Relato VI - O homem invisível

Um conto erótico de Leandro Gomes
Categoria: Gay
Contém 4481 palavras
Data: 11/04/2026 21:30:08

O movimento da porta foi o mesmo de sempre, aquele leve ranger seguido do sino anunciando a entrada de alguém, e eu levantei os olhos do caixa sem pressa, repetindo um gesto que faço há tantos anos que já não exige atenção nenhuma, quase como se meu corpo soubesse antes de mim o que precisava ser feito.

Mais um cliente. Foi o que eu pensei, automático, como sempre... até olhar direito.

O homem parou perto do refrigerador de bebidas, observando o espaço ao redor como quem tenta se situar, sem parecer exatamente perdido, apenas… deslocado, como se não pertencesse completamente àquele ambiente. Estava bem vestido demais para aquele bairro: camisa clara de linho com as mangas dobradas, postura ereta de quem não passou décadas atrás de um balcão como eu.

Eu reconheci antes de entender, e isso me pegou desprevenido, porque não houve esforço, não houve dúvida — foi imediato, como se algo antigo, enterrado há muito tempo, tivesse simplesmente acordado dentro de mim sem pedir licença.

E então o nome veio: Marcos. Mas eu não disse. Fiquei olhando um segundo a mais do que deveria, tempo suficiente para sentir algo se mexer aqui dentro — uma coisa esquecida, que eu não tocava há anos, décadas talvez, mas que estava inteira, intacta, e que nunca tinha ido embora, apenas ficado em um canto escuro da minha vida.

Marcos virou o rosto. E aí aconteceu. Eu vi no olhar dele o mesmo processo que tinha acabado de acontecer em mim, só que mais lento, mais cuidadoso: primeiro a atenção, depois o reconhecimento se formando devagar, a testa franzindo levemente, até que o sorriso apareceu — o mesmo sorriso aberto e sincero de sempre.

— Augusto?

A voz dele… eu não soube dizer se tinha mudado ou se era minha memória que tinha guardado ela daquele jeito. Eu passei a mão no pano ao lado do caixa, num gesto automático que não fazia sentido nenhum naquele momento, porque minhas mãos já estavam limpas, mas eu precisava fazer alguma coisa com elas.

— Marcos… — eu disse, por fim.

O nome saiu estranho, como uma palavra que a gente não usa há muito tempo e não sabe se pronunciou direito. Houve um silêncio curto. Ele começou a andar na minha direção, devagar, como se ainda estivesse confirmando que era mesmo eu ali.

— Rapaz… quanto tempo!

Ele se aproximou de mim e eu sabia que ele iria me abraçar, mas eu travei e apenas lhe dei a mão. Notei um certo constrangimento dele por causa da minha reação.

— Nem parece — respondi, sabendo que era mentira.

Porque parecia, parecia muito. O tempo estava ali, em mim, nele, na forma como a gente se movia, na maneira mais contida de falar, de ocupar espaço, mas havia alguma coisa que não tinha mudado completamente, e era justamente isso que me deixava sem saber onde colocar os olhos, as mãos, o corpo.

— Eu estou de passagem aqui na cidade — ele disse, olhando ao redor, como se ainda estivesse absorvendo o lugar — para verificar a obra de um cliente. Entrei pra pedir informação… e acabei te encontrando.

A frase ficou. Simples, mas pesada de um jeito que eu não soube explicar na hora.

— Pois é… eu moro aqui agora faz mais de trinta anos.

— É, eu soube, mas nem imaginava que ainda estava aqui.

A gente fez uma pausa, olhando um pro outro. Minhas mãos estavam inquietas, ora nos bolsos, ora pegava o pano do balcão...

— Casou? — A pergunta veio direta, sem rodeio, já que ele viu a aliança na minha mão.

— Casei. — Respondi.

— Filhos?

— Três.

Ele sorriu de leve, um sorriso que não era surpresa, era quase confirmação.

