Inspirada pela tensão entre o desejo individual e a responsabilidade moral — temas centrais em pensadores como Kant e Nietzsche — "A INFIDELIDADE é a derrocada da vontade diante do egoísmo, enquanto a paz reside no compromisso, pois só é verdadeiramente livre aquele que não se torna escravo de seus impulsos, mas senhor de suas promessas. Onde há compromisso, a FRUSTRAÇÃO deixa de ser um ponto final e passa a ser apenas uma vírgula".
Principais Personagens:
General Von Rommel (Imagem: https://postimg.cc/Z0HThnwt)
Continuando ...
O problema Aimée foi resolvido até com certa facilidade. O fato de ela não poder permanecer na mansão, pois com o desmanche do centro do treinamento, os militares que vigiavam a periferia iriam se retirar e isso faria com que a segurança de todos os componentes do grupo ficasse prejudicada, pois nada a impediria de fugir ou, até mesmo entrar em contato com os alemães.
Ou seja, essa situação implicava que a loira precisava ser vigiada o tempo todo e quem resolveu o problema foi Charles que deu ordens ao seu subordinado, Capitão Dolson, para vigiá-la em tempo integral, o que permitiria que ela também fosse enviada para Paris. Aimée protestou, xingou, esperneou, mas quando lhe foi dito que as alternativas eram aquelas que tinham sido determinadas antes, ou seja, ela ser obrigada a desaparecer da Europa e, no caso de se recusar, correr o risco de ser eliminada, acabou por fazer com que ela aceitasse.
Quanto à hipótese de ela ser eliminada, Blanche perguntou para o Coronel Smith se aquilo era realmente definitivo e a resposta dele a surpreendeu:
– Lógico que não. Há alternativas, como por exemplo, enviá-la para a Inglaterra onde ela será bem tratada, porém, sujeita a uma situação que se assemelha a uma prisão.
– Prisão? Como assim, “prisão”? Vocês teriam coragem de colocá-la atrás das grades só por uma suspeita?
– Normalmente não, Blanche. Mas agora estamos em guerra, o que significa viver situações especiais e, sendo assim, todo o cuidado é pouco. Mas não será assim tão ruim. Ela seria enviada para um campo de prisioneiros onde prestaria algum tipo de serviço e a única restrição é que não poderia abandonar o local.
– Para mim já seria ruim o suficiente. – Comentou Blanche encerrando aquela conversa.
Quem agiu para complicar a vida de Aimée foi Hamdi que se aproveitou da situação para se vingar de tudo o que tinha sofrido nas mãos dela e resolveu aprontar. Começou convencendo York de que a convivência de Aimée com Dolson chamaria a atenção e seria perigoso para ambos, sugerindo que seria melhor que eles se casassem. Logo essa ideia foi passada ao Smith que consultou Charles e eles ficaram com essa ideia na mente até que Dolson foi consultado.
O Capitão Dolson era um homem de trinta e cinco anos, baixo e atarracado que tinha uma aparência feroz. Entretanto, se ele assustava pela aparência, no íntimo era exatamente o oposto, pois se tratava de uma pessoa afável e bem-humorada que sempre provocava risos a quem estava próximo dele com comentários engraçados, o que significava que também era muito inteligente. O fato de ser menor que Blanche em estatura, cerca de um metro e sessenta e oito, não significava nada para ele, mas foi um dos argumentos que ela usou para evitar esse casamento quando foi determinado que ele deveria acontecer.
Blanche foi contra a ideia e, por esse motivo, foi massacrada por Hamdi que não lhe deu paz. Com sua imaginação ilimitada, a garota africana fez de tudo. Fez birra, fez Blanche acreditar que estava muito zangada com ela a ponto de não permitir uma aproximação ou então ficava fazendo comentários que a colocava como uma pessoa injustiçada. Foi Grace que resolveu a situação ao aconselhar Blanche:
– Querida, é melhor você concordar com a ideia, porque a Hamdi não vai desistir. Você a conhece muito bem e sabe que, quando ela coloca uma coisa na cabeça, não há quem tire. Ela vai transformar a sua vida num inferno e isso é tudo o que você menos precisa. Deixe que façam o casamento da Aimée. Quem sabe, tendo um homem ao lado dela vinte e quatro horas por dia, ela não acabe gostando e pare de criar dificuldades.
Vendo que estava só contra todos naquela questão, Blanche, tal qual um “Pilatos de saia do Século XX”, lavou as mãos e concordou que fizessem o que achassem melhor.
Foi assim que, passados dez dias, dois depois do Coronel Smith e do Capitão York voltarem para a Inglaterra, o grupo começou a fazer os primeiros movimentos no sentido de se estabelecer na cidade de Paris. O ponto alto nesse intervalo de dias foi que a partida dos ingleses estava prevista para acontecer antes, porém, teve que ser adiada por conta do sumiço de York que não foi encontrado em lugar nenhum e Hamdi só foi vista pelo pessoal da cozinha onde ela apareceu depois de um dia para buscar víveres.
Sem precisar pensar muito sobre o que estava acontecendo, Blanche visitou os locais onde Hamdi poderia estar, porém, a praia particular estava deserta, assim como os outros que tinham sido apresentados a ela por sua amiga africana. A única pista que se tinham, além da visita que Hamdi fez à cozinha foi a de que ela foi vista se afastando na direção oposta à praia, o que fez Blanche comentar que ela deveria ter encontrado outro local e, naquela altura, estaria bem escondida e procurá-la seria uma perda de tempo. Também o fato de três garrafas de vinhos raros terem desaparecidos da adega da mansão, deu à marquesa a certeza de que não deveriam se preocupar com a maluca.
