O clube dos machos

Um conto erótico de Kherr
Categoria: Gay
Contém 10468 palavras
Data: 11/04/2026 08:54:09

Ter-me mudado para a capital para cursar a faculdade, conciliando-a com um emprego mequetrefe numa lanchonete não estava sendo tão fácil como eu havia imaginado. Sem ninguém me ajudando a bancar os custos com moradia, alimentação e transporte, além dos pequenos itens extras que sempre surgem quando se está na pindaíba, me faziam chegar ao final do mês sem um centavo no bolso. Nessa fase da vida eu me encontrava sempre mais duro do que pinto de noivo na noite de núpcias, e tinha resolvido acabar com essa situação ou, ao menos amenizá-la de alguma forma. Apesar do tempo disponível escasso, procurava fazer bicos em qualquer área para complementar meus rendimentos.

Já havia feito de tudo, desde o clássico lavar pratos e banheiros em restaurantes, dar aulas de reforço para adolescentes desinteressados do ensino médio, percorrer os edifícios da classe média recolhendo cachorros de todo tamanho das madames como dog-walker e até ser balconista de loja temporário durante os meses que antecediam as festas de final de ano. No entanto, esses bicos também começaram a rarear, contrastando com o custo de vida que caminhava aceleradamente em sentido contrário.

Quem me levou até o clube foi um conhecido de infância da minha cidade, Ramon, que também tinha vindo à Capital, porém por motivos completamente diferentes dos meus. Eu vim por vontade própria com um propósito bem definido, ele por ter sido expulso de casa pelo pai quando este descobriu que o filho era gay e estava queimando a rosca com seus amigos safados que se deliciavam no rabo tesudo do garoto. Tínhamos nos encontrado por acaso numa estação do metrô, eu até então nem sabia que ele tinha sido expulso de casa e, muito menos, por qual motivo. Nunca tivemos uma verdadeira amizade, se muito, posso dizer que fomos colegas de turma no colégio, nada além disso. No entanto, a adversidade parece ter o poder de unir as pessoas e, naquele reencontro apressado nos subterrâneos do metrô trocando números de celular, acabamos nos tornando amigos apesar das personalidades e estilos de vida diametralmente opostos.

- Você com certeza vai fazer sucesso por lá, com esse corpão, essa cara de filhote desmamado e essa bunda roliça vai deixar os frequentadores enlouquecidos. A grana é boa, isso eu garanto. Consigo me sustentar e até pagar por alguns luxos com o que eles me pagam, e nem preciso trabalhar todos os dias. – disse o Ramon para me convencer.

- O que está me dizendo é que tenho que virar puta! – devolvi, sacando qual era a natureza daquela atividade.

- Não seja tão careta! Êta que o provincianismo daquela cidade ainda está entranhado na sua pele! Deixa de ser preconceituoso! É um emprego, paga bem, você se diverte e conhece um bocado de gente nova, o que mais quer da vida? – questionou indignado. – A escolha é sua, se prefere continuar contando os centavos todo final de mês, não serei eu a te fazer mudar de ideia e ampliar essa sua visão encabrestada. – jogou displicente.

- Não sei se levo jeito para a coisa! Não estou te julgando, longe disso, mas não sei se sair dando o cu por aí é a minha praia. Vá lá que sinto uma enorme atração por homens, mas daí a deixá-los enfiar os cacetes no meu cu já é outra estória. – argumentei

- Você só é uma bicha enrustida e cagona, mais preocupada com o que os outros vão pensar de você do que tocar sua vida adiante. Querido, depois da primeira pica nunca mais vai querer outra coisa e, mais cedo ou mais tarde vai acabar saindo do armário. – sentenciou desbocado.

- Não sei, não! Só de pensar nisso sinto calafrios! – devolvi, já me imaginando um rameiro pervertido.

- Antes os calafrios do que a miséria batendo à porta! – exclamou

Passaram-se mais uns meses antes de eu ceder ao convite dele, quando acabei concluindo que já não estava mais dando conta de me custear e, diante de apenas dois caminhos, abandonar a faculdade e voltar para a minha cidade ou aceitar esse emprego, uma vez que não estava conseguindo mais fazer tantos bicos quanto seria necessário.

O clube estava instalado num casarão discreto de um bairro nobre e descolado. Era restrito a homens endinheirados, empresários, CEOs de multinacionais, membros da alta sociedade que só eram aceitos como sócios depois da indicação de um associado e da aprovação de um comitê dirigente. Embora o clube fosse classificado como uma confraria de apreciadores de charutos e conhaques, isso não passava de uma fachada para o que realmente acontecia naqueles saguões suntuosos decorados num estilo bem másculo; a aquisição, por algumas horas, de ninfetos esbeltos dispostos a realizar todas as fantasias sexuais daqueles machos endinheirados.

Quem me atendeu quando o Ramon me deixou diante da porta de um escritório luxuosamente mobiliado foi o presidente em exercício da confraria, um cinquentão atlético bem apessoado usando um terno talhado ao corpão parrudo e que devia ter custado alguns meses do meu salário como chapeiro de lanchonete. Ele me encarou e me examinou com um olhar aquilino e um sorriso cobiçoso, o que já me deu uma ideia de como seria meu trabalho naquele lugar.

- É bastante tímido, isso faz sucesso por aqui! – disse ele, ao manter minha mão entre as deles depois que o cumprimentei corando. – Faz tempo que se descobriu gay? – perguntou tão inesperadamente que fiquei sem saber como agir e o que responder. – Ainda não saiu do armário, não é? - emendou ao notar meu constrangimento. Quase dei meia volta para sair correndo dali, mas minhas pernas pareciam não me obedecer.

- Ainda não sei se sou gay! – que resposta mais idiota, pensei. Por mais que eu relutasse em admitir, meu colega estava certo, eu não passava de uma bicha enrustida tentando provar ao mundo o contrário. – Sim, acho que sou, faz um tempinho. – continuei sentindo as faces pegando fogo. – Mas eu nunca dei .... quer dizer, eu nunca fiz nada com outro homem. – emendei gaguejando, o que o fez ampliar aquele sorriso singular.

- Entendo! E, para ser bem sincero, acho um tremendo desperdício, você é lindo, tem um corpo muito desejável e esse rostinho ingênuo e envergonhado é de deixar qualquer macho maluco. – disse ele, ainda segurando minha mão entre as dele e a acariciando.

- Obrigado! – devolvi, sem conseguir encará-lo porque, de repente, comecei a sentir um reboliço se apossando do meu corpo e esse reboliço tinha nome, tesão.

- Não sei se o Ramon te contou que não oferecemos um emprego formal como fazem por aí. Você não receberá um salário fixo, nem terá um registro em carteira, férias, descontos previdenciários enfim, todas essas formalidades dos empregos clássicos. Aqui você será pago pelos seus serviços imediatamente após a conclusão deles, nunca receberá um calote pois isso o clube garante e exige dos sócios, pode confiar. A depender do seu desempenho, será muito bem recompensado, os associados costumam ser bastante generosos com quem os atende e satisfaz. Temos um time de rapazes que pode lhe confirmar o que estou dizendo, e que contam com um “salário” bem mais polpudo do que em outro emprego qualquer. – afirmou. – Então, o que me diz? Vai se juntar ao nosso time?

- Eu ... bem eu ... isto é, eu ... sim ... eu acho que aceito esses termos! – respondi, me sentindo uma verdadeira puta, sem ter noção no que estava me metendo.

- E aí, como foi a entrevista? – perguntou curioso o Ramon quando saí do escritório, ainda tremendo da cabeça aos pés e me questionando se tinha feito a coisa certa.

- Estou dentro! – balbuciei, como se isso soasse a cumplicidade de um crime.

