Eu mando no jogo - capítulo 1

Da série Eu mando no jogo
Um conto erótico de Hiroki
Categoria: Heterossexual
Contém 1314 palavras
Data: 09/04/2026 23:29:17

O apito do técnico cortou o ar quente do ginásio como um soco no peito e eu já tava no ar antes mesmo dele terminar de gritar “bloqueio!”. Pulei com tudo, 1,80 m de pura energia pura, braço esticado pra cima, mão aberta, palma ardendo de expectativa. A bola veio voando e eu senti aquele impacto seco, perfeito, o couro batendo forte contra minha pele suad a. Meu corpo inteiro vibrou — coxas queimando, bunda empinada no shortinho justo, peitos marcando na regata preta e azul do time como se quisessem explodir pra fora. Quando caí de pé no chão de madeira rangente, o suor escorreu pelo meu pescoço, desceu entre os seios e eu ri alto, aquele riso rouco que sai do fundo da garganta quando tô me sentindo a dona do mundo.

— Puta que pariu, Rafa! Isso aí, caralho! — gritou a Lara do outro lado da rede, batendo palma no ar com aquele jeito dela de capitã que sempre me inspira.

Eu fiquei parada um segundo, ofegante, sentindo o coração martelando dentro do peito. O ginásio tava um forno. Sol de fim de tarde entrando pelas janelas altas, luz dourada batendo nas linhas da quadra, ventiladores girando no talo mas quase nada adiantando. O ar cheirava a borracha quente, suor de mulher e aquele perfume barato de desodorante que a gente usa antes do treino. Meu cabelo preto curto tava totalmente bagunçado, colado na testa e na nuca, e eu passei a mão pra tirar o excesso de suor. Sentia cada músculo latejando — as pernas grossas de tanto agachamento, a barriga tanquinho brilhando, os ombros largos de quem carrega o time nas costas. Eu me sentia poderosa. Viva. Como se o mundo inteiro tivesse que me obedecer ali dentro da quadra.

No intervalo, peguei a garrafinha de água gelada e dei um gole longo, deixando a água descer pela garganta e refrescar um pouco o calor que subia do meu corpo. Enfiei o fone de volta no ouvido e “Só os Loucos Sabem” do Charlie Brown Jr. explodiu na minha cabeça. Comecei a rebolar sozinha no canto, balançando o quadril devagar, sentindo o short jeans rasgado (que eu uso até fora da quadra) roçando na pele suada. As meninas riam ao meu redor, mas eu não ligava. Rock era minha vida. Era o que me fazia esquecer tudo — o estresse da faculdade, as contas do apê apertado em Pinheiros, e principalmente aquele medo idiota de altura que me pegava de surpresa.A Mari se aproximou, morena, baixinha, enxugando o rosto com a barra da camisa do time. Ela tava vermelha, ofegante, mas com aquele sorriso tímido que eu adorava zoar.

— Rafa, você é doida mesmo. Tá dançando com o fone no meio do treino agora? — perguntou, rindo.

Eu tirei só um fone, sorri de lado e pisquei pra ela. Meu corpo ainda latejava do último bloqueio. Sentia o suor escorrendo pelas costas, colando a regata na pele, e aquilo me dava um tesão estranho de poder. Como se eu fosse maior que tudo.

— Tô me preparando pra vida, Mari. Se a gente não curte o rock nem no treino, pra que que serve? — respondi, voz alta e extrovertida como sempre. — E olha, eu gosto de mulher também, sabia? Mas tô solteira e sem paciência pra homem que quer mandar em mim. Prefiro mandar eu mesma. Gosto de mulher também, mas agora tô focada em mim, entende?

A Lara, nossa capitã loira, quase tão alta quanto eu, veio correndo e jogou o braço no meu ombro suado. O contato da pele quente dela na minha me deu um arrepio bom — nada sexual ali, só aquela cumplicidade de time. Mas eu não negava que, às vezes, olhar pras meninas suadas e fortes me deixava com um friozinho na barriga. Bi era bi, né?

— Ai, lá vem a Rafa com o papo de bi de novo! — riu a Lara, apertando meu ombro. — Vai, conta pra Mari como você domina até no papo. Essa menina aqui é intensa pra caralho, Mari. Se ela quiser te mandar sentar no chão, você senta e agradece.

