O Jantar com o Amante: Uma Revelação Inesperada.
(Introdução).
Rafael e Letícia decidiram apimentar a sua relação incluindo outra pessoa. Era para ser apenas uma única vez, mas ela manteve o relacionamento com o Raul. Rafael aceitou a situação por temer perder seu grande amor, Letícia.
Ele é um homem muito bonitão, elegante, simpático, de pele clara e corpo definido — o tipo "magro falso". Além disso, possui uma vida financeira perfeita. Já Raul é um homem marcado pela dureza da profissão e por grandes dificuldades financeiras; um alemão bonitão, alto, forte, de 41 anos e separado há dez. O que começa como um triângulo instável se transforma radicalmente após o encontro dos dois homens. Diante das trapaças de Letícia, eles criam uma amizade profunda que se torna uma paixão entre dois homens heterossexuais feridos, que descobrem que o respeito e o amor que buscavam nela, na verdade, estavam um no outro.
(O Texto).
Ela já estava com o Raul há quase um ano. Durante esse tempo, eu nunca quis conhecê-lo; sentia ciúmes, raiva e não queria passar a imagem de "corno manso". Porém, ela sempre dizia que ele me elogiava e me respeitava muito. Foi então que decidi propor um jantar para nós três em nossa casa.
O grande dia chegou. Era um sentimento estranho: eu estava excitado, nervoso e com uma ponta de ciúmes por finalmente encarar o homem que transava com a minha mulher com a minha aprovação. Ela estava linda; começou a se produzir três horas antes. Por volta das 21h, ele avisou que estava chegando. Subi correndo para trocar de roupa e, quando desci, os dois estavam discutindo na porta. Só ouvi ele falando que não iria aceitar aquilo, que nós dois não merecíamos o que estava acontecendo.
Ao me ver, ele sorriu e estendeu a mão com firmeza. Tive a nítida sensação de já tê-lo visto antes. Aquele rosto, o tom de voz... havia algo familiar. Enquanto conversávamos, a memória finalmente estalou. Descobri de onde eu o conhecia: o Raul tinha sido namorado da minha irmã quando tínhamos uns 17 ou 18 anos. Ele também acabou lembrando de mim, embora na época eu fosse dez anos mais novo que ele. Ele deu detalhes daquela época, de quando ia almoçar na casa da minha família.
— Então, podemos jantar, amor? — perguntei, tentando manter o controle. — Quase esqueci que hoje sou o cozinheiro. Fiquem à vontade.
O jantar correu bem. Bebemos muito, enquanto ela não tomou nada. Ele elogiou o tempero, brincando que sua única habilidade na cozinha era não deixar o café queimar. Quando voltamos para a sala, o celular dela tocou. Era a mãe dela, dizendo que não estava passando bem.
— Tenho que ir, meus amores! É a mãe, volto amanhã à tarde.
Notei que ela ainda usava aquele vestido longo e elegante. Antes que ela saísse, eu intervi:
— Espera aí, amor. Vai assim? Passa no quarto e troca de roupa. Não tem necessidade de sair de vestido longo para cuidar da minha sogra.
Ela, porém, deu uma desculpa apressada e não quis trocar de roupa de jeito nenhum, dizendo que não havia tempo a perder. Mal eu sabia que ela insistia naquele visual porque seu plano real era se encontrar com o Felipe em segredo. Após um beijo, ela saiu.
Ficamos em um silêncio súbito. Agora, estávamos sentados lado a lado no sofá. Nossos olhares às vezes se cruzavam e ficávamos sem falar nada por alguns segundos, apenas sentindo a presença um do outro e o peso de tudo o que havia sido descoberto naquela noite.
— Bom, Raul... enfim nos conhecemos, mas em uma situação inesperada e constrangedora — comentei, quebrando o gelo.
— É, bem constrangedora — admitiu ele. — Mas, para mim, está sendo ótimo assim mesmo. Acho que está muito melhor agora.
— Falou tudo! — ri e servi mais vinho. — Mas na real, o que achou de mim?
— Sinceramente? Nada do que eu imaginava. Você é um cara bonitão, elegante, honesto e muito justo, indiferente do que ela me falava. Uma boa pessoa.
— Eu também não imaginava como você seria, mas realmente fiquei impressionado. Você é muito apresentável, bonitão também — confessei, rindo. — Fala um pouco de você, Raul. Tua idade, o que faz... enfim, tudo!
— Tenho 41 anos, sou Policial Militar. Moro sozinho, sou separado e gosto de esportes e festas — não muito "ajeitadas", entende? Gosto de sexo e preciso espairecer às vezes, pois lido com muita pressão no trabalho. E você?