Dois dias depois, ela voltou feliz e sorridente e viu o Capitão York receber voz de prisão e ser ameaçado de comparecer perante uma Corte Marcial por abandonar seu posto em tempo de guerra, o que poderia levar um militar a ser fuzilado. Blanche e Grace, naquela noite, se fecharam no quarto junto com Hamdi tentando enfiar um pouco de juízo na cabecinha oca da maluca e, quando a norte americana perguntou como ela iria se sentir se o Capitão York fosse condenado, ela falou:
– Descansa Grace! O Coronel só está fazendo uma cena para deixar todos informados do que acontece se alguém pensar em desertar. Você acha mesmo que ele vai levar isso adiante? Aposto que, no minuto seguinte ao que deixarem a França, o Smith vai passar “um sabão em regra” no York, vai gritar com ele, vai dizer que ele foi inconsequente, vai fazer com que ele prometa nunca mais fazer isso e depois vai informar que não vai comunicar ninguém a respeito do desaparecimento dele. Vai dar tudo certo, vocês verão.
Embora descrentes, as duas amigas da morena desistiram de lidar com ela, com Blanche chegando a dizer que ela era um caso perdido. Porém, com a partida dos ingleses durante a manhã, Pierre e Gerard aguardaram apenas até o anoitecer para reunir a todos e dizer que tinha uma informação para eles, mas que devia ser um segredo absoluto e o clima soturno que essa declaração provocou foi desfeito ao saberem que as coisas se passaram exatamente como Hamdi disse que seriam. Smith, antes da partida, orientou aos dois homens para que esperassem passar um tempo antes de informar a todos.
A surpresa foi Charles não ter voltado à Londres. Quer dizer, ele voltou. Foi antes que os ingleses viajassem, porém, voltou quando eles ainda não tinham partido em definitivo e informou que ele e seus homens permaneceriam no território francês e agiriam como uma espécie de apoio armado ao grupo. Eles ficariam responsáveis por dar aos integrantes civis uma proteção discreta, sob o comando dele.
A felicidade de Blanche ao saber disso foi notória e Hamdi não deixou barato:
– Für jemanden, der sich so rar gemacht und gesagt hat, er wolle es nicht, bist du aber ganz schön enthusiastisch, Blan! – (Para quem fica fazendo cu doce e diz que não quer, você está muito animadinha, Blan!).
– Verpiss dich, Hamdi. Heißt das, ich darf mich nicht mehr über einen Freund freuen? (Vai se foder, Hamdi. Quer dizer que agora eu não posso ficar feliz por ter um amigo por perto?)
O comentário de Hamdi e a resposta de Blanche foram traduzidos por insistência dos demais que riam da jovem Marquesa que não pode evitar que seu rosto ficasse vermelho.
A mudança para Paris ocorreu sem problemas. Blanche e Hamdi ocuparam o apartamento que ela tinha naquela cidade e Grace voltou para o que morava antes de se transferir para Tarnos, inclusive, voltando a ocupar o cargo de Secretária nas empresas de Blanche, pois isso foi considerado uma ótima cobertura e servia para justificar a sua permanência na França.
Para Aimée foi alugada uma casa nos subúrbios, o que só alimentou a sua fúria, mas ela recebeu como prêmio de consolação a informação de que Michel moraria com ela. Dos demais membros, alguns eram casados e voltaram para suas residências e para os solteiros foram alugados quartos em pensões simples, com o cuidado de nunca ficarem em grupos maiores do que dois elementos.
O passo seguinte era o mais importante, pois embora fosse acontecer em um cenário tranquilo, estava revestido de grande perigo. Blanche, Hamdi e Grace dariam início ao movimento que as fariam se aproximar dos alemães.
Durante o ano de 1940, que estava para se encerrar, nada de importante aconteceu e, no ao seguinte, Paris viveu um tempo de normalidade porque, com o término da batalha do Atlântico onde a Inglaterra levou a melhor sobre a Alemanha e a Resistência Francesa que travaria a guerra nos subterrâneos de Paris ainda não tinha iniciado suas atividades.
Paris – 1941
Em fevereiro de 1941, o Afrika Korps, uma divisão da Wehrmacht, nome das forças armadas terrestres da Alemanha, foi enviada para o Norte da África no intuito de apoiar os italianos que estavam sofrendo derrotas após derrotas. Além disso, os olhos de Hitler estavam voltados para o leste onde se localizavam os territórios que ele pretendia conquistar para dar andamento ao seu projeto denominado “Espaço Vital” , o que culminou com o rompimento do tratado de não agressão assinado com Stalin antes da invasão da Polônia em 1939 e, no dia 22 de junho de 1941, o exército alemão invadiu a União Soviética.
Desde o início daquele ano, Blanche e Hamdi lutavam contra as dificuldades encontradas para serem aceitas nos círculos formados pelos alemães, em virtude da cor da pele da jovem africana, para a qual os alemães torciam o nariz. Porém, pouco a pouco ela foi vencendo essa barreira com sua inteligência, sagacidade e graça. Além da sua enorme capacidade de seduzir. Foi o período em que, segundo ela mesma, mais transou em sua vida, chegando a comentar:
– Wow! Ich habe schon mit so vielen Deutschen geschlafen, dass meine Vagina mittlerweile fast schon als arisch gelten könnte. – (Nossa! Eu tenho transado tanto com os alemães que a minha buceta já pode ser considerada ariana).
