Meu melhor amigo me comeu – a tensão virou tesão.
Estávamos ali, dois caras: eu, Daniel, e meu amigo Matheus. Ambos tínhamos 25 anos e 1,73m de altura, mas com presenças que se chocavam de forma assimétrica. Éramos brancos, mas de matizes diferentes: o meu bronzeado contrastava com a brancura dele. Sempre fui mais magro e ele, o Matheus, mais denso, ombros largos e aquele jeito de quem domina o espaço sem pedir licença.
Nos conhecíamos desde a época do ensino fundamental e a tensão que sempre permeou minha relação com Matheus não era algo que eu conseguia entender ou explicar bem.
Ambos nos definíamos como héteros, pegávamos garotas nas festas que íamos, mas, nos fins das noites, quando ambos voltávamos sozinhos para casa, sei que ambos nos olhávamos nos olhos e pensávamos: “e se fizéssemos?”
Por anos, o nosso desejo viveu pequenos atos de desejo disfarçados de zoeira, brincadeiras de héteros: banhos juntos, mas sem nada sexual; tapas na bunda; me apresentar como o ex-namorado no grupo de amigos e discutir abertamente, num claro desafio de ego masculino, sobre quem seria o passivo da “relação”; monitorar meu Instagram e ficar com ciúmes se eu gastasse muito tempo com outro amigo, ou “outro macho”, como ele dizia.
Acho que já deu para você entender a dinâmica desta amizade nos poucos exemplos citados.
Eu sempre recuava diante das investidas dele, disfarçadas de "brincadeira de macho", pois tinha muito medo de ele perceber minha excitação e, consequentemente, de eu perder sua amizade.
Mas a “tensão” da nossa amizade foi se acumulando e se transformando em “tesão” dentro de mim.
Eu ia conseguindo administrar meu desejo até o verão do ano passado, quando estávamos na casa de praia que os pais dele haviam alugado em um pequeno balneário aqui no estado. Como éramos amigos inseparáveis, eu fui junto.
Perdi o controle e resolvi extravasar esse tesão quando fui ver se uma foto que eu havia acabado de tirar com o celular dele estava boa e, ao olhar a galeria do celular dele, encontrei fotos da minha bunda que ele havia tirado quando eu estava tomando sol mais cedo naquele dia na praia — fotos que ele tirou sem que eu percebesse.
Percebi, naquele momento, que ele queria me ter, assim como eu queria tê-lo. Ao ver as fotos da minha bunda, percebi que ele falava sério em ser o macho da relação. Ele queria ser o meu dono no sigilo. E eu, com tanto tesão acumulado, só queria ter ele, ainda que eu tivesse que ser o passivo, embora esse não fosse meu objetivo inicial.
Em uma noite de forte chuva deste verão na praia, não podíamos sair para os eventos de rock e cerveja artesanal, que haviam sido todos cancelados. Assim, decidimos ficar em casa e ver um filme na TV.
Estávamos no sofá, o brilho da TV iluminando o rosto dele, que exalava aquele cheiro de "macho alfa", uma mistura de suor limpo e segurança. Eu não aguentava mais, precisava tê-lo tanto quanto preciso respirar.
Sem dizer uma palavra, me levantei e busquei no meu quarto um travesseiro e um lençol. Voltei e coloquei o travesseiro sobre o colo dele e deitei, repousando minha cabeça exatamente ali.
— Daniel, que porra é essa? — a voz dele saiu em um timbre grosso, porém baixo; um misto de susto e expectativa do que estava por vir.
Olhei para ele, de baixo para cima, uma posição que já denunciava minha entrega. E, com o olhar mais inocente que consegui fazer, pedi:
— Cara, o clima da chuva me deixou meio triste. Acho que vou reprovar em uma matéria na facul. Eu só quero um pouco de carinho. Faz carinho no meu cabelo, por favor. Nós somos bróders, não é?
Ele hesitou por um segundo e, então, cedeu. Senti as mãos dele entrando nos meus fios.
— É grosso – disse ele, referindo-se ao meu cabelo.
Eu fiquei feliz por ele fazer essa constatação, pois ele, as vezes, se referia a mim no feminino, me chamando de Daniela, para me irritar e se reafirmar superior. Naquele momento ele admitia que eu, de delicado, não tinha nada, e que ele estava tocando um homem, um igual.
Para mim, o toque dele era elétrico. Sob o lençol, meu corpo reagiu instantaneamente. Acredito que ele tenha tido a mesma reação, embora não pudesse ter certeza, pois a ereção dele era um segredo oculto pelo travesseiro que separava minha cabeça do seu pau.
