Eu, e apenas eu, sou a responsável por tudo o que aconteceu na minha vida.
Meu pai se esforçou ao máximo para que eu e meu irmão, fôssemos criados com as melhores oportunidades, escolas pagas, boa casa, lazer, tudo do melhor.
Mas quando eu Gabriela Arruda, estava concluindo o segundo ano do ensino médio, conheci um mundo que me fascinou desde o inicio.
E o fato de meu pai ser severo comigo e com o Matheus meu irmão, não atenua minha culpa por minha própria degradação.
Minhas amigas, Stefani, e Carla, diziam que já tinham ido ao baile e se divertido muito, que não era nada do que falavam nos jornais e que mostravam em filmes.
- Amiga os machos são umas delicias – Stefani falou. – Você vai ver, tem uns demônios horríveis mas em que lugar não tem também? Mas tem uns cafuçús que apesar de não serem lindos são muito gostosos.
- Você fala como uma depravada – falei brincando enquanto acertava o batom.
Carla deu descarga e saiu do banheiro, vindo por trás e segurando minha bunda.
- Que vaca gostosa! – disse. – Vai arrasar hoje.
Éramos um pouco mais novas que Carla e menos experientes no morro mas fomos e eu gostei, gostei do jeito que muitas mulheres olhavam com inveja, e como muitos homens nós olhavam como pedaços de carne. Muitos até com certo desrespeito que os deixava ainda mais interessantes apesar dos fuzis.
Eu voltei para casa sem saber direito o que tinha acontecido, só desejava voltar novamente, e foi o que fizemos.
Nas duas vezes em que fui, Pedro, um dos “soldados” como Carla me disse depois, grudou em mim, trocamos beijos e saradas, e ele ficava me chamando para “cair na casa” dele.
Pedro era um homem grande mas magro, braço esquerdo tatuado, rosto fino, lábios grossos e macios, e senti o pau dele por baixo do tactel me deixou molhada.
Eu fui com ele para um quartinho apertado que eu duvidava muito que fosse casa dele mesmo mas nem importava, Pedro segurou minha cabeça me forçando para baixo, fiquei na altura do pau dele.
- Nunca fiz isso... – confessei.
A lâmpada quase batendo na cabeça dele. Pedro colocou o fuzil para trás, e baixou o short, seu pau saltou meio duro para fora um cheiro diferente se manifestou.
Ele mandou eu abrir e boca e mamar. Ignorando o que eu havia dito sobre nunca ter feito aquilo, senti sua rola invadir a minha boca, e o peso do pau duro e melecado me sufocar a garganta.
Meus olhos encheram de lágrimas.
- Deita aí.
Eu de costas no colchãozinho podre, senti um pouco de nojo mas aquele frio na barriga que eu nunca tinha sentido antes, estava me dominando no momento.
Pedro, abriu minha pernas e puxou minha calcinha para o lado dedando minha vagina. Eu arfei gostando a sensação, Pedro desceu e linguou minha boceta, depois encapou o seu pau e deitou em cima de mim, estocando com firmeza.
Senti uma dor fina e quis chorar mas nem tive tempo conforme ele metia, aquela sensação ao pé da barriga aumentou se transformando em uma coisa diferente de tudo que eu já havia experimentando. Nem mesmo a minha comida favorita me fazia salivar daquele jeito.
Pedro arfou gozando dentro de mim, fiquei estatelada no colchãozinho enquanto via Pedro levantar para mijar num vaso sanitário ali perto, perguntei:
- Você não mora aqui né?
Ele negou com a cabeça o som do mijo pesando contra o vaso até isso estava me excitando no momento, eu senti concertando minha saia e a calcinha.
- Não, - respondeu já vestido. – Moro com minha mulher e minha filha mais para cima.
- Porra... – falei com medo.
Ele percebeu e me tranquilizou:
- Não se esquenta, - disse – ela não participa desses bailes não. Mulher de respeito, casada, fica em casa.
- Obrigada pelo elogio – falei brincando.
Pedro me puxou para si, me agarrando por trás, e beijando meu pescoço:
- No mundo, tem as mulher correta, e as mulheres assim, igual a você, putinha safada e linda pra caralho.
