A Boceta de Pandora - Capítulo 16

Um conto erótico de Himerus
Categoria: Heterossexual
Contém 7549 palavras
Data: 15/04/2026 08:48:05

No Capítulo anterior:

Quando comecei a arrumar minhas malas, percebi o quanto estava sendo ingênuo. Não bastava estar em um hotel de luxo; minha aparência precisava deixar claro que eu era inacessível aos mortais comuns. Criado na zona leste de São Paulo, eu nunca me importei com o código de vestuário dos ricos. Aliás, Ruth ficava louca da vida quando me via saindo para o trabalho com roupas despojadas. Agora, precisava ser diferente: meu estilo deveria refletir meu poder econômico.

Fui ao shopping disposto a renovar meu guarda-roupa. Andei por horas e não comprei nada. Apesar de ter convivido com ricos e poderosos no Vale do Silício, eu não sabia por onde começar. Lembrei-me de uma degustação de vinhos que fui anos atrás. O anfitrião, orgulhoso, serviu um vinho raro e passou quase uma hora apregoando suas qualidades. Apesar disso – e do preço astronômico, a garrafa custava duzentos mil reais –, eu, na minha ignorância, não percebi diferença em relação ao Sangue de Boi que bebia na minha adolescência... Todo gosto precisa ser cultivado, educado ao longo da vida. Da mesma maneira que nunca tive paladar para vinhos raros, não sabia escolher roupas.

Enquanto tive minha empresa e a ocasião me obrigava a vestir algo formal, usava ternos escolhidos por Ruth. Depois que a vendi, abandonei toda e qualquer roupa formal e adotei as calças cargo, camisetas de algodão e tênis.

Eu precisava de ajuda.

Continuando:

Felizmente, não sou o único homem com esse tipo de problema. Embora São Paulo ofereça o melhor do mundo fashion masculino, poucos têm acesso a essa variedade. Com certeza, o poder aquisitivo limita a maioria dos candidatos. São poucos que, não se assustam ao descobrir que, em uma minúscula loja na Mooca, um sapateiro italiano, que imigrou para o Brasil nos anos setenta, cobra oito mil reais um par de sapatos feitos sob medida. Mesmo entre os abençoados pela fortuna, a falta de conhecimento sobre a cena fashion impede a criação de um estilo próprio.

Vivemos em uma sociedade capitalista: um problema detectado é uma oportunidade; alguém vai buscar a solução e transformá-la em produto ou serviço.

Não foi difícil descobrir que existem profissionais especializados em ajudar os ignorantes das tendências da moda a gastar seu dinheiro de maneira correta.

Liguei para Aka e expliquei meu problema. A japonesa chorou de tanto rir, não acreditava que seu chefinho queria se transformar em um playboy de meia idade. Pensei em explicar meus motivos, mas desisti, não queria entrar no mérito da minha decisão. Ela prometeu ajudar, mas cobrou um preço: ser a primeira a me ver com o novo visual, de preferência em um jantar.

Concordei.

Em menos de meia hora, recebo uma mensagem com um link.

Ao clicar, me deparei com um site construído com um design enxuto e de muito bom gosto.

O desenvolvedor foi inteligente ao dividir o site em três telas: a primeira destaca o nome da profissional e, logo abaixo, sua atividade. A segunda descreve as atribuições do seu trabalho. A terceira traz depoimentos de clientes sobre o impacto da experiência em suas vidas pessoais e profissionais.

Diferentemente da maioria dos sites de prestadores de serviço, não havia número de telefone, WhatsApp ou endereço comercial; contudo, um ícone flutuante com a expressão “Entre em contato” aparecia na tela a cada dez segundos. Apertei o botão e fui direcionado para uma tela que pedia meu nome, e-mail, telefone, motivos para o contato e como fiquei sabendo dos serviços ofertados pela profissional. Respondi e enviei. Meia hora depois, meu celular vibrou: uma videochamada.

Viviane era uma mulher agradável. Rapidamente percebi que era o tipo de pessoa que, com dez minutos de conversa, consegue te envolver de um jeito que parece que você já a conhece a anos.

Na casa dos quarenta anos, ela parecia uma mulher comum. Alta e esguia, com seios pequenos, coxas grossas e um bumbum volumoso. Certamente mantinha uma rotina de exercícios. Sua beleza era discreta, não era o tipo de mulher que se destacava em meio à multidão. No entanto, um observador perspicaz poderia notar que ela era tudo, menos comum. Vestia-se com uma elegância e sobriedade incomuns. Cada peça de roupa parecia escolhida com cuidado. Assim como em uma obra de arte clássica, havia uma harmonia perfeita. Seus movimentos eram tão graciosos e precisos que, inicialmente, pensei serem calculados. Com o tempo, percebi que eram naturais. Seu sorriso e sua conversa tinham um charme especial, e em poucos minutos eu já sentia como se fôssemos amigos de longa data.

Quando me ligou, se apresentou e disse que já esperava meu contato, Aka tinha ligado e adiantado a urgência em resolver o problema. Marcamos um chá no final da tarde do dia seguinte; ela precisava de mais detalhes para me ajudar e explicar seu método de trabalho. Às cinco horas em ponto, of course!

Nos encontramos na Teakettle, uma famosa casa de chá na Chácara Santo Antônio, região Sul de São Paulo. Eu não sabia, mas estava entrando no mundo mágico dos Personal Shoppers.

Depois das apresentações protocolares e de uma breve conversa sobre a história do chá, ela me explicou os meandros de seu trabalho. Basicamente, consistia em ajudar homens a definir um estilo que refletisse o momento em que estavam vivendo.

Ela fez uma pausa, como não fiz nenhum comentário, continuou:

— Em uma sociedade materialista como a nossa, aparência é fundamental para garantir respeito e credibilidade. A maioria dos meus clientes são homens bem-sucedidos que, em algum momento da vida, perceberam que apesar do seu sucesso empresarial ou profissional eram vistos como pessoas de segunda classe nos ambientes em que circulavam.