- Legal! Fez a escolha certa! Reparou no tremendo macho que ele é? Com raríssimas exceções são todos assim por aqui. Você vai gostar deles, vai ver. São gentis, exigentes, mas gentis e adoram ser bajulados. Essa é a regra, é a minha dica para você se dar bem, bajule sem falsidade, esses machos são incrivelmente carentes. Os casados vivem com mulheres frias que estão mais interessadas na grana do que nas necessidades fisiológicas e carências deles. Os solteiros ou divorciados estão tentando fugir de interesseiros que estão de olho em suas fortunas, mais do que naquilo de que eles precisam. – esclareceu, o que não fez desaparecer aquela sensação de que eu estava me vendendo, me prostituindo, embora meu corpo e meu cuzinho continuassem tão intactos quanto no dia em que vim a esse mundo.

Alea jacta est, a sorte está lançada, como disse Júlio César; fossem quais fossem os meus pudores e receios, não havia como voltar atrás. Era seguir em frente ou voltar derrotado e com o rabo entre as pernas para o interior, abrindo mão dos meus sonhos.

Não sei por que raios sonhei naquela noite com um amigo cafajeste do meu irmão mais velho, rememorando um episódio que há séculos parecia enterrado e esquecido no meu subconsciente. Meu pai nunca foi muito amoroso com os filhos, quatro homens, e sempre se mostrou mais severo e exigente com a nossa educação do que preocupado em demonstrar seus sentimentos. Todos nós conhecemos muito bem o cinto que usava para segurar as calças e uma vara flexível que ficava pendurada atrás da porta da cozinha e que parecia ter uma afinidade incomensurável com as nossas nádegas. Nem eu, nem qualquer um dos meus irmãos, saiu ileso do ardor e dos vergões que ela deixava nas nossas bundas quando nos comportávamos mal ou desafiávamos alguma ordem.

A pouca distância da nossa casa havia uma chácara repleta de árvores frutíferas onde morava um casal de idade. A velhinha até que era simpática, mas o velho era mais ranheta que o tinhoso, e não hesitava em disparar tiros de espingarda com sal grosso na molecada que invadia a chácara atrás das frutas maduras da estação. Fui expressamente proibido pelo meu pai de sequer pensar em pular aquela cerca sob pena de sentir a vara descer nos meus fundilhos. Contudo, além da tentação daquelas frutas nos seduzindo e nos chamando para o pecado, a galera não deixava barato taxando todo hesitante de cagão, mulherzinha, covarde e quantos outros adjetivos lhes vinham à mente. Bem, eu não era certamente um covarde, nem mulherzinha e muito menos cagão, e me deixei levar pelo desafio. Com mais meia dúzia de garotos, pulei a cerca da chácara e trepei no pé de nêsperas carregado de frutos amarelos e suculentos. Na euforia da degustação sentado nos galhos a molecada se esqueceu que o silencio é fundamental quando se está a cometer um delito, a algazarra chamou a atenção do velhote que já saiu com a espingarda nas mãos e disparando a esmo. Saltando em fuga feito macacos dos galhos, os que foram atingidos pela carga de sal grosso berravam de dor, eu um deles que, para piorar a situação, ainda arranhei toda a minha barriga ao escalar o alambrado que cercava a chácara e fui visto por esse amigo do meu irmão cometendo o delito.

- Seu pai vai gostar de saber o que você anda aprontado com esse bando de baderneiros! – disse o salafrário, assim que me viu em fuga, vendo nisso uma oportunidade de se dar bem.

- Pelo amor de Deus, Joca, não conta nada para o meu pai, ele vai me dar uma puta surra e eu já estou todo fodido como você pode constatar! – implorei, enquanto ele me lançava um risinho malicioso.

- Devia ter pensado nisso antes de entrar naquele lugar! – devolveu sarcástico.

O Joca era um sujeito tarado, estava sempre pelos cantos dando em cima das garotas e bolinando as tetas delas, tal qual meu irmão mais velho que também não conseguia manter o cacete dentro das calças toda vez que chegava junto a uma garota. Só que dessa vez o safado pensou em se dar bem às minhas custas. Fazia algumas semanas que suas cantadas baratas não estavam surtindo efeito com as garotas enquanto os hormônios não lhe davam trégua, atiçando o cacete e o obrigando a se masturbar umas duas a três vezes ao dia.

- É o seguinte, pirralho, eu não conto nada para o seu pai se você chupar a minha pica lá atrás do muro de casa. – propôs o sem-vergonha aproveitador.

- Ficou maluco! Eu jamais vou colocar o pinto de alguém na boca, é nojento! – devolvi ultrajado.

- Tudo bem então! Você é quem sabe, eu te dei uma chance de se livrar da surra, mas você não quis, azar o seu. – afirmou fingindo desinteresse.

Rumando diretamente na direção da minha casa, onde certamente contaria tudo ao meu pai, me vi diante de um dilema, botar o pinto dele na boca ou sentir a cinta ou a vara descendo inclemente sobre a minha bunda, se juntando aos machucados que já ardiam pelo corpo.

- Espera! Não pode ser outra coisa? Faço tudo que você quiser, menos isso! – exclamei desesperado, retendo-o.

- É isso ou nada! – devolveu secamente, enquanto ajeitava o cacete que já se mostrava volumoso dentro da calça.

- Está bem, eu faço! Mas só um pouco, ok? E você precisa jurar que nunca vai contar nada para ninguém, combinado? – medo aliado ao desespero nos fazem cometer desatinos.

- Tem que fazer direito e pelo tempo que eu mandar! Não sei se você se deu conta de que sou eu quem está em vantagem.

- Vou contar para o meu irmão que tipo de amigo você é, seu desgraçado! – retruquei

Camuflados entre o muro alto e a vegetação nos fundos do quintal da casa dele, me vi diante de um caralhão pesado e grosso, bem cabeçudo que ele pincelava na minha cara para me instigar a abocanhar aquela coisa. O troço tinha um cheiro estranho, não de todo ruim, mas que na ocasião eu associei a algo devasso o que me fez sentir engulhos num primeiro momento. Com as mãos tremulas e hesitante, segurei naquela coisa, ela estava quente, latejava e ficava cada vez maior e mais dura.

- Chupa moleque! Você veio aqui para chupar e não para ficar admirando meu dote! – ordenou.

Abri lentamente a boca; ele, afoito tratou de enfiar o pauzão dentro dela sem me dar chance de recusa. A cabeçorra enorme e bem estufada estava toda melada com um visgo pegajoso que vazava em abundância do pauzão e, fechando os olhos, comecei a chupar a carne tenra que pulsava na minha boca.

- Isso, moleque, chupa tesão do caralho! Chupa minha rola, chupa! – começou a grunhir a cada sugada que eu dava naquele sumo viscoso. Ele parecia ter endoidado, se agitava todo e deixava o tesão o dominar.

Os engulhos iniciais foram passando, o visgo até que não era tão ruim assim, era ligeiramente salgado e aquele cheiro forte tinha algo de excitante. Com a cabeça sendo forçada para dentro da virilha pentelhuda dele, fui chupando aquilo com gosto, sentindo o sumo descer pela garganta, isso quando ele não socava o pauzão dentro dela me fazendo sufocar até as lágrimas escorrerem pelo rosto. Enquanto ele socava o cacete na minha goela, o sacão balançava e batia no meu queixo, despertando uma curiosidade em palpá-lo para sentir sua textura e consistência. Ele soltou um gemido quando comecei a acariciar suas bolonas ingurgitadas, ao mesmo tempo em que lambia, chupava e mordiscava toda extensão do pauzão da chapeleta até o sacão. De repente, ele voltou a segurar o caralhão com uma das mãos enquanto a outra agarrava meus cabelos, socou-o na minha garganta, soltou um urro e despejou os jatos mornos de porra na minha boca me forçando a os engolir para não me engasgar. O sabor não era ruim, estranho talvez por nunca ter sentindo um gosto semelhante, mas perfeitamente palatável, o que me fez engolir sem frescura ou nojinho um jato atrás do outro.

- Tesão da porra, engole meu leite pirralho! Tu leva jeito para coisa, para uma primeira vez saiu-se muito melhor que muita garota que me chupou. – afirmou, gozando fartamente na minha garganta.