Virei o rosto, encarando-o. O olhar dele estava fixo, soberbo, focado em mim. Para toda a sociedade eu era um cara admirado, bem-sucedido, mas, ali, eu queria ser apenas dele.
Tirei minha cabeça de seu colo e me sentei perpendicular a ele, sentindo o calor do seu corpo. Minha mão subiu pelo joelho dele, lenta, subindo a coxa até encontrar o que eu já sabia que estaria lá: o pênis dele, duro como pedra, latejando sob o tecido do short.
Ele tentou articular uma defesa, uma piada, qualquer coisa que nos devolvesse a pose de amigos zoeiros que nunca consumam seus desejos.
— Não fala nada — o interrompi.
— Não vamos falar nada, nem agora, nem durante e nem depois – eu disse.
Sem tirar os meus olhos dos olhos dele, desamarrei seu short e libertei o membro dele. Era como eu vira nos banhos no chuveirão da casa, após voltarmos da praia, mas agora estava vivo, grande, um pouco torto — um detalhe que ele, em sua insegurança, já havia me confessado para saber se eu achava “normal”. Eu não só achava “normal”, como uma delícia. Um tipo que dá vontade de cair de boca.
Me ajoelhei entre suas pernas e olhei para ele com cara de quem quer.
— Me chupa — ele ordenou.
Não era mais uma brincadeira. Era o comando.
Passei a língua, senti o gosto salgado das gotas que já escapavam, e o aceitei por inteiro. Olhei-o nos olhos enquanto fazia, captando aquele olhar de orgulho e posse. Ele era o macho; eu era, naquele teatro de sombras, exatamente o que ele sempre disse que eu seria, na zoeira: seu namorado, passivo, puta.
— Para... se não eu vou gozar — ele me disse.
Parei. Subi de volta para o sofá, lhe dei um beijo na bochecha e, sentindo o terreno favorável, mirei sua boca com um beijo leve, um selinho, que rapidamente evoluiu para um beijo voraz, o suor começando a brotar. Eu queria a finalização.
— Me come, por favor. Quero você dentro de mim. Me prova que você é o macho da relação.
Ele sorriu, o mesmo sorriso que dava quando discutíamos a hierarquia do nosso “namoro fictício” na zoeira.
— Eu sempre disse que eu era o macho da relação e você seria minha puta – ele disse.
— Para você eu sou. Só para você — respondi.
Fomos para o quarto. Deitei na cama dele, olhando para o espaço vazio e disse:
— Vem cá.
Ouvir minha voz o atraía quase como um imã.
Ele só pegou um lubrificante e veio.
Ao deitar-se na cama ele disse:
— Vou te fazer se sentir a Daniela agora — ele sussurrou, me tratando no feminino, o que, nas brincadeiras, ele usava para me provocar raiva e que, agora, aumentava meu desejo.
Eu só consegui responder:
— Para de rodeios e mete logo — desafiei. — Mete que nem homem.
A dor da entrada foi grande, pois era a minha primeira vez com um homem. O pênis dele também amplificava a dor, pois era avantajado e torto e reivindicava espaço.
A dor passou quando eu consegui relaxar plenamente ao pensar: “Tenho que me acostumar com ele, pois agora ele é o meu macho”.
Minha dor leve potencializava a excitação dele; ver meu rosto retorcido entre prazer e agonia dava a ele o controle total que ele tanto precisava para não se sentir "gay". Ele precisava ser o dominador e eu estava cada vez mais confortável com a ideia de ser o dominado.
Passamos a nos movimentar no ritmo do suor.
Pedi que ele acelerasse, queria sentir seu coração batendo contra o meu peito, queria saber que eu, Daniel, fazia o coração dele disparar. Nossos dedos se entrelaçaram, um gesto de amor que ele negaria sob a luz do dia, mas que era nossa única verdade ali.
Ele acelerou. Gemeu baixo e grosso, no meu ouvido, uma entrega final. Senti o jato quente preencher meu vazio. Ficamos imóveis. O pau dele ainda latejando dentro de mim. Ele tombou o peso de corpo musculoso sobre o meu, exausto.
Sem se mover, ainda sentindo ele latejando dentro de mim, finalmente, retribui o carinho no cabelo, que foi o pontapé inicial de toda essa história.
Ficamos deitados na cama conversando por alguns bons minutos.
— Isso fica no sigilo — ele murmurou, voltando para a pose hétero. — A amizade continua.
— No sigilo — concordei.
Terminamos sob a água do chuveiro, lavando o sêmen dele, que escorria em minhas pernas, e a verdade do que havia ocorrido naquela noite, prontos para vestir nossas máscaras de héteros de novo, mas com a pele ainda queimando de uma certeza que nenhuma mentira ou brincadeira poderia apagar.