Por não terem recebido uma educação cortesã, simplesmente não conseguiam acompanhar a moda e seus rituais e, para piorar, desprezavam profundamente tais “frescuras”.

— Você acabou de me descrever. Nasci e fui criado na Zona Leste e nunca vi sentido em gastar muito com roupas para, no ano seguinte, descartá-las e renovar o guarda-roupa.

— Eu te entendo, mas muitos homens que pensavam como você acabam percebendo este gasto é um investimento que pode abrir portas. Não que eles gostem, em um primeiro momento odeiam a ideia, mas acabam se rendendo. É aqui que eu entro.

— Uma consultora de moda? — perguntei.

— Quase. O termo correto é personal shopper. A maioria dos homens não tem paciência para percorrer os longos corredores de dezenas de shoppings, muito menos pesquisar, entrando de loja em loja na busca das roupas e acessórios ideais para o estilo almejado. Tal atitude acaba com qualquer motivação na busca de um estilo próprio. Além disso, não saberiam o que comprar: falta de conhecimento sobre peças, marcas, lugares, tecidos, modelagens, caimento, contrastes, aviamentos, estrutura da peça... São tantas variáveis que a lista parece não ter fim.

— Passei por isso e acabei não comprando nada!

— Exatamente. Contudo, ainda bem que você não comprou nada, ou provavelmente teria tentado adaptar o que está acostumado a usar em algo “chic”, criando um Frankenstein fashion. No seu caso, pelo que estou vendo, um estilo “adolescente na primeira comunhão”!

— Não precisa zoar... Adolescente? Você acha que me visto como um adolescente?

— Com certeza, e pelo que a Sayaka me falou, um adolescente em crise de meia-idade!

Aka é foda, passou a impressão errada para Viviane sobre meus motivos. Entretanto, se quisesse que aquela consultoria funcionasse, teria que, na medida do possível, me abrir com a personal shopper. Foi o que fiz.

Ela escutou sem interromper, olhando nos meus olhos. Quando terminei ela desviou os olhos, por alguns momentos olhava para o vazio e se manteve em silêncio. Fiquei tenso, não sabia o que esperar. Por fim ela suspirou, voltou a fitar meus olhos e disse:

— Rodolfo, lamento que você tenha enfrentado essa experiência tão dolorosa. Sei que o término de um relacionamento é desafiador, e falo isso por experiência própria, mas não consigo sequer imaginar a dor de descobrir que tudo o que viveram juntos foi uma farsa. Compreendi sua intenção de se afastar fisicamente e socialmente na Rússia, adotando uma nova identidade. Estarei aqui para te ajudar, afinal, essa é a minha função, mas, se você permitir, gostaria de oferecer um conselho...

— Claro, estou aberto a conselhos que possam me ajudar. — respondi.

— Tudo bem. Pense no que você está fazendo. Ao assumir a persona de “milionário ocidental”, você vai afastar um tipo de pessoas, aquelas com quem está acostumado a conviver, mas não ficará sozinho; inevitavelmente, atrairá outro tipo, aquelas habituadas à riqueza. Pela minha experiência, elas podem ser tóxicas, perversas em um nível que você não imagina. Seja cuidadoso nesse mundo.

— Preciso confessar que não havia considerado esse aspecto, meu intuito era apenas me distanciar das pessoas. Eu analisei a situação de forma quantitativa, e não qualitativa, e você está certa; devo prestar mais atenção a esse ambiente do qual nunca fiz parte. Talvez eu necessite da sua ajuda, além das orientações sobre vestuário. Que tal me oferecer um curso introdutório sobre como me adaptar à vida entre os ricos?

Viviane riu muito, mas aceitou ser minha “mestra”. Convidou-se para ir ao meu apartamento conhecer meu closet; porém, antes, me levou a duas lojas especializadas em malas. Na primeira, uma franquia voltada para a classe média, fui convidado a comprar duas malas grandes. Na segunda, muito mais exclusiva – onde o vendedor parecia um mordomo inglês saído da série Downton Abbey – vivi meu rito de passagem ao mundo dos super-ricos.

Enquanto Viviane conduzia uma conversa amena com o mordomo-vendedor, seus assistentes ofereceram e, sem esperar respostas, serviram para meu desespero o segundo chá do dia.

Sem querer parecer rude, degustei o maldito chá. A experiência foi surpreendente: o melhor chá que já provei, muito superior ao servido na casa de chá.

Enquanto degustávamos a milenar infusão, Viviane explicou ao vendedor, de maneira clara e objetiva, o que desejava.

Acabei comprando um jogo de seis malas Goyard, uma marca francesa que eu nunca tinha ouvido falar. Viviane me garantiu ser a melhor escolha, um excelente produto. Mostrava sofisticação sem o deslumbramento dos novos ricos que optavam por grifes famosas como Gucci, Hermès ou Louis Vuitton. Não vou negar que gostei; as malas eram lindas. Uma em especial me encantou: ao abrir, parecia um guarda-roupa, com gavetas de um lado e espaço para pendurar cabides do outro. Lembrei dos enormes baús de viagem no filme “Titanic”.

Viviane concluiu a transação, e eu optei por não verificar o valor; apenas passei o cartão e digitei a senha...

Já no carro, intrigado, a questionei sobre a qualidade do chá servido na loja.

— Não consigo entender: Como o chá servido em uma loja de malas pode ser melhor que o preparado em uma casa de chá especializada?

— Você tem razão, o chá preparado na loja é muito superior; seu preparo tem o peso da tradição. A loja foi fundada no início do século XX por um artesão inglês. Por muito tempo, eles vendiam o que produziam para a comunidade inglesa em São Paulo. Nos primeiros tempos, o chá era um ritual semanal entre amigos e clientes, todos ingleses. Com o passar do tempo, as novas gerações se curvaram ao inevitável: a qualidade dos produtos europeus era incomparável. Passaram de fabricantes a vendedores dos melhores produtos. O chá deixou de ser um evento semanal e passou a ser um mimo para os clientes mais importantes. Acredito que todo o ímpeto criativo da família, sufocado pelas imposições do mercado, foi direcionado para o preparo do chá. Além de delicioso, o chá da “loja de malas” é famoso; o marido da Rainha já foi servido na mesa onde estávamos. Muito se especula sobre o segredo da perfeição do chá. Até onde sei, não existem receitas mirabolantes, apenas rigor na seleção dos ingredientes.

