e me tornar invisível para eles, e foi o que fiz dali em diante.

Fiz poucas amizades decorrido todo um semestre, o que não era de se estranhar dada a minha timidez e aquele medo que já me acompanhava há anos desde o ensino secundário no qual aprendi talvez a lição mais dura que a vida já me ensinou. Meu círculo social na faculdade se limitava a duas garotas e dois nerds introvertidos que se espantaram quando lhes dirigi as primeiras palavras num intervalo entre as aulas. Já ele, se tornou o cara mais popular da turma e entrou para o clube dos mais populares e desejados da universidade. Não que isso parecesse fazer qualquer diferença em seu comportamento. Ele apenas aceitava a condição como algo natural sem se mostrar esnobe. Foi quando ganhou mais um ponto no meu ranking mantido em completo sigilo num reduto qualquer da minha mente.

No segundo ano, sem que até então tivéssemos trocado uma simples palavra, e durante uma viagem de pesquisa organizada por um dos professores a uma cidade na qual teríamos que pernoitar por três noites, fui alocado no mesmo quarto de hotel que ele, o que só descobri depois de todos os arranjos já terem sido feitos e ninguém se mostrar disposto a fazer alterações. Era o preço a se pagar por ser um tímido contumaz, pensei comigo mesmo. Pouco depois, vieram os primeiros medos com relação à privacidade, com a estreita proximidade daquelas duas camas onde um simples esticar de braços permitia o toque, com o fato de ter que compartilhar o mesmo banheiro que por azar era dividido do quarto por uma porta sem tranca. Que eu não pregaria os olhos uma noite sequer já era fato assimilado e consumado.

Contudo, não foi na intimidade do quarto que a coisa pegou, e feio. Foi durante a excursão para realizar a pesquisa quando ele em dado momento, sem uma razão aparente, me segurou pelo braço.

- Não toque em mim! Me solte! Nunca mais encoste essa mão em mim! Fique longe de mim! – despejei aos berros feito um alucinado, atraindo a atenção e o espanto de quem estava perto. Nunca haviam me visto tendo uma reação como aquela, pois já me tinham como alguém que vivia num mundo à parte.

- Ficou maluco, cara! Qual é a tua? Eu só queria tirar uma dúvida, precisa fazer essa porra de escândalo todo? Só encostei no seu braço, não vou te estuprar se é disso que tem medo! – revidou ele, espumando de raiva. – Puta merda, que babaca do caralho! – exclamou, quando me deixou plantado e tremendo da cabeça aos pés com cara de paspalho.

Minha reação foi instintiva, explodiu sem controle, o que me confirmou que eu ainda não havia superado aquele trauma de anos atrás, e que voltava a me assombrar toda vez que alguém, principalmente outro cara, adentrava à minha zona de segurança, que consistia em cerca de um metro ao redor do meu corpo. A questão ainda estava sendo trabalhada com o psicólogo, mas progredia pouco a cada vez que alguém rompia a zona de conforto. Se já me achavam estranho, o episódio só serviu para confirmar que eu era um cara problemático, quase um alienígena antissocial.

Demorei a seguir para o quarto naquela noite, torcendo para que ao entrar ele já estivesse dormindo. Puro engano, ele estava desperto sentado na cama com o tronco nu encostado na cabeceira me esperando para cobrar uma explicação por aquela explosão de fúria injustificada. Eu já estava dando meia volta para sair do quarto novamente e fugir dele quando sua voz autoritária me demoveu da intenção.

- Volta aqui agora, Thiago! Se der mais um passo eu juro que te pego e te dou umas porradas até você me explicar o que foi aquela porra dessa tarde! Você fez parecer que eu cometi um abuso ou um assédio sexual contra você, tamanha a reação que expressou. Você é algum tipo de psicopata, cara? – cobrou ele, saltando fora da cama pronto para me deter caso eu desse mais um passo em direção a porta.

- Desculpe! Me desculpe, não sei o que me deu! – respondi com a voz trêmula. – Eu volto depois, preciso fazer uma coisa! – emendei, só pensando em sair dali o quanto antes.

- Precisa fazer o quê a essa hora, caralho? São duas da manhã! – retrucou ele, chegando tão próximo que eu podia sentir o calor do corpão dele. – Você está tremendo, cacete! Vai acabar se mijando todo, caralho! Não vou fazer nada com você, fica tranquilo! Não vou te machucar, se é por isso que está se borrando todo! – acrescentou, só piorando a situação e fazendo com que tudo ao redor começasse a girar como um carrossel.

Voltei a mim deitado na cama, com o Bruno inclinado sobre mim segurando uma toalha molhada na minha testa. Instintivamente dei um salto, mas ele foi mais ligeiro e, com aquelas mãos potentes, me comprimiu contra o colchão. Comecei a me debater e me preparava para gritar quando aquele mesmo olhar penetrante, que havia desestimulado os veteranos a lhe aplicarem o trote, pousou sobre mim. Finalmente me rendi, como aquele episódio de anos atrás, torcendo para que o desfecho não fosse semelhante aquele.

O Bruno percebeu que eu não ia dar nenhuma explicação, mesmo que me forçasse a dá-la, e deixou a coisa para lá, convicto de que eu era algum tipo de doente mental. Demorei a me refazer a acabei adormecendo vestido como estava de tão aniquilado que fiquei.

Ninguém mais tocou no assunto, como tudo que causa certo alvoroço pela bizarrice ou por outro motivo qualquer, logo acaba caindo no esquecimento quando deixa de ser novidade. Porém, eu notei que o Bruno não conseguia se esquecer do acontecido por algum motivo qualquer. Não falou mais comigo, o que não era muito diferente do que já acontecia antes do episódio, nem se aproximava de mim como se eu fosse portador de alguma doença contagiosa. Para minha paz de espírito isso foi bom, pois o que eu havia visto nos dias em que compartilhamos o mesmo quarto de hotel, aquele tronco maciço e viril exposto, aquele par de coxas musculosas e aquele volume imenso entre suas pernas era quase como um pesadelo que eu precisava esquecer.

