O Mestre da Vontade ep:3 - O chamado da porta cinza

Um conto erótico de feminive
Categoria: Heterossexual
Contém 1060 palavras
Data: 07/04/2026 18:53:44

Capítulo 3

O desconforto daquela situação pesava mais que o próprio ar abafado do café. Eu forcei um aceno, um "está tudo bem" anêmico, apenas para salvar o que restava da minha dignidade enquanto ela se afastava. Fiquei ali, parado, assistindo ao movimento rítmico das suas ancas pelo salão, que bunda linda; o uniforme apertado acentuava curvas que pareciam um deboche silencioso à minha solidão. Que mulher gostosa, pensei, sentindo um gosto amargo de oportunidade perdida misturado ao café que nem havia chegado.

Tentei focar na tela do notebook, mas uma pontada aguda no dedo me distraiu. Era uma dor pulsante, como se o sangue estivesse lutando para passar por um desfiladeiro estreito. A tensão da conversa devia ter me feito inchar, ou eu tinha apertado a mão com força demais e feito o anel cortar a circulação do dedo.

Levei a mão esquerda à direita para afrouxar o anel, mas meus dedos deslizaram sobre o metal sem que ele se movesse um milímetro.

— Mas que porra é essa? — sussurrei, sentindo o suor frio brotar na nuca.

Eu tinha certeza absoluta: minutos atrás, aquela peça de bicheiro sambava no meu dedo, frouxa e irritante. Agora, o aro de prata fosca parecia ter se fundido à minha pele. Ele estava perfeitamente ajustado, abraçando a base do dedo com uma precisão cirúrgica que desafiava a lógica. Tentei girá-lo, usei a unha para forçar a borda, mas o metal estava firme, como se tivesse sido forjado ali mesmo, no calor do meu corpo.

Meu coração deu um solavanco. "Eu não estou maluco", repetia mentalmente. A memória do anel caindo enquanto eu digitava era vívida demais para ser um erro de percepção.

Lembrei-me na hora dos truques do meu avô. O velho era mestre em enganar os sentidos. Talvez fosse algum tipo de liga metálica de memória térmica? Alguma reação química obscura com o suor ou com o calor da pele que fazia o metal se retrair? Fazia sentido. O velho adorava essas bugigangas pseudocientíficas que comprava de fornecedores duvidosos para impressionar os otários.

Mas, por mais que eu tentasse racionalizar, havia um calor vindo da pedra amarela que não parecia ter nada a ver com química. Era uma vibração sutil, um zumbido que eu não ouvia com os ouvidos, mas sentia nos ossos do braço.

Olhei para a balcão. A garçonete estava de costas, mas, de repente, ela parou o que estava fazendo e olhou por cima do ombro, direto para mim. O olhar dela não era mais de desculpa. Era algo mais profundo, mais confuso.

O anel pulsou de novo. E, dessa vez, a dor deu lugar a uma onda de confiança absurda que eu nunca tinha sentido na vida.

"O que essa filha da puta tá me olhando agora com essa cara de cu?", pensei, desviando os olhos para a tela do notebook e fingindo uma concentração que eu não tinha. Eu sentia o peso do olhar dela enquanto organizava minhas janelas de trabalho, vigiando-a pelo canto do olho. Quando ela finalmente se aproximou para trazer o pedido, o clima estava pesado. Aquele brilho natural que ela carregava, aquela luz que parecia emanar da pele, tinha se apagado completamente. Ela parecia oca, estranha.

A vontade de perguntar se estava tudo bem chegou a coçar a garganta, mas o orgulho barrou. Eu não ia dar o braço a torcer e começar uma DR com uma garçonete que tinha me descartado com aquela frase ridícula. A expressão dela, estática e sem vida, começou a me irritar profundamente. Foi então que, em um impulso de puro escárnio e raiva, deixei o pensamento ecoar na minha mente com toda a força:

"Ah, sua piranha, vai ficar com essa cara agora? Me chupa, vai."

O impacto foi imediato. Ela se empertigou na mesma hora, os ombros subindo como se tivesse levado uma descarga elétrica. O nervosismo tomou conta dela; os olhos saltavam de um lado para o outro do salão, vigiando cada mesa, cada cliente, conferindo se alguém percebia o que estava acontecendo. Ela deixou a bandeja de lado com um movimento mecânico e começou a caminhar em direção a uma porta cinza nos fundos do café.

Perto da entrada de serviço, ela parou. Girou o corpo lentamente e me lançou um sorriso que não tinha nada de amigável ou profissional; era um convite cru, direto, que me deixou sem ar.

No meu dedo, o anel não apenas esquentou — ele ardeu. A pedra amarela começou a emitir um zumbido baixo, uma vibração que eu não ouvia, mas sentia ressonar profundamente nos ossos do meu braço, subindo pela mandíbula até o crânio. O calor era quase insuportável, uma queimação que parecia marcar a minha carne enquanto ela me esperava ali, parada, com a mão na maçaneta.

"Ou é impressão minha ou ela está querendo que eu vá até ali com ela?"

O pensamento flutuou na minha cabeça enquanto eu tentava processar o absurdo da cena. Eu apontei o indicador para o meu próprio peito, num gesto de pura incredulidade, e inclinei a cabeça levemente, deixando a voz sair num sussurro rouco, quase inaudível sob o barulho da máquina de espresso:

— É comigo?

Ela não respondeu de imediato. Primeiro, os olhos dela varreram o salão novamente, uma vigilância quase paranoica que contrastava com a calma habitual do lugar. Depois, moveu os lábios de forma rápida e fez um sinal discreto com a mão, um movimento de "vem logo".

— Sim, vem cá... rápido — a voz dela foi um sopro, urgente e carregada de uma necessidade súbita que me fez estremecer.

E então, ela sumiu porta adentro.

Senti um estalo de adrenalina que fez meus pelos do braço se arrepiarem. Fechei o notebook de qualquer jeito, o estalo do plástico ecoando como um tiro na minha audição aguçada, e me levantei. O café e o pão de queijo sobre a mesa agora iam ficar para trás.

O calor no meu dedo tinha se transformado. Não era mais uma queimação agressiva, mas uma pulsação rítmica e profunda, como se o anel tivesse o seu próprio coração e ele estivesse tentando sincronizar com o meu. O zumbido nos meus ossos subiu pela coluna, me dando uma vertigem leve enquanto eu caminhava em direção àquela porta cinza.

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