— Imaginei.

E eu não soube dizer se aquilo era leitura ou lembrança.

— E você? — perguntei, mais por obrigação do que por curiosidade de verdade.

— Não casei — ele respondeu, com simplicidade — fui levando… trabalhando… viajando bastante.

Sem explicação, sem justificativa, como se não houvesse necessidade de explicar nada para ninguém.

O silêncio voltou, mas agora era diferente, mais próximo, mais carregado. A gente ficou se olhando há uma distância de uns dois passos. E foi então que eu percebi um detalhe que não devia importar, mas importou. Ele ainda olhava do mesmo jeito. Não era um olhar insistente, nem descarado, mas também não era neutro; era um olhar que demorava um pouco mais do que o necessário, como se segurasse alguma coisa ali, e aquilo me atravessou de um jeito que eu não estava preparado. Porque, naquele instante, o que voltou não foi uma lembrança, foi uma sensação presente e viva.

Eu desviei o olhar primeiro.

— Precisa de alguma coisa? — perguntei, já voltando para trás do balcão, como se a distância resolvesse alguma coisa.

— Agora não sei mais. — ele respondeu com um sorriso leve.

Falou com naturalidade, mas não era natural. Eu senti. E, pela primeira vez em muito tempo, eu não tive resposta pronta. Ele foi até o refrigerador e pegou uma garrafa de água com gás, caminhou até o caixa para pagar, mas eu disse que era por conta da casa. Ele sorriu e agradeceu, já abrindo a garrafa para beber.

— Tenho que ir agora, mas passo aqui de novo.

Não soou como convite, nem como dúvida, mas como decisão.

— Passa sim. Venha mais tarde se puder. Eu fecho às 20:00h.

— Claro. Virei sim. Com certeza. — Falou sorrindo.

Ele me deu a mão novamente para se despedir e a apertou com ternura enquanto me olhava nos olhos. Então caminhou até a porta, abriu, mas parou antes de sair, virando o rosto só um pouco na minha direção.

— Amei te ver, Augusto.

Eu sorri, como não sorria há algum tempo. Dentro de mim senti algo que não sentia desde a juventude, aquilo que chamam de borboletas no estômago. Só que a sensação veio acompanhada de uma vertigem e de um disparo no coração.

— Igualmente. — finalmente respondi, quase gaguejando.

O sino tocou de novo, a porta se fechou, e o mercado voltou a ser o que sempre foi: silencioso, parado, igual. Mas eu fiquei ali de pé perto do balcão, olhando para a porta fechada por mais tempo do que faria sentido, como se alguma coisa ainda pudesse acontecer, como se aquele encontro não tivesse terminado de fato, mas só tivesse sido interrompido por um gesto simples, cotidiano, desses que a gente repete sem pensar.

______________

Meu nome é Augusto, tenho cinquenta e seis anos, e sou dono de um mercadinho de bairro que fica na mesma rua há mais de vinte anos, o tipo de lugar onde todo mundo se conhece pelo nome, onde os hábitos se repetem com uma precisão quase confortável, e onde nada realmente muda, só se acomoda com o tempo. Sou formado em Ciências Contábeis, mas há muito tempo não atuo na minha área.

Eu nunca fui um homem de chamar atenção, mas também nunca fui desleixado; tenho uma aparência que as pessoas costumam chamar de “boa”, sem entusiasmo, sem crítica, apenas suficiente para não gerar comentário nenhum. Meu corpo ainda é firme, resultado mais de rotina do que de esforço, meus cabelos estão ficando grisalhos, mas ainda são cheios, e meu rosto… meu rosto é desses que as pessoas olham sem guardar. E, durante muito tempo, eu achei que isso bastava. Que ser assim — estável, correto, previsível — era exatamente o que se esperava de mim. E talvez fosse.