Ele sapecou um tapa na minha bunda e não pude deixar de soltar uma gargalhada.
Pedro desceu comigo na garupa de sua moto, me deixando na esquina de casa, antes mesmo de eu chegar, papai me aguardava com um cinto nas mãos.
- Vagabunda, ordinária! – gritava no meio da rua.
Corri para tentar me salvar mas com as pernas ainda bambas por causa do Pedro, vacilei de joelhos no chão, papai me alcançou me puxou pelos cabelos e desceu o cinto nas minhas pernas e costas.
Toda ardida e chorando, entrei em casa aos berros, Matheus dava razão a papai, diziam que eu estava me perdendo.
Minha cabeça estava explodindo de dor. Minha vontade era sair de casa e não voltar nunca mais.
Mas pela manhã, ainda haviam aulas, sobretudo de recuperação. Eu não tinha nenhuma para fazer, Stefani também não e a gente ficava no pátio sem fazer nada.
- Ele me paga, velho desgraçado – reclamei ainda com as marcas nos braços.
- Amiga teu pai enlouqueceu foi? Ele viu você com o Pedro? – ela suspirou. – É melhor tu ficar de encolha por um tempo.
Eu estava decidida a não fazer isso, a não baixar a cabeça. Já tinha traçado todo um plano maluco na minha cabeça. Enquanto vinha com a farinha, porém, papai já estava com o bolo no forno.
Ao pisar os pés fora da escola, meu pai acenou do outro lado da rua. Era estranho, porque desde a oitava série que eu sempre vinha sozinha e voltava para casa.
Meu pai não era de muita conversa não. Travou as portas do carro e disse que ia me levar para passar uns dias com uns parentes do interior. Eu reclamei, chorei, o chamei das piores coisas.
Sua resposta foi aumentar o volume do som.
Papai estacionou em frente a rodoviária, o motorista do ônibus era seu amigo e prometeu me entregar a meu tio. Eles conversaram demoradamente.
- Se comporte, - disse.
Eu me esquivei de sua mão e entrei no ônibus a contragosto, quando fomos saindo em direção a estrada, mandei mensagem para Stefani e Carla, a resposta de Carla foi mais rápida:
“Se quiser peço aos caras para te dar uma força...”
“Como assim?” – perguntei.
“Na próxima parada você desce, e volta, simples assim...”
“Eu não sei se seria tão fácil assim, voltar como sem dinheiro?”
Carla mandou um emogi de riso:
“Acorda vadia! Você é uma bela de uma mulher gostosa, qualquer macho te daria carona! E outra, dependendo do lugar, os caras mandam te buscar, ou pagam o taxi...”
A expectativa começou a pulsar no meu peito, estourando batendo forte na altura da minha garganta até minha pele começou a arder. Mas minhas coisas estavam no vão do ônibus, ia precisar da ajuda do motorista.
Como a Carla sugeriu uma hora depois de iniciada a viagem, o ônibus parou em uma cidade próxima, eu desci, e fui até o motorista, disse que precisava urgente dos absorventes que estavam na minha mala.
Se ele, o motorista soubesse que quem fez minha mala foi o tonto do Matheus, e eu estava fudida...
- Tá legal... Você é uma coisinha muito linda sabia?
Eu revirei os olhos mas de repente como um toque de sino na minha cabeça uma ideia esquentou o meu juízo, e as palavras de Carla “Acorda vadia! Você é uma mulher gostosa!”, era como ouvir a voz dela no meu ouvido.
Agindo rápido, me inclinei toda empinadinha mas sem exagero em direção ao motorista, que como eu esperava grudou os olhos na minha bunda.
- Tá duro isso aqui – reclamei manhosa.
- Deixa que eu puxo lindinha – ele se aproximou e me roçou.
Era um homem um pouco mais alto que eu devia estar na casa dos quarenta anos de idade, uma barriga um pouco alterada cabelos ralos mas cheiroso.
- Ai, muito obrigada... O senhor é um cavalheiro.
