TUM! Soou pedra contra pedra. TAC! Bati novamente. TUM! Guilherme marretou a rocha logo ao meu lado. “Aragonita” Lembrei do nome engraçado daquele cristal que removia da parede da caverna com minha picareta de pedra. Eric nos ensinou o que era aquela coisa. Os pedaços de rocha caiam no chão um a um. Marrom, com faixas brancas e opacas rasgando o mineral, ele brilhava em um tom avermelhado quando atingido pela luz projetada pelo fogo das tochas.
Era mais fácil de minerar que alguns outros que, a horas atrás, martelamos insistentemente. “calcita”, “magnetita”, “quartzo”, “ferrita” etc. Eric estava bem empolgado. Até que era fofo, devo admitir. Aquele garoto parecia ter mais ânimo com aquelas nerdices de geologia do que qualquer outra coisa que encontramos anteriormente. Parecia uma criança visitando uma fábrica de chocolate e queria levar um pouco de tudo o que colocava os olhos sobre.
Bem, eu não queria ficar de fora da aventura. Queria ser útil para o grupo que, afinal, estava ali para coletar recursos. Ainda não sabia ao certo como aquelas pedras estranhas poderiam ser úteis, mas supus, Eric devia ter alguma ideia. Ele nos convenceu de verdade quando nos mostrou: Pegou um pedaço de rocha brilhante cor creme, bateu contra outra e produziu algumas faíscas. De acordo com ele, era sílex, também conhecida como pederneira. Os isqueiros continham um pedaço pequeno daquela coisa. Agora, seria mais fácil iniciar uma fogueira.
Adrien era aquele que o ajudava de forma mais automática. Estava sozinho com Eric na parte mais profunda que tivemos coragem de explorar daquela caverna. Os dois coletavam pirita da mesma forma que estava agora fazendo com Guilherme. Nem as garotas escaparam do trabalho duro. Mais perto da saída da caverna, martelavam juntas as paredes daquele local.
Era um túnel bem grande, um verdadeiro labirinto de corredores rochosos e câmaras para diversas direções. Depois de levar as rochas tantas vezes de dentro para fora da montanha, acabei decorando a rota de saída. Tinha apenas uma abertura visível ali no ambiente quente e abafado e todas as galerias de rocha levavam a becos sem saída, exceto por uma.
Era uma fenda estreita na parede, um buraco escuro por onde Guilherme e eu não conseguíamos passar, mas Eric sim. Ele insistiu que tínhamos de explorar mais a fundo, mas, assustados, não o permitimos entrar ali sozinho. Céus, Eric era louco. Por aquele espaço, teria de se esgueirar sem uma tocha na abertura cada vez mais apertada, mas ele não aparentava ter medo de ficar preso ou se perder no vão que parecia levar a parte ainda mais profunda daquela caverna indecifrável no escuro. Concordamos em ajudá-lo a coletar seus minerais, contanto que ele não tentasse fazer aquilo.
— Cara, o Eric é realmente bem fraquinho, né? — Guilherme iniciou uma conversa. A minutos atrás, tinha dito isso para o garoto quando o viu trabalhar. — Acho que nós dois conseguimos o triplo dessas pedras no mesmo tempo que ele. — Explicou e era verdade. Estávamos sozinhos naquela parte do túnel, arrancando com nossas ferramentas mais e mais cristais da parede de rocha.
— Eu não o provocaria tanto se fosse você. — Alertei meu amigo e marretei o chão mais uma vez.
— Por que? — Guilherme questionou confuso, tanto que pausou momentaneamente os golpes. Olhei para ele que deu de ombros e prosseguiu. A luz da tocha dançava em seu peitoral suado e levemente sujo de poeira.
— Cara, ele matou dois homens armados com uma faquinha cega de cortar pão. — Lembrei com desconfiança. Agora que sozinho com Guilherme, queria saber o que ele pensava sobre aquilo. Meu amigo parou de trabalhar de novo. Ofegante, apoiou o próprio peso no cabo longo de sua picareta.
— Você acredita nessa história toda? — Guilherme questionou.
— Porque Gabriel mentiria para nós? — Levantei o questionamento. Guilherme fez o gesto com a cabeça dando-me razão. Como eu, devia estar também ainda em negação, mas fatos eram fatos.