– Credo, Hamdi. Para de ser safada. – Reclamou Blanche que nesse momento estava preocupada por não ter conseguido seduzir ainda nenhum alemão, embora isso acontecesse mais em virtude do espírito seletivo dela que entendia que, entre os alemães com quem manteve contato, não havia nenhum que tivesse alguma coisa para oferecer, pois se tratava de oficiais subalternos.
Quando ela comentou isso com Grace, a norte-americana a aconselhou a aceitar o assédio deles mesmo assim, pois essa seria uma forma de ela ser levada às reuniões festivas e conhecer àqueles que eram de patentes superiores. E ela completou com o argumento que as trouxe de volta para a realidade:
– Aliás, já está na hora de começarmos a trabalhar, pararmos com a “diversão” e com as brincadeiras – Essa última parte ela falou olhando diretamente para Hamdi. – Nós precisamos obter as informações que irão nos ajudar a vencer essa guerra. É para isso que vocês duas foram preparadas. Aconselho vocês a se esquecer disso.
Através desse conselho, Blanche aceitou a corte de um jovem tenente com um rosto infantil e sem nenhuma experiência. Mas, pelo menos, ele era inteligente e engraçado, embora muito presunçoso e, se era para se submeter a eles, então que fosse pelo menos com alguém que lhe agradasse.
Foi assim que ela passou a tarde do dia 23 de maio daquele ano se preparando para um encontro com o Tenente Wolfgang, um jovem de vinte e quatro anos que se orgulhava de pertencer à classe alta da sociedade alemã e se mostrava um estudioso apaixonado pelas campanhas de guerra, tendo como ídolo o herói da primeira guerra, General Von Rommel que, desde fevereiro daquele ano, estava comandando os alemães na batalha pelo controle do norte da África. Para ele, só existia um homem melhor que Rommel, que era o próprio Hitler.
Apesar de ter recebido seu nome em homenagem ao famoso compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, ele se considerava tão alemão que ninguém que não nascesse naquele país era merecedor de sua atenção, o que custou a Blanche uma verdadeira maratona entre sedução e demonstração de ser uma admiradora de Hitler, além de declarações de apoio a tudo o que a Alemanha tinha realizado naquela guerra desde então, embora seu estômago se embrulhasse a cada elogio que fazia ao baixinho do bigode ridículo.
Mas não era sobre isso que seus pensamentos viajavam naquela tarde. O que acontecia era que ela via a sua vida, principalmente a parte que envolvia sexo, desfilar em sua mente como se fosse um filme. Seu primeiro homem foi Kurt, também alemão, que a fez acreditar que era amada e seria protegida por toda a vida e depois tomou uma atitude que causou a morte de sua mãe e irmão. Depois foi Michel, o doce garoto que conseguiu vencer a timidez e lhe proporcionar prazer, embora se sentisse mal por transar com ele apenas por prazer e estar convicta de que foi melhor com ele do que quando entregou sua virgindade por amor.
Quando transou com Antonio, a experiência e capacidade dele em dar prazer a uma mulher ultrapassou todas essas preocupações e ela se sentiu bem em tê-lo feito e, quando se entregou ao quarto homem de sua vida passou por uma situação muito diferente, pois embora não amasse Charles, sentia um carinho muito grande por ele e o jeito que ele conseguiu aliar seu lado protetor com o de homem pleno de desejo, a encantou.
Enfim, ela tinha transado com quatro homens e conseguiu atingir o prazer com todos eles e, para não ficar se achando uma ninfomaníaca, creditou isso à experiência adquirida com Hamdi e depois com Grace. Essas sim valeram a pena a ponto de, em algum momento se classificar como lésbica, pensamento esse que foi desfeito por Hamdi que soube fazer com que ela visse que amor e prazer, embora juntos sejam sublimes, podem ser obtidos separadamente.
O problema é que todas essas lembranças não serviam para que ela tivesse uma ideia de como seria a sua vida dali para frente. Se ela tivesse transado apenas com Kurt e Antonio, teria certeza de que no final ficaria satisfeita, pois se o primeiro a decepcionou depois, não tinha do que reclamar da primeira vez e com o italiano pode se convencer de vez de que de lésbica não tinha nada, pois foi memorável a forma como ele a fodeu e agora, estava convencida de que, dessa vez, também seria bom.
Porém, além dessas duas, tinha tido outras onde fatores diferentes estavam envolvidos no ato sexual e ela não conseguia imaginar se com o Wolfgang seria a mesma coisa, melhor, ou talvez, um fracasso.
Vestida com o luxo razoável que a sobriedade da época exigia, mas com muito bom gosto, ela saiu de casa pronta para o sacrifício e foi se encontrar com ele em um bistrô, onde cearam ao som de música clássica e degustando uma comida razoável, fato que foi minimizado pelo excelente vinho que a acompanhou e depois Blanche aceitou o convite para ir até a residência dele, localizada em um prédio de apartamentos mais modesto que o seu e em um bairro não muito distante.
Foi um fracasso. O que o jovem alemão tinha de presunçoso, tinha de inexperiente. Aliás, aquele rapaz, segundo seu julgamento e depois, ao comentar com Hamdi, precisava passar por um treino de meses para se dizer que era capaz de provocar alguma coisa em uma mulher, pois foder de verdade, ele jamais conseguiria.
O preconceito implantado na cabeça do rapaz por sua família ultraconservadora e depois pela propaganda nazista, fazia dele algo parecido com um monge franciscano. Para ele, transar com uma mulher se resumia em enfiar o pau na sua buceta, fazer alguns movimentos até conseguir despejar seu sêmen no interior dela, e pronto. Se ela ia sentir prazer ou não com isso, era algo que não lhe dizia respeito.
