Boa noite pessoal, segue mais um parte. Próxima postagem será no dia 23 de abril, por volta das 19:00h. Comentem, deixem suas opiniões. Estou atento as dicas e estou pensando em escrever outro conto.
Submisso daquele cara - Trinta e um dias sem gozar - Parte 1 de 1.
Os dias passaram e fazia exatamente trinta dias que estava usando o cinto, ou seja, trinta dias sem gozar. Se contar nos dedos todas as vezes que tirei o cinto acho que não passa de sete. O estudo seguia pesado também, seis dias da semana, com descanso somente na minha folga. Renan ficava de cima e queria saber se eu estava estudando como se isso fosse tão importante quanto o cinto. Não tem como negar que a minha vida mudou muito depois que ele entrou nela. De punheteiro que saia para beber quase todos dias, sempre transando com alguém diferente para um rapaz estudioso, comportado, com sono regulado e mais disciplinado.
Confesso que a rotina de estudo estava fora de qualquer coisa que pensei sobre ter um dono, mas aproveitei o momento para de fato implementar isso na minha vida. E sendo honesto com vocês, estava gostando bastante.
Mas nem tudo são flores, esse rigor excessivo dele em cima de mim estava me deixando um pouco sobrecarregado. Na semana passada conversei com ele sobre. Estávamos deitados no colchão da sala, estava assistindo anime. Ele me perguntou por que não estava reclamando do anime e eu iniciei a conversa.
- Acho que o senhor está muito rígido comigo – disse para ele. Estava deitado no peito dele. Ambos estávamos apenas de short.
Ele não respondeu de imediato. Ele acariciou minha cabeça e me apertou no braço dele. Ele sabia que amava isso.
- Eu sei que sou bem rígido – disse ele ainda acariciando meus cabelos. - O que te incomoda exatamente?
- Tem vinte e três dias que o senhora não me deixa gozar. Mal tiro o cinto. Também o senhor quase não deixa eu sair com meus amigos. Sinto falta de sair para beber, sentar num copo sujo – disse para ele. - O senhor também mandou eu fechar minhas redes sociais… to me sentindo um pouco acuado, sozinho.
- Hmm – disse ele somente.
Ficamos calado um tempo. Sim, o silêncio dele era uma resposta e, geralmente, positiva.
- Fico feliz que tenha me dito isso – disse suspirando.
- Podemos flexibilizar alguma coisa? - perguntei para ele esperançoso.
- Não – disse ele me apertando em seus braços. A voz sempre firme. - Vai gozar quando eu achar que deve e não vai tão cedo, sobre sair sem eu, de maneira alguma. Você bebia quase todos os dias, gastava muito da sua renda, que já é quase regrada. Sobre as redes sociais… não usar as redes melhorou seu sono, sua concentração nos estudos e sinceramente te deixou mais calmo, menos “estressadinho”, então nada disso vai mudar.
- Mas…
- Não é uma discussão – disse ele finalizando o assunto. Logo tirou o anime do pause.
Fiquei calado meio emburrado mas não disse nada. Não queria iniciar uma briga com ele, mesmo porque nesses quase quatro meses com eles minha voz era cada vez mais baixa dentro da relação. Renan ouvia tudo e mudava aquilo que ele julgava que precisava mudar. Mas a rigidez como dominador não variava nem um pouco, muito pelo contrário, a cada dia estava mais rígido comigo.
Agora, com trinta dias sem gozar e com essa rigidez toda, começava a ficar para baixo. Ele percebeu mas pareceu não se importar. Apenas disse uma vez: vida de submisso é assim, se te solto de deixo fazer o que quer vai sentir falta. Aceita sua realidade que vai ser melhor para você. Quando ele disse isso apenas suspirei e disse “sim, senhor”.
Por outro lado havia ganhado um novo amigo. Cláudio me mandava mensagem o tempo todo, mais que Renan. Ele também era fã do anime do pirata que estica e queria que eu assistisse de todo jeito. Essa porra tinha mais de setecentos episódios na época. Também falava o tempo todos das putarias que fazia, de como era dominador foda e do quanto admirava o Renan. E a principal pauta dos nossos assuntos era: o Arthur. Cláudio falava o tempo inteiro dele e do quanto éramos parecidos (no jeito de ser, pois ele deixava claro que na aparência era bem diferente). Do jeito que ele descrevia o Arthur: branco, alto, de cabelo preto e olhos muito verdes; ele parecia ser tão lindo quanto Renan.