— Bem, é como Carol disse. Ele deu sorte de não ter morrido. — Meu amigo ressaltou. — Na verdade, lá no avião, também estava planejando reagir, mas Eric foi mais rápido que eu. — Mentiu. Revirei os olhos diante daquilo. Agora me lembrava bem da situação de caos lá na aeronave. Todos nós, exceto Eric, nos acovardamos e justificativas vazias não eram capazes de me impressionar.
— O que está achando do grupo de Edward? — Mudei de assunto assistindo Guilherme coletar algumas pedras no chão com as mãos. Com uma pá, afastava o entulho dos minerais valiosos.
— Eu gosto da República de Edward. — Ele disse, fazendo menção ao nome que, já percebia, começava a pegar entre meus colegas. Esperava que as pessoas não começassem a chamar também nosso grupo de “Comuna de Eric”. — Você tinha razão. Eu percebi durante o churrasco. A gente tá bem melhor com eles e dá para construir outro forte na árvore. — Guilherme admitiu.
— Pois é. — Falei. — Parece que só o Eric não gosta dessa ideia, né? — O questionei para verificar se meu amigo também percebia o mesmo que eu. Era bom ver que ele também estava ao meu lado nessa.
— É, eu percebi. Difícil não notar que o garoto não gosta do Edward. — Guilherme lembrou.
— É mais do que só “não gostar”, Guilherme. Edward é o presidente, todo mundo gosta dele e o vê como lider. Eric claramente percebeu que não vai conseguir nos manipular com Edward por perto. — Expliquei o que me parecia óbvio.
— Bem, até que é satisfatório ver aquele moleque perdendo o controle. — Guilherme mencionou com divertimento. Ri junto com ele. — Mas é claro, temos assuntos mais importantes para discutir. — Comentou em seguida.
— O que? — Questionei confuso. Em meu horizonte, nada parecia ter mais prioridade do que a cadeia de comando naquela ilha que, possivelmente, era o que nos permitiria sobreviver em tal local.
— Carolina, ué. — Quebrou minha expectativa com um sorriso safado. — Pelo amor de deus, Daniel! Ela quer te dar. — Prosseguiu com seu papo vulgar.
— Porra cara! Não é hora pra ficar brincando. — O repreendi. Guilherme parou de rir na hora e me olhou com confusão estampada no rosto.
— Cara… Não é possível que você não notou ainda. — Ele comentou chocado. Aquilo me assustou, roubando minha atenção completamente. Será que tinha algum sinal que eu ainda não tinha captado? Me perguntei e fiz silêncio. — Bem, ela está mais pudica agora que achamos o pessoal, mas hoje de manhã ficou pelada na sua frente lá no acampamento. — Guilherme prosseguiu.
— Ela tava pelada na frente de todo mundo, Guilherme. — Disse-lhe o óbvio novamente. Com o olhar, reprovava-o também pois percebi na hora o quanto meu amigo não parava de encarar o corpo dela.
— Sim, para te provocar. Não é óbvio? — Meu amigo lançou.
— Como esfregar os peitos no Eric é me provocar, Guilherme? Só se ela queria me ver com raiva. — Lembrei.
— Exatamente. Ela fingiu que foi acidental e inocente, mas você reparou, ficou bravo e correu para interromper. A Carol te provocou e você reagiu do jeitinho que ela quis. — Guilherme explicou. Encolhi os ombros diante de sua lógica forte. Ainda era difícil acreditar que a loira meiga e inocente tivesse realmente feito aquilo de propósito, mas fazia sentido. — Cara, eu conheço as mulheres. Ela tá te dizendo indiretamente “mexa-se seu lerdão ou vou dar pro primeiro que aparecer na minha frente”. — Completou com as palavras duras que me puseram para pensar. Não era bem isso… Eu lembrava da imagem de Carol se masturbando e falando o nome de Eric. Se ela escolhesse ele, não seria porque era o primeiro que lhe apareceu, mas porque já havia um desejo ali. Não gostava de remoer tal ideia nem um pouco.