— Ingredientes? — perguntei.

— Sim – ela me respondeu – além das melhores folhas de chá, das melhores floradas, ele é preparado com água mineral francesa, adoçado com cubos de açúcar holandês, algumas gotas de leite suíço e servido em uma fina louça chinesa.

— Impressionante. Tudo isso para vender malas...

— Bem-vindo ao 1% da população mundial, Rodolfo. — Me respondeu com um sorriso zombeteiro.

Meia hora depois de chegarmos ao meu apartamento, ela já havia desmontado meu closet. Dobrou a maioria das roupas e as guardou nas grandes malas que comprei na primeira loja. Sobraram duas calças jeans, algumas camisetas, um casaco, dois pares de tênis, meias e cuecas. Vi-me limitado a um guarda-roupa menor que quando morei na Zona Leste.

Antes de sair, levando minhas roupas “adolescentes” para doação, combinamos seus honorários e nosso próximo encontro. Eu deveria buscá-la em sua casa às oito horas do dia seguinte. Quase na porta, ela se virou e me deu uma ordem:

— Reagende sua passagem e a estadia; preciso de pelo menos um mês com você. — Saiu sem esperar resposta.

Não gostei, mas resolvi obedecer. Napoleão e Hitler se deram mal na Rússia por não ter analisado todas as variáveis, Viviane me mostrou que eu estava indo pelo mesmo caminho, era melhor conhecer o chão onde eu iria pisar.

Foi um mês louco. Descobri que São Paulo possui um variado mercado de luxo subterrâneo, longe dos shoppings e com profissionais fabulosos. Conheci alfaiates, camiseiros, sapateiros, chapeleiros e uma gama enorme de pessoas envolvidas na cultura handmade. Claro que não ficou só nisso, gastei uma pequena fortuna nós shoppings mais exclusivos de São Paulo. Comprei roupas, sapatos, casacos, produtos de higiene e perfumes. Foi uma festa. Se no começo eu estava reticente, acabei por tomar gosto.Foi um mês louco. Descobri que São Paulo possui um variado mercado de luxo subterrâneo, longe dos shoppings e com profissionais fabulosos. Conheci alfaiates, camiseiros, sapateiros, chapeleiros e uma gama enorme de pessoas envolvidas na cultura handmade. Além disso, gastei uma pequena fortuna nos shoppings mais exclusivos de São Paulo. Comprei roupas, sapatos, casacos, produtos de higiene e perfumes. Foi uma festa. Se no começo eu estava reticente, acabei por tomar gosto.

Mas o mês não se restringiu ao consumismo. Viviane contratou professores para complementar minha educação cortesã. Não bastava me vestir como milionário, eu tinha que saber agir como um. Era necessário agir como um

Fui instruído por uma senhora de quase oitenta anos sobre como agir socialmente, basicamente um curso de boas maneiras e, principalmente, como me portar à mesa.

Apesar de não ser um amante de vinhos também fui instruído por um sommelier em como escolher o vinho adequado para cada ocasião. Não passei a gostar de vinhos, mas adquiri competência para simular, de maneira blasé, ser um iniciado no mundo de Baco. Na minha ignorância acreditava que o sommelier era o profissional que se dedicava apenas ao vinho. Aprendi que sua competência é muito maior, o sommelier é um profissional especializado em bebidas alcóolicas. Acabei aprendendo muito sobre outras bebidas, em especial o whisky single malt, minha bebida alcoólica favorita, e a vodka, afinal meu destino era a Rússia.Passei a gostar de vinhos

As aulas foram muito úteis e divertidas, eu não estava furando minha bolha, eu a estava explodindo!

Contudo, as aulas mais divertidas foram as que Viviane denominava “aulas de jogar conversa fora”. Diferente das outras “matérias” não tinha um professor fixo; foram sete, três homens e quatro mulheres, das mais diversas idades. As aulas eram em inglês ou francês, não era incomum o professor da vez alternar entre os dois idiomas durante a aula. O objetivo era aprender a captar informações sobre seu interlocutor enquanto mantinha uma conversa descontraída e agradável.

Viviane foi clara: eu conviveria com desconhecidos e precisava ter ferramentas para selecionar quem mereceria minha atenção. Senti-me o Visconde de Valmont, personagem vivido por John Malkovich no filme norte-americano Dangerous Liaisons (Ligações Perigosas), fantástica adaptação do clássico da literatura francesa Les Liaisons Dangereuses, de Pierre Choderlos de Laclos. Aliás, descobri que literatura e cinema eram meus pontos fortes para desenvolver essas conversas aparentemente despretensiosas.

Viviane era perfeccionista, não deixava escapar nada. Além das aulas ela cuidou de outros aspectos da minha nova identidade. Passei por um check-up médico e dentário completo, fiz limpeza de pele e fui instruído por uma dermatologista a usar obrigatoriamente protetor solar e diversos cremes.

Fui a um cabeleireiro e a um barbeiro logo nos primeiros dias e, novamente, dias antes da viagem. Com cabelo cortado e barba desenhada, fui fotografado. Perguntei o motivo, e Viviane deu de ombros...

Pedicure e manicure passaram a ser semanais; no começo, reclamava; na última semana, já sentia falta... Eu era outro homem.

Meu exame final foi uma festa na Embaixada da Rússia em Brasília. Independentemente das rusgas entre o governo de Moscou e o resto do mundo, a maioria dos embaixadores não se furtaria a comparecer. Viviane me explicou que a cortesia profissional falava mais alto que eventuais atritos momentâneos. Meu lado “zona leste” tinha uma explicação mais simplista: deixar de ir uma boca livre com o melhor caviar do mundo seria inadmissível.

