Luanaa: Depois de tanta calmaria

Um conto erótico de Luanaa
Categoria: Heterossexual
Contém 1521 palavras
Data: 10/04/2026 21:27:08
Assuntos: Heterossexual

Gente, sei que vocês andam com saudade das nossas histórias, e olha, eu também tô com saudade de ter algo pra contar. Mas a vida entrou numa calmaria. Uma daquelas calmarias que, dependendo do ângulo, até parece paz, mas que por outro lado deixa aquela coceirinha de quem sabe que o mar pode mudar de humor a qualquer hora.

Antes de continuar, deixa eu só falar uma coisa rápida, porque os comentários tão chegando e eu leio todos. Não me incomodo, não. Opinião é opinião e eu respeito. Mas confesso que dá um certo cansaço ver tanta gente vindo só em cima de mim, como se o Jonas fosse um anjinho que eu corrompí. Gente, o homem não ficou parado assistindo tudo acontecer, tá? Ele esteve lá em cada capítulo dessa história tanto quanto eu. Mas é assim, né? A mulher sempre carrega o peso sozinha. Deixa pra lá. Não vim aqui pra brigar, vim pra contar o que rolou.

E olha, depois de tanto silêncio, finalmente tem coisa pra contar

*******""

Depois do dia no riacho com o Lázaro e a Helena, confesso que fui pra casa com aquele fogo todo ainda queimando por dentro. Vocês já leram o que aconteceu quando o Jonas me jogou na cama naquela noite... então sabem do que estou falando. Mas o que veio depois? Nada. O Jonas mergulhou de cabeça no emprego novo, aquele negócio que ele estava construindo desde que a gente chegou em Urubici, e eu me joguei na academia. Virou rotina. Acordar, malhar, almoçar, dormir. Uma vida honesta, organizada, sem sobressaltos.

A Helena ligava, às vezes. Uma voz doce, sempre com um convite na ponta da língua. "Luana, vamos marcar aquele almoço?" E eu, sem mentir, mas também sem me entregar, desconversava. "Semana que vem, Helena, tô cheia de coisas aqui." Ela ria, sem pressão, e desligava. Eu ficava ali com o celular na mão, sentindo aquela pontada de desejo misturada com algo que não era bem culpa, mas chegava perto. Porque eu mentiria se dissesse que não pensei nela. No jeito que ela me olhou no quarto quando eu saí do banheiro com o biquíni dela. No sussurro dela na minha orelha na beira do riacho. Pensei. Mais de uma vez.

Mas eu também pensei em tudo que ficou pra trás em Santa Catarina. No Pedro, na Luíza, no Maurício. Em cada vez que eu achei que estava no controle e descobri que não estava. Em cada vez que o amor que eu tenho pelo Jonas virou estilhaço no chão que a gente teve que juntar com as próprias mãos, cacos por cacos, com sangue nos dedos. Eu tinha feito uma promessa pra mim mesma. E promessa feita pra si mesma é a mais difícil de quebrar, porque não tem como culpar ninguém.

O Jonas até comentou sobre eles algumas vezes. Lázaro isso, Lázaro aquilo, "a Helena perguntou de você". Eu deixava o assunto escorregar, mudava de assunto com aquela habilidade de mulher que aprendeu na dor a não deixar a conversa ir longe demais. Ele não insistia. Talvez soubesse. Talvez respeitasse. Ou talvez estivesse tão dentro do trabalho que nem percebesse o quanto eu estava deliberadamente construindo uma parede.

Mas teve um dia que o medo voltou.

Eu estava voltando da academia, aquela caminhada de sempre, fones no ouvido, o sol de fim de tarde batendo de lado. E aí eu vi. Um carro de luxo parado numa distância que não era perto nem longe. Era o suficiente pra eu não conseguir enxergar quem estava dentro, mas era também o suficiente pra eu sentir que alguém estava me olhando. Aquela sensação que a gente reconhece no corpo antes de entender com a cabeça. O pescoço arrepiou, o estômago virou.

Acertei o passo, não corri pra não parecer que sabia, mas entrei em casa mais rápido do que o normal. Fechei a porta, fui pra janela, olhei pela fresta da cortina. O carro já tinha ido embora.

Mas o pavor tinha ficado.

Ele. Aquele homem que eu pensei ter deixado pra trás quando cruzei a fronteira de Santa Catarina. Que tinha transformado minha vida numa armadilha duas vezes, com uma paciência de quem tem tempo e dinheiro pra esperar. Será que era ele de novo? Será que Urubici não era longe o suficiente? Será que lugar nenhum era longe o suficiente?

Não falei pro Jonas. Não queria transformar suspeita em pânico, não queria que ele achasse que eu estava ficando paranoica, não queria reabrir conversas que a gente tinha enterrado com tanto cuidado. Mas passei a evitar sair mais do que o necessário. Academia, mercado, casa. O triângulo da minha nova vida segura.

E foi assim que as semanas foram passando, quietas por fora, barulhentas por dentro.

A chuva chegou em Urubici como chega tudo que a gente não esperava: devagar, e depois de uma vez só.

Foram semanas de temporal. Aquele tipo de chuva que não é romântica nem aconchegante, é bruta, insistente, do tipo que entra pelas frestas que você jurava que não existiam. E foi exatamente isso que aconteceu na nossa casa. Jonas acordou uma manhã, foi tomar banho e me chamou com uma voz que eu já conhecia. A voz de problema. A parede do quarto dos fundos estava escurecida, o teto da área de serviço com aquela mancha redonda que cresce enquanto você olha. Infiltração. Séria.

Foi preciso contratar uma equipe. Chegaram numa segunda-feira cedo, aquela turma barulhenta que transforma a casa da gente num canteiro de obras. Poeira, barulho de marreta, a rotina virada do avesso. Jonas aparecia de manhã, dava uma olhada, trocava duas palavras com o mestre de obras e sumia pro trabalho deixando tudo na minha mão. Típico.

Foi aí que eu reparei nele.

Não foi de uma vez, sabe? Foi aquela coisa que vai chegando aos poucos, como a infiltração. Um dia eu estava levando água pra turma e ele estava ali, com a camiseta jogada no ombro, conversando com o colega. Baiano. Pele clara, daquele tom que parece ter sido feito com cuidado, nem alto nem baixo, mas com um jeito no corpo que prendia o olhar. Um sorriso fácil, daqueles que aparecem sem esforço e somem deixando a marca.

Comecei a puxar conversa. Primeiro sobre o serviço, depois sobre ele. Fui descobrindo que era da Bahia, e aquilo me acendeu uma curiosidade genuína. Perguntei sobre Salvador, sobre as praias, sobre como era a vida por lá. Ele falava com os olhos brilhando, aquele entusiasmo de quem ama de verdade o lugar onde nasceu. Me contou que não era bem de Salvador, mas de uma ilha enorme do outro lado da baía. Itaparica.

"Itaparica?" eu repeti, e ele riu do meu espanto.

Me descreveu aquilo como se estivesse pintando um quadro. Água verde, mangue, a vista de Salvador do outro lado, as festas, o peixe fresco, o ritmo diferente de tudo. Eu estava encantada. Completamente. Ficava esperando a hora do almoço só pra ter mais dez minutos de papo com ele sobre aquela ilha que eu nunca tinha ouvido falar.

Um dia eu falei que ia convencer o Jonas a ir conhecer. Ele sorriu, aquele sorriso de canto de boca, e disse: "Se um dia você aparecer por lá, me procura. Vou estar de volta assim que acabar esse serviço aqui."

Eu disse que sim. E senti que dizia de verdade.

A reforma terminou, a equipe foi embora, a casa voltou a cheirar a tinta nova e a possibilidade. Tudo parecia estar voltando ao normal. Aquela calmaria de novo, mas uma calmaria diferente, com mais cor.

Foi quando o celular vibrou com uma mensagem da Luíza.

*"Luana! Tô louca de saudade. No próximo feriadão a gente aparece aí, eu e o Pedro. Pode ser?"*

Eu sorri sozinha ali na cozinha. Luíza. Aquela menina linda, jovem, com aquela energia que enchia qualquer ambiente. Pedro. O Pedro que eu conhecia tão bem. Uma mistura de saudade e de calor subiu no meu peito, e eu respondi que sim antes mesmo de falar com o Jonas.

Mas o Jonas chegou naquele mesmo dia com uma novidade que eu não esperava.

Entrou pela porta já falando, largou a bolsa, me deu um beijo rápido e disse que tinha falado com o Lázaro. Ele ia viajar a trabalho e estava preocupado em deixar a Helena sozinha com a equipe de manutenção que estava na casa deles. As chuvas tinham feito estrago por lá também. Lázaro perguntou se Helena podia ficar com a gente dois, três dias enquanto tudo fosse resolvido.

Eu fiquei quieta um segundo.

Jonas me olhou esperando uma reação.

Eu não disse nem sim nem não de imediato. Fiquei ali com aquela Helena na cabeça, o sussurro dela no riacho, o olhar que me percorreu quando saí do banheiro com o biquíni dela. Mas também fiquei com a minha promessa. Com tudo que eu tinha construído com tanto custo.

"Tudo bem", eu disse por fim. "Mas vou precisar comprar alguns lençóis."

Jonas riu, aliviado, e foi pra cozinha pegar água. Não viu o olhar que eu fiz pro nada enquanto ele se afastava.

A calmaria, gente. Parece que ela nunca dura muito.

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Comentários

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Lu não fica chateada, mas é que para qualquer mulher é mais fácil trair, porque homem nenhum nega sexo com uma mulher quando ela quer. E se for linda como vc então, da pra quantos e quando quiser. Para os homens não é bem assim, certesa de sexo mesmo só pagando, pois de outra maneira tem que se virar nos 30. Entenda uma coisa, homem transa quando pode e a sorte ajudar, mulher transa quando quer. Entaão é mais fácil te culpar porque na relação de poder sobre sexo vc e qualquer mulher da de 10 a 0 no Jonas e qualquer homem porquê no final so vai acontecer se vc quiser. Bj e bem vinda novamente.

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Quando tiver uma traição num casal, a culpa sempre será de uma mulher, pois é dela o poder do não, caso contrário seria estupro e não traição

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Foto de perfil genérica

Depois de tanto tempo sem aprecer, foi muito curto este conto!!

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