Escapei ileso da surra. Para o esfolado na barriga e as marcas deixadas pelo sal grosso nas pernas encontrei uma explicação que levou meus pais a me taxarem de espevitado, o que para um garoto naquela idade era mais que compreensível. Quanto ao Joca, nunca mais consegui encará-lo, pois toda vez que o encontrava aquele risinho de satisfação e triunfo estava estampado na cara de safado dele. Os anos foram passando e o episódio caiu no esquecimento.

Na faculdade a prova marcada para aquele dia, meu primeiro no clube, foi um completo desastre, apesar de eu ter estudado bastante e ser um bom aluno naquela disciplina. Não consegui me concentrar só pensando no que poderia acontecer no clube dos machos. Tinha combinado de começar num dia em que o Ramon também fazia expediente, só para garantir que, em havendo algum problema, eu não estaria sozinho.

Cheguei antes dele, fiquei na calçada andando de um lado para o outro com um frio na barriga e o coração querendo saltar pela boca.

- Homem de Deus que aflição toda é essa, até parece um boi a caminho do abate? Trate de controlar esses nervos ou vai perder o emprego já no primeiro dia. – disse ele, ao me ver agoniado.

- Eu não chamaria dar o cu de emprego! – retruquei.

- Você nem sabe se vai dar o cu, pode ser que ninguém esteja a fim de te enrabar; portanto, não coloque a carroça diante dos bois. – devolveu ele, todo serelepe; o que eu não soube atribuir ao que ia faturar naquela noite ou se por sentir um cacete entrando no cu dele.

- Num puteiro cheio de machos querendo foder, eu não sei se hão de me poupar. Afinal de contas, o objetivo é esse. – devolvi

O mesmo machão sedutor que me entrevistou veio me receber à porta. Eu já tinha esquecido o nome dele e parece que isso estava estampado na minha cara, junto com o pavor que estava sentindo.

- Fique calmo, você vai se sair bem Tavinho, não se preocupe! Podemos te chamar de Tavinho, não podemos? – indagou. Eu apenas acenei com a cabeça. – Não se deixe intimidar pelo meu cargo. Hoje sou o Jorge, presidente do clube desde a última eleição, dentro de alguns meses serei apenas o Jorge sócio, disposto a usufruir dos prazeres que o clube oferece. – continuou ele.

- É que nunca fiz isso! – reafirmei.

- Você se saiu muito bem no treinamento, hoje não será diferente! Lembre-se de tudo que lhe foi passado, seja gentil e simpático com os sócios, atenda seus pedidos com solicitude e submissão que é disso que eles gostam, um empregado, um escravo carinhoso, algo parcido com uma gueixa que lhes proporcione o que o sexo tem de melhor. – disse ele, o que só reforçou em mim a sensação de ser uma puta naquele emprego. – Aqui está seu uniforme, deve usá-lo sempre que circular pelos salões. – acrescentou me entregando um pacotinho que cabia na palma da mão. – Pode se vestir no vestiário onde encontrará um armário para deixar suas roupas civis, e bom trabalho! Estarei por aqui se precisar ou tiver alguma dúvida, mas jamais deixe um sócio sozinho enquanto ele mesmo não o dispensar, entendido? – reforçou.

Constatei horrorizado que o “uniforme” se resumia a três peças, uma gravata borboleta preta e um jockstrap na mesma cor que, por sorte ou deliberadamente, dava conta de cobrir apenas meu pintinho acanhado e minhas bolas redondinhas, e um par de meias sapatilha também pretas. Era assim, nesses trajes sumários, para não dizer escassos, que os rapazes circulavam e atendiam aos sócios espalhados pelos salões, sentados em poltronas de couro fumando charutos ou degustando a refinada seleção de conhaques. A maioria deles era composta por quarentões e cinquentões, enquanto alguns poucos trintões ou até mesmo sessentões ainda bem apanhados completavam o rol de sócios naquela noite. Só uma coisa era certa, todos ali tinham as contas bancárias bem recheadas, e era atrás disso que os garotões de corpos sarados mal saídos da puberdade estavam interessados. Não vou dar uma de hipócrita, embora não me interessassem especificamente suas fortunas, era da grana deles que eu precisava para bancar meus custos. Portanto, era uma puta com não menos interesses escusos que os demais.

Diante do espelho do vestiário já usando meu “uniforme” respirei fundo para criar coragem de sair dali praticamente nu, e me expor para aqueles homens cheios de desejo carnal e segundas intenções. Eu tremia mais que uma vara verde ao vento, foi preciso um dos rapagões que estava no vestiário me alertar.

- Chérie, se continuar tremendo desse jeito vai derrubar tudo o que estiver na bandeja quando for servir os machões! Trate de se segurar se não quiser provocar um desastre! – aconselhou com um sorriso franco, provavelmente por já ter presenciado algo no gênero.

- Obrigado! – devolvi tentando um sorriso gentil. – Estou apavorado, nunca fiquei pelado na frente de estranhos.

- Você não está pelado! Tem esse corpão gostoso todo para alucinar aquele bando de machos, para eles isso já é roupa até demais! – retrucou, me encorajando; ele mesmo dono de um corpo invejável.

Ao entrar no primeiro salão, todos os olhares se voltaram para mim, carne fresca no pedaço. Eram aproximadamente oito ou nove homens que me comeram com o olhar, ajeitando as rolas enquanto me examinavam detalhadamente. Uns tinham os torsos avantajados nus, outros tinham baixado as calças e exposto seus membros nos mais diversos calibres. Engoli em seco. Fui instruído a sorrir sempre, com discrição e comedimento, mas sorrir, e fui o que fiz.

- Senhores, cavalheiros, hoje quero lhes apresentar nosso mais recente integrante de rapazes, Tavinho que, como estão constatando, é um verdadeiro colírio para os olhos. – sentenciou pomposo o Jorge, me instigando a cumprimentar cada um deles com um aperto de mão. O que se repetiu, nos outros três salões do casarão.

Alguns, logo após o cumprimento e ainda segurando a minha mão, aproveitaram para fazer seus pedidos, um charuto cubano acesso aqui, uma dose de D’Usse 1969 de edição comemorativa ali, mais uma dose de um Hardy Les Printemps para o cinquentão de têmporas grisalhas e cacetão exposto acolá; e lá ia eu com a bundona carnuda, o rego bem fechado, as coxas grossas e nenhum pelo no corpo escultural, exceto onde o jockstrap tapava, circulando para atender aqueles cavalheiros respeitáveis.

Num canto, junto a janela sobre um sofá de couro marrom, um garotão gemia levando a vara grossa revestida de veias saltadas de um parrudão peludo e viril no cuzinho arregaçado depois de agraciá-lo com uma dose de conhaque na qual também molhou seus lábios antes de beijar o coroa gostoso. No meio de uma rodinha de três homens musculosos sentados relaxadamente nas poltronas, outro rapagão aloirado e imberbe mamava a caceta cabeçuda de um deles, que ronronava em tom grave acariciando os cabelos do rapaz que estava prestes a receber sua gala esbranquiçada despejada diretamente na boca.

Fui tão requisitado que nem tive tempo de me horrorizar com aquelas cenas; na verdade, fiquei excitado e controlei uma ereção que se formava, quase na marra, para não dar bandeira. Foi aí que ele, instalado no segundo salão, me chamou discretamente; havia terminado uma conversa com outro sujeito que se afastou e, se achava sozinho recostado num divã de estilo clássico forrado de veludo verde-musgo. Era um dos poucos trintões presentes naquela noite, tinha uma cabeleira vasta e ligeiramente desalinhada, o que lhe conferia uma aparência selvagem, máscula, agressiva e que a barba abundante por fazer acentuava. Havia tirado o paletó e o colocado sobre o divã, afrouxado a gravata e aberto os dois primeiros botões da camisa expondo os pelos do tórax largo e vigoroso. Lambeu os lábios quando me aproximei dele com um sorriso tímido. Seu olhar era penetrante, sexy, atrevido. Não me lembrava de ter visto um homem tão bonito como ele. A beleza não estava apenas na aparência, mas perpassava o olhar, os gestos calculados, a vivacidade dando vazão a energia que havia naquele corpão viril.