Bem que Blanche tentou práticas mais avançadas, porém, quando tentou chupar o pau dele foi rechaçada com uma expressão de asco na face, dizendo que aquilo era “nojento”. E ela acreditou que ele falava sério, pois a partir desse momento, ele se recusou a beijar sua boca, o que também não a deixou magoada, pois o beijo dele se resumia a um contato dos lábios com a boca fechada.
Para a Marquesa, restou a alegria de ter sucesso em sua dramatização de uma foda, fingido que estava tento um orgasmo maravilhoso, o que deixou o rapaz felicíssimo e se julgando “o pica das galáxias”. Ao voltar para casa, ela se sentia apta para cumprir sua missão.
O que aconteceu na semana seguinte fez com que ela tivesse uma pausa em sua tarefa de se aproximar dos alemães. Charles, que fazia questão de vê-la pelo menos duas vezes por semana, estava em sua casa. Ambos estavam sozinhos e ela já estava psicologicamente preparada para transar com ele, o que não foi nada difícil, uma vez que, depois de uma foda que ela considerava nem ter acontecido, seu corpo já estava reclamando pela ausência de um toque refinado que a levasse a desejar cada vez mais, até uma entrega total, com orgasmos deliciosos, o que não aconteceu, pois do nada, o coronel francês tocou num assunto que lhe era, ao mesmo tempo, muito caro e doloroso. Ele comentava sobre o pai dela, Bernard.
Já com a mente treinada para tirar da pessoa com quem conversava tudo o que lhe interessava, ela sentiu que havia algo estranho na conversa. Charles se limitava a fazer perguntas sobre como era a convivência deles antes de fugirem de Berlim e não falava nada sobre a fuga dele e, quando ele disse que ela não devia se preocupar com seu pai porque ele estava bem, ela não resistiu e o interrogou:
– Como assim, bem? O que você sabe sobre isso e não está me contando?
– Nada, não. É só um pressentimento que eu tenho.
– E de onde vem esse pressentimento? Como é que você pode presumir algo a respeito de uma pessoa que você só ouviu falar, pois nunca esteve frente a frente com ele. Olha Charles, você não conheceu meu pai e, quando resolveu fazer perguntas sobre ele, começou a levantar suspeitas.
– Como assim, suspeitas? O que eu falei para você dizer isso?
– Querido, não é o que você falou que me preocupa. O problema está naquilo que você não falou. O normal seria você fazer perguntas sobre como meu pai pirou de vez, como resolveu fugir e onde ele poderia estar. Em vez disso, todas as suas perguntas se referem ao período anterior, até a nossa fuga de Berlim. É como se ele não existisse …
De repente, Blanche entendeu o significado daquilo. Charles estava agindo como se Bernard já não mais existisse e, se ele estava fazendo isso, era porque ele sabia o que havia acontecido com ele em sua tresloucada tentativa de voltar à Alemanha e entrou em desespero, gritando com seu interlocutor:
– ELE MORREU, CHARLES? MEU PAI ESTÁ MORTO? PELO AMOR DE DEUS, NÃO MINTA PRA MIM. FALA LOGO COMO ELE MORREU?
Charles ainda tentou acalmar Blanche, porém, ela não parava de se debater naquele pensamento trágico e ele, sentindo a dor dela como se fosse sua, não mais resistiu e, segurando nos ombros dela, a balançou violentamente para que ela desse uma chance a si própria de entender o que ele iria falar e, quando ela parou de se debater e ficou encarando, ele falou com voz firme:
– Seu pai está vivo. Ele foi levado para a Inglaterra!
Uma bofetada bem dada, um murro, talvez até um tiro, não teria causado um efeito tão devastador em Blanche. Com a boca escancarada, os olhos parecendo que saltariam da órbita a qualquer momento e as narinas franzidas, ela era um misto de fúria e surpresa que comoveu Charles. Sem pensar, ele a puxou para si e a abraçou como se quisesse com isso extrair a confusão mental que ela se encontrava naquele momento.
Era uma variação de emoções incontroláveis. Em um momento ela sofria imaginando que seu pai estava morto e no seguinte uma informação que era o oposto disso, com ele não só estando vivo, mas fora de perigo na Inglaterra. Foram necessários muitos minutos para que Charles conseguisse fazer com que Blanche voltasse à razão para contar a ela toda a verdade. Com muito esforço, a mulher conseguiu se controlar e com voz tremendo de emoção, pediu:
– Por favor, Charles. Me conte tudo o que você sabe e não minta para mim. Não posso mais viver de esperanças.
Com voz calma e terna, Charles revelou que seu interesse por Blanche começou desde o primeiro dia que a viu, mas preferiu ficar distante por vários motivos, entre eles o de temer que se aproximando dela, poderia interferir no seu treinamento. O que ele não contava é que se apaixonasse por ela e foi o amor que o dominava que o incentivou a fazer alguma coisa com relação ao fato que atormentava aquela que se tornou a dona de seu coração. Não foi difícil para ele entender que o que mais a afligia era a falta de informações concretas sobre o pai dela.
A Marquesa era uma mulher inteligente e conseguia separar essa aflição a deixando fechada em um compartimento de sua mente para não atrapalhar seu relacionamento e nem o progresso que poderia obter em seu treinamento, porém, bastava o assunto vir à tona, ou até mesmo algum comentário sobre família, que ela se tornava tristonha e se fechava em seu sofrimento. Então ele resolveu que deveria, pelo menos, descobrir o que aconteceu com Bernard, o pai dela, mesmo que fosse uma notícia ruim, pois isso era melhor que a incerteza dela em não saber se seu pai estava vivo ou não.
