Cláudia fechou a porta do apartamento como quem encerra a cortina de um teatro de saltimbancos. Olhou para Renato, sentado no sofá com uma taça de vinho que já perdera a temperatura ideal. Ele a encarava como quem espera uma atriz esquecer a fala.
— Vai me dizer que não ensaiou nada para hoje? — ela ironizou, largando a bolsa no chão.
— Eu vou improvisar. — ele respondeu, levantando-se. — A vida não é um roteiro, mas podemos fingir.
Cláudia riu de canto, aquele riso meio amargo que denuncia tédio antes mesmo do prazer. Aproximou-se dele e puxou a gravata como quem ajeita uma corda ao redor do pescoço de um condenado à forca.
— Fingir é tudo que fazemos, Renato. Fingimos que somos um casal, fingimos que nos amamos, fingimos até que gozamos ao mesmo tempo.
— Mas essa parte é convincente, não é? — ele sussurrou no ouvido dela, deslizando a mão pela lateral da saia justa.
Ela fechou os olhos e suspirou exageradamente, como uma atriz de radionovela. Depois o empurrou de leve contra o sofá.
— Convenhamos, você é melhor no ato do que na fala.
Renato sorriu com aquele cinismo quase elegante. Sem pressa, abriu a blusa dela botão por botão, como se desmontasse uma boneca de Lego. Cláudia, em contrapartida, o puxou pelos cabelos e o obrigou a morder-lhe o pescoço.
— Mais forte, seu covarde. — ela ordenou, dando-lhe um tapinha na bochecha.
Ele obedeceu. Os dentes cravaram-se com cuidado calculado, arrancando um gemido misto de dor e prazer. Ela arqueou o corpo, empurrando-o para baixo, guiando sua boca até os seios.
— Aplausos da plateia imaginária — Cláudia disse entre risos sarcásticos, enquanto ele sugava o mamilo endurecido do seio ainda rijo da esposa quarentona.
Renato levantou os olhos:
— Se você fosse plateia, já estaria de pé aplaudindo.
Ela respondeu com um tapa seco no rosto dele, não de raiva, mas de pura encenação. A pele avermelhou, e Renato lambeu o lábio com um fio de sangue discreto.
— Melhor assim. — disse. — Autenticidade no fingimento.
As mãos dele desceram, erguendo a saia, encontrando a calcinha rendada preta. Ele a abaixou sem delicadeza, enquanto ela arqueava a perna sobre o braço do sofá. Penetrou-a com os dedos primeiro, compassados, quase clínicos, explorando aquela buceta tão conhecida e usada por ele.
— Mais fundo, porra! — Cláudia gritou, exagerando como se quisesse fazer ecoar pelas paredes finas do prédio.
Renato enfiou dois, três dedos, e depois deslizou a língua sobre o clitóris, saboreando o gosto ácido do suor misturado ao perfume íntimo. Ela agarrou os cabelos dele e apertou contra si, sufocando-o na sua vulva.
— Engasga, idiota, mostra serviço, mama meu grelo!
Ele levantou a cabeça com o queixo molhado de fluidos.
— Vai me agradecer depois.
— Agradecer? Só se for pelo esforço medíocre. — ela riu.
Renato não suportava perder. Desabotoou a própria calça e a abaixou até os joelhos. Empurrou-a contra o encosto do sofá e a penetrou com brutalidade quase teatral. Cada estocada era um compasso, cada gemido dela parecia ensaiado.
— Me fode assim, garoto-propaganda de Viagra! — Cláudia debochou, entre gritos de prazer e risadas.
— Cala a boca, senão eu te faço engolir teu sarcasmo pelo cu. — Renato respondeu, aumentando o ritmo.
O corpo dela se contorcia, ora buscando prazer, ora encenando sofrimento, ora fingindo um tesão há muito morto. Os gemidos fingidos variavam entre um arremedo de orgasmo e gargalhada histérica. Ele a virou de bruços, puxou-a pelos cabelos e mordeu-lhe a orelha.
— Vai gozar de verdade ou continuar representando?
— As duas coisas. — ela disse, arqueando-se violentamente para receber a pica do marido mais fundo, quando um orgasmo real a atravessou como um choque elétrico.
Renato gozou logo depois, empurrando o pau até o fundo da xoxota, com um gemido abafado de homem cansado, esporrando uma gala rala no colo do útero. Ficaram os dois imóveis por alguns segundos, apenas respirando, como atores aguardando a cortina cair.
Cláudia foi a primeira a quebrar o silêncio.
— Se tivéssemos público, seríamos vaiados hoje.
Renato se jogou ao lado dela, suado e com o rosto ainda marcado pelo tapa.
— Eu diria a eles: ninguém paga ingresso pra ver verdades.
Ela acendeu um cigarro e tragou fundo.
— É, talvez tenhamos sido sinceros demais nessa farsa.
— E você, Cláudia, ainda sente alguma coisa por mim de verdade?
Ela soltou a fumaça devagar, como quem entrega a réplica mais amarga.
— Sinto que, se não fosse pelo sexo ainda razoável, já teria te trocado por um cachorro.
Renato riu alto, com aquela risada de homem derrotado que ainda prefere rir do próprio fracasso.
— Pelo menos cachorro não responde com sarcasmo.
Cláudia apagou o cigarro no cinzeiro pousado no braço da poltrona, levantou-se nua e caminhou até o quarto.
— Vem, idiota. O espetáculo tem mais um ato.
Renato levantou-se devagar, ajeitando a rola amolecida, ainda pingando porra, e a seguiu. Olhou para o sofá manchado e suspirou:
— Que tragédia maravilhosa.
E entrou no quarto, pronto para a segunda encenação da noite.