Eu sou filho do meio. Meu irmão mais velho sempre foi o bonitão da família, desses que chegam e chamam atenção sem esforço, e minha irmã mais nova, a que deu certo, organizada, motivo de orgulho. Eu fiquei ali no meio, sem problema, sem destaque, aprendendo cedo que ser fácil, não incomodar e não exigir muito era uma forma de manter tudo em paz. E eu fui ficando nesse lugar.

Com o tempo, isso virou jeito. Eu sempre fui o que ajuda, o que resolve, o que está por perto quando precisam, mas que raramente é lembrado depois. Não por maldade — só porque é fácil esquecer de quem não ocupa espaço.

Quando eu casei com a Laura, isso só mudou de forma. Ela sempre foi mais firme, mais decidida, e naturalmente foi assumindo as escolhas, as decisões, o rumo das coisas. E eu deixei. Em parte, por comodidade, em parte porque aquilo me servia. Porque enquanto eu não me impunha, eu também não precisava me expor. Enquanto eu ficava nesse lugar mais apagado, mais silencioso, aquela parte de mim que eu passei a vida escondendo ficava protegida. Eu não era visto por inteiro. Mas também não corria o risco de ser descoberto. E, por muito tempo, isso me pareceu suficiente.

Eu comecei a namorar a Laura depois que saí da faculdade. Eu tinha 24 anos na época e já sabia, ainda que não com essas palavras, que havia alguma coisa em mim que não se encaixava direito no que os outros esperavam, e que a melhor maneira de lidar com isso era… não lidar.

Laura apareceu como uma solução simples. Ela era bonita, de um jeito leve, natural, e tinha um jeito firme de falar, de decidir, que parecia dar direção às coisas. A gente começou a sair, depois começou a namorar, conheci seus pais... e tudo aconteceu dentro de um roteiro que já parecia pronto.

Minha primeira vez foi com ela. Aconteceu às pressas enquanto os pais dela tinham saído em uma tarde. Ela tomou a iniciativa, claro, pois a gente já namorava há seis meses e eu ainda não tinha tentado transar com ela. Porém, como não foi planejado, nenhum de nós tinha camisinha. Tentei recuar, mas ela insistiu, disse que era só eu tirar o pau na hora de gozar... Porém, quando meu pau entrou todinho nela, naquela xoxota quente e apertadinha, eu não consegui tirar antes... ela engravidou. E foi isso. Não houve grande decisão, não houve dúvida real, não houve espaço para pensar em outra possibilidade. A gente casou porque era o que se fazia, porque era o certo, porque era o esperado. E a vida seguiu.

Após o casamento, a gente se mudou pra cidade natal dela, onde eu teria uma oportunidade de emprego na minha área. A cidade é pequena, de interiorzão, mas como o emprego era bom, a gente teve uma vida confortável no início. Porém, a empresa faliu e, resumindo a história, montei um barzinho com o dinheiro que recebi, e aos poucos fui transformando-o em um mercado.

Laura hoje é uma mulher diferente daquela que eu conheci, não de forma brusca, mas como tudo muda com o tempo: alguns quilos a mais, menos vaidade, mais cansaço, mais preocupação com os filhos que já são adultos, com a casa, com o funcionamento das coisas. Ela é prática, organizada, bem controladora às vezes... quase sempre.

Nosso casamento nunca foi ruim. Mas também nunca foi… mais do que necessário. A gente nunca brigou de verdade, nunca teve grandes conflitos, mas também nunca teve grandes momentos. O sexo no início até que era bom, a gente fazia regularmente. Depois virou algo que acontecia mais por hábito do que por vontade, sem curiosidade, sem descoberta, sem aquela coisa que faz alguém querer o outro de verdade. Nossa transa se resume a beijos, eu apalpo os seios e depois o corpo todo, e então a viro de costas e penetro até a gente gozar. Algumas vezes eu a penetro de frente, mas prefiro de costas, talvez para não olhar pro rosto dela, que muitas vezes não expressa desejo de verdade. Acredito que é por conta da religiosidade excessiva dela. Com o tempo, a gente foi transando cada vez menos e há algum tempo, a gente só faz se ela me procura. Do contrário, ficamos duas, três semanas sem encostar um no outro.

