Mateus acordou com o som abafado do trânsito na Rua Voluntários da Pátria, lá embaixo, em Botafogo. O relógio digital no celular marcava 9:47 da manhã, mas o quarto ainda estava escuro, as cortinas blackout bem fechadas como sempre. Ele piscou devagar, sentindo o peso familiar da preguiça e do cansaço que nunca ia embora de verdade. Aos 22 anos, magrelo, pele branquíssima que nunca pegava sol de verdade, óculos de grau fundo que escorregavam no nariz, ele se sentia mais um fantasma do que uma pessoa. O apartamento era pequeno, um conjugado de 28 metros quadrados que ele alugava com o dinheiro do freelance de programação. As paredes eram brancas e sem graça, cobertas por pôsteres de jogos antigos e uma prateleira lotada de livros de código e mangás empilhados. A cama desarrumada ocupava quase metade do espaço, o notebook aberto na mesinha de cabeceira ainda com a tela piscando em modo de economia de energia.
Ele se espreguiçou, sentindo o pau pequeno que mal chegava a 11 centímetros quando duro roçar contra a cueca boxer cinza desbotada. Já estava meio inchado, como quase todas as manhãs. “Mais um dia”, pensou ele, passando a mão pelo cabelo castanho liso e bagunçado. Levantou devagar, os pés descalços tocando o piso frio de cerâmica. Foi até o banheiro minúsculo, escovou os dentes olhando no espelho rachado. Os olhos castanhos por trás das lentes grossas pareciam cansados, com olheiras leves de quem dormia mal. “Você é patético, Mateus. Olha só pra você. Um branquelo nerd que nem sai de casa direito.” O pensamento veio automático, como sempre. Ele não sabia exatamente quando tinha começado a se odiar assim, mas sabia que o pornô tinha piorado tudo.
Voltou pro quarto, abriu a geladeira da cozinha americana um iogurte natural, um pão de forma velho e uma garrafa de refrigerante zero. Comeu em pé, mastigando sem fome de verdade, enquanto o celular vibrava com notificações. E-mails de clientes pedindo correções no código, uma mensagem da UFRJ lembrando da aula online das 11h e, claro, as notificações silenciosas dos sites de pornô que ele deixava abertos no modo anônimo. Ele ignorou tudo por um momento e sentou na cadeira gamer preta, o notebook ligando com um zumbido baixo. A tela iluminou o rosto pálido dele. Pastas secretas no desktop: “BNWO Hypno BR”, “White Extinction”, “Reparações Raciais”. Mais de 12 mil arquivos, organizados por data e intensidade. Ele abriu uma aba nova, o coração já acelerando só de ver as thumbnails.
Mas não era hora ainda. Ele tinha trabalho. Abriu o VS Code, o projeto de um app de delivery que estava desenvolvendo pra um cliente em Copacabana. Digitou por quase uma hora, o código fluindo fácil porque ele era bom nisso um dos poucos elogios que recebia na vida. “Freelance bom, dinheiro entrando, vida estável”, repetia pra si mesmo como um mantra. Mas o pau latejava dentro da cueca, pedindo atenção. Ele apertou as coxas, tentando ignorar. “Depois do almoço”, prometeu mentalmente. Mentira. Ele sempre quebrava a promessa.
Às 10:45, a urgência venceu. Mateus trancou a porta do apartamento como se alguém fosse entrar, baixou a calça até os tornozelos e abriu o arquivo de hypno que mais gostava: um vídeo longo, em português, com voz feminina grave falando sobre superioridade negra, sobre como brancos beta como ele existiam pra servir, pagar e goonar. Ele lubrificou a mão com um pouco de óleo que guardava na gaveta, o pau já duro e vazando pré-gozo. Começou devagar, edging como sempre. Não era pra gozar rápido. Era pra ficar horas no limite, o cérebro derretendo em prazer e culpa.