Ele me pedia conselhos amorosos e dizia que perdeu uma chance muito grande com ele, que perdeu o submisso perfeito, que eu deveria conversar com o Arthur para fazer ele mudar de ideia. Eu achava essa ideia completamente ridícula e disse que eu não me prestaria a esse papel. Cláudio insistia comigo que submissos tinham de se ajudar. Eu mandava ele resolver os problemas dele.
Inicialmente achei que Renan teria ciúmes, mas me enganei. Ele inclusive gostava da minha amizade com Cláudio. Queria que Cláudio me convencesse a assistir os setecentos episódios do anime do pirata que estica. Que saco! Assisti uma parte, como disse em capítulos anteriores, mas parei.
[…]
Nesse final de semana faríamos um encontro na casa de uma colega de trabalho. Nada de mais, o pessoal dos dois turnos iam juntar na casa dela para um churrasco. Minha chefe meio que intimou todos a irem, pois nos últimos tempos todos estavam bem estressados. Essa data coincidia com os trinta e um dias que estava usando o cinto, ou seja, fechava o mês. O mês mais diferente que tive em toda minha vida.
Não seria permitido levar namorados ou cônjuges, era algo restrito ao pessoal do trabalho, logo o Renan não poderia ir. E ele andavam bem ciumento por conta do Jorge, então inicialmente pensei em não ir, mas seria complicado me esquivar da minha chefe, que estava bem animada.
- Vou te deixar lá e te busco – disse um Renan mal-humorado em casa. Tinha passado a noite lá. - Fica de olho aberto com o Jorge.
- Não vai deixar eu tirar o cinto? - perguntei a ele com ares de reclamação. - Já tem um mês, não está deixando eu gozar há muito tempo.
- Não, de forma alguma – disse Renan irredutível. - Ainda mais saindo sem eu. E te disse que só vai gozar quando eu deixar. Fica com a piroquinha presa ai quando ela querer ficar dura lembra do seu macho te comendo. Acostuma com o prazer atrás. Sua vida como submisso é essa.
Suspirei cansado.
- Vai de short de jeans, aquela polo rosa com bolso e sandália – disse ele indicando as roupas em cima da cama. - Não achou que deixaria fugir do seu modo de vestir não é? Também está no dia de raspar o cabelo, e sua barba já está rala, vamos tirar também. Vamos fazer tudo isso antes de sair.
- Não posso ir vestido assim…
- Por que não? - questionou ele arqueando uma sobrancelha.
- Esse tipo de roupa não combina comigo – disse para ele.
- Exato, tem que combinar comigo, não com você – disse Renan com o olhar penetrante dele. - Já disse que não gosto do jeito que você vestia antes. Gosto de algo mais formal.
- Mas sandália… porra – reclamei para ele.
- Olha a boca – disse ele me repreendendo. - E qual o problema?
- Não acho bonito – disse para ele. - Eu tinha um estilo de vestir, o senhor mudou ele todo.
- Claro, para se parecer comigo, lembrar quando se olhar no espelho que está vestindo o que seu dono manda – disse Renan pegando a máquina de cotar cabelo.
- Mandou todos os seus subs mudaram assim? - perguntei ele.
- Sim, mandei – disse ele me indicando a cadeira para eu sentar. - Ao menos alguns. Ah, corta o meu cabelo também quando terminar o seu.
- Sim senhor – disse para ele me sentando na cadeira. - Acho que não gostava do meu jeito de vestir – disse para ele. - Me achava afeminado.
- Nada disso – disse Renan calmo, mas com o tom de voz firme. - Você ainda pensa isso. Não daria a mínima se você fosse afeminado ou se vestisse de um jeito muito chamativo. Se bem que seu estilo era meio chamativo mesmo. Mas eu não gosto de chamar atenção, então me visto assim e meus submissos também. E de uma vez por todas, você não é afeminado, mas num cenário hipotético, caso fosse, eu não daria a mínima.
- Tira ao menos a sandália – implorei.
Ele ficou calado por um tempo.
- Verdade… - disse ele olhando a sandália no canto da parede. - A sandália destoa muito do que um jovem usa, você sempre reclama disso. Até eu escuto piadas dos meus amigos – disse Renan pensativo. - Essa sandália que você usa não tem fivela, é ate moderninha. Comprei ela para você, mas acho que vamos mudar de modelo. Hoje vai usando uma sandália franciscana.
- O que!? - perguntei ele.
Ele abriu a gaveta debaixo do guarda-roupa e pegou. Ela tinha fivela no calcanhar, era marrom escura e parecia bem gasta.