E eu me acostumei com isso. Ou achei que tinha me acostumado. Porque havia uma parte de mim que nunca entrou nesse acordo. Uma parte que eu aprendi a esconder cedo, antes mesmo de entender completamente o que era, e que eu fui empurrando para um canto cada vez mais silencioso da minha vida, como se ignorar fosse suficiente para fazer desaparecer. Mas não desapareceu, nem por um instante sequer.

Eu vivi todos esses anos com essa sensação constante, discreta, de que alguma coisa em mim estava sempre olhando para o lado errado, demorando um pouco mais do que devia, querendo alguma coisa que eu não podia querer. Às vezes isso aparecia em momentos pequenos — um olhar num banheiro público, algum homem bonito que passava perto demais, uma vontade que vinha rápida e eu cortava na mesma hora, quase com medo de mim mesmo.

Porém, era só eu ficar sozinho que dava um jeito de aliviar isso com punheta, vendo alguma coisa escondido com revistas, filmes, qualquer coisa que me permitisse, por alguns minutos, sentir alguma coisa mais próxima do que eu imaginava que fosse… real. Mas nunca passou disso. Nunca virou ação nem escolha. Só aconteceu uma vez, e foi com Marcos.

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O Marcos foi um amigo, próximo o suficiente para ocupar um espaço que ninguém mais ocupou. A gente se conheceu na faculdade, se aproximou sem esforço, dessas amizades que vão acontecendo naturalmente, e eu lembro de perceber, ainda naquela época, que tinha alguma coisa diferente na forma como eu me sentia perto dele.

No começo, eu não dei nome. Depois, eu dei, mas não falei. Porque não era uma coisa que se falava. Só que, de alguma forma, não ficou só em mim. Eu não sei dizer quando aquilo deixou de ser só amizade e virou outra coisa, mas virou, e chegou um momento em que a gente sabia, mesmo sem dizer, que havia algo ali que não era comum. A gente se olhava diferente, sorria diferente um pro outro... depois começaram os abraços apertados seguidos de um respirar profundo para sentir o cheiro um do outro, um aperto de mão mais caloroso... Até que um dia, faltando seis meses para nossa formatura, a gente disse com todas as letras.

Não foi bonito, nem planejado, nem cheio de coragem. Foi quase um acidente, uma conversa que foi longe demais, palavras que escaparam, um silêncio que ficou grande demais para ignorar. A gente se declarou, mas não fez nada com isso porque o medo era maior. Porque a vida que existia fora daquilo parecia mais concreta. Porque nenhum dos dois sabia o que fazer com o que sentia.

E então, uma semana antes da formatura, voltando de uma festa da turma, ele parou o carro em um lugar afastado, sem explicar muito, e a gente ficou ali, dentro daquele silêncio, carregado de tudo que não tinha sido feito até então. Mas, dessa vez, a gente não parou.