A festa foi um sucesso.

Viviane também compareceu à festa, mas não interagiu comigo; apenas me observou. De volta ao hotel, ela me liberou para viajar, estava satisfeita com meu desempenho.

Observadora, ela perguntou se o esforço me cansara. Percebeu que minhas interações diminuíram na última hora da festa. Diante da minha resposta negativa, perguntou novamente.

— O senhor não está sendo honesto. Se não foi cansaço, o que te distraiu no final da festa?

Eu não queria responder, tentei desconversar, mas não adiantou. Seus olhos me fitavam com uma dureza que não me permitiam ocultar a verdade.

— Minha ex-esposa e seu marido, o pastor e deputado, chegaram no fim da festa. Perdi a concentração.

— E você acha que eu não sabia da possibilidade deles irem a festa? Puta que pariu! Você é muito cabaço Rodolfo.

Chocado – Viviane não falava palavrões – e sem entender como ela podia saber antecipadamente que Ruth e o canalha poderiam ir a festa e não ter me preparado, a questionei.

A resposta foi singela.

— Considere o que aconteceu hoje minha última lição: Você nunca deve se deixar abalar pela presença de um inimigo. Ao demostrar insegurança na presença da puta que um dia foi sua esposa você lhe deu poder. Seja indiferente.

Ela tinha razão. Percebi o sorriso safado da vagabunda ao notar que, ao vê-la, interrompi o que estava falando e perdi o fio da meada.

Lição aprendida, entretanto, era evidente: ela estava mais linda que na juventude.

Voltamos para São Paulo. Despedi-me de Viviane sabendo que ela se tornara uma grande amiga; sentiria falta do nosso contato diário.

Minha viagem se aproximava. Exatamente uma semana antes do embarque, cumpri o combinado e levei Aka para jantar. A japonesinha imaginava que me veria com roupas sofisticadas e nada mais. Ela não fazia ideia da transformação pela qual eu havia passado.

Planejei tudo nos mínimos detalhes; queria impressionar. Como sei que Aka adora a culinária de seus antepassados, reservei lugares no Kuro, um pequeno restaurante nos Jardins dedicado à alta gastronomia oriental. O espaço é absolutamente intimista, atendendo somente seis pessoas por vez. Sem sombra de dúvida, é o restaurante japonês mais exclusivo de São Paulo.

No início da noite, vestindo um terno feito sob medida, fui buscá-la em seu apartamento. Meu antigo “eu”, ao chegar ao prédio dela, mandaria uma mensagem e a esperaria no carro. Já o novo Rodolfo estacionou o carro e pediu para o porteiro interfonar, solicitando autorização para subir: educação mesclada com uma pitada de atrevimento.

Ao abrir a porta, ela não foi a única a se surpreender. Acostumado com seu estilo despojado, fiquei de queixo caído com seu visual um pouco mais formal, mas ainda sem renunciar à sensualidade. Ela vestia um vestido de suéter halter vazado, de cor verde, tricotado e com forro um pouco mais curto, recortado com uma belíssima fenda lateral e decote nas costas no estilo tomara que caia. Sua bunda era perfeitamente modelada, mas seus seios dominavam o conjunto. O vestido criava uma ilusão de ótica que fazia o observador ter certeza de que os seios, sem a proteção do sutiã, saltariam livres.

Olhávamos um para o outro, estudando os detalhes, as novidades. Toda a tensão foi dissolvida com um comentário da linda oriental:

— Chefinho, você está um tesão! — Caímos na risada!

O jantar foi perfeito; não poderia ter escolhido um lugar melhor. Aka adorou a comida e profetizou que não demoraria muito para a casa ganhar uma estrela no famoso guia Michelin. Alternávamos os elogios às iguarias do menu degustação com descrições sobre minhas impressões das estratégias de Viviane para me transformar em um gentleman no último mês. Aka ria dos “causos”, mas, ainda assim, percebi pelo seu olhar que algo a incomodava.

Ao saímos do restaurante, convidei-a para continuarmos a conversar enquanto tomávamos uns drinks. Ela gostou da ideia. Fomos para o Piano Bar do Terraço Itália, um lugar tranquilo, com boas bebidas e com uma visão única da cidade de São Paulo.

A conversa continuou animada, mas a impressão de que algo a incomodava permaneceu.

Depois de duas ou três doses de um excelente single malt, ela não se conteve:

— Você se lembra de que, quando comecei a trabalhar na sua empresa, eu me vestia como as estudantes adolescentes japonesas?

— Claro que me lembro, mas seu visual era mais próximo da maneira como essas estudantes eram retratadas nos hentais.

— Exatamente! Eu criei uma personagem e, por mais divertido que tenha sido, acho que forcei a barra...

— Não entendi. Explique melhor, por favor.

— Quando saí da empresa, precisei adotar um visual mais corporativo. Acreditei que seria tranquilo, mas não foi. Eu não me sentia plena e minha produtividade diminuiu. Só melhorei depois de alguns meses de terapia, quando percebi que tinha sido dominada pela persona que criei.

— Entendi. Já sei aonde você quer chegar... Mas não se preocupe: você criou um personagem a partir das suas memórias afetivas. Eu sei que você sempre adorou o mundo dos mangás. No meu caso, é o oposto; meu personagem tem como base um mundo que sempre desprezei. Você me conhece; não acredito que correria o risco de me tornar um ser humano fútil.

— Chefinho, estou aliviada. Ouvindo você falar, percebi que tinha clareza absoluta do que estava fazendo. Eu estava com medo. — Falou com os olhos marejados.

— Não se preocupe, minha querida. Sei que estou fugindo das merdas que descobri, mas acho melhor do que dar vazão à sede de vingança que sinto. Esta viagem, diferente de todas que já fiz, terá uma função terapêutica. Mas chega de falar de mim, me conte: você abandonou completamente sua persona “putinha de mangá”?

