Amor do passado, dor do presente. Parte 4

Um conto erótico de Guilherrme
Categoria: Heterossexual
Contém 1930 palavras
Data: 17/04/2026 13:27:32

Dois anos tinham passado voando e, ao mesmo tempo, pareciam uma eternidade. Eu e a Raquel estávamos firmes, e eu nem acreditava que a garota que eu não dava muita bola, hoje viria ser minha namorada. Naquela altura, eu já estava praticamente formado, agora estudando para prestar prova na OAB. Estava a um passo de mudar minha vida completamente. Raquel estava em seu último ano de Medicina, correndo atrás do diploma como se o mundo fosse acabar amanhã. Passou algum tempo, eu consegui finalmente me tornar um advogado, e comecei a procurar um lugar para começar minha carreira, e acabei trabalhando num escritório pequeno de advocacia no centro, defendendo causa de família e uns contratos simples.

Nada de luxo, mas era meu. Eu tinha saído daquele apartamento pequeno e apertado que aluguei logo depois da faculdade. Agora morava num bem maior, dois quartos, sala espaçosa, cozinha decente, vista pro bairro mais tranquilo. Paguei com o salário e um financiamento que eu mesmo negociei. Tudo que consegui na vida foi com esforço, desde criança, já que eu sempre fui "sozinho" no mundo.

A gente não morava junto ainda, mas Raquel passava bastante tempo aqui. Quase todo fim de semana ela chegava com a mala pequena, jogava as coisas no meu armário e ficava. A gente se encontrava e o encontro era sempre regado de muito sexo. Eramos compatíveis pra porra. Ela era fogo puro, vaidosa, corpo perfeito, e aqueles olhos verdes que me olhavam como se quisesse me devorar, me deixavam completamente louco.

Eu gostava disso. Depois de tudo que rolou com a Fernanda, o sexo com a Raquel era intenso, sem drama, sem dor. Era só tesão cru, pele contra pele, gemido alto.

Raquel queria que eu evoluísse mais rápido. Sempre falava disso quando a gente tava deitado depois de foder.

— Meu pai é médico, mas tem influência pra caralho no meio político e jurídico, Guilherme. Ele pode te indicar pra um cargo bom, um estágio em algum tribunal, até abrir portas pra você montar seu próprio escritório. Para de ser teimoso.

Eu balançava a cabeça, passando a mão na cintura dela, sentindo a pele quente.

— Eu sei, amor. Mas eu não quero. Quero crescer com meu próprio esforço. Sempre foi assim. Do abrigo até aqui, tudo na raça. Não vou começar a aceitar ajuda agora.

Isso deixava ela um pouco irritada. Eu via nos olhos verdes, no jeito que ela mordia o lábio carnudo. Sabia que ela queria me ajudar, ela sempre quis isso. Sempre se mostrou aberta a me fazer crescer, mas meu jeito de ir no meu rítmo as vezes era a causa de algumas discussões nossas, e sinceramente, eu poderia sim abrir espaço. Mas eu era cabeça dura. Ela suspirava, me beijava e mudava de assunto, mas eu sabia que o assunto voltava.

Aquele ano ela não tava me visitando tanto. Final de semestre de Medicina era foda: provas, plantões, TCC, tudo ao mesmo tempo. Eu entendia perfeitamente. Mandava mensagem todo dia, “força aí, amor”, mandava comida quando ela tava fazendo estágio, no hospital.

A gente se via menos, mas quando se via… porra, compensava.

Certo dia, eu tava sozinho no apartamento. Tarde de domingo, sol entrando pela janela da sala. Eu tinha decidido arrumar o baú que ficava no canto do quarto,e subiu aquele cheio de tralha velha da faculdade. Desde roupa antiga, cadernos, fotos. E aí, no fundo, apareceu o suéter. Cinza, macio, o primeiro presente que a Fernanda me deu. Eu peguei ele nas mãos, senti o tecido, e um aperto forte subiu no peito. Eu senti naquele momento saudade. Não era amor mais, eu achava. Mas curiosidade. Como ela tava? Depois de tudo, da briga, da porta batida, da traição que eu ainda não conseguia entender direito… ela tinha sido importante pra caralho. Baixinha, sonhadora, aquela bundinha redonda, a tatuagem na coxa, o jeito que ela gemia meu nome quando eu metia fundo.