- É um prazer tê-lo conosco, Tavinho! – disse num tom de voz levemente rouco.

- Obrigado, senhor! O que posso lhe servir, um conhaque, um charuto? – perguntei em tom baixo e servil, como me haviam orientado.

- Você, de preferência! – exclamou, me encarando e fazendo voltar a tremedeira que a muito custo eu tinha conseguido dominar.

- Como, senhor? – escapou por entre meus lábios ao mesmo tempo que sentia o rubor tomar conta do meu rosto.

- Quero você! – repetiu ele, se divertindo com meu constrangimento. – É sempre tão tímido assim?

- Um pouco! – respondi

- É a primeira vez que fico realmente encantado por um dos rapazes daqui. – afirmou, talvez para me fazer sentir melhor, pois duvido que aquele macho instigante não tenha dito a mesma coisa para todos eles.

- Obrigado, senhor! Fico lisonjeado e terei o maior prazer em atender seu pedido! – devolvi, achando que ele optaria por uma das duas sugestões que lhe apresentei, o conhaque e o charuto.

- Gostaria de sentir esses lábios carnudos e sensuais entrelaçados nos meus para começar. – disse ele

- Como? – eu nem mais sabia o que fazer, como agir. Havia chegado a hora que eu tanto temia, algumas preliminares e logo em seguida eu estaria com um cacete enfiado até o talo no meu cuzinho virgem, sem direito a choramingos ou protestos, só aguentando firme até aquele macho enorme se dar por satisfeito.

- Quero que se sente no meu colo e me dê um beijo, prometo não arrancar nenhum pedaço! - disse com um sorriso simpático e envolvente, enquanto tomava minha mão e me trazia para seu colo onde me acomodei constrangido, embora o calor que emanava de seu corpão trouxesse algum conforto.

Pousei suavemente a mão sobre a barba espinhenta dele, afagando seu contorno, antes de aproximar meus lábios de sua boca que ainda exalava o perfume do último gole de conhaque que havia tomado. Comecei um beijo tímido e recatado, mas à medida em que ele me puxava para junto de seu tronco sólido e devorava meus lábios prendendo-os entre os dentes eu sentia um calor se apoderando de mim. Era a primeira vez que beijava um homem daquela maneira sem nunca haver imaginado que isso seria tão bom. As mãos dele percorreram meu corpo nu, incendiando a pele por onde deslizavam vagarosamente. A língua dele entrou na minha boca e eu instintivamente a chupei, o que parece o ter agradado, pois me apertou com mais força e a fez chegar até minha goela. Algo crescia entre as coxas musculosas dele e cutucava minhas nádegas, eu nem precisava olhar para o que estava aprisionado na calça dele para saber do que se tratava. Fiquei excitado com essa constatação e os biquinhos dos meus mamilos se projetaram hirtos e salientes atiçando o tesão dele.

- Posso perguntar seu nome? – perguntei, contrariando uma das regras da casa, mas ele não se importou.

- Vitor! Vitão para os íntimos e amigos, e também para você! – respondeu

- E em qual dessas categorias eu me enquadro? – perguntei, perdendo a noção do que estava fazendo, uma vez que o sabor daquela boca quente estava embaralhando minha mente.

- Isso é você quem vai me dizer! – exclamou, com o tesão saltando do olhar doce e sensual.

O que eu estava fazendo? Contrariando tudo que me haviam orientado a fazer, tratar os sócios com deferência, mas sem nenhum envolvimento que não fosse o estritamente sexual quando fosse solicitado. Mas aquele olhar estava revolvendo tudo em meu peito, na minha cabeça e no meu coração. Eu estava descobrindo um sentimento novo, um sentimento que sempre me foi inculcado como sendo proibido com outro homem, um sentimento ao qual apenas degenerados se entregavam. Porém, eu não era nenhum degenerado, era um puto de um veado enrustido e, ainda por cima, virgem, mais virgem que uma donzela da Idade Média. E o que aquele machão estava me fazendo sentir era tão avassalador e maravilhoso que não podia haver pecado nesse sentimento tão casto e puro.

Passei a noite toda conversando e apenas beijando o Vitor. Ele não foi mais adiante ao perceber e respeitar meus receios, apossando-se de mim para que nenhum outro tentasse o que ele mesmo mais queria, meter o pauzão no meu cuzinho e me ouvir gemer de prazer. A maneira como fazia os biquinhos excitados dos meus mamilos rolarem entre os dedos grossos dele me dava essa certeza. Me despedi dele com um – Obrigado – sussurrado junto ao seu ouvido, depois do último e prolongado beijo que deixou o sabor de sua saliva se diluindo na minha boca. Ele colocou uma generosa quantia na minha mão, me deixando envergonhado por aceitar aquele dinheiro do qual tanto precisava, embora soubesse que era para isso que eu estava ali.

- Vai me prometer que não virá aqui quando eu não estiver, vou te avisar toda vez que vier, e também vai me prometer que não vai deixar nenhum outro homem tocar em você, está me ouvindo? – havia um tom áspero na voz dele, uma exigência que eu não podia cumprir.

- Não posso te prometer nada disso, você bem sabe! Estou aqui para servir os sócios, foi para isso que me contrataram. – devolvi

- Então se descontrate! Eu te pago o que for preciso para não se aproximar de outro homem. Quero exclusividade! Quero você todo só para mim, Tavinho! Você vai ser somente meu, serei seu único macho e não aceito desculpas. – afirmou, ainda mais sério e determinado.

- Não faça isso comigo, Vitor, por favor! Vai me meter numa enrascada, eu preciso desse emprego. Você nunca vai entender, mas eu preciso fazer isso para sobreviver e alcançar meus objetivos. – argumentei, sabendo que aquele homem nem sonhava o que era não ter nascido em berço esplendido.

- Me ouça Tavinho, não vou repetir! – disse, tomando meu rosto em suas mãos. – Não quero que se prostitua, estou encantado por você, te quero só para mim! Eu já disse que cubro todas as suas despesas, não me importo, só quero que seja meu! – insistiu

- Não deixarei de ser uma puta, a sua puta! – devolvi

- Você nunca será uma puta porque eu não vou permitir. Você será meu parceiro, a paixão que eu tanto procurei e creio que acabo de encontrar nesse seu olhar meigo e nos beijos apaixonados que trocamos. – afirmou. – Não vou te perdoar se não respeitar nosso acordo! – completou sério.

Nunca tinha me visto diante de uma encruzilhada tão assustadora, minha cabeça estava tão embaralhada que perdi a noção do que estava fazendo. O Vitor foi tão incisivo em sua ordem para que eu não fosse ao clube sem ele que tive medo de desobedecê-lo; por outro lado, tinha que respeitar o acordo que havia feito com o presidente do clube. Acabei optando por ir ao clube e me explicar, além de comunicar que estava desistindo do emprego.

- Os demais sócios vão ficar frustrados por não terem tido a oportunidade de usufruir dos seus cuidados, mas já estou ciente do motivo que o trouxe até aqui com essa decisão tomada. Ontem mesmo recebi uma ligação do Vitor exigindo exclusividade sobre você, o que nunca aconteceu antes e não está previsto nos estatutos do clube. No entanto, o caso será discutido na próxima assembleia que acontecerá em algumas semanas e, até lá, em regime temporário, vou acatar o pedido dele. Seu comprometimento conosco ficará restrito aos dias em que ele frequentar o clube, se o pedido dele for acatado pela assembleia, você servirá apenas a ele, caso contrário, voltará ao regime que havíamos combinado. – comunicou-me o presidente.