Charles, avisando apenas ao Coronel Smith, esteve ausente por dez dias e nunca contou a ninguém o que ele fez nesse tempo. Apenas Dolson sabia, pois ele o levara junto. E agora, pela primeira vez, ele ia ter que falar tudo sobre aquela viagem. Aonde foi e o que fez. E contou toda a história sem ser interrompido uma única vez.
Ele foi até a fronteira onde conseguiu se misturar aos soldados alemães e aos franceses que viviam nas proximidades e gastou três dias para obter uma resposta às perguntas que fazia, o que lhe deixou muito animado. As perguntas dele nunca se referiam diretamente a Bernard, mas sempre sobre problemas que poderiam ter acontecido em algum trem que cruzou as fronteiras no dia em que estourou a guerra, ou nos dias subsequentes.
Várias histórias foram contadas, como a prisão de cidadãos suspeitos de serem judeus, alguns comunistas e o impedimento de outros, sem nenhuma explicação para tal, de entraram na Alemanha e uma delas chamou a sua atenção. Um homem que estava no trem com destino a Berlim, na fiscalização ocorrida assim que ele atingiu o território alemão, ao ser arguido sobre quem era, qual o seu destino e o que pretendia fazer lá, se irritou e começou a gritar com os soldados. Ele foi seguro à força e seus documentos, arrancados de seu bolso, foram verificados pelos alemães que, quando viram se tratar de um cidadão francês, simplesmente o mandaram de volta.
Charles e Dolson se apegaram a essa história e começaram a investigar, descobrindo que, na confusão, Bernard foi devolvido à França, mas sua carteira não, e assim, sem dinheiro, sem documentos e sem condições de se conectar à realidade, passou a depender da caridade alheia e, de ajuda em ajuda, de cidade em cidade, chegou a Nancy. Onde se juntou aos moradores de rua que eram muitos por causa do afluxo de pessoas que fugiam da Alemanha.
Não foi difícil para os dois franceses localizarem seu compatriota, porém, já era um pouco tarde e ele já apresentava sinais de demência e Charles, sabendo que o estado de Bernard causaria um efeito devastador em sua filha, entrou em contato com o Governo da França Livre que estava estabelecido em Londres e conseguiu levá-lo até Chester, uma cidade fundada há mais de dois mil anos que se localiza no noroeste da Inglaterra, próximo à divisa com País de Gales.
Essa cidade tinha a vantagem de ficar a oeste de Londres e a salvo de qualquer ataque aéreo germânico. A escolha sobre ela não foi aleatória, pois era lá, em uma linda casa de campo próximo a zona urbana, que os pais de Charles viviam, depois que atenderam aos pedidos do filho para abandonarem a França.
Com um toque de emoção na voz, ele encerrou sua narrativa dizendo que sua intenção era deixar Bernard aos cuidados de seus pais, mas isso não foi possível por causa do estado dele e, por esse motivo, foi internado em uma clínica aparelhada para atender pessoas que passavam pelo mesmo problema. No final, tentou tranquilizar Blanche dizendo que seus pais sempre visitavam o pai dela nessa clínica e que as últimas notícias sobre a recuperação dele eram otimistas.
Blanche não conseguiu dizer nada. Nem mesmo agradecer e, com os olhos banhados de lágrimas, se atirou no pescoço de Charles e começou beijar qualquer parte do corpo dele que ficasse ao alcance de sua boca e logo eles estavam atracados em um beijo apaixonado. Com a gentileza e o carinho de sempre, o homem a pegou no colo e a levou para o quarto onde ela se entregou a ele com redobrada disposição e, depois de três orgasmos, ela informou a ele:
– Eu quero ir ver meu pai. Você me leva até ele?
– Sim, eu levo. Mas, e quanto ao seu trabalho aqui?
– As coisas estão tão paradas que Hamdi consegue dar conta e, se aparecer alguma coisa importante, a Grace pode me cobrir.
– E quando poderemos ir?
– Por mim hoje. Mas … – E nesse momento a jovem ficou constrangida e, com a face vermelha e a cabeça baixa, disse envergonhada: – Eu tenho um encontro marcado para amanhã. Não é nada importante, mas … mas …
– Fale logo Blanche. Não precisa ficar assim, eu entendo que tudo o que você faz é em função de seu dever para com o nosso país.
– Então. Sabe o que é? O rapaz é um metido, que acha que Hitler é algum deus revivido do Egito. É só um tenente, mas eu suponho que ele tem alguma relação importante com militares de alta patente. Então eu queria explorar um pouco mais.
– Tudo bem. Você resolve isso e depois a gente providencia a viagem.
Emocionada, Blanche abraçou Charles e, depois de vários beijos nas faces e testa dele, se afastou um pouco e disse:
– Você é tão bom para mim. Cuidadoso, carinhoso e muito compreensivo. Eu gosto de ficar ao seu lado.
– Só isso? Você gosta de ficar ao meu lado? Nossa! Que decepção!
– Seu bobo. Eu gosto muito de transar com você … do que você está rindo? Seu bobo. Você está rindo de mim, não é?
Dizendo isso, ela fingiu estar zangada e entrou em luta corporal com ele que logo se transformou em brincadeira com ambos rindo e durou até que, de repente, seus olhos se encontraram e se prenderam uns nos outros. Suas faces foram se aproximando e voltaram a se beijar, dando início a outro round de sexo.