Não foi uma coisa longa, nem elaborada, nem cheia de descoberta como talvez pudesse ter sido em outra vida. Foi rápido, meio desajeitado, meio urgente, como se a gente soubesse que não teria outra chance. Marcos me beijou de repente — meu primeiro beijo. Foi um beijo longo e apaixonado que me deixou arrepiado, aquele arrepio gostoso carregado de sentimento. Então, enquanto me beijava, ele abriu o zíper da minha calça e a abaixou o suficiente. Minha rola saltou pra fora, dura como uma barra de ferro. Ele abaixou a calça dele também e então vi seu pau pela primeira vez: era lindo, tamanho mediano, uns 17 cm talvez, veiúdo, apontando pra barriga e um pouco pra direita, cabeça avermelhada, prepúcio cobrindo, e todo cheio de pelos. O meu era do mesmo tamanho, envergado pra cima, pro umbigo, mais liso sem muitas veias, circuncidado, também cheio de pelos. E então, Marcos pegou no meu pau, e instintivamente eu gemi e agarrei o dele. Ficamos ali masturbando um ao outro, beijando, passando a outra mão pelo corpo um do outro... isso durou menos de dez minutos, e então eu gozei primeiro: cinco jatadas de esperma, daquelas que você sente o pulsar forte no períneo, que atingiram minha camisa preta. Ele gozou em seguida, melando a minha mão. A gente se beijou longamente depois e se limpou. Ficamos em silêncio, mas não por constrangimento, e sim pelo estado de satisfação. Havia um sorriso em nossos rostos e olhares que comunicavam uma alegria pelo que fizemos. Então ele seguiu o trajeto e me deixou em casa. Não consegui dormir naquela noite – a cena se repetia em minha mente enquanto eu me masturbava de novo e de novo... foram quatro punhetas seguidas.

Pena que aconteceu tarde demais. Depois da formatura, cada um foi para uma cidade, para uma vida diferente. A gente ainda trocou duas cartas, curtas, cuidadosas demais, como se cada palavra tivesse que passar por um filtro antes de existir. Até que eu parei de responder, não porque o sentimento acabou, mas porque eu tive medo do que ele significava.

E foi assim que eu segui vivendo uma vida inteira por cima de alguma coisa que nunca deixou de estar ali. Até ele entrar pela porta do meu mercado, trinta anos depois, como se nada tivesse sido realmente deixado para trás.

_________

Eu ainda fiquei algum tempo parado depois que ele saiu do mercado, tentando retomar o ritmo do que era normal, atendendo um ou outro cliente, organizando prateleira, passando o pano no balcão mais vezes do que precisava, como se ocupar as mãos pudesse acalmar alguma coisa que já não estava mais sob controle.

Quando faltavam quinze para as oito, eu já estava sozinho no mercado, e foi então que a porta abriu de novo. O sino tocou, e dessa vez eu não precisei levantar os olhos com pressa, porque eu já sabia. Era ele.

Marcos entrou com a mesma calma de antes, mas sem aquele estranhamento inicial, como se o espaço já não fosse completamente novo, como se alguma coisa entre a gente tivesse sido retomada no intervalo entre uma visita e outra.

— Você disse que fechava às oito — ele falou, quase como um comentário, olhando em volta.

Eu assenti.

— Sim, já estou fechando.

E não disse mais nada. Não perguntei o que ele queria, não ofereci nada, não fiz o movimento automático de sempre. Apenas fui até a porta de metal e a puxei com força até perto do chão fazendo aquele barulho metálico alto por conta do silêncio da rua; depois tranquei a porta de vidro.

Quando me virei de novo, ele estava mais perto. Não tinha mais distância suficiente para fingir que aquilo era um encontro casual. E, por um instante muito breve, eu pensei em dizer alguma coisa, qualquer coisa que colocasse aquilo de volta em um lugar seguro, controlado, explicável. Mas não disse. Porque não tinha mais o que controlar.

Foi ele quem se aproximou primeiro, ou fui eu — depois eu não soube dizer —, mas o que aconteceu não teve hesitação, nem construção, nem cuidado. Foi direto. Como se trinta anos tivessem sido apenas um intervalo.

A gente se abraçou fortemente, daqueles abraços que chegam a doer. O beijo veio em seguida, com uma intensidade que não combinava com a idade que a gente tinha, nem com a vida que eu tinha construído, e talvez por isso mesmo tenha sido daquele jeito, urgente, quase atravessado, como se tudo o que não aconteceu antes precisasse acontecer de uma vez só. Ele segurou em minha nuca, com uma mão, e na minha cintura, com a outra. Eu fiquei tentando achar um lugar onde tocar nele... acabei segurando em seu braço. O beijo fez despertar em nós, além daquela paixão adormecida, uma excitação enorme. Marcos me conduziu até o balcão e me encostou ali, forçou seus quadris contra os meus e pude sentir sua rola na calça se esfregando contra minha perna, contra meu próprio pau ereto. E essa excitação parece ter me transportado para um lugar onde só existia nós dois. Me esqueci de tudo naqueles breves minutos.

Eu senti, naquele momento, uma coisa que eu não sentia há muito tempo — talvez nunca tivesse sentido daquela forma —, não só no corpo, mas como uma espécie de confirmação de algo que eu passei a vida inteira tentando negar.

Fui descendo a mão até tocar seu membro pela calça e o massageei da base até a glande. Marcos gemia no meu ouvido, enquanto me dizia que sentiu minha falta esse tempo todo. Ele foi mais longe, abriu o botão e o zíper da minha calça e segurou meu pau, batendo uma punheta dentro da cueca. Senti a baba sair do meu pau. Quando ele se abaixou para me chupar, eu o impedi.

A gente não falou nada. Nem antes, nem depois. Só se afastou o suficiente para respirar. E foi aí que ele disse, baixo, como se aquilo já estivesse decidido desde que saiu dali mais cedo:

— Eu tô num hotel aqui perto.

— Hoje não dá. Amanhã sim. Estarei lá. — eu respondi.

Simples assim, como se fosse só mais um compromisso. Ele entendeu... Não precisava de mais. Depois disso, ele foi embora de novo, olhando para trás enquanto saía e eu fiquei ali, no meio do mercado fechado, a calça aberta e o pau ainda duro, com a sensação de que alguma coisa tinha sido quebrada — ou aberta — e que não havia mais como voltar exatamente para onde eu estava antes.

Naquela noite, eu voltei para casa como sempre. Cumprimentei a Laura, ouvi alguma coisa sobre o dia dela, respondi no automático, sentei, comi, fiz tudo o que faço todos os dias, mas com uma espécie de distância que eu não consegui esconder nem de mim mesmo. Porque, pela primeira vez em muito tempo, eu não estava completamente ali.

No dia seguinte, o tempo passou diferente: mais lento, mais pesado. Cada hora parecia se arrastar, como se eu estivesse esperando alguma coisa que eu já sabia que ia acontecer, mas que ainda assim parecia impossível de verdade.

Quando deu sete e meia da noite, eu fechei o mercado. Tomei um banho no banheiro que tem nos fundos e me troquei, passei um perfume que ganhei de presente do meu filho mais velho e saí apressado.

Em dez minutos cheguei no hotel. Quando entrei, ele já estava me esperando na recepção. Ele usava uma camiseta regata e uma bermuda cáqui, e um sapatênis marrom claro. Os cabelos estavam molhados, indicando banho recente, e o sorriso estava ainda mais aberto ao me ver. Eu usava calça jeans, uma camiseta preta que tinha levado na mochila, e sapato social que sempre uso. Subimos para o quinto andar e entramos no quarto 510. E, dessa vez, não houve nenhuma tentativa de conversa, nenhuma necessidade de preencher silêncio. Dentro de mim havia uma mistura de sentimentos; eu estava muito ansioso, aquela ansiedade positiva, de quando você está prestes a fazer algo que esperou a vida toda. Assim que entramos pela porta, começamos a nos beijar loucamente. Minhas mãos dessa vez tinham destino certo: elas tocavam cada parte do corpo dele, apertando ou acariciando, vasculhando cada centímetro dele.

O que aconteceu ali não foi apressado nem contido. Não teve aquela urgência confusa do dia anterior, mas teve uma intensidade diferente, mais firme, mais consciente, como se, ao atravessar aquela porta, eu tivesse aceitado alguma coisa que eu sempre evitava. E, ainda assim, não foi só sobre aquilo. Foi sobre proximidade, sobre reconhecimento, sobre um tipo de presença que eu não soube nomear, mas que eu entendia.

Marcos me conduziu para perto da cama e me despiu completamente, beijando meu corpo inteiro. Eu já estava ereto e pulsante, e fui à loucura quando senti sua boca envolver meu pau. Eu nunca tinha sentido aquilo antes; nunca tinha sido chupado na vida. Laura? Era recatada demais para fazer algo assim. E foi incrível sentir a língua dele envolver a cabeça da minha rola, sentir minha rola tocar a garganta dele... Por pouco eu não gozei ali mesmo.

Em seguida, após ficar nu também, ele me virou de costas e deitou sobre meu corpo. Me arrepiei ao sentir seu peso e seu calor me envolver, me pressionar, me dominar. Marcos beijou meu pescoço, minhas costas e minhas nádegas, me mordiscava e me massageava. Apesar de nunca ter feito isso com outro homem, eu me senti “em casa”... estava um pouco desajeitado, mas relaxei e apenas me deixei levar por ele. Depois, ele abriu minhas nádegas e roçou seu pau ali no meio. Que sensação deliciosa! Soltei um gemido espontaneamente. Pensei que ele iria me penetrar e, até me virei para impedi-lo.

— Calma... Não vou meter não. Você não curte? — ele perguntou, mas no sentido de seu ser ativo ou passivo.

— Não é isso... é que nunca fiz nada com outro homem além do que fizemos naquele carro.

Marcos me olhou com surpresa.

— Fica tranquilo, só relaxa. Podemos fazer de outro jeito então.

Marcos, então, me colocou deitado virado para cima e lambuzou meu pau de lubrificante. Ele aproveitou para bater uma pra mim, me fazendo lembrar da nossa experiência décadas atrás. Daí, ele segurou meu pau e se sentou nele até que eu estava dentro dele. Ele cavalgou com muito tesão e se abaixava para me beijar. Eu o segurei nas pernas e então soquei gostoso por alguns minutos.

Sem sair dele, eu o virei e o coloquei de frango assado e soquei fundo, mas não com força pois não queria machuca-lo. Mas nessa posição, eu não iria aguentar muito tempo. Por isso, comecei a socar mais lentamente, sentindo cada centímetro do meu pau entrar e sair de seu cu enquanto batia uma punheta bem gostosa pra ele. Mas eu não resisti, e acabei acelerando as estocadas novamente e o gozo veio forte. Eu tive espasmos pelo corpo todo até sair a última gota de porra no cuzinho gostoso dele. Marcos se masturbou e gozou com meu pau ainda dentro dele.

Quando acabou, ficamos um tempo olhando para o teto em silêncio. Eu estava sem saber exatamente o que fazer com o que eu estava sentindo, porque não era simples, não era limpo, não era fácil de organizar. Mas também não era arrependimento. Eu tinha esperado minha vida toda para estar com meu “amigo” novamente. Nos beijamos e fizemos carinho um no outro por alguns minutos. Então voltei à realidade quando vi que já passava das 21:00h.

Eu me levantei e me vesti rapidamente. Ele apenas me olhava com ternura e atenção, um sorriso no canto da boca.

- Estarei aqui até segunda-feira. – Disse como um convite.

Eu apenas balancei a cabeça afirmativamente e sorri pra ele. Então, nos beijamos novamente, e eu saí de lá. Voltei para casa pensativo. Com uma preocupação que eu não conseguia ignorar, mas também com uma sensação que eu não esperava. Uma espécie de… satisfação. Não só pelo que eu fiz, mas pelo fato de ter acontecido... Foi como minha primeira vez que eu sempre quis ter. Como se, pela primeira vez em muito tempo — talvez na vida inteira —, eu tivesse vivido alguma coisa sem interromper no meio.

E isso, por mais errado que pudesse ser, não cabia dentro de arrependimento imediato. Não ainda.

... Continua.

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