Eu me estiquei toda quase me apoiando no peitoral dele e o beijei na bochecha, o homem quase desmontou na minha frente. Falei que ia ao banheiro com a mala e já, já voltava.
“Vandão, sabe aquele negão um pouco gordo, barbudo? Lá no morro? Disse que paga tua vinda, pode pegar um taxi.”
Com calafrios na espinha, entrei em um taxi e mandei o homem tocar para a minha cidade, dei o endereço do morro e o motorista visou que podia me deixar na entrada mas não subiria não.
Eu concordei. Eu não poderia ir para a casa de Stefani ou Carla porque corria o risco do meu pai ou Matheus baterem lá. Então só me restava contar com a hospitalidade dos moleques do morro mesmo.
Moleque não, marmanjos isso sim... A viagem de carro foi mais rápida, assim que cheguei mandei mensagem para Carla e em dez minutos, longos dez minutos, um rapaz magro, visivelmente com uma arma na cintura veio até nós.
O motorista quis sair dali mas eu abri a porta e com a mala na mão desci.
- Tu que é a Gabriela? Vandão mandou eu acertar aqui, pode esperar ali perto da moto que nós sobe já, já.
Eu fui sem olhar para trás ainda com o coração sacolejando dentro do peito, com certeza esse Vandão ia querer algo em troca e não era um seria um simples “Obrigada”...
O homem retornou, subiu na moto, disse para eu deixar ali a mala que alguém depois levava para mim, mandou eu subi, e segurar nele.
Era maluquice em quantas vielas, entradas e subidas o cara ia manobrando, eu não saberia andar naquele labirinto, e o calor era sufocante. Paramos em frente a uma casa com laje.
Ele desceu e disse para seguir ele, subimos uma escada, passamos por um beco, haviam uns meninos que com certeza nem pelo direito no pau devia ter mas já estava segurando armas.
Eu desviei os olhos, subimos mais um lance de escada e conforme avançamos mais partes da favela apareciam lá embaixo. Chegamos em frente a um dessas portas de alumínio. Havia um cara magro fumando ali, postado com um fuzil.
- Vandão tá aí?
O cara olhou para mim e coçou o queixo sorrindo.
- Tá, tá sim...
Ele abriu a porta e fez um gesto para eu entrar. Eu definitivamente não conhecia o Vandão.
Era um negão forte meio gordo meio troncudo barba preta e cabeça careca, estava sem camisa, e com a toalha na cintura.
- Tudo bem, Gabi?
Ele beijou meu rosto, e fez um gesto para o rapaz sair. Eu fiz que sim com a cabeça e ainda tremendo de nervoso com aquela situação totalmente nova para mim, agradeci.
- Que isso... – ele disse. – Amigos são para ajudar os amigos. Está com fome?
Eu disse que precisava usar o banheiro. Ele completou:
- Tome um banho, essa vai ser sua casa pelo tempo que você precisar.
Eu nem respondi, só dei um sorrisinho, e acompanhei ele pela casa, que consistia em uma sala com um sofá e uma tv, um quarto ali na sala mesmo, cuja porta estava trancada, um outro quarto em um corredor estreito onde havia um colchão de casal no chão e uns lençóis em cima, e um banheiro logo na frente do quarto, e lá no fundo uma cozinha.
Procurei no bolso meu celular e não consegui encontrar. Entrei no banheiro e sentei no vaso, era um banheiro comum, box, vaso e um chuveiro.
Eu sabia que tinha que pagar pela “ajuda” e sabia como faria isso mas não queria ficar presa ali, então abrir a porta sanfonada disposta a dizer tudo isso ao Vandão mas assim que saí, Vandão me entregou uma toalha.
- Fique a vontade, e como sua mala ainda não chegou, pode usar isso aqui, é um presente.
Eu abri a sacola e tinha um vestidinho de renda branco, com alcinha todo aberto nas costas e com abertura na frente também. Por incrível que pareça essa situação não me apavorou para mim era uma aventura, na verdade.
Quando saí do banheiro novamente, usando o vestido mas sem a calcinha, sentindo um pouco vulnerável, Vandão apenas com um short que não escondia nada também, segurou na minha mão e me levou para o quarto.