- Vai usar essa daqui agora para aprender a não reclamar – disse ele entregando a sandália. Ela estava cheirando a chulé e parecia bem gasta. - Coloca para eu ver como fica – mandou ele.
- Eu não…
Ele apenas me olhou segurando o par de sandálias pelas tiras que prendia no calcanhar.
Peguei a sandália e coloquei.
- Todos vão comentar – disse para ele já imaginando a cena.
- É exatamente o que eu quero que aconteça – disse Renan olhando atentamente. - Sempre que alguém comentar vai lembrar que está fazendo uma vontade do seu macho. E quando falarem a respeito, e eles vão te zoar, vai dizer que eu te dei de presente – disse Renan.
- Mas Renan…
- Isso é uma roupa somente, nada além disso – disse Renan se olhando no espelho. - Você usava um tanto de roupa de gay antes. Calça mais colada, chamativa, roupas coloridas. Se fosse mesmo tão tímido não se vestiria assim. Então não quero ouvir um pio sobre.
Cortamos nossos cabelos, fiz a minha barba e me vesti como ele mandou.
- Sempre que se ver vestido assim, lembra que se veste como eu mando – disse ele. - E sendo muito honesto, você está lindo – disse ele sério, segurando um sorriso. - Agora vamos! Odeio atraso.
[...]
Renan me deixou na casa da Ingride, minha colega de trabalho, pouco depois do horário marcado. Pessoal estava chegando aos poucos e foi inevitável que todos comentaram a minha indumentaria. Foram todos os tipos de piadas, que iam desde de sandália da humildade a um senhor de sessenta anos. Deixei o pessoal zoar até se cansarem, mas confesso que fiquei bem envergonhado. Para alguém tímido esse tipo de situação é foda.
Sendo bem honesto eu inclusive era um que vivia comentando o jeito dos outros se vestirem. Quantas vezes falei dos heteros topzera que usava polo e sapatênis? Agora estava lá fazendo o mesmo. Acho que não me lembrava a última vez que não usei uma camisa polo. Praticamente nesses quatro meses com o Renan só usei camisa polo, sapatênis e as vezes a sandália.
Bebi pouco para evitar ir ao banheiro, mas depois de um tempo tive de ir e mijar sentado. O bom é que havia como limpar a tampa do vazo com sabonete líquido. Como a urina saia pelos lados era bem difícil mijar de pé ou fazendo algum malabarismo.
Quando voltei o pessoal voltou a falar de mim. Eu novamente fui a pauta.
- Um traíra, isso sim – disse Viviane com o copo na mão, ela estava bêbada. - Comprou um iPhone na concorrente.
Suspirei, depois de um gole.
- Foi um presente – disse para ela. - Onde eu teria dinheiro para comprar o último lançamento do iPhone? No dia que ganhei tinha sido lançado há duas semanas.
- Esse Renan mudou bastante você – rebateu ela, com ares de quem achava tudo engraçado.
- Deve ter mudado – disse dando os ombros.
- Amigo, eu acho que mudou mesmo – disse um colega que estava mesa, ele se chamava Marcelo. Um rapaz baixinho que usava óculos. Ele era muito bonito. Tinha cabelos e barba preta toda fechada, com alguns fios brancos que ele tirava com a pinça. Hoje aparentemente não tinha tirado.
- Por que falam isso? - questionei bebendo.
- Viado, você está vestindo igual um senhor de sessenta anos – disse Jorge colocando cerveja. - Sem falar que ficou mais quieto, está até menos viado que antes. Inativou as redes sociais, parou de ir tomar uma com a gente. Parece que só estuda agora.
- Uma pessoa não fica menos viado – disse para ele olhando o celular.
- Isso é verdade – disse Viviane. - Para o que ambos falaram.
- Em compensação está vendendo bem mais que antes e parece mais compromissado com o trabalho. Sempre fazendo hora extra, está paciente com os estagiários – disse Paula, a gerente da loja. Uma mulher baixa e gordinha, com cabelos pretos cortados na altura do ombro. Todo mundo chamava ela de Mãezona. Ela era muito gente boa. - O boy delicia fez maravilhas hein. Onde eu arrumo mais Renans para a equipe?
- Vocês são todos um nojo – disse sorrindo. Renan de fato tinha mudado minha vida. - E eu não estou vestido como um senhor – completei.
- Claro que não, só pegou a sandália do meu avô emprestada – disse Diego rindo. Esse estava bêbado. Esse era o rapaz da TI. Ele era uma gracinha, ele viva traindo a namorada com as vendadoras. Um sem vergonha. Ele era muito magro e alto, cabelo raspado e barba cheia. Mamei ele algumas vezes na sala do servidor no ponto cego da câmera. Não fazia isso mais, é claro.