Recebi uma ligação do Vitor assim que ele soube que fui ao clube para desistir do emprego, ele estava bravo, foi enfático e até rude em suas palavras e me mandou estar no clube dali a duas noites. Num primeiro momento fiquei muito zangado, o que esse sujeito pensa para me dar ordens como se fosse meu dono, após um único e mísero encontro? Se a coisa está começando assim, o que não virá se eu me sujeitar a um relacionamento desses? Por outro lado, não conseguia esquecer o quanto esse homem mexeu comigo, o que eu estava sentindo por ele era tão forte, inusitado, que ficava difícil de compreender. Era algo que ia além do tesão que ele despertou em mim, era algo que consegui enxergar por trás do olhar dele e que vinha de algum lugar profundo dentro dele. Eu mal tinha assimilado que era gay e agora tinha que lidar com o que imaginei ser uma paixão. Quem é que se apaixona por alguém logo no primeiro encontro, após algumas poucas horas de convívio, depois de uns poucos beijos, por mais incríveis e maravilhosos que tenham sido? Tavinho, o gay enrustido e virgem, também tonto e deslumbrado, era a resposta a essa pergunta.

- Você pirou, sua bicha burra? Apaixonado! É sério que caiu nessa armadilha com o primeiro cara? Se liga, Tavinho! Esses caras são cheios da grana, têm poder e acham que podem comprar tudo o que desejam. Não rolam sentimentos, não rola paixão, não rola amor, se toca iludido! Reconheço que o sujeito é um tremendo de um machão lindo e viril, mas se apaixonar por ele é a maior cagada que você pode cometer. Ele vai te bancar, vai te usar e depois, quando se cansar, vai te jogar fora como uma laranja da qual ele chupou todo o suco. É esse o seu destino se cair nessa esparrela! – afirmou o Ramon quando lhe contei o que estava aconteceu.

- O Sr. Alfa não é como os outros, eu pude sentir! Não me pergunte como, mas eu senti! E se ele for diferente dos demais, e se ele estiver mesmo interessado em mim, e se .... – ele não me deixou terminar.

- E se ele estiver apaixonado por você? Se liga, gay otário, esses caras só querem diversão, sexo e muita putaria, tudo que não conseguem com as namoradas e esposas. Você é tão tonto que até já deu um apelido para o sujeito; Sr. Alfa, só pode ser brincadeira, o macho nem te comeu ainda e você já acha que ele é um Alfa, fala sério! Esses caras nos escolhem por sermos gays e porque não vamos nunca chegar neles com um filho crescendo dentro da barriga, algo a que estariam sujeitos com uma puta convencional. – sentenciou o Ramon, inconformado com a minha ingenuidade. – Mete uma coisa nessa sua cabecinha desmiolada, esse seu Sr. ou Mister Alfa, está me ouvindo, nunca vai se apaixonar por você. Vocês são de mundos completamente diferentes, isso só acontece naqueles romances água com açúcar, não na vida real. – completou.

Eu estava no meu emprego verdadeiro, digamos assim, na lanchonete que, por sinal estava lotada naquele dia e me fazendo sambar em frente a chapa quente onde tostava os pedidos dos clientes quando recebi a mensagem pelo Whatsapp – VÁ AO CLUBE ESSA NOITE – assim, bem seca e suscinta, sem sequer um “Oi”, uma ordem sumária que não dava brecha para ser descumprida. Rosnei um – desgraçado arrogante – enquanto virava os hamburgueres que já estavam passando do ponto.

Ele se encontrava no menor dos salões, não mudou a expressão do rosto quando entrei “uniformizado”, parecia impaciente e, por mais bizarro que pudesse parecer, trajava outro terno impecável, porém, sem a calça, o que expunha suas pernas musculosas e peludas saindo da cueca. Ao caminhar na direção dele com um sorriso acanhado, ele abriu mais as pernas o que me permitiu ver o tamanho gigantesco do volume que tinha entre as pernas.

- Boa noite, senhor! Posso servir alguma coisa? – perguntei, umedecendo os lábios com o pouco da saliva que me restou na boca depois de o ver tão sexy.

- Uma dose de conhaque!

- Tem preferência por algum deles, senhor?

- Deixo a decisão em suas mãos! E pare de me chamar de senhor, uma vez que sabe perfeitamente qual é o meu nome! – respondeu, me secando com aquele olhar radiográfico.

O copo tremia em minha mão quando o entreguei a ele, ao mesmo tempo que ele sinalizava para eu me sentar em seu colo. Fui tomado por um frenesi quando minha bunda nua sentiu os pelos grossos e o calor das coxas dele, sendo novamente denunciado pelos bicos dos mamilos que saltaram para fora. Ele abriu o primeiro sorriso, mergulhou o dedo indicador no conhaque e o circundou no biquinho esquerdo enquanto me encarava com uma expressão safada. Soltei um suspiro ao sentir sua ereção me cutucando e sua boca lambendo o mamilo molhado de conhaque.

- Pensou na minha proposta? – perguntou, quando todo peitinho estava mais saliente que o outro de tanto ele o chupar e mordiscar.

- Não vai dar certo! – respondi, tentando impor firmeza na voz, uma vez que o corpo todo mais parecia uma massa de gelatina querendo se desfazer no colo e nos braços dele.

- Por que está negando o que está sentindo aqui dentro? – perguntou, colocando a mão sobre meu peito.

- Não sinto nada! - menti

- Não é isso que esses batimentos acelerados e esses mamilos deliciosos estão indicando!

- Não faz isso comigo, Vitor!

- Não estou fazendo nada!

- Está sim, está me deixando maluco! Nem eu mesmo sei mais o que eu quero. – devolvi

- Você me quer, tanto quanto eu te quero! Quando vai se convencer disso e me deixar ser seu macho, seu Sr. Alfa? – perguntou, sem disfarçar o riso zombeteiro, já ciente do apelido que lhe dei.

Eu precisava impedir que ele continuasse falando essas coisas que estavam me deixando cada vez mais confuso, e o beijei, mordiscando e chupando seus lábios até ele começar a retribuir metendo a língua na minha boca.

- Viu como você me quer? – indagou, não desistindo nunca

Ele estava ridiculamente delicioso com aquele paletó aberto, a gravata ajustada ao pescoço grosso, a camisa abotoada e, sem as calças onde a ereção agora formava uma barraca dentro da cueca. Comecei a tirar o paletó de seus ombros largos, afrouxei o nó da gravata e a tirei do pescoço dele, abri os botões da camisa até abaixo da metade do tronco maçudo e deslizei carinhosamente minha mão espalmada entre os pelos sensuais.

- Gosta do meu peitoral, não é? Vejo que olha para ele cheio de tesão e desejo. Ele e tudo isso aqui pode ser seu se me der a resposta que eu quero. – afirmou, pegando minha outra mão e a enfiando dentro da cueca até me fazer sentir sua ereção latejando.

- Por que está me judiando tanto? Eu devia agir como os demais rapazes, excitá-lo, chupar seu pauzão, me entregar aos seus caprichos e deixar que me penetre e se sacie no meu cuzinho, receber meu pagamento e te desejar uma boa noite ao estilo mais imparcial possível, mas não consigo, não quando olho para esse seu olhar, não quando você faz essa carinha de molecão safado. – retruquei

Apesar dos ecos de dois rapazes gemendo nas poltronas ao lado preencherem o ar do salão de luxúria, ambos agachados de quadro com as pernas abertas sendo fodidos na posição de cachorrinho, a sensação que eu tinha era de estar sozinho ali com ele, como se não existisse mais nada fora do nosso mundinho.

- Quer chupar o meu pau? – perguntou o Vitor, notando como eu admirava sua ereção.

- É isso que quer que eu faça? – devolvi baixando submisso a cabeça, só para testar se ele ia me obrigar a fazer sua vontade.

- Só se você estiver afim, só se for seu desejo me chupar! Nunca vou te obrigar a fazer o que não quer, Tavinho! – respondeu, levantando meu rosto pelo queixo e me encarando com um olhar doce.

- Eu quero! – afirmei, antes de ele me trazer para junto dele e cobrir minha boca com um beijo lascivo.