Sentei no chão, com o suéter no colo, e abri o notebook que tava ali do lado. Entrei no Facebook, procurei o link antigo do perfil dela que eu ainda tinha salvo. Nada. Perfil deletado ou bloqueado. Fui pro Instagram, Twitter, tudo que eu lembrava. Zero. Nem sinal dela. Como se a Fernanda tivesse sumido do mapa. Fiquei ali, olhando a tela, com o dedo parado no mouse, pensando se valia a pena procurar mais, se valia a pena mexer nessa ferida antiga.

Foi aí que a campainha tocou. Três toques rápidos, aquele jeito dela. Era Raquel.

Eu levantei rápido, guardei o suéter de volta no baú, e fechei o notebook. Fui abrir a porta. Ela tava linda pra caralho. Cabelo solto, maquiagem leve, blusa justa marcando os seios, shortinho que deixava as pernas à mostra. Sorriu aquele sorriso de lábios carnudos e me abraçou forte.

— Surpresa, amor. Consegui escapar do plantão mais cedo.

Não deu tempo de falar muito. O beijo veio quente, urgente. A gente mal fechou a porta e já tava se pegando no corredor. Mãos dela na minha camiseta, tirando, minhas mãos na bunda dela, apertando. Fomos pro banheiro, tirando roupa no caminho. Liguei o chuveiro, água quente caindo. Ela ficou de joelhos ali mesmo, no box, pegou meu pau já duro na mão e começou a chupar. Boca quente, molhada, língua girando na cabeça, descendo até o fundo da garganta.

— Porra, Raquel… que saudade dessa boquinha — eu gemi, segurando o cabelo negro molhado.

Ela chupava com vontade, com aqueles olhos verdes olhando pra cima, e seguia a chupar, com uma saudade visivelmente carregada, com seus lábios ali presos, mamando meu cacete enquanto eu me delirava de tesão.

Depois levantou, virou de costas, apoiou as mãos na parede do box. Eu meti de uma vez, buceta apertada e molhada me engolindo inteiro. Meti forte, água batendo nas nossas costas, o barulho de pele molhada ecoando. Segurei os quadris dela, socando fundo, ouvindo ela gemer alto.

— Isso, Guilherme… me fode assim… mais forte…

Virei ela de frente, levantei uma perna dela, meti de novo, olhando nos olhos. Beijei aqueles lábios carnudos enquanto o pau entrava e saía, ritmado, gostoso. Ela cravou as unhas nas minhas costas, rebolando contra mim. Gozamos juntos, eu enchendo ela toda, soltando jatos quentes dentro da buceta. Ficamos ali, abraçados debaixo da água, ofegantes.

Depois fomos pra cama, nus, molhados ainda. Ela deitou no meu peito, com seu cabelo espalhado, e dormiu rápido, cansada do dia. Eu fiquei acordado, olhando o teto. Na gaveta da mesinha de cabeceira, tinha uma caixinha pequena. Eu abri devagar, sem fazer barulho. O anel. Prata simples, com uma pedrinha pequena no meio. Eu tinha comprado semana passada, escondido. Planejava pedir ela em casamento. Num jantar, ou talvez ali mesmo, no apartamento que a gente já usava como casa. Olhei pra ela dormindo, serena, linda. Depois de dois anos, era isso que eu queria. Estabilidade. Ela. O passado com a Fernanda tava guardado no baú, junto com o suéter. Eu tava seguindo em frente.

Acordei sozinho na cama grande do apartamento. O lado da Raquel tava vazio, o lençol ainda amassado do jeito que ela tinha dormido ontem à noite. Olhei pro relógio no celular: sete e meia da manhã. Ela devia ter saído cedo pro hospital, plantão de final de semestre era assim mesmo. Eu me espreguicei devagar, esticando os braços, sentindo os músculos das costas estalarem. O corpo ainda tava relaxado do sexo quente no chuveiro da noite anterior.

Levantei, fui pro banheiro e tomei uma ducha rápida. Senti a água quente caindo nas costas, passei o sabonete no corpo, enquanto meu corpo relaxou no chuveiro. Terminei o banho, sequei o corpo com a toalha e vesti a roupa pro escritório: calça social folgada, camisa branca, blazer por cima. Nada muito apertado, eu gostava de me sentir à vontade.