— Cara, você como sempre vê tudo com maldade. Nem toda nudez é sexual, já parou para pensar nisso? — Repreendi meu amigo tarado de novo. Guilherme certamente tinha a cabeça contaminada por filmes pornográficos e pensamentos sujos. Era de Carol que estavamos falando e, para mim, não fazia sentido atribuir a ela todas aquelas coisas. — Eu já te disse. A Carol é uma moça tradicional, cristã e muito meiga. Ela só ficou nua naquela hora pois a gente já a viu assim antes. É uma situação infeliz, mas três caras invadiram a intimidade dela dessa forma e agora ela já não sente tanta necessidade de esconder o que todo mundo já conhece. Aliás, você não devia ter ficado encarando ela daquele jeito e tirando proveito da inocência dela. — Dei o sermão, enquanto Guilherme revirava os olhos. A cada palavra que saia de minha boca, menos crível tudo aquilo parecia ser para mim também.
— Já terminou? — Ele me perguntou com impaciência e petulância. Confirmei com a cabeça. — Nem você acredita nisso tudo, mas, mais importante agora, também estava errado sobre a Carol não querer fazer algo aqui na ilha. Você não vai me convencer também de que ela tinha boas intenções quando chamou nos quatro para tomar banho com ela. — Disse. Quando abri a boca para defendê-la novamente, meu amigo me interrompeu. — Cara, eu me apressaria se fosse você, sinceramente. Depois não vem ficar chorando pra mim se a fila andar e a Carol der perdido com o Eric no meio do mato. — Guilherme concluiu com o duro conselho que fez meu sangue ferver.
— Você mesmo disse que ela nunca ia ficar com aquele garoto! — O lembrei e era verdade. Olhei para os lados pois pensei ter dito aquilo alto demais. Felizmente, ainda estávamos sozinhos naquele túnel e nossa conversa não pareceu ter vazado para as galerias adjacentes.
— Céus, eu não falo só do Eric, cara… — Guilherme se corrigiu. Olhei para ele com desconfiança. — Eu já disse que não vou mexer com sua loirinha, mas tem que admitir que agora você tem mais competição, né? — Jogou a bomba que imediatamente me pôs para considerar as possibilidades.
Merda, ele tinha razão… Pensei angustiado. Lembro dela olhando para Edward. Ele era mais alto, tinha uma postura firme e carisma natural. Sem os óculos e seminu o dia todo, ele não parecia mais um cara tão centrado, mas um rapaz bonito, popular e desinibido. Nunca vi Gabriel como ameaça por sua personalidade tímida e comportamento ansioso, mas certamente era também mais um cara que conviveria com Carolina a partir de agora naquele lugar. E tinha Adrien também… As garotas o tratavam bem demais. Talvez ele fosse o menino mais bonito de nossa classe e todas pareciam gostar de tê-lo vestindo apenas aquela saia de palha por perto. Loiro e com olhos azuis profundos, formaria um casal bonito com Carol. Fiquei ansioso. Maldição, eu sempre ficava de olho no Eric, mas agora não tinha como observar tantos caras.
— Que merda, Guilherme! O que eu faço? — Pensei alto. O desespero tomava conta de minha cabeça.
— Ué, bem simples. Só fazer um movimento em direção a ela. — Ele falou com naturalidade. Para ele aquilo realmente era tão fácil quanto respirar. Comecei a suar frio. — Daniel, eu sei que você é um cara mais tradicional e talvez seja um pouco frustrante ter sua primeira vez com a Carol em um lugar como esse, mas já parou para olhar essa ilha de outra perspectiva? — Questionou. Encarei meu amigo de volta com dúvida. — Digo, até que é um lugar bem bonito, não? Tem fontes termais no alto de uma montanha com uma vista para a floresta e pôr-do-sol. Até que é bem romântico. — Comentou. Parei para pensar. Eu nunca tinha cogitado tal perspectiva. Sempre que considerava algo assim, visualizava aquele local como insalubre e o sexo no meio do mato ao ar livre algo impróprio e vulgar. Agora, até conseguia imaginar um casal apaixonado naquela cena que não mais remetia à sujeira e safadeza, mas entrega e calma no clima bucólico e agradável.
Engoli o seco e fiquei nervoso. A urgência tomou conta de mim. Era ainda possível que Carol não quisesse algo assim de cara, mas até que eu poderia ser mais direto com ela. Um beijo diante do pôr-do-sol não era uma ideia nada ruim e talvez levasse a mais coisas. Droga, eu estava preparado para aquilo? Meu coração palpitava no peito.