Desabotoei mais dois botões da parte de baixo da camisa expondo seu umbigo, de onde partia uma trilha peluda que sumia para dentro da cueca. Beijei o entorno do umbigo e, lentamente, fui descendo com lambidas e beijos até a ereção que crescia sob a cueca. Senti um aroma picante invadir minhas narinas. Assim que a cabeçorra começou a aflorar pelo cós, e eu me preparava para baixar a cueca e cair de boca no cacetão, o Vitor apertou meu queixo e me forçou a encará-lo.

- Aqui não! – exclamou. Fiquei perdido por uns instantes. Como, aqui não, se é a única maneira de eu colocar seu pauzão na boca, me questionei, sem saber o que fazer. – Vá se vestir, vamos sair daqui! – ordenou, me fazendo compreender a que se referia.

- Para onde vai me levar? Eu preciso chegar cedo em casa, tenho uma prova na faculdade no primeiro horário. – revelei.

- Vá se vestir, já vai saber onde vou te levar! E, não se preocupe, amanhã cedo estará fazendo a sua prova na faculdade. – afirmou

Eu não esperava outra coisa quando me apontou o carro esportivo de luxo no qual eu deveria entrar que me apontou no estacionamento, nem na casa suntuosa de estilo moderno e arrojado onde me fez entrar ao chegarmos ao nosso destino.

- É sua? – que panaca faz uma pergunta dessas, pensei depois das palavras já terem escapado, de tão nervoso que eu estava. – É linda! – afirmei, depois de ele logicamente responder que sim.

- Quer beber alguma coisa, uma água, um suco, um refrigerante?

- Um uísque! Duplo e sem gelo! – respondi, pois eu precisava de algo forte, algo que meio me anestesiasse para dar conta do que me esperava, dar um adeus definitivo à minha virgindade. Ele me encarou e riu.

- Tem certeza que já bebeu algo tão forte? – indagou, caçoando do meu pedido, enquanto despejava a bebida num copo.

- Sim, claro, já! É minha preferida! – respondi, mentindo mais uma vez, pois nem fazia ideia do gosto que o uísque tinha. Nunca antes tinha tomado qualquer bebida alcoólica.

Dei um gole tão grande como se estivesse tomando água gelada para aliviar a boca seca. A bebida desceu queimando minha garganta e fazendo meus olhos revirarem nas órbitas, por pouco não me engasguei. Sr. Alfa continuava me encarando e rindo. Despejei o segundo gole não menos ávido e, depois de uma breve inspiração para tomar ar, o terceiro, esvaziando o copo. Não se passaram mais do que cinco minutos para que tudo ao meu redor começasse a se mexer em câmera lenta. Agora estava pronto para chupar aquele pauzão e deixar com que Sr. Alfa fizesse comigo tudo que lhe aprouvesse.

- Vem comigo! – disse ele, me pegando pelo braço e me conduzindo escada acima para dentro de um quarto amplo, maior do que toda quitinete onde eu morava. – Vista seu uniforme e volte aqui! – acrescentou, me apontando a porta do banheiro.

Quando voltei ao quarto, com o cérebro nadando em álcool, ele estava recostado na cama só de cueca, onde se via uma rodela úmida no tecido que cobria o contorno da cabeçorra. Fui engatinhando até ele, lancei-me contra seu tronco e me segurei nos ombros largos, antes de começar a depositar beijos em seu queixo e ao longo do contorno da mandíbula. Ele me agarrou pela nuca, puxou meus cabelos e grudou a boca na minha como se fosse me devorar. O uísque continuava agindo e eu estava ficando cada vez mais zonzo.

- Quero chupar seu pauzão! – exclamei com a língua pesada, ao mesmo tempo que o tirava de dentro da cueca, todo melado.

- É todo seu! – devolveu ele, começando a arfar quando engoli a glande suculenta. Não foi difícil ele perceber minha inexperiência, mas isso pareceu agradá-lo.

Chupei-o como tinha chupado o Joca anos atrás, apenas com uma diferença, a rola do Sr. Alfa era bem mais saborosa e eu queria que ele sentisse o quanto eu a desejava, o quanto eu queria que ficasse satisfeito com a minha mamada. Segurando o caralhão pesado, fui lambendo, chupando e beijando todo aquele membrão rijo onde as veias saltadas latejavam ao toque dos meus lábios, e faziam o Vitor soltar um ronronar cada vez mais excitado.

- Chupa boquinha de veludo, chupa minha rola, seu tesudinho do caralho! Mama que já já vou te dar meu leitinho de macho! – ronronava ele, enquanto eu sorvia o melzinho ligeiramente salgado que me escorria pelos cantos da boca.

Ele afundou minha cabeça em sua virilha, o pauzão mergulhou na minha garganta, me deixou sem ar, e me obrigou a socar suas coxas peludas, antes de ele soltar um urro e ejacular na minha boca enchendo-a com sua porra espessa e cremosa. Fui engolindo tudo, às pressas, mal dava tempo de um jato ser deglutido para outro ser despejado, o que fez com que um pouco de esperma escorresse pelos cantos da boca.

- Tesão do caralho, como eu precisava disso! – gemia ele, ejaculando fartamente seu sumo delicioso.

Eu nem havia terminado de limpar o cacetão com as minhas lambidas quando o Vitor me lançou de costas e veio para cima de mim, abrindo minhas pernas e se encaixando no meio delas, deixando meu rego aberto e o cuzinho vulnerável. Tudo diante dos meus olhos rodava, o rosto dele nunca me pareceu tão lindo e viril, toquei-o suavemente com as pontas dos dedos.

- Sr. Alfa! – murmurei com um sorriso embriagado

- Isso mesmo, meu tesudinho, sou seu Sr. Alfa, sou seu macho Alfa! – disse ele, bolinando minha fendinha plissada com polegar.

Gemi quando o dedo grosso afundou abrindo minhas preguinhas virgens. Segurando minhas pernas abertas no ar, o Vitor meteu a cara nas minhas nádegas e começou a lamber o cuzinho rosado que piscava com meu tesão desenfreado.

- Ai, macho! – exclamei, ao sentir a língua dele trabalhando a portinha do meu cu

De uma gaveta próxima ele tirou um frasco de lubrificante, despejou um tanto sobre minhas preguinhas enfiando o gel geladinho para dentro do meu cuzinho e, outro tanto, sobre o caralhão duro dele.

- Macho, eu sou virgem! Sou um veado virgem! O que você vai fazer com o meu cuzinho? Esse pauzão vai me detonar! Ai minha santinha dos cuzinhos virgens, é agora que vou virar gay de verdade! – balbuciava eu sob o efeito do uísque e do tesão que aquele macho sedento me encarando feito um leão faminto estava me provocando.

- Pede para o seu Sr. Alfa tirar seu cabacinho, pede Tavinho! Pede para o teu macho foder esse cuzinho lindo e virgem, pede! – sussurrava ele, ardendo de tesão.

- Me fode Vitor! – gemi, procurando os lábios dele.

Ele empurrou o cacetão devagar para dentro da minha fendinha anal que foi se distendendo até eu soltar um gritinho de dor. Eu me agarrei ao que pude, o rabo travou e ele precisou empurrar com mais força, eu achei que ia desmaiar quando senti aquela tora de carne impulsiva afundando nas minhas entranhas.

- Ai meu cuzinho, macho! Tá rasgando meu cu, macho! – gemi forte, me agarrando aos ombros dele enquanto ele suspendia meus quadris e socava fundo o pauzão até eu sentir os pentelhos dele roçando meu rego.

O Vitor socava forte, mas com cuidado. O entra e sai do pauzão me deixou alucinado, nunca senti nada tão maravilhoso. A carne quente e rija dele amoldada à minha me preenchendo numa fusão prazerosa para ambos. Nossas bocas abertas deixando escapar os gemidos de prazer mal se tocavam, embora estivessem quase grudadas.

- Era isso que você queria? – perguntou ele, sem parar de bombar meu cuzinho apertado ao redor de sua pica grossa. – Você é meu, Tavinho! É minha putinha!