Na cozinha, fiz um café rápido. Bati dois ovos mexidos na frigideira com um pouco de sal e pimenta, coloquei no pão integral que tinha sobrado da semana. Comi de pé, olhando pela janela da sala, enquanto olhei pra baixo e podia ver a cidade acordando, e pensando que logo era a minha vez de ir embora.

Terminei o café, lavei a louça rapidinho e peguei a pasta com os processos do dia. Hora de ir pro escritório.

Desci as escadas do prédio, saí na rua e comecei a andar pro ponto de ônibus. O caminho era o mesmo de sempre, uns quinze minutos a pé até a avenida. O sol tava batendo fraco, senti bater no rosto o ar fresco da manhã. Eu tava pensando no anel que tava guardado na gaveta. Hoje à noite eu ia planejar melhor o pedido. Jantar em casa, talvez. Ou levar ela num restaurante mais legal. Depois de dois anos, era o momento certo. Raquel merecia. Ela tava sempre do meu lado, depois de tudo que aconteceu, pensei que ela seria a mulher certa pra casar.

Foi aí que eu vi ele.

Saindo de uma lanchonete ás presas, como se não quisesse ser visto, estava Roger. O mesmo Roger de anos atrás. Cabelo um pouco mais curto, cara de quem acordou tarde, mas o mesmo sorriso safado de sempre. Ele tava com um pacote marrom nas mãos, daqueles envelopes grossos, parecendo dinheiro.

Meu sangue subiu na hora. O peito apertou forte, e o sentimento de raiva velha misturada com nojo. Dois anos sem ver a cara desse filho da puta e ele aparecia do nada, saindo de uma lanchonete com um pacote de dinheiro na mão. Minha primeira reação foi querer atravessar a rua e dar um murro bem no meio da cara dele. Sentir o osso rachando, ver ele cair no chão. O traidor que tinha fodido com a Fernanda na minha frente, pelado, na cama da casa da Raquel.

Mas eu parei. Respirei fundo. Deixei pra lá. Não valia a pena. Eu tava com a Raquel agora, nosso namoro era sólido, firme, a vida estava finalmente seguindo. Não ia voltar pro passado por causa dele. Continuei andando, cabeça baixa, punho fechado dentro do bolso do blazer.

Minutos depois, quando eu já tava quase na esquina seguinte, olhei pra trás sem querer. E lá tava ela. A minha Raquel. Saindo da mesma lanchonete, olhando de um lado pro outro da rua, como se tivesse checando se alguém tava seguindo. Ela guardou algo no bolso e saiu andando rápido na direção oposta. Meu estômago deu um nó. O que ela tava fazendo ali? Estaria ela ali com ele? Logo depois do Roger ter saído com o pacote?

Sacudi a cabeça. Deve ser coincidência. Ela tinha plantão cedo, talvez tivesse parado pra comprar algo. Roger podia ser só um cliente aleatório da lanchonete. Eu tava vendo coisa onde não tinha. Continuei pro ônibus, tentando tirar aquilo da cabeça.

Cheguei no escritório, cumprimentei o pessoal, sentei na minha mesa no canto. Abri o notebook, comecei a revisar um processo de divórcio que tava atrasado. O dia tava normal, calmo. Até que o celular vibrou no bolso. Era uma mensagem anônima, do mesmo nível daquelas que recebia anos atrás. Meu colega de trabalho, ao qual carinhosamente chamava de Doda, chegou em mim e perguntou.

— Qual é, parceiro. Parece que viu um fantasma.

— Olha, sinceramente eu acho que vi sim. Olhe isso.

Mostrei a foto para ele, que olhou pra mim logo em seguida e perguntou.

— Não entendi, o que tem a ver essa foto? É sua mina tomando café com um sujeito, o que tem demais? Aliás, pediu ela em casamento já?

É, talvez não tivesse nada demais. Mas só aquilo, já me fez ficar com a pulga atrás da orelha.

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Comentários

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O que será quebela está escondendo?

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complementando, agora a bola está com você, vai esperar acontecer alguma coisa ou vai questionar ela logo?

temos visto aqui nos contos que o cara que espera pra ver sempre se ferra, sendo assim se eu fosse você na primeira oportunidade cobrava dela de forma educada mas firme e definitiva, pois caso contrário ela vai perceber que tem espaço para fazer o que quer.

Escolhas irmão, escolhas. faça a sua.

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