— Porra Guilherme, como eu vou fazer isso? — Questionei-o por conselhos.
— Ué, quer praticar comigo antes? — Ele perguntou logo em seguida com um olhar sério. Meu rosto corou de imediato e comecei a gaguejar. — Cara, to só brincando contigo. — Guilherme disse aos risos. O fuzilei com os olhos por aquilo. — É só fazer o que te expliquei, ora essa. Começa metendo devagar, sem ser muito fominha. Para quando sentir que tá perto e faz a menina gozar antes de você. — Ele explicou. As menções indiretas ao que tínhamos feito um com o outro ao acordar sempre me deixavam encabulado.
— Que merda, cara! Não to falando disso. — Falei com o rosto quente. — A Carol não sai de perto da Andressa e agora tem Eric e Adrien com a gente. Como eu vou chegar nela, afinal? — Perguntei sendo mais específico e desviando daquele seu mini-curso idiota sobre como transar com uma garota. Eu não precisava daquelas coisas e me envergonhava pensar que meu amigo achasse que estava tentando aprender com ele sobre aquilo. Guilherme sorriu.
— Aí que tá meu amigo. Você se engana se pensa que Eric é o cérebro do nosso grupo. — Falou orgulhoso. Lancei-lhe um olhar de desconfiança. — Eu contei os sacos de pedras que juntamos até agora. Com esse aqui, são seis. Quando Eric, Adrien e as meninas terminarem o serviço, teremos mais três, totalizando oito. — Explicou. Fiquei curioso para saber como aquilo se relacionava à nossa situação. — Bem, cada um de nós só consegue levar um de cada vez para o acampamento. Então carregamos os primeiros seis e sobram dois aqui. Uma dupla vai ter de voltar a esse lugar para pegar o resto dos suprimentos. Dai, entra você e Carol. — Concluiu. Impressionantemente, sua matemática parecia bater. Fiquei chocado por Guilherme ter pensado em algo assim para separar Carol e eu do grupo, embora ainda tivesse algo que ele não parecia ter pensado a respeito.
— E que garantia você tem de que apenas nós dois voltaremos para cá? Com um grupo tão grande, sempre tem um empata foda para se oferecer. — Desafiei sua lógica.
— A gente vai ter que trabalhar em equipe para dar certo, cara. Você convida a Carol e eu distraio o pessoal enquanto vocês somem na mata. — Explicou. Porra, aquilo estava parecendo cada vez mais possível. Eu ainda assim sentia um pouco de constrangimento. Lá no acampamento, certamente as pessoas notariam nossa ausência e fariam fofoca… Não. Era bom que soubessem. Eu tinha também que marcar território diante de todos aqueles caras que ficavam olhando para Carol.
— Até que não é uma má ideia… — Admiti a contragosto. — Bem, a gente vai caminhar juntos por bastante tempo. Vai dar pra conversar. — Pensei alto.
— Sei… — Guilherme disse com ironia. Revirei os olhos. — Cara, essa vai ser sua chance, então aproveite para fazer bem mais que só conversar. É claro, não vai perder a hora também ou o pessoal lá no acampamento vai começar a se preocupar e querer vir atrás de vocês. — Alertou. Aquilo tudo parecia mais real do que nunca. Merda, eu ainda estava tão nervoso que sentia até minha respiração falhar. Sempre que ficava sozinho com Carolina, minha voz travava e eu congelava no mesmo lugar. Imaginar aquele momento era bom, mas também adicionava cada vez mais expectativa e antecipação.
— Cara, obrigado. — Tive de dizer. Guilherme era certamente um baita amigo. Ele torcia pelo sucesso entre Carol e eu, chegando a planejar tudo aquilo para fazer nossa história acontecer. Entre nós dois, as coisas ficaram um pouquinho estranhas, é claro, mas nada que nossa forte amizade e camaradagem não superasse. Bem, eu não devia deixar o nervosismo tomar conta de mim, embora fosse difícil. Já era hora, afinal. No nosso grupo inicial, já tinha tido um contato minimamente sexual com todos, céus, até com Eric, mas não com Carol e era exatamente ela com quem mais queria ter alguma intimidade. Muitos limites foram quebrados para eu me sentir inseguro agora.