Me esporrei todo ao ouvi-lo externando todo tesão acumulado. Meus dedos arranhavam as costas largas dele e eu erguia os quadris facilitando a penetração que colocava o pauzão inteiro no meu cu e fazia o sacão dele bater cadenciado no rego aberto. Senti o caralhão pulsar com força quando o Vitor soltou um urro e encheu meu cuzinho com seu sêmen leitoso e quente, enquanto me encarava realizado. Afaguei o rosto dele e o beijei, ele se deixou cair pesadamente sobre mim. Aos poucos o cacetão foi amolecendo no meu cuzinho até escorregar para fora. Soltei um último gemido e tudo se apagou, o uísque havia ganho a parada.

- Ei dorminhoco, acorda! Dorminhoco! Está na hora de levantar, ou vai perder a sua prova! – entrava em meus ouvidos como se as palavras estivessem saindo de um megafone, minhas têmporas latejavam e uma mão grande e pesada dava tapas nas minhas nádegas nuas e expostas.

Sem fazer ideia de onde estava, apenas ronronei em resposta. Havia alguma coisa gostosa passeando livremente sobre a minha bunda quando a franqueei para aumentar aquela sensação. Levantei a cabeça pesada com esforço, como se ela fosse de chumbo, olhei ao redor confuso e desorientado até me deparar com o rosto dele. Um sorriso simpático me encarava, enquanto a mão continuava bolinando a bunda carnuda e macia, o que me fez devolver o sorriso.

- Vem, levanta e se apresse, se não quiser perder a sua prova! Vá tomar uma ducha e me encontre na cozinha, preparei seu café e vou te levar para a faculdade. – aquelas frases me deram a impressão de algo muito familiar, de algo que combinava com a rotina de um casal, que faziam parte de uma vida compartilhada.

- Já amanheceu? Por que ainda estou aqui? Eu tinha que estar na minha casa, devia ter me mandado embora depois de .... – parei de falar quando percebi que meu cu estava ardendo e que, dentro dele, havia uma umidade formigando.

- Eu queria você em meus braços e, além do mais, no estado em que se encontrava, você nunca chegaria a sua casa. – devolveu ele, ampliando o sorriso quando percebeu que eu havia me dado conta de havermos transado e eu estar sentindo as consequências. – Aqui está seu pagamento! – emendou, colocando um envelope em minha mão.

- Não vou aceitar! Não quero que me pague para ficar com você! Não sou puta! – retruquei ofendido. – Nunca mais vou olhar na sua cara se voltar a me dar dinheiro depois de transarmos! – impus com firmeza.

- Entojadinho orgulhoso! – exclamou contrariado. – Por que foi procurar emprego no clube se não quer ser pago pelos préstimos sexuais? Era isso que você estava fazendo lá, não era?

- Me arrependo cada vez mais dessa besteira! Eu não sirvo para isso! Não consigo me entregar para um homem se não sentir algo por ele! – afirmei

- Quer dizer que se entregou para mim por que sente algo por mim? – perguntou interessado, me fazendo corar.

- Não foi o que eu disse! E chega dessa conversa, não posso perder a minha prova! – disfarcei para não admitir o quanto ele estava mexendo comigo.

Tomei a ducha, devorei o que ele havia preparado, pois estava varado de fome e seguimos em direção a faculdade. Enquanto ele dirigia, eu lhe lançava uns olhares de lado admirando-o e constatando que estava cada vez mais apaixonado por ele. Contudo, também lembrava das palavras do Ramon me advertindo para não cair nessa armadilha por não haver um futuro no qual ele e eu estivéssemos juntos.

- Tão logo termine a prova, venha a esse endereço! Estarei a sua espera! – disse quando ousadamente me beijou na entrada da faculdade. Eu tinha a impressão que todos os pedidos dele soavam mais como uma ordem do que um pedido.

- Tenho aulas depois da prova e daqui tenho que voltar para casa antes de seguir para o meu trabalho na lanchonete. – avisei.

- Depois da prova, nesse endereço! Por que é tão difícil você simplesmente me obedecer? – perguntou amuado.

- Talvez porque eu não seja um cachorrinho adestrado! – respondi

- Então está na hora de eu te adestrar! – retrucou

Algo me dizia que ele já tinha alcançado seu objetivo, pois ao término da prova fui me encontrar com ele no endereço que me havia dado, um edifício de linhas tão arrojadas quanto as da casa dele num bairro comercial nobre da cidade. Numa portaria tecnológica e sofisticada, perguntei por ele com certa inibição ao reparar na elegância das pessoas que circulavam por ali.

- Ah, Sr. Gustavo, bom dia! O Vitor nos avisou da sua chegada, peço que use esse crachá enquanto estiver no edifício e a catraca de visitantes já está liberada para o senhor. O escritório do Vitor é no décimo quinto andar, vou avisar que o senhor está subindo. – disse a recepcionista

- Obrigado! – devolvi intimidado

No hall suntuoso de pé direito alto, vi de relance, em letras de bronze presas a uma imensa chapa de mármore verde – Construtora & Arquitetura VBT – e desconfiei que eram as iniciais do nome do Vitor. Ele me esperava na porta do elevador e, me puxando pelo braço para dentro de seu escritório sem ao menos me dar a chance de cumprimentar a secretária que apenas me encarou com curiosidade, fechou a porta atrás de si e me prensou contra ela, colando sua boca à minha e amassando minhas nádegas com sofreguidão, como se não me visse há décadas.

- Ainda estou com a imagem de você deitado languidamente pelado na minha cama com essa bundinha tesuda pronta para levar meu caralho! Você está me deixando maluco! – foi dizendo afobado, enquanto arrancava as minhas roupas que eu tentava malogradamente manter sobre o corpo.

Fui despejado sobre a mesa de trabalho dele sem as calças e a cueca, minhas pernas abertas foram parar sobre os ombros dele enquanto ele abria a braguilha e tirava o cacetão à meia bomba de dentro dela, pincelando-o o meu reguinho até a chapeleta sentir meu buraquinho inchado pela foda da noite anterior. Meu corpo estremeceu quando senti a cabeçorra estufada forçando a entrada onde o ardor ainda se fazia presente. Com um movimento abrupto, o Vitor empurrou a pelve contra a minha bunda fazendo a glande atravessar minhas preguinhas rotas e afundar dentro do meu cu. A dor me fez soltar um gritinho que ele imediatamente sufocou grudando sua boca à minha. Ele esperou minha fendinha se acostumar ao pauzão grosso dele enquanto o beijo devasso rolava sem pressa; lentamente ele foi se empurrando para dentro de mim, distendendo minhas pregas onde a ardência foi se intensificando à medida que o pauzão dele me preenchia.

- Ai macho! – gemi alucinado, quando ele começou o vaivém ritmado, socando o caralhão para dentro até o sacão se encaixar no meu reguinho, depois puxando-o lentamente quase todo para fora, e voltando a me penetrar tão fundo que esmagava minha próstata contra o púbis.

Foram mais algumas estocadas fortes que me fizeram revolver debaixo do peso dele quando senti uma onda descendo pela minha coluna me fazendo gozar em meio a um gemido prazeroso; ele me puxou mais forte contra si e, liberando um urro rouco no meu pescoço, deixou os jatos do gozo fluírem até a última gota.

- É assim que eu gosto, meu veadinho, está aprendendo a reconhecer seu macho! – exclamou, deixando que minhas contrações anais massageassem sua rola saciada.

- Você é maluco, sabia! Me fazer cabular as aulas para ser fodido pela sua tara desmedida! – afirmei, mal disfarçando o prazer que sentia por estar nos braços dele. – Como eu vou trabalhar com esse cu todo arregaçado, pode me explicar? – indaguei

- Esse é o segundo motivo pelo qual eu pedi que viesse me encontrar. Você vai deixar aquele emprego e vai vir trabalhar comigo, aqui! – afirmou. – A partir de hoje quero você integralmente à minha disposição.

- E o que é que eu vou fazer aqui, se nem ao menos sei quais são as suas atividades?