- De novo essa pauta – disse rindo. - Ao menos traga a poção de babatas para podermos falar mim de novo.
- Mas fato é amigo, está menos viado que antes – disse Jorge com o copo de cerveja na mão. - Nem me chama mais no feminino – disse ele rindo. - Antes falava “a Jorge” e hoje é somente “amigo”.
- Você não gostava quando te chamava assim – retruquei.
- Só estou pontuando – disse ele ainda rindo.
- É verdade – disse Rubens, o outro gay que compunha o trio comigo e Jorge. Ele era gordinho, branco e mais alto que eu. - Está mais sério mesmo amigo, está mudado.
- Por um boy maravilhoso daquele eu também estaria – disse Ingride, a dona da casa, rindo. Ela era baixinha e bem gordinha, com cabelo cheio de tranças. Era muito fofa e gente boa. - Agora chama outros amigos militares dele e apresenta para a galera. A gente carece de homens gostosos.
- Já falo com ele hoje – disse dando um gole.
- Conheceu algum amigo dele? – perguntou Jorge.
- Conheço dois somente – respondi. E de fato, nesses quase quatro meses juntos não conheci absolutamente ninguém na vida do Renan, salvo o João e Cláudio. Sabia um pouco da história da família dele, mas nem o nome dos irmãos eu sabia.
- Isso é estranho hein – disse Diego. - Já te colocou uma aliança no dedo e não te apresentou os amigos.
Odiava quando o assunto era eu.
- Verdade – disse não querendo estender a resposta. Isso era algo que inicialmente não me incomodava pelo fato do Renan ser meu dominador. Mas eu amava ele. E meio que estava sentindo falta disso tudo.
Ficamos a tarde toda bebendo e logo a noite veio. Renan não mandou mensagem hora alguma, disse que era para eu curtir com meus amigos. Logo, quando as pessoas começaram a ir eu resolvi subir para a lage da casa. Queria um pouco menos de barulho para poder ligar para o Renan poder me buscar. Eu estava com saudades dele, apesar de irritado pela gozação que foi aquela sandália maldita.
Ele disse que chegaria em quinze minutos. Fiquei um pouco sozinho apreciando a vista. A casa da Ingride ficava em um lugar alto, então a vista era ótima. Dava para ver o bairro todo, a linha férrea e o estadio de futebol. O céu estava limpo, com poucas nuvens, ventava gostoso.
Quase não percebi quando Jorge surgiu do meu lado. Ele estava muito bonito hoje. Estava usando uma camisa de botão banco com vários botões abertos, short branco e tênis. A barba estava em um cavanhaque que valorizava eu seu rosto.
- Vista bonita, não é? – disse ele olhando a rua.
- Sim – disse para ele.
Ficamos um tempo calado. Eu praticamente fiquei apreciando a vista, de olho no celular.
- Estou com saudades – disse Jorge um tanto reflexivo depois de um tempo. - Tem um tempo que não saímos, mal conversamos durante o dia. Esse cara entrou na sua vida e te afastou de todo mundo.
Pensei atentamente no que ele disse, um tanto surpreso. De fato desde que comecei a sair com o Renan meus finais de semana eram dele. E era difícil sair sem ele. Ele exigia horários e praticamente eu estudava após o expediente. E muito provavelmente não deixaria eu sair com Jorge visto o seu ciume contra ele. Talvez fosse algo que deveria cortar essa implicância dele com o Jorge, mas quando tentei fazer isso tivemos a nossa pior briga e eu só levei depois disso.
- De fato, desde que comecei a namorar e estudar fiquei totalmente sem tempo – disse para Jorge. - Quero muito passar num concurso público amigo, preciso melhorar de vida – disse tentando jogar o foco da ausência nos estudos.
- Renan é um cara legal – disse Jorge olhando a rua. - É sortudo de ter conseguido você.
Fiquei um pouco constrangido. As bochechas arderam levemente. Jorge me conhecia intimamente. Era um dos meus amigos mais antigo. Confidenciava muitas coisas para ele
- Eu que sou – disse para Jorge.
- Não, ele que é – disse Jorge. - Ele poderia ter arrumado quem ele quisesse, mas escolheu você. Uma pessoa com padrão de vida diferente dele, aparência diferente, idade diferente. Ele tirou a sorte grande quando encontrou você naquela livraria.
- Jorge… eu… não sei que dizer – disse para ele. - E sendo honesto amigo, não gosto que fale assim. Você sempre parece deixar claro que o Renan é bonito e eu sou feio. Isso está começando a me chatear.