“Porra… olha esse pau preto… olha como ele merece tudo”, murmurava sozinho, os olhos vidrados na tela. A voz da mulher no vídeo repetia: “Brancos fracos como você nascem pra pagar reparações. Seu dinheiro, seu corpo, sua porra inútil.” Ele parava no limite, respirava fundo, contava até dez e voltava. Uma hora se passou. Duas. O quarto cheirava a suor e lubrificante. O pau dele latejava vermelho, as bolas pesadas, mas ele não gozava. Edging era o vício principal goonar por 5, 6 horas seguidas, às vezes até 8, até o corpo doer e a mente virar gelatina. Ele trocava de vídeo, abria pastas, assistia compilados de creampies, de pés pretos sendo adorados, de nerds brancos de joelhos. “Eu sou igual a eles”, pensava, o tesão misturado com uma vergonha quente que só deixava ele mais duro.
Parou só quando o estômago roncou alto. Eram 13:20. Levantou, as pernas bambas, pau ainda duro e brilhando. Foi até a cozinha, esquentou uma marmita de arroz com feijão e frango que tinha sobrado do dia anterior. Comeu na frente do notebook, uma mão na colher, a outra roçando distraidamente no pau por cima da cueca. “Você não merece nem comer direito, Mateus. Olha o que você faz com o dinheiro que ganha.” Ele ganhava bem pro padrão de um estudante freelancer uns 4 mil reais por mês, às vezes mais com jobs extras. Mas quase tudo ia pra contas, aluguel e… pornô premium, OnlyFans de dominatrixs negras que ele seguia anonimamente, doações pra perfis de “causa BLM” que na verdade eram só pra alimentar o fetiche.
Depois do almoço, ele tentou voltar pro trabalho. Abriu o Zoom pra aula da UFRJ, Ciência da Computação, semestre avançado. O professor falava de algoritmos de machine learning, mas Mateus mal prestava atenção. A câmera dele estava desligada, claro. Ele ficava no canto da tela, o pau ainda semi-duro, e abria uma aba escondida só pra dar uma olhada rápida. “Só cinco minutos”, dizia pra si mesmo. Virou uma hora. Quando a aula terminou, ele já estava goonando de novo, leve, sem lubrificante dessa vez, só pra manter o tesão no fundo.
Às 16h, ele decidiu sair. Precisava de ar. Vestiu um short largo, camiseta preta folgada e chinelo. Desceu o elevador do prédio simples, cumprimentou o porteiro com um aceno tímido e saiu na rua movimentada de Botafogo. O sol do Rio batia forte, mesmo no fim da tarde. Caminhou devagar até a Praia de Copacabana, uns 20 minutos de perna. As pessoas passavam: casais, turistas, grupos de amigos rindo alto. Ele se sentia invisível. Magrelo, pálido, óculos, postura curvada de quem passa o dia na frente da tela. Ninguém olhava pra ele. “Melhor assim”, pensou. Se olhassem, talvez vissem o viciado que ele era.
Sentou num banco de frente pro mar, o vento salgado bagunçando o cabelo. Tirou o celular do bolso só pra checar mensagens, jurou. Mas abriu o Telegram e entrou num grupo fechado de BNWO Brasil. Mensagens rolando: subs brancos postando provas de pagamento, dominatrixs negras rindo deles. Ele leu tudo, o pau endurecendo de novo no short. “Eu podia ser um deles. Mandar um pix agora, sem ninguém saber.” Mas não mandou. Ainda não. Era só fantasia. Ele fechou o app e ficou olhando o mar, o Pão de Açúcar ao fundo. Pensou no pai.
O pai tinha morrido a um bom tempo. Câncer. Era um homem alto, forte, engenheiro, daqueles que consertavam tudo em casa e ainda levavam a família pra churrasco no fim de semana. “Um homem de verdade”, como a mãe sempre dizia. Mateus idealizava ele. “Se ele soubesse o que eu faço… se ele visse o filho dele virando isso…” A culpa apertava o peito, mas misturada com um tesão doentio. Ele imaginava o pai decepcionado e, em vez de parar, o pau latejava mais forte. “Eu sou o oposto dele. Um branco fraco que merece pagar.”