Mari ficou vermelha na hora, mas riu também, mordendo o lábio inferior.

— Nossa, Rafa… você é intensa pra caralho mesmo. Eu adoro ouvir, mas às vezes fico pensando… como que você consegue ser assim tão… no comando?

Eu dei de ombros, ainda com o fone pendurado no pescoço, o rock pulsando baixo agora. Senti um orgulho quente subindo no peito. Era bom ser vista assim — a tomboy alta, branca, cabelo bagunçado, corpo de atleta que não pedia licença pra ninguém. Mas por dentro, enquanto as meninas zoavam, eu pensava no medo que me corroía às vezes. Tipo agora. Olhei pro mezanino do ginásio, pra aquela escada rolante metálica lá em cima, e meu estômago deu um nó instantâneo. O coração acelerou de um jeito diferente, não de excitação do treino, mas de pavor puro. Minhas mãos suaram mais. “E se eu subir ali pra pegar uma bola perdida e olhar pra baixo? Caralho, não consigo nem imaginar.” Fiquei parada um segundo, paralisada, sentindo o ar faltar. Ninguém notou. Eu sacudi a cabeça rápido, forcei um sorriso largo e voltei pro treino como se nada tivesse acontecido. A rainha da quadra não podia mostrar fraqueza, né?

O técnico apitou de novo. Voltei pra posição, joelheiras pretas no chão rangente, cabelo bagunçado caindo nos olhos, corpo todo brilhando de suor. Enquanto esperava a bola subir, senti cada detalhe: o cheiro de madeira envernizada misturado com nosso suor coletivo, o calor subindo pelas coxas, o latejar gostoso nos ombros depois de tantos bloqueios. Pulei de novo, bloqueei outra bola com força, e o impacto me fez gemer baixinho de satisfação. Era isso. Aqui eu mandava. Aqui ninguém me domava. O rock voltou no fone — agora era Raimundos, “Mulher de Fases” — e eu rebolei no meio do ponto, rindo sozinha enquanto as meninas gritavam meu nome.

No fundo da quadra, depois de mais uma sequência perfeita, eu me sentei no banco, pernas abertas, regata colada no corpo marcando cada curva. Peguei a toalha e passei no rosto, mas o suor não parava. Meu corpo tava vivo, pulsante. Eu pensava nas vezes que saí com caras que tentavam me controlar — um querendo me dizer como jogar, outro querendo me mandar calar a boca no meio da festa. “Nunca mais”, pensei. “Tô cansada de cara tentando me domar.” Queria alguém que entendesse meu jeito. Alguém que olhasse pra minha altura, pra minha energia, e em vez de querer me abaixar, quisesse se ajoelhar. Alguém que me deixasse mandar no jogo e ainda assim me fizesse sentir desejada pra caralho.As meninas vieram pro intervalo final, rindo e se jogando no chão ao meu lado. Lara me deu um soco leve no braço.

— Você hoje tá imbatível, Rafa. Se continuar assim no campeonato, a gente leva tudo.Mari, ainda vermelha, acrescentou baixinho:

— E você falando que gosta de mulher… nossa, me deixa curiosa. Mas sério, você merece alguém que te acompanhe nesse fogo todo.

Eu ri alto, jogando a cabeça pra trás. O rock ainda tocava no fone, o suor secando devagar na pele, o ginásio inteiro parecendo pequeno diante da minha energia.— Mereço mesmo. E quando eu encontrar, vai ser do meu jeito. Eu mando. Ele obedece. E vai ser bom pra caralho pros dois.

O treino terminou com mais um bloqueio meu que fez o ginásio inteiro vibrar. Eu saí da quadra suada, exausta e feliz, o corpo doendo gostoso, o coração cheio. Ainda não conhecia o Theo. Ainda não sabia que aquele nerd magrelo de óculos ia entrar na minha vida e mudar tudo. Mas enquanto caminhava pro vestiário, short jeans colado na bunda, All Star surrados batendo no chão, eu sentia que algo tava pra mudar.Tô cansada de cara tentando me domar.Um dia eu vou mandar de verdade. E ele vai adorar cada segundo.

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