- Não, nunca – disse Jorge se desculpando. - Eu te acho lindo… mas ele… ele é padrão né. Branco, bombado, com dinheiro, totalmente fora do meio. Você é alguém de fora do mundo dele.
Fiquei pensativo… era verdade isso.
Ele escorou no beiral e olhou para a rua. Estava um pouco bêbado, por isso estava falando coisa com coisa. Mas o que ele disse sobre o Renan, de fato… eu evitava pensar. Sempre que esse assunto vinha na minha mente eu acabava questionando minha autoestima e minha segurança ficava um tanto comprometida.
- Eu fui muito idiota – disse Jorge olhando a rua. - Deixei você arrumar outro. Fiquei do seu lado todos os dias e não tinha percebido que estava ali.
Meu coração apertou na hora. Ouvir aquelas palavras me pegaram de surpresa. E uma surpresa amarga.
- A gente tentou Jorge, não deu certo – disse para ele pensativo. - Somos bem diferente. Foram palavras suas...
- Ele te domina não é – disse Jorge me olhando, os olhos castanhos dele me encaravam com muita intensidade. - Ele te domina, ele te fez vestir diferente, ele te dá uns tapas, te humilha… do jeito que você gosta. Ser tratado como inferior.
Aquilo me incomodou profundamente. Jorge falou de um jeito meio desdenhoso. O jeito que ele falou foi extremamente pejorativo.
- Jorge, meio que isso são coisas íntimas entre mim e o Renan, eu não vou falar como é a nossa relação, ainda mais agora, com você falando desse jeito comigo – disse para ele. - O Renan é sim pouco controlador, mas ele não me domina e eu não me sinto inferior a ele – disse tentando afastar dele a ideia de ser submisso do Rena. - Foi ofensivo a forma que você falou.
Ele recuou um pouco.
- Me desculpe... – disse ele.
- Deixa isso… - disse suspirando, um pouco irritado.
- Não demos certo porque você queria um dominador que dominasse na relação, que mandasse em tudo e eu não curtia isso – disse Jorge me olhando. - Queria um cara que te colocasse, como os submissos falam, na rédea curta. Eu não estava preparado para isso na época...
- Isso tem muito tempo – disse para ele. - E eu não curto esse tipo de coisa mais. Era só tesão de momento – disse para ele mentindo.
- Mentira… eu vi aquele dia o jeito que ele te olha, o olhar intenso dele. O porte protetor, cuidador, a forma autoritária dele nos gestos mais simples e a sua postura frente a isso – disse Jorge me encarando. - Eu fiquei puto na hora porque percebi que te perdi.
- Jorge… eu… eu não sei o que dizer – disse para ele. - Tentei tantas vezes e você sempre me dispensou.
- Eu fui um idiota – disse ele.
Suspirei cansado. Aquela conversa estava me deixando muito incomodado. Em outros momentos pularia de alegria, agora… eu sentia repulsa.
- Ainda podemos tentar, o que acha? – disse ele me olhando.
- O quê? Está louco? - perguntei para ele.
- Sou tão ruim assim? - perguntou ele. - Preciso ser padrão para você me dar uma chance?
- Não, sabe que te curti muito na época – disse para ele me sentindo ofendido. - Eu era doido com você, queria de mais ficar com você então não venha tentar jogar o fato do Renan ser padrão, pois isso não tem nada a ver – disse irritado, logo apontei o dedo para ele. - Mas lembra? Foi você quem deu um pé na minha bunda. Foi você quem disse que não queria ficar mais e que isso ia prejudicar a nossa amizade. E eu aceitei isso.
- Tem muito tempo isso – disse ele.
- Depois desse dia me viu quase todos os dias – falei com ele. - Trabalhamos juntos há anos. Fizemos um monte de putaria juntos e agora que arrumei alguém você me quer?
- Sim, eu te quero de mais – disse ele. - Só me dá uma chance para te provar...
Ele não disse nada. Estava muito próximo dele. Jorge era muito alto, muito imponente. De repente ele se curvou para mim, sua mão enorme apertou segurou meu braço na região do bíceps e ele me beijou. Ele estava bêbado. Senti o cheiro e o gosto da cerveja nele. A língua lisa dele entrou na minha boca contra minha vontade. O beijo dele foi dominante, do mesmo jeito que foi há anos. Ele me puxou pela cintura e me envolveu nos braços dele, senti a rola grande e grossa dele dura entre as pernas. Afastei a cintura e coloquei a minha coxa entre as pernas dele para ele não sentir o cinto de castidade.
Eu sai do beijo, em empurrando dele.
Ele me olhou assustado, os olhos arregalados caindo em si.
- VOCÊ FICOU MALUCO?! - disse para ele, em choque.
- Eu… meu Deus.
- A gente se vê na segunda. Tchau. Vou esperar o Renan la na rua – disse desconcertado. Desci correndo com medo dele ter sentido o cinto entre as pernas. Por algum motivo eu estava muito envergonhado do que aconteceu, como se o culpado fosse eu.
[…]
Fiquei calado a viagem toda para casa. Renan foi comigo em trailer comprar um hambúrguer e umas batatas fritas. Ele disse que não havia comido nada o dia todo porque estava com preguiça de sair. Ele comeu e eu fiquei calado, pensativo. A minha mente revivia o momento que Jorge me beijou. Meu estômago estava frio com um incômodo terrível. Era a mesma sensação de quando você come e passa mal.
- Está calado de mais – disse Renan comendo o hambúrguer. O lugar estava cheio, com todas as mesas ocupadas e muita gente conversando, o que fazia o local ser bem barulhento. - O que se passa nessa cabecinha? - perguntou ele. - Quer batata? Você adora batata. Comprei pensando em você.
- Não senhor… obrigado – disse para ele.
- Pessoal pegou no seu pé? - disse ele me encarando.
- Bastante – disse para ele. - Acho que todos comentaram. Falaram que o senhor me mudou. Que estou mais quieto, atento no serviço, meno viado. Eu particularmente odeio essa de “menos viado”. Mas enfim... A gerente disse que eu deverias arrumar mais “Renans” para o restante dos funcionários.
Renan deu uma risada alta.
- Enfim estão percebendo meu trabalho.
Peguei uma batata dele.
- Sabia – disse ele rindo me passando o restante.
Quando estávamos voltando ainda estava pensativo, aquela azia horrível vinda da ansiedade me agoniando. Os olhos voltados para a rua. Não conseguia tirar o que ocorreu da cabeça. Renan percebeu que eu estava pensativo de mais. Ele colocou a mão na minha coxa enquanto dirigia.
- Essa sandália estará com o chulé forte quando tirar ela – disse Renan atento ao trânsito. - Eu parei de usar porque ela estava podre. Mas o coturno deixa a gente com chulé também. Mas como a vi está bem gasta, eu usei…
- O Jorge tentou me beijar – disse para Renan. - Na verdade ele conseguiu.
Ele se calou na hora. Por um momento a mente dele pareceu processar o que aconteceu.
- ELE O QUÊ?! - disse Renan em choque.
Contei tudo que aconteceu para ele.
- Eu vou meter a mão na cara desse filho da puta – disse Renan extremamente irritado. - Eu te falei, eu te falei que estava a fim de você. Você não presta atenção no que eu falo. Você disse que não…
- Eu sei, eu estava errado – disse para Renan. Já estava mal com tudo.
- Aquele filho da puta, pois eu vou ter uma conversa séria com ele, que porra ele acha que é – disse Renan irritado. - Eu vou voltar la na sua amiga agora se ele estiver lá...
- Não faz isso – disse para Renan. - Ele trabalha comigo, não posso criar uma crise onde eu trabalho. Preciso muito do meu trabalho, sabe bem disso...
- O que quer que eu faça… - perguntou Renan irritado. Na hora me arrependi de ter contato.
- Eu não estou usando o cinto para isso? – perguntei para Renan, achando enfim uma vantagem para usar ele.
- Olha…
O celular tocou. O nome dele apareceu na tela. Renan viu.
- Atende e coloca no viva voz! - ordenou Renan.
- Só se prometer que vai ficar calado – disse para Renan.
Ele suspirou irritado. Ele parou o carro na sombra de uma árvore e ficou calado.
- Atende essa porra agora e coloca no viva voz – disse Renan crescendo para cima de mim.
Atendi.
“Oi” – disse Jorge.
“Oi, o que foi?” – perguntei irritado.
“Está perto do Renan?” - perguntou Jorge.
Renan me olhou irritado, o dedo indicador fazendo um não.
“Me desculpe, por favor, eu tava estava bêbado” – disse Jorge exasperado.
“Cara… eu não esperava isso. Porra! Como você faz uma coisa dessas Jorge?” - perguntei ele.
“Eu sei, eu não pensei. Bebi de mais, me deixei levar pelos sentimentos”.
“Como eu fico com o Renan agora?”
“Ele não precisa saber” – disse Jorge.
Renan se mexeu profundamente irritado.