Voltou pro apartamento quando o sol começou a baixar. Eram quase 18h. O corpo cansado da caminhada, mas a mente ainda acelerada. Tomou um banho rápido, a água fria tentando acalmar o tesão constante. Secou-se, vestiu só uma cueca limpa e sentou de novo na cadeira gamer. Agora sim. Hora da sessão principal.
Abriu quatro abas ao mesmo tempo. Hypno em uma, compilado de pés pretos sendo lambidos em outra, um vídeo longo de “white boy gooner” em terceira. Lubrificou bem, segurou o pau pequeno com firmeza e começou. Devagar no início, depois mais rápido, depois parando no limite. “Eu existo pra isso”, murmurava, a voz rouca. “Pau branco inútil. Dinheiro branco inútil. Eu devia estar pagando alguém de verdade.” As horas passaram. 19h, 20h, 21h. Ele trocava de posição às vezes deitado na cama, às vezes de quatro no chão, imaginando que alguém mandava ele parar. Edging insano. O pau doía de tão sensível, as bolas inchadas, o pré-gozo escorrendo sem parar. Ele cheirava os próprios dedos, lambia o lubrificante, se humilhava em voz alta.
“Olha pra você, Mateus. 22 anos e nunca comeu uma mulher de verdade. Só punheta, só pornô, só fantasia de ser escravo.” Pensou na mãe, Dona Neuza, lá em Niterói. Viúva há oito anos, trabalhadora, dona de casa que criava ele sozinha com o pouco que o pai deixara. Ela ligava toda semana, perguntando se ele estava comendo direito, se estava estudando. “Se ela soubesse… se ela visse o filho dela goonando horas por dia pensando em preto dominando branco…” A ideia era humilhante e excitante ao mesmo tempo. Ele nunca contaria. Nunca.
22h30. O corpo tremia. Ele não aguentava mais. Aumentou o volume do hypno, a voz da mulher gritando “goona pra reparação, branquelo! Goza pensando que seu dinheiro não é seu!”. Mateus acelerou a mão, o pau latejando, e finalmente gozou. Um orgasmo longo, seco no começo, depois jatos fracos que sujaram a barriga pálida e a coxa. Ele gemeu alto, o corpo convulsionando, os óculos embaçados de suor. Ficou ali, ofegante, olhando o teto. O pornô ainda rodando na tela.
O vazio veio logo depois. Como sempre. A clareza pós-gozo era cruel. “Porra… mais um dia perdido. Eu sou um viciado. Um degen. Um nada.” Ele limpou a porra com lenços de papel, jogou no lixo e ficou sentado, nu, olhando o notebook. O relógio marcava 23:10. Tinha perdido o dia inteiro. Trabalho atrasado, aula assistida pela metade, vida social zero. Thiago, o único amigo próximo da UFRJ, tinha mandado mensagem mais cedo: “Bora jogar algo amanhã?” Ele nem respondeu ainda. Thiago era mais fraco que ele, mais inseguro, mas pelo menos saía de casa de vez em quando.
Mateus fechou o notebook, apagou a luz e se deitou. O corpo exausto, a mente ainda ecoando as vozes do hypno. “Amanhã eu paro. Amanhã eu foco no trabalho. Amanhã eu ligo pra mãe e pergunto como ela está.” Mentiras. Ele sabia que amanhã seria igual. Acordar, punheta, trabalho, punheta, caminhada solitária, punheta até dormir. A mesma rotina de gooner solitário em Botafogo, o Rio de Janeiro pulsando lá fora com vida que ele não conseguia tocar.
Mas algo no fundo da mente sussurrava diferente hoje. O evento BLM na UFRJ que ele tinha visto no Instagram da faculdade. “Só por curiosidade”, pensou, virando de lado. “Só pra ver como é de verdade. Não vai mudar nada.” Fechou os olhos, o pau pequeno ainda sensível dentro da cueca limpa. O sono veio devagar, pesado, cheio de sonhos confusos de pés pretos, vozes mandando ele pagar e servir.Ele não sabia ainda, mas aquele dia vazio era o último de verdade. Amanhã, na Praia Vermelha, tudo ia começar a mudar. Devagar. Sem pressa. Como ele sempre precisou.