— É, eu sei. Sou um puta amigo e um gênio também. Pode dizer. — Guilherme comentou com divertimento. Sorri para ele e confirmei com a cabeça. — Aliás, quero saber de tudo quando você voltar, ok? Bem, enquanto você pega a Carol de jeito, acho que vou chamar a Andressa para fazer uma brincadeira também, já que ela me mamou e parece bem disponível. Sem ofensas, mas vou ensinar para ela o que é uma foda de verdade. — Contou, da forma irreverente e natural como de costume.
Seu comentário jocoso fez meu rosto esquentar. Era uma infelicidade, mas Andressa teria realmente como fazer suas comparações, experimentando eu naquela noite na rede e meu amigo tão mais experiente, maior onde importava e melhor preparado. Era injusto, mas verdade que Guilherme provavelmente lhe daria uma experiência bem mais intensa. Merda de acidente… Pensei indignado.
— Eu já te falei. Foi um acidente. — Me defendi encabulado.
— Aham… Escorregou pra dentro, né? — Guilherme disse com ironia. — Ainda tenho dificuldade para acreditar que algo assim é possível. — Provocou em seguida.
— Vai se fuder, cara. — O repreendi com o rosto quente. — Isso não importa. Eu nem sei se a Carol gosta de mim assim. — Contei minha insegurança.
— Já tem bastante dessa pedra. — Guilherme falou ao meu lado enxugando o suor que escorria de sua testa com as costas das mãos. Parecia ignorar completamente a questão que levantei. — É sua vez de levar a sacola lá para fora, né? — Ele lembrou. Assenti com a cabeça tentando me recompor. — Seguinte então: Você pode não acreditar, mas a Carol te olha o tempo todo. Quando passar por ela lá perto da saída, só espiar e você vai ver. — Contou, deixando-me chocado. Não acreditei em primeiro momento, mas gostaria que tudo aquilo fosse verdade.
Assim, levantei a bolsa de folhas enorme onde colocamos todas aquelas rochas. Guilherme parou um pouco para descansar. Enquanto reunia coragem para dar o primeiro passo a frente carregando os quilos e quilos de pedras, senti seu toque.
— O que é isso? — Perguntei assustado. Com ambas as mãos ocupadas, nada além de congelar no mesmo lugar consegui fazer enquanto meu amigo me apalpava na bunda. Ele sorriu, afastando as folhas facilmente e fazendo a massagem diretamente na minha pele. Sua palma sorrateira se mexeu mais e curvei o corpo instantaneamente quando o senti agarrar meu pau.
— Só conferindo o que tô entregando pra Carol. — Brincou. Olhei para os lados com o rosto quente. Temia que alguém entrasse ali naquele túnel e visse Guilherme claramente começar a me masturbar. — Cara, ela vai ficar doidinha. — Elogiou com um sorriso safado. Meu pau começou a reagir.
— Porra, Guilherme! Não me deixa duro agora… — Falei e me afastei. Meu amigo riu e eu, embora envergonhado na sua frente, quando dei as costas para ele, deixei escapar um sorriso também.
Com cuidado, fui em direção a abertura de onde a luz das tochas trepidava na parede de pedra. Conferi meu penis levemente mais pesado agora, constatando que ele estava felizmente coberto. No caminho, passei por Carol e Andressa. A loira descansava sentada sobre um pedregulho grande enquanto a morena reunia em um canto distante algumas das picaretas completamente desgastadas. Já estávamos terminando o trabalho por ali. Notei aliviado.
As duas mal pareceram notar minha presença. Percebi caminhando em direção a saída. Mais uma vez, aquilo tudo que Guilherme me relatou devia ser fruto de sua imaginação fertil. Pensei por um momento, mas, como ele me pediu, espiei com o rabo de olho.
Ela estava olhando para mim! Notei atônito. Carolina tentava ajeitar o cabelo e encarava minhas costas discretamente. Me virei e nossos olhos se encontraram. Ela sorriu para mim e eu de volta para ela. Meu coração acelerou de novo, mas segui meu rumo tentando manter a postura reta, mesmo que ainda levemente ansioso.
Embora cansativo, era sempre bom sair daquele lugar para tomar um ar fresco. O vento, tão mais frio do lado de fora da caverna me atingia o corpo todo, refrescando minha pele suada que parecia pegar fogo. Deixei todas aquelas pedras no chão e fiz uma pausa para tomar um gole d’água, enquanto olhava o pôr-do-sol. O líquido tinha gosto de mato queimado, consequência do aquecimento que fazíamos da água antes de bebê-la, misturado ao aroma das cabaças em que a transportavamos. Ainda assim, desceu por minha garganta com impressionante facilidade.