— Está me chamando de putinha? Não te dei essa liberdade, chefinho!

— Sei... Lembro bem da sala de descanso...

— Safado! Aquele dia eu estava muito tarada, você não me comeu porque não quis...

— Você sabe, onde se ganha o pão...

— Não se come carne! Eu sei, você fez bem; o clima ia ficar estranho.

— Mas você não me respondeu: ainda tem aquelas roupas?

— Algumas, as que eu mais gostava. Quando estou com muito tesão, monto o visual de "putinha de mangá", mas não saio na rua, fico em casa me masturbando.

— Você está linda com esse vestido, mas, sinceramente, hoje eu queria ver você com o visual de estudante japonesa do ensino médio, bem hentai. Você poderia me convidar para um show particular na sua casa?

— Quer me ver mais no estilo, ninfetinha? Chefinho, acho que você está querendo comer minha bucetinha. Ela é muito pequenininha, e você é tão grande... Não sei se vou aguentar. — Falou de forma infantilizada.

Aka sabia provocar como poucas. Ela esteve ao meu lado durante todo o tempo em que estivemos no bar; contudo, apesar de estarmos próximos, nos tocávamos pouco. O contato era difícil, pois, embora estivéssemos sentados lado a lado, estávamos afastados para facilitar a conversa olho no olho. No máximo, tocávamo-nos nas mãos ou braços, pontuando nossa conversa. Tudo mudou depois do "Não sei se aguento".

Ela se aproximou, tirou os sapatos e encolheu as pernas na poltrona, tentando encostá-las nas minhas. Deitou a cabeça em meu ombro e segurou minhas mãos. Apesar da posição não ser das melhores, mantínhamo-nos próximos; sentia o calor que emanava de seu corpo e, sinceramente, ela parecia estar com febre de tão quente que estava. Soltei uma de minhas mãos e a abracei, puxando seu corpo para mais perto. Suas pernas dobradas subiram para o meu colo; se estivéssemos em outro lugar, bastaria um pequeno movimento para que ela ficasse sentada em meu colo, de frente para mim. Mas não havia como, pois o garçom do Terraço Itália já nos olhava feio, mesmo sem termos feito algo mais ousado. Ela arranhava minha mão com suas longas unhas e, com aquela voz de menina safada, sussurrou:

— Estou com um pouco de medo de me entregar a você, mas o desejo é tão intenso que fico molhada só de pensar em você me dominando. Você promete ser cuidadoso? Estou com muita vontade... Quero ser sua putinha, sentir sua porra na minha boca... Vamos embora? Não estou aguentando, vou acabar fazendo uma loucura aqui mesmo.

Com a rola trincando de dura eu sentia no meu corpo os efeitos do princípio da impenetrabilidade da matéria: dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Certamente, meu alfaiate não se ateve à física de Newton ao confeccionar meu terno; a calça, muito justa, tentava conter minha ereção, mas meu amigo fiel, para quem Newton era o sobrenome de Alisha, lutava bravamente para desrespeitar os princípios da física clássica. O combate do século gerou dor, porém não o suficiente para diminuir meu tesão. Eu me contive para não cometer uma insanidade. Minha vontade era arrancar aquela maldita calça apertada, expor minha ferramenta, levantar o vestido de Aka; e a atolar na sua buceta safada; independente das consequências.

Antes que minha cabeça superior fosse completamente abduzida pela inferior, pedi a conta.

Depois de passar o cartão e agradecer ao garçom, nos levantamos para ir embora. Foi constrangedor.

A forma como minha ereção se destacava na calça era indecente. Se eu estivesse de sunga, provavelmente as pessoas não teriam uma visão tão detalhada. Cruzei o bar sob o olhar espantado dos clientes.

Ao sair do bar, aproveitei o percurso até o elevador para aliviar meu desconforto. Relaxei o cinto, enfiei a mão por dentro da calça, e procurei reposicionar meu melhor amigo, colocando-o na vertical, pressionado contra o abdômen. Obviamente, uma boa parte ficou fora da calça, mas, como a camisa a camuflava, ficou praticamente imperceptível.

Dentro do elevador, Aka se posicionou a minha frente, encostando seus maravilhosos glúteos máximos em mim. Ela rebolava, buscando ser encoxada. Como sou bem mais alto, o encaixe não ocorria naturalmente, por isso, flexionei as pernas e a magia aconteceu. Meu pau duro se acoplou entre as bandas da bunda da japonesinha. Manhosa, ela enrijeceu os músculos prendendo minha rola. Passou a rebolar, alternando movimentos na horizontal e na vertical, jogando sua bunda para cima. A safada me masturbava com a bunda enquanto gemia baixinho. Eu estava alucinado; quase gozando na calça como um adolescente que se esfrega na namoradinha em um bailinho.

Não querendo queimar a largada, interrompi aquela deliciosa punheta glútea. Virei seu corpo e passei a beijar sua boca. Tudo que queria era chegar logo ao apartamento e foder aquela ninfeta até esvaziar meu saco. Sim; na minha cabeça ela continuava a ser a ninfeta que contratei anos atrás.

Ao chegar no térreo, corremos para o carro. Estávamos ansiosos para chegar ao apartamento. Calculei que levaríamos trinta minutos, entretanto o trânsito ajudou e, milagrosamente, em vinte minutos estávamos na frente do seu prédio.

Durante o trajeto as provocações continuam, mas sem a mesma intensidade. Aka não se sentia confortável dentro de automóveis.

Anos atrás ela se envolveu em um acidente de trânsito, nunca mais conseguiu relaxar dentro de um carro. Já sabendo disso eu sosseguei o facho, não pedi o boquete que me foi prometido. Acabou sendo bom, do jeito que estávamos tudo seria muito rápido, o sexo seria fisiológico, sem espaço para as brincadeiras que tínhamos imaginado.