O encontro de Blanche com Wolfgang no dia seguinte parecia mais uma vez ser uma perda de tempo, com ele monopolizando a conversa com os únicos assuntos que lhe interessavam, que eram: o poder de Hitler, a glória da Alemanha e a fama de Von Rommel, tudo isso sem mencionar uma transa a meia boca depois de jantarem no restaurante do Hotel Ritz. Mas foi depois disso que ele, em seu afã de se mostrar importante, deixou escapar que o General Rommel estaria em Paris no próximo fim de semana, um prêmio oferecido por Hitler em virtude das vitórias que ele conseguiu no Norte da África, reconquistando grande parte dos territórios perdidos para os Ingleses e seus aliados australianos e neozelandeses.
Ela ficou animada com a informação. A fama de ser um estrategista brilhante e um homem honrado que conseguia gozar do respeito até mesmo de seus adversários a intrigava e ela viu naquela visita uma oportunidade de se aproximar dele e tirar proveito de sua fama.
Na esteira dessa informação, Wolfgang explicou que a prática de oferecer uma visita a Paris para militares como prêmios por suas ações nos campos de batalha era usado constantemente pelos alemães que chegaram a manter um catálogo de nada menos que dezenove bordéis onde os oficiais de baixa patente, subalternos, soldados e cabos se entretinham durante essas visitas.
Para aqueles de patentes mais altas eram oferecidos jantares de gala onde compareciam mulheres da alta sociedade, artistas e outras pessoas famosas, principalmente aquelas que, como mariposas atraídas pelo brilho da luz, queriam ser vistas ao lado dos alemães que, naquele momento, detinham o poder. Blanche sabia que tinha que agir como elas para poder ter sucesso em suas missões futuras.
Porém, ela estava mirando alto demais e não era páreo para as concorrentes. A própria Grace a alertou que era muito arriscado tentar, logo de início, se aproximar de um homem tão importante, usando uma comparação que deixava isso bem claro:
– Não faça isso, querida. É como uma equipe de futebol amador tentar disputar um campeonato nacional. Vai ser inútil, sem falar de sua autoestima que vai se perder diante do fracasso retumbante que você vai enfrentar.
Mas Blanche estava decidida e ficou atenta. Quando descobriu que na agenda de Rommel haveria uma recepção na residência de uma das mulheres mais ricas da França, mais rica e maior entusiasta da ocupação alemã, ordenou a Grace que lhe arranjasse dois convites, o que não foi possível, tendo ela que comparecer àquela recepção sem ter Hamdi ao seu lado. Mas isso não a impediu de ir.
Ao chegar na festa, Blanche se destacou por sua beleza e o luxo com que se vestia. O deslumbrante vestido de cetim preto com um brilho profundo, um decote em forma de coração emoldurado com renda preta fina. A cintura franzida e o detalhe drapeado no quadril davam à Blanche uma silhueta que enfatizava sua forma elegante. Para completar, os alças largas que caiam suavemente sobre os ombros lhe davam um ar de sofisticação.
Não bastasse a beleza do vestido, o penteado clássico dos anos quarenta arrumado em ondas suaves e cachos definidos, tudo isso fixado com precisão e combinando com um ‘fascinator de coquetel’, uma touca feita de tule preto com uma rosa grande e negra com penas de pavão refletindo as cores do arco íris e uma rede, também de tule, caindo delicadamente sobre a testa, adicionando à aparência de Blanche algo comparado a mistério e drama.
A maquiagem seguia a estética da época. A base era fosca e uniforme e os olhos delineados com traços sutis e definidos. O batom vermelho escuro e a pele acetinada com um leve blush caracterizavam a aparência dela como algo considerado refinado e polido.
Mas o que despertou a atenção de todos foi que em seu dedo estava, nada mais, nada menos, que o renomado “Toi et Moi” (você e eu), o anel ornado com duas pedras preciosas, uma safira e um diamante, que era mais famoso por sua história do que por seu real valor, pois foi o anel de noivado que Napoleão Bonaparte deu a Josefina de Beauharnais ema joia que Blanche tinha adquirido em um leilão no ano anterior.
(Imagem: https://postimg.cc/YhvTyCVP)
Ela não podia ter feito uma escolha melhor. De cochicho em cochicho, Blanche se tornou a atração da festa, com madames e cavalheiros se apresentando a ela apenas para olhar de perto a preciosa e afamada joia e poder elogiar à Marquesa pelo seu bom gosto ao se vestir e depois se afastavam como se fossem velhos amigos.
Com tantas pessoas a assediando e sua beleza ímpar, não demorou para que ela despertasse a atenção de Von Rommel que pediu para um de seus subordinados que se informasse a respeito daquela linda, jovem e, por atrair tantas pessoas, interessante mulher.
Rommel era casado e tinha a fama de ser fiel à sua esposa. Não era de comparecer nas orgias que muitas vezes aconteciam depois de festas e, nem assim, conseguiu ficar ileso diante de Blanche que, levada pela anfitriã à sua presença, monopolizou sua atenção e não se separou mais dela até o final da festa.
(Imagem: https://postimg.cc/V56hdNzZ)
Mesmo odiando os alemães, e ciente de sua missão, Blanche não pode deixar de se impressionar com o caráter, gentileza e educação daquele homem que, apesar de tão famoso, movia-se e falava com uma simplicidade ímpar e, quando ele a convidou para ir com ele para o hotel, ela aceitou com um sorriso e nem se deu conta que estava se sentindo honrada por ter tido a sua presença requisitada pelo ilustre homenageado. Depois de alguns comentários divertidos dele que ela aceitou sempre com um sorriso encantador, ele comentou:
– Me diga uma coisa, Marquesa Leblanc. Seu nome é Blanche, não é? Onde os franceses esconderam uma joia tão rara como a senhorita.