Me espreguicei. Estava cansado, mas não mais que Eric, bem mais sedentário, sentindo tão intensamente o efeito do trabalho braçal sobre seu corpo mais fraco. Seria difícil levar tudo aquilo para o acampamento. Pensei quando olhei para todos aqueles suprimentos pesados recém obtidos. O plano de Guilherme realmente parecia perfeito.
As garotas pareciam felizes. Lembrei. Gostavam de admirar as rochas brilhantes e coloridas e se esforçavam para coletá-las também. Devo admitir, apreciava momentos como aquele, quando todos se ajudavam em prol do mesmo objetivo. Quase dava para esquecer da tensão de estar preso em uma ilha deserta sobrevivendo de recursos naturais. Bem, era também notável, tal qual Guilherme me disse: Aquela ilha era um lugar bastante bonito também.
Totalmente colossal, o horizonte tomado por árvores se estendia por quilômetros incontáveis, até se dissolver em cordilheiras de montanhas verdejantes que ondulavam sob a luz do entardecer. Ali, na encosta da montanha, as rochas se ofereciam como telas antigas, riscadas por rachaduras profundas e sulcos irregulares que desenhavam formas abstratas, quase vivas. O pôr do sol, incendiado em tons de laranja e cobre, derramava-se sobre o azul do céu como um véu escarlate, e, sob ele, as primeiras estrelas começavam a surgir, tímidas, uma a uma.
Por onde passávamos, o ambiente respirava: o silvo constante do vento entre as folhas, o assobio distante dos pássaros e o canto insistente das cigarras compunham uma melodia contínua, quase hipnótica. Praias de água azul e cristalina, riachos sinuosos, cachoeiras ocultas entre pedras e lagos imóveis como espelhos transformavam aquele lugar em algo próximo de um paraíso intocado.
Seria perfeito, verdadeiramente paradisíaco, se estivéssemos ali por escolha própria. Levantei a cabeça.
Não, o destino nunca nos entrega o que queremos… É nosso papel usar do que temos à disposição para tomar as melhores decisões. Era assim com Eric e as pedras dele e seria assim comigo e Carol. Teria de merecer seu ato de entrega, ser seu primeiro e o faria mesmo depois de todas as loucuras que ocorreram naqueles dias todos, afinal, por mais que a vida nos maltrate, a ação final deve ser nossa.
Estava decidido. Conquistaria minha garota, o amor da minha vida, naquele local que não era ideal, mas que ressignificaria para nós dois. Ela tinha me dito aquelas palavras. Tudo era questão de escolha e eu estava certo da minha. Respirei fundo. Meu coração estava pegando fogo.
Respirei fundo, deixando o ar frio preencher meus pulmões enquanto os último raios de sol desapareciam atrás das montanhas. Naquele instante, entendi que não era a ilha, nem o acaso, nem mesmo os outros que decidiriam o rumo da minha história. Era eu. Sempre foi. E, pela primeira vez desde que tudo começou, não senti medo do que viria a seguir. senti fome. Porque, no fim, não era sobre sobreviver àquela ilha… Era sobre quem eu decidiria me tornar antes de sair dela.
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Olá leitores(as),
Peço desculpas pelo longo hiato. Tive os últimos 2 meses bastante atarefados e com alguns problemas pessoais. Também se somou o desanimo causado pelo fato do WattPad ter excluído meu livro e eu necessitar repostar tudo de novo na plataforma. Embora a saudade fosse grande, certamente necessitei cultivar força de vontade para voltar a escrever essa história depois de tanto tempo afastado também, mas, creio, isso faz parte do processo. Gradualmente estou voltando ao ritmo que tínhamos, então peço que tenham paciência. Como eu já disse anteriormente, estou comprometido em terminar esse grande projeto do jeito que planejei ao iniciá-lo.
A propósito, esse capítulo estava ficando muito grande então decidi dividir em 2. O próximo sairá bem mais rápido que o normal, uma vez que já se encontra quase que totalmente pronto.
Obrigado pelo apoio e um abraço!