— Eu tenho 31 anos e sou o que muitos policiais odeiam: advogado.
Aproximei-me um pouco mais, sentindo o clima mudar e a tensão entre nós crescer.
— Me fala uma coisa, agora que estamos a sós... Como é quando vocês estão juntos?
Ele se encostou no sofá e me encarou profundamente.
— Você quer os detalhes, Rafael? Tudo bem. Ela sempre deixou claro: você é o porto seguro, o marido perfeito. Eu ocupo um espaço diferente. No meu aniversário, ela me deu um anel idêntico ao seu. A verdade é que criamos uma vida de casal. Quando a porta se tranca, eu sou o dono dela. Passamos o tempo testando nossa resistência na cama. Ela sempre foi voraz o suficiente para preencher meu desejo. Nunca senti falta de uma terceira pessoa.
Eu o ouvia atentamente, mas a discussão na porta ainda ecoava na minha mente.
— Tá certo, Raul. Mas ela não tem mais ninguém além de nós dois?
O semblante dele caiu imediatamente.
— Então, parceiro... é muito difícil falar isso. Eu não queria te contar nada, mas me sinto obrigado a falar sobre o que está me preocupando muito. Sabe aquele meu amigo, o Felipe? Ele é meu parceiro de farda, trabalhamos juntos e ele é quase um irmão para mim. Por causa dessa amizade, ele estava sempre no meu apartamento.
Raul suspirou, com o olhar perdido.
— Eu via que ela sempre dava intenções de ter alguma coisa com ele, mas eu tentava ignorar por confiar no meu amigo de farda. Até que um dia, eles tiveram uma transa no meu próprio apartamento. Eu estava no quarto dormindo — ou pelo menos eles achavam que eu estava. Eu acordei e acabei assistindo a uma boa parte da transa dela com o meu amigo. Ela te traiu duas vezes, e está me traindo agora, nesse exato momento.
— Como assim, agora? — perguntei, sentindo o sangue ferver.
— Na verdade, a discussão que tu flagrou na porta era porque ela me falou que, depois do jantar, iria sair e diria para você que ia para a casa da mãe dela. Mas a verdade é que o Felipe está esperando por ela na esquina da sua casa agora mesmo, para eles irem para a sua casa de praia até amanhã à tarde.
Olhei para o Raul e senti uma calma repentina, uma clareza que nunca tive antes.
— Na verdade, Raul, mesmo sabendo de mais uma das trapaças dela, eu ainda estou bem. A minha vontade maior neste momento é estar aqui, sendo respeitado por uma pessoa que nunca me viu e que está me deixando muito feliz com essa nossa conversa. Uma conversa que, por sinal, é sem mentiras, sem nada oculto. É algo que eu nunca tive com a Letícia; sempre houve mentiras ou carinhos falsos para me arrancar dinheiro e financiar as safadezas dela. Tu acha que eu vou cobrar alguma coisa dela sobre isso? Bem capaz. Nem vou me preocupar com o que ela faz ou fez. O que vou fazer agora mesmo é bloquear todos os seus cartões de crédito, bloquear seu telefone e excluir tudo o que ela possa usar para nos humilhar mais. Então, o que você acha?
— É... na verdade, você está muito certo — ele concordou, com um meio sorriso.
— Então esqueça tudo isso. Vamos beber, ouvir umas músicas ,deixar que ela fique no passado.
— Tá certo, tá muito certo! Mas tenho outra ideia para nós — disse ele, aproximando-se.
— Humm... fala. Qualquer coisa que decidirmos hoje vai ser realizado sem limites nos meus cartões.
— Opa! Então vamos agitar a noite hoje.
Vamos sair, ir a uma boate muito boa que eu conheço. Só que as bebidas são um pouco caras. A entrada eu não pago, tenho meus contatos.
— Cara, é isso mesmo que vamos fazer! — Levantei-me, estendendo a mão para ele. — Olha só, hoje não teremos restrições para realizar a nossa diversão. Nesta e em muitas outras noites que virão, desde agora, nós vamos ser felizes, sem receio de buscar a nossa felicidade, custe o que custar. A nossa prioridade é ser feliz, ter diversão incluindo apenas nós dois, ter os nossos prazeres sem só pensar nos prazeres da Let. Vamos fazer o que não tínhamos há um ano ao lado de uma pessoa que só se importa consigo mesma.
Subimos para o meu quarto para eu trocar de roupa, o Raul ficou sentado na nossa cama esperando eu escolher uma roupa ideal e semelhante à que ele estava usando. Quando eu tirei minha roupa, ficando apenas de cueca, ele ficou parado me olhando com um pouco de receio.