O fato de eu agir como um bicho estranho não impediu que me olhassem com cobiça. As garotas, antes de terem a confirmação da minha esquisitice e total falta de empatia, lançavam olhares para o meu corpo bem estruturado e harmonioso, embora fosse o rosto cativante com algo de ingênuo camuflado que as instigavam a me abordarem. Os rapazes suspeitavam que por trás daquela timidez exagerada se escondia um gay não assumido, principalmente aqueles metidos a machões fodedores que não podiam ver uma bunda carnuda como a minha ou um buraco qualquer entre as pernas de alguém, sem que quisessem meter seus cacetes dentro deles. O que os mantinha afastados de mim nem era a falta de vontade de socarem suas rolas no meu cu, mas a lembrança daquela reação explosiva com o Bruno; um sinal típico de que tentar qualquer gracinha comigo podia se transformar num caso de polícia.

Numa distribuição aleatória para um trabalho em grupo que o professor fez, o Bruno e eu caímos na mesma equipe e a primeira providência que ele tomou foi pedir ao professor para mudar de grupo, pois não queria ter nenhuma proximidade comigo. Não fiquei chateado, até achei bom continuar me mantendo afastado dele, uma vez que não havia superado aquela pegada forte que ele deu no meu braço e que fez meu corpo inteiro estremecer. Durante meses fiquei refletindo sobre o episódio que não me saía da cabeça e, quanto mais hipóteses aventava, mais me convencia que a pegada não fora agressiva, que eu apenas a interpretei erroneamente como naquela situação ocorrida anos antes no ensino médio. O que me convencia disso era a maneira como eu o ficava observando de longe, suas atitudes, seu jeitão másculo, seu sorriso que vinha me seduzindo sem que ele o imaginasse.

Para prover um fundo para a viagem de formatura ao final do curso, a turma promovia baladas em casas noturnas badaladas da cidade. Compareci a poucas devido a timidez e a falta de companhia, já que as amizades que fiz também não eram propensas a esse tipo de diversão. Em círculos mais íntimos, fora da faculdade, eu até que era mais solto e gostava de dançar o que, sem nenhuma modéstia, eu fazia muito bem e com naturalidade. Já tinham me dito que eu ficava muito sensual dançando e que os movimentos deixavam meu corpo tremendamente sexy. Se só tivesse dado ouvidos a essas afirmações não teria topado ir com as minhas duas colegas de turma para uma das baladas mais esperadas pela turma, onde um DJ famoso seria o grande protagonista da noite. Os convites, nada baratos, se esgotaram no mesmo dia em que foram postos à venda, e a expectativa de lucro para o fundo da viagem era alto. Eu mesmo, consegui vender a minha cota entre conhecidos do condomínio em poucas horas depois de os oferecer.

Todo nerd esquisitão é alvo constante daqueles incapazes de conviver com diferenças que fogem ao que estão acostumados e, para aquela balada, um grupinho já havia esquematizado uma trama para me transformar numa das atrações do evento. Como não podia deixar de ser, foi aquele grupinho de machões que não pensavam noutra coisa que não fazer bullying comigo que preparou o golpe, colocar uma droga nalguma bebida que me seria servida para que eu liberasse, diante de todos, aquele meu “eu” escondido atrás da timidez e do recato. Não foi tão fácil como eles imaginaram, uma vez que me mantive afastado do bar já que não curtia bebidas alcoólicas. Precisaram subornar o barman gostosão sem camisa e cheio de tatuagens sobre um bocado de músculos para que ele colocasse duas generosas porções de Molly nas garrafas de água com gás que eu requisitava no balcão.

O efeito foi catastrófico. Na mesa em que estava com as minhas amigas e seus crushs, eu observava a pista de dança lotada de corpos sensuais gingando ao ritmo das músicas. O calor que o ar-condicionado não estava dando conta de arrefecer, fez alguns caras tirarem as camisetas e exibirem seus torsos, o que por si só já atuava na minha mente como uma droga capaz de mexer com todo meu ser, particularmente o cuzinho que se assanhava, felizmente, coberto pela cueca onde ninguém podia ver o assanhamento das preguinhas se contorcendo em espasmos. As batidas rítmicas dos pés e o tamborilar com os dedos sobre a mesa acompanhando a cadência das músicas, foi ganhando força à medida que a sede me fazia dar goles na garrafa de água gelada, ao mesmo tempo que se mostravam insuficientes para o que meu corpo estava pedindo, se soltar na pista. O estranhamento das minhas colegas começou ali mesmo, quando, ainda sentado, meu corpo se pôs a gingar mais libertamente. Minutos depois, eu já estava em pé dançando com as mãos apoiadas sobre os ombros de uma delas e a convidando para ir até a pista comigo. O crush dela só me encarou com cara de poucos amigos e, o que deveria ter sido interpretado como um aviso para não avançar com aquilo, acabou me parecendo um convite para me oferecer a ele, já que o sujeito era bem tesudo.

Eu estava estranhamente alegre, eufórico, a sensação inigualável de prazer crescia dentro de mim, junto com um calor infernal quando fui à pista sozinho e me pus a dançar solto das amarras que costumavam me manter invisível e recolhido em mim mesmo. Tirei a camiseta, me juntei a um grupinho que também não estava mais em seu estado normal havendo perdido todo e qualquer pudor. Eram corpos se esfregando, mãos deslizando sem reservas sobre curvas insinuantes de tetas e bundas, ancas largas sendo encoxadas com obstinação, gritinhos histéricos acompanhando a cadência das músicas. E eu lá, no meio daquilo tudo movendo o esqueleto que acendia o tesão das garotas e provocava ereções nos rapazes. A coisa evoluiu até eu fazer parte da galera que só usava as roupas íntimas, pois as demais haviam sido lançadas pelo ar numa concupiscência desmedida. Abriu-se um vão no centro da pista de dança onde eu e mais três garotas e quatro caras protagonizávamos o espetáculo da noite, praticamente nus com os corpos suados deixando a galera num tesão sem precedentes.

Eu nem mais sabia onde estava, o que estava fazendo, só curtindo aquela alegria inexplicável que tomava conta de mim, surgida sabe-se lá como e de onde. O grupinho que havia armado a cilada se divertia vendo o nerd quase pelado dando um show para a galera. Em meu estado normal eu passava longe deles, evitava até olhar para eles, mas naquela noite senti uma enorme atração por seus corpos parrudos, por aquelas caras de machos cafajestes e me deixei cercar por eles que me levaram até um canto mais discreto e começaram a passar suas mãos taradas pelo meu corpo incendiado pelo Molly e coberto de suor cítrico. Um deles me beijou voluptuosamente e enfiou as mãos pelas cavas da minha cueca, amassando minhas nádegas enquanto eu me pendurava no pescoço dele, afagava excitado os pelos do peitoral vigoroso e me oferecia feito uma puta. O comparsa dele veio por trás, abriu a braguilha e, valendo-se das sombras, pincelou e caralhão melado no reguinho liso que o outro mantinha aberto. Toda vez que a pincelada passava sobre a minha fenda plissada, eu gemia feito uma cadela no cio, provocando neles, além do tesão, risos de sarcasmo.

Notei que algo estava errado, que aquela alegria não podia ter surgido do nada e percebendo como estavam se divertindo às minhas custas, repentinamente os empurrei para longe, desgrudando aquele tronco ao qual o meu estava colado e aquela virilha peluda que roçava freneticamente minhas nádegas expostas. Puxei a cueca para cima e fui cambaleando até o banheiro onde o ar estava impregnado dos vapores de substâncias ilícitas. Diante do espelho constatei aterrorizado o estado no qual me encontrava, a cabeça girando, a garganta seca, o coração disparado, os olhos vermelhos e injetados, uma ânsia revolvendo meu estômago. Me drogaram, balbuciei num lampejo de lucidez, no mesmo instante em que dei falta das minhas roupas. Corri para uma das cabines e verti todo conteúdo do estômago no vaso sanitário. Minhas têmporas latejavam como se quisessem explodir. Voltei a pia para lavar a boca quando os quatro entraram no banheiro atrás de mim, dispostos a continuar com a zoeira. O barulho que vinha do salão principal começava a diminuir, o crepúsculo começava a se infiltrar pelas janelas rentes ao teto, anunciando o alvorecer. Por mais que tentasse juntar minhas forças me senti incapaz de sair dali e chegar a algum lugar.

- Me tirem daqui! – pedi aos meus algozes, sem noção do que estava fazendo.

- Para onde quer que o levemos, seu putinho gostoso do caralho? Vai ter que liberar o cuzinho para os quatro. – sentenciou o que me continha pela cintura e movia a pelve como se estivesse me fodendo.

- Não, meu cu não! Se você ainda não sabe, eu sou virgem e não quero um desses cacetões entrando no meu rabo. – retruquei, completamente chapado.

- Virgem! Melhor ainda! Tá na hora de perder o cabaço, seu nerd veadinho, e não tem nada melhor do que as nossas quaro picas para arregaçar suas preguinhas. – disse o que forçou minha cabeça para baixo ao mesmo tempo que tirava o caralhão pela braguilha e o pincelava no meu rosto.

- Não, eu não quero ..... – protestei, antes da cabeçorra melada ser socada na minha boca.

Fui miraculosamente salvo pelos dois faxineiros que adentraram ao banheiro para nos expulsar depois que a casa noturna havia fechado, segundos antes de um deles querer enfiar o pauzão no meu cu.

- Que putaria é essa aqui? – perguntou exasperado um dos faxineiros. – Vão foder fora daqui, seus veados!

Eles me arrastaram consigo para fora e estavam prestes a me enfiar num carro quando senti um solavanco do que estava me segurando em seus braços. Ele me soltou assim que se deparou com a cara enfezada do Bruno preparando o punho cerrado para atingir seu rosto. Sabedores do resultado de bater de frente com aqueles punhos, eles debandaram nos deixando no meio do estacionamento, onde o Bruno precisou continuar me segurando para eu não desabar no chão.

- Cacete, Thiago, que porra toda é essa que você está aprontando hoje? Nunca ninguém te viu fazendo tanta merda! – disse ele, enquanto eu me agarrava aos seus ombros para não escorregar até o chão, pois minhas pernas estavam tão moles quanto gelatina.

- Ah, é você de novo! – exclamei, encarando-o com o olhar flutuante. – Eu já disse que sou virgem e que não vou dar o cu, pode tirar o cavalinho da chuva! – balbuciei com a língua pesada. – E me solta, falei para você nunca mais relar essa mãozona de macho em mim. – emendei.

- Você está completamente chapado! Que porra você andou tomando? Onde estão as tuas roupas? Com quem você veio à balada?

- Eu ... eu ... por que tantas perguntas? Eu não sei, oras! Minhas roupas estão ali .... cadê as minhas roupas? – murmurei apontando para um lugar qualquer. – Eu vim com eles, você os espantou, quero que os chame de volta, eu preciso ir para casa. – nada do que dizia fazia sentido, nem mesmo para mim.

- Não veio com aqueles babacas, não! Você nem vai com a cara deles, só ficam te zoando! Acorda, seu putinho, eles só estavam a fim de enfiar as rolas deles no seu cu! Deixou-os ensandecidos alegando ser virgem, já se deu conta disso, veadinho do caralho?

- Você também quer enfiar a sua rola no meu cu?

- Querer eu quero, e faz tempo, mas não com você nessa situação! – devolveu ele, à meia voz achando que eu não ia perceber. – Onde você mora? Vou te levar para casa, já que seus amigos te deixaram na mão.

- Eu moro na minha casa, dos meus pais, quer dizer!

- Ah, não me diga! Isso é muito esclarecedor! Onde fica a sua casa, sabe ao menos dar essa resposta?

- Fica ali! – voltei a apontar para lugar algum.

- Porra do cacete, era o que me faltava, ter que me virar com esse nerd veadinho destrambelhado!

- Eu ouvi isso! Não sou destrambelhado, só nerd e talvez veadinho. – devolvi. Ele não conteve o riso, me ergueu, jogou sobre o ombro e me jogou no banco de trás de um carro.

Enquanto dirigia, eu tagarelava feito uma matraca, nem sei falando que absurdos que, no entanto, o faziam resmungar em dados momentos e rir em outros.

Acordei com o dia claro, uma escola de samba tamborilando na cabeça, a boca seca, num lugar desconhecido e, numa cama larga só de cueca com o Bruno ao meu lado, nas mesmas condições, e com o pau duro apontando para cima feito um obelisco. Ao pular assustado para fora da cama perdi o equilíbrio e me estatelei no chão, acordando-o com o barulho.

- O que é que você está aprontando agora, caralho? Nem mais dormir sossegado se pode! Que horas são? – perguntou, bocejando e esfregando os olhos.

- Que lugar é esse? Por que me trouxe para cá? Por que está quase pelado e com essa coisa nesse estado? O que fez comigo? – perguntei, num diálogo que parecia não chegar a um acordo.

- Assim não dá, ou pergunto eu e você responde, ou pergunta você e eu respondo, de acordo? – devolveu. – Como eu perguntei primeiro, você responde!

- Responder o quê?

- O que te perguntei, o que mais seria? Você ainda está chapado? Cacete, Thiago, não me diga que ainda está chapado! Faz ideia do trabalhão que me deu?

- Não estou aprontando nada, não estou chapado e não sei que horas são! Agora é minha vez, estou esperando. – vociferei.

- Esse é o meu quarto, eu te trouxe para cá porque você de tão chapado que estava nem se lembrava mais onde mora. E, eu não estou pelado e o que você chamou de “essa coisa” é o meu pau que acorda assim todas as manhãs. Sossega que não fiz nada com você, embora não me tenha faltado vontade de te dar umas porradas quando me vi obrigado a te trazer para a minha casa. – respondeu, tentando se localizar no espaço e tempo. – E, trate de não berrar, minha família está em casa, talvez ainda dormindo, e você se pondo a gritar como um maluco. Já vai ser difícil eu explicar a sua presença na minha cama sem roupas, quanto mais justificar seus berros.

- Minhas roupas! – exclamei, me dando conta de repente de estar sem elas. – O que fez com as minhas roupas, me devolve agora, Bruno!

- Fala baixo, cacete! As tuas roupas você se encarregou de ir lançando uma peça atrás da outra pelo ar enquanto era o centro das atenções na pista de dança, e vai saber onde foram parar. Talvez os fãs as tenham guardado como souvenir. – retrucou debochando.

- Não fala besteira! Me devolve as roupas, Bruno, eu quero sair daqui imediatamente!

- Caralho de veadinho teimoso da porra! Não estou com elas, cacete! Foi você que ficou dançando só com essa cuequinha na pista de dança. Aliás, só para esclarecer, você sempre usa esse tipo de cueca? Mais parece uma tanga de tão sumária. Não que eu esteja reclamando, sua bundinha roliça fica ainda mais gostosa dentro delas.

- Eu vou sair daqui, e vai ser agora mesmo! Você vai se arrepender do que fez comigo, pode estar certo! – ameacei sem base alguma.

- Quer saber, eu já me arrependi! Devia ter deixado você com essa cuequinha enfiada no bundão naquele estacionamento para o primeiro tarado que aparecesse fazer a festa. – retrucou zangado. – Nem se atreva a sair desse quarto nesses trajes, ou melhor dizendo, sem praticamente nenhum, não quero que meus pais se deparem com um doido varrido pelado andando pela casa.

Ele foi tão enfático que entreguei os pontos. Aos poucos minha mente começou a ser bombardeada por flashes que me davam a certeza de que coisas terríveis aconteceram naquela balada, pois vi mãos de garotas e caras me bolinando, parecia ainda sentir encoxadas frenéticas entre as nádegas, imagens de quatro cacetões sendo manipulados acintosamente na minha cara pareciam tão reais que me deixaram arrepiado, eu também podia jurar que cheguei a sentir o perfume almiscarado deles e um sabor pungente mesclado com a minha saliva. Sacudi a cabeça para espantar esses flashes.

- O que foi, começou a se lembrar da zoeira que aprontou? – perguntou o Bruno, sentado na cama com as pernas abertas e aquela ereção perturbadora. – Dizem que os santinhos sempre são os piores, você provou que isso é verdade. – emendou, com um risinho zombeteiro.

- Eu não aprontei nada! Quer dizer, eu acho! Também não sou santinho! E pare de me olhar desse jeito! – devolvi. – Devem ter colocado alguma coisa naquelas garrafas de água que eu tomei, por que foi depois disso que comecei a sentir umas coisas acontecendo comigo. – revelei

- Eu já tinha desconfiado que você começou a agir daquele jeito estranho quando aqueles babacas começaram a mexer com você e devem, com certeza, ter colocado alguma droga na sua bebida.

- Eu não bebi nada, só a água, disso tenho certeza! – protestei.

- Bem seja lá como fizeram, deu certo, você se liberou, deu show na pista de dança e deixou um bocado de gente morrendo de tesão por esse corpão gostoso.

- Com que cara eu vou encarar a galera na faculdade de agora em diante? Eu sabia que ir a essa balada era uma furada, como pude ser tão imbecil?

- Você não é imbecil, é só um nerd sem malícia e inexperiente com quem aqueles caras gostam de zoar. E pode ser preparar porque vão zoar muito mais daqui para frente depois de você espalhar aos quatro ventos que ainda é virgem. – retrucou

- Não! Eu não posso ter dito tanta besteira! – exclamei estarrecido.

- Quer que eu te mostre as imagens, tenho tudo gravado no celular, você tirando a roupa na pista de dança, distribuindo-as para a galera, formando o recheio de um sanduiche entre dois taradões, gingando com sensualidade ao ritmo da música e se deixando levar pelo efeito da droga.

- E você, por que não fez nada para impedir? – questionei exigente.

- Pelo que me lembro foi você quem me mandou nunca mais tocar em você e manter distância, ou estou enganado? – é eu fiz isso também, me recordei arrependido, ao baixar o olhar resignado e me sentar na beira da cama. – Passa do meio-dia, meus pais devem estar se preparando para almoçar. Você não pode aparecer assim, preciso encontrar umas roupas minhas que sirvam em você, não quero que te vejam com essa cuequinha entalada no rabo e comecem a tirar conclusões precipitadas. Depois descemos, você almoça conosco e mais tarde te levo para casa; acredito que a essas alturas você já deve se lembrar onde mora. – sentenciou ele, propondo uma solução para aquela situação.

- Tá! – foi tudo que consegui responder, antes de seguir para a ducha conforme ele me ordenou.

Não se falou noutra coisa na faculdade nas semanas que se seguiram. O introvertido Thiago que soltou a franga na balada alimentava os assuntos nas rodinhas de conversa. Seria bom se num estalar de dedos eu pudesse evaporar no ar, pois aqueles olhares de cobiça estavam me apavorando e voltaram a exacerbar a minha timidez que, eu mesmo, já encarava como patológica requerendo ajuda profissional.

Até garotas e rapazes de outras turmas começaram a me assediar depois de terem visto a sensualidade embutida no meu corpão estruturado. Os machões fodões da minha turma recomeçaram o bullying com mais intensidade, mas isso durou pouco depois de o Bruno dar uma prensa neles e, como nenhum deles estava disposto a ter a cara detonada pelos punhos dele, foram me deixando em paz. No entanto, começaram a circular boatos de que o Bruno e eu mantínhamos um relacionamento oculto escondendo nossas preferências sexuais. Desses não conseguimos nos livrar, pois não eram passíveis de socos para os calar.

- Você vai dar bola para isso? Fala sério, Thiago! E daí que falem, que pensem o que quiserem? Tô me lixando para fofocas, e você deveria fazer o mesmo! – respondeu-me quando fui falar com ele. – Sabe que tem horas que eu gostaria que você fosse aquele cara desinibido que botou fogo na galera naquela pista de dança. Ele está aí dentro, por que não o deixa sair mais vezes? – questionou, cutucando minha testa com a ponta do dedo.

- Só se eu fosse maluco! Você viu a merda que deu quando esse outro Thiago saiu de dentro de mim, nem pensar! – devolvi.

- É uma pena, eu ia ficar ainda mais apaixonado! – exclamou

- Você o quê? Não se atreva a sair falando isso por aí, eu te proíbo, está me entendendo, eu te proíbo! – revidei exaltado.

- Eu só gostaria de saber como você ia fazer isso! – exclamou rindo e tirando uma com a minha cara. Resolvi encerrar a conversa por ali, não dava para peitar esse machão parrudo quando encasquetava com alguma coisa.

Passei semanas pensando no que teria sido de mim se o Bruno não tivesse intervindo naquele estacionamento para me livrar dos machões babacas, teriam arregaçado meu cu com minha conivência estimulada pelo Molly. Ele não era igual aos que eu conhecia, caso contrário, poderia ter se aproveitado do meu rabão, que sabidamente o excitava, quando dormi uma noite inteira em sua cama. Ao invés de o agradecer, só o critiquei. Para corrigir meu erro fui me aproximando dele, a começar por lhe sorrir à distância quando seu olhar estava sobre mim, a cumprimentá-lo com um discreto – Oi! – quando nos encontrávamos e, a não fugir como uma gazela assustada quando ele me abordava, o que ele passou a fazer mais amiúde desde que passamos a noite juntos em sua cama.

Ele nem acreditou quando me ofereceu uma carona num dia em que fui à faculdade sem carro, e eu aceitei sem aquelas despachadas grosseiras que costumava dar. Só fiquei um pouco exaltado quando notei que ele não seguiu o trajeto que eu havia indicado, e estava me levando para sabe-se lá onde. O questionamento queria sair da minha boca, mas o segurei à custa de algum esforço. Afinal, ele não me parecia aquele bicho papão que eu imaginava e, além do mais, era indubitavelmente um cara lindo; talvez o mais lindo e sexy que eu já tinha visto.

Ele parou no estacionamento do Parque Ibirapuera, me encarou sem que eu lhe perguntasse nada, apenas o acompanhei quando seguiu a pé por uma alameda sombreada pelas copas das árvores. Fazia uma tarde agradável de outono, a caminhada começou em silêncio, eu estava tenso por alguma razão, ele pensativo, como se estivesse ensaiando o que ia me dizer.

- Tarde legal! Eu ..... – dissemos ao mesmo tempo, demonstrando nosso nervosismo.

- Você primeiro! – disse ele

- Eu quero me desculpar por ter agido feito um panaca com você! Sei que não justifica, mas tive uma experiência traumática no passado e isso me fez criar um bloqueio a caras como você.

- Caras como eu?

- Não foi isso que eu quis dizer, desculpe! Eu quis dizer caras que gostam de zoar com caras como eu, quando não se dispõem a fazerem coisas piores.

- Acha que sou assim?

- Não! Não foi isso que eu dizer, estou me enrolando todo nessa explicação. Você é legal, muito legal!

- Eu sou legal! Não sei bem o que isso quer dizer, mas acho que sim, sou um cara legal! – exclamou, nada convencido.

- E você, o que queria me dizer? – perguntei, tirando o foco da conversa da minha pessoa.

- Bela saída pela tangente! – afirmou rindo. – Eu também ia dizer que você é um cara legal! – ele parou e me encarou.

- É isso? Me trouxe até aqui para me dizer que sou um cara legal?

- É mais ou menos isso! – respondeu, me fazendo perceber que estava inseguro quanto ao que queria de fato me dizer.

- EuNão precisa dizer nada! Não sei o que te aconteceu no passado, mas eu gostaria de ficar seu amigo, mais que amigo, eu queria .... – interrompeu, ao lhe faltar a coragem de continuar.

- Você queria o quê?

- Ficar com você! – afirmou, antes de me puxar para junto de si, contornar meu rosto com as pontas dos dedos e vir aproximando lentamente a boca da minha até a cobrir com um beijo úmido que, aos poucos, foi capturando meus lábios entre os dele. Havíamos esquecido que estávamos num lugar público em plena luz do dia, quando duas senhoras quarentonas praticando jogging passaram por nós, nos encarando com um olhar recriminador e nos alertando para o que chamaram de – “essa sem-vergonhice de veados”. O Bruno fechou a mão esquerda com o dedo médio em riste apontado para elas. Imediatamente me desvencilhei dele afastando-o.

- Vamos sair daqui! – exclamei apavorado.

- Por quê? O que aconteceu? Não gostou que o beijasse? Me desculpe, foi um impulso!

- Não, é que .... só me leve embora!

- Você está se tremendo todo Thiago! Sei que meus beijos tem um potencial avassalador, mas é a primeira vez que alguém fica tão abalado com apenas um beijo. Quer me contar porque reage tão impulsivamente a um simples toque ou a um único beijo? O que de tão grave aconteceu no passado para você ser tão arredio? – indagou, vindo atrás de mim enquanto eu me dirigia ao estacionamento.