Subimos para o apartamento nos beijando e acariciando, mas sem o desespero que demonstramos no elevador do Edifício Itália. Ao chegar no seu andar ela soltou minha mão e andou, ou melhor, desfilou rebolando aquela maravilhosa bunda até a porta do seu apartamento. Abriu a porta e entrou, deixando-a entreaberta. Quando olhei para dentro ela me chamou com os dedos e foi para o quarto.

Entrei, tirei os sapatos – Em Roma faça como os romanos, no Japão como os japoneses – o paletó e a gravata e fui para o quarto. Encontrei Aka ainda vestida; fui em sua direção já imaginando tudo que faríamos, mas ela refreou meu ânimo:

— Calma chefinho, temos tempo. Primeiro vá tomar um banho e me espere na cama. Eu já venho.

Me entregou uma toalha e um roupão felpudo e saiu do quarto. Surpreso; não entendi nada. Meu pau que vinha duro desde o bar perdeu sua aura majestosa. Me despi e fui para o banheiro. Já falei que amo tomar banho? Com certeza! Relaxei em um banho quente, me enxuguei, vesti o roupão e fui para cama esperar a madame.

Ela demorou. Eu estava quase cochilando quando bateu na porta do quarto e disse:

— Senhor Rodolfo, posso entrar? Fiz uma modificação no layout do programa e gostaria de apresentá-la. Percebi que Aka resolveu brincar com minha fantasia. Vesti o personagem:

— Claro Senhorita Sayaka; pode entrar. Sinta-se em casa...

A visão de Aka me teletransportou para o outro lado do mundo. Ela conseguiu se transformar em uma perfeita colegial do universo hentai. A maquiagem deixou seu rosto mais claro com as bochechas levemente rosadas, idêntica aos desenhos quando querem deixar explícito que a garota está excitada. Ao mesmo tempo dava volume aos seus olhos, à principal característica das garotas retratadas nos hentai. Seus cabelos, negros e superlisos, desciam quase até sua bunda, uma franja cobria sua testa e, para completar, dois discretos rabos de cavalo laterais.

O cuidado com a maquiagem e o cabelo se reproduziu na escolha das roupas. Vestia uma camisa branca de botão confeccionada em viscose voil. Semi transparente, foi desenhada para ser usada com sutiã, embora os detalhes de amassado, com caimento leve e fluido permitisse um uso mais ousado. Exatamente o que ela fez, seus mamilos intumescidos eram completamente visíveis. A modelagem da camisa em gola alta permitia um detalhe importante, ser o suporte de um laço azul, que além de valorizar o colo da ninfeta nipônica, compartilhava a mesma tonalidade da mini saía plissada college que ela usava.

O conjunto era perfeito, se a camisa a deixava sexy a sainha deixando expostas suas maravilhosas coxas, a poupa da bundinha e vislumbres de sua calcinha “menininha” era um convite a luxúria. Completando o visual a gatinha usava um tênis delicado no mesmo tom de azul da saia e do laço.

Aka era a materialização do sonho de todo fã de hantai, eu, apesar de não ser fã do gênero, era fã do seu estilo desde quando trabalhamos juntos, aquela mistura de garota meiga com mulher lasciva me fascinava. Na época eu sufoquei meu desejo, ela era apenas minha funcionária, mas agora, com toda aquela produção, ele voltou com tudo, turbinado. Eu queria comer aquela mulher!

Se o impacto visual me deixou de queixo caído e com a rola mais dura que aço, sua performance quase me fez gozar. Ela se posicionou perto da cama, na distância exata e no ângulo perfeito para meu olhar poder esquadrinhar cada detalhe de seu corpo, ao mesmo tempo que meu olfato começava a ser bombardeado por seu cheiro. Sim, estou sendo literal, ela não usava um perfume francês sofisticado; exalava seu cheiro de mulher, de fêmea no cio. Enquanto olhava nos meus olhos com cara de menina sapeca ajeitava a saia com as mãos e esfregava as coxas deixando claro seu desejo. A gota d’água foi quando começou a falar com uma voz de menina:

— Chefinho, me desculpe por atrapalhar seu sono, mas preciso de ajuda. – Entrei no jogo:

— Fique tranquila, Aka, eu não estou com sono. No que posso te ajudar?

— Estou com vergonha de falar, deixa para lá, eu me viro sozinha, desculpe pelo incomodo chefinho.

— Aka, larga de frescura! Vergonha de mim? Fala logo o que você precisa garota.

— Você promete que não vai pensar mal de mim? É algo íntimo – Falou bem manhosa.

— Eu nunca iria pensar mal da minha Japinha favorita, minha melhor programadora!

— Obrigada chefinho, você sempre me tratou tão bem, mesmo quando eu fui uma menina má e te provoquei mostrando minha bucetinha no trabalho, nunca contou para ninguém as minhas travessuras, sei que posso confiar no senhor e vou te contar o que me perturba: Parece que um mosquito me picou na parte de trás, está coçando bastante e eu temo coçar e me ferir com minhas unhas grandes. Você pode me dar uma mão? Só uma coçadinha...

— Só isso? Pensei que fosse algo sério! Vem cá, se apoie na cama que vou ver o que esse inseto malvado fez contigo.

Ela andou até a cama, do lado oposto a cabeceira onde eu estava encostado e, bem na minha frente, subiu na cama se apoiando nos joelhos. Deitada, manteve as pernas encolhidas arrebitando a bunda. Com sua voz manhosa me chamou:

— Vem chefinho, minha bundinha está coçando muito!

Não pensei duas vezes. Joguei o lençol que me cobria para o lado revelando para Aka minha rola, que doía de tão dura. Sai da cama e andei em sua direção. Ela quase saiu do personagem, seus olhos acompanharam meus passos fixados em meu falo. Sua excitação era visível, de boca aberta ela praticamente salivava, apertava suas coxas, úmidas da lubrificação que escorria, uma contra a outra. Ao sair de seu campo de visão foi minha vez de salivar. Sua bunda empinada, fazendo a saia subir mostrando parte da calcinha de algodão branca, bem menininha, molhada por seus fluidos fez meu pau dar um tranco. Me ajoelhei atrás dela, aproximei o rosto e aspirei o inebriante perfume de sua boceta. Minha vontade era cair de boca, chupar aquela maravilha, tendo a certeza de que se o cheiro era bom o gosto deveria ser divino. Contudo, me controlei. Eu precisava continuar no personagem.