- Ele quer que você minta para mim – disse Renan baixo.
“Sabe que ele é ciumento e eu detesto mentira” – disse para Jorge.
“O cara anda armado, é policial, ele pode fazer alguma coisa comigo, até me dar um tiro”.
Renan quase deu um salto no banco do motorista e socou o volante. Ele me olhou transtornado.
“O Renan não vai te dar um tiro” – disse para ele.
“Ele tem uma arma, é ciumento e tem um motivo”.
“Ele não te daria um tiro por esse motivo”.
- Eu não quero você falando com ele mais… - disse Renan sussurrando irritado, baixo o para Jorge não ouvir.
“Acha que ele vai me perdoar se ficar sabendo?” - perguntou Jorge. - “Duvido, se não me der um tiro vai me dar umas porradas. E com razão”.
- Não vou perdoar não… - disse Renan fazendo um sinal negativo com o dedo indicador no ar. - Não vou mesmo. Vou dar uns tapas na cara dele.
“Vai sim, ele via ter perdoar. O Ex dele aprontou umas comigo esses dias para trás e eu perdoei. O Renan é uma boa pessoa, não guarda sentimentos ruins de ninguém” – disse olhando para o Renan, ele fez um sinal negativo para mim profundamente irritado.
“Cara o que tem de errado comigo?” – disse Jorge irritado.
“Relaxa, passou” – disse tentando acalmar ele.
- Não passou – Renan sussurrou do meu lado indignado, novamente fazendo sinal negativo com o dedo.
“Vai contar para ele?”.
Renan fez um sinal negativo me indicando o que dizer. Estranhei na hora, mas acatei.
“Não, fica tranquilo”.
“Não sei se acredito, você odeia mentira e sendo muito honesto amigo, é péssimo mentiroso. Não sei como consegue ser um bom vendedor.”
“Uma coisa não depende da outra, preciso ir amigo. Durma em paz. Esquece isso, eu já esqueci. Não vai dar problema com o Renan. Como disse ele é uma boa pessoa. Problema daria se eu tivesse feito algo, o que não foi o caso”.
“Entendo… mais uma vez me desculpa amigo, por favor… tchau!”.
Ele desligou. Renan me olhava nervoso, o semblante fechado. As sobrancelhas quase se encontrando no meio da testa em um olhar nervoso.
- Que porra é essa de que eu vou perdoar…
- Vai, porque o senhor me disse que a gente não deve guardar rancor dentro da gente – disse me lembrando da noite que me fez ir ver o João. Que sensação boa poder fazer o mesmo. - Então o senhor vai perdoar ele. E não aconteceu nada. Ele tentou me beijar e eu empurrei ele. Se eu tivesse aceitado ai, com certeza, seria diferente.
Renan ligou o carro de novo e não disse nada.
- O cara achou que eu ia dar um tiro nele – disse ele nada indignado.
Eu ri de nervoso.
- O senhor tem fama de bravo.
- Estou falando sério – disse Renan olhando o trânsito.
- Ele só falou aquilo para colocar uma nota de drama – disse para o Renan.
Coloquei a mão na coxa dura dele.
- Está tudo bem – acalmei ele. - Eu não vou te trair, jamais, eu te amo.
- Ainda quero dar uns murros nele – disse Renan.
- Nada de bater em ninguém! - disse para ele. - O senhor me fez perdoar o João, e o joão, diferente do Jorge, me agrediu. Então estou no direito de te pedir isso.
Ele me olhou pelos cantos olhos.
- Não é assim que as coisas funcionam.
[…]
Chegamos em casa e fomos deitar. O efeito do álcool já tinha passado, tirei a sandália e o chulé forte subiu, até Renan reclamou. Mandou eu colocar a sandália do lado de fora. Fui colocar morrendo de preguiça. Quando voltei ele estava deitado sem camisa. Tirei a roupa ficando de cueca, o cinto marcando. O pé ainda com cheiro de chulé. Quando deitei ele me abraçou me puxando para um beijo.
- Por mais que eu queira dar uns morros no Jorge agora, posso te dizer que estou muito feliz com você – disse ele para mim.
- Por quê? Achei que o senhor estaria irritado – questionei confuso.
- Você falou a verdade. Nem excitou, me contou o que aconteceu – disse Renan satisfeito. - Isso me deixa muito aliviado. Poderia ter escondido o que aconteceu. Digo, não na maldade, mas para não me preocupar, por exemplo.
Suspirei.
- Mentir da muito trabalho, cansa. Sustentar a mentira acaba com minha energia – disse para Renan me aconchegando nos peito dele. - Já falo de uma vez. A verdade liberta.