– Sim General, meu nome é Blanche e ninguém me esconde. Afinal, eu estou aqui, não estou? E fico honrada em ter sido agraciada com a oportunidade de poder ser vista ao lado do mais brilhante militar alemão.
Pego de surpresa, Rommel inflou igual a um balão e devolveu o elogio:
– Eu não sou tudo isso, Marquesa. Além disso, todo e qualquer conhecimento que eu possa ter adquirido fica totalmente eclipsado diante do brilho de sua beleza.
– Muito galante, General. O senhor está provando que além de ser um herói em seu país, é um homem muito sedutor. Isso me deixa lisonjeada. Mas, por favor, esqueça esse título de Marquesa e me trate pelo nome.
– Eu é que me sinto honrado com essa deferência, mas me dirigir a você pelo seu nome tem um preço. Esqueça minha patente e me chame pelo meu nome que é…
– Johannes. Johannes Erwin Von Rommel. É assim que o sen … que você gosta de ser tratado.
– Se é esse o que te agrada, pode ser. Mas particularmente, gosto mais de Erwin.
– Ah! Erwin …
Blanche pronunciou esse nome como se o acariciasse com sua língua, o que não passou despercebido pelo militar que sentiu um frio percorrer sua espinha. Naquele exato momento ele descobriu que estava prestes a enfrentar uma batalha. Uma batalha que já estava perdida antes mesmo de começar, pois o desejo já tinha ultrapassado o limite em que detalhes como fidelidade, ética e honra já tinham sido abandonados. Foi por isso que ele não vacilou em pedir para que a jovem o acompanhasse ao hotel quando se retirassem da festa.
O convite atingiu Blanche de uma forma inesperada. Ela se sentiu ansiosa para que ele se retirasse logo e assim pudesse monopolizar sua companhia, só não esperando que ficasse feliz por isso. Como se lesse seus pensamentos, quinze minutos depois o general estava se desculpando junto à sua anfitriã por não estar se sentindo bem e necessitar ir para o hotel. Naquele instante, ninguém viu Blanche por perto, pois ela já tinha sido levada pelo ordenança de Rommel e já estava aguardando por ele no banco traseiro de seu luxuoso carro.
(Imagem: https://postimg.cc/2bJ7qrxX)
Ao chegarem no apartamento do hotel, Blanche passou por uma das situações mais controversas que teve em sua vida. Ela sabia que tinha um objetivo, que tinha uma missão. Entretanto, se lembrou de um comentário feito por Hamdi, algum tempo atrás quando ainda duvidava se seria capaz de cumprir seu papel e atuar para, não só seduzir, mas também ir para a cama com os alemães. A amiga havia dito: “Você vai conseguir. E pode até sentir prazer nisso”. E foi esse conselho que, mesmo tendo um objetivo, a incentivou a continuar atuando.
Rommel, depois de se livrar da túnica e da calça do seu uniforme, permanecendo ainda com as vestes de baixo, tirou o vestido de Blanche de uma forma extremamente carinhosa, beijando seu corpo na medida em que ele ia sendo revelado.
(Imagem: https://postimg.cc/R3Z7XNs2)
Com ela ainda vestindo sua linda e sensual lingerie, ela a deitou sobre a cama, retirou a camisa que usava por baixo do uniforme e, ficando comente com suas roupas íntimas voltou a beijá-la.
(Imagem: https://postimg.cc/VJDMrzsc)
Após deixar Blanche nua, foi explorando, usando as mãos e a boca, os pontos mais sensíveis do corpo da jovem francesa e a fez gozar pela primeira vez quando chupou sua buceta e esperou apenas o tempo suficiente para ela restaurar o ritmo de sua respiração para recomeçar. Sem suportar mais o desejo que a deixava a ponto de explodir, ela pediu:
– Por favor, Erwin. Pare de me torturar e me possua. Eu quero ser sua.
Ela usou a palavra errada, pois ele ficou sério e disse para ela:
– Opa! Você está me confundindo. Eu sou totalmente contra a tortura.
– Não querido! Sua reputação é conhecida no mundo inteiro. Foi só no sentido figurado. Além do mais, se for para ser torturada por você desse jeito, eu quero sofrer tortura todos os dias. E várias vezes. – Falando isso ela abriu os braços revelando a sua nudez por completo e com o melhor de seu sorriso, pediu: – Agora vem cá. Eu não aguento mais. Eu quero ser sua. Fode a minha buceta, por favor.
Aquela mescla de uma dama com uma mulher vulgar, papel que Blanche estava representando com louvor, não assustou ao general. Em vez de ficar chocado, aquela forma de se oferecer acendeu de vez o estopim que provocou a explosão de desejos que se apoderou do homem que, com uma urgência nunca vista, se livrou das roupas e atirou-se sobre ela. Porém, Blanche sabia que agora tinha que ser melhor do que as melhores para que seu descuido em falar uma palavra errada fosse esquecido e, com muita agilidade, livrou-se do ataque dele e se deitou sobre ele falando:
– Agora é minha vez de judiar de você.
Falando isso, ela foi dando beijos no corpo dele, deslizando sua boca para baixo até atingir o seu objetivo, fazendo com que o pau dele sumisse dentro de sua boca ávida, e chupou e mamou aquele cacete como se dele fosse extrair o elixir que lhe garantiria a vida, dando a ele um prazer que o deixou prostrado.
Tão prostrado que sequer notou que ela chupou seu pau até o fim e engoliu toda a sua porra. Depois, sequer esperou pela recuperação e voltou a beijar o corpo dele, fazendo o caminho de volta até chegar à sua boca e o fato de ele aceitar um beijo da boca que tinha acabado de receber uma descarga de porra, sem reclamar, a deixou ainda mais entregue ao poder de sedução dele, principalmente por ele ter reagido imediatamente.