— Garota, não está dando para ver onde você foi picada. Me aponta o lugar que está coçando.

— Aí chefinho, coça mais na poupinha, vai logo, não estou aguentando...

Resolvi brincar um pouco. Comecei a coçar usando só o dedo indicador, evitando um toque mais safado. Ela não se conformou:

— Assim não, use à mão toda, está coçando muito...

Delicadamente, ainda usando apenas um dedo, fui tirando sua saia do caminho. Quando apenas a calcinha impedia minha visão da totalidade de sua raba, passei a usar as duas mãos para “coça-la”.

Comecei com gestos lentos, delicados, mas logo aumentei a intensidade. Ela rebolava nas minhas mãos, seus gemidos deixaram de ser discretos; seu cheiro dominou o ambiente e me fez perder o controle. Arranquei sua calcinha com violência e enfiei meu rosto em sua bunda.

Seu gosto, como já previra, conseguia ser melhor que o cheiro. Beijei, lambi toda a extensão de seus glúteos, senti sua pele, que já estava quente, ferver. Empurrei seu dorso em direção à cama arrebitando ainda mais sua bunda e passei a lamber sua boceta e seu cuzinho.

Até então ela conseguia se manter no personagem, mas, ao sentir minha língua na sua maior região erógena, perdeu o controle. Aka não gritava, não gemia, ela uivava! Sua boceta escorria molhando meu rosto e aumentando o cheiro de sexo no quarto. Rebolava de maneira arrítmica, implorava para ser penetrada e eu, fascinado com o brinquedo novo, a instigava cada vez mais sem dar o que ela pedia.

A represa rompeu quando enfiei dois dedos em seu apertado canal vaginal enquanto lambia seu cu. Aka começou a tremer em um orgasmo poderoso. Quando senti seu prazer arrefecer posicionei a chapeleta na entrada de sua gruta e, vagarosamente, iniciei a penetração.

Ela era muito apertada, provavelmente devido às contrações musculares provocadas pelo orgasmo. Parei a penetração quando quase metade do meu pau estava alojado dentro daquele pedaço de floresta tropical, úmida e quente, eu queria sentir suas contratações antes de continuar desbravando aquela maravilhosa boceta. Por instinto, sem pensar no que estava fazendo, dei um tapa forte em sua bunda. Ela gozou novamente, um orgasmo ainda mais intenso que o primeiro, prolongado por uma série de tapas que deixaram sua bunda marcada.

Quando sua respiração começou a se normalizar, voltei a forçar minha rola boceta adentro. Minha intenção era colocar o máximo possível antes de começar a bombar. Infelizmente, não consegui avançar muito, Aka tinha o canal vaginal raso, com metade de minha pica dentro senti a chapeleta encostar no colo do útero. Experiente, não forcei. Passei a bombar respeitando sua profundidade. Não demorou para ela gozar novamente e, com suas contrações musculares, me levar junto. Tive um intenso orgasmo e desabei sobre seu corpo.

Rolei para o lado e a puxei para meu peito. Ficamos agarradinhos, como recém-casados, por algum tempo, conforme nosso batimento cardíaco se normalizava. Aka de volta a personagem, começou nossa primeira conversa como amantes:

— Aí chefinho, você acabou com minha bocetinha; ela está inchadinha, mas foi tão gostoso. Gozei muito na sua rola e língua. Amei quando você me castigou, sou uma menina má, preciso ser castigada. Você promete me castigar mais um pouco?

Leve, depois de gozar, decidi continuar no jogo:

— Meu pau também sofreu Aka, sua bucetinha é deliciosa, muito especial. Eu adorei! Seu cheiro me deixou fascinado. Eu te machuquei?

— Imagina, você ocupou todos os meus espaços, senti a cabecinha lá no fundo me cutucando, mas não doeu; foi muito gostoso.

— Safada! Sua sorte é que eu percebi rápido que sua amiguinha é muito rasa, você ocultou informações relevantes de seu chefe...

— Rasa? Imagina! Você é quem foge do padrão. Não foi surpresa; percebi seu volume na sala de descanso. Além disso, a Débora me contou que nunca se sentiu tão preenchida. Achei que ela estava exagerando, mas vi, ou melhor, senti que não...

— As duas putinhas trocaram figurinhas? Safadas! Acho que você merece ser castigada novamente, vou colocar tudo, até as bolas!

— Aí, chefinho, não cabe! Eu até gostaria, mas é impossível!

— Na boceta não cabe, mas no cuzinho entra tudo! Vou te enrabar gostoso safadinha! Você gosta de tomar no cu?

Senti que nossa conversa a estimulava, seus mamilos voltaram a se entumecer, e ela batia uma leve punheta no meu pau ainda mole. Entretanto, para minha surpresa, ela saiu do personagem e, com a voz normal, me respondeu.

— Rodolfo, eu até gosto de dar o cu, mas sua rola além de grande é muito grossa, não sei se aguento, além disso não estou preparada. Ia ser uma lambança.

A resposta de Aka sintetizou a relação das mulheres com sexo anal. Ao longo dos anos, percebi que poucas mulheres não gostam de ter seu “furinho do lado de trás”, como canta a banda Velhas Virgens, acariciado, lambido e até levemente dedado, mas são poucas as que gostam de dar o cu. O argumento para negar o brioco é que dói. Fazer o quê? Se a mulher diz não é não, seu corpo suas regras.

Entretanto, ainda adolescente, comecei a questionar tal argumento. No meu último ano do ensino médio, fui intimado pela minha mãe a formatar o computador de sua melhor amiga, colega de trabalho e, como descobri depois, sua cúmplice no relacionamento paralelo que manteve por anos com o suposto amigo gay. Apesar de também ser casada, o marido a liberou para ter casos discretos. Impotente por conta de uma diabetes severa, sabia que não tinha como exigir fidelidade da esposa.