Ele sorriu feliz, logo me agarrou de novo me lambeu na bochecha. Poderia ter beijando na bochecha, mas o jeito de carinho dele e diferente. Apenas com isso o pau dele ficou duro.
- Hoje vou te deixar gozar – disse ele. - Vou deixar ficar sem o cinto amanhã também, vai colocar só quando for embora, amanhã a noite.
Abrir um sorriso de orelha a orelha. Enfim poderia gozar. Trinta e um dias sem bater uma. Acho que ia espirrar porra pra todo lado.
- Vou te comer de franco, ai a gente tira o cinto e você goza com meu pau dentro – disse ele.
Aquilo me deixou animado.
Ele me puxou para um beijo novamente, dessa vez me deixando sem ar. Beijei ele com vontade, mas a língua dele fazia todo o trabalho, invadindo a minha boca. Ele mordeu meus lábio e lambeu mesmo pescoço, mordendo e chupando. Eu ficava louco com aquilo.
Ele me colocou de frango, tirou o pau para fora da cueca, cuspiu e sem delongas começou a penetrar. Meu cu estava mais largo diante das constantes transas com ele. Senti o pau dele fundo. Eu tava com muito tesão, acho que ele viu meu rosto porque fez fechou a cara e me olhou como se quisesse me comer inteiro. Logo ele começou a meter, e desse vez deitou sobre mim e me beijou. Eu cravei as mão nas costas musculosas dele enquanto ele metia. Senti os pelos do peito dele rasparem no peito, senti o beijo vira lambidas no rosto e chupões no meu pescoço. A barriga dele esbarrava no cinto, mais precisamente no meu saco, e o movimento das estocadas, aquele entra e sai fazia a a barriga dele movimentar meu saco junto.
Ele me beijava com muito vontade, a língua passando pelo meu pescoço, minhas mãos agarrando forte as costas dele. Senti o saco arder muito enquanto a barriga dele o prensava. O cheiro dele me envolvia, ele me dominava por completo. Ele era forte, me segurava em seus braços suados e me consumia. Seu pau entrava fundo dentro de mim, aquela rola grossa e gostosa que acabava com o meu cu.
Cada estocada era mais rápida e mais forte que a anterior. Eu estava com muito tesão, estava sem ar, com o coração acelerado, o cu ardendo, mas ao mesmo tempo cada metida era mais gostosa que a anterior. Senti novamente a ardência no saco provocada pelo cinto e e quase perdi o ar novamente, a minha visão ficou embaçada, eu estava fora de mim. O saco ardia muito, mais que as outras vezes, eu tava com muito tesão, muito tesão mesmo. Soltei um gemido alto, senti o orgasmo máximo e meu pau gozou, esguichando porra pelos furos do cinto.
Nunca gozei tão gostoso na minha vida. A porra sai esguichando mesmo com o cinto, voando para todo lado. Gemi novamente enquanto enquanto o pau gozava mesmo trancado. Renan se afastou sem tirar o pau duro de dentro de mim para ver eu gozando. Eu olhava o teto sem nem sabe onde estava. A porra esguichando num prazer que nunca senti na vida. Renan me olhava surpreso.
Respirava cansado, meu corpo estava mole. Que gozada gostosa. Meu corpo inteiro estava bambo. Olhava o teto branco do quarto dele desfalecido. Nem sabia se ele estava de pau duro, se ia continuar metendo ou se ia gozar batendo uma.
Senti ele tirar o cinto, meu pau ficou livre.
- Caralho, você gozou muito – disse Renan jogando o cinto no chão em cima das nossas roupas. - Estressadinho, o que foi isso?
Ainda respirava ofegante, mole na cama, todo suado, olhando o teto.
- Eu não sei… - disse para ele.
Renan se levantou e apagou a luz do quarto. A única luminosidade era a luz da noite que entrava pela janela aberta. Logo ele deitou e me puxou para o peito dele.
- Só relaxa e curte seu momento Estressadinho. Gozar é bom de mais.
Eu respirei cansado. Essa foi a melhor gozada da minha vida e eu nem de pau duro estava.
Renan estava com uma mão atrás da nuca, a outra ele me aconchegava no peito dele. Ele estava em silêncio relaxado como eu. Não falamos nada, apenas ficamos calados um ouvindo a respiração do outro, sentindo o cheiro do nosso suor, o corpo suado e a brisa que entrava pela janela. Cansado e aconchegado no peito dele fui fechando os olhos até que dormi um sono pesado e gostoso.