Feliz com aquela rápida recuperação, Blanche montou sobre ele e recusou a ajuda que ele ofereceu para colocar seu pau na entrada de sua buceta, se encarregando dessa tarefa sozinha e, sem perder o contato visual com sua presa, deixou a gravidade fazer o resto, descendo seu corpo e engolindo com sua xoxota molhada cada centímetro daquele pau. Porém, se a intenção da jovem era manter o controle, se viu derrotada nesse propósito.
(Imagem: https://postimg.cc/nMBDK4VD)
(Imagem: https://postimg.cc/68j26zzQ)
Depois de gozar, Blanche deixou seu corpo cair sobre o do amante que estava de olhos fechados e não se movia. Ela se sentiu tão bem que logo foi dominada pelo sono e permaneceu ali, com ele alternando entre rápidos momentos de sono e uma consciência nebulosa, sem sentir nenhum incômodo com o peso do corpo da mulher contra o seu.
Blanche acordou e reparou que Rommel estava dormindo. Saiu de cima dele e, enquanto ele ainda dormia, ela ficou pensando no que havia ocorrido e percebeu que a primeira parte do trabalho havia sido feita, ou seja, ela tinha conseguido seduzir um alto oficial alemão. E mais, confirmando a “profecia” da amiga somali, tinha tido prazer com ele. Um prazer muito acima do que ela havia imaginado que pudesse ter. Mas ainda faltava a segunda parte da missão.
Pouco tempo depois, ele acordou e, entre mais algumas carícias, pouco conversaram, para desespero de Blanche.
(Imagem: https://postimg.cc/jCHDnRvZ)
(Imagem: https://postimg.cc/18jX1XRY)
Não que ela não tenha tentado conseguir alguma informação que fosse relevante para os objetivos dos aliados, mas, a cada tentativa, Rommel dava respostas vagas e desviava do assunto. Blanche percebeu que se continuasse por aquele caminho, corria risco de revelar o seu disfarce e comprometer todo o trabalho que havia sido feito pelo grupo.
Por esse motivo, ela se resignou e a única informação que foi obtida por ela, que nem podia ser considerada assim, mas apenas algo que ela pinçou do meio de um comentário dele que deixou transparecer que, apesar de ter ajudado Hitler a alcançar o poder, nunca foi partidário da política nazista e das perseguições às minorias que estavam acontecendo na Alemanha. Mas quando essa informação chegou em Londres, foi descartada por ser algo que os aliados já tinham conhecimento, o que foi um erro dos ingleses, pois se tivessem prestado atenção, poderiam ter participado da Operação Valquíria anos depois e abreviado a guerra.
Na tarde seguinte, já em sua casa, com um misto de saciedade por conta do sexo que teve durante a noite e uma culpa crescente por não ter conseguido mais informações, ela queria conversar com Grace e Hamdi. Porém, a única companhia que teve foi a de Charles.
Na conversa que tiveram, Blanche se mostrou frustrada por não conseguir mais nada que pudesse ser usado contra a Alemanha e Charles respondeu:
– Não fique assim, minha querida. Você conseguiu muito mais do que informação.
– Como assim, Charles, eu não consegui nada.
– Blanche, veja bem. Rommel é uma raposa. Ele nunca iria te dizer nada que pudéssemos usar contra eles.
– Ou seja, nada ... – Disse ela se mostrando fracassada e insatisfeita. E completou – ... tanto trabalho e eu não consegui nada.
– Não veja desta forma – Disse Charles, fazendo um carinho rosto da amada. – Só o fato de que vários altos oficiais do exército alemão te viram com ele vai te garantir mais trânsito entre o oficialato e o alto comando alemão. Tenho certeza de que, a partir de agora, você será convidada para mais e mais festas e terá acesso muito mais fácil aos coronéis alemães e, desses sim, você conseguirá tirar informação.
– Você acha? – Perguntou Blanche.
– É claro, meu amor. Fique tranquila. Você verá.
O mal-estar foi sobreposto pela alegria do que ele disse depois de um breve interrogatório sobre a possibilidade de ter mais alguma informação. Olhando para ela com uma expressão de expectativa, lhe disse:
– E então? Agora que sua missão foi cumprida, você está pronta para ir ver seu pai?
– Sim, estou. Quando podemos ir?
– Já está tudo providenciado. Partiremos amanhã mesmo.
Se rendendo à alegria, Blanche pulou sobre Charles beijando a sua boca e sua noite de prazeres com o grande Von Rommel foi deslocado para uma repartição de sua mente, passando a fazer parte de seu passado.
Essa, na realidade, estava sendo a principal mudança pelo qual aquela garota tímida e insegura tinha passado e caminhava para ser uma espiã completa, fria e calculista, sem, no entanto, renunciar à sua personalidade, origem e propósito de vida.
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"Espaço vital" refere-se primariamente ao conceito geopolítico alemão ‘Lebensraum’, criado por Friedrich Ratzel no século XIX, que defendia a necessidade de expansão territorial para a sobrevivência e crescimento de uma nação. Esse conceito foi distorcido pelo nazismo para justificar a conquista de terras na Segunda Guerra
“Operação Valquíria” é um fato histórico real. Foi uma conspiração liderada por oficiais do exército alemão para assassinar Adolf Hitler em 20 de julho de 1944, no quartel-general ‘’Wolfsschanze’, visando um golpe de estado, derrubar o regime nazista e encerrar a Segunda Guerra Mundial
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