Fui formatar o computador e, como era esperado, acabei comendo a safada. Por meses fui a sua casa pelo menos uma vez por semana, aprendi muito com ela. Fazíamos de tudo, menos sexo anal; ela dizia que doía muito.

Foi com ela que comecei a questionar tal argumento. Ela gostava de um sexo intenso, com tapas na bunda, seios e no rosto. Quanto mais excitada ficava, mais queria apanhar; reclamava quando os tapas eram fracos, gostando de tapas fortes, muito fortes.

Outra coisa que ela amava eram mordidas. Não foi uma nem duas vezes que deixei seus seios e coxas sangrando, ela gozava horrores sendo mastigada.

A pergunta que me fiz foi simples: Como uma mulher que aprecia tanto sentir dor durante o sexo recusa dar o cu por medo de dor?

Demorou alguns anos para eu conseguir entender. O que afasta a maioria das mulheres do sexo anal não é o medo da dor, mas o receio de um acidente, a vergonha do cheiro. Muitas mulheres têm medo de cagar no pau ou de serem menos desejadas quando o odor de merda impregnar o quarto.

Aka estava se recusando a fazer sexo anal não por causa da dor ou pelo medo das minhas dimensões, mas por vergonha de eventualmente cagar no meu pau!

Quem gosta de comer um cu sabe que mesmo quando a mulher se prepara adequadamente, acidentes podem acontecer. A fricção entre o pênis e as paredes do reto pode liberar odores desagradáveis; isso faz parte da experiência. A grande questão é se o prazer compensa os possíveis inconvenientes.

Fui carinhoso com Aka, confrontá-la com teorias sobre os motivos das mulheres para rejeitar sexo anal quebraria o clima. Deixei o assunto em banho maria e voltamos a nos pegar.

Beijei sua boca com paixão, deslizei para seu pescoço e alternei beijos e mordidas leves. Senti o corpo, de Aka se arrepiar. Sem saber, toquei em um dos seus pontos fracos, suguei seus seios com força. Como ela me pediu, penetrei-a em um delicioso papai e mamãe até que ela gozasse. Enquanto ela aproveitava as últimas faíscas do orgasmo ataquei seu cuzinho com a língua, provocando uma nova onda de prazer na japonesa. Nesse momento, entre uma lambida e outra, expliquei que nenhuma lambança diminuiria meu prazer em comer sua bunda.

Fomos para o chuveiro e Aka acabou cedendo. Seu medo era menor que sua vontade de me receber por inteiro. Surpreendentemente, não foi uma penetração difícil: após lubrificar seu anel com condicionador, avancei com cuidado, meu objetivo estava quebrar seu trauma e fui carinhoso. Ela estava relaxada. Depois da dificuldade natural para entrar, escorreguei para dentro. Enterrei minha pica inteira em sua bunda.

Aka se adaptou com facilidade e, em pouco tempo, a dor deu lugar ao prazer. Ela gozou duas vezes enquanto eu comia seu cu.

Quando terminamos, ela saiu do box e se sentou no vaso sanitário enquanto eu me lavava. Quando estava me enxugando, fui sumariamente expulso do banheiro. Ela fechou a porta e, pelos sons que ouvi, por muito pouco ela não cagou no meu pau.

Ela se banhou e voltou para o quarto com um sorriso travesso, típico de criança que fez traquinagem. Jogou-se sobre mim e disse que foi a primeira vez que gozou dando o cu sem precisar estimular seu clitóris.

Transamos mais duas vezes durante a noite e apagamos.

Acordei com ela aproveitando minha ereção matinal para me cavalgar. Não foi uma foda qualquer, a safada me contou que quando acordou, me viu de pau duro e se lembrou do orgasmo anal que experimentou. Não resistiu. Lubrificou minha rola, relaxou seu cuzinho, e se sentou até o engolir tudo. Depois de um breve momento para se acostumar, começou a quicar. Despertei dentro dela; ela estava à beira do primeiro orgasmo.

Não reclamei, foi muito bom, mas tenho que confessar que minha demora para atingir o orgasmo, não foi fruto da minha expertise como amante, mas da dor que senti. Meu pobre amiguinho foi triturado pelo rabo da bela japonesa.

Aka, ficou na cama enquanto eu me banhava. Quando voltei ao quarto, ela estava sonolenta. Tentou se levantar para preparar um café da manhã, mas eu não deixei. Insisti para que ela voltasse a dormir. Despedi-me com um beijo, ela me fez prometer ligar antes de viajar para combinarmos uma despedida “apropriada”.

Saí do seu apartamento temendo tal despedida. Precavido, parei na primeira farmácia que vi para comprar um creme cicatrizante antes de me entregar aos braços de Hipnos em meu apartamento.

Acordei no meio da tarde completamente renovado. Após o banho habitual e de aplicar uma generosa camada de creme cicatrizante no meu pau, vesti-me para ir à padaria.

Eu estava feliz. Uma noite de sexo excepcional, seguida de um bom sono, faz maravilhas pelo humor, além disso, logo eu embarcaria para uma grande viagem que teria como apoteose o encontro com Bruna.

Não cheguei a ir à padaria. Ao pegar meu celular notei que ele estava desligado. Normalmente, eu desligo o aparelho quando tenho um encontro; nada é mais desagradável do que um celular, tocando ou vibrando na hora errada. Religuei-o e fui soterrado por dezenas de notificações.

Pensei em verificar após o café da manhã; porém, uma mensagem de voz inesperada despertou minha curiosidade: O que a advogada que fez o divórcio de Bruna queria comigo?

Apertei “play”, ouvi a mensagem e à curiosidade só aumentou. Ela me pediu para ligar com urgência.

Liguei. Ela atendeu no primeiro toque e; em pouco mais de um minuto, destruiu minha ilusão de felicidade futura.

Bruna foi assassinada em Berlim.

Continua.

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