Havia chegado o momento. Ele ficou esperando minha resposta quando entramos no carro sem que ele desse a partida, ou tencionasse sair dali. Eu esfregava uma mão na outra, estavam cobertas de um suor frio. Baixei o rosto para não ter que o encarar, e comecei a pôr para fora aquele segredo que me corroía por dentro e me impedia de me aproximar de qualquer cara, mesmo quando ele despertava tesão e sentimentos em mim.

- Foi no início do ensino médio. – comecei, fazendo-o todo ouvidos para o meu relato. – Ele era o cara mais atlético, sexy, fortão e bonito da turma. As garotas faziam de tudo para chamar a atenção dele, mesmo que para isso precisassem agir como prostitutas. Dois carinhas também saltitavam ao redor dele como libélulas assanhadas depois de o verem pelado debaixo dos chuveiros do vestiário, e constatado o tamanho do que estava pendurado entre as coxas musculosas dele. No entanto, foi comigo que ele se esforçou para fazer amizade e, em poucos meses, éramos mais que amigos. Ele me levava para uma área do colégio depois das quadras esportivas e que ficava meio isolada por uma carreira de árvores, onde ficávamos sentados lado a lado conversando até perder a noção do tempo. Foi lá que ele segurou na minha mão pela primeira vez, que me disse que gostava de mim, que me deu o primeiro beijo enfiando a língua na minha boca e apertando minhas nádegas com suas mãos potentes. Eu estava encantado pela masculinidade dele, por seus músculos e, tal como as garotas e os dois gays, eu me sentia atraído pelo pauzão dele, tanto que no dia em que ele ficou muito duro dentro short, após a aula de ginástica, ele o tirou para fora cheirando a suor e babando pré-gozo pedindo para eu o chupar. Eu o chupei com tanto afinco que ele gozou na minha boca me fazendo engolir toda a porra. Depois daquele dia, passamos a nos isolar entre as árvores diariamente, sentados no gramado e externando nossa paixão como dois namorados, o que eu ilusoriamente pensava que fossemos. Nunca havia me sentido tão feliz, ele era tudo para mim. No entanto, um dia fomos seguidos por uma galera, todos amigos dele do mesmo estilo machão predador e algumas garotas que não desgrudavam deles, que andava desconfiada dos nossos sumiços constantes. Acabaram nos flagrando trocando carícias, melhor dizendo, ele bolinando diretamente a pele da minha bunda dentro da calça. Quando os viu, e questionando o que estávamos fazendo ali feito dois veados, ele se transformou. Disse que eu o havia chamado para foder meu cu, por isso tinha me trazido até ali para me dar uma surra, pois jamais ia se envolver com uma bichinha oferecida, quanto mais comer o cu dela. Os colegas parrudões dele começaram a me bater, a desferir socos no meu rosto e pontapés por todo meu corpo enquanto eu rolava pelo chão implorando para que parassem. Ele não moveu um dedo sequer para me ajudar, nem pediu para que parassem de me agredir; até um dos colegas dele exigir que ele me mostrasse como é que se trata um veadinho. Ele cerrou o punho e desferiu uma saraivada de socos no meu rosto fazendo os ossos estalarem. Antes de me abandonarem sem assistência, um deles chutou minhas costas me fazendo perder a respiração antes desmaiar. Acordei no leito de um hospital muitas horas depois, com o diagnóstico de duas costelas fraturadas, bem como o osso malar esquerdo e o nariz que exigiram uma cirurgia para serem reparados. Meus pais moveram um processo contra o colégio e os agressores que além de expulsos, tiveram os pais condenados pela justiça a pagar uma indenização e passaram alguns meses numa instituição para menores infratores, exceto um deles que já era maior de idade e foi recolhido a um presídio. Eu tive que me mudar de colégio, não conseguia mais encarar ninguém e ser julgado pelo que fiz, gostar de um cara que de fortão e másculo não tinha nada, acovardando-se na primeira situação na qual precisou provar sua masculinidade. Desde então, tenho medo de caras assim. Tenho medo que me exponham, que só se aproximem de mim para mostrar aos outros que não sou um macho como eles, que gosto de homens, e me castiguem por isso. – revelei envergonhado. Ele nem piscava enquanto eu discorria o episódio, só pegou minhas mãos entre as dele quando terminei e tocou suavemente meu rosto, por onde descia uma lágrima solitária.

- Agora sei o que você queria dizer com – caras como você – começou ele. – É até difícil imaginar o sofrimento pelo qual você passou, Thiago. Eu jamais tocaria num fio do seu cabelo se soubesse que isso ia te machucar. Posso até me parecer fisicamente com esse sujeito desgraçado e miserável, mas não sou como ele. Eu teria calado a boca de todos eles com uma porrada no meio das fuças se estivesse no lugar dele nesse dia; ninguém ia relar sequer um dedo em você, eu ia te proteger de tudo e de todos, Thiago. – asseverou, contendo com o polegar a lágrima que rolava pelo meu rosto. Pela primeira vez eu me senti seguro com aquelas palavras, e acreditei piamente no Bruno, naquele toque único e especial com o qual me consolava.

Ele se inclinou lentamente para o meu lado, segurou meu rosto, e cobriu minha boca com a dele, capturando meu lábio com os dele, num beijo que não me deixou apavorado, mas que me levou a sentir uma segurança que só experimentava quando vinda dos maus pais.

- Eu te quero, Thiago! Te quero desde a primeira vez que te vi! Quero que seja meu! – exclamou, entre os beijos que se sucediam sem pressa e, aos quais eu correspondia aceitando que sua língua explorasse minha boca com sofreguidão e ternura.

Por ele, teríamos assumido um relacionamento público no dia seguinte, mas eu ainda não tinha vencido minha insegurança e o medo de apanhar novamente de machões por ser gay, por mais imperceptível que fosse alguém o notar.

- Você está gostando dele, não está? – perguntou-me minha mãe ao notar que eu andava mais alegre, menos temeroso e que meus olhos brilhavam toda vez que o Bruno vinha me buscar para sairmos ou, simplesmente quando eu mencionava o nome dele.

- Acho que estou apaixonado! – respondi sem medo, não havia segredos entre nós dentro daquela casa. – Mas, e se ele for igual ao outro? Não dá para saber, como não deu daquela vez. Só descobrimos quem ele era quando se aliou aos colegas para me espancarem. – indaguei.

- Nunca é fácil saber quem uma pessoa realmente é, mas algo me diz que o Bruno não é como aquele outro. – devolveu minha mãe.

- Não é mesmo! Dá para sentir o quanto ele gosta de você, como quer te proteger, como cuida de você! – interveio meu pai, que não escondia a simpatia que tinha pelo Bruno.

- Tudo na vida tem um risco, com o amor não é diferente! Contudo, o Bruno me parece o tipo de rapaz que vai te fazer muito feliz, meu filho. Dê uma chance a ele, não se esconda atrás da barreira que você criou, e que impede que as pessoas se aproximem de você e dos seus sentimentos. – aconselhou minha mãe.

- Exatamente, filhão! Abra seu coração para o Bruno, deixe-o te provar o quanto te ama e quer cuidar de você. – acrescentou meu pai.

- O que é isso, um complô a favor do Bruno? – questionei rindo. – Desde quando viraram fã dele?

- Desde quando percebemos como ele olha para você, como te deseja, com se preocupa com cada pequeno detalhe relacionado a você. Ele te ama, Thiago, não tenho dúvida! – afirmou minha mãe, com o que meu pai concordou quando vieram me abraçar.

Tínhamos voltado de um show seguido de um jantar, e já era bastante tarde quando o Bruno me deixou na porta de casa. Ele tinha estado particularmente assanhado naquele dia. Começou a me tocar com aquela mão boba assim que veio me buscar, me deu uns amassos disfarçados durante o show, ficava me encarando com aquela cara de tarado esfomeado, passou a mão nas minhas coxas por baixo da mesa durante o jantar em pleno restaurante e, enquanto esperávamos o manobrista do estacionamento trazer o carro, deu um chupão na minha nuca enquanto me encoxava feito um garanhão cobrindo uma égua.

- O que foi? – perguntou enquanto dirigia vendo meu olhar fixo nele

- Eu que pergunto, o que foi para você estar tão impossível hoje? – devolvi

- Sonhei com você a noite toda! – respondeu

- E isso é motivo para ficar tão assanhado?

- Quando me deixou entrar no seu cuzinho gemendo e pedindo para eu ser seu macho, é mais do que motivo para eu estar assim, pegando fogo de tanto tesão. – respondeu.

- Tem certeza que era eu nesse sonho? Não costumo ser tão safado!

- Era você, sem dúvida! Seus olhinhos chegavam a revirar quando me pedia para entrar mais fundo, meter tudo, te fazer minha femeazinha entre suspiros de tesão. – eu ri, coloquei a mão sobre a coxa dele e a guiei vagarosamente sobre a ereção aprisionada sob a calça dele. Ele soltou o ar ruidosamente entre os dentes.

- Quer entrar? – perguntei, quando ele estacionou diante do portão da garagem de casa.

- Eu sempre quero entrar! – respondeu lascivo, colando sua boca na minha.

Subimos a escada em direção ao meu quarto eu tendo que pedir para ele fazer silêncio para não acordar meus pais, enquanto tinha as minhas roupas arrancadas do corpo. Assim que fechei a porta do quarto, ele tirou a camisa expondo o tronco másculo cheio de músculos. Terminou de arrancar a minha camisa e caiu de boca sobre um dos mamilos, lambendo-o e chupando-o numa voracidade selvagem, antes de mastigar o biquinho saliente e me fazer gemer. Impaciente pela minha calça não arriar na velocidade de sua tara, ele meteu a mão dentro dela e da cueca amassando minhas nádegas lisinhas e quentes.

- Cacete, Thiago, tira essa porra dessa calça de uma vez, está me deixando maluco! – exclamou, quando com um solavanco forte fez o botão do cós saltar e o zíper da braguilha se abrir permitindo que a calça escorregasse pelas minhas coxas até os joelhos.

A mãozona afundou no meu reguinho estreito e liso, caçando a rosquinha plissada camuflada naquele tanto de carnes roliças. Gemi alto quando senti os dedos tocando meu ânus, ele sorriu me encarando e me beijou. Pendurei-me no pescoço dele e empinei a bundona carnuda, deixando-o vasculhar a portinha do meu cu com o dedo devasso que enfiou nela.

- Ai Bruno! – gemi, sentindo o dedo rodopiar entre as preguinhas excitadas.

- Pede Thiago, pede! – grunhiu ele, abrindo e baixando a calça, o que fez o pauzão saltar para fora com um longo visgo translúcido de pré-gozo saindo da cabeçorra. – Pede como pediu no meu sonho, pede, meu veadinho tesudo do caralho!

- Entra em mim, Bruno! Seja meu macho! Quero ser seu! – gemi, retribuindo os beijos e chupando a língua dele que não parava de vasculhar minha garganta.

Caí de costas sobre a cama com o empurrão que ele me deu antes de se livrar da calça e vir para cima de mim com o caralhão em riste. Também me livrei da minha calça e cueca, abri braços e pernas para o receber sobre mim. Ele me puxou deixando meu rosto diante do chumaço de pentelhos da virilha e do caralhão dando pinotes. Segurei-o devotamente entre as mãos e, com a ponta da língua, amparei o filete de visgo translúcido, sorvendo-o antes de envolver a imensa chapeleta com os lábios. O Bruno rugiu, um rugido rouco e grave vazando entre os dentes.

O pauzão enorme e pesado tinha mais de um palmo de comprimento, extremamente grosso, exibia o emaranhado de veias saltadas repletas de sangue que o circundavam dando-lhe uma aparência selvagem e viril. O cheiro almiscarado que emanava era inebriante, com um efeito imediato sobre as minhas preguinhas anais que não paravam de piscar. Mamei o caralhão sem pressa, percorrendo-o com a boca e a língua da glande arroxeada ao sacão peludo no qual se podia distinguir perfeitamente o contorno dos dois ovos enormes contidos nele. A cada sugada o Bruno se contorcia e pisoteava excitado o chão a seus pés, gemendo e afundando os dedos nos meus cabelos enquanto prendia meu rosto rente aos pentelhos. O néctar escorria abundante do pauzão dele se mesclando com a minha saliva antes de eu o deglutir. Minha mão espalmada sobre o abdômen trincado dele, afagando os pelos da trilha que descia desde os mamilos até a virilha, sentiu os músculos se contraindo, no mesmo instante em que ele urrou, socou o cacetão no fundo da minha garganta e começou a ejacular feito um chafariz enchendo minha boca com seu esperma leitoso e delicioso. O olhar dele estava fixo no meu rosto, me observando saborear sua virilidade com o olhar doce que eu lhe dirigia.

Deitei-me sobre o peito dele, ouvindo o coração bater forte e sentindo a excitação que ainda precisava ser arrefecida mesmo depois da leitada cremosa que despejou na minha boca. Ele envolvia meu corpo em seus braços, um deles apoiado nas minhas costas mantinha a mão brincando e bolinando minha nádega. Com um leve roçar das pontas dos dedos eu circundava acariciando os pelos ao redor do umbigo dele, deslizando de quando em quando até o caralhão flácido repousando sobre uma de suas coxas. Ele reagia ao meu toque dando um pinote, mas ainda não estava pronto para um segundo round, o que só aconteceu cerca de um quarto de hora depois, ao fazer a cabeçorra toda estufada se erguer altiva e determinada. Meu cuzinho se revolvia em espasmos, as pregas convulsionavam e me faziam insistir nos toques para deixar o caralhão duro novamente. A respiração do Bruno começou a acelerar, a mão que bolinava minha bunda começou a amassar os glúteos polpudos com força, um dedo entrou no meu cuzinho preparando o caminho para o que estava por vir. Eu gemi em súplica externando meu desejo. Ele me virou para o lado, quase de bruços, enquanto eu abria as pernas e empinava o rabo parecendo uma cadela no cio. Respirei fundo. Ele montou em mim, pincelou o pauzão sobre minha fendinha anal e começou a se empurrar para dentro dela com a cabeçorra distendendo as preguinhas até elas se romperem, deixando-a afundar alargando meu cu enquanto meu grito abafado dentro do travesseiro assinalava a dilaceração do esfíncter anal levando consigo a minha virgindade.

Ele fechou os braços ao redor do meu tronco me apertando e contendo com força, e socando o cacetão cada vez mais fundo no meu cu. Ele gemia a cada estocada que o enchia de prazer, e tapava minha boca com uma das mãos para que meus ganidos pungentes não denunciassem o que estávamos fazendo.

- Ai Bruno! Seu cacetão é enorme e muito grosso, está me arregaçando! – gemi rebolando para ajeitar o pauzão dentro do cu.

- Isso minha femeazinha, rebola esse rabão gostoso para o seu macho, rebola! – ronronava ele, chupando e mordiscando minha nuca. – É exatamente como no meu sonho, você gemendo gostoso com meu cacete socado no seu cuzinho macio e apertado. Vou encher seu rabão com meu leite, te deixar bem molhadinho!

Ouvir aquilo naquele tom sussurrado e rouco fez meu esfíncter travar encapando o caralhão com força, cada estocada funda agora tracionava toda musculatura pélvica gerando dor e prazer numa combinação que nunca havia sentido. De repente, percebi que estava gozando, senti meu pinto ejaculando a porra leitosa e libertadora numa profusão e felicidade imensurável. A sintonia entre nós era tamanha que o Bruno urrou enquanto me beijava e ejaculava seu sêmen viril dentro de mim. Ele foi ficando cada vez mais pesado à medida que seu corpão ia relaxando sobre o meu. O pauzão dele foi amolecendo devagar no meu cuzinho me fazendo sentir o estrago nas preguinhas rotas ensanguentadas.

- Você me rasgou! – exclamei, não por queixume, mas por simples constatação.

- Deixa teu macho cuidar disso, dessas preguinhas inchadas e desse buraquinho apertado! – disse ele, ao limpar um tanto de porra que vazou do cuzinho e o sangue que aflorava das pregas arrebentadas pelo caralhão grosso com uma toalha molhada que buscou no banheiro.

Quando descemos juntos a escada na manhã seguinte, meus pais estavam terminando de tomar o café, e não foi através da troca de olhares que souberam o que havia rolado no meu quarto. O sorriso largo e o corpão relaxado do Bruno aliado ao meu caminhar com as coxas fechadas que amenizavam a ardência e o inchaço do meu cuzinho dolorido e encharcado de sêmen, respondia a qualquer eventual pergunta que tivessem.

- Como estão meninos, como foi o show, valeu à pena? – perguntou minha mãe, toda sorridente para o lado do Bruno, não escondendo o quanto gostava dele.

- Foi muito legal, não foi Thi? – respondeu ele, usando pela primeira vez essa abreviação do meu nome que acabou virando sua marca registrada.

- Foi, valeu muito à pena! Eles arrasaram! – confirmei.

- Pelo visto também dormiram bem, estão com a felicidade estampada na cara! – disse meu pai, indo dar umas palmadas amistosas no ombro do Bruno.

- Dormir ao lado do Thi foi mais que relaxante e prazeroso. – retrucou o Bruno, não fazendo segredo daquilo que sabia estar na mente dos meus pais.

Eu corei no mesmo instante e relutei encarar os olhares dos meus pais, por mais sempre me tivessem apoiado.

- Ele não fica ainda mais fofo quando está envergonhado? – questionou o Bruno, vindo me puxar para seu tronco e me beijando sem pudor.

- Estamos felizes pela maneira como você cuida dele, Bruno! Receber você em nossa casa é sempre um prazer. – disse meu pai, enquanto eu me aninhava naquele peitoral quente, sem precisar me esconder ou temer o que quer que fosse.

Mas não foi o peitoral largo e vigoroso, nem os ombros que se assemelhavam a vigas, nem a profusão de músculos espalhados pelo corpão do Bruno que me transmitiam segurança, me davam coragem para superar o trauma sofrido e meus medos. Era a saliva dele escorrendo na minha boca enquanto ele me beijava quando o cacetão atolado até o talo no meu cuzinho esporrava seu sêmen denso e pegajoso fecundando o amor que sentíamos um pelo outro e que nos unia.

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