- Isso não importa, basta que fique longe de qualquer outro macho! Seu macho sou eu, é comigo que você deve ficar, é a mim que deve se dedicar!

- Você também é muito do abusado, sabia? Mandão!

Por imposição dele, embora eu estivesse adorando cada minuto que passava ao lado dele, virei uma espécie de secretário particular, cuidando da agenda profissional e particular dele, indo a todos os eventos e reuniões onde a presença dele era requisitada, fazendo expediente noturno extra na casa e na cama dele, onde meu cuzinho acabava invariavelmente preenchido pelo caralhão sedento dele e por sua umidade viril.

Eu ainda sentia que por trás da aparência daquele trabalho, eu continuava sendo sua putinha por mais que o salário que me pagava tivesse estabilizado todas as minhas finanças e me permitido deixar a quitinete, onde morava, mais confortável e com cara de lar.

Eu continuava contando tudo para o Ramon, era como uma válvula de escape com quem eu podia falar abertamente sobre a minha sexualidade e o relacionamento com o Vitor. Por seu lado, ele continuava afirmando que eu havia embarcado numa canoa furada e que, a qualquer momento, eu me afundaria na desilusão, afirmando que o Vitor só estava me usando. Isso tumultuava a minha relação com o Vitor por duvidar do que eu notava que ele sentia por mim, e até do que eu sentia por ele. Como nunca estive apaixonado antes e como nunca tive um relacionamento com outro homem, não sabia se o que estava sentindo era mesmo paixão ou se apenas estava deslumbrado por aquele macho lindo, gostoso, rico e dono de um pauzão que me levava às nuvens toda vez que pulsava forte no meu cuzinho.

O Vitor levou um tempo para sacar que era o Ramon que andava enfiando caraminholas na minha cabeça, ficou puto e me proibiu de manter contato com ele. Lá estava eu novamente recebendo ordens e inclinado a obedecê-las. Ao notar que eu estava me afastando, o Ramon pegou mais pesado e, numa viagem que fez para visitar parentes no interior, acabou contando para os meus pais que eu estava me engraçando por homens.

Não se passaram nem três dias para meu pai surgir do nada na porta de casa, acompanhado pelo meu irmão mais velho e, disposto a me arrastar de volta para o interior nem que fosse debaixo da chibata. Foi um encontro tenso, brigamos, levei uma surra como se fosse um adolescente marginal, ouvindo toda sorte de ofensas e palavrões.

- Tu vai voltar sim, seu veado degenerado! Não pense que vou deixar você desmoralizar o nome da família dando o cu por aí, sua bicha rameira! – afirmava meu pai ensandecido pela raiva, enquanto desferia socos na minha cara, auxiliado pelo meu irmão que me segurava para eu não revidar.

O Vitor tinha ficado de me buscar para irmos a um evento de lançamento de um projeto que ele havia desenvolvido e que a construtora iria executar. Ao chegar à quitinete, se deparou com a discussão e interveio para me livrar das mãos violentas do meu pai e irmão. Como a simples presença dele, nem a conversa civilizada que quis ter resolveram, tirou meu pai de cima de mim na base da porrada, piorando ainda mais a situação.

- Nunca mais ouse tocar num fio de cabelo do Tavinho! Eu amo seu filho, sou o homem dele e vou cuidar dele. – explodiu o Vitor quando lançou meu pai contra a parede e deu uma voadora no peito do meu irmão.

- É isso que você quer, veado do caralho, que um macho jogue na minha cara que é seu homem? Você não tem vergonha na cara, seu desgraçado? Eu te criei para ser um macho, não uma bichinha vadia! Esqueça que um dia teve uma família! Nem pense em voltar para aquela cidade e me desmoralizar, porque acabo com a sua raça! – revidou meu pai, me fazendo perder o chão e desabar num choro convulsivo.

Passei semanas me culpando por tudo. Pensei em nunca mais me encontrar com o Vitor, esperar a poeira baixar e voltar a procurar minha família para me reconciliar com eles. Abrir mão do que sentia pelo Vitor e esquecer que um dia fui feliz em seus braços. Nem mesmo com o traíra do Ramon eu podia contar agora, estava sozinho, não tinha ninguém com quem partilhar minhas angústias.

O Vitor se mostrava cada vez mais parceiro, protetor e apaixonado. Isso não pode ser mentira, ele não pode estar só me usando, ele me ama de verdade, dizia eu quando encostava a cabeça no travesseiro à noite e refletia sobre os acontecimentos do dia, onde as atitudes do Vitor falavam mais alto que qualquer palavra, me convencendo de seu amor por mim.

Nunca esperei por uma prova desse amor, mas ela veio pelo acaso do destino. Durante um encontro de empresários da construção civil, eu acompanhava o Vitor como de praxe, direcionando sua agenda e compromissos quando repentinamente, ao passar por um grupinho de empresários conversando a um canto, alguns passos atrás do Vitor, fui alvo de um comentário sarcástico e maldoso expondo minha sexualidade e um suposto privilégio sexual com meu patrão. O comentário feito sem nenhuma discrição pode ser ouvido pelo Vitor e por alguns sujeitos que estavam na companhia dele. Ele estancou, deu meia volta, enquadrou o sujeito que havia feito o comentário e o esmurrou sem dó nem piedade. Os parceiros que tentaram defendê-lo também receberam seus golpes causando um tumulto generalizado.

Perplexo, fiquei sem saber como agir. Todos olhavam para mim como pivô da briga, e responsável por aqueles empresários estarem estatelados no chão com a cara sangrando. O Vitor veio na minha direção, perguntou se eu estava bem e me conduziu pelo braço para longe dali. A força com a qual apertava meu braço ainda era reflexo da que usou para esmurrar aqueles sujeitos.

- Por que fez isso? Agora todos vão saber que está andando com um veado. O que vão pensar de você? – perguntei preocupado.

- Que pensem o que quiser, que se fodam! Ninguém tem nada a ver com a minha vida ou com quem eu ando! Você é meu, não vou permitir que te desqualifiquem! – respondeu exaltado, com a adrenalina correndo nas veias.

- Amo você! – balbuciei em voz baixa, pois não tinha mais dúvida do que sentia por ele e do que ele sentia por mim.

- Valeu a pena arrebentar a cara daqueles sujeitos para ouvir essa confissão! – disse ele, abrindo um sorriso torto devido ao lábio que começava a inchar. – A partir de hoje você se muda para a nossa casa porque não aguento mais esperar. Tenho que ter você ao meu alcance, sob minhas vistas e cuidados, debaixo de mim na cama gemendo gostoso como só você geme quando estou dentro de você. – pendurei-me ao pescoço dele e o beijei com toda paixão que revolvia meu peito.

Depois da minha saída tumultuada do armário, não havia mais porque me esconder atrás de uma pessoa que eu não era, e resolvi me assumir, assumir o Sr. Alfa como meu homem e procurar fazê-lo feliz enquanto construía a minha própria felicidade.

Como puderam constatar, o convite para morarmos juntos não foi nada romântico, bem ao estilo Sr. Alfa, quase uma imposição, uma ordem. Entrei nessa sabendo que teria muito trabalho pela frente para transformar aquele sujeito mandão num cara mais gentil, e naquele mesmo dia, comecei a executar meus planos nesse sentido. Quando fui para a cama com ele naquela noite, ao sair do banheiro de banho tomado, vesti meu “uniforme”, gravatinha borboleta e jockstrap, e caminhei sensualmente na direção dele fazendo-o encerrar rapidamente uma ligação ao celular que acabou caindo de suas mãos assim que me aproximei dele.

- Quero ser sua putinha! Só sua, para todo sempre! – sussurrei em seu ouvido ao ver aquele par de olhos se arregalando, quando uma das mãos afagou sua nuca e a outra mergulhava sutilmente na cueca dele.

- Tesão do caralho, você vai acabar me matando de tanto tesão, seu putinho gostoso! – ronronava ele quando lambi sua boca, e suas mãos me traziam para junto do corpão dele numa pegada forte.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive kherr a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários